Wittgenstein e a epistemologia

Authors

Arley Ramos Moreno

Synopsis

Wittgenstein e a epistemologia (digital)

 

Catálogo da Coleção CLE

Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso >>aqui<<

 

Resumo

“Os textos presentes nesta coletânea foram apresentados e debatidos no VII Colóquio Nacional e IV Internacional Wittgenstein que teve como sugestão de tema "Wittgenstein e a Epistemologia". A maioria dos textos aborda o tema de diversas perspectivas, mais ou menos próximas entre si, mas, sempre de maneira muito própria e pessoal - o que nos parece contribuir para enriquecer o universo de discussão a respeito do pensamento de Wittgenstein.

Sabemos que uma ideia constante na obra do filósofo é a de que filosofia deve ser uma atividade de esclarecimento conceituai e não uma atividade de criação teórica de teses. Ainda que com grande mudança de perspectiva, a esse respeito - uma vez que a atividade esclarecedora de conceitos deixa de ser fundada na análise lógica e completa da proposição e passa a ser fundada em usos diversificados das palavras, no interior de contextos pragmáticos cujos limites não mais são exatamente demarcáveis - a crítica da linguagem assim como a descrição dos usos não conduzem Wittgenstein à construção de teses filosóficas, mas, contrariamente, e apenas, ao seu esclarecimento.

Como consequência desta concepção de filosofia como atividade apenas esclarecedora de conceitos, surge uma tendência a interpretar-se o pensamento de Wittgenstein como conduzindo a filosofia a uma espécie de atividade exclusivamente negativa, ou melhor, improdutiva e sem mais perspectivas filosóficas, além do mero esclarecimento terapêutico e conceituai não-tético. Todavia, encontramos inúmeros temas clássicos da filosofia que são constantemente abordados em seus escritos de maneira tal que se torna muitas vezes difícil delimitar os momentos em que a terapia deixa de ser apenas negativa e passa a flertar com possíveis desdobramentos conceituais positivos. Os exemplos são muitos, e em diferentes áreas, como a lógica e a matemática, a psicologia, a própria linguagem, o ensino e o aprendizado, a tradução entre diferentes sistemas simbólicos e entre diferentes linguagens, etc. Em particular, em seu último texto, Wittgenstein aborda temas diretamente ligados à epistemologia, temas que apenas surgem em jogos de linguagem complexos, jogos descritivos dos mais diversos tipos de fatos, usando as mais diversas técnicas de descrição. Nestes jogos complexos é que são aplicados os conceitos de conhecimento, dúvida, crença, certeza.

A descrição dos usos das palavras torna-se esclarecedora na medida em que mostra, ao olhar, as diversas perspectivas da significação e, ao fazer isto, as formas elementares que se encontram em sua origem, a saber, os jogos de linguagem elementares em que são colocadas as normas iniciais para os jogos complexos — ou, ainda, as regras arbitrárias que se tornam convenções à medida em que são aplicadas. A descrição dos usos mostra que as normas iniciais são arbitrárias pelo fato de não terem razões como fundamento, mas, apenas, ações, modos de agir em contextos culturais pervadidos simbolicamente pela linguagem. Modos de agir comuns a uma comunidade que se expressa pela linguagem são, igualmente, pervadidos pelas palavras e, por isto, sua arbitrariedade não é aleatória: a ausência da necessidade nos jogos elementares, nas formas de agir primitivas com palavras, exige um rigor muito mais severo do que, na verdade, em jogos de linguagem complexos que constroem a necessidade como critério da significação.

Ora, deste ponto de vista, abre-se o campo para a exploração positiva, e não apenas negativa, de conceitos epistemológicos segundo o estilo terapêutico. A exibição das formas a priori elementares de constituição da significação, elaborada pela descrição dos usos das palavras, é terapêutica para o pensamento, mas, ao mesmo tempo, e, por isto mesmo, é informativa a respeito das questões filosóficas tradicionais, tais como, o que é pensar, e como é possível pensar, o que é conhecer, e como é possível conhecer, o que é compreender e ensinar, e como é possível compreender e ensinar, o que é enganar-se, simular, duvidar, ter certeza, acreditar, ter intenções e expectativas, interpretar, ver A como sendo B, e todos os outros tantos temas abordados terapeuticamente por Wittgenstein.

Os textos aqui apresentados foram organizados originalmente em três tipos: conferências, palestras e comunicações, cada um correspondendo às diferentes participações dos autores no Colóquio, a saber, como pesquisadores convidados, pesquisadores seniores e jovens pesquisadores. Todavia, para esta publicação, os textos foram organizados de acordo com sua proximidade temática.”

 

Alrey R. Moreno

 

VOLUME 63 – 2013

ISSN: 0103-3247

índice para catálogo sistemático

  1. Wittegenstein, Ludwig, 1889-1951 193
  2. Filosofia austríaca 193
  3. Epistemologia 121

 

 

OBS. O presente volume temático da Coleção CLE apresenta alguns dos resultados, dentre os mais relevantes, do VII Colóquio Nacional/IV Internacional Wittgenstein, realizado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, realizado entre os dias 27 e 30 de setembro de 2011. Os textos aqui apresentados são de autoria de Antônio Marques, Mauro Engelmann, Arley Ramos Moreno, Rafael Lopes Azize, Cristiane M. C. Gottschalk, Ricardo Peraça Cavassane, Camila Jourdan, Antionio Ianni Segatto, Valério Hillesheim, Maíra de Cinque, Eduardo Simões e Paulo Oliveira.

References

Coleção CLE - Volume 63

Published

June 21, 2013

How to Cite

RAMOS MORENO, Arley. Wittgenstein e a epistemologia. Campinas, Brasil.: Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE-UNICAMP),2013. v. Coleção CLE - Volume 63 Disponível em: https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/123. Acesso em: 17 jun. 2026.