EXISTEM CIÊNCIAS DE OBSERVAÇÃO? AS SOCIAIS SÃO METATEÓRICAS

  • Alberto Oliva Universidade Federal do Rio de Janeiro

Resumo

A partir de Francis Bacon os filósofos tenderam a atribuir papel crucial à observação na pesquisa científica. Depois da metade do século XX se intensificou o debate em torno do papel cumprido pela atividade observacional na ciência. A visão que encara o que se observa como ‘dados’ a serem simplesmente coletados foi profundamente questionada a ponto de se abrir caminho para a predominância da concepção oposta de que a observação está sempre impregnada de teoria. Este artigo pretende avaliar o impacto dessas discussões sobre a interação entre teoria e observação nas Ciências Sociais. Além disso, almeja mostrar que essas ciências lidam com tipos de objeto com peculiaridades ontológicas que requerem mais que o simples reconhecimento de que a observação é sempre ‘teoricamente impregnada’. Além disso, é também objetivo deste trabalho demonstrar que as principais críticas ao observacionalismo feitas por Popper et alii já se encontram na obra de Comte. No entanto, tais críticas ao observacionalismo são incompletas porque negligenciam um traço crucial de alguns tipos de fato social: o de se oferecerem pré-interpretados à observação. Defenderemos que a presença de ‘teoria’ em vários tipos de fato social gera problemas especiais com relação às formas de observá-los, reconstruí-los e explicá-los. Destacando as dificuldades especiais suscitadas pela observação de fatos da vida associativa que despontam pré-interpretados, este artigo se empenhará em demonstrar que não cabe caracterizar as Ciências Sociais nem como ciências de observação nem como teóricas e observacionais em virtude de possuírem natureza metateórica.

Palavras-chave: observacionalismo, fatos pré-interpretados, metateoria, função manifesta, função latente.

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Publicado
2017-05-18