Filosofia da Mente e Inteligência Artificial
Synopsis
Filosofia da Mente e Inteligência Artificia (digital)
“Este livro foi publicado pela primeira vez há dez anos. Seu objetivo continuou sendo o mesmo: reunir um conjunto de ensaios num único volume, a maior parte deles publicados em revistas especializadas de difícil acesso até mesmo para leitores académicos.
Quero aproveitar a ocasião para agradecer a gentileza dos editores da revista Manuscrito que cederam os direitos de reprodução dos artigos "A máquina de Enxergar" (volume XIV, número 2) e "O Físico e o Mental: Inteligência Artificial e o Problema Mente-Cérebro" (volume XV, número 2). Agradeço também aos Cadernos de História e Filosofia da Ciência e Transformação pela autorização para republicar os artigos "Inteligência Artificial e Caça aos Andróides" (série 3, volume 4) e "Robots, Intencionalidade e Inteligência Artificial (volume 14), respectivamente.
Nesta segunda edição preservei os textos sem modificá-los. Não o faço, contudo, ignorando que o cenário da ciência cognitiva e da inteligência artificial tenha mudado radicalmente nesta última década. Nela pudemos assistir à falência do modelo simbólico da inteligência artificial (a GOFAI ou Good and Old Fashioned Artificial Intelligence como dizia John Haugeland) e do conexionismo. Ao mesmo tempo presenciamos o surgimento das ideias de cognição situada e da robótica evolucionária.
O terceiro ensaio desta coletânea, o principal deles, "Autolocomoção e Intencionalidade" (cujos delineamentos também se encontram em artigo publicado em 1993, na coletânea Epistemologia e Cognição, organizada pelo Prof. Paulo Abrantes e ora esgotada) preconizava estas mudanças em 1996. Ele continua sendo a tese central deste livro, a despeito do fato de que quando a apresentei para obter um doutorado na Universidade de Essex, na Inglaterra, ter sido recebida com muita resistência por parte da comunidade científica. Um evento normal, típico do conservadorismo académico, e que viria mais uma vez confirmar que Kuhn estava certo ao afirmar que a ciência precisa de dogmas provisórios para impulsionar sua própria história. Como no filme 1492 —A Conquista do Paraíso de Ridley Scott, o que era inaceitável ontem se torna ortodoxia hoje. Essa é a história da ciência e da academia. E foi dessa forma que passamos a aceitar que a terra é redonda.
Após a década do cérebro, a ciência da cognição — ou o que restou dela — concentra quase todas suas apostas na neurociência cognitiva e na robótica. Abandonamos a ingenuidade filosófica que permeava as antigas teorias do conhecimento identificado como representação e ingressamos na era na qual este recebe uma visão e um tratamento mais dinâmicos, sendo concebido como resultado da interação de agentes situados em seu meio ambiente e em seu entorno social. Marcos dessa mudança histórica foram os esparsos trabalhos teóricos de Rodney Brooks, sobre a nova robótica por ele desenvolvida no MIT; os textos dos defensores da cognição como enação, e outros pequenos eventos que vieram a culminar na publicação do número especial do Journal of Consciousness Studies de 1999, intitulado Reclaiming Cognition. liLsx.es marcos históricos pontuaram a tentativa de refazer paradigmas, convergindo na necessidade de, cada vez mais, relacionar cognição com atividades motoras.
A ciência não progride apenas através das revistas especializadas, como me disse uma vez um eminente professor da UNICAMP citando o filósofo da ciência Stephen Toulmin. A reflexão filosófica e a análise conceitual continuam e continuarão a ter destaque e importância ao longo dessa aventura que é a história da ciência por curta que ela seja, como é o caso da ciência cognitiva. À filosofia tem faltado, contudo, a modéstia que permitiria resgatar uma de suas mais importantes vocações: aliar-se à ciência, numa luta conjunta em direção a aliviar o sofrimento humano. Constituir-se como uma epistemologia projetiva era a tarefa primordial da filosofia na época em que surgiu a ciência moderna, tarefa esta hoje em dia quase esquecida.
Da filosofia não podemos cobrar a utilidade que a tecnociência nos proporciona peias suas descobertas e invenções, algumas delas tão redentoras como o foi o fogão a gás para as mulheres, muito mais significativo e importante do que a obrigatoriedade do voto. Mas podemos — e devemos — rejeitar que a refinaria conceituai da filosofia torne-se tarefa fútil; devendo para isto traçar uma rota de fuga para não se tornar perversão da razão ou proeminência mórbida da linguagem. Creio, com este livro, ter dado uma pequena contribuição para evitar esses deslizes e contribuir com a árdua tarefa da ciência num país onde ser positivista é mais um quesito de cidadania do que propriamente uma escolha filosófica.”
João de Fernandes Teixeira
VOLUME 44 – 2006 (2ª Ed.)
ISSN: 0103-3147
Primeira Edição, 1996
Índice para catálogo sistemático:
- Inteligência artificial 001.535
- Mente - Filosofia 128.2
OBS. O aparecimento da Ciência Cognitiva e da Inteligência Artificial, nas últimas décadas, tem trazido uma constante inquietação para os filósofos da mente que têm questionado, incessantemente, a possibilidade de sistemas artificiais replicarem a vida mental humana. Neste livro, o autor aborda um dos aspectos centrais deste problema, investigando a natureza das representações mentais.
References