Grupo Interdisciplinar CLE Auto-Organização

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O Grupo Interdisciplinar CLE Auto-Organização, idealizado e criado por Michel Debrun em 1986, é constituído por Docentes e Pesquisadores da UNICAMP, UNESP, USP e de outras Universidades Brasileiras.

Os membros do Grupo CLE realizam “Seminários Interdisciplinares CLE Auto- Organização” como parte das atividades regulares do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da UNICAMP. Além disso, desenvolvem pesquisa bibliográfica, realizam seminários periódicos, editam publicações, promovem intercâmbio acadêmico e organizam eventos científicos.

O Grupo consta do Diretório de Pesquisa do CNPq, sob a denominação “Grupo CLE Auto-Organização”, com as linhas de pesquisa: Auto-Organização e Ciência dos Sistemas; Auto-Organização, Informação e Conhecimento Comum; Auto-Organização e Ciências da Vida; Auto-Organização e Processos de Criação. Proximamente deverá ser agregada a linha de pesquisa: Auto-Organização e Big Data.

 

 


Apresentação

Nas últimas décadas, o desenvolvimento da teoria da informação e da sistêmica em geral, bem como suas contribuições às áreas das ciências físicas, matemáticas, biológicas e humanas, têm suscitado reflexões científicas e filosóficas sobre as noções de ordem, organização, auto-organização, informação e criação. A ideia de um mundo naturalmente organizado, porque submetido à leis, parece estar sendo substituída por outro enfoque: a organização é vista, cada vez mais, como constituída de fenômenos de autorregulação, autorreprodução, e de criação.

A ênfase sobre organização e desorganização, ordem e desordem, parece assinalar o advento de um novo paradigma filosófico e científico: à consideração de cadeias causais lineares - ou de conexões lógicas lineares entre princípios e consequências - vem se acrescentar a consideração de fenômenos complexos caracterizados por cadeias causais não-lineares, que podem ser mais ou menos organizados ou não-organizados, ordenados ou desordenados.

O enfoque sobre a complexidade nunca deixou de estar presente. Entretanto, entre o final do século XVIII e dos anos 1950, a tendência do pensamento dominante era identificar a ordem à existência de leis no universo. Nessa perspectiva, não havia muito a ser dito sobre a ordem, além de constatá-la e, havendo leis deterministas ou probabilísticas em toda parte, não se podia conceder muito lugar à noção de desordem, a não ser em campos específicos.

Nas últimas décadas, todavia, parece haver certa aproximação entre as disciplinas científicas e as suas epistemologias, no que diz respeito ao uso das noções de ordem e desordem: os cientistas, de modo geral, admitem que as ideias de ordem implicam uma hierarquia entre os fenômenos de uma mesma área do conhecimento - mas rejeitam simultaneamente a concepção de ordem ou organização como sendo um "dever ser", ou seja, uma exigência que a natureza ou a sociedade teriam de cumprir. Tais reflexões, entretanto, não alteram necessariamente os princípios básicos que definem a racionalidade; representam algo mais e possibilitam um novo estilo de pensamento, ao mesmo tempo científico e filosófico, que contempla a complexidade – nesse sentido, parece estar ocorrendo um alargamento do horizonte da racionalidade.

O Grupo Interdisciplinar CLE Auto-Organização, desde 1986, vem estudando problemas relacionados às noções de ordem, organização, autopoiese, complexidade, auto-organização, informação, criação e outras correlatas.

Em 1987, membros do Grupo CLE organizaram uma Sessão sobre “Ordem e Desordem” durante a 39a Reunião Anual da SBPC, realizada em Brasília. No mesmo ano, foi realizado o “Colóquio CLE 10 anos - Ordem e Desordem”, comemorativo dos 10 anos de sua criação, coordenado por Debrun, com a participação de especialistas de diversas áreas do conhecimento e de diferentes universidades brasileiras; entre as tendências que se delinearam durante os debates, uma se impôs, identificando “auto-organização” como um processo de possível geração de ordem.

Nesse sentido, desde 1990 e após um estudo sistemático de parte da literatura sobre ordem e desordem, o Grupo CLE centralizou seu debate em torno das noções de auto-organização, informação e suas inter-relações, a informação sendo vista como um ingrediente fundamental de certos processos de auto-organização; e, mais recentemente, vem incorporando o estudo da auto-organização no contexto da sistêmica, particularmente da teoria dos sistemas dinâmicos e da teoria dos sistemas complexos. Recentemente, membros do grupo estudam a relação entre auto-organização e Big Data.

A produção acadêmica do Grupo CLE pode ser verificada nas sessões deste sítio: Seminário, Publicações, Eventos, Palestras e Vídeos. Contudo é importante mencionar que no período de 1996-1998, a FAPESP apoiou o Projeto “O Conceito de Auto-Organização e suas Aplicações em Diversas Áreas do Conhecimento” (Processo n.1996/01429-3), que permitiu consolidar as atividades do Grupo CLE nas suas diferentes vertentes. De 2011 a 2017 o Grupo CLE contou novamente com o apoio da FAPESP com o desenvolvimento do Projeto Temático “Sistêmica, Auto-Organização e Informação” (Proc. n.2010/52627-9). Em função deste apoio, foi possível também a criação do ‘Observatório Auto-Organização’ que possibilitou a disseminação de informação concernente aos vários temas do Projeto, e propiciou a manutenção de arquivos para a disponibilização dos dados e resultados produzidos durante a evolução das diferentes linhas de pesquisa. No momento este Observatório esta sendo submetido a uma reorganização.

Convém destacar ainda que a partir de 2017 o Grupo CLE desenvolve também trabalhos relacionados ao Projeto FAPESP “Compreendendo a Dinâmica da Opinião e da Linguagem Utilizando Big Data” (Processo n.16/50256-0), com vigência até 2020, tendo como pesquisadora responsável a professora Maria Eunice Quilici Gonzalez (UNESP-Marília).

O Prof. Michel M. Debrun coordenou as atividades do Grupo CLE até o seu falecimento, no início de 1997. Desde então, a Profa. Itala Maria Loffredo D’Ottaviano (UNICAMP) assumiu a Coordenação do Grupo CLE, contando para tanto com a colaboração das professoras Maria Eunice Quilici Gonzalez (UNESP) e Mariana Claudia Broens (UNESP) e dos professores Alfredo Pereira Junior (UNESP) e Ettore Bresciani Filho (UNICAMP).