Modelo Diagramático Psicológico para Compreensão das Relações entre Indivíduo, Sociedade, Natureza e Cultura

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Palestrante: 
Ettore Bresciani Filho
Enidio Hilário
Data: 
terça-feira, Julho 30, 2019 - 16:15

Perhaps every science must start with metaphor and end with algebra; and perhaps without the metaphor therewouldneverhave been any algebra.(Max Black, 1962)

O vago é “vertical”, a precisão é “horizontal”. (Ruyer, 1974)

 

EnidioIlario2

Ettore Bresciani Filho3

 

RESUMO

Com base em diagrama geométrico plano e espacial, da geometria analítica cartesiana, como modo de representação de fenômenos no campo das ciências da cognição, procura-se apresentar um modelo lógico e diagramático. Embora para o senso comum, um diagrama possa ser simplesmente uma representação visual da forma do objeto que se quer estudar, tratamos aqui de diagramas esquemáticos, ou seja, figuras que buscam representar não a forma, mas funções e relações lógicas. Consideramos que a própria mente tem caráter diagramático e que a linguagem é o lugar de sua articulação com o nível fisiológico, tendo se desenvolvido como um sistema adaptativo complexo, sobretudo como ferramenta para o pensamento. Sendo a linguagem essencialmente um sistema de significados logicamente articulados em torno de categorias semânticas no qual a auto-organização a partir da interação entre elementos constitutivos é fundamental, acreditamos ser possível modelar alguns de seus aspectos. Os elementos constitutivos que transitarão no espaço topológico do modelo são conceitos usuais nos campos da antropologia, da ética filosófica, da teologia, da psicologia, da sociologia e da política. O presente construto, que aqui denominamos hiperdiagrama, se constitui na forma de eixos ortogonais das coordenadas cartesianas, um deles representa as relações entre indivíduo e sociedade em uma direção e o outro, entre natureza e cultura em direção perpendicular. Lembrando que na álgebra linear um teorema que demonstra que quando os vetores estão dispostos ortogonalmente eles são linearmente independentes, o que significa que vetores em ângulo de 90º definem dimensões diversas, fato que determina que as relações que se estabelecem entre as polaridades em cada eixo, não são conflitantes, mas sim complementares. O modelo é estruturado como um espaço cartesiano e vetorial, no qual os eixos ortogonais são coordenadas semânticas que delimitam os quadrantes e os elementos se determinam reciprocamente em relações de vizinhança. Busca representar potencialidades intrínsecas à mente humana, que ao serem atualizadas, estabelecem o tempo teleológico a partir da tensão entre o ser e o dever-ser e é nesse movimento existencial que reside o traçado de um espaço tridimensional estruturado e estruturante. Essa representação permite, por exemplo, uma resultante atitudinal, entendendo que a atitude é aquele estado mental que independe do comportamento como ação motora e apenas designa disposições favoráveis ou desfavoráveis em relação às circunstâncias internas ou externas, no processo de tomada de decisões. Da mesma forma, a resultante também pode ser avaliada em seus desenvolvimentos dinâmicos, ao longo do tempo, agregando um terceiro eixo ortogonal para a definição de um espaço cartesiano. Admite-se que essas atitudes possuam uma dinâmica que pelo menos como metáfora, possam ser expressas pelo percurso de um ponto em uma espiral cônica, ou outro tipo de espiral como a de Arquimedes ou Finobacci, no diagrama tridimensional. Ou então possam ser expressas por um percurso caótico, de acordo com leis do caos determinístico no diagrama tridimensional caracterizado como um diagrama de fases, no qual as coordenadas semânticas delimitam uma região que atua como espécie de atrator, situando a associação de idéias, aqui representada como associação de conceitos, aos seus respectivos campos semânticos de atração, dessa forma evitando a potencial explosão combinatória lexical. Como puro exercício de abstração a presente modelagem, em nossa opinião, já estaria justificada, entretanto, embora as atitudes e comportamentos humanos não possam ser previsto individualmente por qualquer modelo constituído de diagramas com figuras geométricas regulares ou caóticas, representadas por equações matemáticas, alguns dos princípios gerais que os diagramas sugerem podem ser suficientes para produzir modelos heurísticos capazes de fazer previsões diante de situações paradigmáticas. Esses modelos poderiam ser utilizados para casos particulares a partir da história de vida na clínica psicológica de maneira geral, na psicoterapia, por exemplo, para determinar as visões de mundo (cosmovisões) e sua dinâmica no decorrer da vida. Mas também poderia ser útil para classificar os fatos clínicos e auxiliar no diagnóstico psiquiátrico. No campo da psicologia social, ainda exemplificando, o hiperdiagrama poderia ser utilizado de forma complementar as teorias sociológicas para modelar fenômenos de massa e assim por diante. Nesses casos a modelagem formalizada pode contribuir para o desenvolvimento de modelos computacionais no campo da inteligência artificial.

 

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Trabalho de pesquisa de reflexão. A ser apresentado nos Seminários de Auto-Organização, Centro de Lógica Epistemologia e História da Ciência, Universidade Estadual de Campinas, 2019.

2Médico (UNICAMP); Doutor em Psicologia (PUC-Campinas); Professor Colaborador da FCM-UNICAMP; Membro do CIB-UNICAMP; Membro de Grupo de Pesquisa no CLE-UNICAMP.

3Engenheiro Aeronáutico (ITA); Doutor em Engenharia e Professor Livre-Docente (EPUSP); Professor Titular Aposentado (FEM-UNICAMP); Membro do CLE-UNICAMP.