Cognição, Emoções e Ação
Synopsis
Cognição, Emoções e Ação (digital)
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“Louco não é o homem que perdeu a razão. Louco é o homem que perdeu tudo menos a razão.” Penso que este aforismo de G. Chesterton, escritor britânico falecido em 1936, condensa, em poucas palavras, o conteúdo deste livro. O louco age como uma máquina cuja racionalidade, privada de emoções e de afetos, beira a psicopatia.
No século passado, os cientistas cognitivos tentaram separar a razão da emoção. Não se tratava, entretanto, de pura e simplesmente negar a existência das emoções. Separar a razão das emoções era um preceito metodológico, a ideia de estudar a cognição humana por partes. Primeiro, modelar o raciocínio, depois, acrescentar as emoções. Essa era a ideia do modelo computacional da mente. Mas seria esse o caminho adequado?
Essa trajetória foi interrompida em 1994, com a publicação do livro do neurobiólogo Antonio Damásio, O Erro de Descartes que, rapidamente, ultrapassou os muros da academia para se tornar um best-seller internacional. Nesse livro, Damásio argumentou que a razão não poderia ser separada das emoções.
A objeção de Damásio era contundente. Não se tratava apenas de objetar a receita metodológica dos cientistas cognitivos. Ele mostrou que a razão e a emoção estão indissoluvelmente associadas e que na verdade não há raciocínio numa forma pura, independente, a não ser que se cometa o erro de Descartes, ou seja, separar mente e corpo como se fossem substâncias distintas. Em outras palavras, para Damásio a razão só é racional se ela for permeada pelas emoções.
Nas últimas décadas, a ciência cognitiva, impulsionada pelo florescimento da neurociência, praticamente abandonou o modelo computacional da mente. Ele é um bom modelo para construir inteligências artificiais, mas não para explicar o modo como os seres humanos pensam e agem.
Ninguém pode existir sem ser afetado pelas emoções. Essa constatação fundamental abre para a neurociência e para a ciência cognitiva uma via nova, na medida que leva em conta o papel fundamental das emoções na vida cerebral. A razão e a cognição não podem se desenvolver e exercer suas funções normalmente se não forem sustentadas pelos afetos. Para pensar, para conhecer, é preciso que as coisas tenham uma um peso, um valor. A indiferença emocional anula o relevo, apaga a diferença das perspectivas, nivela tudo. Privado de seu poder crítico, de sua capacidade de discriminar, de diferenciar, que procede da emoção, o raciocínio, como diz Damásio, se torna raciocínio a sangue frio, não raciocina mais.
Consciência e emoção não são separáveis. As funções cognitivas de alto nível como a linguagem, a memória, a razão e a atenção estão ligadas aos processos emocionais, especialmente quando se trata de questões pessoais e sociais que envolvem risco. Estudos recentes com crianças abandonadas mostram que a privação de afeto causa graves atrasos psicomotores.
Neste livro, um grupo de autores analisa as relações entre razão, emoção, ação, consciência e cognição a partir de várias perspectivas. Um livro inquietante e, ao mesmo tempo, de leitura agradável, fluente e claro. Um livro que, sem fazer trocadilhos, pode emocionar seus leitores.”
Marcos Antonio Alves (Org.)
VoLume 84 – 2019
ISBN 978-85-7249-020-7 (Impresso)
ISBN 978-85-7249-019-1 (Digital)
Índice para catálogo sistemático
1, Filosofia da mente.
- Emoções e cognição.
- Psicologia e filosofia.
- Neurociências.
- Abordagem interdisciplinar do conhecimento.
References