Auto-organização: estudos interdisciplinares

Authors

Gustavo M. Souza
Ítala M. Loffredo D'ottaviano
Maria Eunice Q. Gonzales

Synopsis

Auto-organização: estudos interdisciplinares (digital)

 

Catálogo da Coleção CLE

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“O presente volume de Auto-organização: estudos interdisciplinares reúne trabalhos apresentados no Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização da UNICAMP, e também nos Colóquios Michel Debrun, promovidos pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência - CLE/UNICAMP e pelo Departamento de Filosofia - UNESP/Marília, durante o período de 2001 a 2003.

O Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização foi criado em 1986, pelo Professor Michel Debrun, que o coordenou até o seu falecimento, em 1997. Dois volumes já foram publicados pelo grupo: o volume 18 da Coleção CLE, organizado por Michel Debrun, M. Eunice Quilici Gonzalez e Osvaldo Pessoa Jr.; e o volume 30 da Coleção CLE, organizado por ítala M. Loffredo D’ottaviano e M. Eunice Quilici Gonzalez.

Esta coletânea, dando continuidade aos volumes anteriores, tem como tema central de investigação questões fundamentais sobre a natureza dos processos de auto-organização que se encontram presentes nos vários eventos e atividades que nos constituem e nos cercam. Um dos aspectos inovadores da obra consiste em que tais investigações são realizadas a partir de uma perspectiva interdisciplinar, que envolve a filosofia, a lógica, a neurociência, a música, a engenharia, a biologia e a psicologia, entre outras. Os textos estão classificados em três grupos: auto-organização na biologia, o papel da auto-organização na percepção e ação humana, auto-organização e as teorias da informação e dos sistemas.

A primeira parte do livro - Auto-organização na Biologia - inclui uma análise do grau de complexidade presente nos sistemas biológicos e no ecossistema, análise essa realizada a partir de uma perspectiva sistêmica, que tem na auto-organização um dos seus principais alicerces. Esta Parte I reúne os Capítulos 1, 2 e 3, com trabalhos de Alfredo Pereira Júnior, Ângelo Gilberto Manzatto, Felipe A.P.L. Costa, Gustavo Maia Souza, Lúcia Maria Paleari, Ricardo Ferraz de Oliveira e Romeu Cardoso Guimarães.

No Capítulo 1 - "Evolução Biológica e Auto-Organização: apresentando, discutindo e exemplificando uma proposta teórica" - Alfredo Pereira Júnior, Lúcia Maria Paleari, Felipe A.P.L. Costa e Romeu Cardoso Guimarães debatem a seguinte questão: a evolução biológica é determinada pela seleção natural ou por tendências inerentes ao próprio sistema genético-molecular? Segundo os autores, a teoria de sistemas auto-organizados permite uma abordagem integradora, por meio da qual se entende que os rumos da evolução seriam traçados pelos próprios sistemas vivos, com base em suas capacidades de autorregulação metabólica e construção ativa das formas de interação com o ambiente. Baseados na apresentação e discussão de exemplos, os autores argumentam que seleção natural e auto-organização podem representar hipóteses complementares na explicação da ordem biológica. Dessa forma, o rumo do processo evolutivo, ao longo do tempo, em direção a patamares organizacionais aparentemente mais complexos que os precedentes, seria definido pelos próprios seres vivos, em seus processos interativos. Em consequência, ao invés de se conceber um processo cego, coloca-se a questão da participação, e mesmo da responsabilidade do ser humano, frente aos rumos do processo evolutivo, uma vez que o homem é parte integrante da Natureza, sendo um elo importante de ligação no Sistema Biosfera de nosso planeta.

No Capítulo 2 - "Auto-Organização, Hierarquia e Resiliência em Ecologia" -, Ângelo Gilberto Manzatto discute a importância de uma abordagem sistêmica para uma melhor compreensão dos processos organizacionais dos ecossistemas. Segundo o autor, a hierarquia natural dos ecossistemas requer que eles sejam estudados sob diferentes tipos de abordagens ou perspectivas e em diferentes escalas de exame. Não existe, per se, uma abordagem ou perspectiva correta. Ecossistemas são auto-organizados. Os meios pelos quais sua dinâmica evolui e seus níveis hierárquicos estão interligados denotam processos que se retroalimentam positiva e negativamente, o que impede que mecanismos de causa-efeito expliquem totalmente sua dinâmica. A emergência e a imprevisibilidade são fenômenos comuns e normais em sistemas dominados por esses mecanismos.

Para concluir a Parte I, Gustavo Maia Souza e Ricardo Ferraz de Oliveira, no artigo "Estabilidade e Complexidade em Sistemas Biológicos", apresentam e discutem os principais conceitos relativos à noção de estabilidade em sistemas biológicos, procurando estabelecer uma relação entre o grau de complexidade de sistemas biológicos e sua estabilidade frente às perturbações ambientais. Os autores argumentam que, de uma forma geral, sistemas mais complexos tendem a possuir um maior grau de estabilidade quando perturbados por fatores externos. Entretanto, a estabilidade do sistema também depende de um certo grau de redundância. Assim, a estabilidade de um sistema biológico não é linearmente dependente de sua complexidade. Como já sugerido pelos artigos de Pereira Jr. et al., e de Manzatto, a estabilidade dos sistemas biológicos, em diferentes escalas espaço-temporais, é fundamental para o processo de auto-organização da vida como um todo, permitindo a manutenção de padrões organizacionais, ao mesmo tempo que abre espaço para a evolução.

A Parte II, intitulada O Papel da Auto-organização na Percepção e Ação Humana, está endereçada, principalmente, às questões relativas à organização cerebral e à dinâmica dos processos auto-organizados que orientam a ação de sujeitos incorporados e situados em ambientes específicos. Reúne os trabalhos de Ana Maria Pellegrini, Lauro Frederico Barbosa da Silveira, Mariana Cláudia Broens, Pedro Fernando Viana Felício, Ricardo Pereira Tassinari e Willem Ferdinand Gerardus Haselager, que compõem, respectivamente, os Capítulos 4, 5, 6, 7 e 8.

No Capítulo 4 - "Os hábitos na Vida Diária: pressupostos organizacionais" -, Ana Maria Pellegrini e Pedro Fernando Viana Felicio analisam as ações voluntárias, intencionais, no contexto da teoria da auto-organização. Argumentam que, nas investigações contemporâneas, a ênfase no estudo da ação está na capacidade dos agentes de controlar seus próprios atos, de interagir com seus semelhantes e de sobreviver num ambiente em constante mudança. No entanto, um bom número de atividades realizadas no dia-a-dia foge do controle voluntário do ser humano e se reduz a hábitos. Através desses hábitos, liberamos espaço e tempo para outras atividades que requerem atenção. Contudo, os autores lembram que nem sempre os hábitos estabelecidos atendem às novas demandas, na relação do sujeito com o meio. Nesse contexto, este capítulo discute os princípios que norteiam as várias formas de organização do comportamento humano em sua interação com o ambiente. Em específico, focaliza os conceitos de emergência e de ajustes nos hábitos, indicando os princípios que regem a organização do comportamento motor, em várias escalas espaço-temporais, na busca de uma ordem. Finalmente, os autores discutem as vantagens e os problemas advindos dos hábitos da vida diária, em termos de qualidade de vida.

No Capítulo 5 - "Sujeito e Auto-organização" Mariana Claudia Broens investiga a relevância da preservação da noção cotidiana de sujeito, que é também adotada pelos filósofos defensores do senso comum, no contexto da teoria da auto-organização (TAO). Para isso, analisa inicialmente alguns sentidos que o termo sujeito assume na história do pensamento ocidental, ressaltando vínculos ontológicos a eles subjacentes. Entende a autora que, antes de postular a existência de um sujeito auto-organizado, é necessário tornar um pouco mais clara a complexa trama metafísica a partir da qual a noção de sujeito é construída pela tradição filosófica. Após investigar a distinção entre auto-organização primária e secundária, proposta por Michel Debrum (1997), ela argumenta que a noção de agente pode ser estrategicamente mais útil para os propósitos teóricos da TAO para designar um sistema auto-organizado secundariamente. Tal proposta se justifica na medida em que tal noção enfatiza as potencialidades de interação que caracterizam esse sistema, não propiciando a confusão semântica entre agente e sujeito, este último concebido como entidade desencarnada. Em conclusão, sua proposta é que retomemos, nos estudos da TAO, a noção familiar de sujeito, tão cara ao senso comum, mas tão pouco valorizada pela filosofia clássica.

No Capítulo 6 - "Pragmatismo e o Princípio da Continuidade no Cosmos Auto-organizado" Lauro Frederico Barbosa da Silveira apresenta a concepção peirceana do Cosmos. Especial ênfase é dada aos esforços de Peirce na construção de um modelo lógico que leve em conta a noção de auto-organização, no qual a razão possa exercer seu papel criador e observacional. De maneira instigante, Lauro indica como, no modelo peirceano, a razão exercita-se para, através da aquisição de um hábito geral e crescente de conduta, interagir com o universo. Especial atenção é dada ao Princípio da Continuidade, entendido como um pressuposto lógico e ontológico do realismo evolucionário proposto por Peirce.

No Capítulo 7 - "Sobre Teorias Físicas da Auto-organização Intencional: uma análise a partir da proposta de Henri Atlan" Ricardo Pereira Tassinari e Márcio Augusto Vicente de Carvalho analisam a questão da elaboração de uma teoria física da auto-organização intencional, a partir da proposta de Henri Atlan (1998) sobre uma "teoria física da intencionalidade". Inicialmente eles apresentam alguns dos pressupostos de Atlan em seu estudo da intencionalidade e discutem o modelo de comportamento intencional por ele proposto com base nos resultados de simulações computacionais de auto-organizações estruturais e funcionais. Nesse modelo, três tipos de auto-organização são enfatizados: auto-organização fraca, auto-organização forte e auto-organização verdadeira. Eles ressaltam que o método adotado por Atlan, para justificar a possibilidade de uma teoria física da intencionalidade, consiste na construção crescente de modelos até a obtenção de modelos capazes de incorporar a intencionalidade. Após uma discussão cuidadosa da proposta de Atlan, os autores argumentam que ela poderia ser considerada mais como uma consequência de uma postura filosófica pessoal do que um esboço de teoria física. Contudo, inspirados na proposta de Atlan, procuram mostrar que a noção de teoria física da auto-organização intencional leva à noção de teoria física auto-organizada da auto-organização intencional, que é discutida no capítulo.

No Capítulo 8 - "Auto-organização e Comportamento Comum: opções e problemas" -, Willem Ferdinand Gerardus Haselager analisa aspectos do comportamento comum, no contexto das teorias e modelos desenvolvidos na filosofia da mente e ciência cognitiva. Seu ponto de partida é a análise da concepção filosófica vigente, segundo a qual o conhecimento comum é caracterizado em termos de atitudes proposicionais e representações mentais. Após indicar algumas dificuldades inerentes a essa concepção, em especial no que diz respeito ao conhecido problema áosframes, o autor argumenta em defesa da hipótese segundo a qual o comportamento do senso comum pode ser entendido sem apelo às noções de representação mental, implícitas nos conceitos de crença, planos, julgamentos, entre outros. Como alternativa, Haselager propõe uma abordagem do conhecimento comum orientada principalmente à ação auto-organizada. Essa abordagem constitui uma valiosa contribuição para a Teoria da Cognição Incorparada e Situada, atualmente em desenvolvimento na ciência cognitiva dinâmica.

A última seção desta coletânea, que constitui a Parte III, intitulada Auto-organização e as Teorias da Informação e dos Sistemas, trata fundamentalmente de questões conceituais relativas à teoria da informação, à sistêmica e, em particular, à teoria de sistemas dinâmicos. No contexto dos sistemas dinâmicos caóticos e da teoria da informação, é investigado o processo de auto-organização; a partir de uma descrição metafórica da evolução histórica da música é apresentado um estudo do conteúdo informacional de peças musicais; a seguir, hipóteses freudianas sobre a especificidade da percepção em termos informacionais são sugeridas e, finalmente, é proposta uma introdução ao estudo dos sistemas ditos com criticalidade auto-organizada. Os Capítulos 9, 10, 11 e 12 apresentam artigos de Carmen Beatriz Milidoni, Carmen Pimentel Cintra do Prado, Ettore Bresciani Filho, ítala Maria Loffredo D'Ottaviano, Luís Henrique A. Monteiro, Maria Eunice Quilici Gonzalez, Mariana Cláudia Broens e S.M.D. Stump.

No Capítulo 9, em "Sistema Dinâmico Caótico e Auto-organização", Ettore Bresciani Filho e ítala Maria Loffredo D’ottaviano apresentam inicialmente conceitos básicos da teoria de sistemas, a sistêmica, conceitos e definições fundamentais da teoria de sistemas lineares, sistemas dinâmicos e sistemas dinâmicos caóticos e conceitos de controle de sistemas. São apresentados alguns exemplos elementares de sistemas dinâmicos, e são discutidos o conceito de auto-organização e características essenciais dos processos auto-organizados. O objetivo central do artigo consiste em estudar o fenômeno da auto-organização no contexto dos sistemas dinâmicos caóticos.

No Capítulo 10, Carmen Pimentel Cintra do Prado, em "Uma Introdução ao Conceito de Criticalidade Auto-organizada", tem por objetivo apresentar uma introdução ao estudo da dinâmica de sistemas que podem ser levados a evoluir 'sozinhos' para um estado crítico. Os sistemas com criticalidade auto-organizada apresentam um comportamento emergente comum - o que têm em comum é a maneira como reagem às pequenas perturbações que venham a sofrer. O significado preciso do conceito de criticalidade auto-organizada (SOC, do inglês selforganized criticality), mesmo após mais de 15 anos de trabalho pioneiro publicado em 1987, permanece controvertido. A autora discute algumas características básicas dos sistemas com criticalidade auto-organizada e questiona quais os tipos de sistemas que podem apresentar criticalidade auto-organizada. Descreve, então, dois modelos simplificados - o modelo de pilha de areia ou modelo bak-tang-wisenfeld (BTW), e o modelo Olami-Feder-Christensen (OFC) para a dinâmica dos terremotos -, também conhecidos como "modelos de brinquedo", que pretendem capturar a essência da dinâmica que governa esses sistemas com comportamento emergente conhecido como criticalidade auto-organizada.

No Capítulo 11, Carmem Beatriz Milidoni, Maria Eunice Quilici Gonzalez e Mariana Cláudia Broens discutem algumas das ideias da metapsicologia freudiana, à luz de certas conceituações sobre a teoria da informação propostas por Dretske (1986). Em particular, argumentam que é possível recolocar às principais hipóteses freudianas sobre a especificidade da percepção em termos informacionais, no contexto do Projeto de uma Psicologia (Freud, 1895). Nesse texto, Freud caracteriza os processos psíquicos via um sistema neurônico, no interior do qual a percepção adquire uma função significativa. Para tal, esse sistema, em sua totalidade, deve estar comprometido para fazer da percepção uma função signifícante, sempre dependente da história em que se desenvolve esse processo. Nesse contexto, as autoras procuram mostrar que a visão de Freud não estaria longe de certas teorizações contemporâneas desenvolvidas na filosofia da mente, em especial daquelas desenvolvidas por Drestke na obra Knowledge and the Flow of Information, sobre a natureza do conteúdo informacional constitutivo do conhecimento.

No Capítulo 12, "Teoria da Informação e Complexidade Musical ou 'como compor uma música de sucesso'", Luís Henrique A. Monteiro e S.M.D. Stump analisam como a linguagem, conceitos e ferramentas da teoria de sistemas dinâmicos se aplicam à descrição metafórica da evolução histórica da música e ao estudo de peças musicais, quando encaradas como uma série formada pelas variações de frequência ou da intensidade do seu sinal acústico em função do tempo. Já que a linguagem e a sintaxe musicais baseiam-se em relações matemáticas de proporcionalidade entre frequências sonoras, consideram os autores que, talvez por isso, a música represente a forma de arte que, devido à sua construção, seja a mais acessível a uma abordagem científica. O objetivo do texto é apresentar um projeto desenvolvido pelos autores, a partir de 1999, que visa quantificar o conteúdo informacional de músicas e relacionar esses valores ao grau de "aceitabilidade" dessas músicas. O conteúdo informacional das músicas foi avaliado usando uma medida de complexidade baseada na teoria da informação. O público-alvo da pesquisa consistiu de um grupo de crianças de 5 a 7 anos, cursando a pré-escola, e o objetivo principal do trabalho foi apresentar um método para quantificar a complexidade musical.

Entendemos que os variados caminhos da reflexão interdisciplinar sugeridos por este volume possibilitam ao leitor um campo fértil de investigação científico-filosófica. Como os temas analisados são de natureza essencialmente interdisciplinar, o leitor interessado encontrará nos artigos aqui apresentados enfoques familiares às suas áreas de investigação. Contudo, a prática da reflexão interdisciplinar, ainda em construção nas academias, requer uma atitude criativa e perseverante, que possibilite a interação e integração de perspectivas distintas.

Este volume da Coleção CLE constitui um dos resultados do trabalho auto-organizado do saber, que se constrói na prática do "se fazer fazendo", do "caminhar caminhando". Como afirmou Michel Debrun, no final do Prefácio ao primeiro volume de Auto-organização: estudos interdisciplinares, regozijamo-nos de antemão com as controvérsias teóricas que esta coletânea irá suscitar.”

 

Gustavo M. Souza

Ítala M. Loffredo D'Ottaviano

Maria Eunice Q. Gonzales (orgs.)

 

VOLUME 38 – 2004

 

ISSN: 0103-3147

 

Primeira Edição, 2004

 

índice para catálogo sistemático

  1. Sistemas auto-organizadores 003.7

 

OBS. Este livro, dando continuidade aos volumes anteriores, tem como tema central de investigação questões fundamentais sobre a natureza dos processos de auto-organização que se encontram presentes nos vários eventos e atividades que nos constituem e nos cercam. Um dos aspectos inovadores desse livro consiste em que tais investigações são realizadas a partir de uma perspectiva interdisciplinar, que envolve a filosofia, a lógica, a neurociência, a música, a engenharia, a biologia e a psicologia, entre outras.

References

Coleção CLE - Volume 38

Published

June 21, 2004

How to Cite

M. SOUZA, Gustavo; M. LOFFREDO D'OTTAVIANO, Ítala; Q. GONZALES, Maria Eunice. Auto-organização: estudos interdisciplinares. Campinas, Brasil.: Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE-UNICAMP),2004. v. Coleção CLE - Volume 38 Disponível em: https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/143. Acesso em: 17 jun. 2026.