Nascido em 29 de julho de 1889, em Cuiabá. Mato Grosso. Cursou o Colégio dos Padres Jesuítas em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, durante cinco anos. Porém, com a morte de seu pai, retornou a Cuiabá, onde concluiu o curso secundário.
Em 1908, decidiu ir para o Rio de Janeiro, onde procuraria cursar a Escola Politécnica. Estudou para o vestibular e entrou para esta Escola em 1909, formando-se engenheiro em 1913.
Concluido o curso foi nomeado Preparador da cadeira de Topografia, em 1915, tendo prestado concurso para Livre Docente da cadeira de Topografia e Legislação de Terras, em 1925.
Em 1930, prestou concurso para a Cátedra de Astronomia e Geodésia na Escola Politécnica, tendo sido nomeado Professor Catedrático.
Em 1938 foi chamado para preparar um grupo de Engenheiros do então Conselho Nacional de Geografia (hoje Instituto Brasileiro de Geografia), a fim de determinar as coordenadas geográficas dos Municípios do Brasil. Com este trabalho, muitos municípios tiveram suas coordenadas fixadas, com a eliminação, em muitos casos, de erros enormes nos mapas.
Em continuação, iniciou em 1949, os trabalhos geodésicos de Triangulação de primeira ordem, Nivelamento e Determinação Astronômica de Coordenadas de primeira ordem nas bases geodésicas e outros pontos de triangulação, trabalhados esses iniciados no norte do Rio Grande do Sul, que se estenderam até o Ceará, e, em seguida para o oeste do país.
O que destacou o professor Allyrio no conjunto da engenharia nacional foi sua atuação modernizadora no que diz respeito à Cartografia, nome genérico que hoje abrange todos os tipos de levantamento e determinações de posições absolutas ou relativas de porções da superfície da terra.
No Observatório Nacional, onde foi admitido como astrônomo em 1917, permanecendo até 1938, tendo participado do Serviço da Hora e colaborado na implantação dos sinais horários radiotelegráficos. Como astrônomo, é o único brasileiro a observar três eclipses totais do Sol visíveis no Brasil (em 1919, 1945 e 1969). Por ocasião do eclipse em Bocaiúva (1945), recebeu o Diploma de Comendador da Ordem da Rosa Branca da Finlândia.
Compareceu às Reuniões de Consulta sobre Cartografia e aos Congressos realizados no Brasil e também ao Congresso Internacional realizado em Lausanne, Suiça, em 1967. Foi Membro Titular da Academia de Ciências e Sócio Benemérito Fundador da Sociedade Brasileira de Cartografia. Recebeu, em 1967, pelos seus méritos, o Prêmio Ricardo Franco.
Na década de vinte, seu interesse pela recente descoberta da radiotelefonia levou-o, juntamente com Roquete Pinto e outros entusiastas, a fundar a Radio Sociedade do Rio de Janeiro.
O Professor Allyrio Hugueney de Mattos faleceu em 7 de janeiro de 1975, no Rio de Janeiro.
Seu arquivo foi-nos cedido, em comodato, por sua filha a Professora Leda Mattos dos Reis, conforme termo firmado entre esta e a UNICAMP.
Esta Coleção (documentos esparsos alheios ao próprio arquivo formado pelo titular), está inventariada e procedeu-se a referenciação bibliográfica dos documentos impressos (separatas, folhetos).
Eliane Morelli Abrahão
2000