A Revolução Copernicana-Galileana: Astronomia e Cosmologia Pré-Galileana

Autores

Fátima Regina Rodrigues Évora

Sinopse

A Revolução Copernicana-Galileana: I Astronomia e Cosmologia Pré-Galileana (digital)

 

Catálogo da Coleção CLE

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"Um erro que tem influenciado muitos historiadores da ciência é a noção de que a ciência natural começou no século XVII, com a revolução galileana-cartesiana, ou talvez no século XVI, coma revolução copernicana: os gregos não passariam de especuladores: e: todos os pensadores medievais teriam se inspirado na teologia e na superstição.

Eu, por outro lado, acredito que a ciência natural foi se desenvolvendo desde a antiguidade e que a ciência moderna como diz Alexandre Koyré, “não brotou perfeita e completa, qual Atenas dá cabeça de Zeus, dos cérebros de Galileo e Descartes. Ao contrário, a revolução galileana-cartesiana — que permanece apesar de tudo uma revolução — tinha sido preparada por longo esforço de pensamento”.

Assim sendo, para compreender a origem, o alcance e a significação da revolução copernicana-galileana e a sua inserção no pensamento cientifico-filosófico antigo e medieval deve-se analisar, ainda que rapidamente, a “ciência pré-galileana, sobretudo aquela desenvolvida por Aristóteles e o “pensamento cosmológico de Platão e seus discípulos, cujo espírito de simplicidade e harmonia influenciaram fortemente o pensamento de Copérnico e Galileo.

As ideias cosmológicas de Aristóteles, ou seja, suas ideias sobre a real estrutura do Universo, assim como sua teoria da substância e os seus princípios fundamentais da explicação científica, dominaram o pensamento europeu até as primeiras décadas do século XVII. Suas opiniões tiveram uma grande influência e constituíram o ponto de partida para a maior parte do pensamento cosmológico medieval e grande parte do renascentista.

Platão, por outro lado, embora sem dar uma substancial contribuição a astronomia, influenciou vários astrônomos da antiguidade, como Eudoxos, Galiipos, Heráclides de Pontos, e até mesmo Aristóteles; e alguns medievais “e renascentistas, como Copérnico e Galileo, entre outros.

Não espero fazer, na presente edição, uma discussão detalhada de cada ponto da ciência antiga e medieval, mas antes traçar em linhas gerais o universo científico e filosófico no qual Copérnico e Galileo estavam inseridos ao elaborarem suas teorias. Começando com a análise das primeiras teorias. astronômicas gregas.

Além da reflexão sobre a física e cosmologia aristotélica, e sobre o pensamento cosmológico de Platão e seus discípulos, serão analisados os notáveis sistemas cósmicos propostos pelos primeiros a acreditarem em algum tipo de movimento da Terra, tais como Philolau, o pitagórico; Heráclides de Pontos e Aristarchos de Samos. Serão ainda discutidos alguns pontos do sistema de Ptolomeu, em especial aqueles que serão alvo da crítica copernicana.

Também os trabalhos de alguns medievais como os de Philoponos; dos árabes, Avicena, Avempace e Averrões; e dos membros da escola nominalista de Paris, tais como Jean Buridan e Nicolas Oresme, deverão ser analisados, já que terão um papel decisivo na crítica escolástica que tem lugar nos séculos que precedem a revolução copernicana. Em seguida será discutida a revolução copernicana, sua motivação e teses principais.

Finalmente será feita a análise historiográfica da ciência de Galileo. A leitura histórica será feita informada por estudos epistemológicos, notadamente os de Paul K. Feyerabend.

Dois aspectos da ciência de Galileo serão discutidos mais detalhadamente, a saber: o seu trabalho telescópico (contexto da descoberta e contexto da justificação, e as observações astronômicas de Galileo) e as novas ideias introduzidas por Galileo (lei da inércia circular, nova mecânica e o princípio da relatividade galileana) a fim de sustentar as suas respostas às objeções aristotélicas ao movimento da Terra. A discussão deste segundo aspecto estará associada à reconstrução dos argumentos mecânicos de Galileo em favor da “mobilidade da Terra, inserindo-os na discussão medieval em torno da possibilidade do movimento da Terra.

A fim de completar a análise da inserção da revolução copernicana-galileana na história do pensamento científico-filosófico antigo e medieval se faz necessária uma reflexão sobre alguns aspectos das teorias ópticas desenvolvidas por Alhazem, Witelo, Robert Grosseteste, John Peckham, Roger Bacon, Giovanni Battista della Porta e finalmente Johannes Kepler, que poderiam ter servido de bases teóricas para a construção do telescópio e justificação do seu uso.

Foi difícil não ceder aos impulsos de introduzir nesta discussão a análise dos trabalhos astronômicos de Kepler, fundamentais para a constituição da nova concepção heliocêntrica da astronomia. Porém, como esta introdução estenderia em demasia a presente obra, optei, então, por fixar a minha análise na revolução copernicana-galileana deixando para implementar, em outra ocasião, uma reflexão mais cuidadosa aos trabalhos de Kepler."

Fátima Regina Rodrigues Évora

 

ISSN: 0108-3147
Primeira Edição (1988)

 

Índices para catálogo sistemático:
1: Astronomia : História 520.9
2. Mecânica : História 531.09.
3. Óptica: História 535.09

 

Obs. Para compreender a origem, o alcance e a significação da revolução copernicana-galileana e a sua inserção no pensamento científico filosófico antigo e medieval deve-se analisar, ainda que rapidamente, a ciência pré-galileana, sobretudo aquela desenvolvida por Aristóteles e o pensamento cosmológico de Platão e seus discípulos, cujo espírito de simplicidade e harmonia influenciaram fortemente o pensamento de Copérnico e Galileo.

Coleção CLE - Volume 3

Publicado

June 29, 2022

ISSN impresso

0103-3247