Herança cultural intangível: culturas locais, auto-organização e preservação

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A partir da Declaração para a Diversidade Cultural da Unesco (2001)1, estabelecemos em 2006 uma rede entre instituições de nível superior em países de língua portuguesa para trabalharmos com a inclusão de línguas locais no espaço digital, em um projeto chamado Multilinguismo no Mundo Digital. Em 2007 o trabalho desta rede foi reconhecido como a primeira Cátedra Unesco em Multilinguismo no Mundo Digital, que foi sediada na Unicamp. Em 2008 a Unesco nos sugeriu, entre outras sugestões, trabalharmos com a criação de coleções digitais sobre línguas e culturas locais. E desde então trabalhamos com alunos de iniciação científica utilizando a biblioteca digital greenstone2. O caso que apresentamos neste seminário é fruto de uma parceria do projeto de iniciação científica júnior “coleções digitais multilingues” com a Casa de Cultura Afro Fazenda Roseira no ano de 2013, através da líder da comunidade, Alessandra Ribeiro. Propomos encaminhar para o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional um pedido de patrimoniamento imaterial do modo de fazer da "Feijoada do Sudeste". A manifestação da feijoada é compreendida aqui como bem imaterial de tradição de matriz africana de povos de terreiro, considerando questões de cultura e política na auto-organização. O caminho de elaboração do pré-inventário da manifestação assim como o de elaboração da pesquisa preliminar serão apresentados no grupo de AO e na comunidade da Casa de Cultura Afro Fazenda Roseira, e (com seus consentimentos) encaminhados para o IPHAN. Trata-se de um esforço inicial de abordar a noção de cultura, em interlocução com o trabalho de Michel Debrun, e é também uma oportunidade belíssima: a de poder fazer parte do patrimoniamento do modo de fazer da “feijoada do sudeste”.

1cf.

2cf.

Autor(es): 
Dra. Cláudia Wanderley
Créditos: 
Grupo Interdisciplinar CLE Auto-Organização
Data: 
sexta-feira, Maio 16, 2014