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Palestrante
Nivaldo Manzano
Data
Sexta-feira, 05/12/2025 - 10h00
O objeto desta apresentação é contribuir na retomada de alguns delineamentos na história da epistemologia e da axiologia que sirvam para lançar luz sobre o embate entre duas visões de mundo - entre o modelo de sistema (estrutura e função) e a visão de mundo em processo.  O senso comum assume  que não há diferença entre uma e outra, ou que essa diferença seria apenas retórica; e o que se pretende mostrar aqui,  ao contrário, é que a diferença entre uma e outra alcança dimensões tectônicas quando consideradas isoladamente uma da outra. O critério de aferição aqui utilizado é de caráter imanente e se explicita no conforto de se estar em sincronia com o estado de mudança da realidade. É nesses termos que se apresentam duas heurísticas em aparente disputa pela legitimidade do saber.
 É indiscutível que o modelo de sistema (estrutura e função) tem prevalecido nos trabalhos acadêmicos, sob o influxo da episteme pós-cartesiana, de caráter dualista, que separa sujeito e objeto, organismo e meio. Mas é fato que a visão de mundo em processo, ou contexto (integração entre processos), tem apresentado resultados mais aderentes à realidade em áreas da pesquisa científica, como a genética molecular, a biologia do desenvolvimento, a etologia, as ciências ambientais e o planejamento/gestão situacional, dentre outras. 
 O modelo de sistema atém-se à generalidade das abstrações, à construção e operação de conceitos, no plano das ciências imateriais, como estabelece Aristóteles. O caráter universal atribuído ao conceito pressupõe que a realidade possa ser devassada inteiramente por critérios da lógica e da matemática, exaurível mediante a razão,  e que possa ser manejada sob uma axiomática de caráter sintático, de regras fixas, imutáveis, alheias à diversidade dos contextos. Em contraposição, a visão de mundo em processo atém-se à singularidade da ação, ou comportamento consciente, ou pragmática, que limita a aplicação do principio de identidade e não contradição a situações em que se fazem necessárias, segundo estabelece o próprio Aristóteles. No concreto da ação, ou comportamento consciente, o que se busca é sincronizar a experiência da realidade com o seu estado de mudança. Nesse caso, o que se obtém no agenciamento do objeto não é a certeza, restrita ao âmbito da  lógica e da matemática, mas sim uma aderência mais intensa à realidade, como enxergada no contexto da ação. Trabalha-se nesse caso com uma axiomática, que, para além da sintaxe, apoia-se na semântica, de regras de operação que mudam  de acordo com o contexto da ação.
Esse é o pano de fundo em que transcorre a chamada crise de paradigmas na atualidade, não tão atual, que se caracteriza, na visão de mundo em processo, pela transposição indevida da lógica e da matemática para o plano da ação, ou comportamento consciente, conformando um panlogismo. É sobre as implicações e consequências do panlogismo que versa esta apresentação.

 

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