Auto-Organização: Estudos Interdisciplinares (v.5)
Synopsis
Auto Organização: estudos interdisciplinares Volume 5 (digital)
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Resumo
“O estudo interdisciplinar da dinâmica constitutiva dos processos auto-organizados faz parte do programa de inúmeras pesquisas em desenvolvimento nas ciências exatas, naturais e humanas. A literatura disponível sobre a natureza ontológica e epistemológica desses processos é bastante diversificada e a compreensão dos conceitos e das hipóteses que caracterizam as teorias sobre os processos auto-organizados constitui um importante desafio para a pesquisa interdisciplinar do século XXI.
Este volume de Auto-Organização: estudos interdisciplinares, quinto de uma série, congrega estudos apresentados nos Seminários Regulares do Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização da UNICAMP. Esse grupo foi criado, em 1986, pelo Prof. Michel Debrun, que o coordenou até o seu falecimento, em 1997. Desde então, o Grupo tem sido coordenado pela Professora ítala M. Loffredo D'Ottaviano.
Como fruto das atividades do Grupo, os quatro volumes anteriores de Auto-organização: estudos interdisciplinares foram também publicados por esta COLEÇÃO CLE (volumes 18, 30, 38 e 52), editada pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência, CLE, da UNICAMP, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP
Além desses quatros volumes, foi, ainda, organizado, por ítala M. Loffredo D'Ottaviano e Maria Eunice Q. Gonzalez, o volume 53 da Coleção CLE, intitulado Identidade Nacional Brasileira e Auto-organização. Tal volume, escrito em versão bilíngue, Inglês e Português, reúne manuscritos inéditos de Debrun sobre a natureza da "identidade nacional e/ou brasilidade", além da reedição dos três últimos artigos publicados por ele, nas coletâneas Auto-organização: estudos interdisciplinares (Coleção CLE, volume 18) e Encontro com as Ciências Cognitivas (Editora Cultura Acadêmica, UNESP, 1997). Debrun analisa, nesses artigos, os conceitos básicos de sua teoria da auto-organização, indicando, em esforço interdisciplinar, possíveis aplicações desses conceitos (forma, organização auto-organização primária e secundária, criatividade, atrator, interioridade, temporalidade) aos domínios físico, biológico, social e cognitivo.
Com o Projeto Temático Sistêmica, Auto-organização e Informação, aprovado pela FAPESP em 2012, e com financiamento em curso, o problema central investigado pelo Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização diz respeito ao estatuto epistemológico dos processos de auto-organização no domínio dos sistemas complexos.
O presente volume de Auto-organização: estudos interdisciplinares expressa uma parte dos resultados obtidos pelos integrantes do grupo, focalizando a natureza dos processos de auto-organização subjacentes à dinâmica de manifestação dos sistemas complexos. Esses processos, que possuem a capacidade para engendrar e, conservar, de modo autônomo, e sem controle de uma instância hetero organizadora central, seus padrões de funcionamento e organização, são analisados à luz de múltiplas áreas do saber, tais como, filosofia, lógica, matemática, física, biologia, engenharia, linguística, nutrição, psicologia e assim por diante.
Os catorze capítulos que compõem o presente volume foram escritos em concordância com uma perspectiva interdisciplinar, que não requer conhecimento especializado para a compreensão das questões e temas, ligados à auto-organização, aqui discutidos. Frutos de pesquisa interdisciplinar, os capítulos estão arranjados em três partes (que podem ser lidas de modo independente).
A Parte I, intitulada Auto-Organização, Ciência dos Sistemas e Processos Criativos, é iniciada com o Capítulo 01, O inconsciente no processo de criação e processo de auto-organização: dois olhares complementares, de autoria de Ettore Bresciani Filho e Paola Brandalise Bettega. Os autores empreendem uma descrição do processo de criação com base em duas abordagens teóricas da ciência da Psicologia, a cognitiva e a analítica. Buscam, também, refletir sobre os mecanismos inconscientes presentes nos processos criativos, argumentando que esses processos exibem características de auto organização, uma vez que neles podemos observar a emergência espontânea e autônoma (e, por isso, auto-organizada) de uma organização nova de ideias/ imagens.
No Capítulo 02, Fábio Maia Bertato, em Sobre a definição matemática de sistemas: alguns aspectos históricos, novas propostas e lógicas sistêmicas associadas, esboça uma nota etimológica do vocábulo "sistema", além de apresentar aspectos históricos e contribuições para o que caracteriza como (pré-)história da Teoria de Sistemas. Em uma parte mais técnica do texto, o autor oferece uma abordagem matemática dos sistemas, bem como uma série de definições que permitem, à luz da Lógica, da Teoria de Modelos, do Realismo Conceptual e da Análise de Conceito Formal, o aprofundamento de investigações sobre sistemas. Sugere, também, que uma definição precisa (lógica e/ou matemática) de sistema deve constituir passo fundamental para a elucidação do estatuto epistemológico dos sistemas auto-organizados.
Em Uma compreensão da economia solidária à luz da teoria da auto-organização. Capítulo 03, Renata C. Geromel Meneghetti discute os empreendimentos em Economia Solidária - caracterizados pela cooperação, solidariedade e autogestão - em conformidade com a tessitura conceituai da Teoria da Auto-Organização proposta por Debrun. A autora argumenta que a concepção/criação de um empreendimento em Economia Solidária (EES) caracteriza a auto-organização primária, como expressão da geração de uma organização ou sistema. Aponta, também, para a caracterização de ajustes e desenvolvimentos dos EES enquanto processos, bem sucedidos, de auto-organização secundária. Isso porque a aprendizagem, que possibilita a incorporação de novidades, seria fator essencial para a complexificação dos Empreendimentos em Economia Solidária, concebidos como sistemas auto-organizados.
O Capítulo 04, Hábito e auto-organização secundária, de autoria de Ramon S. Capelle de Andrade e ítala M. Loffredo D’Ottaviano, encerra a primeira parte da coletânea. Nesse capítulo, os autores caracterizam o hábito como uma relação entre antecedentes circunstanciais e consequentes comportamentais que constituem pares ordenados de prescrições condicionais hipotéticas, ou disposição para a conduta. Consideram, com Peirce (1958), que o hábito constitui uma prontidão para se comportar de certo modo (o consequente) sob a influência de certas circunstâncias (o antecedente). Procuram caracterizar a auto-organização em associação com o processo de ruptura e formação de hábitos, e argumentam que a auto organização secundária pode acontecer, no sistema psicocomportamental, quando o agente consegue reestruturar hábitos que se mostraram, na experiência, inadequados para promoção da adaptação ao contexto. Os autores defendem que parte da identidade de um sistema/agente é dada por um conjunto de hábitos, e propõem uma adaptação da forma ("lógica") do raciocínio abdutivo para lidar com o processo de criação de hipóteses de condutas.
A Parte 11, intitulada Auto-Organização, Informação e Conhecimento, reúne cinco textos. No Capítulo 05, Complexidade e privacidade informacional: um estudo na perspectiva sistêmica, Maria Eunice Quilici Gonzalez e João Antonio de Moraes investgam o problema da privacidade informacional sob o enfoque da teoria dos sistemas complexos. Tal problema encontra, atualmente, relevância fundamental, na medida em que a interação dos agentes com as tecnologias da informação tem propiciado possibilidades inéditas de conduta, conferindo um caráter fuzzy (difuso) à identificação da fronteira entre público/privado. Nesse sentido, os autores argumentam que o tema da privacidade informacional constitui elemento importante na agenda de investigação da Ética Informacional. Trata-se de um novo ramo de investigação interdisciplinar na filosofia que reúne questões, de natureza moral, relacionadas aos impactos da inserção de tecnologias informacionais na vida cotidiana. Nessa perspectiva, os autores argumentam, ainda, que a adoção da concepção sistêmica na análise da privacidade informacional fornece um método de investigação apropriado para a reflexão filosófico-interdisciplinar sobre novos temas que se apresentam no cenário contemporâneo das tecnologias digitais.
No Capítulo 06, Percepção, informação e auto-organização no contexto da realidade virtual, Ana Maria Pellegrini, Alexandre Monte Campeio e Cynthia Yukiko Hiraga investigam o efeito da atividade física no contexto de um sistema audiovisual que caracteriza um sistema de realidade virtual, realidade essa que demanda do agente uma resposta imediata à informação captada. Os autores apresentam uma análise do comportamento motor humano, apoiados no referencial teórico de análise da interação agente-ambiente, no contexto da abordagem ecológica proposta por Gibson (1966, 1976). Eles argumentam que, no transcurso do desenvolvimento, o agente humano tem suas estruturas física, cognitiva e emocional alteradas como resultado de contínua interação com o meio em que vive. Essas mudanças - destacam - ocorreriam em ritmo próprio, em sequência típica da espécie, e em consonância com o que o meio oferece. Entre os elementos centrais nesse contexto de interação, há, para os autores, a percepção, que traz informação acerca do mundo exterior, e os mecanismos de auto-organização, que garantem as mudanças necessárias para o equilíbrio nas relações agente-ambiente. Ênfase é dada à emergência de novos padrões comportamentais resultantes de affordances presentes na realidade virtual
No Capítulo 07, A natureza das ações encarnadas/incorporadas e situadas e suas implicações para o estudo do desenvolvimento humano, Pedro Fernando Viana Felício e Edson de J. Manoel investigam a natureza da cognição situada e incorporada. Os autores discutem implicações da aceitação da hipótese segundo a qual o conhecer e o fazer constituem processos complementares, auto-organizados, estando o conhecimento encarnado na base do conhecimento simbólico. Uma síntese de concepções acerca dos caminhos desenvolvimentistas da cognição é apresentada, culminando no modelo sinergético (por eles adotado). No âmbito do modelo sinergético, destacam os autores, as mudanças desenvolvimentistas não seriam prescritas em nenhum plano da rede de interações gene-célula-órgão-comportamento-ambiente. Eles ressaltam que seria preciso compreender como as mudanças desenvolvimentistas se auto-organizam, e como a experiência influencia as predisposições comportamentais. Os autores concluem que, no exercício da vida, agentes produzem sinergias ecológicas, sendo a incorporação dessas sinergias a estrutura basilar do pensamento, do comportamento e das alterações qualitativas de potencialidades de ação captadas sem necessidade de mediação representacional.
No Capítulo 08, A concepção de emoção segundo Peirce, Lauro Frederico Barbosa da Silveira e Jorge de Barros Pires empreendem uma análise do tratamento conferido por Charles Peirce ao conceito de emoção. Nessa análise, visitam uma série de textos escritos de 1868 até 1907 e, também, oferecem uma síntese da apreciação das emoções em estudiosos da obra de Peirce, como Thomas Goudge, Max Fisch, David Savan, Thomas Short, Comelius Delaney e Christopher Hookway. Os autores argumentam que, não obstante o tema da emoção pareça ter importância minorada em poucos momentos da vasta produção intelectual de Peirce, a dimensão emocional da conduta, em textos datados a partir de 1906, aparecerá na subdivisão (semiótica) dos interpretantes emocional, energético e lógico. Ressaltam que, para Peirce, as emoções integram a totalidade do fazer científico, que, sem elas, não poderia ser levado a cabo. As séries infindas de interpretantes (afirmam Silveira e Pires) não seriam capazes de tradução em efetivas alterações de hábito, caso a ciência constituísse atividade isolada de um sujeito pensante ou de um grupo particular de pesquisadores. Isso porque, o pensamento se constitui, destacam os autores, no diálogo em rede que abrange a humanidade e, na concepção pragmática e metafísica de Peirce, todo o cosmos em evolução. Integrar-se nesta rede e participar do diálogo só seria possível caso os pensadores fossem motivados por um sentimento de esperança de que seu trabalho viesse a colaborar para a maior razoabilidade do cosmos.
O Capítulo 09, Sobre uma teoria sistêmica de hábitos, de autoria de Mariana Claudia Broens e Gustavo Maia Souza, conclui a Parte II da presente coletânea. Os autores investigam contribuições da Teoria da Auto-Organização para uma compreensão do conceito de hábito na perspectiva, da complexidade. Inicialmente, é problematizada a tese do paralelismo psicofísico entre hábitos mentais e corpóreos, frequentemente apresentada pela metáfora do feixe de hábitos. Tal metáfora é utilizada por filósofos que partem de concepções dicotômicas da relação mente/corpo. Na tentativa de dissolver a dicotomia mente/corpo, os autores defendem que uma nova concepção interpretativa, inspirada na noção de rede, pode ser particularmente adequada para designar as múltiplas escalas integradasem que ocorrem os processos de atualização, geração e abandono de hábitos (cognitivos, perceptuais, motores, dentre outros) em agentes incorporados e situados. Assim, é sugerida uma definição operacional de hábito e uma classificação de seus vários tipos com base no conceito de rede organizada que se estabelece nas relações entre as partes de sistemas complexos.
A Parte III, intitulada Conceitos Fundamentais para a Modelagem de Processos de Auto-Organização, reúne cinco textos. No Capítulo 10, Auto-organização e processos mentais em uma perspectiva monista, Alfredo Pereira Jr. analisa aplicações da Teoria da Auto-Organização no estudo dos processos mentais inconscientes e conscientes, bem como a inserção desses processos no mundo natural. Pereira Jr. inicia o capitulo com a proposta de uma ontologia monista de linhagem aristotélica e, em seguida, indica como seus conceitos centrais podem ser traduzidos para o quadro conceituai da teoria de sistemas dinâmicos abertos. O autor argumenta que o conceito aristotélico de potência pode ser aplicado ao modelo de espaço de estados de sistemas naturais, no qual cada região n-dimensional corresponde a uma possibilidade a ser atualizada, dependendo da satisfação de determinadas condições. Deste modo, no processo evolutivo da realidade o aspecto material/energético é o primeiro a se atualizar. Sendo satisfeitas condições de baixa entropia e interatividade, emerge o aspecto informacional, que está presente nos processos da vida e nos processos mentais não conscientes (por exemplo, em máquinas que realizam operações mentais). Além disso, sendo satisfeitas condições necessárias para a instanciação de sentimentos, emerge o aspecto mental consciente, concebido como constituído por processos cognitivos ancorados em processos afetivos. Por fim, o autor propõe o conceito de "fiorde psicofísico" para se referir aos sistemas auto-organizados que apresentam concomitantemente os três aspectos: físico (material/energético), informacional (mental não consciente) e mental consciente.
No Capítulo 11, Dinâmica vital, Romeu Cardoso Guimarães investiga o tema da origem da vida, com ênfase na formação do vínculo nucleoprotéico, no qual proteínas e ácidos nucléicos se tornariam interdependentes e mutuamente estimulantes. Segundo autor, esse vínculo estabelece a formação do código genético, que engloba a organização do sistema de síntese de proteínas e dos genes. O sistema de síntese de proteínas constituiria - argumenta - a base da instalação de uma dinâmica de ralo - a 'força vital', que organizaria a autoconstrução e a auto-organização do suporte metabólico e da estrutura celular. Quaisquer novidades acrescentadas teriam que se reportar à manutenção da integridade do fluxo metabólico, que supre as sínteses, e ao sistema de síntese de proteínas, que é o ralo do fluxo. A hipótese do autor é que a organização do processo de reprodução deriva dos requisitos para a manutenção do fluxo. Seriam selecionadas negativamente as novidades que o prejudicam, restando as que não o prejudicam ou o melhoram; o que, por sua vez, garantiria a manutenção da direção anabólica por uma sucessão de processos que afastam as proteínas dos locais de sua síntese e evitam seu acúmulo excessivo na célula, culminando na instalação do processo complexo e regulado de reprodução.
Maria Amélia de Carvalho e Alfredo Pereira Jr, no Capítulo 11, Processos nutricionais e auto-organização corporal em uma perspectiva semiótica, caracterizam os processos nutricionais como aqueles em que as pessoas selecionam, ingerem e metabolizam alimentos, absorvendo nutrientes e os transformando em seu próprio corpo, excretando metabólitos, produzindo energia útil, calor e, por conseguinte, possibilitando não apenas a manutenção da vida, mas, também, a realização de potencialidades. Os autores discutem aspectos dos processos nutricionais, utilizando, para tanto, a semiótica proposta por Charles Sanders Peirce. Apresentam um diagrama para ilustrar as várias dimensões e etapas envolvidas nos processos nutricionais, desde o plano físico ao existencial e espiritual. Nesse diagrama, os autores apontam para a possibilidade de emergência de fenômenos auto-organizados e hetero organizados nos processos nutricionais. Nos fenômenos hetero organizados, os autores destacam certo grau de controle externo, como, por exemplo, no caso da sociedade humana, o direcionamento do consumo alimentar por meio de propagandas veiculadas na mídia. Em contrapartida, consideram, na perspectiva da filosofia pragmática de Peirce, que ações educativas que se exerçam de modo a redimensionar os aspectos psicobiossociais implicados na nutrição poderiam facilitar processos auto-organizados de alterações de hábitos nutricionais prejudiciais à saúde das pessoas.
m Prolegômenos para uma teoria semiótica da auto organização. Capítulo 13, Vinícius Romanini argumenta que o sinequismo elaborado por Peirce constitui uma teoria do continuum, que dissolve a separação entre sujeito do conhecimento e objeto a ser conhecido, além de introduzir a concepção de semiose como processo que estrutura o real. Argumenta ainda que uma teoria semiótica da auto-organização poderia ser suficientemente geral para dar conta de processos em que a informação está presente. Tal teoria propicia_ria, segundo o autor, uma teoria da realidade, uma vez que o real, supostamente, se desenvolve pela aquisição de hábitos. Sugere que a lei da mente (tal como formulada por Peirce) seria o propulsor dos processos auto organizativos. Nessa perspectiva, a cosmologia elaborada por Peirce pressuporia uma ontologia evolutiva, segundo a qual a realidade se constituiria gradativamente a partir de um caos absoluto, sinônimo de "nada", para fenômenos regidos por leis cada vez mais regulares. As leis surgiriam e ganhariam força num processo de semiose. Essa perspectiva permitiria, para o autor, entender o famoso dito peirceano de que "o universo inteiro está permeado por signos, se é que não se constitui apenas de signos". O autor defende, em conclusão, que, como lógica dos processos de semiose, a semiótica peirceana poderia embasar uma teoria sistêmica e evolutiva (auto-organizada) da realidade.
A Parte III da coletânea é finalizada com o Capítulo 14, Jean Piaget, arauto da auto-organização, e sua contribuição ao estudo da auto-organização secundária, elaborado por Ricardo Pereira Tassinari, Alexandre Augusto Ferraz e Kátia Batista Camelo Pessoa. Os autores destacam que, de acordo com a teoria piagetiana, a inteligência constitui uma forma do próprio processo de adaptação do organismo-sujeito, o qual constrói seu conhecimento e as estruturas a ele necessárias a partir da sua interação com o meio. Procuram mostrar que, na medida em que o sujeito epistêmico se desenvolve, os processos inteligentes apresentam características de auto organização, o que, por sua vez, teria levado Debrun a considerar Piaget um dos "arautos" da auto-organização. Além disso, os autores argumentam que, na concepção de Piaget, os aspectos funcionais dos processos inteligentes se explicitam por meio de invariantes comuns às estruturações em quaisquer organismos (em especial, organização, adaptação, assimilação e acomodação) e constituem categorias que permitem pensar os processos de "auto-organização secundária".
Resta-nos mencionar que as múltiplas perspectivas e orientações científico-filosóficas manifestadas nesta coletânea expressam o interesse dos autores pelos processos de auto-organização, além de uma tentativa de, em conformidade com uma prática interdisciplinar, cultivada nos Seminários Regalares do Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização, oferecer um tratamento rigoroso, ainda que parcial e em permanente construção, ao tema "Auto-organização". Convidamos você (querido leitor) a conferir a trajetória epistemológica até aqui percorrida pelo Grupo."
VOLUME 66 – 2014
ISSN: 0103-3247
Índice para catálogo sistemático
- Sistemas auto-organizadores 003.7
Ettore Bresciani Filho
ítala M. Loffredo D'Ottaviano
Maria Eunice Q. Gonzalez
Ana Maria Pellegrini
Ramon S. Capelle de Andrade (orgs.)
OBS. O atual volume de Auto-organização: estudos interdisciplinares, quinto da série, congrega artigos apresentados nos Seminários Regulares do Grupo Interdisciplinar CLE Auto organização da UNICAMP entre 2010 e 2013. O eixo central de investigação da presente coletânea focaliza a natureza dos processos de auto-organização e informação.
References