https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/issue/feed Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) 2022-11-21T10:54:39-03:00 Adriana Lopes Rodrigues clepub@unicamp.br Open Monograph Press Coleção CLE; https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/48 WITTGENSTEIN 2022-11-21T10:40:56-03:00 ARLEY R. MORENO clepub@unicamp.br <p>“O presente volume temático da Coleção CLE apresenta alguns dos resultados, dentre os mais relevantes, do V Colóquio Nacional - II Internacional Wittgenstein, realizado entre os dias 17 a 19 de Setembro de 2008 no CLE e no IFCH da Unicamp.</p> <p>O tema deste colóquio girou em torno de como devemos ler o que Wittgenstein considerou ser um "álbum", a saber, o seu texto das Investigações Filosóficas. Para responder a esta questão, outras muitas questões correlacionadas a ela foram abordadas e aprofundadas pelos autores dos artigos aqui apresentados. Uma das mais interessantes é a de esclarecer a natureza deste álbum que foi o resultado de dezesseis anos de tentativas fracassadas, por parte de Wittgenstein, de produzir um "bom livro", como ele próprio o afirma no Prefácio, através da organização de suas "observações filosóficas".</p> <p>De fato, após o Tractatus, Wittgenstein inicia um processo de tratamento conceituai voltado para a sua própria forma de pensar presente nesse livro. O procedimento terapêutico é inédito em filosofia, pois consiste em realizar variações de exemplos em torno dos mesmos temas e voltar, incessantemente, a temas já explorados, a partir de novos pontos, de vista — além de saltar entre temas diferentes através de semelhanças e de analogias. O resultado desta atividade é uma coleção de observações filosóficas (phisophische Bemerkungeri) sobre diversos temas, observações a serem, posteriormente, organizadas de maneira a prestar-se à publicação sob a forma de um livro tradicional, i.e., em um discurso contínuo e sem lacunas temáticas. A dificuldade que encontra Wittgenstein, ao tentar realizar este trabalho de composição das observações para publicação, consiste em não sentir-se capaz de evitar as repetições constantes, ainda que sob pontos de vista diferentes, e os saltos frequentes entre temas. Foram várias as tentativas, durante dezesseis anos, para compor um "bom livro", até que sua vontade rendeu-se à força do procedimento terapêutico - e, mais importante, da terapia aplicada constantemente a si próprio. Daí, a forma estilística última a que chega, um álbum de desenhos de paisagens, para a publicação de suas observações filosóficas com função auto terapêutica, e, quiçá, com efeitos terapêuticos sobre o eventual leitor. As paisagens correspondem, nesta metáfora, aos temas abordados, e os desenhos correspondem às observações do autor, sempre refeitas com inúmeras variações.</p> <p>Esta é a nossa intrigante questão: as relações conflituosas entre a força da atividade terapêutica que o obrigava a caminhar em todas e várias direções, e a vontade de compor um livro sem lacunas nem repetições. O resultado literário deste conflito é o de um "álbum" filosófico, e o problema que ele nos coloca é o da forma que sua leitura deverá tomar. Leitura segundo uma ordem de razões do autor, coincidindo com uma ordem de conteúdos, conforme à tradição estruturalista; leitura segundo a concepção de atividade filosófica proposta pelo autor, concepção no interior da qual o álbum seria um mero gesto; leitura de acordo com a função que este álbum deve ter face ao conjunto completo dos escritos ainda inéditos do autor, - aos poucos organizados eletronicamente pela equipe de Bergen. A forma do álbum filosófico levanta, além disto tudo, a interessante questão de suas relações com a atividade do diarista que foi Wittgenstein. De fato, como ele próprio o afirma, seus escritos são um conjunto de conversas consigo-próprio, conversas registradas em um diário ao longo dos anos. Em que medida as anotações contidas nesse Grande Diário — o material do Nachlass - poderiam ser organizadas em tantos outros álbuns, como o que foi publicado com o título de Investigações Filosóficas?</p> <p>Os artigos aqui publicados abordam diversos aspectos do tema, cada um à sua maneira, procurando explorar campo ainda muito pouco trilhado pelos comentadores do filósofo. Esta coletânea de artigos sugere, assim, uma rica linha de pesquisa sobre o pensamento de Wittgenstein, ainda inédita no Brasil, que apenas tem eco no trabalho do professor AIoís Pichler - com seu livro Wittgenstein s Philosophische Untersuchungen — Vom Buch zum Álbum — que convidamos a participar do colóquio.</p> <p>Organizamos esta coletânea de maneira a também contemplar os melhores textos apresentados no colóquio por jovens pesquisadores, em suas comunicações. Assim, apresentamos, ao lado das comunicações, textos que resultaram de palestras proferidas por pesquisadores maduros, e de conferências, por parte dos pesquisadores convidados ao colóquio. É desta maneira que foram organizados os artigos do volume.</p> <p>Os professores convidados, assim como os pesquisadores seniors, abordaram diretamente o tema proposto de pontos de vista diferentes, permitindo a criação de um horizonte para situar a questão do álbum de Wittgenstein. Esperamos que este horizonte seja doravante ampliado e que o tema do álbum, como estilo filosófico, venha a ser aprofundado e melhor esclarecido em suas consequências.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>ARLEY R. MORENO (org.)</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 55 – 2009</p> <p>&nbsp;</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>&nbsp;</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Filosofia austríaca 193</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. O presente volume da Coleção CLE apresenta alguns dos resultados, dentre os mais relevantes, do V Colóquio Nacional / II Internacional Wittgenstein, organizado pelo Instituto de filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Unicamp e realizado entre os dias 17 e 19 de setembro de 2008. Os textos aqui apresentados são de autoria de Antonia Soulez, Alois Pichler, Antoine Ruscio, Arley Siqueira, João Segatto, Giovane Rodrigues Silva e Guilherme Ghizoni da Silva.</p> 2022-11-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/34 MECÂNICA RELACIONAL 2022-11-21T09:30:08-03:00 ANDRÉ KOCH TORRES ASSIS clepub@unicamp.br <p>“Este livro apresenta a Mecânica Relacionai. Esta é uma nova mecânica que implementa as idéias de Leibniz, Berkeley, Mach e muitosoutros. A mecânica relacionai é baseada apenas em grandezas relativas, como a distância entre corpos materiais, a velocidade radial e a aceleração radial entre eles. Com ela espera-se responder a questões não esclarecidas suficientemente tanto pela mecânica clássica de Newton, como pelas teorias da relatividade especial e geral de Einstein. Nesta nova mecânica não aparecem os conceitos de espaço absoluto, de tempo absoluto e nem de movimento absoluto. O mesmo pode ser dito da inércia, da massa inercial e dos sistemas inerciais de referência. Apenas quando comparamos esta nova mecânica com a newtoniana passamos a ter uma compreensão clara destes conceitos antigos. A mecânica relacionai é uma implementação quantitativa das idéias de Mach utilizando uma força de Weber para a gravitação. Muitas pessoas ajudaram neste desenvolvimento, entre elas o próprio Weber, Neumann, Helmholtz e Erwin Schrõdinger.</p> <p>Este livro tem como objetivo apresentar as propriedades e características desta nova visão da mecânica. Assim, pode ser vista de maneira completa e fica fácil fazer uma comparação com as visões anteriores do mundo (newtoniana e einsteiniana).</p> <p>Uma grande ênfase é dada para a experiência do balde de Newton, que é uma das experiências mais simples já realizadas na física. Apesar deste fato, nenhuma outra experiência teve conseqüências tão amplas e profundas sobre os fundamentos da mecânica. Colocamos no mesmo nível a descoberta experimental de Galileo, da igualdade de aceleração dos corpos em queda livre. A explicação destes dois fatos, sem utilizar os conceitos de espaço absoluto ou de inércia, é um dos maiores feitos da mecânica relacionai.</p> <p>Para mostrar todo seu poder e para analisá-la em perspectiva, inicialmente apresentamos a mecânica newtoniana e as teorias dá relatividade de Einstein. Discutimos as críticas à teoria newtoniana apresentadas por Leibniz, Berkeley e Mach. Depois disto, introduzimos a mecânica relacionai e mostramos como ela resolve quantitativamente todos estes problemas com uma clareza e simplicidade sem igual, quando comparada com qualquer outro modelo. Também apresentamos em detalhes a história da mecânica relacionai, enfatizando as conquistas e limitações dos principais trabalhos anteriores relacionados a ela. Além disto, apresentamos diversos aspectos que vão além da teoria newtoniana, como: a precessão do periélio dos planetas, a anisotropia da massa inercial efetiva, a mecânica adequada para partículas movendo-se a altas velocidades, etc. Também são apresentados testes experimentais da mecânica relacionai.</p> <p>Este livro é direcionado a físicos, matemáticos, engenheiros, filósofos e historiadores da ciência. E voltado também aos professores de física que atuam a nível de universidade, de segundo grau e de cursinho, assim como a seus estudantes, pois todos que já aprenderam ou ensinaram a mecânica newtoniana conhecem as dificuldades e sutilezas de seus conceitos básicos (referencial inercial, força centrífuga fictícia, etc.) Acima de tudo, é escrito para as pessoas jovens e sem preconceitos que têm um interesse nas questões, fundamentais da física, a saber: Há um movimento absoluto de qualquer corpo em relação ao espaço ou apenas movimentos relativos entre corpos materiais? Podemos provar experimentalmente que um corpo está acelerado em relação ao espaço ou apenas em relação a outros corpos: Qual é o significado da inércia? Por que dois corpos de pesos, fornos e composições químicas diferentes caem com a mesma aceleração no vácuo sobre a superfície da Terra? Quando Newton girou o balde e viu a água subindo pelas suas paredes, qual foi o agente responsável por este efeito? Esta elevação se deve à rotação da água em relação a quê? O que achata a Terra nos pólos devido à sua rotação diurna? Este acHatamento é devido à rotação da Terra em relação ao espaço vazio ou em relação às estrelas e galáxias distantes? Apresentamos a resposta a todas estas questões sob o ponto de vista da mecânica relacional.</p> <p>Uma versão em inglês deste livro vai ser publicada sob o título Relational Mechanics. Uma versão mais didática deste livro, em português, sem a maior parte do conteúdo matemático, vai ser publicada sob o título Uma Nova Física.</p> <p>Após compreender a mecânica relacional entramos num novo mundo, enxergando os mesmos fenômenos com olhos diferentes e sob uma nova perspectiva. É uma mudança de paradigma, termo cunhado por Kuhn em seu importante trabalho [Kuhn82]. Neste livro, empregamos o Sistema Internacional de Unidades MKSA. Quando definimos qualquer grandeza ou conceito físico utilizamos como símbolo de definição.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 22 – 1998</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1998</p> <p>&nbsp;</p> <p>Índice para catalogo sistemático</p> <ol> <li>Mecânica 531</li> <li>Gravitação 531.14</li> <li>Inércia (Mecânica) 531.2</li> </ol> <p>OBS. Este livro trata da Mecânica Relacional, que é uma implementação quantitativa das ideias de Leibniz, Berkeley e Mach. Ela se propõe a solucionar questões não esclarecidas suficientemente tanto pela mecânica newtoniana como pelas teorias da relatividade de Einstein. A reformulação clássica da mecânica é devida a Newton, baseada nos conceitos de inércia, espaço absoluto. Newton realizou a famosa experiência do balde com água girando em relação à Terra e a interpretou como uma prova da existência do espaço absoluto.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/35 ELEMENTOS DE TEORIA PARACONSISTENTE DE CONJUNTOS 2022-11-21T09:39:59-03:00 NEWTON C.A. DA COSTA clepub@unicamp.br JEAN-YVES BÉZIAU clepub@unicamp.br OTÁVIO BUENO clepub@unicamp.br <p>“Este livro encerra parte do conteúdo de seminários e conferências por nós feitos no Brasil e na França, em diversas oportunidades, nos últimos cinco ou seis anos. Sua finalidade é a de fornecer uma ideia geral da teoria paraconsistente de conjuntos, tal como tem sido desenvolvida a partir das investigações do primeiro autor. Muitos resultados são incluídos sem demonstração, mas o leitor as encontrará nas obras constantes da bibliografia fornecida.</p> <p>Os apêndices constituem traduções de artigos a serem publicados em inglês e possuem bibliografias próprias. Algumas superposições com o material exposto no livro não foram eliminadas pelo fato de nos parecerem elucidativas, tratando do mesmo tema em contextos diversos.</p> <p>Os autores agradecem ao Prof. Carlos Di Prisco pelas críticas e sugestões por ele formuladas com base em uma primeira versão deste livro. Embora todas tenham sido levadas em conta, evidentemente, ele não é responsável pelas deficiências ainda existentes nesta obra.”</p> <p>NEWTON C.A. DA COSTA</p> <p>JEAN-YVES BÉZIAU</p> <p>OTÁVIO BUENO</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 23 — 1998</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1998</p> <p>&nbsp;</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Lógica simbólica e matemática 511.3</li> <li>Lógica matemática não-clássica 511.3</li> <li>Teoria dos conjuntos 511.322</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. Desde sua criação por Newton Carneiro da Costa, a lógica paraconsistente tem se desenvolvido de forma intensa. Inicialmente, uma das principais motivações que levou Da Costa a formular esta lógica consistiu na nova perspectiva que traz para o exame dos célebres paradoxos da teoria de conjuntos. Neste livro, os autores exploram alguns aspectos desta perspectiva, fornecendo uma ideia geral da teoria paraconsistente de conjuntos, tal como desenvolvida a partir das investigações de Da Costa.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/36 Gramsci 2022-11-21T09:48:30-03:00 Michel Maurice Debrun clepub@unicamp.br <p>"</p> <p>No início de 1986, quando diretora do Centro de Lógica, Epistemologia c História da Ciência da Universidade Estadual de Campinas (CLE, Unicamp), Michel Debnm propôs-me a criação do Seminário Interdisciplinar CLE. Idealizou-o e coordenou-o desde então, passando a desenvolver suas atividades académicas junto do Centro c a fazer parte de seu Conselho Científico.</p> <p>Iniciamos uma colaboração académica regular e profícua, enriquecida por uma grande amizade.</p> <p>O Grupo Interdisciplinar CLE, constituído por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento da Unicamp, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMC), com a participação de outros pesquisadores brasileiros e estrangeiros, vem estudando, desde 1986, problemas relacionados com as noções de ordem, desordem, crise, caos, informação, organização, reorganização, autopoiese, autorreferência, entropia, complexidade, e outras noções afins, sem esquecer a noção de dialética que, segundo Debrun, confrontada com o novo ambiente teórico, está adquirindo novos significados, compatíveis com a tradição filosófica, porém insuspeitados por ela.</p> <p>Em 1987, através do CLE e sob a coordenação de Debrun, organizamos uma sessão sobre "ordem e desordem, durante a 39? Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (Sbpc), ocorrida em Brasília. No mesmo ano, cambem sob a coordenação de Debrun, realizou-se o Colóquio CLE 10 anos — Ordem c Desordem, comemorativo dos dez anos de criação do Centro de Lógica.</p> <p>A seguir, o grupo centralizou seu debate em torno da noção de auto-organização.</p> <p>Em 1996, Debrun recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do São Paulo (Fapesp) para coordenar o desenvolvimento do projeto O Conceito de Auto-organização e suas Aplicações em Diversas Áreas do Conhecimento.</p> <p>De algumas décadas para cá, o desenvolvimento das teorias da informação, da organização, dos sistemas complexos e dos sistemas dinâmicos, e suas aplicações às áreas das ciências físicas e matemáticas e das ciências humanas, têm suscitado uma retomada da reflexão científica e filosófica sobre as noções de ordem e desordem, permitindo vislumbrar, segundo Debrun, a superação de clássicas oposições teóricas. Têm surgido modelos de descrição e explicação que, conforme os casos, combinam ou mesmo ultrapassam mecanicismo e finalismo, reducionismo e globalismo e, até certo ponto, razão analítica c razão dialética. Hoje, esses modelos penetram nas áreas de ciências exatas, ciência.»; da natureza, ciência cognitiva, c até nas ciências humanas e artes.</p> <p>A ideia de um mundo naturalmente organizado, porque de "ponta a ponta" submetido a leis, parece estar sendo substituída por outro enfoque: a organização é vista, cada vez mais, como constituída de fenómenos de auto regulação, autorreprodução, autodesenvolvimento etc. Paralelamente, a probabilidade da emergência e da manutenção da organização aparece maior ou menor de acordo com as situações c as categorias de fenómenos, o que torna a existência da organização algo problemático, e não mais algo estabelecido.</p> <p>Hoje, em contraposição ao período entre o final do século XVIII e a metade do século XX, parece haver uma certa aproximação entre as mais diversas disciplinas científicas e entre as epistemologias nelas correspondentes, no que diz respeito ao uso das noções de ordem e desordem. Segundo Debrun, os cientistas, de modo geral, admitem que as ideias de ordem e desordem implicam uma cerra hierarquia entre os fenómenos de uma mesma arca, mas rejeitam simultaneamente a concepção de organização (ordem) como um "dever ser", uma exigência que a natureza ou a sociedade teriam de cumprir. Tais reflexões não mudam, é claro, os princípios e enfoques básicos que definem a racionalidade; no entanto, inauguram um novo paradigma de pensamento, ao mesmo tempo científico e filosófico, podendo-se falar, nesse sentido, de um alargamento do horizonte da racionalidade. Um dos principais objetivos do Projeto FAPESP consistia na proposição, a partir de uma perspectiva interdisciplinar, de uma definição para o termo auto-organização, de modo que esse conceito pudesse ser coerente e capaz de interpretar diversos fenómenos hoje em dia grosseiramente identificados como auto-organizados.</p> <p>Os principais temas dos trabalhos desenvolvidos pelo Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização referem-se à auto-organização e criação; auto-organização e identidade pessoal; sistémica; auto-organização, atenção c aprendizagem; auto-organização e memória; e auto-organização na biologia.</p> <p>No final de 1996, publicamos, pela Coleção CLE, volume 18, o livro Auto-Organização — Estudos interdisciplinares em filosofia, ciências naturais c humanas, e artes, com trabalhos do Grupo Interdisciplinar CLE, sendo Debrun um dos organizadores.</p> <p>O Prefácio— "Porque, quando e como é possível falar em auto-organização?" — e os dois primeiros capítulos — "A ideia de auto-organização" e "A dinâmica da auto-organização primária" —, escritos por Debrun, são preciosos e plenos de sua criatividade filosófica. Neles, como sempre foi sua característica, toma os conceitos, esmiúça-os e os vira pelo avesso, analisando-os e exaurindo-os em profundidade.</p> <p>Nesse Prefácio, Debrun introduz o postulado da coletânea: "Certas organizações podem emergir, desenvolver-se ou reestruturar-se essencialmente a partir delas próprias". E finaliza: "Acreditamos que esses critérios foram globalmente aceitos nos trabalhos da coletânea. Quando não foi o caso, nos regozijamos de antemão com as controvérsias teóricas que isso irá suscitar".</p> <p>Além de nosso trabalho conjunto com o Grupo Interdisciplinar CLE, Michel e eu mantivemos, nos últimos anos, calorosas discussões sobre os temas com os quais vinha ele trabalhando havia muitos anos.</p> <p>Era notório e esperado o livro sobre a identidade nacional brasileira, fruto de sua rigorosa busca de compreensão e explicação da realidade brasileira, que vinha escrevendo por longos anos e que nunca terminava; um outro livro, que deveria chamar-se Da auto-organização e autocriação, eu o considerava pronto para publicação pela Coleção CLE, como ele desejava, porém o livro não satisfazia ainda o que eu chamava de perfeccionismo <em>à la</em> Michel; e havia ainda o livro sobre Gramsci, que correspondia à sua tese de livre-docência, e já estava na segunda ou terceira versão, porém nunca correspondendo às suas expectativas.</p> <p>Durante nossos seminários e discussões pessoais, Debrun mostrou várias vezes como seu interesse pelas remas relativos à auto-organização relacionava-se com seus outros temas de trabalho, acima mencionados, que passara a desenvolver sob essa nova perspectiva.</p> <p>Fizemos então um trato. Estabelecemos um cronograma para a finalização dos três volumes, um por vez, cm ordem por nós estabelecida, e ele comprometeu-se a cumprir o combinado.</p> <p>Entretanto, no final de 1996, concedeu uma longa entrevista ao jornal Correio Popular de Campinas sobre neoliberalismo e globalização económica e cultural, relacionando esses conceitos com suas pesquisas sobre auto-organização. Debrun preparou-a, com o esmero de sempre. E, para nossa alegria, c minha aflição, empolgou-se com o tema, decidindo escrever um pequeno livro sobre neoliberalismo e globalização. Mais uma vez, concordei com ele, que cm dois meses acabaria esse texto e, a seguir, retomaria os outros três livros.</p> <p>Estava quase a finalizar o livro recém-começado, no auge de sua potencialidade intelectual, quando adoeceu repentinamente e faleceu poucos dias depois.</p> <p>Alguns meses após sua morre, responsabilizei-me pela coordenação do Projeto FAPESP, finalizado no final de 1999.</p> <p>O Grupo CLE Auto-Organização continua ativo, e acaba de publicar, como volume 30 da Coleção CLE, o livro Auto-organização — Estudos interdisciplinares, dedicado à memória de Michel Debrun.</p> <p>Solange e Danielle Debrun doaram ao Centro de Lógica a biblioteca e o acervo dos trabalhos manuscritos de Michel, entre eles as anotações relativas a seus quatro livros inacabados, porém em fase final de redação. Esse precioso material encontra-se hoje na biblioteca do CLE, que desde 1998 leva o nome de Biblioteca Michel Debian, numa justa homenagem ao mestre e amigo exemplar, que tanto se dedicou à Unicamp e à universidade brasileira.</p> <p>A Editora da Unicamp e o Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência decidiram publicar, cm edição conjunta, pela Coleção CLE, o texto original de Michel Debrun sobre Gramsci: filosofia, política e Bom Senso.</p> <p>OBS. Muitas vezes conversei com Michel Debrun sobre a necessidade de publicação desta que foi a sua tese de livre-docência, defendida junto do IFCH-Unicamp. Diante de minhas indagações, ele sempre respondia que julgava necessária uma ampla revisão da obra, empreendimento que já havia iniciado, mas que ainda se encontrava em andamento. A filosofia e a política, a teoria e a construção interpretativa gramscianas ganham, então, uma construção interpretativa de Debrun, uma leitura original."</p> <p>&nbsp;</p> <p>Michel Debrun</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>volume 31 - 2001</p> <p>Índices para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Política - Filosofia 320.01 2.</li> <li>Política - Aspectos sociais 320.9</li> </ol> <p>OBS. Muitas vezes conversei com Michel Debrun sobre a necessidade de publicação desta que foi a sua tese de livre-docência, defendida junto do IFCH-Unicamp. Diante de minhas indagações, ele sempre respondia que julgava necessária uma ampla revisão da obra, empreendimento que já havia iniciado,q mas que ainda se encontrava em andamento. A filosofia e a política, a teoria e a construção interpretativa gramscianas ganham, então, uma construção interpretativa de Debrun, uma leitura original.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/37 Sintaxe e Semântica Universais 2022-11-21T09:52:17-03:00 Márcio Kléos Freire Pereira clepub@unicamp.br <p>“Richard Montague morreu jovem, mas deixou uma obra extremamente significativa para a filosofia da linguagem e a linguística teórica. Criou um "paradigma" ou "programa de pesquisa" para os estudos de sintaxe e semântica das línguas naturais que, até hoje, é um dos mais influentes do gênero. A Gramática Universal de Montague providencia um arcabouço teórico que permite um tratamento da sintaxe e da semântica das línguas naturais tão rigoroso quanto o das linguagens formais dos lógicos. Aliás, para Montague, não há nenhuma diferença essencial entre as línguas naturais e as linguagens formais. Fragmentos consideráveis das línguas naturais podem ser tratados com o mesmo rigor matemático com o qual os lógicos costumam tratar a semântica das linguagens formais, e que Chomsky e seus seguidores nunca conseguiram atingir no âmbito do programa de Gramática generativa e transformacional, o programa de Gramática Universal do famoso linguista e filósofo do MIT.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A semântica de Montague retoma a tradição fregeana e o conceito central de "condições de verdade". A ideia da semântica veri-condicional é a seguinte: Conhecer o significado de uma sentença (declarativa) é saber como o mundo deveria ser para que a sentença seja verdadeira. Esse caráter veri-condicional da semântica visa "capturar" a intencionalidade "derivada" da linguagem, o fato de que as expressões que usamos são "acerca de" algo (indivíduos, classe de indivíduos, estados de coisas, etc.) no mundo. Essa semântica também retoma a tradição tarskiana que recorre à teoria dos modelos, quer dizer, ela constrói a interpretação das expressões da linguagem-objeto, usando modelos matemáticos abstratos dessas coisas no mundo que constituem seus valores semânticos. Até agora, a teoria dos modelos é o melhor método encontrado para realizar o programa da semântica veri-condicional. Por fim, a semântica de Montague usa a noção de Mundo Possível, introduzida na semântica contemporânea por S. Kripke, para dar conta dos fragmentos das línguas naturais contendo modalidades (aléticas, temporais, deônticas, etc.).</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Montague tentou duas estratégias de interpretação na sua semântica universal: uma direta, representada por "English as a Formal Language", e a outra indireta, via tradução, apresentada em "Universal Grammar", e aplicada de modo espetacular no famoso "PTQ", "The Proper Treatment of Quantification in Ordinary English". Essa segunda estratégia, mais potente, consiste em traduzir fragmentos de uma língua natural na linguagem da lógica intensional, uma linguagem muito rica, que pertence ao arcabouço da Gramática Universal de Montague, e para a qual uma interpretação (uma definição tarskiana da verdade) já foi construída. É bom se lembrar que "Universal", no programa semiótico de Montague, não significa a mesma coisa que no programa de Gramática Universal de Chomsky. Para Chomsky, a Gramática Universal é parte da psicologia; ela tenta explicar os universais presentes nas línguas naturais e também determinar os limites da classe das línguas humanas possíveis. Para Montague, a Gramática Universal é parte da matemática, e "Universal" tem aqui o sentido de "generalidade matemática", quer dizer: a Gramática Universal, como parte da matemática, deve apresentar um arcabouço geral o suficiente para abarcar a descrição de qualquer sistema de signos que pode ser chamado de "linguagem", seja uma língua humana ou qualquer linguagem artificial. Portanto, na acepção de Montague, a palavra "universal" é mais abrangente.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A tese de que não existe nenhuma diferença essencial entre as línguas naturais e as linguagens formais dos lógicos é certamente a mais provocativa na filosofia de Montague. Em "PTQ" e "Universal Grammar", ele se limita ao fragmento declarativo da linguagem-objeto (um fragmento considerável do inglês). As questões, exclamações, ordens, e outros enunciados não declarativos não são contemplados nas realizações iniciais e "provisórias" do programa semiótico de Montague; mas seus seguidores já construíram "extensões conversativas" de seu projeto inicial. As noções de "condições de sucesso" e de "condições de satisfação" introduzidas por Searle e Vanderveken (1985) e sistematizadas por Vanderveken (1991) são uma prova de que o programa de Montague é rico de promessas que vão sendo cumpridas com o tempo. Mesmo assim, muitos linguistas e filósofos da linguagem não aceitam, aliás com toda razão, a ideia de que um conhecimento da sintaxe e da semântica de uma linguagem basta para dar conta do entendimento de um discurso, ou para/a/ar uma língua com uma "competência comunicativa" satisfatória. Como escreve Wittgenstein, "Se um leão pudesse falar, nós não seriamos capazes de entendê-lo". Sem o conhecimento das práticas e regularidades sociais e naturais, o conhecimento da sintaxe e da semântica não adianta muito para a interpretação de um discurso. O aprendizado da linguagem stricto sensu (sintaxe e semântica) e o aprendizado do mundo natural e social não são dois processos dissociados. Um extraterrestre, com a capacidade cognitiva de uma máquina de Turing, encontrando por acaso um exemplar do livro do Professor Márcio Kléos F. Pereira, i.e, uma Gramática de Montague do português brasileiro, não saberia necessariamente o que dizer para comentar inteligentemente um belo toque de bola de um jogador do Flamengo numa partida no Maracanã, ou como reagir verbalmente a uma descrição técnica de um golpe de capoeira, mesmo se for possível para ele estudar seriamente o livro de modo a poder formular um número potencialmente infinito de sentenças bem formadas do português. Mas com certeza, o conhecimento representado numa gramática de Montague, que não é necessariamente "realizado cognitivamente", é, porém, parte essencial da competência comunicativa de qualquer falante do português.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O livro do Professor Márcio Kléos F. Pereira torna acessível, pela primeira vez em língua portuguesa, o essencial da obra de Montague, o grande continuador de Leibniz, Frege, Russell e Carnap, e o maior representante contemporâneo da "Filosofia Formal". Tornar acessível a obra de Montague, em si, representa uma façanha que o Professor Márcio Kléos realizou com uma competência à altura de seu promissor talento. E adaptá-la para o português também foi uma tarefa às vezes difícil (é só pensar nas regras relativas ao advérbio de negação "não" em português, que tem um comportamento e uma distribuição nas sentenças bem diferente do equivalente inglês). Por essas razões, o livro do Professor Márcio Kléos deve constar na biblioteca de qualquer linguista e filósofo da linguagem de língua portuguesa interessado no que a filosofia e a lógica contemporânea podem oferecer de melhor na semântica das línguas naturais.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>Márcio Kléos Freire Pereira</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 32 – 2001</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 2001</p> <p>&nbsp;</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Gramática 415</li> <li>Semântica 412</li> <li>Semântica (Filosofia) 149.946</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. O presente livro tem por objetivo expor e comentar os principais aspectos da proposta de uma gramática universal, conforme concebida pelo filósofo contemporâneo Richard Montague, bem como ilustrar essa proposta com aplicações a dois fragmentos declarativos de uma língua natural (a saber, o português). As aplicações que constam em nosso livro são uma adaptação dos resultados de aplicações similares a fragmentos do inglês feitas pelo próprio Montague. Distinguem-se uma da outra pela estratégia de interpretação semântica empregada nos dois casos.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/38 A Epistemologia de Claude Bernard 2022-11-21T09:56:07-03:00 Luiz Henrique de A. Dutra clepub@unicamp.br <p>“Apresentar Claude Bernard como um epistemólogo é a ideia principal desse livro que, por isso, difere radicalmente da totalidade dos trabalhos que conhecemos sobre esse autor. São sobretudo os historiadores da biologia e os filósofos que se ocupam do estudo do pensamento de Bernard, e para esses comentadores, em geral, ele é um fisiólogo ou um cientista que se aventurou também a emitir sua opinião sobre temas filosóficos polêmicos, aos quais foi conduzido por força de sua reflexão sobre a aplicação do método experimental nas ciências biológicas.</p> <p>Estamos cientes, portanto, de que nosso trabalho é um tanto heterodoxo em face de uma certa tradição estabelecida na interpretação do pensamento de Claude Bernard. Entretanto, naquele que, sem dúvida, é o mais eminente historiador e filósofo da ciência que dele se ocupou, Georges Canguilhem, encontramos eco a essa nossa abordagem, quando ele diz, a respeito da introdução ao Estudo da Medicina Experimental de Bernard, que, para bem compreender suas discussões metodológicas da primeira parte dessa obra, é necessário ler primeiro sua terceira parte, que contém o relato das grandes descobertas de Claude Bernard em fisiologia experimental (cf. Canguilhem 1994, p. 168). É curioso que esta primeira parte da Introdução tenha tido diversas edições em separado, o que é sinal dessa tendência geral de não relacionar a obra científica com a obra filosófica de seu autor.</p> <p>Um livro introdutório, como esse se propõe a ser, não é exatamente uma obra de fácil leitura, ou de exposição simplificada. Fomos obrigados a retomar sucintamente muitas discussões filosóficas extensas e complicadas, como aquela do próprio estatuto cognitivo da epistemologia, assim como os temas da demarcação, da unidade da ciência e do realismo científico. A estes problemas, que hoje estão na ordem do dia para os grandes epistemólogos, Bernard também deu sua contribuição, que julgamos de valor, e a nossa se limita a colocar isso em evidência. Esse objetivo nos obrigou a uma escolha do modo de apresentação das matérias, não apenas na sequência que lhes demos, mas também na documentação que apresentamos. Optamos por nos concentrar em comentários às obras do próprio Claude Bernard, e o caráter polêmico de muitos pontos nos obrigou a citá-lo longa e repetidamente. Também por isso podemos dizer, pois, que apresentamos uma introdução à leitura de seus textos.</p> <p>Este trabalho resultou das pesquisas que realizamos como estágio de pós-doutorado, custeado pela CAPES, junto à Equipe REHSEIS (Recherches Epistémologiques et Historiques sur les Sciences Exactes et les Institutions Scientifiques), na Universidade Paris 7-Denis Diderot, durante o ano letivo 1994-1995, no quadro do Acordo CAPES-COFECUB 141/93 que, no Brasil, envolve a Universidade de São Paulo, a Universidade Estadual de Campinas e a Universidade Federal de Santa Catarina, a cujo Departamento de Filosofia pertencemos.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>Luiz Henrique de A. Dutra</p> <p>VOLUME 33 – 2001</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 2001</p> <p>&nbsp;</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Ciência — Filosofia 501</li> <li>Biologia — Filosofia 574.01</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. Este livro procura apresentar Claude Bernard (1831-1878) como um epistemólogo, diferindo, portanto, da grande maioria dos trabalhos sobre esse autor. Contemporâneo de Pasteur e discípulo de Magendie, Bernard se insere na tradição científica francesa que remonta a Lavoisier e Laplace. Bernard é pai da fisiologia moderna e o responsável por algumas das principais noções desta disciplina, como as de meio interno e secreção interna. Sua influência sobre os destinos da fisiologia se estende ao século XX, através de seus discípulos, em especial Brown Séquard, no campo da endocrinologia.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/39 Auto-organização 2022-11-21T10:00:25-03:00 Gustavo M. Souza clepub@unicamp.br Ítala M. Loffredo D'ottaviano clepub@unicamp.br Maria Eunice Q. Gonzales clepub@unicamp.br <p>“O presente volume de Auto-organização: estudos interdisciplinares reúne trabalhos apresentados no Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização da UNICAMP, e também nos Colóquios Michel Debrun, promovidos pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência - CLE/UNICAMP e pelo Departamento de Filosofia - UNESP/Marília, durante o período de 2001 a 2003.</p> <p>O Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização foi criado em 1986, pelo Professor Michel Debrun, que o coordenou até o seu falecimento, em 1997. Dois volumes já foram publicados pelo grupo: o volume 18 da Coleção CLE, organizado por Michel Debrun, M. Eunice Quilici Gonzalez e Osvaldo Pessoa Jr.; e o volume 30 da Coleção CLE, organizado por ítala M. Loffredo D’ottaviano e M. Eunice Quilici Gonzalez.</p> <p>Esta coletânea, dando continuidade aos volumes anteriores, tem como tema central de investigação questões fundamentais sobre a natureza dos processos de auto-organização que se encontram presentes nos vários eventos e atividades que nos constituem e nos cercam. Um dos aspectos inovadores da obra consiste em que tais investigações são realizadas a partir de uma perspectiva interdisciplinar, que envolve a filosofia, a lógica, a neurociência, a música, a engenharia, a biologia e a psicologia, entre outras. Os textos estão classificados em três grupos: auto-organização na biologia, o papel da auto-organização na percepção e ação humana, auto-organização e as teorias da informação e dos sistemas.</p> <p>A primeira parte do livro - Auto-organização na Biologia - inclui uma análise do grau de complexidade presente nos sistemas biológicos e no ecossistema, análise essa realizada a partir de uma perspectiva sistêmica, que tem na auto-organização um dos seus principais alicerces. Esta Parte I reúne os Capítulos 1, 2 e 3, com trabalhos de Alfredo Pereira Júnior, Ângelo Gilberto Manzatto, Felipe A.P.L. Costa, Gustavo Maia Souza, Lúcia Maria Paleari, Ricardo Ferraz de Oliveira e Romeu Cardoso Guimarães.</p> <p>No Capítulo 1 - "Evolução Biológica e Auto-Organização: apresentando, discutindo e exemplificando uma proposta teórica" - Alfredo Pereira Júnior, Lúcia Maria Paleari, Felipe A.P.L. Costa e Romeu Cardoso Guimarães debatem a seguinte questão: a evolução biológica é determinada pela seleção natural ou por tendências inerentes ao próprio sistema genético-molecular? Segundo os autores, a teoria de sistemas auto-organizados permite uma abordagem integradora, por meio da qual se entende que os rumos da evolução seriam traçados pelos próprios sistemas vivos, com base em suas capacidades de autorregulação metabólica e construção ativa das formas de interação com o ambiente. Baseados na apresentação e discussão de exemplos, os autores argumentam que seleção natural e auto-organização podem representar hipóteses complementares na explicação da ordem biológica. Dessa forma, o rumo do processo evolutivo, ao longo do tempo, em direção a patamares organizacionais aparentemente mais complexos que os precedentes, seria definido pelos próprios seres vivos, em seus processos interativos. Em consequência, ao invés de se conceber um processo cego, coloca-se a questão da participação, e mesmo da responsabilidade do ser humano, frente aos rumos do processo evolutivo, uma vez que o homem é parte integrante da Natureza, sendo um elo importante de ligação no Sistema Biosfera de nosso planeta.</p> <p>No Capítulo 2 - "Auto-Organização, Hierarquia e Resiliência em Ecologia" -, Ângelo Gilberto Manzatto discute a importância de uma abordagem sistêmica para uma melhor compreensão dos processos organizacionais dos ecossistemas. Segundo o autor, a hierarquia natural dos ecossistemas requer que eles sejam estudados sob diferentes tipos de abordagens ou perspectivas e em diferentes escalas de exame. Não existe, per se, uma abordagem ou perspectiva correta. Ecossistemas são auto-organizados. Os meios pelos quais sua dinâmica evolui e seus níveis hierárquicos estão interligados denotam processos que se retroalimentam positiva e negativamente, o que impede que mecanismos de causa-efeito expliquem totalmente sua dinâmica. A emergência e a imprevisibilidade são fenômenos comuns e normais em sistemas dominados por esses mecanismos.</p> <p>Para concluir a Parte I, Gustavo Maia Souza e Ricardo Ferraz de Oliveira, no artigo "Estabilidade e Complexidade em Sistemas Biológicos", apresentam e discutem os principais conceitos relativos à noção de estabilidade em sistemas biológicos, procurando estabelecer uma relação entre o grau de complexidade de sistemas biológicos e sua estabilidade frente às perturbações ambientais. Os autores argumentam que, de uma forma geral, sistemas mais complexos tendem a possuir um maior grau de estabilidade quando perturbados por fatores externos. Entretanto, a estabilidade do sistema também depende de um certo grau de redundância. Assim, a estabilidade de um sistema biológico não é linearmente dependente de sua complexidade. Como já sugerido pelos artigos de Pereira Jr. et al., e de Manzatto, a estabilidade dos sistemas biológicos, em diferentes escalas espaço-temporais, é fundamental para o processo de auto-organização da vida como um todo, permitindo a manutenção de padrões organizacionais, ao mesmo tempo que abre espaço para a evolução.</p> <p>A Parte II, intitulada O Papel da Auto-organização na Percepção e Ação Humana, está endereçada, principalmente, às questões relativas à organização cerebral e à dinâmica dos processos auto-organizados que orientam a ação de sujeitos incorporados e situados em ambientes específicos. Reúne os trabalhos de Ana Maria Pellegrini, Lauro Frederico Barbosa da Silveira, Mariana Cláudia Broens, Pedro Fernando Viana Felício, Ricardo Pereira Tassinari e Willem Ferdinand Gerardus Haselager, que compõem, respectivamente, os Capítulos 4, 5, 6, 7 e 8.</p> <p>No Capítulo 4 - "Os hábitos na Vida Diária: pressupostos organizacionais" -, Ana Maria Pellegrini e Pedro Fernando Viana Felicio analisam as ações voluntárias, intencionais, no contexto da teoria da auto-organização. Argumentam que, nas investigações contemporâneas, a ênfase no estudo da ação está na capacidade dos agentes de controlar seus próprios atos, de interagir com seus semelhantes e de sobreviver num ambiente em constante mudança. No entanto, um bom número de atividades realizadas no dia-a-dia foge do controle voluntário do ser humano e se reduz a hábitos. Através desses hábitos, liberamos espaço e tempo para outras atividades que requerem atenção. Contudo, os autores lembram que nem sempre os hábitos estabelecidos atendem às novas demandas, na relação do sujeito com o meio. Nesse contexto, este capítulo discute os princípios que norteiam as várias formas de organização do comportamento humano em sua interação com o ambiente. Em específico, focaliza os conceitos de emergência e de ajustes nos hábitos, indicando os princípios que regem a organização do comportamento motor, em várias escalas espaço-temporais, na busca de uma ordem. Finalmente, os autores discutem as vantagens e os problemas advindos dos hábitos da vida diária, em termos de qualidade de vida.</p> <p>No Capítulo 5 - "Sujeito e Auto-organização" Mariana Claudia Broens investiga a relevância da preservação da noção cotidiana de sujeito, que é também adotada pelos filósofos defensores do senso comum, no contexto da teoria da auto-organização (TAO). Para isso, analisa inicialmente alguns sentidos que o termo sujeito assume na história do pensamento ocidental, ressaltando vínculos ontológicos a eles subjacentes. Entende a autora que, antes de postular a existência de um sujeito auto-organizado, é necessário tornar um pouco mais clara a complexa trama metafísica a partir da qual a noção de sujeito é construída pela tradição filosófica. Após investigar a distinção entre auto-organização primária e secundária, proposta por Michel Debrum (1997), ela argumenta que a noção de agente pode ser estrategicamente mais útil para os propósitos teóricos da TAO para designar um sistema auto-organizado secundariamente. Tal proposta se justifica na medida em que tal noção enfatiza as potencialidades de interação que caracterizam esse sistema, não propiciando a confusão semântica entre agente e sujeito, este último concebido como entidade desencarnada. Em conclusão, sua proposta é que retomemos, nos estudos da TAO, a noção familiar de sujeito, tão cara ao senso comum, mas tão pouco valorizada pela filosofia clássica.</p> <p>No Capítulo 6 - "Pragmatismo e o Princípio da Continuidade no Cosmos Auto-organizado" Lauro Frederico Barbosa da Silveira apresenta a concepção peirceana do Cosmos. Especial ênfase é dada aos esforços de Peirce na construção de um modelo lógico que leve em conta a noção de auto-organização, no qual a razão possa exercer seu papel criador e observacional. De maneira instigante, Lauro indica como, no modelo peirceano, a razão exercita-se para, através da aquisição de um hábito geral e crescente de conduta, interagir com o universo. Especial atenção é dada ao Princípio da Continuidade, entendido como um pressuposto lógico e ontológico do realismo evolucionário proposto por Peirce.</p> <p>No Capítulo 7 - "Sobre Teorias Físicas da Auto-organização Intencional: uma análise a partir da proposta de Henri Atlan" Ricardo Pereira Tassinari e Márcio Augusto Vicente de Carvalho analisam a questão da elaboração de uma teoria física da auto-organização intencional, a partir da proposta de Henri Atlan (1998) sobre uma "teoria física da intencionalidade". Inicialmente eles apresentam alguns dos pressupostos de Atlan em seu estudo da intencionalidade e discutem o modelo de comportamento intencional por ele proposto com base nos resultados de simulações computacionais de auto-organizações estruturais e funcionais. Nesse modelo, três tipos de auto-organização são enfatizados: auto-organização fraca, auto-organização forte e auto-organização verdadeira. Eles ressaltam que o método adotado por Atlan, para justificar a possibilidade de uma teoria física da intencionalidade, consiste na construção crescente de modelos até a obtenção de modelos capazes de incorporar a intencionalidade. Após uma discussão cuidadosa da proposta de Atlan, os autores argumentam que ela poderia ser considerada mais como uma consequência de uma postura filosófica pessoal do que um esboço de teoria física. Contudo, inspirados na proposta de Atlan, procuram mostrar que a noção de teoria física da auto-organização intencional leva à noção de teoria física auto-organizada da auto-organização intencional, que é discutida no capítulo.</p> <p>No Capítulo 8 - "Auto-organização e Comportamento Comum: opções e problemas" -, Willem Ferdinand Gerardus Haselager analisa aspectos do comportamento comum, no contexto das teorias e modelos desenvolvidos na filosofia da mente e ciência cognitiva. Seu ponto de partida é a análise da concepção filosófica vigente, segundo a qual o conhecimento comum é caracterizado em termos de atitudes proposicionais e representações mentais. Após indicar algumas dificuldades inerentes a essa concepção, em especial no que diz respeito ao conhecido problema áosframes, o autor argumenta em defesa da hipótese segundo a qual o comportamento do senso comum pode ser entendido sem apelo às noções de representação mental, implícitas nos conceitos de crença, planos, julgamentos, entre outros. Como alternativa, Haselager propõe uma abordagem do conhecimento comum orientada principalmente à ação auto-organizada. Essa abordagem constitui uma valiosa contribuição para a Teoria da Cognição Incorparada e Situada, atualmente em desenvolvimento na ciência cognitiva dinâmica.</p> <p>A última seção desta coletânea, que constitui a Parte III, intitulada Auto-organização e as Teorias da Informação e dos Sistemas, trata fundamentalmente de questões conceituais relativas à teoria da informação, à sistêmica e, em particular, à teoria de sistemas dinâmicos. No contexto dos sistemas dinâmicos caóticos e da teoria da informação, é investigado o processo de auto-organização; a partir de uma descrição metafórica da evolução histórica da música é apresentado um estudo do conteúdo informacional de peças musicais; a seguir, hipóteses freudianas sobre a especificidade da percepção em termos informacionais são sugeridas e, finalmente, é proposta uma introdução ao estudo dos sistemas ditos com criticalidade auto-organizada. Os Capítulos 9, 10, 11 e 12 apresentam artigos de Carmen Beatriz Milidoni, Carmen Pimentel Cintra do Prado, Ettore Bresciani Filho, ítala Maria Loffredo D'Ottaviano, Luís Henrique A. Monteiro, Maria Eunice Quilici Gonzalez, Mariana Cláudia Broens e S.M.D. Stump.</p> <p>No Capítulo 9, em "Sistema Dinâmico Caótico e Auto-organização", Ettore Bresciani Filho e ítala Maria Loffredo D’ottaviano apresentam inicialmente conceitos básicos da teoria de sistemas, a sistêmica, conceitos e definições fundamentais da teoria de sistemas lineares, sistemas dinâmicos e sistemas dinâmicos caóticos e conceitos de controle de sistemas. São apresentados alguns exemplos elementares de sistemas dinâmicos, e são discutidos o conceito de auto-organização e características essenciais dos processos auto-organizados. O objetivo central do artigo consiste em estudar o fenômeno da auto-organização no contexto dos sistemas dinâmicos caóticos.</p> <p>No Capítulo 10, Carmen Pimentel Cintra do Prado, em "Uma Introdução ao Conceito de Criticalidade Auto-organizada", tem por objetivo apresentar uma introdução ao estudo da dinâmica de sistemas que podem ser levados a evoluir 'sozinhos' para um estado crítico. Os sistemas com criticalidade auto-organizada apresentam um comportamento emergente comum - o que têm em comum é a maneira como reagem às pequenas perturbações que venham a sofrer. O significado preciso do conceito de criticalidade auto-organizada (SOC, do inglês selforganized criticality), mesmo após mais de 15 anos de trabalho pioneiro publicado em 1987, permanece controvertido. A autora discute algumas características básicas dos sistemas com criticalidade auto-organizada e questiona quais os tipos de sistemas que podem apresentar criticalidade auto-organizada. Descreve, então, dois modelos simplificados - o modelo de pilha de areia ou modelo bak-tang-wisenfeld (BTW), e o modelo Olami-Feder-Christensen (OFC) para a dinâmica dos terremotos -, também conhecidos como "modelos de brinquedo", que pretendem capturar a essência da dinâmica que governa esses sistemas com comportamento emergente conhecido como criticalidade auto-organizada.</p> <p>No Capítulo 11, Carmem Beatriz Milidoni, Maria Eunice Quilici Gonzalez e Mariana Cláudia Broens discutem algumas das ideias da metapsicologia freudiana, à luz de certas conceituações sobre a teoria da informação propostas por Dretske (1986). Em particular, argumentam que é possível recolocar às principais hipóteses freudianas sobre a especificidade da percepção em termos informacionais, no contexto do Projeto de uma Psicologia (Freud, 1895). Nesse texto, Freud caracteriza os processos psíquicos via um sistema neurônico, no interior do qual a percepção adquire uma função significativa. Para tal, esse sistema, em sua totalidade, deve estar comprometido para fazer da percepção uma função signifícante, sempre dependente da história em que se desenvolve esse processo. Nesse contexto, as autoras procuram mostrar que a visão de Freud não estaria longe de certas teorizações contemporâneas desenvolvidas na filosofia da mente, em especial daquelas desenvolvidas por Drestke na obra Knowledge and the Flow of Information, sobre a natureza do conteúdo informacional constitutivo do conhecimento.</p> <p>No Capítulo 12, "Teoria da Informação e Complexidade Musical ou 'como compor uma música de sucesso'", Luís Henrique A. Monteiro e S.M.D. Stump analisam como a linguagem, conceitos e ferramentas da teoria de sistemas dinâmicos se aplicam à descrição metafórica da evolução histórica da música e ao estudo de peças musicais, quando encaradas como uma série formada pelas variações de frequência ou da intensidade do seu sinal acústico em função do tempo. Já que a linguagem e a sintaxe musicais baseiam-se em relações matemáticas de proporcionalidade entre frequências sonoras, consideram os autores que, talvez por isso, a música represente a forma de arte que, devido à sua construção, seja a mais acessível a uma abordagem científica. O objetivo do texto é apresentar um projeto desenvolvido pelos autores, a partir de 1999, que visa quantificar o conteúdo informacional de músicas e relacionar esses valores ao grau de "aceitabilidade" dessas músicas. O conteúdo informacional das músicas foi avaliado usando uma medida de complexidade baseada na teoria da informação. O público-alvo da pesquisa consistiu de um grupo de crianças de 5 a 7 anos, cursando a pré-escola, e o objetivo principal do trabalho foi apresentar um método para quantificar a complexidade musical.</p> <p>Entendemos que os variados caminhos da reflexão interdisciplinar sugeridos por este volume possibilitam ao leitor um campo fértil de investigação científico-filosófica. Como os temas analisados são de natureza essencialmente interdisciplinar, o leitor interessado encontrará nos artigos aqui apresentados enfoques familiares às suas áreas de investigação. Contudo, a prática da reflexão interdisciplinar, ainda em construção nas academias, requer uma atitude criativa e perseverante, que possibilite a interação e integração de perspectivas distintas.</p> <p>Este volume da Coleção CLE constitui um dos resultados do trabalho auto-organizado do saber, que se constrói na prática do "se fazer fazendo", do "caminhar caminhando". Como afirmou Michel Debrun, no final do Prefácio ao primeiro volume de Auto-organização: estudos interdisciplinares, regozijamo-nos de antemão com as controvérsias teóricas que esta coletânea irá suscitar.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>Gustavo M. Souza</p> <p>Ítala M. Loffredo D'ottaviano</p> <p>Maria Eunice Q. Gonzales (orgs.)</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 38 – 2004</p> <p>&nbsp;</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>&nbsp;</p> <p>Primeira Edição, 2004</p> <p>&nbsp;</p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Sistemas auto-organizadores 003.7</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. Este livro, dando continuidade aos volumes anteriores, tem como tema central de investigação questões fundamentais sobre a natureza dos processos de auto-organização que se encontram presentes nos vários eventos e atividades que nos constituem e nos cercam. Um dos aspectos inovadores desse livro consiste em que tais investigações são realizadas a partir de uma perspectiva interdisciplinar, que envolve a filosofia, a lógica, a neurociência, a música, a engenharia, a biologia e a psicologia, entre outras.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/40 Lógica 2022-11-21T10:08:27-03:00 Hércules De A. Feitosa clepub@unicamp.br Frank T. Sautter clepub@unicamp.br <p>“O presente volume da Coleção CLE, Lógica: teoria, aplicações e reflexões, é fruto do trabalho de investigadores brasileiros e alguns estrangeiros, que têm se organizado a partir do Grupo de Trabalho (GT) de Lógica da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF).</p> <p>O GT de Lógica da ANPOF tem se reunido nos "Encontros Nacionais de Filosofia" da ANPOF, e outros eventos sediados no Brasil, desde 1996, e tem como coordenador, a partir de 2000, o professor Walter Alexandre Carnielli.</p> <p>No "X Encontro Nacional de Filosofia" (2002), realizado em São Paulo - SP, promovido pela ANPOF, a partir de sugestão do professor Carnielli, os pesquisadores decidiram que seria oportuna uma publicação contendo parte dos trabalhos discutidos nos diversos eventos dos quais vinham participando.</p> <p>Dentre esses encontros científicos podemos mencionar:</p> <ul> <li>Encontros semanais do "Grupo de Pesquisa em Lógica Teórica e Aplicada" (GLTA) do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da UNICAMP, constituído em 1992, e cadastrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);</li> <li>"XII Encontro Brasileiro de Lógica" (1999), realizado em Itatiaia - RJ e promovido pela Sociedade Brasileira de Lógica (SBL);</li> <li>"First International Symposium Principia" (1999), realizado em Florianópolis - SC e promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGFIL-UFSC);</li> <li>"IX Encontro Nacional de Filosofia" (2000), realizado em Poços de Caldas - MG e promovido pela ANPOF;</li> <li>"Second International Symposium Principia" (2001), realizado em Florianópolis ~ SC e promovido pelo PPGFIL-UFSC;</li> <li>"X Encontro Nacional de Filosofia" (2002), realizado em São Paulo - SP e promovido pela ANPOF.</li> </ul> <p>O professor Frank Thomas Sautter, durante o "X Encontro Nacional de Filosofia", ficou responsável pelos encaminhamentos necessários à produção da publicação. Convidou o professor. Hércules de Araújo Feitosa para a organização conjunta do volume. A professora ítala Maria Lofffedo D'Ottaviano, presente no evento, propôs que a publicação poderia se constituir em um volume da COLEÇÃO CLE, da qual é editora.</p> <p>Ficou estabelecido o final de maio de 2003 como prazo para a submissão dos artigos.</p> <p>Todos os trabalhos encaminhados foram submetidos a rigoroso sistema de avaliação, de acordo com as normas da COLEÇÃO CLE.</p> <p>Os ensaios em lógica teórica e aplicada, e em filosofia da lógica que constam desta coletânea foram todos inicialmente apresentados na forma de comunicação oral e discutidos nos eventos acima mencionados.</p> <p>Os artigos refletem uma variedade de interesses, embora haja alguma preponderância de trabalhos na área das lógicas não-clássicas - a área principal de atuação da Escola Brasileira de Lógica. Isso não é casual, pois muitos dos autores ou são jovens pesquisadores formados por Programas de Pós-Graduação nacionais ou são pesquisadores estrangeiros que colaboram regularmente com os Programas de Pós-Graduação nacionais, além, naturalmente, de alguns de nossos valorosos mestres.</p> <p>Este livro, intitulado Lógica: teoria, aplicações e reflexões, está dividido em três seções, de acordo com a peculiaridade dos trabalhos: Lógica teórica, com quatro artigos, Lógica aplicada com três artigos, e Filosofia da Lógica, com três artigos. A seguir, damos uma ideia geral sobre o conteúdo de cada artigo, dentro de sua seção.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>Hércules De A. Feitosa</p> <p>Frank T. Sautter (orgs.)</p> <p>&nbsp;</p> <p>Volume 39 – 2004</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Lógica - Teoria 160.1</li> <li>Lógica simbólica e matemática 511.3</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. O presente volume da Coleção CLE é fruto do trabalho de investigadores organizados a partir do Grupo de Trabalho de Lógica, vinculado à Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF). Os ensaios desta coletânea foram inicialmente apresentados na forma de comunicação oral e discutidos em Encontros Nacionais da ANPOF, em Encontros da Sociedade Brasileira de Lógica, nos Simpósios Internacionais Principia e em Encontros Regulares do Grupo de Pesquisa em Lógica Teórica e Aplicada do CLE.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/41 Introdução à Teoria da Relatividade com aplicações à Física Nuclear 2022-11-21T10:11:39-03:00 Newton Bernardes clepub@unicamp.br <p>&nbsp;</p> <p>“Este livro representa um curso de Introdução à Mecânica Relativística originalmente publicado como um Boletim Didático pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, por mim ministrado na qualidade de Professor Visitante. Pela natureza da publicação, muitos não tiveram acesso.</p> <p>Seguindo recente conselho do Professor Carlos Henrique de Brito Cruz e de outros colegas da Unicamp, me convenci da utilidade desta publicação. Como se trata de uma exposição didática para principiantes da Teoria da Relatividade de um ponto de vista original e inédito, espero que esta publicação satisfaça aos eventuais novos leitores.</p> <p>Agora que a Teoria da Relatividade completa cem anos, algumas pequenas alterações são necessárias. Assim, o caminho histórico da Relatividade a partir de fenômenos ópticos foi abandonado. Escolhemos introduzir a teoria baseados naquilo que denominamos Relação Fundamental da Dinâmica. A estruturação de uma teoria envolve um entrelaçamento de ideias e fatos aparentemente independentes. A Ciência envolve descobertas e invenções que, além de importantes, são necessárias.</p> <p>A exposição se divide em duas partes. A primeira é um desenvolvimento da teoria baseado em novos princípios. A segunda apresenta uma discussão da Dinâmica dos Sistemas. Aqui se discutem dois pontos frequentemente obscuros: 1) os parâmetros dinâmicos dos sistemas, tais como massa de repouso e 2) a exatidão da chamada Relatividade Restrita, ou especial, mesmo em casos onde existe interação.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>Newton Bernardes</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 40 – 2005</p> <p>&nbsp;</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 2005</p> <p>&nbsp;</p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <p>Relatividade (Física) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 530.11</p> <p>Física nuclear &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 539</p> <p>Partículas (Física nuclear)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 539.721</p> <p>Mecânica clássica &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 531</p> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. Este livro representa um curso de Introdução à Mecânica Relativística ministrado a alunos do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz da Universidade de São Paulo. Hoje, quando a Teoria da Relatividade completa cem anos, optamos por introduzir ligeiras modificações na sua apresentação. Assim, o caminho histórico da Relatividade a partir de fenômenos ópticos foi abandonado.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/42 WITTGENSTEIN 2022-11-21T10:15:25-03:00 ARLEYR MORENO clepub@unicamp.br <p>"É com satisfação que aqui apresentamos alguns dos resultados do III Colóquio Wittgenstein realizado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e junto ao Departamento de Filosofia e ao Programa de PósGraduação de Filosofia da Unicamp. Pudemos contar, também, com a preciosa colaboração do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência para a publicação deste volume da Coleção CLE.</p> <p>Os trabalhos apresentados no Colóquio foram reformulados por seus autores em função das discussões realizadas com o público e entre os próprios pesquisadores convidados.</p> <p>No primeiro texto, o professor Paulo Margutti Pinto apresentanos sua concepção de sujeito transcendental no Tractatus e defende a tese da permanência de uma atitude ético-religiosa durante toda a vida de Wittgenstein e sempre presente em seu pensamento filosófico - mesmo na fase posterior ao Tractatus, apesar das profundas mudanças na concepção de linguagem que separam este livro do das Investigações Filosóficas.</p> <p>No segundo texto, o professor Darlei Dall’Agnol analisa o debate entre comentadores de Wittgenstein a respeito de sua suposta atitude cognitivista após o Tractatus, rompendo assim com sua posição da juventude, ou, pelo contrário, se persistiria sendo, como na juventude, nãocognitivista durante a fase madura. A discussão toma como ponto centrai a ideia de seguir uma regra - tema longamente analisado por Wittgenstein. O autor toma partido entre o cognitivismo e o não-cognitivismo rejeitando estas duas interpretações — além de responder a objeções feitas por Margutti durante o Colóquio.</p> <p>No terceiro texto, o professor Eduardo Gomes de Siqueira apresenta o esboço de um projeto do que seria uma gramática dos sons conforme Wittgenstein, partindo da analogia entre a auto-terapia do modelo agostiniano de linguagem e uma, fortemente sugerida, auto-terapia de um modelo agostiniano da música. Para isso, o autor toma por base frequentes afirmações de Wittgenstein a respeito da música expressionista como bastando-se a si-própria — assim como de aproximações que frequentemente sugere entre estética e ética, o que também daria a uma gramática dos sons uma dimensão ética.</p> <p>No quarto texto, a professora Silvia Faustino faz uma comparação entre o primeiro livro de Wittgenstein, o Tractatus e o seu último escrito, <em>Sobre a Certeza</em>, A comparação se apoia na metáfora heraclitiana usada pelo filósofo nesse último escrito, que é a do leito do rio dos pensamentos. A autora procura mostrar que nos dois textos Wittgenstein deixa indeterminados a forma e o conteúdo daquilo que, de acordo com cada época de sua evolução intelectual, seria o fundamento do conhecimento, a saber, as proposições elementares e as proposições gramaticais. Esta atitude de Wittgenstein revelaria, segundo a autora, a visão ética do uso da linguagem por parte do filósofo.</p> <p>No quinto texto, o professor Guido Imaguirre apresenta uma discussão a respeito de duas concepções de matemática, o platonismo e o nominalismo, face às ideias filosóficas de Wittgenstein tanto sobre a matemática quanto, e, sobretudo, a respeito da linguagem. O autor aponta para uma solução bem típica do estilo terapêutico do filósofo, que consiste em negar as duas posições apresentando o que ele considera ser a dissolução da antagonia — neste caso, e mais uma vez, é o uso que irá servir como terapia: o uso das proposições matemáticas como normas é que fornece a elas o caráter normativo com que se apresentam para nós.</p> <p>No sexto texto, o professor Arley R.Moreno apresenta alguns comentários a respeito das relações entre lógica, linguagem e pragmática a partir da oposição entre sentidos conceituais exatos e sentidos conceituais vagos. Esta discussão coloca em confronto a concepção logicista que correlaciona, por um lado, a presença de limites e exatidão do sentido e, por outro lado, ausência de limites e imprecisão do sentido — extraindo daí a consequência de que um conceito impreciso não possui limites - e a terapia que dela faz Wittgenstein a partir do final dos anos 20. Embora historicamente datada, esta concepção é exemplar de uma atitude comum na área de filosofia da lógica - além de também sê-lo, está claro, na área de filosofia da linguagem. A terapia de Wittgenstein serve ao autor como base para apresentar este caso como exemplo."</p> <p>&nbsp;</p> <p>ARLEYR. MORENO (org.)</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 43 – 2006</p> <p>&nbsp;</p> <p>ISSN: 0103-3147 Primeira Edição, 2006</p> <p>&nbsp;</p> <p>índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Filosofia austríaca 193</li> <li>Ética 170</li> <li>Estética (Filosofia) 111.85</li> <li>Epistemologia 121</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. O presente volume da Coleção CLE reúne os trabalhos apresentados e debatidos no III Colóquio Wittgenstein – Perspectivas, organizado pelo IFCH\Unicamp e ocorrido nos dias 29 e 30 de setembro de 2005. Os textos aqui apresentados são de autoria de Paulo Roberto Margutti Pinto, Darlei Dall’Agnol, Eduardo Gomes de Siqueira, Sílvia Faustino, Guido Imaguire e Arley Ramos Moreno.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/43 Filosofia da Mente e Inteligência Artificial 2022-11-21T10:18:54-03:00 João de Fernandes Teixeira clepub@unicamp.br <p>“Este livro foi publicado pela primeira vez há dez anos. Seu objetivo continuou sendo o mesmo: reunir um conjunto de ensaios num único volume, a maior parte deles publicados em revistas especializadas de difícil acesso até mesmo para leitores académicos.</p> <p>Quero aproveitar a ocasião para agradecer a gentileza dos editores da revista <em>Manuscrito</em> que cederam os direitos de reprodução dos artigos "A máquina de Enxergar" (volume XIV, número 2) e "O Físico e o Mental: Inteligência Artificial e o Problema Mente-Cérebro" (volume XV, número 2). Agradeço também aos Cadernos de História e Filosofia da Ciência e Transformação pela autorização para republicar os artigos "Inteligência Artificial e Caça aos Andróides" (série 3, volume 4) e "Robots, Intencionalidade e Inteligência Artificial (volume 14), respectivamente.</p> <p>Nesta segunda edição preservei os textos sem modificá-los. Não o faço, contudo, ignorando que o cenário da ciência cognitiva e da inteligência artificial tenha mudado radicalmente nesta última década. Nela pudemos assistir à falência do modelo simbólico da inteligência artificial (a GOFAI ou Good and Old Fashioned Artificial Intelligence como dizia John Haugeland) e do conexionismo. Ao mesmo tempo presenciamos o surgimento das ideias de cognição situada e da robótica evolucionária.</p> <p>O terceiro ensaio desta coletânea, o principal deles, "Autolocomoção e Intencionalidade" (cujos delineamentos também se encontram em artigo publicado em 1993, na coletânea Epistemologia e Cognição, organizada pelo Prof. Paulo Abrantes e ora esgotada) preconizava estas mudanças em 1996. Ele continua sendo a tese central deste livro, a despeito do fato de que quando a apresentei para obter um doutorado na Universidade de Essex, na Inglaterra, ter sido recebida com muita resistência por parte da comunidade científica. Um evento normal, típico do conservadorismo académico, e que viria mais uma vez confirmar que Kuhn estava certo ao afirmar que a ciência precisa de dogmas provisórios para impulsionar sua própria história. Como no filme 1492 —A Conquista do Paraíso de Ridley Scott, o que era inaceitável ontem se torna ortodoxia hoje. Essa é a história da ciência e da academia. E foi dessa forma que passamos a aceitar que a terra é redonda.</p> <p>Após a década do cérebro, a ciência da cognição — ou o que restou dela — concentra quase todas suas apostas na neurociência cognitiva e na robótica. Abandonamos a ingenuidade filosófica que permeava as antigas teorias do conhecimento identificado como representação e ingressamos na era na qual este recebe uma visão e um tratamento mais dinâmicos, sendo concebido como resultado da interação de agentes situados em seu meio ambiente e em seu entorno social. Marcos dessa mudança histórica foram os esparsos trabalhos teóricos de Rodney Brooks, sobre a nova robótica por ele desenvolvida no MIT; os textos dos defensores da cognição como enação, e outros pequenos eventos que vieram a culminar na publicação do número especial do <em>Journal of Consciousness Studies</em> de 1999, intitulado <em>Reclaiming Cognition</em>. liLsx.es marcos históricos pontuaram a tentativa de refazer paradigmas, convergindo na necessidade de, cada vez mais, relacionar cognição com atividades motoras.</p> <p>A ciência não progride apenas através das revistas especializadas, como me disse uma vez um eminente professor da UNICAMP citando o filósofo da ciência Stephen Toulmin. A reflexão filosófica e a análise conceitual continuam e continuarão a ter destaque e importância ao longo dessa aventura que é a história da ciência por curta que ela seja, como é o caso da ciência cognitiva. À filosofia tem faltado, contudo, a modéstia que permitiria resgatar uma de suas mais importantes vocações: aliar-se à ciência, numa luta conjunta em direção a aliviar o sofrimento humano. Constituir-se como uma epistemologia projetiva era a tarefa primordial da filosofia na época em que surgiu a ciência moderna, tarefa esta hoje em dia quase esquecida.</p> <p>Da filosofia não podemos cobrar a utilidade que a tecnociência nos proporciona peias suas descobertas e invenções, algumas delas tão redentoras como o foi o fogão a gás para as mulheres, muito mais significativo e importante do que a obrigatoriedade do voto. Mas podemos — e devemos — rejeitar que a refinaria conceituai da filosofia torne-se tarefa fútil; devendo para isto traçar uma rota de fuga para não se tornar perversão da razão ou proeminência mórbida da linguagem. Creio, com este livro, ter dado uma pequena contribuição para evitar esses deslizes e contribuir com a árdua tarefa da ciência num país onde ser positivista é mais um quesito de cidadania do que propriamente uma escolha filosófica.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>João de Fernandes Teixeira</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 44 – 2006 (2ª Ed.)</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1996</p> <p>&nbsp;</p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Inteligência artificial 001.535</li> <li>Mente - Filosofia 128.2</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. O aparecimento da Ciência Cognitiva e da Inteligência Artificial, nas últimas décadas, tem trazido uma constante inquietação para os filósofos da mente que têm questionado, incessantemente, a possibilidade de sistemas artificiais replicarem a vida mental humana. Neste livro, o autor aborda um dos aspectos centrais deste problema, investigando a natureza das representações mentais.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/44 Mario Tourasse Teixeira 2022-11-21T10:22:22-03:00 Romélia Mara Alves Souto clepub@unicamp.br <p>“O livro que se apresenta é um dos resultados de um projeto de pesquisa que vem sendo desenvolvido há cerca de 10 anos junto ao Grupo de Pesquisa em História da Matemática, vinculado ao Departamento de Matemática e ao Programa de Pós-graduação em Educação Matemática da UNESP - campus de Rio Claro. No sentido de resgatar e escrever a história da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Rio Claro, fundada em 1958, foram realizados subprojetos de pesquisa que serviram de subsídios para a realização deste trabalho realizado por Romélia Mara Alves Souto, intitulado Mário Tourasse Teixeira: o Homem, o Educador, o Matemático, defendido em 2006 como requisito para obtenção do título de doutor junto ao Programa de Pós-graduação acima mencionado. Os trabalhos que antecederam e que abriram caminho para a realização deste foram: 1999 - A História da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro e suas Contribuições para o Movimento de Educação Matemáticas 2002 — O Movimento do S.A.P. O. — Serviço Ativador em Pedagogia e Orientação — e algumas de suas contribuições para a Educação Matemática, ambas dissertações de mestrados realizadas respectivamente por Suzeli Mauro e Nádia Regina Baccan, sob minha orientação. O acervo deixado pelo Prof. Mário Tourasse Teixeira serviu de material de consulta para esses três trabalhos académicos, principalmente para os de Nádia e Romélia. Esse acervo encontra-se no Departamento de Matemática da UNESP - campus de Rio Claro, sob responsabilidade do Prof. Irineu Bicudo.</p> <p>Esse projeto de pesquisa desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em História da Matemática é parte integrante do movimento que está sendo implementado pela comunidade brasileira de Historiadores da Matemática, cujo objetivo é fortalecer a investigação científico/académica da Historiografia da Matemática no Brasil. Este movimento iniciou-se de forma institucionalizada na última década. Embora consideremos as importantes contribuições para a escrita da História da Matemática no Brasil que foram feitas em períodos anteriores, como, por exemplo, o capítulo A Matemática no Brasil escrito por Francisco Mendes de Oliveira Castro, presente no livro As Ciências no Brasil, organizado por Fernando de Azevedo e publicado na década de 50 do século XX, ou então as informações históricas contidas em verbetes matemáticos na Enciclopédia Mirador escritas por especialistas na área apresentada no verbete, há que se destacar que essas contribuições foram feitas por cientistas cujo objeto de pesquisa eram outros e não a História da Matemática. Foi na década de 90 que se deu o início da "profissionalização" da pesquisa em História da Matemática. O crescimento do movimento científico voltado a pesquisas em História da Matemática é constatado em artigos publicados na Revista Brasileira de História da Matemática, periódico científico da Sociedade Brasileira de História da Matemática, e nos Anais dos Seminários Nacionais de História da Matemática (SNHM), que no ano de 2007 teve realizada a sua 7 a edição. Porém, a pesquisa específica sobre temas que envolvem a História da Matemática no Brasil ainda é muito tímida, mas a tendência de crescimento é evidente e a apresentação de trabalhos referentes a este tema durante a realização dos SNHM comprova isso. Em se tratando de biografias, um dos subitens que fazem parte da História da Matemática, a investigação científica relativa aos principais personagens do movimento matemático brasileiro desenvolve-se graças ao empenho individual de alguns poucos historiadores da matemática nacionais. Embora possamos dizer que existem alguns resultados significativos, há que se considerar que o montante das pesquisas realizadas ainda está muito aquém do desejado por nossas necessidades. O movimento historiográfico da matemática brasileiro carece de ampliar este ramo de pesquisa. Faz-se necessário a criação de um canal científico de respeito que forneça informações confiáveis sobre a vida e a obra dos principais matemáticos brasileiros. Não podemos nos manter na informalidade em relação a este tema, pois, muitas vezes, quando necessitamos de informações detalhadas a respeito de algum matemático brasileiro que se destacou em sua área de atuação não temos onde buscar.</p> <p>O resultado da dissertação de doutorado de Romélia Mara Alves Souto, que se transformou no livro Mário Tourasse Teixeira: o Homem, o Educador, o Matemático, veio para fortalecer este movimento histórico/biográfico brasileiro, movimento este carente de novos títulos. A autora, aproveitando sua sensibilidade investigativa, transformou as informações oriundas de diferentes fontes, tanto a partir de entrevistas concedidas por pessoas que conviveram com o Prof. Mário ou de suas incursões em seu acervo, neste texto que é um verdadeiro romance biográfico. Nas entrevistas, Romélia ouviu sobre a forma singela de viver deste personagem, no manuseio em seus "cadernos tipo brochura" - caderninhos tão conhecidos por todos aqueles que mantiveram contato com ele - ela aglutinou informações sobre sua vida pessoal, como matemático e como educador.</p> <p>Antes de atribuir a um aluno o projeto de investigação científica sobre a vida do Prof. Mário, tinha em mente que seria melhor se a pessoa responsável não tivesse convivido com ele. Isso poderia acarretar em distorções no manuseio das informações, pois, uma figura tão carismática como ele o foi, o convívio anterior certamente exerceria fortes influências que poderiam descaracterizar o trabalho científico. Mas também sabia que deveria ser uma pessoa com sensibilidade aguçada que pudesse captar, discernir e trabalhar as informações de forma profissional. E Romélia, que não conheceu Mário Tourasse Teixeira em vida, captou seus fluidos, certamente contando com a ajuda de seu espírito - presente no Departamento de Matemática da Unesp/Rio Claro - e escreveu esta maravilhosa obra, digna de ser lida por todos aqueles que acreditam na existência de pessoas transcendentes.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>Romélia Mara Alves Souto</p> <p>Volume 48, 2007</p> <p>&nbsp;</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Matemáticos - Biografia</li> <li>Matemática - História - Brasil 310.924 510.981</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. A história contada neste volume trata da vida e da obra do Prof. Mario Tourasse Teixeira (1925- 1993), apresentando-o como incentivador da atividade matemática e como precursor do movimento de Educação Matemática que teve origem em Rio Claro, nos anos 1970. A partir das compreensões e explicações alcançadas após inúmeras visitas, seguidas sempre de minuciosos interrogatórios, aos mais diversos testemunhos, apresentamos ao leitor uma biografia com base no desvelamento das faces do homem, do educador e do matemático Mario Tourasse Teixeira.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/45 Alguns aspectos do pensamento formal 2022-11-21T10:26:10-03:00 Arley Ramos Moreno clepub@unicamp.br <p>“Esta publicação se insere no conjunto de homenagens, já prestadas ao professor Granger, que foram iniciadas com a publicação de um número especial da Revista Internacional de Filosofia Manuscrito, vol. X, n. 2, outubro de 1987, CLE, UNICAMP, sob a iniciativa e responsabilidade do professor Marcelo Dascal.</p> <p>Da primeira vez, prestou-se homenagem a partir de dois acontcimentos que marcavam, na época, a carreira de Granger, a saber, sua admissão no Collège de France e a tradução para a língua inglesa do seu já clássico Penséef ormelle et sciences de l’homme.</p> <p>A segunda homenagem realizou-se por ocasião da publicação de seu livro Pour une connaissance philosophique, através de uma coletânea de artigos organizados em um livro, sob a responsabilidade das professoras Joélle Proust e Elisabeth Schwartz, editado com o título La connaissance philosophique — Essais sur Voeuvre de Gilles-Gaston Granger, pela PUF, Paris, em 1995.</p> <p>Agora, foi a vez desta nossa publicação, que presta uma terceira homenagem ao professor Granger, em atenção ao conjunto de livros publicados após sua integração ao Collège, no início da década de 80, publicações que vêm completar conceitualmente sua importante obra.</p> <p>Para esta homenagem, convidamos alguns dos antigos alunos, que se tornaram colegas e que permanecem amigos de Granger, para participarem do colóquio que organizamos, no mês de setembro de 2007, na UNICAMP, IFCH, em colaboração com o Departamento de Filosofia/Programa de Pós-Graduação e o CLE - mas, como é natural, nem todos puderam comparecer. Ficam aqui, de qualquer maneira, nossos melhores agradecimentos aos que vieram, e não menos aos que gostariam de ter podido vir.</p> <p>A este nosso colóquio brasileiro, seguiu-se um outro, em versão francesa, no mês de janeiro de 2008, com o título Journnées en hommage à Gilles-Gaston Granger, na École Normale Supérieure e na Maison des Sciences de THomme de Paris-St.Denis, organizado sob a responsabilidade dos professores Antónia Soulez, Antoine Ruscio e minha própria.</p> <p>Seria importante lembrar que o professor Granger fez parte da missão cultural francesa que esteve no Brasil nos anos 50, ocasião em que participou também da implantação do departamento de filosofia na USP — quando teve como alunos, dentre outros, os professores José Arthur Giannotti e Marcelo Dascal — convidados para nosso colóquio brasileiro. Foi esse o início de longa e fecunda colaboração de Granger para os estudos filosóficos no Brasil, colaboração que se estendeu sob a forma de trabalhos de orientação com colegas brasileiros.</p> <p>A obra de Granger é extensa e particularmente rica na área da epistemologia das ciências, em especial na epistemologia das ciências humanas. Todavia, por sua profundidade e lucidez, vai muito além desta área da filosofia, ao tratar de questões mais amplas e gerais da tradição filosófica ocidental, desde os antigos gregos, como Euclides, Platão e Aristóteles, até os grandes filósofos contemporâneos, como Carnap e Wittgenstein.</p> <p>Como vemos, sua preocupação e interesse voltaram-se sempre para as questões atuais da filosofia, e o recurso à história da filosofia nunca foi normativo e nem exegético, ou melhor, de procurar em autores do passado regras prescritivas para o presente, através de análises de textos e de obras - ainda quando dedicou um livro, exclusivamente, à análise e comentário de Aristóteles. Pelo contrário, seu interesse sempre foi usar as questões do presente como teste para julgar sobre a atualidade dos autores do passado e daí tirar as boas lições do passado para o presente. Graças a esta atitude não dogmática para com o presente e respeitosa para com o passado, e graças à aplicação de seu método de epistemologia comparada, Granger conseguiu elaborar conceitos de importância e aplicação atuais — como, p.ex., o conceito de conteúdo formal, no qual se ouvem ecos da voz do Estagirita pela originalidade do epistemólogo contemporâneo.</p> <p>A obra de Granger é um exemplo de frutífera harmonia entre o trabalho do historiador minucioso e o do epistemólogo criador, conjugados na pessoa do filósofo original.</p> <p>Esperamos que esta publicação venha a ser fonte de inspiração para novas reflexões do leitor.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>Arley Ramos Moreno (org.)</p> <p>VOLUME 50 – 2008</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>índice para catálogo Sistemático</p> <ol> <li>Epistemologia</li> <li>Linguagem - Filosofia</li> <li>Filosofia francesa 121 401 194</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. O presente volume da Coleção CLE reúne trabalhos apresentados e debatidos no Colóquio em Homenagem a GillesGaston Granger organizado pelo IFCH/Unicamp e ocorrido de 18 a 21 de setembro de 2007. Os textos aqui apresentados são de autoria de José Arthur Giannotti, Joële Proust, Antoine Ruscio, Luiz Flores Hernández e Arley Ramos Moreno.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/46 Auto-Organização 2022-11-21T10:31:53-03:00 ETTORE BRESCIANI FILHO clepub@unicamp.br ÍTALA M. LOFFREDO D'OTTAVIANO clepub@unicamp.br MARIA EUNICE Q. GONZALEZ clepub@unicamp.br GUSTAVO MAIA SOUZA clepub@unicamp.br <p>“O presente volume de Auto-organização: estudos interdisciplinares reúne trabalhos apresentados nos Seminários do Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização da UNICAMP durante o período de 2004 a 2008. Esse grupo foi criado em 1986, pelo Professor Michel Debrun, que o coordenou até o seu falecimento, em 1997, tendo sido desde então coordenado pela professora ítala M. Loffredo D'Ottaviano. Três volumes já foram publicados pelo grupo: o volume 18 da Coleção CLE, organizado por Michel Debrun, Maria Eunice Q. Gonzalez e Osvaldo Pessoa Jr.; o volume 30 da Coleção CLE, organizado por ítala M. Loffredo D’Ottaviano e Maria Eunice Q. Gonzalez; e o volume 38 da Coleção CLE, organizado por Gustavo M. Souza, ítala M. Loffredo D'Ottaviano e Maria Eunice Q. Gonzalez.</p> <p>Esta coletânea, dando continuidade aos volumes anteriores, tem como tema central de investigação questões fundamentais sobre a natureza dos processos de auto-organização presentes em sistemas naturais e artificiais. Esses processos, que possuem a capacidade de gerar e manter, por si próprios, as condições de sua organização, são analisados a partir de várias áreas do saber. Um dos aspectos inovadores da obra, resultante desse trabalho coletivo, consiste em que tais investigações são realizadas em uma perspectiva interdisciplinar acessível, em geral, ao leitor não especializado. Nessa perspectiva, os dez capítulos que compreendem esta obra estão organizados em duas partes, que podem ser lidas de modo independente: I) Auto-organização nas Ciências Exatas e Naturais e II) Auto-organização nas Ciências da Vida.</p> <p>A primeira parte reúne textos sobre Auto-organização nas Ciências Exatas e Naturais, iniciando com o Capítulo 1, Conceitos Básicos de Sistema Dinâmico e Térmico, elaborado por Ettore Bresciani Filho, ítala M. Loffredo D'Ottaviano e Luiz Fernando Milanez. Os autores apresentam e discutem aspectos (noções, conceitos e definições) fundamentais dos Sistemas Dinâmicos e Térmicos, inclusive as Leis da Termodinâmica, com o objetivo de estudar o fenômeno de auto-organização nos processos que fazem parte desses sistemas. Inicialmente são apresentados noções e conceitos fundamentais da teoria dos sistemas, particularmente dos sistemas dinâmicos, necessários à compreensão dos sistemas termodinâmicos. Ao final do texto, os autores apresentam uma síntese relacionando os conceitos de entropia, organização, desorganização e auto-organização para a construção de uma base conceituai que possibilite o estudo de sistemas auto-organizados de natureza física.</p> <p>No Capítulo 2, a relação entre Auto-organização e Informação é discutida por Maria Luísa Bissoto em: Das (Im)possibilidades da Relação Informação-Auto-organização: uma perspectiva de análise. O objetivo central do capítulo é analisar a definição e as características chave do processo de auto-organização, principalmente no que se refere à informação, como propostas por M. Debrun. A autora compara metodologicamente tais características no contexto de influentes modelos teóricos de compreensão da informação, a saber; o modelo representacional, o modelo emissor-canal-receptor, o modelo de informação entendido como viés de influência transformadora de um sistema e o modelo de informação como redução da incerteza. Partindo da noção de informação, historicamente empregada para designar que algo - um indivíduo, um processo ou um sistema - está em formação, ela considera como essa característica se reveste de importância nas teorizações a respeito do conceito de auto-organização, bem como as relações estabelecidas entre este conceito e aquele de informação. Após análise crítica das bases dos conceitos de informação existentes, e entendendo que um sistema para ser considerado auto organizativo deve ser capaz de gerar e manter por si as condições de sua organização, Maria Luísa sugere que informação deve ser concebida como emergente do próprio processo auto organizativo. No mesmo viés proposto por H. Haken, ela argumenta que informação, antes do que coisa, é um estado atrator que colabora para a ordenação dos recursos do sistema, impulsionando-o a transitar entre diferentes estados ou fases, modificando seus níveis de complexidade organizacional, ao mesmo tempo em que se mantém coeso.</p> <p>Ricardo Pereira Tassinari discute, no Capítulo 3 - Sobre a Realidade-Totalidade como Saber Vivo e a Auto-Organização do Espaço Físico - o conceito de Realidade, considerada como Totalidade, que busca ser consoante com o desenvolvimento contínuo da Ciência contemporânea e com a possibilidade permanente de construção de modelos; argumentando a favor da hipótese de que, segundo esse conceito, a Realidade enquanto Totalidade pode ser concebida como Saber vivo e ativo, Ideia se auto expondo a nós por um processo auto-organizado, do qual faz parte nosso próprio processo de conhecimento a seu respeito. O autor procura mostrar como essa hipótese surge, de forma natural, a partir de reflexões a respeito da constituição do conhecimento científico, fornecendo elementos que possibilitam estruturar e coordenar os diversos conteúdos e métodos científicos. A noção de espaço físico utilizada por Tassinari é considerada tanto a partir de sua sociogênese, segundo o desenvolvimento da Física (em particular, das Relatividades Restrita e Geral), quanto a partir de sua psicogênese, segundo dados da Psicologia Genética e da Epistemologia Genética. A sua conclusão provisória é que o próprio Espaço e a noção de permanência dos objetos, a partir dos quais situamos o que chamamos de objetos físicos e suas propriedades, são construídos de forma auto-organizada. No texto, o Princípio da Idealidade está subjacente ao que o autor designa com o signo Espaço Físico e sua constituição auto-organizada, como, também, à própria noção de objeto permanente e sua constituição auto-organizada, que será a base para outras noções de conservação (como, por exemplo, da quantidade de massa ou, ainda, de energia) e de identidade.</p> <p>No Capítulo 4, Lauro Frederico Barbosa da Silveira apresenta em O Desenvolvimento do Conceito de Tempo na Filosofia de Charles Sanders Peirce uma instigante análise sobre a natureza do tempo no pensamento do filósofo pragmatista, percorrendo uma série de textos escritos desde 1860 até os últimos anos de sua produção teórica em 1908. Ele argumenta que o estudo sobre a formação e o desenvolvimento do conceito de tempo é fundamental para a compreensão do pensamento de Peirce, pois reúne vários componentes que ilustram a inseparável união entre ciência e filosofia visando a conduta humana e o processo evolutivo do universo, dois marcos fundamentais na sua concepção realista de ciência. Respeitando a ordem cronológica dos textos disponíveis, o autor procura ressaltar a evolução da problemática da natureza do tempo ao longo da trajetória do pensamento de Peirce, apresentando questões, bem como o tratamento a elas oferecido, que parecem caracterizar cada uma dessas etapas. A originalidade e a profundidade da reflexão Peirceana sobre o conceito de tempo são ressaltadas neste capítulo, convidando o leitor a compartilhar a clareza de uma investigação extremamente lúcida a respeito do processo evolutivo do cosmos.</p> <p>A Parte I finaliza com o Capítulo 5, O Papel das Relações Informacíonais na Auto-organização Secundária. Nesse capítulo, Alfredo Pereira Júnior e M. Eunice Quilici Gonzalez analisam os princípios que caracterizam a dinâmica temporal na geração de relações de dependência mútua entre os componentes de um sistema durante o processo de auto-organização secundária. Essas relações são denominadas pelos autores de relações informacionais. Tais relações permitem uma variedade de ajustes entre os componentes de sistemas formados, originalmente, nos processos de auto-organização primária. Os autores argumentam que tal dinâmica se expressa em termos de processos não-lineares de três tipos: cooperativos, estacionários e conflituosos, a partir dos quais emergem novos padrões organizacionais. São caracterizadas quatro modalidades de informação relevantes no processo de auto-organização secundária: a) a informação estrutural; b) a informação ambiental; c) a informação contextual, e d) a informação antecipatória.</p> <p>A Parte II, Auto-organização nas Ciências da Vida, reúne cinco capítulos. No capítulo 6, Auto-organização e Ação: uma abordagem sistêmica da ação comum, Mariana Claudia Broens discute o alcance das explicações mecanicistas e reducionistas dos processos complexos observados em sistemas cognitivos biologicamente situados e incorporados, defendendo uma abordagem sistêmica, não redutiva, de fenômenos auto-organizados. Segundo a autora, o estudo da natureza da ação dos organismos (e de noções a ela relacionadas, como as de autonomia, intencionalidade e responsabilidade) não pode ser satisfatoriamente realizado a partir de teses comprometidas com a ontologia dualista e tampouco com os primados do fisicalismo mecanicista. Mariana argumenta que a abordagem sistêmica dos padrões de ação tem a virtude de situar tais padrões em um contexto teórico diverso daquele proposto pelo mecanicismo clássico; tal abordagem possibilita um enfoque fisicalista não redutivo, que leva em conta a dimensão qualitativa própria dos organismos. Exemplos são fornecidos, ilustrando a possibilidade de se, entender certos fenômenos da vida como emergentes como sendo propriedades do sistema irredutíveis aos elementos que o constituem. Sua hipótese central é a de que o reconhecimento dos padrões de ação dos organismos, quando realizado a partir de uma perspectiva que leve em conta a auto-organização, permite que aprofundemos a compreensão das ações intencionais e de suas diversas implicações, inclusive nos contextos sociais e legais.</p> <p>No Capítulo 7, Auto-organização e Autonomia, Wíllem Ferdinand Gerardus Haselager e Maria Eunice Q. Gonzalez discutem o conceito de autonomia na perspectiva da teoria da auto-organização (TAO) e da teoria dos sistemas dinâmicos (TSD), argumentando em defesa da hipótese que a compreensão das teses centrais da TAO e da TSD pode nos ajudar no entendimento da noção de autonomia na era da globalização. Segundo os autores, com a experiência da globalização, vivida atualmente na maioria das sociedades, os estudos sobre autonomia focalizam as ações humanas, e os valores a elas associados, que envolvem a capacidade de autotransformação. De acordo com essa perspectiva, a sociedade pode ser entendida como um complexo sistema dinâmico, possuidor de princípios próprios, auto organizadores, que governam o seu desenvolvimento em múltiplas dimensões. Uma hipótese central dos autores é que os processos auto-organizadores, presentes na criação de hábitos individuais ou coletivos, são fundamentais para a definição da autonomia dos sistemas. No caso de sistemas complexos, como aqueles que reúnem os hábitos coletivos da sociedade humana, a mudança de uma ordem global estabelecida não é sempre dependente de causas evidentes e preestabelecidas. Não existe uma receita para a transformação da ordem global desse tipo de sistema, justamente porque os fatores complexos, relevantes para a sua alteração, estão muitas vezes ocultos. Contudo, os autores ressaltam que o comportamento efetivo das pessoas constitui um fator importante para o desencadeamento de mudanças: são as ações de certos indivíduos, como por exemplo, as de Gandhi ou Mandela que influenciam e algumas vezes transformam radicalmente mentalidades e situações no mundo.</p> <p>No Capítulo 8, A Filosofia diante da Ciência Contemporânea, Carmem Beatriz Milidoni discute os limites entre ciência e filosofia partindo de uma perspectiva histórica, alcançando a contemporaneidade do Paradigma da Complexidade. Nesse contexto atual, a autora observa que há uma maior aproximação entre o pensamento científico e o pensamento filosófico. Mas, essa aproximação se daria mais em um plano formal do olhar metodológico, pois, como considera, não cabe à Filosofia utilizar-se de metodologias para validar questões empíricas, o que seria próprio das ciências. Sendo assim, poder-se-ia considerar que a significativa aproximação a ser conquistada entre Ciência e Filosofia diria respeito principalmente a uma questão de atitude envolvendo o olhar da complexidade. Segundo Milidoni, isto aconteceria, sobretudo, pela seguinte razão: Pode ser que o pensamento complexo, que hoje germina na atividade científica, se tome um ideal a ser cultivado, se não por todas as vertentes filosóficas, pelo menos por aquelas que pretendem ter visões mais totalizantes da realidade.</p> <p>No Capítulo 9, Restrição e Desrestriçâo na Evolução Multicelular: polimorfismos proteicos em redes metabólicas, Romeu Cardoso Guimarães discute a evolução multicelular de seres vivos na perspectiva da auto-organização, supostamente presente no metabolismo biológico. Segundo propõe o autor, redes metabólicas biológicas são totalidades integradas, arquiteturais e materiais, que somente podem ser fundidas e mescladas quando muito simples. Com o aumento da complexidade, as redes não se fundem, exigindo a anisogametia (formação de gametas desiguais entre si) e o desenvolvimento consequente da dominância materna e do custo reprodutivo imposto às populações que albergam os machos micro gaméticos. A partir do estudo de polimorfismos proteicos (diferentes formas estruturais da mesma proteína), ao longo da evolução, alguns padrões podem ser destacados. Nos organismos multicelulares, os níveis globais de polimorfismos decrescem de plantas para invertebrados e vertebrados nas proporções de, respectivamente, 3: 2: 1. Essas taxas decrescentes são paralelas aos graus crescentes de complexidade orgânica descrita, entre outros parâmetros, pelos números de tipos celulares e pelos planos corporais. O autor ressalta que a organização em redes requer especificidade estrita em muitas interações, introduzindo restrições e intolerância à variabilidade dos componentes. No texto são apresentados e discutidos vários exemplos de restrições a polimorfismos e os mecanismos de desrestrição evoluídos em diferentes grupos de organismos multicelulares.</p> <p>A Parte II finaliza com o Capítulo 10 - A Cognição como um Processo Auto-organizado e Autorreferente em Sistemas Complexos Adaptativos - elaborado por Daniel Santa Cruz Damineli e Gustavo Maia Souza. Os autores supõem que na base dos processos de interação de sistemas biológicos com seu ambiente está uma rede auto-organizada hierarquizada que permite, a partir de formação de esquemas internos nessa rede, um processo adaptativo de evolução sistema-ambiente. Nesse contexto, eles argumentam que a cognição pode ser caracterizada como um processo autorreferido, já que a partir da interação dos elementos de uma rede surge um comportamento cuja influência no meio altera a modulação dos padrões de interação entre os elementos: uma propriedade auto-organizada que emerge da modulação e desenvolvimento das redes de um sistema. Tal sistema, por sua vez, seria capaz de alterar o padrão de relações entre elementos de suas redes constituintes em função de suas relações com o ambiente. Ao final, os autores lançam a discussão sobre o cérebro, concebido como um sistema de redes especializadas em representar as suas relações com o meio. No caso do ser humano, por exemplo, a consciência poderia ser entendida como um processo autorreferido do processo cognitivo? Isto é, a possibilidade de representar o funcionamento da própria rede representacional? Uma "cognição da cognição"?</p> <p>As várias perspectivas apresentadas nesta coletânea sobre a temática da auto-organização na filosofia e nas ciências ilustram mais uma etapa da pesquisa interdisciplinar dos autores que, conquanto almejem oferecer um tratamento rigoroso do tema, reconhecem o longo caminho ainda a percorrer na compreensão de um tema tão complexo. Fica aqui um convite para o desenvolvimento do caminho até aqui percorrido.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>ETTORE BRESCIANI FILHO</p> <p>ÍTALA M. LOFFREDO D'OTTAVIANO</p> <p>MARIA EUNICE Q. GONZALEZ</p> <p>GUSTAVO MAIA SOUZA (orgs.)</p> <p>&nbsp;</p> <p>Volume 52 – 2008</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>&nbsp;</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Sistemas auto-organizadores 003.7</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. O presente volume de Auto-organização: estudos interdisciplinares reúne trabalhos apresentados nos Seminários do Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização da UNICAMP durante o período de 2004 a 2008 e corresponde ao quarto volume sobre o tema. Aqui são apresentadas questões fundamentais sobre a natureza dos processos de autoorganização que se encontram nos vários eventos e atividade que nos constituem e nos cercam.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/47 Michel Debrun 2022-11-21T10:36:58-03:00 Ítala M. Loffredo D'ottaviano clepub@unicamp.br Maria Eunice Q. Gonzalez clepub@unicamp.br <p>“O que é ser brasileiro? Será mesmo que faz sentido falar desse "ser"? Com estas perguntas Michel Maurice Debrun, filósofo francês radicado no Brasil desde 1956, inicia a sua obra, que deixou inacabada, sobre a Identidade Nacional Brasileira. Conhecedor de aspectos geográficos, jurídicos e diplomáticos do Brasil, ele ressalta que tais aspectos não suscitariam grandes dúvidas sobre uma resposta afirmativa a essas duas questões. Contudo, sua preocupação é outra: na condição de filósofo criador de uma Teoria da Auto-Organização e das concepções sistêmicas da informação, ele está interessado em compreender a dinâmica informacional, auto organizadora da ação educadora da qual emergem "várias identidades brasileiras". Para tanto, durante quase vinte anos debruçou-se sobre fontes reveladoras da história e das muitas faces da realidade contemporânea brasileira, tendo como pano de fim do as ideias de Gramsci sobre a relação entre infraestrutura e superestrutura sociais. O estudo cuidadoso da concepção Gramsciana de filosofia, em especial do seu papel informador e estruturador constituinte das várias instâncias da superestrutura do mundo social, resultou em sua tese de livre docência, intitulada Gramsci: Filosofia, política e Bom Senso, que foi publicada em 2001, após seu falecimento, como o volume 31 da COLEÇÃO CLE, em coedição com a Editora da Unicamp. Trata-se de uma das versões sobre o tema que Michel Debrun elaborou e reelaborou por duas décadas, sem nunca se decidir sobre o ponto certo de sua publicação.</p> <p>No debate contemporâneo brasileiro sobre a polêmica distinção entre Filosofia Temática e/ou História da Filosofia, Debrun tomou partido de modo firme, profundo e elegante pela primeira. Sem menosprezar a rica herança da história da filosofia (que seus colegas franceses deixaram em sua passagem pelo Brasil, especialmente na Universidade de São Paulo - USP), ele ensinou aos seus alunos a arte de refletir filosoficamente sobre temas relevantes do meio que nos circunda. Como ressalta Paulo Sérgio Pinheiro em seu brilhante prefácio à obra Gramsci: Filosofia, política e Bom Senso: "Michel Debrun fez filosofia crítica e de modo concreto desceu à arena do debate político... Poucos dos seus colegas realizaram como ele o caráter intrinsecamente prático da filosofia". Lembra-nos também da fusão do pensamento de Gramsci e Debrun no que diz respeito ao papel ativo do filósofo: "O verdadeiro filósofo é — e não pode deixar de ser — nada mais do que o político, isto é, o homem que modifica o ambiente, entendido por ambiente o conjunto das relações de que o indivíduo faz parte".</p> <p>No contexto de uma filosofia prática, Debrun adota Gramsci como um pretexto para refletir sobre a identidade nacional brasileira. Concomitantemente à elaboração do seu trabalho sobre Gramsci, ele fundou, em 1986, no Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Unicamp, um grupo interdisciplinar de estudos sobre Auto-organização e Informação, coordenando-o de forma exemplar até sua morte em 1997. Para os membros desse grupo de pesquisa interdisciplinar, conhecido como Grupo Interdisciplinar CLE Auto-Organização, que tiveram a sorte de compartilhar com ele um processo tão raro de reflexão genuinamente filosófica no Brasil, iniciou-se um caminho cujas marcas refletem o percurso do filósofo original e sutil, do professor francês bem humorado.</p> <p>Michel Debrun passou os seus dias estudando a complexa dinâmica organizadora, deixando uma contribuição inestimável sobre a natureza da nossa identidade nacional. Esse caminho, como talvez ele não pudesse prever, tem sido cultivado pelos membros do Grupo CLE, atualmente sob a direção de ítala M. Loffredo D'Ottaviano (coorganizadora desta coletânea), que assumiu a coordenação do grupo desde 1997 e tem se empenhado na editoração dos manuscritos deixados por Debrun. E justamente com o propósito de divulgar alguns de tais manuscritos que a presente coletânea se constitui e de alguma forma se "auto-organiza". Através dela apresentamos, inicialmente, uma versão do estudo da identidade brasileira escrito por Debrun, e publicado no Jornal da Unicamp em 17/05/2004, no qual ele delineia sua visão da identidade nacional, indicando alguns de seus traços mais marcantes, em busca de um consenso em torno de certos valores.</p> <p>Como um estudioso das teorias de auto-organização, que focalizam a dinâmica geradora de parâmetros de organização e de controle a partir da interação entre componentes de um sistema, ele ressalta a existência de um consenso ou de uma comunhão, na esfera cultural brasileira, em torno, por exemplo, do carnaval, do futebol e da música popular. Debrun questiona a possibilidade de que, com esse "consenso", "o Brasil se transforme numa festa, num imenso auto espetáculo". Uma vez que os parâmetros de controle delimitam o espaço de possibilidades, em um movimento de feedback circular, os componentes a partir das quais eles emergem, Debrun analisa a possível intenção de se fazer desse consenso um instrumento de integração sócio-política: "pois cada coro devia se tornar um microcosmo de Brasil novo, e exemplificar a unidade do país e o disciplinamento das paixões; pretendia-se, a partir de um musical nacional-popular, eventualmente autêntico, suscitar ou reforçar uma comunidade política ilusória". Ele ressalta que em Roberto da Matta encontra-se uma ideia parecida: com o carnaval presenciamos o advento de uma "comunidade" efêmera, mas real e original, que permite aguentar ou compensar até certo ponto as agruras da "sociedade", caracterizada, esta última, por separações, antagonismo e hierarquias.</p> <p>Após a introdução das ideias de Debrun sobre o tema da identidade nacional Brasileira, apresentamos no restante da presente obra os três últimos artigos publicados por ele, nos livros Auto-organização: estudos interdisciplinares (Coleção CLE, Unicamp, volume 18, 1996) e Encontro com as Ciências Cognitivas (Editora Cultura Acadêmica, Unesp, 1997). Nesses capítulos ele analisa os conceitos básicos de sua teoria da auto organização, indicando aplicações dos mesmos no estudo de eventos físicos, sociais e cognitivos.</p> <p>Solange e Daniele Debrun doaram ao Centro de Lógica os manuscritos deixados por Debrun e o seu acervo bibliográfico, que fazem parte dos Arquivos Históricos do CLE e da Biblioteca do CLE, que desde 1998 chama-se Biblioteca Michel Debrun, numa justa homenagem ao mestre e amigo exemplar, que tanto se dedicou à Unicamp e à universidade brasileira.</p> <p>Entre os manuscritos deixados por Debrun, estão suas preciosas anotações relativas a seus quatro livros inacabados: sobre a identidade nacional brasileira, sobre Gramsci (já mencionado), sobre neoliberalismo e globalização, e o livro que seria intitulado Da auto-organização à criação. Estudantes que fazem parte do Grupo Interdisciplinar CLE Auto-Organização estão trabalhando com esse material para publicação próxima.</p> <p>Decidimos editar este volume da COLEÇÃO CLE, com a publicação conjunta bilíngue dos três últimos artigos publicados por Debrun, nos livros Auto-organização: estudos interdisciplinares (Coleção CLE, Unicamp, volume 18, 1996) e Encontro com as Ciências Cognitivas (Editora Cultura Acadêmica, Unesp, 1997); e de sua última entrevista, concedida ao Jornal Correio Popular no final de 1996, sobre neoliberalismo e globalização econômica e cultural, relacionando tais conceitos a suas pesquisas sobre auto-organização.</p> <p>Esta publicação constitui uma homenagem a Michel Debrun, insubstituível e querido amigo. Nesta homenagem, queremos expressar nossa gratidão pela herança filosófica que nos legou Michel Debrun, dando-nos o exemplo de que ainda é possível refletir filosoficamente, também no Brasil e na América Latina em geral, para além dos muros da história da filosofia.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>Ítala M. Loffredo D'ottaviano</p> <p>Maria Eunice Q. Gonzalez (orgs.)</p> <p>&nbsp;</p> <p>Volume 53 – 2009</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>&nbsp;</p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Filosofia brasileira 199.81</li> <li>Sistemas auto-organizadores 003.7</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. In this work, Michel Debrun outlines a vision of the Brazilian national identity, indicating some of its most striking features, in the search for a consensus about certain values. Following, we presente his last three papers, pulished in the books Autor-organização: Estudos Interdisciplinares (Coleção CLE, v. 18, 1996) and Encontro com as Ciências Cognitivas (Editora Cultur Acadêmica, 1997). In tese three chapter, he analyses fundamental concepts of his theory of selforganization, indicating applications of these concepts in studies of physical, cognitive and social phenomena.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/49 A relação entre a filosofia mecânica e os experimentos alquímicos de Robert Boyle 2022-11-21T10:45:37-03:00 Kleber Cecon clepub@unicamp.br <p>“Temos em mãos um excelente trabalho de História da Química feito por um químico que se tornou filósofo. Estas transformações do Kleber Cecon refletem o próprio trabalho: uma análise da transformação da Alquimia em Química e algumas transformações químicas estudadas por Robert Boyle, um filósofo natural do séc. XVII, que ajudou nessa transformação da velha Alquimia na Química de hoje.</p> <p>Apesar de Boyle ser uma figura bastante estudada, há ainda aspectos inexplorados de sua vasta obra e Cecon soube destacar vários deles ao estudar seus workdiaries, ou seja, os cadernos de laboratório — relatos dos diálogos íntimos entre o pesquisador e a natureza.</p> <p>Nesta sua análise da obra do Boyle, Cecon discute com conhecimento e segurança, demonstrando maturidade e independência, a transformação já mencionada Alquimia —&gt; Química — "de cinética lenta e mecanismo tortuoso", no dizer de um químico — ou seja, o embate entre a visão aristotélica e a visão mecanicista.</p> <p>Cecon, ao analisar os workdiaries de Boyle, utiliza também o método da tradução&gt; ou seja, tenta descrever os procedimentos experimentais ali descritos na linguagem química de hoje para se compreender o raciocínio do autor, bem como seus materiais, operações, resultados etc. Isto não é fácil e nem sempre é possível. E um decifrar de escrita antiga. No caso de Boyle isso foi possível e pode-se perceber o notável conhecimento do filósofo natural das técnicas químicas, além de sua maneira de ver e interpretar os fenômenos. Um exemplo de sua requintada técnica pode ser vista no item 3.4 "Purificação da água forte para separação do ouro".</p> <p>Boyle é uma figura grandiosa e notável e o que Cecon nos mostra engrandece mais ainda este filósofo, teólogo, literato, (al)químico etc., autor, dentre outras dezenas de obras, de O químico cético e O cristão virtuoso.</p> <p>Espero que o leitor, seja químico, historiador, filósofo ou simplesmente amante da cultura, possa bem aproveitar este livro.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>Kleber Cecon</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 61 – 2011</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p>&nbsp;</p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Química – História 540.9</li> <li>Ciência – História 509</li> <li>Alquimia 540.112</li> <li>Mecanicismo (Filosofia) 146.6</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. O objetivo desta obra é analisar a filosofia mecânica de Robert Boyle, com a finalidade de mostrar a compatibilidade entre o seu pensamento químico e mecanicista. Apesar de não poder ser provada por experimentos alquímicos, a filosofia mecânica de Boyle é corroborada por eles e os mesmos tiveram grande importância na refutação das formas substanciais e qualidades reais da escolástica.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/50 Wittgenstein e a epistemologia 2022-11-21T10:48:43-03:00 Alrey R. Moreno clepub@unicamp.br <p>“Os textos presentes nesta coletânea foram apresentados e debatidos no VII Colóquio Nacional e IV Internacional Wittgenstein que teve como sugestão de tema "Wittgenstein e a Epistemologia". A maioria dos textos aborda o tema de diversas perspectivas, mais ou menos próximas entre si, mas, sempre de maneira muito própria e pessoal - o que nos parece contribuir para enriquecer o universo de discussão a respeito do pensamento de Wittgenstein.</p> <p>Sabemos que uma ideia constante na obra do filósofo é a de que filosofia deve ser uma atividade de esclarecimento conceituai e não uma atividade de criação teórica de teses. Ainda que com grande mudança de perspectiva, a esse respeito - uma vez que a atividade esclarecedora de conceitos deixa de ser fundada na análise lógica e completa da proposição e passa a ser fundada em usos diversificados das palavras, no interior de contextos pragmáticos cujos limites não mais são exatamente demarcáveis - a crítica da linguagem assim como a descrição dos usos não conduzem Wittgenstein à construção de teses filosóficas, mas, contrariamente, e apenas, ao seu esclarecimento.</p> <p>Como consequência desta concepção de filosofia como atividade apenas esclarecedora de conceitos, surge uma tendência a interpretar-se o pensamento de Wittgenstein como conduzindo a filosofia a uma espécie de atividade exclusivamente negativa, ou melhor, improdutiva e sem mais perspectivas filosóficas, além do mero esclarecimento terapêutico e conceituai não-tético. Todavia, encontramos inúmeros temas clássicos da filosofia que são constantemente abordados em seus escritos de maneira tal que se torna muitas vezes difícil delimitar os momentos em que a terapia deixa de ser apenas negativa e passa a flertar com possíveis desdobramentos conceituais positivos. Os exemplos são muitos, e em diferentes áreas, como a lógica e a matemática, a psicologia, a própria linguagem, o ensino e o aprendizado, a tradução entre diferentes sistemas simbólicos e entre diferentes linguagens, etc. Em particular, em seu último texto, Wittgenstein aborda temas diretamente ligados à epistemologia, temas que apenas surgem em jogos de linguagem complexos, jogos descritivos dos mais diversos tipos de fatos, usando as mais diversas técnicas de descrição. Nestes jogos complexos é que são aplicados os conceitos de conhecimento, dúvida, crença, certeza.</p> <p>A descrição dos usos das palavras torna-se esclarecedora na medida em que mostra, ao olhar, as diversas perspectivas da significação e, ao fazer isto, as formas elementares que se encontram em sua origem, a saber, os jogos de linguagem elementares em que são colocadas as normas iniciais para os jogos complexos — ou, ainda, as regras arbitrárias que se tornam convenções à medida em que são aplicadas. A descrição dos usos mostra que as normas iniciais são arbitrárias pelo fato de não terem razões como fundamento, mas, apenas, ações, modos de agir em contextos culturais pervadidos simbolicamente pela linguagem. Modos de agir comuns a uma comunidade que se expressa pela linguagem são, igualmente, pervadidos pelas palavras e, por isto, sua arbitrariedade não é aleatória: a ausência da necessidade nos jogos elementares, nas formas de agir primitivas com palavras, exige um rigor muito mais severo do que, na verdade, em jogos de linguagem complexos que constroem a necessidade como critério da significação.</p> <p>Ora, deste ponto de vista, abre-se o campo para a exploração positiva, e não apenas negativa, de conceitos epistemológicos segundo o estilo terapêutico. A exibição das formas a priori elementares de constituição da significação, elaborada pela descrição dos usos das palavras, é terapêutica para o pensamento, mas, ao mesmo tempo, e, por isto mesmo, é informativa a respeito das questões filosóficas tradicionais, tais como, o que é pensar, e como é possível pensar, o que é conhecer, e como é possível conhecer, o que é compreender e ensinar, e como é possível compreender e ensinar, o que é enganar-se, simular, duvidar, ter certeza, acreditar, ter intenções e expectativas, interpretar, ver A como sendo B, e todos os outros tantos temas abordados terapeuticamente por Wittgenstein.</p> <p>Os textos aqui apresentados foram organizados originalmente em três tipos: conferências, palestras e comunicações, cada um correspondendo às diferentes participações dos autores no Colóquio, a saber, como pesquisadores convidados, pesquisadores seniores e jovens pesquisadores. Todavia, para esta publicação, os textos foram organizados de acordo com sua proximidade temática.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>Alrey R. Moreno</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 63 – 2013</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Wittegenstein, Ludwig, 1889-1951 193</li> <li>Filosofia austríaca 193</li> <li>Epistemologia 121</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. O presente volume temático da Coleção CLE apresenta alguns dos resultados, dentre os mais relevantes, do VII Colóquio Nacional/IV Internacional Wittgenstein, realizado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, realizado entre os dias 27 e 30 de setembro de 2011. Os textos aqui apresentados são de autoria de Antônio Marques, Mauro Engelmann, Arley Ramos Moreno, Rafael Lopes Azize, Cristiane M. C. Gottschalk, Ricardo Peraça Cavassane, Camila Jourdan, Antionio Ianni Segatto, Valério Hillesheim, Maíra de Cinque, Eduardo Simões e Paulo Oliveira.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/51 Incursões Semióticas 2022-11-21T10:51:40-03:00 Lauro Frederico Barbosa da Silveira clepub@unicamp.br <p>“Lauro Frederico Barbosa da Silveira dedicou praticamente toda sua vida de estudioso de filosofia à investigação da imensa obra de Charles Sanders Peirce, tornando-se um dos maiores especialistas brasileiros no pensamento do autor. Não obstante possa bastar essa razão para tornar obrigatória sua leitura, outra peculiaridade deste livro recomenda dize-lo indispensável, a saber, sua refinada qualidade filosófica que logo será percebida pelo leitor — ela se evidencia na forma profunda com que a diversidade de temas e abordagens se desenha no texto — fruto genuíno da erudição do autor na história das ideias e, em especial, na obra de Peirce.</p> <p>Organizada na forma de ensaios que apresentam uma autonomia de reflexão temática, a obra proporciona experienciar não apenas essa autonomia, lendo-se ensaio a ensaio, mas também perceber o nexo entre eles. A razão desse nexo, penso, está não apenas na exímia e consistente condução conceituai imposta pela sua escritura, mas, também, em uma característica da própria filosofia legada por Peirce. A imensa obra do autor norte-americano, malgrado preponderantemente constituída por manuscritos não publicados, constitui no seu estágio maduro um sistema de ideias que se entrelaçam logicamente. Cada uma delas é sugestiva de outras e solicita heuristicamente a complementação por outras — esse entretecimento de teorias Peirce incessantemente buscou formular ao longo de sua trajetória intelectual.</p> <p>Um sistema tematicamente rico proporciona sempre muitas questões — talvez seja mais justo dizer — acolhe muitas questões — ao contrário de filosofias estreitas que, por não terem como fazê-lo em face de seu raquitismo teórico, em muitos casos mascaram sua forçada omissão descredenciando-as como de cunho não filosófico.</p> <p>A análise da obra peirciana exige uma atitude heurística e dialogante com o autor. Peirce não publicou em vida um livro sequer. Assim, penetrar seu texto, primordialmente manuscrito e sem a oportunidade de uma revisão pelo autor que uma edição efetiva teria necessariamente proporcionado, com o intuito exclusivo de uma análise de conceitos e sua consistência lógico-dedutiva é, pode-se no mínimo dizer, uma abordagem inócua, para não se dizer injusta. Toco nesse ponto para me contrapor a uma prática corrente de alguns estudiosos de Peirce que, reduzindo a filosofia à mera análise da linguagem e se valendo de algum formalismo pretensamente forjante de precisão, vangloriam-se de encontrar contradições que fraturariam a obra peirciana em partes desconexas, buscando com isso invalidar a noção de que tenha ele formulado um sistema de filosofia. Em face da natureza dos originais que ele nos legou, tal postura poderia ser comparada à insólita expectativa de que um bebê devesse nascer dominando com perfeição alguma linguagem e elegantemente bem vestido, sem quaisquer traços dos fluidos uterinos que assimetricamente pudessem lhe aderir ao corpo.</p> <p>Sabe-se que mesmo obras clássicas, duas vezes editadas e revistas pelo próprio autor, como a primeira crítica de Kant, não estão isentas de possíveis contradições, razão pela qual buscar arestas lógicas possivelmente descaracterizastes do caráter sistêmico da obra de Peirce por meio de possíveis contradições, não infrequentemente apenas incidente em má interpretação do texto original, parece ser um despropósito de fundo, mencionando, uma vez mais, a natureza da escritura legada por Peirce. De fato, a leitura da obra de Peirce até agora publicada evidencia um pensamento em progresso como se costuma dizer nas lides acadêmicas — muitas vezes, creio, um pensamento que se pensa escrevendo, conjecturante. na sua essência, em permanente formação heurística. E preciso lê-lo assim, construindo conceitos com ele, pensando com ele, numa atitude de espírito generosamente acolhedora de um dos pensamentos mais criativos da história da filosofia.</p> <p>Lauro Silveira passou, permitam-me testemunhar, seus anos intelectualmente mais criativos junto a Peirce — como o mais profundo da teoria da continuidade de Peirce requereria, a saber, num continuum de pensamento e sentimento substancializado em uma convivência viva e presentificada com o filósofo norte-americano. Apenas isso já o credenciaria como estudioso e agudo conhecedor de sua obra. Todavia, como muitos que se deixaram contaminar pelo caráter heurístico e conjecturante do pensamento de Peirce, Lauro aprendeu a pensar sua filosofia como ela de fato requer de todos aqueles que com ela se envolvem com profundidade: despedindo-se de modo indolor não apenas de dogmatismos, mas de toda e qualquer mitológica exigência de certeza que, ingloriamente e durante tanto tempo, tomou a mente de muitos pensadores, poder-se-ia dizer brilhantes, na história da filosofia.</p> <p>O diálogo de Lauro com o pensamento de Peirce desvela-se facilmente na leitura deste livro, não apenas em nome de um rigor teórico que demanda remeter o texto sempre a citações do original analisado, mas por se aprender com a filosofia peirciana que todo pensamento é dialógico em sua natureza. Veja-se, explicitamente nesse sentido, como o belíssimo ensaio <em>0 admirável Amazonas</em>, metáfora do pensamento discorre sobre o tema.</p> <p>A ampla visão que Lauro tem da Semiótica, conquanto evidente em todos os ensaios, aparece especialmente em 0 espirito das águas^ na forma de uma ciência que se vale da possibilidade de extensão dos verbos pensar, criar, interpretar do âmbito humano ao natural.</p> <p>Mas o que legitima dizer que o rio pensa, cria, interpreta, sem que isso possa soar como uma espécie de promiscuidade2 entre predicados tipicamente humanos e processos naturais? Simplesmente a análise da conduta, a saber, o exame dos signos que o rio evidencia conduz inferencialmente a formas gerais que afetam seu modo de ação. A pressuposição de que o vocabulário da Semiótica possa ser indiscriminadamente utilizado tanto nos fenômenos humanos quanto nos naturais se harmoniza com uma concepção de realidade que está no âmago do pensamento peirciano.</p> <p>De fato, a filosofia de Peirce propõe uma simetria formal entre os modos de ser do homem e da Natureza, consolidando suas três categorias, primariedade, segundidade e terceiridade, como válidas indiferentemente nos planos do signo e do objeto. A exfensionalidade da Semiótica da esfera da linguagem para os fenômenos naturais permite entender toda e qualquer investigação, todo processo de aquisição de conhecimento, como dialógico, de tal modo que os significados circulam entre os signos e seus objetos, em trajetória cognitiva que jamais pode finalizar no particular, mas que também não coloca este em relação de estranhamento com qualquer instância geral. A simetria categorial da filosofia de Peirce proporciona conceber o particular como forma exterior de aparecer, desenhando, assim, o modo pelo qual o mundo interior pode tornar-se cognoscível para qualquer mente semiótica. Nesse sentido, então, o universo é uma vasta mente semiótica e isso ficará mais que evidente durante o percurso que o leitor fará ao longo dos ensaios deste livro.</p> <p>Toda a análise de fenômenos, na medida em que é análise de conduta, leva, em última análise, a um significado pragmático, ou seja, à significação lastreada em consequências práticas. Ora, aqui também cabe estender o conceito de pragmatismo para além dos limites estreitos de análise da significação de conceitos. Há, conforme irá mostrar com abundância a presente obra, leitura de significados reais: a afecção das condutas naturais leva ao reconhecimento de seu sentido pragmático.</p> <p>&nbsp;Depreende-se que aprender com a experiência é interagir semioticamente com ela — tal interação se dá por um processo dialógico em que os signos circulam carreando sentido por influenciarem pragmaticamente a conduta, tornando tudo que desse processo participar digno de partilhar o Ser daquilo que possa ser considerado Mente. É curioso como certos scholars tornam-se insones com essa amplificação do conceito de mente, mas ela é tão somente um conceito pragmático — a análise dos fenômenos permite neles reconhecer conduta intencionada para determinados fins. Não é outra coisa o que denominamos, em geral, de ação inteligente. Não obstante esse quesito possa ser necessário para caracterizar o que seja mente, ele não é suficiente. Em todo fenômeno em que se identificam diversidade, variedade, assimetria, há a manifestação de um princípio de espontaneidade, outro predicado do que se concebe como mente. Em suma, poder-se-ia dizer que mente se caracteriza pela ubiquidade das três categorias, em que Acaso, Existência e Lei configuram a estrutura eidética do real. O Idealismo Objetivo é simplesmente o nome que Peirce deu à conclusão de que mente é um substrato contínuo de uma Natureza da qual participamos. Essa doutrina não é mais que uma condição de possibilidade que franqueia o fluxo contínuo dos signos e significações sem as fronteiras do estranhamento entre mente e matéria.</p> <p>O leitor está diante de uma obra profunda, onde praticamente todas as ideias de Peirce são objeto de reflexão por parte do autor. Ele percorre o sistema peirciano com a autoridade de quem realmente conhece os textos originais. Esse percurso pode ser visualizado já no índice deste livro, aonde os temas se desenham, de modo geral, da epistemologia à ontologia, passando por aspectos da filosofia da linguagem, do marxismo e do urbanismo, destacando-se a declaração de amor que, por meio de uma análise semiótica, Lauro faz ao Rio Amazonas.</p> <p>&nbsp;Não é outro também o sentido mais fundo deste livro. Oferecer esse conjunto de ensaios ao leitor é partilhar com ele uma inteira vida de reflexão e estudos. Somente isso faculta entender essa publicação como uma legítima declaração de amor de Lauro Silveira, dando continuidade natural à sua sempre amorosa atuação como professor.”</p> <p>Lauro Frederico Barbosa da Silveira</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 65 – 2014</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p>&nbsp;</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Semiótica 149.94</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. Pensamento é diálogo que permeia toda a realidade. Sob este ponto de vista Charles Sanders Peirce (1839-1914) elaborou toda sua obra, tanto como cientista quanto como filósofo. <em>Incursões Semióticas</em> pretende responder ao convite peirciano de manter-se em diálogo tanto com diversos domínios de atuação dos homens em sociedade. Em todos estes domínios uma experiência do pensar foi se consolidando e, embora sinceramente falível em suas hipóteses, convida os leitores a com ela dialogar. Crescer em pensamento é, sob o olhar de Peirce, a pequena, mas maior contribuição que podemos trazer para a contínua evolução de todo o Cosmos.</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/52 WITTGENSTEIN COMPREENSÃO 2022-11-21T10:54:39-03:00 Arley R. Moreno clepub@unicamp.br <p>“Após o 'Tractatus, Wittgenstein enfrenta novos desafios legados pelas dificuldades do livro, uma delas sendo a de esclarecer as relações lógicas no interior do espaço lógico das coisas, ou objetos - dual do espaço dos estados de coisas, mas, que permaneceu inexplorado pela análise lógica — apesar de os objetos possuírem propriedades internas determinadas a priori, assim como as proposições.</p> <p>Um outro aspecto sob o qual surge esta mesma questão é a da relação entre nome e objeto/coisa que fica meramente indicada no livro como sendo de substituição (Vertretung), sem mais detalhes. À dificuldade é que o livro não fornece critérios para indicar o que é objeto e o que é nome, a não ser um critério vago e abstrato: objeto é o logicamente simples que o nome substitui na proposição, e nome é o que substitui na proposição o logicamente simples. Todavia, não há como saber se estamos na presença de um simples, a não ser pela aplicação a ele do nome, mas, por outro lado, não sabemos se estamos aplicando uma palavra como nome a não ser pelo fato de substituir um simples na proposição. Situação circular que em nada esclarece a relação de substituição e nem fornece critérios para indicar os dois termos envolvidos na relação.</p> <p>Ora, se para sabermos a denotação de um nome for sempre preciso dominar previamente uma linguagem, 1.e., as proposições que indicam qual é essa denotação, não poderemos, então, jamais explorar logicamente o espaço das coisas — tarefa a que se propõe exclusivamente a realizar o Tractatus. Fica descartada, de fato, toda e qualquer exploração externa à lógica, atividade formal e a priori, ou &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; melhor, transcendental — embora seja apontada a porta que permanece fechada, da pragmática, 1.e., do uso do simbolismo, de sua aplicação (Anwendung) (Tr. 3.262-3.263), a qual permitiria explorar esse espaço que permanece virtual no Tractatus. Usando a terminologia tractariana, poderíamos afirmar que a partir do final da década de 20 Wittgenstein se dedica a explorar o espaço tractariano das coisas — o que acarretará muitas surpresas e descobertas a respeito da significação.</p> <p>Uma consequência, dentre outras, da tentativa de explorar o domínio dos objetos simples, após o T'ractatus, está presente no tratamento dado às relações elementares entre linguagem e mundo — os pontos de contato, ou as antenas com que as proposições tocam os objetos. Surge, então, nova concepção da significação linguística em que a atividade com as palavras torna-se relevante — sem que a descrição dos usos o seja, todavia, de processos empíricos ou psicológicos. A própria concepção da função transcendental passa a incorporar elementos pragmáticos sem abrir mão dos procedimentos formal e a priori, nas descrições terapêuticas que Wittgenstein desenvolve até o final de sua atividade filosófica.</p> <p>Conceitos que jamais poderiam ter lugar no Tractatus são introduzidos gradativamente durante a elaboração da nova concepção de significação — tais como os de adestramento, ensino ostensivo e definição ostensiva do sentido. Todavia, como salientamos, ainda que sejam descritas ligações puramente associativas ou mecânicas - como no caso das formas elementares de organização da experiência pelas técnicas de ensino por adestramento e por treino, ou por mera repetição — todavia, a compreensão da finalidade destas técnicas, por parte do aprendiz, supõe sua inserção em uma lição (Unterricht), em um ambiente cultural já dominado por alguma forma de linguagem, a qual, embora elementar, já seja suficiente para orientar o aprendiz a interpretar essas técnicas. A linguagem é usada pelo professor, em meio a gestos e comportamentos, para adestrar o aprendiz a agir com palavras. Somos adestrados a usar sons como palavras, em seguida, somos treinados a aplicar as palavras - talvez como etiquetas - e, só então, podemos perguntar por seu sentido e falar às coisas e sobre elas.</p> <p>A parte inicial das Investigações Filosóficas, até por volta do 4136, trata justamente desta questão que ficara em aberto no Tractatus, da natureza logicamente simples do objeto e de sua relação com o nome — para, só a seguir, retomar a questão mais ampla da significação proposicional. É nesse início que são introduzidos os novos conceitos pertencentes ao domínio pragmático — correspondendo à exploração, poderíamos dizer, em homenagem ao livro de juventude e, ao mesmo tempo, demarcando-a dele, do espaço pragmático das coisas, ou objetos. Advirão, daí, várias consequências para as concepções de proposição e de pensamento — consequências consideradas terapêuticas pelo próprio Wittgenstein.</p> <p>Como vemos, esta problemática wittgensteiniana envolve vários aspectos que podem ser explorados, tanto internamente ao seu próprio pensamento, quanto em ligação com outros temas e domínios aparentados. Trata-se de ampla gama de questões filosóficas, envolvendo o livro da juventude e a obra posterior, que estabelece conexões com áreas onde a compreensão e o ensino do sentido estão em primeiro plano, o tratamento de termos psicológicos e suas aplicações epistêmicas, assim como com áreas do pensamento formalizante e, também, com novas vertentes inspiradas e, igualmente, abrangidas pelas diferentes fases do pensamento de Wittgenstein. Foi este o desafio que propusemos nesta versão do Colóquio Wittgenstein — e a variedade de trabalhos selecionados atesta a riqueza e a unidade do pensamento de nosso filósofo.</p> <p>Por isto, apresentamos os trabalhos segundo temas gerais que servem para organizar as leituras e, sem determinar temas comuns, para expressar, como dissemos, a unidade do trabalho de Wittgenstein. Estes são mais alguns aspectos de seu pensamento — aprendamos com eles.</p> <p>Arley R. Moreno (org.)</p> <p>&nbsp;</p> <p>Coleção CLE – 2014</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>&nbsp;</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Filosofia austríaca 193</li> </ol> <p>2. Linguagem — Filosofia 401</p> 2022-11-21T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/32 Século XIX 2022-11-03T13:09:56-03:00 Fátima R. R. Évora clepub@unicamp.br <p>"O presente volume é constituído por parte das Atas do VII Colóquio de História da Ciência, dedicado ao tema Século XIX: O Nascimento da Ciência Contemporânea, que teve lugar em Águas de Lindóia, de 12 a 15 de outubro de 1991.</p> <p>Organizados, desde 1985, pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE), da UNICAMP, os Colóquios de História da Ciência têm por objetivo estimular a produção, divulgação e discussão de trabalhos, de alto nível acadêmico, sobre História da Ciência.</p> <p>Tradicionalmente nossos Colóquios de História da Ciência são temáticos, propiciando a discussão aprofundada dentro de um único tema geral com o qual todos os participantes estão familiarizados.</p> <p>O século XIX, período ao qual foi dedicado este VII Colóquio, insere-se historicamente em um período mais amplo que se inicia com a Revolução Francesa e estende-se até a Primeira Grande Guerra. Esta "época de ouro" da ciência, que deu origem à ciência contemporânea, caracterizou-se pelo divórcio entre a ciência e a filosofia, e assistiu ao desenvolvimento de métodos experimentais e matemáticos, fundados na dinâmica de Newton e na química quantitativa de Lavoisier e, sem dúvida, foi marcada por magníficos êxitos das ciências exatas e naturais acompanhados de aprimoramentos cada vez maiores de instrumentos de medidas de grande precisão e de importantes aplicações técnico-industriais.</p> <p>Organizam-se novos domínios da física, química e matemática, e já na primeira metade do século XIX ocorrem importantes desenvolvimentos representados, por exemplo, pela ascensão da teoria ondulatória da luz, pelo estudo da corrente elétrica e da relação entre eletricidade e magnetismo, pelo início da termodinâmica e pela determinação do princípio de conservação de energia.</p> <p>A partir da segunda metade do século XIX ocorre o estabelecimento da termodinâmica e da mecânica estatística, surgem várias teorias eletromagnéticas, culminando com a descoberta das ondas eletromagnéticas, e intensificam-se as polêmicas relativas ao éter.</p> <p>Os diferentes ramos da matemática têm, ao longo do século XIX, um magnífico desenvolvimento que, juntamente com novas abordagens lógicas dão origem à matemática formalizada do século XX.</p> <p>Face ao domínio extremamente amplo da ciência no século XIX, o Comitê Organizador do VII Colóquio de História da Ciência concluiu ser impossível em um único colóquio dominar o conjunto da produção científica deste período. Assim sendo, optou-se por enfocar, neste evento, alguns aspectos da ciência do século XIX que, a nosso ver, foram fundamentais para o nascimento da ciência contemporânea.</p> <p>A partir de uma perspectiva lakatosiana de que a filosofia da ciência sem história da ciência é vazia e história da ciência sem filosofia da ciência é cega procurou-se também enfatizar, neste colóquio, a estreita ligação existente entre história da ciência e filosofia da ciência.</p> <p>Assim, foi dedicado um espaço à discussão sobre racionalidade epistêmica e sobre a metodologia científica deste período, e à análise da relação entre ciência e filosofia e da noção de crise das ciências que surge a partir do final do século XIX.</p> <p>Mesmo as análises históricas específicas, como as do surgimento da teoria eletromagnética, dos trabalhos de Hertz e Helmholtz e da origem da mecânica estatística, foram feitas sem perder de vista as conseqüências epistemológicas que derivam destes estudos de casos.</p> <p>Foram escolhidos para este Colóquio os seguintes temas específicos:</p> <p>1) A ciência e método em Duhem e Mach; 2) Comte e o positivismo científico; 3) Frege e a lógica moderna; 4) O nascimento das lógicas não-clássicas; 5) As geometrias não-euclidianas; 6) O surgimento da teoria eletromagnética; 7) A ciência e a filosofia de Poincaré; 8) A termodinâmica e as origens da mecânica estatística e 9) O nascimento da mecânica quântica e da cristalografia.</p> <p>Procurou-se reproduzir neste volume o tratamento tópico que estruturou o VII Colóquio de História da Ciência, dividindo-o em partes dedicadas aos temas específicos acima citados.</p> <p>Na Parte I é feita uma análise da relevância da filosofia da ciência para a história da ciência, e vice-versa, a fim de fornecer subsídios para a reflexão sobre o estatuto ontológico da história da ciência.</p> <p>As partes II e IV são dedicadas respectivamente a Frege e à lógica moderna, às geometrias não-euclidianas e ao nascimento das lógicas não-clássicas.</p> <ol> <li>Wrigley, no Capítulo 2, discute aspectos centrais da visão fregeana da natureza da lógica, tais como a sua rejeição da possibilidade de uma perspectiva metaiógica, que ao ver de Wrigley são bastante diferentes das modernas visões. E discutido ainda como estes aspectos da concepção de J. Gottlob Frege (1848-1925) moldaram os resultados filosóficos que este esperava obter pela redução da matemática à lógica. J. Y. Béziau, no Capítulo 3 discute o princípio de razão suficiente (Nihilest sine ratione) e a lógica da filosofia de Arthur Schopenhauer (1788-1860).</li> </ol> <p>Os artigos dos Capítulos 5, 6, 7 e 8 correspondem às participações de Newton da Costa, ítala D'Ottaviano, Cláudio Pizzi e Walter Carnieili, respectivamente, na mesa redonda intitulada O nascimento das lógicas não-clássicas, que foi coordenada por Andréa M. A. Loparic. As participações de da Costa e Pizzi foram impressas essencialmente na forma em que foram apresentadas no Colóquio, enquanto que os trabalhos de ítala e Carnielli são versões ligeiramente modificadas de suas contribuições originais.</p> <p>Da Costa caracterizou, através do ambiente matemático do século XIX, o surgimento da lógica matemática clássica formalizada e das lógicas não-clássicas. A seguir, ítala, a partir de uma análise sucinta do desenvolvimento da lógica de Aristóteles (384-322 a.C.) até o final do século XIX procurou caracterizar a sistematização contemporânea da lógica clássica e o surgimento das lógicas não-clássicas em geral, introduzindo com mais detalhes as lógicas polivalente e paraconsistente. Pizzi abordou questões relativas às lógicas modais e às lógicas intuicionistas. Finalizando a mesa redonda, Carnielli discutiu algumas aplicações contemporâneas das lógicas não-clássicas em geral.</p> <p>Viero, no Capítulo 9, examinou algumas questões conceituais relativas ao advento das geometrias não-euclidianas, procurando entender, a partir deste exame, todo o movimento que culminou com o surgimento das geometrias não-euclidianas no século XIX.</p> <p>A ciência e filosofia de Henri Poincaré (1854-1912) é alvo de análise na Parte III, Capítulo 4, onde Jairo da Silva enfoca diversos aspectos da filosofia da matemática em Poincaré, tais como o seu convendonalismo em geometria, o seu anti-logicismo em aritmética e as suas restrições às definições matemáticas pelo princípio do círculo vicioso.</p> <p>A quinta parte deste volume é dedicada à ciência e método em Mach e Duhem. No Capítulo 10, Pablo Mariconda faz uma reavaliação da posição de Pierre Duhem (1861-1917) concernente à revolução científica do século XVII centrando a discussão na contribuição de Galileo (1564-1642). Mariconda divide sua análise da visão de Duhem em duas partes: na primeira discute a tese duhemiana da continuidade do desenvolvimento científico aplicada à mecânica, e na segunda, reavalia a crítica de Duhem à defesa realista da cosmologia no século XVII.</p> <p>Michel Ghins, no Capítulo 11, analisa o programa para uma teoria da gravitação e da inércia proposto por Ernest Mach (1838-1916) discutindo as dificuldades internas desta teoria. Ghins procura mostrar que o programa de Mach, tal como ele o apresenta, não satisfaz às exigências empiristas machianas. O artigo segue refletindo sobre a exigência machiana de relatividade dinâmica em relação à teoria da relatividade geral de Einstein.</p> <p>Um resgate histórico-metodológico do aparelho didático proposto por Morin, em meados do século XIX, para o estudo da queda dos corpos desde o The Science of Mechanics de Ernest Mach, é feito por Danhoni no Capítulo 12.</p> <p>A parte VI é dedicada às discussões sobre o positivismo científico e empirismo no século XIX. No Capítulo 13, as tentativas de John Stuart Mill (1806-1873) e John Keynes (1883-1946) de resolver o problema da indução de Hume (1711-1776) é analisado por Guerreiro. Oliva, no Capítulo 14 procura mostrar como o positivismo está longe dos clichês epistemológicos que o apresentam como um estreito fatualismo. Com isso, o autor pretende tornar manifesto que as críticas ao observacionalismo, especialmente candentes na filosofia da ciência posterior aos anos 20, não atingem tão profundamente a filosofia da ciência comteana quanto seus críticos sugerem.</p> <p>O papel do quadro conceituai estabelecido por Emile Durkheim (1858-1917) na consolidação da Sociologia como disciplina científica é discutido por Bonfim no Capítulo 15.</p> <p>As questões epistemológicas envolvidas no nascimento da ciência contemporânea continuam sendo alvo de discusão na parte VII. Luiz Dutra, no Capítulo 16, procura mostrar em que medida o método experimental elaborado por Claude Bernard (1813-1878) antecipa a metodologia do falseamento proposta por Karl Popper (1902- ) cerca de meio século mais tarde.</p> <p>As profundas transformações ocorridas no campo da ciência a partir do final do século XIX representaram um rico material para a reflexão filosófica, metodológica e histórica sobre a ciência, estimulando o aparecimento de novas teorias e sistemas epistemológicos. Marly Bulcão analisa duas destas teorias que, embora diferentes procuram, segundo a autora, compreender as revoluções da ciência contemporânea a partir da crítica à idéia de razão absoluta.</p> <p>Os processos e paradigmas segundo a teoria crítica de Jurgen Habermas (1929- ) são discutidos por Marconi no Capítulo 17.</p> <p>A oitava parte deste volume é dedicada ao nascimento da mecânica quântica e da cristalografia, assim como à evolução da análise dimensional.</p> <p>Fernando Lobo Carneiro, no Capítulo 19, discute a evolução da análise dimensional a partir de 1890, com as contribuições de Vaschy, quando a análise dimensional começa a ser aplicada de modo sistemático à formulação das equações físicas, à interpretação de resultados experimentais e ao estabelecimento das condições de semelhança. O artigo de Lobo Carneiro discute ainda as contribuições de Lord Rayleigh (1842-1919), Albert Einstein (1879-1955) e Buckingham (1867-1940) a esta nova etapa da análise dimensional, que conta com o chamado "teorema &lt;/&gt;" como sua principal ferramenta.</p> <p>O nascimento da mecânica quântica é analisado por Cintra Martins, no Capítulo 20, dedicado ao estudo dos antecedentes imediatos da descoberta por Max Planck, em 1900, de que o átomo somente pode emitir ou absorver energia em quantidades discretas, múltiplas de uma quantidade elementar, proporcional à freqüência de radiação: os "quanta" de energia. A publicação, em 1900, das novas concepções planckianas marca, segundo Cintra, o nascimento da mecânica quãntica.</p> <p>Mabel Rodrigues analisa, no Capítulo 21, as origens, no século XIX, da cristalografia de Raios X, que se estabeleceu no século XX, com os trabalhos sobre difração de raio X de Max Laue e dos Bragg, pai e filho. Este artigo discute particularmente os conceitos básicos de simetria, desenvolvidos durante o século XIX, que permitiram a aplicação do fenômeno recém-descoberto às substâncias cristalinas.</p> <p>O surgimento da teoria eletromagnética, da termodinâmica e as origens da mecânica estatística são objetos de análise da última parte deste volume, começando com um artigo de P. Abrantes dedicado à discussão da física e da filosofia da ciência de H. Hertz (1857-1894) e suas relações com seu trabalho científico.</p> <p>Hertz, Mach, Duhem, Boltzmann e Poincaré, como Abrantes aponta, fazem parte daquele grupo de grandes cientistas, da segunda metade do século XIX, que também se destacaram pela profundidade de sua reflexão filosófica, exercendo influência decisiva sobre a filosofia da ciência do nosso século. Segundo Abrantes, o estudo da interação entre a prática científica e a auto-consciência metodológica e axiológica encontra nestes autores um rico material, que sem dúvida nos leva a refletir sobre a tendência, em correntes de filosofia da ciência contemporânea, de se demarcar de forma excessivamente nítida o contexto da descoberta e o contexto de justificação, o nível do conhecimento substantivo e o nível do conhecimento metodológico.</p> <p>No Capítulo 23, Mello e Souza analisa as idéias fundamentais de Hermann von Helmholtz (1821-1894) com respeito à conservação da energia, refletindo sobre a visão essencialmente mecanidsta da natureza de Helmholtz.</p> <p>A história da mecânica estatística e da termodinâmica é analisada nos dois capítulos finais por Borisas Cimbleris e Eunice Gonzales.</p> <p>Cimbleris faz, no Capítulo 24, um paralelo entre três artigos de Albert Einstein (1879-1955) publicados entre os anos de 1902 e 1904 sobre os fundamentos da física estatística e o livro de Gibbs (1839- 1903) sobre mecânica estatística, publicado em 1902, discutindo as diferenças epistemológicas destas abordagens.</p> <p>Eunice, por sua vez, dedica seu artigo, no Capítulo 25, à analise de alguns aspectos históricos e metodológicos da ciência do século XIX que desempenharam um papel fundamental no nascimento da ciência cognitiva, que foi estabelecida há mais ou menos trinta anos, mas que, segundo a autora tem suas raízes na mecânica estatística e na termodinâmica do século XIX."</p> <p>&nbsp;</p> <p>Fátima R. R. Évora</p> <p>&nbsp;</p> <p>Volume 11 – 1992</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1992</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Ciência: História; Séc. XIX</li> </ol> <p>OBS. O presente volume corresponde aos Proceedings do VII Colóquio de História da Ciência, dedicado ao tema Século XIX: O nascimento da ciência contemporânea, organizado pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Unicamp, ocorrido de 12 a 15 de outubro de 1991. Procurou-se reproduzir neste volume o tratamento tópico que estruturou o VII Colóquio, dividindo-o em partes dedicadas aos mesmos temas específicos enfocados nas várias partes do Colóquio.&nbsp;</p> 2022-11-03T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1992 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/33 Auto-Organização 2022-11-03T13:59:30-03:00 Michel Debrun clepub@unicamp.br Maria Eunice Q. Gonzales clepub@unicamp.br Osvaldo Pessoa Jr clepub@unicamp.br <p>“Este é um livro que trata da auto-organização. Desde a década de 1950, este termo tem sido caracterizado de maneiras diferentes, mas por trás dessas definições existe uma idéia comum, uma intuição vaga e excitante de que novas estruturas possam emergir mais ou menos espontaneamente em certos domínios. Como isso seria possível?</p> <p>O leitor está convidado a tentar desvendar este enigma a partir de sua própria área de conhecimento. Cada um dos dezessete artigos da coletânea é auto-suficiente, e pode servir de ponto de partida para um aprofundamento na questão da auto-organização. Para orientação, o leitor poderá vasculhar os resumos que apresentamos nos próximos parágrafos, ou iniciar com o Prefácio, escrita por Michel Debrun: "Por Que, Quando e Como Falar em 'Auto-Organização'?".</p> <p>O professor Debrun tem coordenado as reuniões que deram origem a este volume. O livro constitui uma espécie de "memória ativa" de estudos que vêm se desenvolvendo desde 1986 no Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No primeiro qüinqüênio, a problemática dessa série de seminários multidisciplinares foi "Ordem e Desordem"; a partir de 1991, passou a ser "Auto-Organização e Informação".</p> <p>Foi então que esta coletânea começou a ser elaborada. Os artigos aqui apresentados foram escritos em diferentes etapas do desenvolvimento do grupo, e a data de entrega de cada capítulo encontra-se registrada no seu final. Enquanto o livro ia sendo organizado, alguns textos passaram a refletir apenas o estágio inicial da pesquisa dos seus autores; outros artigos são fiéis ao atual estado de entendimento dos autores, e alguns outros deixam transparecer claramente o desenvolvimento futuro de suas pesquisas em um dos campos de estudos da auto-organização.</p> <p>Passamos agora a resumir cada um dos artigos da coletânea, e ao final deste prefácio apresentamos uma lista dos pesquisadores que têm participado dos seminários.</p> <p>Na Parte I do livro, o filósofo político Michel Debrun aborda a idéia de auto-organização de um ponto de vista filosófico, fornecendo vários exemplos curtos tirados das Ciências Humanas e dos jogos esportivos. Em seu primeiro artigo, "A Idéia de Auto-Organização", de caráter mais introdutório, ele define auto-organização como o advento ou reestruturação de uma forma, devido principalmente ao próprio processo, e só em menor grau às condições de partida ou de contorno, ou a um supervisor. Distingue entre a auto-organização primária, na qual os elementos interagem sem supervisor nem objetivo global e passam a sedimentar uma forma ou a constituir um sistema, e auto-organização secundária, que ocorre em organismos já constituídos, possuidores de finalidades internas, e que apresentam partes que interagem de maneira "acavalada", podendo estar subordinadas a um elemento mais hegemônico. Debrun destaca várias características de processos auto-organizativos, como sua autonomia, o trabalho de si sobre si e o papel da criação, examinando criticamente a posição do sujeito na auto-organização.</p> <p>Em seu segundo artigo, "A Dinâmica da Auto-Organização Primária", Debrun retoma a distinção entre auto-organização primária, um processo sem sujeito, e secundária, caracterizada pela aprendizagem. Apesar das diferenças, o autor destaca o que essas modalidades têm em comum, dentro de uma perspectiva neo-mecanicista. Passa então a enfocar a dinâmica da auto-organização primária, salientando três fases do processo: o corte que marca seu começo, a endogenização e interiorização crescente, e a cristalização de uma forma ou identidade. Debrun destaca também diferentes tipos de processos que não são auto-organizativos, e que chama de "autofuncionamento", "auto-organização negativa" e "hetero-organização". O artigo culmina com uma nova definição de auto-organização primária, que seria todo processo de interação de elementos realmente distintos que, ao invés de tender para um atrator já dado, sedimenta progressivamente seu próprio atrator e, portanto, se cria a si próprio enquanto sistema. Essa ausência de um atrator pré-estabelecido caracteriza uma "temporalidade efetiva" nos processos auto-organizativos.</p> <p>A Parte II inclui quatro artigos que estudam a auto-organização dos pontos de vista lógico, matemático ou computacional. O lógico Walter Carnielli propõe uma maneira de definir a auto-organização emMatemática, no artigo "Auto-Organização em Estruturas Combinatórias".</p> <p>Após definir de maneira precisa as noções de "estrutura", "estado" e "sistema", ele mostra que certas propriedades da organização de sistemas combinatórios (como o conhecido Teorema de Ramsey, segundo o qual, por exemplo, três pessoas em uma festa ou se conhecem mutuamente ou se desconhecem mutuamente, quaisquer que sejam os convidados da festa) surgem espontaneamente a partir de um "ponto de bifurcação" - um certo valor do número de elementos do sistema. Ao tratar de sistemas infinitos, caracteriza o que seriam perturbações aleatórias, e mostra que o sistema se auto-organiza para um ponto de bifurcação de valor bem determinado, sem que o sistema seja visto como "dissipando energia", ao contrário do que exigiriam as definições nas Ciências Naturais.</p> <p>O lógico A.M. Sette, em "Máquinas de Brouwer e Auto- Organização", inicia o capítulo revendo seis exemplos de auto- organização, e examina alguns critérios propostos por Debrun para definir tais processos. Argumenta então que tais critérios são por demais restringentes, excluindo os exemplos vistos. Propõe assim uma definição de sistema espontaneamente organizado (incluindo os auto-organizados), o qual construiria paulatinamente sua identidade, em um processo de aumento de ordem, com um componente determinista e outro aleatório. Na segunda parte do artigo, o autor explora a visão filosófica do matemático L.E.J. Brouwer, em particular a sua constmção lógica do mundo a partir das sensações. Sette descreve um sistema dinâmico que representaria esta construção, e argumenta que essa "máquina de Brouwer" satisfaz os critérios de organização espontânea, mas não completamente os de auto- organização.</p> <p>No artigo "Informação e Auto-Organização", o filósofo da matemática Jairo da Silva fundamenta as noções de ordem, organização, complexidade e auto-organização na Teoria Matemática da Informação. Inicialmente ele faz uma apresentação conceituai e matemática da teoria. Considerando a organização como um aumento de "ordem", ele nota que esta pode ser entendida de duas maneiras distintas: uma relacionada à regularidade e redundância, outra ligada à novidade e complexidade. A partir desses dois sentidos fundamenta-se a distinção entre "organização primária", na qual um sistema (ou um proto-sistema) passa a ter um fluxo de informação cada vez maior entre suas partes, e "organização secundária", onde um sistema aumenta sua complexidade através da redução do fluxo informacional entre suas parte. Processos desses tipos são de "auto- organização" quando eles não são meros desenvolvimentos necessários dos seus eventos inaugurais. Para finalizar, o autor resume a crítica que o biólogo H. Yockey fez, a partir da Teoria da Informação, dos roteiros de auto-organização da vida disponíveis na literatura.</p> <p>O filósofo da ciência Osvaldo Pessoa Jr., em "Medidas Sistêmicas e Organização", inicia o capítulo discutindo algumas características da noção de "sistema". Considera quinze definições diferentes dadas na literatura para as medidas sistêmicas de organização, ordem e complexidade, e propõe-se a explorar as relações entre tais medidas. Para isso, toma como exemplo de sistema as redes booleanas exploradas pelo biofísico Stuart Kauffman, esclarecendo de passagem as duas noções de auto-organização usadas por ele. Pessoa propõe então duas medidas de organização em redes conexionistas. A "integração" mediria a organização na acepção dada por W. Ross Ashby, enquanto grau de condicionalidade entre os elementos do sistema. A "pluralidade" mediria como o poder causai dos elementos está distribuído. Através de simulações no computador, o autor encontrou uma correlação entre a pluralidade e uma medida de desordem dada pelo número de ciclos atratores de uma rede conexionista. Como próximo passo, pretende implementar um ambiente em tomo do sistema estudado.</p> <p>A Parte III deste volume contém três artigos que abordam a auto-organização nas Ciências Naturais. Em "Estabilidade Estrutural e Organização", o engenheiro José Roberto Piqueira apresenta de maneira didática aspectos da Teoria de Sistemas Dinâmicos, examinando as idéias de estabilidade estrutural, bifurcação e caos determinístico. Passa então a explorar como se pode definir o conceito de auto-organização neste domínio, já que a mera transposição do conceito usado na Termodinâmica de sistemas abertos não é válida para sistemas autônomos, que não interagem com um ambiente. Sublinha a distinção entre a dinâmica rápida de um sistema autônomo e sua dinâmica lenta, salientando que uma mudança na dinâmica lenta pode alterar o grau de complexidade da dinâmica rápida. Uma organização "secundária" caracterizaria situações de estabilidade estrutural da dinâmica rápida, e o autor mostra que ela implica uma organização primária, resultante da constância de uma medida entrópica por ele definida. Uma medida de complexidade e a definição de auto-organização são deixadas para um trabalho posterior.</p> <p>Os físicos Roberto Luzzi e Áurea Vasconcellos, em "Estruturas Dissipativas Auto-Organizadas: um Ponto de Vista Estatístico", exploram a nova Física dos sistemas que exibem comportamento complexo. Concentram-se nas estruturas dissipativas definidas por Ilya Prigogine e colaboradores, que são sistemas macroscópicos mantidos longe do equilíbrio por fontes externas, seguindo leis não-lineares, e que apresentam uma ordem espacial, temporal ou de outro tipo. O termo "auto-organização" se aplica a esses sistemas porque a estrutura emergente não é imposta do exterior, mas resulta das leis de evolução do próprio sistema. Após indicar os passos que devem ser tomados para descrever matematicamente uma estrutura dissipativa, os autores apresentam a abordagem desenvolvida por eles para fundamentar tais estruturas termodinâmicas em uma Mecânica Estatística de não-equilíbrio. Bastante ênfase é dada ao cálculo da distribuição de probabilidades iniciais, que segue o método de maximização da entropia estatística de E.T. Jaynes. Luzzi e Vasconcellos retomam então à discussão geral sobre a auto-organização em sistemas físico-químicos, apontando extensões para sistemas biológicos e, mais detalhadamente, para sistemas socioculturais. Considerando a natureza do método científico, concluem ressaltando o papel que o conceito de "auto-organização" teria na unificação das diversas ciências.</p> <p>No artigo "Auto-Organização na Biologia: Nível Ontogenético", o filósofo da ciência Alfredo Pereira Jr., o biólogo Romeu Guimarães e o biofísico João Chaves Jr. partem de um histórico dos diferentes usos da noção de auto-organização em Biologia. Deixando de lado a questão do papel da auto-organização na evolução biológica (filogênese), eles argumentam que a geração e desenvolvimento de um indivíduo (ontogênese) a partir da informação genética herdada é um processo de auto-organização. A informação constitutiva presente em cada célula é invariante, mas os processos de leitura desta informação são sensíveis a efetores físico-químicos provindos dos ambientes interno e externo à célula. Esta diversificação informacional, que surge com o ruído ambiental, caracteriza a auto-organização ontogenética, sendo que a estabilidade do ser vivo é mantida devido à "versatilidade funcional" e às redes regulatórias. Após tecerem considerações epistemológicas sobre a auto-organização biológica, os autores descrevem os mecanismos de regulação bioquímica envolvendo proteínas alostéricas, e destacam quatro patamares de auto-organização ontogenética: genético, morfogenético, humoral e neural.</p> <p>A Parte IV trata da auto-organização nas Ciências Cognitivas, do Comportamento, e na Lingüística. Em "Ação, Causalidade e Ruído nas Redes Neurais Auto-Organizadas", a filósofa da ciência cognitiva Maria Eunice Gonzales investiga em que medida o conceito de auto-organização pode ser adequadamente usado na Ciência.Cognitiva. De início, descarta o uso deste termo nos modelos, baseados em regras simbólicas, da Inteligência Artificial. Considera então diferentes tipos de modelos do Neoconexionismo, concentrando-se no treinamento não supervisionado. Apesar de tais redes com aprendizagem por competição serem conhecidas na bibliografia como "auto-organizadas", a autora argumenta que elas carecem de certas propriedades da auto-organização, faltando-lhes um princípio motor, fundamental na matéria viva organizada. Após considerar a distinção entre auto-organização primária e secundária, e o modelo da Teoria da Harmonia, de Paul Smolensky, retoma a tese de que nossas habilidades inteligentes estão essencialmente entrelaçadas a nossas ações no ambiente. Considera então o modelo de aprendizado de um robô, desenvolvido por Paul Verschure e colaboradores. Porém, como o robô em questão apenas se locomove, mas não age no ambiente, o modelo não preencheria todos os requisitos da auto-organização secundária.</p> <p>A pesquisadora do desenvolvimento motor humano Ana Maria Pellegrini, em "Auto-Organização e Desenvolvimento Motor", faz um exame das várias teorias de controle, aprendizagem e desenvolvimento motor no ser humano. Nas visões mais recentes, ligadas à Teoria da Ação e à Teoria dos Sistemas Dinâmicos, o desenvolvimento motor pode ser considerado um processo de auto-organização, entendido como a formação de padrões através da cooperação entre elementos materiais, sem que a nova organização produzida esteja contida em um dos elementos ou no ambiente. Uma das condições para essa auto-organização é a "flexibilidade organizacional", ou seja, o acesso que o organismo tem a diferentes estados potenciais. A direção desta auto-organização é dada pelo ambiente. No debate entre hierarquia e heterarquia, a autora defende que, no processo auto-organizativo do desenvolvimento motor, sempre há alguns subsistemas que têm domínio sobre os outros, mas com o passar do tempo esse domínio é transferido, de forma que não há um centro que sempre domine.</p> <p>Uma atitude mais cética em relação ao valor da noção de auto-organização transparece no artigo da lingüista Eleonora Albano, "Auto-Organização e Ontogênese dos Sistemas Fônicos". Deixando de lado o debate entre o inatismo lingüístico (Chomsky) e a auto-organização psico-lingüística (Piaget), a autora considera o termo "auto-organização" em uma acepção heurística. Tal acepção se aplicaria a processos nos quais uma instabilidade inicial, como a existente inicialmente no repertório caótico de segmentos fônicos em uma criança, é gradativãmente substituída por uma estabilidade final, sem que a organização deste repertório seja diretamente transferida por adultos. Essa descrição, feita em termos de "traços" lingüísticos, tem sido complementada na última década por uma abordagem mais quantitativa que fundamenta o "gesto" lingüístico na motricidade. A partir da união desses dois pontos de vista, a autora desenvolve uma abordagem mais neuropsicológica que chamou de Fonologia dos Atos e Efeitos. Nesta, a interação mútua entre motricidade e percepção, que se modulam com o passar do tempo, está fortemente acoplada com a experiência. Isso tomaria inadequado, na opinião da autora, o uso do termo "auto-organização", salvo talvez no sentido mais fraco de auto-organização "secundária".</p> <p>No artigo "Auto-Organização em Brincadeiras de Crianças: de Movimentos Desordenados à Realização de Atratores", a física Amélia Império-Hamburger e as psicólogas Maria Isabel Pedrosa e Ana Maria Almeida descrevem-os movimentos de um grupo de crianças brincando em uma sala, utilizando conceitos da teoria de sistemas dinâmicos. Em certos momentos, o movimento das crianças lembra o movimento aleatório "browniano" mas, no "campo de interações" sociais, certas configurações ordenadas se estabilizam como atratores. Esta evolução caracteriza a auto-organização no sistema, sem no entanto que o componente aleatório seja eliminado. As autoras salientam assim o balanceamento entre ações espontâneas dos indivíduos e encadeamentos determinísticos que regem as ações do coletivo. Para estes últimos, propõem um conjunto de princípios de sociabilidade, que promoveriam o compartilhamento de significados que &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; surge nas trocas entre as crianças no "espaço de informação".</p> <p>A Parte V do livro envolve a auto-organização em Administração e nas Ciências Sociais. Nenhum artigo específico sobre as Ciências Sociais é apresentado, apesar da importância do tema, mas considerações sobre o assunto podem ser encontrados nos capítulos 1, 2, 8 e 13 desta coletânea, e no texto "Organização Informal, Auto-Organização e Inovação", do engenheiro Ettore Bresciani F-, que enfoca o problema da mudança organizacional em empresas industriais. Uma organização social envolve um conjunto de indivíduos que interagem e exercem atividades de forma estável, tendo em vista um objetivo claro a ser atingido no ambiente externo. Por "auto-organização", entende-se um processo de evolução com variação na complexidade, resultante de uma sucessão de desorganizações e reorganizações, sem o planejamento explícito de agentes internos ou externos. Dentro de uma organização formal, devido a situações diversas, é comum surgirem organizações informais (com efeitos positivos ou negativos) por meio de processos de auto-organização. Bresciani argumenta que a concessão de um grau maior de autonomia aos indivíduos (mantendo um compromisso entre o determinismo das regras formais e o caos que decorre da ausência destas regras) facilita a auto-organização dentro da empresa, e isso beneficia a adaptação da organização ao ambiente externo, facilitando entre outras coisas o processo de inovação tecnológica.</p> <p>A última divisão do livro, a Parte VI, trata da auto-organização na produção artística. Três artigos são apresentados, todos relacionados com a Música. O filósofo lulo Brandão, em "Unidade e Diversidade como Correlatos da Ordem e da Desordem no Campo da Estética", inicia o capítulo explorando a noção de ordem na Filosofia, que seria um princípio ou idéia que unifica um conjunto de elementos reais ou perceptuais. Cada período histórico tem as suas ordens próprias, como mostra o autor ao examinar as diferentes ordens musicais: modal, modal-tonal, tonai clássica e romântica, atonal livre e dodecafônica. Na ordem tonai, por exemplo, cada composição apresenta uma estrutura hierárquica na qual os sons se subordinam a um centro organizador, formado por um par tônica-dominante. Em contraste com isso, a auto-organização estaria associada à ausência de um centro organizador, e se manifestaria na ordens atonais, onde o centro único desfaz-se em vários pivôs coordenados.</p> <p>Examinando com maior detalhe essa questão da "Música e Auto-Organização", a musicóloga Najat Gaziri parte de uma descrição da composição musical enquanto sistema, cuja organização depende de uma ordem interna (configuração temporal e espacial de componentes) e de uma ordem seqüencial (padrões sonoros em desenvolvimento). A autora aponta três níveis em que se manifestam princípios de auto-organização. Primeiro, no processo de composição da música tradicional, o compositor vai selecionando novos elementos, o que gera uma nova ordem e restringe as possibilidades subseqüentes. Neste processo humano de criação, exemplificado por uma obra de Almeida Prado, elementos novos podem gerar instabilidades que clamam por uma resolução que retome o equilíbrio. Em segundo lugar, ocorre auto-organização na "composição como processo" da Música contemporânea, como na obra de Steve Reich, em que microfones suspensos balançam junto a auto-falantes, Uma terceira manifestação de auto-organização ocorre na Música Aleatória de compositores como Cage e Stockhausen.</p> <p>Exemplos adicionais de composições que manifestam aspectos da auto-organização são fornecidas pelo matemático e músico computacional Jônatas Manzolli, em "Auto-Organização: um Paradigma Computacional". Ele salienta que o compositor e sua obra organizam-se em geral através de um processo interativo. Tal retroalimentação seria uma marca da auto-organização na criação musical. Enfoca então o uso de algoritmos para compor música, que vem desde o século XI com Guido d’rezzo, passando por J.S. Bach e pelo Jogo de Dados de Mozart. Neste caso, aparecem as seguintes características de auto-organização: convivência de processos deterministas e aleatórios, sensibilidade às condições iniciais, e o todo sendo maior que a soma das partes. Em certas composições contemporâneas, o acaso (ruído) é usado para gerar ordem, e na Música Computacional, noções retiradas da Teoria de Sistemas Dinâmicos (como a auto-semelhança) são utilizadas na composição. O autor termina descrevendo um conjunto de composições por ele criadas, inspiradas na idéia de auto-organização”.</p> <p>“Este é um livro que trata da auto-organização. Desde a década de 1950, este termo tem sido caracterizado de maneiras diferentes, mas por trás dessas definições existe uma idéia comum, uma intuição vaga e excitante de que novas estruturas possam emergir mais ou menos espontaneamente em certos domínios. Como isso seria possível?</p> <p>O leitor está convidado a tentar desvendar este enigma a partir de sua própria área de conhecimento. Cada um dos dezessete artigos da coletânea é auto-suficiente, e pode servir de ponto de partida para um aprofundamento na questão da auto-organização. Para orientação, o leitor poderá vasculhar os resumos que apresentamos nos próximos parágrafos, ou iniciar com o Prefácio, escrita por Michel Debrun: "Por Que, Quando e Como Falar em 'Auto-Organização'?".</p> <p>O professor Debrun tem coordenado as reuniões que deram origem a este volume. O livro constitui uma espécie de "memória ativa" de estudos que vêm se desenvolvendo desde 1986 no Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No primeiro qüinqüênio, a problemática dessa série de seminários multidisciplinares foi "Ordem e Desordem"; a partir de 1991, passou a ser "Auto-Organização e Informação".</p> <p>Foi então que esta coletânea começou a ser elaborada. Os artigos aqui apresentados foram escritos em diferentes etapas do desenvolvimento do grupo, e a data de entrega de cada capítulo encontra-se registrada no seu final. Enquanto o livro ia sendo organizado, alguns textos passaram a refletir apenas o estágio inicial da pesquisa dos seus autores; outros artigos são fiéis ao atual estado de entendimento dos autores, e alguns outros deixam transparecer claramente o desenvolvimento futuro de suas pesquisas em um dos campos de estudos da auto-organização.</p> <p>Passamos agora a resumir cada um dos artigos da coletânea, e ao final deste prefácio apresentamos uma lista dos pesquisadores que têm participado dos seminários.</p> <p>Na Parte I do livro, o filósofo político Michel Debrun aborda a idéia de auto-organização de um ponto de vista filosófico, fornecendo vários exemplos curtos tirados das Ciências Humanas e dos jogos esportivos. Em seu primeiro artigo, "A Idéia de Auto-Organização", de caráter mais introdutório, ele define auto-organização como o advento ou reestruturação de uma forma, devido principalmente ao próprio processo, e só em menor grau às condições de partida ou de contorno, ou a um supervisor. Distingue entre a auto-organização primária, na qual os elementos interagem sem supervisor nem objetivo global e passam a sedimentar uma forma ou a constituir um sistema, e auto-organização secundária, que ocorre em organismos já constituídos, possuidores de finalidades internas, e que apresentam partes que interagem de maneira "acavalada", podendo estar subordinadas a um elemento mais hegemônico. Debrun destaca várias características de processos auto-organizativos, como sua autonomia, o trabalho de si sobre si e o papel da criação, examinando criticamente a posição do sujeito na auto-organização.</p> <p>Em seu segundo artigo, "A Dinâmica da Auto-Organização Primária", Debrun retoma a distinção entre auto-organização primária, um processo sem sujeito, e secundária, caracterizada pela aprendizagem. Apesar das diferenças, o autor destaca o que essas modalidades têm em comum, dentro de uma perspectiva neo-mecanicista. Passa então a enfocar a dinâmica da auto-organização primária, salientando três fases do processo: o corte que marca seu começo, a endogenização e interiorização crescente, e a cristalização de uma forma ou identidade. Debrun destaca também diferentes tipos de processos que não são auto-organizativos, e que chama de "autofuncionamento", "auto-organização negativa" e "hetero-organização". O artigo culmina com uma nova definição de auto-organização primária, que seria todo processo de interação de elementos realmente distintos que, ao invés de tender para um atrator já dado, sedimenta progressivamente seu próprio atrator e, portanto, se cria a si próprio enquanto sistema. Essa ausência de um atrator pré-estabelecido caracteriza uma "temporalidade efetiva" nos processos auto-organizativos.</p> <p>A Parte II inclui quatro artigos que estudam a auto-organização dos pontos de vista lógico, matemático ou computacional. O lógico Walter Carnielli propõe uma maneira de definir a auto-organização emMatemática, no artigo "Auto-Organização em Estruturas Combinatórias".</p> <p>Após definir de maneira precisa as noções de "estrutura", "estado" e "sistema", ele mostra que certas propriedades da organização de sistemas combinatórios (como o conhecido Teorema de Ramsey, segundo o qual, por exemplo, três pessoas em uma festa ou se conhecem mutuamente ou se desconhecem mutuamente, quaisquer que sejam os convidados da festa) surgem espontaneamente a partir de um "ponto de bifurcação" - um certo valor do número de elementos do sistema. Ao tratar de sistemas infinitos, caracteriza o que seriam perturbações aleatórias, e mostra que o sistema se auto-organiza para um ponto de bifurcação de valor bem determinado, sem que o sistema seja visto como "dissipando energia", ao contrário do que exigiriam as definições nas Ciências Naturais.</p> <p>O lógico A.M. Sette, em "Máquinas de Brouwer e Auto- Organização", inicia o capítulo revendo seis exemplos de auto- organização, e examina alguns critérios propostos por Debrun para definir tais processos. Argumenta então que tais critérios são por demais restringentes, excluindo os exemplos vistos. Propõe assim uma definição de sistema espontaneamente organizado (incluindo os auto-organizados), o qual construiria paulatinamente sua identidade, em um processo de aumento de ordem, com um componente determinista e outro aleatório. Na segunda parte do artigo, o autor explora a visão filosófica do matemático L.E.J. Brouwer, em particular a sua constmção lógica do mundo a partir das sensações. Sette descreve um sistema dinâmico que representaria esta construção, e argumenta que essa "máquina de Brouwer" satisfaz os critérios de organização espontânea, mas não completamente os de auto- organização.</p> <p>No artigo "Informação e Auto-Organização", o filósofo da matemática Jairo da Silva fundamenta as noções de ordem, organização, complexidade e auto-organização na Teoria Matemática da Informação. Inicialmente ele faz uma apresentação conceituai e matemática da teoria. Considerando a organização como um aumento de "ordem", ele nota que esta pode ser entendida de duas maneiras distintas: uma relacionada à regularidade e redundância, outra ligada à novidade e complexidade. A partir desses dois sentidos fundamenta-se a distinção entre "organização primária", na qual um sistema (ou um proto-sistema) passa a ter um fluxo de informação cada vez maior entre suas partes, e "organização secundária", onde um sistema aumenta sua complexidade através da redução do fluxo informacional entre suas parte. Processos desses tipos são de "auto- organização" quando eles não são meros desenvolvimentos necessários dos seus eventos inaugurais. Para finalizar, o autor resume a crítica que o biólogo H. Yockey fez, a partir da Teoria da Informação, dos roteiros de auto-organização da vida disponíveis na literatura.</p> <p>O filósofo da ciência Osvaldo Pessoa Jr., em "Medidas Sistêmicas e Organização", inicia o capítulo discutindo algumas características da noção de "sistema". Considera quinze definições diferentes dadas na literatura para as medidas sistêmicas de organização, ordem e complexidade, e propõe-se a explorar as relações entre tais medidas. Para isso, toma como exemplo de sistema as redes booleanas exploradas pelo biofísico Stuart Kauffman, esclarecendo de passagem as duas noções de auto-organização usadas por ele. Pessoa propõe então duas medidas de organização em redes conexionistas. A "integração" mediria a organização na acepção dada por W. Ross Ashby, enquanto grau de condicionalidade entre os elementos do sistema. A "pluralidade" mediria como o poder causai dos elementos está distribuído. Através de simulações no computador, o autor encontrou uma correlação entre a pluralidade e uma medida de desordem dada pelo número de ciclos atratores de uma rede conexionista. Como próximo passo, pretende implementar um ambiente em tomo do sistema estudado.</p> <p>A Parte III deste volume contém três artigos que abordam a auto-organização nas Ciências Naturais. Em "Estabilidade Estrutural e Organização", o engenheiro José Roberto Piqueira apresenta de maneira didática aspectos da Teoria de Sistemas Dinâmicos, examinando as idéias de estabilidade estrutural, bifurcação e caos determinístico. Passa então a explorar como se pode definir o conceito de auto-organização neste domínio, já que a mera transposição do conceito usado na Termodinâmica de sistemas abertos não é válida para sistemas autônomos, que não interagem com um ambiente. Sublinha a distinção entre a dinâmica rápida de um sistema autônomo e sua dinâmica lenta, salientando que uma mudança na dinâmica lenta pode alterar o grau de complexidade da dinâmica rápida. Uma organização "secundária" caracterizaria situações de estabilidade estrutural da dinâmica rápida, e o autor mostra que ela implica uma organização primária, resultante da constância de uma medida entrópica por ele definida. Uma medida de complexidade e a definição de auto-organização são deixadas para um trabalho posterior.</p> <p>Os físicos Roberto Luzzi e Áurea Vasconcellos, em "Estruturas Dissipativas Auto-Organizadas: um Ponto de Vista Estatístico", exploram a nova Física dos sistemas que exibem comportamento complexo. Concentram-se nas estruturas dissipativas definidas por Ilya Prigogine e colaboradores, que são sistemas macroscópicos mantidos longe do equilíbrio por fontes externas, seguindo leis não-lineares, e que apresentam uma ordem espacial, temporal ou de outro tipo. O termo "auto-organização" se aplica a esses sistemas porque a estrutura emergente não é imposta do exterior, mas resulta das leis de evolução do próprio sistema. Após indicar os passos que devem ser tomados para descrever matematicamente uma estrutura dissipativa, os autores apresentam a abordagem desenvolvida por eles para fundamentar tais estruturas termodinâmicas em uma Mecânica Estatística de não-equilíbrio. Bastante ênfase é dada ao cálculo da distribuição de probabilidades iniciais, que segue o método de maximização da entropia estatística de E.T. Jaynes. Luzzi e Vasconcellos retomam então à discussão geral sobre a auto-organização em sistemas físico-químicos, apontando extensões para sistemas biológicos e, mais detalhadamente, para sistemas socioculturais. Considerando a natureza do método científico, concluem ressaltando o papel que o conceito de "auto-organização" teria na unificação das diversas ciências.</p> <p>No artigo "Auto-Organização na Biologia: Nível Ontogenético", o filósofo da ciência Alfredo Pereira Jr., o biólogo Romeu Guimarães e o biofísico João Chaves Jr. partem de um histórico dos diferentes usos da noção de auto-organização em Biologia. Deixando de lado a questão do papel da auto-organização na evolução biológica (filogênese), eles argumentam que a geração e desenvolvimento de um indivíduo (ontogênese) a partir da informação genética herdada é um processo de auto-organização. A informação constitutiva presente em cada célula é invariante, mas os processos de leitura desta informação são sensíveis a efetores físico-químicos provindos dos ambientes interno e externo à célula. Esta diversificação informacional, que surge com o ruído ambiental, caracteriza a auto-organização ontogenética, sendo que a estabilidade do ser vivo é mantida devido à "versatilidade funcional" e às redes regulatórias. Após tecerem considerações epistemológicas sobre a auto-organização biológica, os autores descrevem os mecanismos de regulação bioquímica envolvendo proteínas alostéricas, e destacam quatro patamares de auto-organização ontogenética: genético, morfogenético, humoral e neural.</p> <p>A Parte IV trata da auto-organização nas Ciências Cognitivas, do Comportamento, e na Lingüística. Em "Ação, Causalidade e Ruído nas Redes Neurais Auto-Organizadas", a filósofa da ciência cognitiva Maria Eunice Gonzales investiga em que medida o conceito de auto-organização pode ser adequadamente usado na Ciência.Cognitiva. De início, descarta o uso deste termo nos modelos, baseados em regras simbólicas, da Inteligência Artificial. Considera então diferentes tipos de modelos do Neoconexionismo, concentrando-se no treinamento não supervisionado. Apesar de tais redes com aprendizagem por competição serem conhecidas na bibliografia como "auto-organizadas", a autora argumenta que elas carecem de certas propriedades da auto-organização, faltando-lhes um princípio motor, fundamental na matéria viva organizada. Após considerar a distinção entre auto-organização primária e secundária, e o modelo da Teoria da Harmonia, de Paul Smolensky, retoma a tese de que nossas habilidades inteligentes estão essencialmente entrelaçadas a nossas ações no ambiente. Considera então o modelo de aprendizado de um robô, desenvolvido por Paul Verschure e colaboradores. Porém, como o robô em questão apenas se locomove, mas não age no ambiente, o modelo não preencheria todos os requisitos da auto-organização secundária.</p> <p>A pesquisadora do desenvolvimento motor humano Ana Maria Pellegrini, em "Auto-Organização e Desenvolvimento Motor", faz um exame das várias teorias de controle, aprendizagem e desenvolvimento motor no ser humano. Nas visões mais recentes, ligadas à Teoria da Ação e à Teoria dos Sistemas Dinâmicos, o desenvolvimento motor pode ser considerado um processo de auto-organização, entendido como a formação de padrões através da cooperação entre elementos materiais, sem que a nova organização produzida esteja contida em um dos elementos ou no ambiente. Uma das condições para essa auto-organização é a "flexibilidade organizacional", ou seja, o acesso que o organismo tem a diferentes estados potenciais. A direção desta auto-organização é dada pelo ambiente. No debate entre hierarquia e heterarquia, a autora defende que, no processo auto-organizativo do desenvolvimento motor, sempre há alguns subsistemas que têm domínio sobre os outros, mas com o passar do tempo esse domínio é transferido, de forma que não há um centro que sempre domine.</p> <p>Uma atitude mais cética em relação ao valor da noção de auto-organização transparece no artigo da lingüista Eleonora Albano, "Auto-Organização e Ontogênese dos Sistemas Fônicos". Deixando de lado o debate entre o inatismo lingüístico (Chomsky) e a auto-organização psico-lingüística (Piaget), a autora considera o termo "auto-organização" em uma acepção heurística. Tal acepção se aplicaria a processos nos quais uma instabilidade inicial, como a existente inicialmente no repertório caótico de segmentos fônicos em uma criança, é gradativãmente substituída por uma estabilidade final, sem que a organização deste repertório seja diretamente transferida por adultos. Essa descrição, feita em termos de "traços" lingüísticos, tem sido complementada na última década por uma abordagem mais quantitativa que fundamenta o "gesto" lingüístico na motricidade. A partir da união desses dois pontos de vista, a autora desenvolve uma abordagem mais neuropsicológica que chamou de Fonologia dos Atos e Efeitos. Nesta, a interação mútua entre motricidade e percepção, que se modulam com o passar do tempo, está fortemente acoplada com a experiência. Isso tomaria inadequado, na opinião da autora, o uso do termo "auto-organização", salvo talvez no sentido mais fraco de auto-organização "secundária".</p> <p>No artigo "Auto-Organização em Brincadeiras de Crianças: de Movimentos Desordenados à Realização de Atratores", a física Amélia Império-Hamburger e as psicólogas Maria Isabel Pedrosa e Ana Maria Almeida descrevem-os movimentos de um grupo de crianças brincando em uma sala, utilizando conceitos da teoria de sistemas dinâmicos. Em certos momentos, o movimento das crianças lembra o movimento aleatório "browniano" mas, no "campo de interações" sociais, certas configurações ordenadas se estabilizam como atratores. Esta evolução caracteriza a auto-organização no sistema, sem no entanto que o componente aleatório seja eliminado. As autoras salientam assim o balanceamento entre ações espontâneas dos indivíduos e encadeamentos determinísticos que regem as ações do coletivo. Para estes últimos, propõem um conjunto de princípios de sociabilidade, que promoveriam o compartilhamento de significados que &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; surge nas trocas entre as crianças no "espaço de informação".</p> <p>A Parte V do livro envolve a auto-organização em Administração e nas Ciências Sociais. Nenhum artigo específico sobre as Ciências Sociais é apresentado, apesar da importância do tema, mas considerações sobre o assunto podem ser encontrados nos capítulos 1, 2, 8 e 13 desta coletânea, e no texto "Organização Informal, Auto-Organização e Inovação", do engenheiro Ettore Bresciani F-, que enfoca o problema da mudança organizacional em empresas industriais. Uma organização social envolve um conjunto de indivíduos que interagem e exercem atividades de forma estável, tendo em vista um objetivo claro a ser atingido no ambiente externo. Por "auto-organização", entende-se um processo de evolução com variação na complexidade, resultante de uma sucessão de desorganizações e reorganizações, sem o planejamento explícito de agentes internos ou externos. Dentro de uma organização formal, devido a situações diversas, é comum surgirem organizações informais (com efeitos positivos ou negativos) por meio de processos de auto-organização. Bresciani argumenta que a concessão de um grau maior de autonomia aos indivíduos (mantendo um compromisso entre o determinismo das regras formais e o caos que decorre da ausência destas regras) facilita a auto-organização dentro da empresa, e isso beneficia a adaptação da organização ao ambiente externo, facilitando entre outras coisas o processo de inovação tecnológica.</p> <p>A última divisão do livro, a Parte VI, trata da auto-organização na produção artística. Três artigos são apresentados, todos relacionados com a Música. O filósofo lulo Brandão, em "Unidade e Diversidade como Correlatos da Ordem e da Desordem no Campo da Estética", inicia o capítulo explorando a noção de ordem na Filosofia, que seria um princípio ou idéia que unifica um conjunto de elementos reais ou perceptuais. Cada período histórico tem as suas ordens próprias, como mostra o autor ao examinar as diferentes ordens musicais: modal, modal-tonal, tonai clássica e romântica, atonal livre e dodecafônica. Na ordem tonai, por exemplo, cada composição apresenta uma estrutura hierárquica na qual os sons se subordinam a um centro organizador, formado por um par tônica-dominante. Em contraste com isso, a auto-organização estaria associada à ausência de um centro organizador, e se manifestaria na ordens atonais, onde o centro único desfaz-se em vários pivôs coordenados.</p> <p>Examinando com maior detalhe essa questão da "Música e Auto-Organização", a musicóloga Najat Gaziri parte de uma descrição da composição musical enquanto sistema, cuja organização depende de uma ordem interna (configuração temporal e espacial de componentes) e de uma ordem seqüencial (padrões sonoros em desenvolvimento). A autora aponta três níveis em que se manifestam princípios de auto-organização. Primeiro, no processo de composição da música tradicional, o compositor vai selecionando novos elementos, o que gera uma nova ordem e restringe as possibilidades subseqüentes. Neste processo humano de criação, exemplificado por uma obra de Almeida Prado, elementos novos podem gerar instabilidades que clamam por uma resolução que retome o equilíbrio. Em segundo lugar, ocorre auto-organização na "composição como processo" da Música contemporânea, como na obra de Steve Reich, em que microfones suspensos balançam junto a auto-falantes, Uma terceira manifestação de auto-organização ocorre na Música Aleatória de compositores como Cage e Stockhausen.</p> <p>Exemplos adicionais de composições que manifestam aspectos da auto-organização são fornecidas pelo matemático e músico computacional Jônatas Manzolli, em "Auto-Organização: um Paradigma Computacional". Ele salienta que o compositor e sua obra organizam-se em geral através de um processo interativo. Tal retroalimentação seria uma marca da auto-organização na criação musical. Enfoca então o uso de algoritmos para compor música, que vem desde o século XI com Guido d’rezzo, passando por J.S. Bach e pelo Jogo de Dados de Mozart. Neste caso, aparecem as seguintes características de auto-organização: convivência de processos deterministas e aleatórios, sensibilidade às condições iniciais, e o todo sendo maior que a soma das partes. Em certas composições contemporâneas, o acaso (ruído) é usado para gerar ordem, e na Música Computacional, noções retiradas da Teoria de Sistemas Dinâmicos (como a auto-semelhança) são utilizadas na composição. O autor termina descrevendo um conjunto de composições por ele criadas, inspiradas na idéia de auto-organização”.</p> <p>M. DEBRUN</p> <p>M.E.Q. GONZALES</p> <p>O. PESSOA JR. (orgs.)</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 18 – 1996</p> <p>ISSN:0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1996</p> <p>&nbsp;</p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Sistemas autoorganizadores 001.533</li> </ol> <p>OBS. Este é um livro que trata da auto-organização. Diferentes definições têm sido dadas para essa ideia, que corresponde a uma intuição vaga e excitante de que novas estruturas podem emergir, se desenvolver ou se reordenar essencialmente a partir delas próprias. Mas como isso seria possível? Será mesmo que existe algo como “auto-organização”, que não seja justificável a partir das modalidades correntes?</p> 2022-11-03T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1996 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/22 O Desenvolvimento Histórico da Ciência da Nutrição em Relação ao de Outras Ciências 2022-08-18T09:04:55-03:00 Karina Maria Olbrich Dos Santos clepub@unicamp.br <p>“O presente trabalho foi realizado como parte das atividades do Curso de Mestrado em Ciência da Nutrição, oferecido pelo Departamento de Planejamento Alimentar e Nutrição da Faculdade de Engenharia de Alimentos da UNICAMP, e apresentado como Dissertação de Mestrado.</p> <p>Esta pesquisa consiste em um estudo histórico do desenvolvimento do conhecimento científico sobre nutrição em relação ao desenvolvimento de outras ciências, particularmente da química e da fisiologia. 0 período abordado estende-se desde o final do século XVIII, que marca o início da química moderna e o surgimento da fisiologia enquanto ciência independente, até princípios do século XX, quando é estabelecido o conceito de vitaminas.</p> <p>O estudo teve como base a bibliografia histórica disponível a respeito do desenvolvimento da ciência da nutrição, da fisiologia, da química e da bioquímica. Foram obtidas informações históricas relativas às pesquisas experimentais e às concepções teóricas sobre o processo e as necessidades nutricionais. Essas informações foram organizadas de forma a compor a história dos principais conceitos e métodos de experimentação que definiam a ciência da nutrição no início do século XX, evidenciando o caminho percorrido pelos pesquisadores ao longo do período considerado e procurando estabelecer relações com o conhecimento científico disponível na época. Dentro dos limites definidos no tempo, este trabalho acompanha desde o surgimento das primeiras concepções químicas (no sentido moderno) sobre o processo de nutrição animal até o estabelecimento das leis que determinam os requerimentos energéticos humanos e o reconhecimento da essencialidade nutricional de minerais, aminoácidos e vitaminas.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>KARINA MARIA OLBRICH DOS SANTOS</p> <p>&nbsp;</p> <p>Volume 5 – 1989</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Nutrição : História 574.1309</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. Esta pesquisa consiste em um estudo histórico do desenvolvimento do conhecimento científico sobre nutrição em relação ao desenvolvimento de outras ciências, particularmente da química e da fisiologia. O período abordado estende-se desde o final do século XVIII, que marca o início da química moderna e o surgimento da fisiologia enquanto uma ciência independente, até o princípio do século XX, quando é estabelecido o conceito de vitaminas.</p> 2022-08-18T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1989 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/23 Logic, sets and information 2022-08-18T09:20:25-03:00 Walter A. Carnielli clepub@unicamp.br Luiz Carlos P.D. Pereira clepub@unicamp.br <p>“In the last fifteen years nine Brazilian Conferences in Logic have been organized, beginning in 1977 with the conference which took place at the State University of Campinas (UNICAMP), Sao Paulo. Since the foundation of the Brazilian Logic Society in 1979 these meetings have been organized by the Society, and have been supported by the Centre for Logic, Epistemology and the History of Science (CLE) of UNICAMP. The present volume contains a selection, chosen by anonymous referees, of the papers presented at the Tenth Brazilian Logic Conference, which took place in Itatiaia, Rio do Janeiro, in May 1993, and which was organized by the Society in collaboration with CLE-UNICAMP, sponsored by CNPq, FAPERJ and FAPESP, under the direction of an organizing committee consisting of Walter Alexandre Carnielli (UNICAMP), Jose Alexandre D. Guerzoni (UNICAMP), Luiz Carlos P.D. Pereira (UFRJ) and Vera Vidal (UFRJ). These papers do not focus on any single theme, but rather reflect the wide variety of areas in which research in logic is being carried out in Brazil. This preface should not be considered as a kind of abstract of the fourteen papers; it does not summarize them. Its general aim is just to indicate some of the questions and results taken up in the papers.</p> <p>Six of the papers discuss themes and questions related to pure and applied non-classical logic.</p> <p>In A natural deduction presentation for intuitionistic modal logics, Mario Benevides proposes a natural deduction formulation for intuitionistic modal logic where, besides necessity we also have the possibility operator "O". The modal operators are defined as higher level operators. The author shows how to systematically formalize intuitionistic versions of important and traditional modal logics, such as, K, T, S4, S5, D, D4 and D5. Benevides also discusses the possibility of providing what he calls an "intuitionistic interpretation" for the modal operators.</p> <p>In Is there a logic behind fuzziness?, Walter Carnielli and J.C. Cifuentcs Vasquez address some basic questions in the foundationsof fuzzy logic and fuzzy set-theory. Their specific aim is to characterize the syntax and semantics of fuzzy logics obtained from abstract classes of fuzzy sets.</p> <p>Figueiredo and Hauesler in Another approach to Abramsky's proofs-as-processes for multiplicative linear logic define a calculus where the relationship between proofs-as-processes and proof-nets can be adequatedly emphasized. As in the case of proof-nets, inputs and outputs are not predetermined in the new calculus. The authors also discuss a kind of Curry-Howard Isomorphism between the new calculus and proof-nets.</p> <p>In The problem of persistence in a system of many-valued intcnsional logic, Cosme Massi and Elias Alves discuss the question of persistence for an extension of Montague's system IL for intensional logic, to a three-valued extensional system called IL3. The Persisence Theorem for IL shows that if we are restricted to a specific class of formulas of IL, the system is complete in the non-generalized sense of completeness. After a brief presentation of the system IL3, the authors prove an analogue of the Persistence Theorem for IL3.</p> <p>Epistemic inconsistency is the theme of Pequeno and Buchsbaum's The logic of epistemic inconsistency, Epistemic inconsistency reflects the position that reasoning can be carried out on contradictory views of the same situation. Pequeno and Buchsbaum propose a syntax and a semantics suitable for the study of reasoning in these contexts of epistemic inconsistency. The authors also address the relation between reasoning on epistemic inconsistent contexts and nonmonotonic reasoning.</p> <p>The sixth paper on non-classical logics is Zaverucha and da Silva's An extension of Poolers logical framework for default reasoning to multiple agents. In this paper, Poole's approach to.single-agent defeasible reasoning is extended to multiple-agent defeasible reasoning. The authors take computational applications into consideration and show that the new framework allows the definition of several logics for multiple-agent defeasible reasoning.</p> <p>An interesting discussion about the relation between interpolation and modularity is taken up by Paulo Veloso in On some logical properties related to modularity and interpolation. Modularity is a central property in logical approaches to formal program and specification development. It guarantees composability of implementations via preservation of conservativeness. Veloso's main purpose is to show that some logical properties can be regarded as versions of interpolation, ensuring preservation of conservativeness.</p> <p>In Cauchy completeness of Stone spaces in boolean algebras, J,C, Cifuentes Vasquez shows that the uniformizability of the Stone space topology of a Boolean algebra directly implies the Cauchy-completeness of the resulting uniform space. Vasquez also shows that, since this uniform space is totally bounded, the compactness property is a directly consequence of Cauchy-completeness. General applications of these results to algebra and model theory are also discussed.</p> <p>The aim of R. Bianconi in Some model theory for the reals with analytic functionsis to discuss some open problems for the model theory of expansions of reals through the addition of analytic functions. These open problems arc related to model (and strong) completeness and quantifier elimination for these structures.</p> <p>Carlos Lungarzo in some logical issues in AL addresses two questions concerning logical aspects of the syntax and semantics of expert systems. The first question is related to the possibility of the application of a probabilistic criterion in our choices between contradictory statements in expert systems' databases. The second question deals with the possibility of a generalization of well-founded semantics to this probabilistic approach. His general aim is to argue for a use of probabilistic interpretation as an alternative approach to the use of non-classical logics in the treatment of some important features of expert systems.</p> <p>In A general definition of the informational content of signals, Jairo da Silva investigates the problem of providing a formal theory of the notion of "semantic content" of messages. He proposes a general definition of the informational content of outputs of commumcational channels whose inputs are taken from discrete information sources. Da Silva also argues that his theory may have interesting applications in philosophy, specifically in the treatment of epistemological problems.</p> <p>Set-theoretical questions are raised in two papers. In Dense linear orderings and weak forms of choice Carlos Gonzales proves some results on the relative consistency and independence of the statement "any infinite set can be densely linearly ordered". Decio Krause's paper The theories of quasi-sets and ZFC are equiconsistent tackles the question of the equiconsistency of quasi-set theories with ZFC.</p> <p>And last, but certainly not least, we have a paper by Itala D'Ottaviano The intellectual development of A jidres Raggio. This is a very necessary homage to a figure whose work and personality were of such decisive importance for the development of research in logic in South America in general, and especially in Brazil, and for this reason it is most appropriate that this volume is dedicated to his memory.</p> <p>&nbsp;We would like to thank the following colleagues who kindly agreed to colaborate as referees: E.H. Alves, A. Avron, P. Bcsnard, G. Bierman, P. Borowik, N.C.A. da Costa, F. Doria, K. Dosen, M. Fitting, F. Miraglia, D.F. Pincus, P.H. Rodenburg, A.M. Sette and A.F.I. Urquhart.</p> <p>The publication of this volume was made possible by financial support from FAPESP (Fundaqao de Amparo a Pcsquisa do Estado de Sao Paulo), and from CLE of UNICAMP.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>Walter A. Carnielli</p> <p>Luiz Carlos P.D. Pereira (editors)</p> <p>&nbsp;</p> <p>Volume 14 – 1995</p> <p>ISSN: 0103-3147 First edition 1995</p> <p>Index for catalogue record</p> <p>1.&nbsp; Symbolic logic and mathematics 511.3</p> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. The majority of the papers address topics in non-classical logics, both pure and applied, a field in which Brazilian logicians have already anchieved widespread recognition. Among the topics discussed are intuitionistic modalities, foundations of fuzzy set theory, the relationship between proofs-as-processes and proof nets, intencional logic, reasoning under contradictions, defeasible reasoning, questions about interpolation and modularity, etc.</p> 2022-08-18T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1995 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/24 POTENCIAL CIENTÍFICO 2022-08-18T09:26:49-03:00 Serguei Kara-Murza clepub@unicamp.br <p>“El final de nuestro siglo está marcado por una intensa lucha entre dos grandes ideas que explican el mundo y trazan el porvenir de la Humanidad. La primera idea, producto de la racionalidad científica dei Tiempo Moderno, sugiere que el progreso universal nos lleva hacia un modelo fundamental y único, superior y perfecto. Es modelo de vida, de relaciones humanas y de relaciones entre el hombre y la Naturaleza, el modelo de modo de conocer y entender la realidad. Se cree, incluso, que las naciones más avalizadas ya han logrado crear las estmcturas básicas de este modelo y, que, con el final de la guerra fria, podemos hablar dei fin de la Historia. En un artículo que escandalizo (aunque de manera agradable), a la élite occidental, Francis Fukuyama dice:</p> <p>‘El fenómeno de que somos testígos no es simplemente el fin de la «guerra fria» o de una etapa de la historia de postguerra, sino el final de la Historia como tal, la conclusión de la evolución ideológica de la Humanidad y la universalización de la democracia liberal occidental como la forma final de gobierno.’</p> <p>Como dice sobre la sociedad moderna el filósofo G. Radnitzky (1984): "Los soportes de la forma libre de vida son el estado constitucional, la economia capitalista de mercado y la ciência autónoma"</p> <p>El problema consiste, solamente, en la mejor manera de propagación de este modelo, de creación dei estado universal homogéneo (universal homogeneous state). Esta idea tecnomorfa remonta a la visión dei mundo mecanicista, impuesta al hombre moderno por la fuerza majestuosa de la ciência. Konrad Lorenz escribió en 1974:</p> <p>‘Vivimos en un tiempo en que la humanidad acaba de conseguir un enorme poder sobre la naturaleza inorgânica, poder que debe a una ciência que se funda en la Matemática Analítica: la Física. De su aplicación ha nacido una técnica que se ha convertido en el instrumento más importante de la Humanidad. Como suele ocurrir con los médios para un fin, lamentablemente, en nuestra civilización occidental la técnica se ha elevado a la categoria de fin en sí mismo, con lo que ha impreso en el ser humano una peculiar mentalidad a la que suelo llamar pensamiento «tecnomorfo». Esta manera de pensar se caracteriza por extender la aplicación de métodos de pensamiento y de acción que han demostrado su aptitud en el tratamiento de la matéria inorgânica, al mundo de los seres vivos, incluido el sistema vivo de la civilización humana.’</p> <p>Otra idea que siempre ha estado presente en el debate intelectual, aunque en algunas épocas parecia casi extinguida, hoy podemos llamarla ecologista. Ella sostiene que la realidad es mucho más compleja, flexible y matizada que una máquina. Que los procesos reales, incluídos el desarrollo y el progreso, no son lineales y mucho menos invariantes. Y los sistemas complejos como, por ejemplo, la civilización, son estables y a la vez capaces de evolucionar solo si mantienen suficiente diversidad en su estructura.</p> <p>A partir de estas dos diferentes visiones dei mundo se trazan hoy las políticas y se toman las decisiones, incluso las más concretas y particulares. En relación directa con el dilema mencionado están los princípios de una u otra política científica nacional. Efectivamente, si el mundo entero evoluciona hacia un modelo único, la misma idea de crear una ciência propia, nacional, casi pierde sentido. Siendo orientada hacia el conocimiento objetivo e imparcial de la realidad, la ciência se presenta como una empresa humana universal. En este caso la diferencia entre distintas colectividades científicas consiste en que unas, situándose en los países más desarrollados, tienen mejores condiciones económicas y sociales y, por lo tanto, se acercan más al mejor modelo de actividad científica. En consecuencia, las instituciones científicas de los países menos desarrollados deben simplemente asimilar el genotipo de la ciência universal y tratar de conseguir más recursos para que este genótipo pueda expresarse lo más plenamente posible. Es una política científica coherente y razonable.</p> <p>Por otra parte, es evidente que las escuelas y las comunidades científicas nacionales en general, se han formado dentro de culturas específicas y a la vez participan en la creación y la reproducción de estas culturas. Hay bastantes razones para suponer que las culturas nacionales no van a disolverse y asimilarse a pesar de todos los procesos de integración. Al contrario, en la diversidad de culturas, en la complejidad de su conjunto radica la estabilidad de la civilización humana, su capacidad de adaptarse a los câmbios profundos tanto en la Naturaleza como en la tecnosfera y la sociedad. Por lo tanto, no es de esperar que las ciências nacionales se fundan simplemente en una homogénea ciência global.</p> <p>Si es así, la política científica dei país implica cierta controvertida dualidad en búsqueda constante de un equilíbrio entre lo universal y lo específico. La ciência que pretende producirél conocimiento objetivo sobre la realidad, debe poseer un idioma común, debe tener una base universal que una las comunidades científicas nacionales en un sistema mundial. Poças son las esferas de actividad, en las que el efecto cooperativo dei esfuerzo coordinado se manifíesta con tal evidencia como en la ciência, que siempre ha sido labor universal. Una colectividad científica nacional, que está en comunicación con la vanguardia en su campo, multiplica su potencial con respecto a los recursos invertidos. Y si se desconecta de esta red de comunicaciones, pierde el efecto sinérgico gratuito. Después de cierto nivel crítico de aislamiento, la pérdida de comunicación se hace irreversible, puesto que se forma un feed-back positivo (círculo vicioso).</p> <p>Normalmente, los cuerpos administrativos están penetrados por la mentalidad y el espíritu burocráticos (en el mejor sentido de la palabra). Para poder controlar la realidad y encajarla en las razonablemente sencillas estructuras normativas, la administración parte de modelos muy simplificados y tecnomorfos. Así, la ciência se presenta como una de las piezas de la máquina económica, una rama que compite con otras ramas por los recursos. La identifícación de la ciência como una de las ramas, a primera vista es una simpliflcación inofensiva, pero, en realidad, esta concepción es errónea. La ciência es un componente intelectual de importância vital y de gastos insignificantes para cada rama de la economia y cada esfera de la vida social. La ciência es una finísima película de sustancia gris que recubre toda la actividad social y cada rama de la economia en un país moderno. Hay que subrayar que esta película es íntegra, ya que está formada no por las escamas de investigaciones propias de cada rama, sino por todo el cuerpo único de la ciência.</p> <p>Al contemplar la ciência desde el punto de vista pragmático, abstrayéndose de su misión en la cultura, la ensenanza e incluso en la política, puede consideradarse como el cerebro dei organismo económico de la nación. Guando se trata de sistemas biológicos, en los organismos superiores, incluído el hombre, la Naturaleza ha desarrollado un mecanismo fundamental: al faltar los alimentos, el organismo se agota hasta la muerte, pero a la vez hasta el último momento suministra al cerebro todas las sustancias nutritivas que le son necesarias. Los otros órganos no presentan ninguna competência por los recursos. Por lo visto, tal prioridad absoluta dei cerebro para recibir el suministro de recursos resulto ser la condición necesaria para la supervivencia de las especies. Con respecto a la ciência, en todas partes se observa últimamente la concepción contraria: al considerar la ciência como una rama más, como una de las patas dei ciempiés económico, se le quita el status de cerebro y en las épocas de diflcultades económicas se le corta el suministro de los recursos nutritivos. Se ahorra en la ciência de la misma manera que en otros órganos de la economia (e incluso a veces más, ya que la ciência es más indefensa que muchas otras ramas).</p> <p>Ahora bien, volviendo a nuestro dilema inicial: debe un país, que no pretende ser gran potencia científica, mantener su propia ciência como un cerebro viable, aunque pequeno, o puede limitarse a cultivar algunas células cerebrales conectadas al grau cerebro de la ciência universal?</p> <p>La historia dei desarrollo de la ciência en nuestro siglo parece dar una respuesta convincente. La ciência nacional, para poder cumplir no solo su función productiva sino ser también mecanismo conservador dei código genético de la cultura nacional y a la vez mecanismo de integración de esta cultura a la civilización universal, debe ser un cerebro íntegro y viable. Debe poseer cierta magnitud crítica, poco dependiente dei tamaíio dei cuerpo de la economia (esta magnitud depende, más bien, de la posibilidad de acceso al almacén de conocimiento ya acumulado). Los intentos de alimentar las células cerebrales no arraigadas en el organismo sociocultural de la nación, incluso en cantidades considerables, como sucedió en vários países en vias de desarrollo, no dieron buenos resultados. Aún más, en muchas ocasiones los laboratórios teledirigidos jugaron el papel de una fuerza alienadora entre la ciência universal y la cultura nacional (e, incluso, simeron de canal de extracción de recursos intelectuales).</p> <p>Sin embargo, independientemente de la actitud que adopte el lector ante el dilema planteado, en este libro se le propone una serie de ideas y técnicas que permiten formular y contestar las cuestiones acerca dei estado actual y las tendências de evolución de la ciência internacional y nacional en diferentes niveles de generalización, hasta el nivel de una investigación particular sobre un tema concreto. La historia reciente, la situación actual y su evolución se presentan en un corte importante de la ciência: en el plano de la tecnologia de las investigaciones científicas. Se trate dei potencial científico nacional íntegro o de los grupos de investigadores aislados, uno de los lazos más importantes que los unen a la ciência internacional es el proceso de asimilación de nuevas tecnologias de investigación científica. Observar este proceso a diferentes niveles de la ciência nacional e internacional, conocer Ias regularidades de la creación y la propagación de nuevas tecnologias es importante tanto para el cuerpo administrativo como para un científico de laboratório.</p> <p>En el libro centramos la atención en uno de los elementos más importantes de la tegnología de investigación - el método experimental. Claro está que la tecnologia de la investigación no se reduce a los métodos, pero la elección de éstos como objeto de estúdio se justifica por dos razones. Primero, actualmente se realiza la renovación dei arsenal metodológico de la ciência mundial (incluyendo la base material de los métodos: equipos, instrumentos, reactivos, etc.) y los métodos de experimentación se han vuelto un elemento particularmente dinâmico. Segundo, durante mucho tiempo la atención de los historiadores de la ciência se concentro casi exclusivamente en las teorias científicas, por lo que las formas de creación y difusión de nuevos métodos, y su papel en la formación y en el desarrollo de las disciplinas y áreas científicas quedaron poco estudiados. Esta cuestión a menudo se subestima en la práctica científica y en todos los niveles dei science management, incluyendo al propio científico.</p> <p>El material empírico para este trabajo está tomado de la química orgânica y disciplinas afines a la bioquímica y biomedicina (en estas áreas el autor tiene experiência personal en el trabajo experimental). Las conclusiones logradas a partir de este material limitado tienen un carácter bastante general, aunque en otras disciplinas tengan que ser ligeramente modificadas. En todo caso los problemas sí son generales, y el material empírico con datos relacionados entre sí y complementados permite formular estos problemas con más claridad que los ejemplos, interesantes, tal vez, pero obtenidos de muchas disciplinas aisladas. En el libro se consideran los métodos ordinários, y no la historia de los instrumentos que revolucionaron la ciência. La consideración de muchos pequenos acontecimientos a veces dice más que la descripción de un suceso dramático. La historia de la ciência puede ser escrita como una cadena de brillantes logros de los héroes dei saber, pero también como la paciente y anónima labor de trabajadores de la ciência. En este libro hemos tomado el segundo caminho.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>SERGUEI KARA-MURZA</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 19-1997</p> <p>ISSN:0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1997</p> <p>&nbsp;</p> <p>índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Ciência - Filosofia 501</li> <li>Ciência - Metodologia 501.8</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS: En este libro se propone uma serie de ideas y técnicas que permiten formular y contestar las cuestiones acerca del estado actual y las tendências de evolución de la ciência internacional y nacional em diferentes niveles de generalización, hasta el nivel de una investigación particular sobre um tema concreto. Se presentan los métodos de experimentación em la estrutura de la ciência, se los considera como sistema de desarollo, y se discute la creación y la propagación de nuevos métodos de investigación.</p> 2022-08-18T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1997 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/25 UNA INTRODUCCION A LA TEORÍA DE CONJUNTOS Y LOS FUNDAMENTOS DE LAS MATEMÁTICAS 2022-08-18T09:32:09-03:00 Carlos Augusto Di Prisco clepub@unicamp.br <p>“Este texto está basado en las notas de clase elaboradas por el autor para un curso dictado en la Universidad Central de Venezuela que se ofrece a estudiantes de la Licenciatura en matemáticas en su cuarto o quinto año de estudios. Aunque los conocimientos previos necesarios para iniciar el estudio de este tema son mínimos, es conveniente que el estudiante que se proponga estudiar este material tenga ya conocimientos sólidos de análisis matemático, de topología y de álgebra, ya que ésto garantiza la madurez matemática necesaria para poder asimilar adecuadamente los conceptos básicos de la teoría de conjuntos.</p> <p>Hemos escogido presentar la teoría axiomática de conjuntos sin un formalismo muy grande. Después de introducir la mayor parte de los axiomas de la teoría de Zermelo-Fraenkel y sus consecuencias inmediatas (se deja la mención de tres de los axiomas para más adelante, cuando son necesarios), se pasa a mostrar como esta teoría puede servir de fundamentación para el resto de las matemáticas. Así, se definen los números naturales, los números racionales y los números reales como conjuntos, y se demuestran sus propiedades básicas. Los capítulos siguientes están dedicados al estudio del concepto de equipotencia y de los números ordinales y cardinales. Para introducir el concepto de cardinalidad y las operaciones aritméticas entre cardinales hace falta el Axioma de la Elección. Este se enuncia en la Sección VIII y se demuestran varias de sus equivalencias más importantes.</p> <p>Los temas desarrollados en las secciones siguientes reflejan en buena medida los gustos del autor. Estas secciones están dedicadas a algunos aspectos de la teoría de particiones y su relación con los cardinales grandes, y son de un nivel de dificultad mayor que las anteriores.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>CARLOS AUGUSTO DI PRISCO</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 20 – 1997</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1997</p> <p>&nbsp;</p> <p>índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Teoria dos conjuntos 511.322</li> <li>Lógica simbólica e matemática 511.3</li> <li>Matemática-Filosofia 510.1</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. El objetivo principal de este libro es presentar los aspectos básicos de la teoría axiomática de conjuntos haciendo hincapié en sus aspectos combinatorios. La teoría se desarrolla a partir de los axiomas de ZermeloFraenkel. Luego de un breve tratamiento de los sistemas numéricos básicos, números naturales, números enteros, números racionales y números reales – definidos en la teoría axiomática, se desarrolla el estudio de los números ordinales y números.</p> 2022-08-18T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1997 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/26 O Estatuto Das Entidades Metapsicológicas à Luz Da Teoria Kantiana das Ideias 2022-08-18T09:40:05-03:00 Vera Lúcia Blum clepub@unicamp.br <p>O Estatuto Das Entidades Metapsicológicas à Luz Da Teoria Kantiana das Ideias</p> <p>Vera Lúcia Blum</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 24 – 1998</p> <p>ISSN: 0108-3147</p> <p>Primeira Edição, 1998</p> <p>&nbsp;</p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Metapsicologia: 150.195</li> <li>Razão: 128.3</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. Neste trabalho focaliza-se o estatuto cognitivo dos conceitos metapsicológicos, especialmente os conceitos energéticos, segundo a teoria das ideias de Kant. O propósito é abordar a questão da justificação da metapsicologia através da concepção heurística de pesquisa científica. Segundo o presente estudo, a interpretação da metapsicologia como teoria explicativo-causal parece ser equivocada.</p> 2022-08-18T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1998 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/27 O Empirismo Construtivo 2022-08-18T09:43:43-03:00 Otávio Bueno clepub@unicamp.br <p>“O objetivo deste trabalho consiste em apresentar, como o próprio título sugere, uma reformulação e defesa da posição empirista construtiva em filosofia da ciência. Trata-se de uma alternativa, inicialmente proposta e articulada por Bas C. van Fraassen, às concepções realistas de interpretação do conhecimento científico, construída de forma a mostrar a viabilidade do empirismo como uma concepção de ciência, desde que liberto das amarras linguísticas que o positivismo lógico lhe conferiu.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para tanto, a partir do quadro teórico proporcionado pela teoria da ciência de José R.N. Chiappin, em cujo programa de investigação esta pesquisa se inclui, examino algumas estratégias do empirismo construtivo para considerar quatro problemas básicos a qualquer concepção de ciência: (1) o problema da estrutura das teorias científicas; (2) da relação entre teoria e evidência (adequação empírica); (3) da dinâmica do conhecimento científico (mudança científica); e, finalmente, (4) do estatuto cognitivo da ciência. De uma forma ou de outra, a posição empirista não poderia se furtar ao exame dessas questões, e considero, ao longo deste trabalho, as propostas de van Fraassen a seu respeito.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em sua primeira parte ("reformulação"), após discutir, no Capítulo 1, os objetivos gerais do trabalho e alguns recursos metodológicos empregados para atingi-los (em particular, a própria teoria da ciência de Chiappin e a metodologia dos programas de. investigação científica de Lakatos), examino, no Capítulo 2, algumas restrições epistemológicas, ontológicas e metodológicas da posição empirista construtiva, considerando a partir delas, de forma sucinta e preliminar, algumas estratégias disponíveis a essa proposta para a investigação dos quatro problemas mencionados. Os demais capítulos dedicam-se a apreciar tais problemas e maior detalhe. No Capítulo 3, que conclui a primeira parte, discuto o modo como o empirista concebe o problema, da estrutura das teorias cientificas a partir do emprego da abordagem semântica de teorias. Após investigar uma possível caracterização dessa abordagem, comparo ainda a proposta empirista com outras alternativas semânticas desenvolvidas para o mesmo fim (tais como as de Beth, Suppe, Suppes e Giere).</p> <p>Até esse ponto, minha posição diante do empirismo consistiu, grosso modo, em apresentar essa proposta como desenvolvida pela própria Van Fraassen. Na segunda parte do trabalho ("defesa"), empregando os recursos teóricos proporcionados pelos conceitos de estrutura parcial e verdade pragmática (ou quase-verdade), tais como elaborados por Newton da Costa, e desenvolvidos por ele juntamente com Steven French, formulo novas estratégias para estender e reforçar a posição empirista construtiva, examinando sob nova ótica os demais problemas mencionados acima; em particular, o da adequação empírica (Capítulo 4), e o da mudança científica (Capítulo 7). Além de responder a possíveis objeções à posição empirista no que diz respeito ao problema do estatuto cognitivo da ciência (Capítulo 5), sugiro ainda alguns possíveis desdobramentos em direção a uma concepção empirista construtiva da matemática (Capítulo 6). O resultado obtido, uma nova versão do próprio empirismo construtivo, em virtude do papel desempenhado no seu interior por certos tipos de estrutura, denomino empirismo estrutural.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>Otávio Bueno</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 25 – 1999</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1999</p> <p>&nbsp;</p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Ciência - Filosofia 501</li> <li>Teoria do conhecimento 121</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. Neste trabalho, Otávio Bueno apresenta uma reformulação e defesa do empirismo construtivo. Trata-se de uma alternativa proposta por Bas van Fraassen às concepções realistas da ciência, construída de modo a mostrar a viabilidade do empirismo, desde que liberto das amarras linguísticas que o positivismo lógico lhe conferiu. Para tanto, adotando a teoria da ciência de José Chiappin, Bueno discute como o empirismo construtivo pode considerar quatro problemas básicos: (1) o problema da estrutura das teorias científicas, (2) da relação entre teoria e evidência, (3) da dinâmica do conhecimento científico, e (4) do estatuto cognitivo da ciência.</p> 2022-08-18T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1999 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/28 Termodinâmica Linguagem e Indeterminação 2022-08-18T09:47:08-03:00 Newton Bernardes clepub@unicamp.br <p>“A teoria da termodinâmica holotrópica de Newton Bernardes, que finalmente surge impressa em português na Coleção CLE, do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da Unicamp, constitui uma tentativa original e instigante de reformular a versão gibbsiana da termodinâmica clássica.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos cursos de física ou de engenharia, via de regra ensina-se a termodinâmica dos ciclos, com as suas origens na explicação do funcionamento das máquinas térmicas. Toda a ênfase é colocada nas duas leis fundamentais (a energia do universo é constante; a entropia do universo aumenta), de acordo com as formulações originais de Clausius e Kelvin. No entanto, há diversas alternativas de formular a termodinâmica clássica. No início da década de sessenta, Herbert Callen publicou um texto didático, que acabou se transformando numa obra clássica de divulgação da formulação de Gibbs da termodinâmica.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Além de se prestar a uma conexão mais simples com a física estatística, a formulação gibbsiana parece constituir a maneira adequada de apreender e organizar os conceitos da termodinâmica clássica. Nesta mesma época, nos seus cursos em São Paulo, Newton Bernardes foi pioneiro na utilização do texto de Herbert Callen para expor as ideias gibbsianas de potenciais termodinâmicos relacionados através de transformações de Legendre. Talvez se originem neste período as suas primeiras reflexões sobre os fundamentos da termodinâmica.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No primeiro capítulo do texto, Newton Bernardes apresenta uma revisão cuidadosa e fiel das ideias de Gibbs, aproveitando, no entanto, para introduzir certos conceitos e a notação que serão utilizados em seguida. Por exemplo, a "holotrópia" do universo (isolado) e a "merotropia" de um fragmento (parte do universo) são definidas sem distanciamento em relação à termodinâmica clássica. Neste capítulo já surge uma forma exponencial da entropia, necessária para estabelecer as relações de comutação que serão interpretadas em analogia com a formulação de Bohr da mecânica quântica.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E interessante apontar que Newton Bernardes foi colega de Mário Schemberg e aluno de David Bohm, conhecido opositor de Niels Bohr, no Departamento de Física da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. A sua formação em física teórica foi completada no exterior, no final da década de cinquenta, num ambiente em que surgiam conquistas notáveis da física do estado sólido, consolidava-se na época a utilização das ideias da mecânica quântica (na interpretação de maior sucesso, de Niels Bohr e dos seus inúmeros seguidores) e da física térmica (termodinâmica clássica e mecânica estatística) para explicar fenómenos de transporte em uma grande variedade de substâncias. Aplicada ao modelo de um sólido com simetria de translação, a mecânica quântica já havia proporcionado a distinção entre condutores, semicondutores e isolantes. Talvez o triunfo mais espetacular da época tenha sido a utilização da mecânica quântica e da física estatística para descrever os fenômenos da supercondutividade e da superfluidez a baixas temperaturas. Newton Bernardes foi um dos primeiros físicos brasileiros com trabalhos teóricos de destaque na nova área de física dos sólidos, utilizando ferramentas da termodinâmica, da física estatística e da mecânica quântica.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No segundo capítulo do livro, Newton Bernardes apresenta a sua "concepção de ciência” e os "pressupostos metodológicos55 da construção da nova "termodinâmica holotrópica”. A exposição é dominada pelas ideias de Niels Bohr sobre a mecânica quântica. Da mesma forma que na mecânica quântica não se medem simultaneamente posição e momento (que são variáveis "complementares”), Newton Bernardes propõe que num "fragmento55 termodinâmico não seja possível conhecer (isto é, medir) simultaneamente a energia e a temperatura (ou seja, para medir a temperatura é necessário romper o isolamento do fragmento, alterando a sua energia). A existência de variáveis incompatíveis e a irracionalidade da interação entre aparelho de medida e objeto destroem o conceito clássico de medida como um evento único. Torna-se então necessário introduzir um ensemble de réplicas idênticas do universo termodinâmico.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O formalismo, elegante e completo, é desenvolvido em detalhe nos capítulos três e quatro (que exigem um leitor atento, paciente com a notação rebuscada, e à vontade com as manipulações tradicionais do cálculo diferencial e integral). A partir das ideias de complementaridade, o autor utiliza o formalismo das transformadas de Legendre para reconstruir uma termodinâmica que seria mais adequada aos experimentos de medida do mundo real, o tratamento tem semelhanças com o formalismo dos ensembles de Gibbs, embora nunca se refira a nenhum modelo mecânico subjacente. A termodinâmica clássica de Gibbs é recuperada como um valor esperado estatístico sobre um ensemble (ou como o ponto de sela de uma integral estatística).</p> <p>Na minha opinião, Newton Bernardes acaba construindo uma teoria alternativa, de caráter original, sobre os efeitos das flutuações termodinâmicas. Infelizmente ainda há poucas aplicações do formalismo (o gás real tratado no capítulo 4 é uma rara exceção). Agora seria importante que eventuais leitores se dispusessem a encontrar situações concretas, onde haja interesse - ou seja até mesmo necessário - recorrer a este tipo de formalismo.</p> <p>Este livro é baseado em trechos de um curso ministrado pelo autor na Universidade de São Paulo durante os anos de 1990-1992. Uma edição provisória em inglês foi publicada em Campinas, em 1996.</p> <p>No Capítulo 1 expomos a teoria da termodinâmica clássica do ponto de vista de Gibbs. Esta exposição inicial tem uma dupla finalidade: primeiro, expor a termodinâmica de Gibbs de uma forma que fique claro que a linguagem da termodinâmica emerge dos aparelhos; segundo, salientar que os processos termodinâmicos envolvem um universo, e não somente o fragmento termodinâmico. Assim, para substituir a entropia foram introduzidos dois vocábulos: holotrópia e merotropia, o primeiro se referindo a um universo e o segundo ao fragmento. No Capítulo 2 discutimos a questão da linguagem na termodinâmica, com a finalidade de mostrar que as variáveis conjugadas na termodinâmica são variáveis incompatíveis, não podendo ser medidas concomitantemente. No Capítulo 3 a teoria holotrópica da termodinâmica é discutida em termos gerais levando-se em conta a complementaridade. Finalmente, no Capítulo 4 apresentamos uma teoria exemplar da termodinâmica holotrópica. Aqui são provadas relações de indeterminação, análogas às de Heisenberg na Mecânica Quântica.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p> <p>Newton Bernardes</p> <p>&nbsp;</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1999</p> <p>&nbsp;</p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Termodinâmica 536.7</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. Este livro representa parte de um curso sobre Termodinâmica ministrado a alunos do Instituto de Física da Universidade de São Paulo por volta de 1990. Nele, a termodinâmica é encarada como um assunto não redutível à mecânica baseado 4 Catálogo de Publicações – 2009 – Coleção CLE numa linguagem que contém, entre outros, os conceitos de volume, pressão, temperatura, ao contrário da Mecânica Estatística. Analisando a linguagem e os processos de medição desses conceitos, chega-se ao conceito de incompatibilidade, algo semelhante à ideia de Niels Bohr na Mecânica Quântica, e consequentemente às ideias de complementaridade entre variáveis conjugadas.”</p> 2022-08-18T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1999 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/29 Fundamentos da Psicanálise 2022-08-18T10:02:50-03:00 Osmyr Faria Gabbi Jr clepub@unicamp.br <p>“A psicanálise atrai diversos tipos de pesquisadores. São psicólogos, psiquiatras, filósofos, literatos, sociólogos, historiadores, etc., para não mencionar aqueles que se denominam psicanalistas e que pertencem às mais diferentes correntes. A enorme variedade de formações talvez seja responsável pela absoluta diversidade de interpretações propostas para a teoria criada por Freud.</p> <p>No interior deste verdadeiro cipoal interpretativo, os ensaios que se seguem pretendem oferecer aos seus possíveis leitores uma pequena amostra de uma forma de trabalhar a obra de Freud, desenvolvida na Universidade de São Paulo e na Universidade Estadual de Campinas, durante um certo período, em programas de pós-graduação em filosofia. Dado o fato de ser explicitamente uma produção acadêmica sobre a psicanálise, é importante determinar sua especificidade.</p> <p>São, antes de mais nada, ensaios de filosofia da psicanálise. Mas, infelizmente, a expressão "filosofia da psicanálise" é por demais vaga, quase sem tradição no Brasil, para que o leitor possa saber do que se trata. Nesse sentido, usamos "filosofia da psicanálise" para designar um estudo que visa descrever as articulações entre os conceitos formulados por essa teoria. Este tipo de reflexão difere em muito das investigações que visam direta ou de forma oblíqua a clínica, ou seja, das investigações mediadas pela experiência clínica. Não desejamos dizer, com essa observação, que um leitor oriundo da clínica não tiraria proveito dos ensaios que se seguem. Ao contrário, os presentes ensaios podem ajudá-lo a pensar de forma mais precisa e fundamentada o setting analítico.</p> <p>Se, dada a nossa condição periférica, fôssemos indagados a respeito de que centro mundial realiza investigações semelhantes, responderíamos sem hesitação: a Alemanha. Infelizmente, a produção alemã — diferente da francesa, adotada pela grande maioria - é praticamente desconhecida entre nós.</p> <p>No primeiro ensaio, <em>Notas sobre linguagem e pensamento em Freud</em>, procuramos mostrar que há razões mais fundamentais para a diversidade de interpretações a que está sujeita a psicanálise freudiana. Ao mesmo tempo, apontamos para diferenças metodológicas entre abordagens clínicas e filosóficas nos estudos sobre a psicanálise.</p> <p>Em <em>Wittgenstein Crítico de Freud</em>, Cláudio Banzato contrapõe o filósofo e o psicanalista para esboçar as dificuldades de natureza epistemológica que a psicanálise apresenta. As reflexões de Wittgenstein são usadas para iluminar os pressupostos da teoria e não para avaliá-la, ou seja, trata-se mais de compreender o que está em jogo do que decidir sua validade a partir de uma posição já firmada.</p> <p>Pedro de Santi reconstrói, no terceiro ensaio, <em>A Realidade Psíquica</em>, o quadro conceituai que deu origem à noção de fantasia na teoria de Freud. Passo a passo, de forma lenta e rigorosa, são assinalados os movimentos conceituais e os deslocamentos semânticos.</p> <p>O último ensaio, <em>A angústia na formação da concepção freudiana de afeto</em>, de Alessandra Caneppelle, ilustra igualmente as vantagens de um estudo que acompanha minuciosamente o original alemão para definir as linhas de tensão presentes em uma noção tão complexa como a de angustia.</p> <p>Esperamos que esta pequena amostra sirva para estimular pesquisas que se voltem para a letra e o espírito da obra de Freud, que iluminem suas escolhas e opções, que abandonem a via fácil de contrapor períodos distintos com intuições clínicas sem o devido respaldo conceitual.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>Osmyr Faria Gabbi Jr. (ORG.)</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 28 – 1999</p> <p>&nbsp;</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>&nbsp;</p> <p>Primeira Edição, 1999</p> <p>&nbsp;</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Psicanálise 150.195</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. A psicanálise atrai diversos tipos de pesquisadores. São psicólogos, psiquiatras, filósofos, literatos, sociólogos, historiadores, etc., para não mencionar aqueles que se denominam psicanalistas e que pertencem às mais diferentes correntes. A enorme variedade de formações talvez seja responsável pela absoluta diversidade de interpretações propostas para a teoria criada por Freud. No interior deste verdadeiro cipoal interpretativo, os ensaios que se seguem pretendem oferecer aos seus possíveis leitores uma pequena amostra de uma forma de trabalhar a obra de Freud.</p> 2022-08-18T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1999 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/30 A semântica transcendental de Kant 2022-08-18T10:07:26-03:00 Zeljko Loparic clepub@unicamp.br <p>“O presente volume da Coleção CLE oferece a tradução parcialmente reescrita da Parte I da minha tese de doutorado, defendida na Universidade Católica de Louvain, sob o título Scientific Problem-Solving in Kant and Macft. Nessa parte, denominada Kants Theory of Problem-Solving, a primeira Crítica é interpretada como teoria da solubilidade de problemas necessários da razão pura teórica, necessários porque impostos pela sua própria natureza, mais precisamente, pelo postulado lógico que pede seja encontrada, para cada dado empírico condicionado, a totalidade absoluta de suas condições. A solubilidade desses problemas — tal é a proposição central defendida — é fundamentada numa semântica <em>a priori</em> dos conceitos puros da razão. A Parte II da tese, intitulada Kate Mactís Theory ofS cientific Problem-Solving e de extensão muito menor, aplica essas ideias ao estudo da teoria heurística da ciência empírica elaborada por Ernst Mach. Ela não foi incluída no presente volume, pois encontra-se acessível, faz tempo, numa redação ligeiramente modificada, em inglês e em português.</p> <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para a presente publicação, além de corrigir erros óbvios de vários tipos, fiz uma revisão completa do texto original, reescrevendo várias passagens e a reordenando outras, a fim de tornar um texto já antigo mais claro, mais legível e menos incompleto, e de assinalar os desenvolvimentos posteriores à tese. Certas partes do texto foram deslocadas para notas de rodapé e outras simplesmente suprimidas. As referências à Parte II da tese foram eliminadas, salvo na Introdução, onde refaço os passos principais das minhas pesquisas de então, sobre a heurística e a semântica transcendental kantianas. Algumas dessas mudanças visam dar destaque à diferença entre a minha interpretação das forças fundamentais em Kant e a do Prof. Gerd Buchdahl, explicitada durante memoráveis conversas que tivemos no Daewin College, em Cambridge, no verão de 1982. Nas traduções dos trechos de obras de Kant, procurei dar ênfase ao lado conceituai do texto kantiano, deixando o aspecto estilístico em segundo plano. Para tanto, foram levadas em conta as versões existentes em língua portuguesa e inglesa, bem como as sugestões dos meus tradutores. O resultado desse trabalho de revisão é um texto bastante diferente do original, mas que preserva a distância que separa as minhas posições atuais das formulações e da ordem de ideias características do projeto de pesquisa inicial sobre a lógica transcendental de Kant, que esbocei em 1978.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>Zeljko Loparic</p> <p>Volume 29, 2000</p> <p>&nbsp;</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 2000</p> <p>&nbsp;</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Filosofia alemã 193</li> <li>Criticismo (Filosofia) 142.3</li> <li>Semântica (Filosofia) 149.946</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. O presente volume da Coleção CLE oferece a tradução, parcialmente reescrita, da Parte I da tese de doutorado de Seljko Loparic, defendida na Universidade Católica de Louvain, em 1982, sob o título Scientific Problem-Solving in Kant and Mach. Nessa parte, a primeira Crítica é interpretada como teoria da solubilidade de problemas necessários da razão pura teórica – necessários porque impostos pela sua própria natureza, mais precisamente, pelo postulado lógico que pede que seja encontrada, para cada dado empírico condicionado, a totalidade absoluta de suas condições.</p> 2022-08-18T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2000 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/31 Tópicos em história e Filosofia da Computação 2022-08-18T17:12:40-03:00 Fábio Bertato clepub@unicamp.br Henrique Cukierman clepub@unicamp.br <p>The publication of this book follows the HaPoC Symposium at the 25th International Congress of History of Science and Technology (ICHST), held in the city of Rio de Janeiro, Brazil, from 23 to 29 July 2017, with the general theme “Science, Technology and Medicine between the Global and the Local”. This Colloquium was organized under the auspices of the Commission for the History and Philosophy of Computing (HaPoC) at the Federal University of Rio de Janeiro, with the support from HaPoC and the São Paulo Research Foundation (FAPESP), which made possible the presence of visiting professors from abroad. The main goal of HaPoC Symposium was enabling collaboration among researchers interested in History and Philosophy of Computing. Our speakers presented contributions describing original and unpublished results related with the theme “The Ubiquity of Computing: historical and philosophical issues”. As an opportunity to strengthen the collaboration of research among groups of the Centre for Logic, Epistemology and the History of Science (CLE) at the University of Campinas (UNICAMP), the Informatics and Society research area at the Graduate Program in Systems Engineering and Computer Science Program/Alberto Luiz Coimbra Institute for Graduate Studies and Engineering Research (COPPE) at the Federal University of Rio de Janeiro (UFRJ), and Commission for the History and Philosophy of Computing (HaPoC), this book is being published in Brazil by "Coleção CLE", in order to offer to a wider public the contributions delivered in the Symposium. The reader will have the opportunity to appreciate these contributions through ten chapters, seven of them about the Brazilian history of computing, written by eight Brazilian authors, and the other three chapters about philosophy of computing, written by four European scholars. The editors would like to express their sincere gratitude to all participants and authors who accepted the invitation to contribute to this volume, specially to their patience during the publication process.</p> <p>Fabio Bertato<br />Henrique Cukierman</p> <p> </p> <p>Artigos</p> <p>Controle, liberdade, informática e sociedade: uma revisão das histórias da informática no Brasil (Alberto Jorge Silva de Lima)</p> <p>O censo de 1960 e os primórdios da informática no Brasil (Henrique Cukierman)</p> <p>Informatizando o Leão O SERPRO e o uso de processamento de dados no Ministério da Fazenda (1964-1970) (Lucas de Almeida Pereira)</p> <p>O computador brasileiro na revista DADOS e Idéias: em busca de sua alma (Márcia Regina Barros da Silva)</p> <p>Um “espaço de autoria” na literatura sobre tecnologia durante a década de 1970 no Brasil: a revista DADOS e Idéias (Ivan da Costa Marques)</p> <p>Serviço Nacional de Informações e Informática no Brasil: relações ambivalentes (1976-1980) (Marcelo Vianna)</p> <p>Softwares livres e economia solidária no Brasil: licenças, práticas e visões de mundo em debate (Fernando Gonçalves Severo e Luiz Arthur Silva de Faria)</p> <p>Studies in Computational Metaphysics, Results of an Interdisciplinary Research Project (Christoph Benzmüller)</p> <p>Some philosophical considerations about the possibility ofmind uploading (Lorenzo Spezia)</p> <p>Historia rerum naturae gestarum and Hyper-History: Philosophical and Sociological intersections for a Hyper-World (Flavia Marcacci e Massimiliano Padula)</p> 2022-08-18T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/16 O Método dos Isomorfismos Parciais 2022-07-07T14:21:33-03:00 José Carlos Cifuentes Vásquez clepub@unicamp.br <p>“Esta obra é uma exposição detalhada de alguns “métodos metamatemáticos dirigidos ao estudo da <em>expressabilidade</em> dos conceitos matemáticos e de suas limitações, entendendo por <em>metamatemática</em> o estudo de tais conceitos enquanto objetos susceptíveis de tratamento matemático.</p> <p>Este tema pode ser situado na área de teoria de modelos, cujo enfoque geral acerca das estruturas matemáticas permite unificar diversas noções próprias da álgebra, da topologia e mesmo da análise.</p> <p>Obviamente, nossa primeira preocupação é definir de forma rigorosa o que entendemos por conceito matemático e <em>expressabilidade</em>. No início do Capítulo 1, já delineamos a primeira dessas noções, propondo uma interpretação matemática da mesma em termos de classes de estruturas matemáticas. Por outro lado, a segunda delas é definida no Capítulo 2, a partir da noção de axiomatizarão.</p> <p>Nosso propósito inicial, dado que este tema é pouco conhecido nos círculos de pós-graduação em matemática, foi mostrar algumas técnicas de teoria de modelos com aplicações de interesse para a matemática.</p> <p>Para tal efeito, escolhemos a técnica de extensão de isomorfismos parciais, ou back-and-forth (introduzida no Capítulo 1), como eixo central deste trabalho, complementada com a técnica de ultraprodutos, ambas de caráter puramente algébrico e de especial importância no estudo da expressabilidade.</p> <p>Dado que a metamatemática é também reflexão sobre a matemática, achamos que o tema escolhido devia ser complementado com exemplos esclarecedores e ilustrado com aplicações a diversas áreas da matemática.</p> <p>Do ponto de vista metodológico, foi necessário começar diferenciando os aspectos algébrico-conjuntistas das estruturas matemáticas dos seus aspectos linguísticos, propondo sistemas de referência apropriados para o desenvolvimento de cada um deles. Tais sistemas de referência são chamados neste trabalho de referencial algébrico e referencial linguístico, respectivamente.</p> <p>Destacamos, no primeiro deles, a noção de isomorfismo, e, no segundo, a noção de equivalência elementar, esta última relativa a cada linguagem formal introduzida. A inter-relação entre isomorfismo e equivalência elementar é a motivação principal para este estudo.</p> <p>Tal inter-relação é semelhante, por exemplo, à que. ocorre em topologia algébrica entre as noções de homeomorfismo de espaços topológicos e isomorfismo entre seus respectivos grupos fundamentais: é sabido que noções topológicas são traduzidas com proveito a noções algébricas, embora isso não signifique que sejam equivalentes.</p> <p>Em nosso caso, propriedades algébricas das estruturas matemáticas (por exemplo, a noção de isomorfismo) são também traduzidas de maneira frutífera a noções semântico-lingúísticas (como a de equivalência - elementar).</p> <p>Podemos dizer, então, que o tema central deste estudo é a exposição dos teoremas de caracterização “algébrica da equivalência elementar como uma tentativa de aproximar ambos os referenciais mencionados.</p> <p>A seguir, descrevemos o conteúdo de cada capítulo.</p> <p>No Capítulo 1, apresentamos os diversos tipos de estruturas matemáticas do ponto de vista algébrico: estruturas relacionais e estruturas algébricas em geral. Damos especial atenção às estruturas com domínios duplos, que no texto chamamos de bissortidas, casos. interessantes das quais são as estruturas topológicas, e “as estruturas algébricas do tipo dos espaços vetoriais, módulos, etc.</p> <p>Como justificativa para o estudo de estruturas bissortidas destacamos, por exemplo, que o conceito de homeomorfismo da topologia geral corresponde ao de isomorfismo entre estruturas algébricas bissortidas adequadas.</p> <p>No desenvolvimento deste capítulo, incluímos alguns conceitos que aparecem de forma: bastante natural, como o de quase-homeomorfismo (ver 1.4.4), com aplicações, no Capítulo 3, ao estudo da topologia ele-: mentar do espaço de estruturas.</p> <p>No Capítulo 2, introduzimos diversas linguagens “formais adequadas aos tipos de estruturas definidos no Capítulo 1, como as linguagens de 1º ordem L! e de 2ª ordem L², junto com seus fragmentos L² -monádica, diádica, etc., e a linguagem de 2ª ordem fraca L²w, todas motivadas no início do capítulo com diversos exemplos.</p> <p>Neste capítulo, definimos a relação semântica de satisfação, que é a conexão fundamental entre os referenciais acima mencionados.</p> <p>Em termos desta relação é possível definir a expressabilidade de um conceito matemático como a possibilidade de axiomatização da classe de estruturas que são sua referência.</p> <p>São introduzidas também algumas propriedades de teoria de modelos, como as propriedades de isomorfismo, de categoricidade e de Karp.</p> <p>Destacamos a introdução do conceito de L-equivalência de classes (ver 2.5.3), que generaliza o de equivalência elementar e permite, de um ponto de vista uni[1]ficado, dar novas formulações, por exemplo, de algumas das propriedades de teoria de modelos mencionadas.</p> <p>No Capítulo 3, damos alguns outros critérios para a análise da expressabilidade, iniciada no capítulo anterior, fundamentalmente relacionados com a propriedade de compacidade, além de discutir os teoremas de Löwenheim-Skolem e os números de Hanf.</p> <p>Para este propósito, introduzimos uma topologia adequada no espaço de estruturas, e apresentamos o “método de ultraprodutos e o teorema fundamental de Los como técnicas especiais.</p> <p>Dado que a relação entre as estruturas e as linguagens que lhe são adequadas é de caráter semântico ou interpretativo, decidimos desenvolver todo o trabalho sem apelar à noção sintática de derivabilidade. Isso justifica plenamente a introdução do método de ultraprodutos, já que as demonstrações mais conhecidas, de caráter puramente semântico, da propriedade de compacidade, são feitas usando ultraprodutos, além de ser - uma técnica de construção de modelos por si mesma importante para as aplicações.</p> <p>Devemos destacar neste capítulo um argumento contra a possível extensão do teorema de Log para a linguagem de 2º ordem monádica (ver 3.2.6). Igualmente, destacamos a discussão do Princípio de Lefschetz da geometria algébrica como uma das aplicações mais interessantes do problema da expressabilidade. Apresentamos, também, uma demonstração não-standard. do Teorema de Hahn-Banach, baseada fundamentalmente na técnica de ultraprodutos.</p> <p>No Capítulo 4, introduzimos as linguagens infinita: rias como ambiente natural para a interação entre os isomorfismos parciais e a equivalência elementar, obtendo como resultados principais os teoremas de caracterização algébrica da equivalência elementar em diversas linguagens, em termos da existência de certa coleção de isomorfismos parciais. Incluímos, também, o Teorema de Fraissé que caracteriza a equivalência ele[1]mentar correspondente à linguagem de 1º ordem.</p> <p> Enfim, neste capítulo também são apresentadas generalizações dos teoremas de Los e de compacidade, mostrando a forte dependência destas noções com as propriedades conjuntistas dos números cardinais.</p> <p>No final, apresentamos uma pequena discussão acerca da comparação do poder expressivo entre as linguagens formais.</p> <p>Noções de teoria de conjuntos, como se explica no início do Capítulo 1, são usadas frequentemente: entre elas, a diferença entre classes e conjuntos, e propriedades gerais dos números ordinais e cardinais. Muitas vezes usaremos os símbolos “=&gt;” por “implica”, “ó” por “equivale”, “Ɐ” por “para todo” e “ⱻ” por “existe”, como parte da linguagem matemática coloquial. “</p> <p>Este trabalho pretende ser auto-contido e está dirigido para estudantes e estudiosos da matemática em nível de pós-graduação que tenham poucos conhecimentos da teoria de modelos e da lógica matemática em geral. Obviamente, para um especialista, algumas noções estarão insuficientemente tratadas, e outras estarão tratadas de forma abundante, mas nossa intenção é despertar o interesse dos primeiros.</p> <p>Algumas provas são feitas de forma distinta da usual, em virtude de ilustrarem algumas propriedades introduzidas, como é o caso da demonstração do Princípio de Lefschetz a partir de uma versão fraca do Teste de Vaught.</p> <p>Este estudo foi apresentado como Dissertação de Mestrado em Matemática no Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da UNICAMP em junho de 1988 e esta edição traz ligeiras modificações com relação à versão original.”</p> <p> </p> <p>José Carlos Cifuentes Vásquez</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147 <br />Primeira Edição, 1992</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático <br />1. Metamatemática 510.1 <br />2. Lógica simbólica e matemática 511.3</p> <p> </p> <p>OBS: O objetivo central deste trabalho é o estudo da expressabilidade dos conceitos matemáticos, através das classes de estruturas matemáticas que são sua referência. Neste contexto, a expressabilidade traduz[1]se na possibilidade de axiomatização dessas classes em diversas linguagens formais. Para este efeito são introduzidas as linguagens de primeira ordem, de ordem superior e infinitárias.</p> 2022-07-07T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1992 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/14 A Regra -w 2022-07-06T09:37:53-03:00 Edgar G. K. López-Escobar clepub@unicamp.br Ítala M. Loffredo D'ottaviano clepub@unicamp.br <p>“Estas notas foram inicialmente preparadas para o curso ministrado por E. G. K. López-Escobar durante o V Encontro Brasileiro de Lógica, realizado em Fortaleza, em dezembro de 1982.</p> <p>A Sociedade Brasileira de Lógica solicitou-nos um curso para docentes e pesquisadores com razoável experiência e titulação em Lógica, salientando-nos inclusive a ausência de bibliografia mínima adequada, em Português, sobre o tema.</p> <p>López-Escobar foi professor visitante da UNICAMP, sob o patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), de agosto a dezembro de 1982.</p> <p>Foram intensas as atividades desenvolvidas com o Grupo de Lógica do Instituto de Matemática, Estatística e Ciências da Computação (IMECC) da UNICAMP. Além de alguns resultados de pesquisa com I. M. L. D'Ottaviano, já publicados, estas notas são também parte do trabalho realizado nesse período.</p> <p>No texto, a partir de uma caracterização da Regra-w, apresentamos a Regra-w e o Primeiro Teorema de Gödel, as Demonstrações Infinitas e as Demonstrações-w, o Teorema da Completude para a Aritmética de Primeira Ordem coma Regra-w e a Eliminação do Corte.</p> <p>No Capitulo I, caracterizamos historicamente as origens da regra-w e apresentamos uma discussão sobre as demonstrações infinitas.</p> <p>No Capítulo II, após introduzirmos algumas abreviações e notações, discutimos o Primeiro Teorema de Gödel e apresentamos o Teorema de Löeb e o Segundo Teorema da Incompletude de Gödel.</p> <p>No Capítulo III, introduzimos os conceitos gerais de demonstração, árvore e função de dados e discutimos o caso da regra-w; e introduzimos os sistemas w-PA, w-HA e w-PAgr.</p> <p>No Capítulo IV, apresentamos a relação entre HA e w-HApr, através do Teorema de Schütte-Mints, e o Teorema da Completude para w-PApr.</p> <p>No Capítulo V, discutimos alguns resultados básicos da Teoria da Demonstração, a extensão da Aritmética através da Indução Transfinita e algumas aplicações da Eliminação do Corte.</p> <p>Procuramos indicar na Bibliografia, artigos e textos significativos para o estudo da regra-w, inclusive artigos históricos.”</p> <p>Edgar G. K. López-Escobar </p> <p>Ítala M. Loffredo D'ottaviano</p> <p> </p> <p>Obra publicada pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE)</p> <p>F:- 393269 CP:- 6133 13081 — Campinas — SP</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <p>1. Lógica matemática 511.3</p> <p> </p> <p>OBS: Este segundo volume da Coleção CLE apresenta um texto, em português, sobre a Regra -ω. E. G. K. López e I. M. Loffredo D’Ottaviano caracterizam historicamente as origens da regra - ω, e o Primeiro Teorema de Gödel, as demonstrações infinitas e as demonstrações - ω, o Teorema da Completude para a aritmética de primeira ordem com a regra -ɯ e discutem algumas implicações da eliminação do corte.</p> <p> </p> 2022-07-06T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1987 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/15 A Inércia e o Espaço-Tempo Absoluto 2022-07-06T09:59:17-03:00 Michel Ghins clepub@unicamp.br <p>"Este livro apresenta uma análise filosófica das concepções de inércia e de espaço-tempo a partir de várias teorias físicas, tais como as encontramos formuladas em autores como Newton, Leibniz, Euler, Mach, Einstein, Weyl e Weinberg. O ponto de partida é o problema colocado por Newton sobre a explicação do aparecimento de fenômenos diferentes segundo o tipo de movimento: a água contida em balde toma uma forma côncava quando está em rotação, ao passo que permanece plana quando em movimento retilíneo uniforme. Parece-me que esta abordagem esclarece melhor o estatuto do espaço-tempo, e o papel que este desempenha nas teorias físicas, que a abordagem inspirada pelos empiristas lógicos, como Carnap e Reichenbach. Interessados, em primeiro lugar, na maneira como se podiam justificar as afirmações teóricas com base em enunciados de observação, eles estavam sobretudo preocupados em fundar a estrutura métrica do espaço-tempo com base no comportamento de barras e de relógios, isto é, de instrumentos de medida.</p> <p>Sem negar o extremo interesse desta abordagem, é preciso constatar que ela apresenta diversas dificuldades. Primeiramente, os autores aqui estudados procuram, sobretudo, fornecer uma teoria satisfatória do movimento e, em particular, da dualidade observada entre os movimentos que denominamos inerciais e nãoinerciais. Sua preocupação não se limita a formular leis que descrevam corretamente fenômenos bem relaciona- “dos, mas a atribuir uma causa real aos efeitos inerciais, reais e não apenas aparentes, ou, de modo equivalente, a especificar adequadamente o sistema, ou os sistemas, de referência relativamente aos quais os movimentos, quer acelerados, quer não, dão ou não lugar a tais efeitos. Além disso, a determinação da estrutura métrica a partir das barras e dos relógios não é independente do estado de movimento destes, ao menos nas teorias da relatividade restrita e geral, e isto só pode ser determinado quando já dispomos de um sistema de referência cujo estado de movimento, inercial ou não-inercial, conhecemos. Portanto, é a questão da determinação do caráter inercial ou não de um movimento ou de um sistema de referência que constitui o problema fundamental. Por fim, as discussões a respeito do papel fundacional dos instrumentos métricos e a questão correlata de saber se eles determinam univocamente a métrica e, por conseguinte, a curvatura de espaço(-tempo) subsistente desde que Poincaré defendeu a tese do convencionalismo geométrico, isto é, há cerca de um século. Tais discussões atingiram hoje um grau de complexidade e tecnicidade tal que a dimensão filosófica se encontra frequentemente relegada a segundo plano, mascarada por discussões bizantinas, que são o índice mais seguro do esgotamento de uma problemática.</p> <p>Partiremos aqui das teorias físicas, sem nos determos muito à questão de sua justificação empírica. Deste modo, suporei que elas já se encontram verificadas, ou confirmadas, ou corroboradas, etc., para me ater à relação entre os fenômenos da inércia, de um lado, e, de outro, ao estatuto empírico e ontológico do espaço-tempo e de sua estrutura, articulada por cada uma destas teorias. O espaço-tempo (ou os espaços-tempo, no caso da teoria geral da relatividade) de uma teoria deve ter propriedades e uma estrutura tais que os efeitos de inércia sejam corretamente explicados por esta teoria.</p> <p>A teoria geral da relatividade, contrariamente a uma opinião ainda largamente difundida, não permite abandonar completamente a concepção absolutista do espaço-tempo e não satisfaz à equivalência dinâmica dos movimentos. Estes resultados não são novos: foram destacados por Hermann Weyl e Lawrence Sklar, entre outros. Mas seu impacto filosófico foi subestimado. Eles mostram que mesmo na física, que é, sem dúvida, ainda hoje, e apesar dos progressos notáveis de outras disciplinas, como a biologia, a mais elaborada. das ciências empíricas, não é possível fazer economia de entidades claramente metafísicas, como o espaço-tempo absoluto.</p> <p>Uma atenção particular foi dedicada à formulação exata e à abrangência dos diferentes princípios: princípios de relatividade, de covariância, de reciprocidade, nas diferentes teorias analisadas, e às relações lógicas entre eles. Se admitirmos, segundo Weyl, a realidade das soluções das equações do campo, que são espaçostempo curvados pela presença das massas e da energia, compreenderemos melhor a origem dos fenômenos inerciais, como também a significação dos princípios utilizados, e evitaremos, por exemplo, confundir o princípio de covariância com o princípio geral da relatividade.</p> <p>Finalmente, a questão, mais epistemológica, da circularidade da definição dos sistemas inerciais foi longamente examinada. Fica claro, a partir deste exame, que esta circularidade é inevitável, inclusive no âmbito da teoria geral da relatividade. Não é possível determinar por meios puramente cinemáticos, isto é, por medidas espaço-temporais, se um sistema de referência é inercial ou livre de toda força externa. É preciso recorrer às forças, à dinâmica. Nestas condições, não é possível distinguir a questão da geometria do espaço-tempo daquela sobre a inercialidade dos sistemas de inércia locais (esta e aquela se determinam reciprocamente, uma vez que os sistemas de inércia locais são os espaçostempo tangenciais), o que torna difícil a redução da estrutura do espaço-tempo ao comportamento de barras e de relógios, mesmo mediante uma definição de congruência, como tinha defendido Reichenbach.</p> <p>Estes são problemas de filosofia, na medida em que, de um ponto de vista negativo, não encontramos solução para eles nas obras de física, mas também, e de um ponto de vista positivo desta vez, porque dizem respeito ao estatuto empírico e ontológico do espaço-tempo, à clarificação dos fundamentos das teorias físicas e à aceitabilidade de uma concepção estritamente empirista da ciência.</p> <p>O primeiro capítulo é uma introdução à terminologia utilizada nesta obra. É indispensável, com efeito, quando se faz filosofia, e sobretudo filosofia da ciência, definir tão bem quanto possível os termos utilizados, e construir o discurso de maneira rigorosa (se fosse preciso reter apenas uma lição de Carnap, seria esta). Os capítulos seguintes são consagrados à mecânica clássica, à relatividade restrita-e à teoria geral da relatividade.</p> <p>Este livro se dirige a filósofos da ciência, a historiadores da ciência e a cientistas, que tenham um conhecimento elementar de física clássica e relativista, de álgebra linear e de geometria diferencial: dada a natureza do tema, foi indispensável apresentar os aspectos essenciais das teorias examinadas em sua forma matemática. Todavia, a fim de facilitar a leitura, omiti quase todas as demonstrações, para me concentrar nos resultados, e indiquei o significado de todos os símbolos utilizados, conservando as notações-padrão entre os físicos, isto é, as utilizadas por Weinberg (1972). As datas entre parênteses após o nome de um autor fazem referência à bibliografia, nem sempre correspondendo ao ano da primeira edição. Meus comentários no interior das citações foram colocados entre colchetes.</p> <p>Este trabalho se insere no prolongamento de minha tese de doutorado intitulada Les conceptions absolutistes et relationnelles de l’espace-temps, defendida em março de 1982 no Instituto Superior de Filosofia da Universidade Católica de Louvain (UCL) (Louvain - laNeuve), cuja versão original foi premiada pela Academia Real de Ciências, Letras e Belas Artes da Bélgica, em maio de 1987. Trata-se aqui de uma versão reelaborada durante o ano de 1988, conservando o plano e as idéias centrais da versão original, mas levando em conta a literatura recente, do mesmo modo que críticas e observações que meus professores, colegas, alunos e amigos tiveram a gentileza de me comunicar."</p> <p>Michel Ghins</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147 <br />Primeira Edição, 1991</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático <br />1. Espaço e Tempo 115</p> <p> </p> <p>OBS: O autor mostra, através de um exame detalhado da mecânica clássica, do eletromagnetismo, da relatividade restrita e da relatividade geral, que as teorias dos empiristas lógicos, como Carnap e principalmente Reichenbach, adquirem sua plena inteligibilidade somente se for postulada a existência de uma entidade francamente metafísica, o espaço[1]tempo absoluto, casualmente responsável pelo aparecimento dos efeitos inerciais. Este livro dirige-se aos filósofos e historiadores da ciência, assim como aos físicos que tem interesse nos fundamentos de sua disciplina.</p> 2022-07-06T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1991 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/17 Aspectos da Descrição Física da Realidade 2022-07-07T14:34:14-03:00 Silvio Seno Chibene clepub@unicamp.br <p>“O conteúdo deste trabalho insere-se, a um só tempo, no debate filosófico acerca do realismo científico e nas investigações de certos problemas teóricos atinentes à microfísica. Destina-se, pois, a filósofos da ciência e a cientistas preocupados com os fundamentos da física. Em sua redação procurei tornar a discussão filosófica acessível a um público com formação exclusivamente científica e, de outro lado, apresentar as questões científicas de maneira razoavelmente compreensível a um filósofo da ciência de formação geral, definindo sistematicamente os termos mais técnicos e evitando complexidades não essenciais.</p> <p>Minha motivação central prende-se à insatisfação com muito daquilo que se afirma na literatura contemporânea a propósito da interação daquelas duas linhas de pesquisa. Constitui crença quase geral entre especialistas dos dois campos que as dificuldades teóricas e interpretativas que assolam as bases da física de algum modo repercutem negativamente sobre a tese do realismo científico. Apresento aqui as razões que me persuadiram, depois de acurado exame, de que semelhante opinião carece de sustentação segura.</p> <p>A consecução desse objetivo principal exigiu que descesse à análise direta da situação na microfísica, com o intuito de identificar, esclarecer e aprofundar os aspectos potencialmente relevantes para o problema. Na frente filosófica, afigurou-se-me imprescindível proceder, já de início, a uma elucidação dos conceitos e argumentos envolvidos na discussão sobre o realismo científico. Após percorrer os temas mais técnicos, retomo, no final, as questões filosóficas, agora em condições mais apropriadas para justificar meu distanciamento com relação à ortodoxia.</p> <p>O texto corresponde essencialmente ao da tese de doutorado que submeti ao Departamento de Filosofia da Unicamp em outubro de 1993. Apenas alguns aperfeiçoamentos de expressão e complementações bibliográficas foram introduzidos, além de ligeiras alterações em dois pontos isolados de interpretação histórica.”</p> <p> </p> <p>Silvio Seno Chibeni</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147 Primeira Edição, 1997</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Ciência - Filosofia 501</li> <li>Mecânica quântica 530.192</li> <li>Física — Filosofia 530.01</li> </ol> <p> </p> <p>OBS: No presente trabalho investigam-se certas restrições que resultados recentes da microfísica alegadamente impõem à crença realista objetiva, ainda quando inacessível à observação direta. Após uma análise da doutrina do realismo científico e dos principais argumentos para a incompletude da descrição quântica da realidade, empreende-se um exame detalhado dos referidos resultados de limitação. Argumenta-se no final que eles não comprometem o realismo científico propriamente dito, mas que não deixam de ter implicações filosóficas.</p> 2022-07-06T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1997 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/18 Espaço e Tempo 2022-07-07T15:00:32-03:00 Fátima Regina Rodrigues Évora clepub@unicamp.br <p>“Este livro é composto por artigos que foram originalmente produzidos para o VIII Colóquio de História da Ciência, dedicado ao tema “Espaço e tempo”, realizado pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência, CLE/UNICAMP, de 14 a 17 de outubro de 1993, em Águas de Lindóia.</p> <p>Organizados desde 1985, pelo Centro de Lógica - UNICAMP, os Colóquios CLE de História da Ciência têm por objetivo estimular a produção, divulgação e discussão de trabalhos de alto nível acadêmico sobre história da ciência.</p> <p>Tradicionalmente, nossos Colóquios de História da Ciência são temáticos, propiciando a discussão aprofundada dentro de um único tema geral com o qual todos os participantes estão familiarizados.</p> <p>O VIII Colóquio — ao contrário dos realizados nos anos anteriores, cujos temas se restringiam a um período limitado da história da ciência, ora dedicando-se à análise de alguns autores em particular (Newton, Descartes), ora a períodos propriamente ditos (Ciência Moderna, Ciência Grega, Ciência no Século das Luzes, Ciência Medieval e Ciência no Século XIX) — teve como tema geral a evolução dos conceitos de Espaço e Tempo e suas correspondentes teorias na história da ciência e da filosofia.</p> <p>Esta alteração, embora guardando ainda o espírito inicial de tematizar os Colóquios, deve-se ao fato de que praticamente todos os grandes períodos históricos já tinham sido analisados. Optamos então pela discussão de um tema ao longo da história da ciência e da filosofia.</p> <p>Pareceu-nos bastante pertinente a opção por este tema, já que as noções de espaço e tempo são centrais tanto na ciência quanto na filosofia, o que possibilita, sem dúvida, um tratamento do ponto de vista histórico extremamente interessante.</p> <p>Embora não pretendemos, neste Colóquio, nos prender a uma estrita ordem cronológica de discussão do desenvolvimento dos conceitos de espaço e tempo, tentamos, na medida do possível, cobrir todos os períodos históricos, analisando as diversas alterações conceituais relativas a espaço e tempo na história da ciência e da filosofia. No entanto, a estrutura do Colóquio priorizou um tratamento tópico, que procuramos reproduzir neste volume.</p> <p>A primeira parte deste livro será dedicada ao espaço e tempo na história da ciência e da filosofia. A segunda parte versará sobre o tempo na lógica e na filosofia analítica. Recentes análises científicas e filosóficas do espaço e tempo serão objeto da terceira e última parte.</p> <p>A primeira parte inicia com o artigo de Gilles-Gaston Granger, onde o autor discute se uma teoria pura do tempo devia ser comparável às geometrias, teorias puras do espaço. Segundo Granger, embora Kant tenha apresentado a aritmética como fazendo o papel de “ciência pura do tempo”, a própria Crítica da Razão Pura nos dá elementos para fundamentar a impossibilidade de uma teoria verdadeiramente pura do tempo. Assim, Granger examina se as lógicas temporais poderiam ser consideradas ciências puras do tempo, e mostra, a partir de exemplos, que nas ciências da <em>empirie</em> toda teoria do tempo está necessariamente ligada aos conteúdos dos objetos.</p> <p>Michel Paty, no Capítulo 2, argumenta que o espaço-tempo da teoria da relatividade é uma construção conceitual formulada para dar conta de uma certa ordem de fenômenos físicos. Com a teoria da relatividade restrita, o tempo é colocado na dependência das leis gerais dos fenômenos estudados pela mecânica e pelo eletromagnetismo: é constituído como grandeza física de modo que sejam respeitados o princípio da relatividade da mecânica e a constância da velocidade da luz independentemente do movimento da fonte luminosa, lei fundamental do eletromagnetismo. O espaço_tempo assim construído ligaria de maneira indissociável as coordenadas espaciais e o tempo, sob o signo de uma causalidade que exclui as ações instantâneas; permanece sendo, porém, o cenário [cadre] inalterável dos objetos e dos fenômenos físicos, que sobre ele não influem. Quanto à teoria da relatividade geral, modifica a significação física do espaço e do tempo, transformando-os em simples coordenadas em uma variedade deformável, o espaço_tempo, cuja estrutura não mais é dada pelas distâncias euclidianas dos corpos rígidos e pelos relógios invariáveis, mas pela forma do campo de gravitação. A partir dessa nova construção, o espaço_tempo não é mais concebido como um cenário independente dos fenômenos e que os condiciona, passando a ser, ao contrário, de_terminado por eles. A cosmologia moderna destaca esse ponto, mostrando como o tempo (e, com ele, o espaço-tempo) tem o seu: significado físico determinado em cada etapa da evolução do Uni_verso pelas leis que regem o estado da matéria nas condições da época.</p> <p>Em “A existência do espaço-tempo segundo Leonhard Euler” Michel Ghins, mostra que Euler parte da verdade do primeiro Axioma de Newton (a Lei da Inércia) para argumentar a favor da realidade do espaço-tempo como continuum de pontos (plenum) munido de uma relação de paralelismo e de uma relação de congruência espacial e temporal. O autor mostra que a argumentação de Euler, além de poderosa é surpreendentemente moderna.</p> <p>No Capítulo 4, Rachel Gazolla de Andrade discute a noção: de tempo para os estoicos antigos, mostrando que a ontologia estoica tem seu solo na noção de corpóreo exposta na Física, seres que agem e padecem. A autora argumenta que os incorpóreos, do qual o tempo, o lugar, o vazio e o exprimível (lektón) fazem parte, têm um estatuto que se desprega da ontologia, mas se expressa a partir dela. As implicações de tal estatuto tem, segundo a autora, grandes consequências no pensamento ético-político da escola.</p> <p>Em Philoponos e Avempace: a origem do argumento galileano sobre o vazio (Capítulo 5) analisa-se as origens do argumento galileano com respeito à possibilidade do vazio e do movimento com velocidade finita no vazio, tentando estabelecer se, como alguns historiadores da ciência acreditam, Galileo seguiu a tradição que começa com Philoponos de Alexandria (Século VI) e com o árabe espanhol Avempace (1106-1138), onde se pensava que a velocidade de um corpo em movimento fosse determinada pela diferença — e não pela razão, como propunha Aristóteles — entre o peso do corpo e a resistência do meio através do qual ele se move, o que torna o movimento no vazio não absurdo.</p> <p>Três artigos, (Cap. 6, 7 e 8) compõem a segunda parte deste livro, dedicada ao estudo do tempo na lógica e na filosofia analítica. O Capítulo 6, de autoria de Newton da Costa, Otávio Bueno e Antônio Coelho apresenta uma estrutura matemática (na acepção de P. Suppes) para o tempo físico, no mesmo sentido que uma axiomatização para a geometria pura constitui uma estrutura para "o espaço da física clássica. Para os autores, partindo-se de propriedades topológicas, o tempo físico (idealizado) é construído matematicamente com o auxílio de uma álgebra básica de durações. Deste modo, as idealizações e os pressupostos básicos envolvidos em tal construção pode ser claramente explicitados. Embora semelhante construção tenha sido elaborada a partir de uma posição filosófica inteiramente distinta daquelas adotadas por A.N. Whitehead, B. Russell e R. Carnap, ela se encontra, segundo da Costa, Bueno e Coelho, inspirada largamente nos trabalhos destes autores. A este respeito cumpre notar que, em analogia a uma distinção familiar entre filosofia da matemática e fundamentos da matemática, tal construção proporciona uma contribuição para os funda_mentos do tempo, e não (exceto indiretamente) para sua filosofia.</p> <p>No Capítulo 7, José Oscar de Almeida Marques apresenta como questão específica de seu trabalho, o papel do espaço e do tempo na ontologia do Tractatus. Marques pretende examinar em que medida eles participam da estrutura última do mundo, e como se relacionam com os famosos “objetos” que, segundo Wittgenstein, são os elementos simples cujas combinações constituem a realidade.</p> <p>No Capítulo 8, Claudio Pizzi apresenta um estudo sobre a não aceitação da auto evidência da proposição de Aristóteles, relativa à não possibilidade da existência de um período de tempo de comprimento não especificado, durante o qual nenhuma mudança OCOTTA. À terceira parte, dedicada a recentes analises científicas e filosóficas do espaço e do tempo inicia com o artigo de Newton Bernardes (Capítulo 9), onde o autor analisa os pontos críticos do conflito ideológico que separa os físicos diante da interpretação da física atômica experimental no século XX. São contrapostos os pontos de vista da complementaridade de Niels Bohr e do realismo de Einstein. Silvio Chibeni, no artigo “A microfísica e a não-localidade” (Capítulo 10), discute o vigoroso e influente ataque de 1935 de Einstein, Podolsky e Rosen (EPR) à tese, já então dominante, de que a descrição física da realidade fornecida pela mecânica quântica é completa. O argumento de EPR depende crucialmente da assunção de que, em um instante de tempo, os objetos físicos são in_dependentes uns dos outros, desde que estejam separados espacialmente. Neste artigo Chibeni descreve sucintamente o modo pelo qual essa hipótese de localidade intervém no argumento de EPR, e os desenvolvimentos subsequentes que, ironicamente, vieram a mostrar que qualquer tentativa de complementação da descrição quântica da realidade tem de envolver a sua violação.</p> <p>No Capítulo 11, Osvaldo Pessoa Jr. investiga a natureza do tempo na Física Quântica restrita a poucos corpos e a domínios não-relativísticos. Dois problemas são explorados. Primeiro, a questão concernente à inexistência de um operador auto adjunto de tempo, apesar da duração temporal ser observável através dos mesmos procedimentos usados para as outras variáveis dinâmicas. Examinam-se a história da relação de indeterminação de tempo e energia, e das tentativas de definir tal operador de tempo, que levam à problemática definição de autoestudos não-ortogonais de tempo. A segunda questão explorada é a noção de superposição de estados temporais, que pode ser interpretada como eventos sem instante de ocorrência bem definido. Algumas críticas a esta interpretação são mencionadas, mas ela é defendida tendo em vista um recente experimento de interferência proposto por Franson. Em um Apêndice, apresenta-se uma curta introdução ao formalismo da Mecânica Quântica.</p> <p>Em <em>Por quê auto-organização</em>? (Capítulo 12), Jairo José da Silva apresenta o paradigma da auto-organização como uma forma de recuperar a potência criadora do tempo real no contexto das ciências naturais.</p> <p>No Capítulo 13, Alfredo Pereira Jr. e Maria Eunice Gonzales, estudam o conceito de Informação e algumas de suas relações com os conceitos de Organização e Linguagem. -Discutem inicial_mente o conceito antropomórfico de informação, de senso comum, e o comparam com o conceito científico, em especial no contexto da Biologia Molecular. Examinam em seguida os nexos conceituais entre Informação e Organização, propondo que os processos informacionais poderiam ser entendidos como uma “causalidade de segunda ordem”, sobreposta à causalidade física ordinária, através da qual um padrão informacional se transmite da organização de um sistema para a organização de outro sistema. Em seguida, estudam os processos informacionais que se realizam através da linguagem, distinguindo entre os processos informacionais não-linguísticos, linguísticos não-simbólicos e linguísticos simbólicos, o que conduz os autores, finalmente, a uma clarificação dos diferentes tipos de representação da informação.</p> <p>No Capítulo 14, Alfredo Pereira Jr. faz uma caracterização sumária dos processos auto-organizados, discutindo se o comportamento espacial e temporal dos seres vivos poderia ser considera_do como auto-organizado. Tal questão se desdobra em três níveis de análise: o ontogenético, relativo à história individual de um ser vivo; O filogenético, relativo a uma linhagem evolutiva; e o ecossistêmico, relativo às interações entre as populações de várias espécies em um dado ecossistema.”</p> <p> </p> <p>Fátima R. R. Évora</p> <p> </p> <p>ISSN:0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1995</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <p>1.Espaço e tempo 115</p> <p>2.Ciência - História 509</p> <p> </p> <p>OBS: Este livro é composto por artigos que foram originalmente produzidos para o VIII Colóquio de História da Ciência, dedicado ao tema “Espaço e Tempo”, realizado pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE/Unicamp), em outubro de 1993, em Águas de Lindóia-SP. O tema geral deste livro é a evolução dos conceitos de Espaço e Tempo e suas correspondentes teorias na história da ciência e da filosofia.</p> 2022-07-06T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1995 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/13 Cálculo Proposicional 2022-07-05T11:15:48-03:00 Francisco Miraglia clepub@unicamp.br <p>Estas notas são o resultado de um curso ministrado pelo autor durante o V Encontro Brasileiro de Lógica realizado em Fortaleza, em dezembro de 1982. A encomenda original foi um curso introdutório de Lógica. Claro que existem muitas opções, e a minha escolha foi tentar mostrar àqueles que iniciam seu treinamento em Lógica (que deveriam ser a maioria da plateia) como pegar a matéria prima, que é o raciocínio proposicional, e matematizá-lo até obter algum resultado mais significativo - no caso, os teoremas de completude para o cálculo clássico e para a formalização, devida a Heyting, da parte proposicional do Intuicionismo. No caminho, discutimos brevemente: reticulados, álgebras de Boole e de Heyting, enfim, o aparato matemático necessário para “algebrizar” os cálculos proposicionais. Nada aqui é discutido à exaustão ou é novo: a ideia é motivar o leitor a buscar mais. Há, por outro lado, indicação clara da interação da Lógica, com a Álgebra e a Topologia.</p> <p>A parte menos matemática e, provavelmente, mais polêmica e pessoal, é o Capítulo I, particularmente a discussão da implicação. Trata-se de uma tentativa de dar ao leitor uma interpretação da implicação que norteie seu uso clássico e intuicionista.</p> <p>Uma palavra sobre a bibliografia: longe de exaustiva, ela indica, apenas, algumas portas de entrada para o aprofundamento do estudo por parte do leitor interessado. Para o cálculo de predicados, alguma teoria dos modelos e teoria da recursão básica há [S] e [K1]; para a teoria dos modelos clássica, [CK]; para a teoria dos reticulados, [B D]; e para pontos de vista parecidos com o usado aqui temos [RS] e [RJ]. O livro de Fitting, [F], fornece uma alternativa (modelos de Kripke) para a semântica proposicional que utilizamos nestas notas.</p> <p>CENTRO DE LÓGICA, EPISTEMOLOGIA E HISTÓRIA DA CIÊNCIA - CAMPINAS - SÃO PAULO - 1987</p> <p> </p> <p>OBS: Este primeiro volume da Coleção CLE apresenta um texto, em português, de Introdução à Lógica. Francisco Miraglia salienta como o Cálculo Proposicional tem enlace com métodos algébricos. Discute as estruturas de reticulados, álgebras de Boole e de Heyting, da parte proposicional do intuicionismo.</p> 2022-07-05T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1987 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/12 A Revolução Copernicana-Galileana 2022-06-29T10:21:05-03:00 Fátima Regina Rodrigues Évora clepub@unicamp.br <p>"Um erro que tem influenciado muitos historiadores da ciência é a noção de que a ciência natural começou no século XVII, com a revolução galileana-cartesiana, ou talvez no século XVI, coma revolução copernicana: os gregos não passariam de especuladores: e: todos os pensadores medievais teriam se inspirado na teologia e na superstição.</p> <p>Eu, por outro lado, acredito que a ciência natural foi se desenvolvendo desde a antiguidade e que a ciência moderna como diz Alexandre Koyré, “não brotou perfeita e completa, qual Atenas dá cabeça de Zeus, dos cérebros de Galileo e Descartes. Ao contrário, a revolução galileana-cartesiana — que permanece apesar de tudo uma revolução — tinha sido preparada por longo esforço de pensamento”.</p> <p>Assim sendo, para compreender a origem, o alcance e a significação da revolução copernicana-galileana e a sua inserção no pensamento cientifico-filosófico antigo e medieval deve-se analisar, ainda que rapidamente, a “ciência pré-galileana, sobretudo aquela desenvolvida por Aristóteles e o “pensamento cosmológico de Platão e seus discípulos, cujo espírito de simplicidade e harmonia influenciaram fortemente o pensamento de Copérnico e Galileo.</p> <p>As ideias cosmológicas de Aristóteles, ou seja, suas ideias sobre a real estrutura do Universo, assim como sua teoria da substância e os seus princípios fundamentais da explicação científica, dominaram o pensamento europeu até as primeiras décadas do século XVII. Suas opiniões tiveram uma grande influência e constituíram o ponto de partida para a maior parte do pensamento cosmológico medieval e grande parte do renascentista.</p> <p>Platão, por outro lado, embora sem dar uma substancial contribuição a astronomia, influenciou vários astrônomos da antiguidade, como Eudoxos, Galiipos, Heráclides de Pontos, e até mesmo Aristóteles; e alguns medievais “e renascentistas, como Copérnico e Galileo, entre outros.</p> <p>Não espero fazer, na presente edição, uma discussão detalhada de cada ponto da ciência antiga e medieval, mas antes traçar em linhas gerais o universo científico e filosófico no qual Copérnico e Galileo estavam inseridos ao elaborarem suas teorias. Começando com a análise das primeiras teorias. astronômicas gregas.</p> <p>Além da reflexão sobre a física e cosmologia aristotélica, e sobre o pensamento cosmológico de Platão e seus discípulos, serão analisados os notáveis sistemas cósmicos propostos pelos primeiros a acreditarem em algum tipo de movimento da Terra, tais como Philolau, o pitagórico; Heráclides de Pontos e Aristarchos de Samos. Serão ainda discutidos alguns pontos do sistema de Ptolomeu, em especial aqueles que serão alvo da crítica copernicana.</p> <p>Também os trabalhos de alguns medievais como os de Philoponos; dos árabes, Avicena, Avempace e Averrões; e dos membros da escola nominalista de Paris, tais como Jean Buridan e Nicolas Oresme, deverão ser analisados, já que terão um papel decisivo na crítica escolástica que tem lugar nos séculos que precedem a revolução copernicana. Em seguida será discutida a revolução copernicana, sua motivação e teses principais.</p> <p>Finalmente será feita a análise historiográfica da ciência de Galileo. A leitura histórica será feita informada por estudos epistemológicos, notadamente os de Paul K. Feyerabend.</p> <p>Dois aspectos da ciência de Galileo serão discutidos mais detalhadamente, a saber: o seu trabalho telescópico (contexto da descoberta e contexto da justificação, e as observações astronômicas de Galileo) e as novas ideias introduzidas por Galileo (lei da inércia circular, nova mecânica e o princípio da relatividade galileana) a fim de sustentar as suas respostas às objeções aristotélicas ao movimento da Terra. A discussão deste segundo aspecto estará associada à reconstrução dos argumentos mecânicos de Galileo em favor da “mobilidade da Terra, inserindo-os na discussão medieval em torno da possibilidade do movimento da Terra.</p> <p>A fim de completar a análise da inserção da revolução copernicana-galileana na história do pensamento científico-filosófico antigo e medieval se faz necessária uma reflexão sobre alguns aspectos das teorias ópticas desenvolvidas por Alhazem, Witelo, Robert Grosseteste, John Peckham, Roger Bacon, Giovanni Battista della Porta e finalmente Johannes Kepler, que poderiam ter servido de bases teóricas para a construção do telescópio e justificação do seu uso.</p> <p>Foi difícil não ceder aos impulsos de introduzir nesta discussão a análise dos trabalhos astronômicos de Kepler, fundamentais para a constituição da nova concepção heliocêntrica da astronomia. Porém, como esta introdução estenderia em demasia a presente obra, optei, então, por fixar a minha análise na revolução copernicana-galileana deixando para implementar, em outra ocasião, uma reflexão mais cuidadosa aos trabalhos de Kepler."</p> <p>Fátima Regina Rodrigues Évora</p> <p> </p> <p>ISSN: 0108-3147<br />Primeira Edição (1988)</p> <p> </p> <p>Índices para catálogo sistemático:<br />1: Astronomia : História 520.9<br />2. Mecânica : História 531.09.<br />3. Óptica: História 535.09</p> <p> </p> <p>Obs. Para compreender a origem, o alcance e a significação da revolução copernicana-galileana e a sua inserção no pensamento científico filosófico antigo e medieval deve-se analisar, ainda que rapidamente, a ciência pré-galileana, sobretudo aquela desenvolvida por Aristóteles e o pensamento cosmológico de Platão e seus discípulos, cujo espírito de simplicidade e harmonia influenciaram fortemente o pensamento de Copérnico e Galileo.</p> 2022-06-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1988 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/10 A Revolução Copernicana-Galileana 2022-06-23T11:09:07-03:00 Fátima Regina Rodrigues Évora clepub@unicamp.br <p>"Um erro que tem influenciado muitos historiadores da ciência é a noção de que a ciência natural começou no século XVII, com a revolução galileano-cartesiana, outalvez no século XVI, com a revolução copernicana: os gregos não passariam de especuladores e todos os pensadores medievais teriam se inspirado na teologia e na superstição. <br />Eu, por outro lado, acredito que a ciência natural foi se desenvolvendo desde a antigiiidade e que a ciência moderna, como diz Alexandre Koyré, “não brotou perfeita e completa, qual Atenas da cabeça de Zeus, dos cérebros de Galileo e Descartes. -Ao contrário, a revolução galileanocartesiana — que permanece apesar de tudo uma revolução tinha sido preparada por longo esforço de pensamento! Assim sendo, para compreender a origem, o alcance e a significação da revolução copernicano-gálileana e a sua inserção no pensamento, científico-filosófico antigo e medieval deve-se analisar, ainda que. rapidamente, a ciência prégalileana, sobretudo aquela desenvolvida por Aristóteles e o pensamento cosmológico de Platão e seus discípulos, cujo espírito de simplicidade e harmonia influenciaram fortemente o pensamento de Copérnico e Galileo. <br />As idéias cosmológicas de Aristóteles, ou seja, suas idéias sobre a real estrutura do: Universo, assim como sua teoria da substância e os seus princípios fundamentais da explicação científica, dominaram o pensamento europeu até as primeiras décadas do século XVII. Suas opiniões tiveram uma grande influência e constituíram o ponto de partida para a maior parte do pensamento cosmológico medieval e grande parte do renascentista. <br />Platão, por outro lado, embora sem dar uma substancial contribuição à astronomia, influenciou vários astrônomos da antigiiidade, como Eudoxos, Callipos, Ileráclides de Pontos, e até mesmo Aristóteles; e alguns medievais e renascentistas, como Copérnico e Gálileo, entre outros.<br />Não espero fazer, na presente edição, uma discussão detalhada de cada ponto da ciência antiga e medieval, mas antes traçar em linhas gerais o universo científico e filosófico no qual Copérnico e Galileo estavam inseridos ao elaborarem suas teorias, começando com-a análise das primeiras teorias astronômicas gregas.<br />Além da reflexão sobre física a e cosmologia aristotélica, e sobre o pensamento cosmológico de Platão e seus discípulos, serão analisados os notáveis sistemas cósmicos propostos pelos primeiros a acreditarem em algum tipo de movimento da Terra, tais como Philolau, o pitagórico; Heráclides de Pontos; e Aristarchos de Samos. Serão ainda discutidos alguns pontos do sistema de Ptolomeu, em especial aqueles que foram alvo da crítica copernicana.<br />Também serão analisados os trabalhos de alguns medievais como os de Philoponos de Alexandria; dos árabes, Avicenna, Avempace e Averrões; e dos membros da escola nominalista deParis, tais como Jean Buridan e Nicolas Oresme, que tiveram um papel decisivo na crítica escolástica que teve lugar nos séculos que precederam a revolução coperiicana. Em seguida será discutida a revolução copernicana, sua motivação e teses principais.<br />No segundo volume será feita a análise historiográfica “da ciência de Galileo: A leitura histórica será informada por estudos epistemológicos, notadamente os de Paul K. “Feyerabend. Dois aspectos da ciência de Galileo serão discutidos mais detalhadamente, a saber: o.seu trabalho telescópico (contexto da descoberta e contexto da justificação, e as observações astronômicas de Galileo) e as novas idéias:introduzidas por Galileo (o princípio de inércia circular, nova mecânica eo princípio da relatividade galileana) a fim de sustentar as suas respostas às objeções aristotélicas ao movimento da Terra. A-discussão deste segundo aspecto. estará associada à reconstrução dôs argumentos mecânicos de Galileo a favor da mobilidade da Terra, inserindo-os na discussão medieval 'em torno da possibilidade do: movimento da Terra. <br />A fim de completar a análise da inserção da revolução copernicano-galileana na história do' pensamento científico filosófico antigo e medieval-faz-se necessária uma reflexão sobre alguns aspectos das teorias ópticas desenvolvidas por Alhazen, Witelo, Robert' Grosseteste, John: Peckham, Roger Bacon, “Giovanni Battista della Porta" e finalmente Johannes Kepler, que poderiam ter servido de basês teóricas para a construção do telescópio e justificação do seu uso. <br />Prefácio à Segunda Edição <br />Esta corresponde à segunda edição, revisada e ligeiramente ampliada, do volume 2 do livro A Revolução Copernicano-Galileana, publicado pela primeira vez em 1988, pela Coleção CLE. Assim como na segunda edição do primeiro volume, não me deixei sucumbir à tentação de implementar nesta edição reflexões adicionais. Elas serão objeto de um outro livro a“que ora me dedico intitulado A Evolução do Conceito de Inércia de Philoponos e Galileo.<br />Apenas motivada por princípios editoriais e visando maior clareza ao leitor, foram introduzidas nesta edição algumas notas. Houve também uma reordenação dos capítulos, não tendo havido nenhuma alteração significativa de conteúdo."</p> <p>Fátima Regina Rodrigues Évora</p> <p> </p> <p>ISSN:0108-3147<br />Primeira Edição (1989) Segunda Edição, Volume 4 - Coleção CLE (1994)</p> <p>Índices para catálogo sistemático: <br />1: Astronomia : História 520.9 <br />2. Mecânica : História 531.09. <br />3. Óptica: História 535.09</p> <p> </p> <p>Obs. Este primeiro volume da Coleção CLE apresenta um texto, em português, de Introdução à Lógica. Francisco Miraglia salienta como o Cálculo Proposicional tem enlace com métodos algébricos. Discute as estruturas de reticulados, álgebras de Boole e de Heyting, da parte proposicional do intuicionismo. </p> 2022-06-23T00:00:00-03:00 Copyright (c) 1989 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/8 Big Data: Implicações Epistemológicas e Éticas 2021-12-17T16:02:32-03:00 Edna Alves de Souza clepub@unicamp.br Mariana Claudia Broens clepub@unicamp.br Maria Eunici Quilici Gonzalez clepub@unicamp.br <p>Prefácio</p> <p>Com satisfação escrevo o Prefácio desta coletânea, Big Data: Implicações Epistemológicas e Éticas, organizada por Edna Alves de Souza, Mariana Claudia Broens e Maria Eunice Quilici Gonzalez.</p> <p>O livro corresponde à primeira parte das Atas do “XII Encontro Brasileiro Internacional de Ciência Cognitiva - EBICC”, promovido pela Sociedade Brasileira de Ciência Cognitiva, pelo Departamento de Filosofia e Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UNESP e pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência – CLE da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. O evento, coordenado pela Profa. Maria Eunice Quilici Gonzalez, foi realizado na Universidade Estadual de Campinas - Unicamp, durante o período de 19 a 21 de setembro de 2019.</p> <p>O primeiro EBICC foi realizado no início dos anos 1990, no Departamento de Filosofia da UNESP, Campus Marília. Desde então, os<br />encontros têm sido realizados com regularidade e sob perspectiva interdisciplinar, sempre sobre temas relativos aos impactos da tecnologia na sociedade, de grande interesse para a comunidade acadêmica e para a sociedade em geral. E diversos volumes, de qualidade acadêmica, têm sido publicados com os trabalhos apresentados nos eventos.</p> <p>Este EBICC, em particular, constituiu parte das atividades do projeto internacional Understanding opinion and language dynamics using massive data, financiado no Brasil pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP e coordenado pela Prof. Maria Eunice Quilici Gonzalez, tendo sido selecionado em 2017 pela chamada Trans-Atlantic Platform – Digging into data challange. Esse projeto resultou, em grande parte, de pesquisas de longa duração sobre a dinâmica dos processos de auto-organização e informação em sistemas complexos, que vêm sendo desenvolvidas desde 1986 pelos membros do Grupo Interdisciplinar CLE-Auto-Organização do Centro de Lógica da Unicamp e, posteriormente, também pelos membros do GAEC – Grupo Acadêmico de Estudos Cognitivos da UNESP, Campus Marília.</p> <p>O objetivo central do Encontro consistiu em propiciar aos participantes diversas perspectivas da influência das Tecnologias da<br />Informação e Comunicação na dinâmica de opinião e da linguagem, com a discussão de problemas que vêm gerando grandes impactos em hábitos cognitivos e sociais de longa duração ainda não claramente delineados.</p> <p>O evento foi precedido, entre 16 e 18 de setembro, pelo Worshop de Sistemas Complexos e Big-Data: Implicações Éticas para a Cognição Auto-Organizada, sob a coordenação da Profa. Mariana Claudia Broens. O Workshop foi realizado no CLE e o EBICC, propriamente dito, na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação – FEEC da Unicamp.</p> <p>Tanto o Workshop, como o Encontro, de excelente qualidade acadêmica, superaram as expectativas, tendo reunido estudantes de<br />diversas universidades brasileiras e pesquisadores convidados do Brasil e de instituições estrangeiras, de áreas diversas do conhecimento, com destaque para a filosofia, lógica, linguística, computação, direito, sociologia, ciência da informação e dos sistemas complexos, entre outras.</p> <p>As conferências plenárias, as mesas redondas e as comunicações, em geral instigantes e propositivas, versaram sobre os Big Data e questões éticas, epistemológicas e políticas, e suas implicações epistemológicas, éticas, políticas, estéticas, educacionais, técnicas e semióticas, além de questões relativas à aprendizagem de máquina, complexidade e emergência.</p> <p>Os 12 capítulos desta coletânea, uma publicação conjunta da Editora Filoczar e da COLEÇÃO CLE - coleção de livros publicada pelo Centro de Lógica -, refletem a qualidade das apresentações, das propostas e das discussões propiciadas durante o evento.</p> <p>Cumprimento as organizadoras do volume e agradeço a elas, mais uma vez e em nome da comunidade filosófico-científica brasileira,<br />pelo exemplar e incansável trabalho que realizam pela formação de nossos jovens, pela educação e pela universidade brasileira.</p> <p><br /> Campinas, 07 de novembro de 2020.<br /> Itala M. Loffredo D’Ottaviano</p> <p> </p> 2021-12-17T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/7 O Paradigma da Complexidade e a Ética Informacional 2020-12-11T14:59:36-03:00 João Antônio de Moraes moraesunesp@yahoo.com.br <p><strong>Resumo:</strong> "Como diferentes teorias caracterizam a informação? Qual é a relevância ética dos fenômenos informacionais contemporâneos? Como o paradigma da complexidade pode contribuir para compreender fenômenos informacionais? Em que consiste a Ética da Informação e como tal ética pode lidar com problemas emergentes das novas tecnologias da informação e da comunicação? Estas são algumas das questões tratadas no livro O Paradigma da Complexidade e a Ética Informacional de João Antonio de Moraes. Esta obra marca a trajetória acadêmica do autor, voltada desde cedo a pesquisas em torno ao conceito de informação, na esteira de pioneiros na área como Maria Eunice Quilici Gonzalez, de quem foi orientando em sua iniciação científica e Mestrado na UNESP, Fred Adams, que supervisionou seu estágio na Universidade de Delaware, EUA, e Rafael Capurro, que o acolheu para realizar parte de sua pesquisa de doutorado na Escola Superior de Mídias de Stuttgart, Alemanha, o qual foi defendido sob a orientação de Itala Loffredo D’Ottaviano, na UNICAMP. De forma acessível, mas sem comprometer a profundidade de suas análises, o autor apresenta criticamente algumas das principais concepções teóricas que buscam elucidar a natureza ontológica da informação e o impacto ético resultante do uso generalizado das novas tecnologias informacionais. Em especial, o autor se volta a tratar de problemas relacionados ao direito à privacidade e à “posse de informação”, problemas estes resultantes de políticas de coleta e uso de informação armazenada por provedores de serviços na rede internet, cujos objetivos e consequências são opacos para a maioria dos usuários de tais serviços. Dada sua natureza filosófica, o autor não se compromete a fornecer respostas às questões de que trata. Mas ele se compromete a auxiliar seus leitores a compreender a complexidade dessas questões e das possíveis consequências éticas que a utilização, muitas vezes abusiva e descontrolada, das tecnologias de informação e comunicação pode acarretar. Esse compromisso do autor, simultaneamente ético e epistêmico, se exprime em cada página desta obra."</p> <p><strong>Abstract :</strong> “In this book we analyze the thesis according to which the Paradigm of Complexity, illustrated with the Complex Systems Theory and Self-Organization can contribute to the problems of Information Ethics. We understand Complex Systems Theory and Self-Organization provide a method for interdisciplinary investigation and a theoretical framework, which includes various informational dimensions in the study of events, situations or objects, among them some problems of Information Ethics. This is a branch of Philosophy of Information which has been gaining strength in recent years and, although there is no final definition, it is conceived as an area which reflects over moral challenges arising from the impact of insertion of information technology in our daily lives. Since various scholars have attempted to discover fundamental parameters that delimit borders in this new area of philosophical interdisciplinary investigation, we need to limit our scope, so we focus on Luciano Floridi’s Information Ethics. We believe these contributions can help characterize Information Ethics and its problems, collaborating with the understanding of new branches of philosophical research in the information society.”</p> 2020-12-11T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2020 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/5 Multilinguismo no Mundo Digital: Trajetórias Iniciais 2020-06-29T15:25:41-03:00 Claudia Marinho Wanderley cmwanderley@gmail.com <div class="item abstract"> <div class="value"> <p>Ver este livro pronto me alegra. Porque ele fala do início de um processo que já soma quase dez anos de projetos, acertos e erros ligados ao tema. Instalada no interesse da pesquisa científica e guiada pela curiosidade e boa dose de teimosia atravessei – praticamente sem perceber - várias questões<br><br>ligadas ao modo tradicional da divisão do trabalho intelectual no Brasil, e neste período trabalhei por três diferentes centros de pesquisa da UNICAMP, onde desenvolvi habilidades e conhecimentos importantes para minha trajetória intelectual e para a compreensão do tema.</p> <p>Apresento portanto o início minha trajetória inicial sobre o tema Multilinguismo no Mundo Digital, que parte de uma educação superior em letras, linguística e linguística computacional. E como questões ligadas a noções de linguagem, língua, proficiência, território, estado, tecnologia, democracia, etc. foram se deslocando, na medida em que a discussão e os trabalhos avançaram. Hoje, estes textos me parecem importantes porque mostram justamente a parte inicial da trajetória que percorri da teoria da linguagem para a filosofia temática e uma discussão a respeito de sistemas complexos e auto-organização. É preciso deixar claro que só foi possível sob o signo inequívoco das novas tecnologias e do que essa estranha novidade pode nos fazer pensar em relação às línguas, culturas e aos nossos interesses como acadêmicos e como seres humanos.<br><br>As diferenças culturais e linguísticas no Brasil não se referem apenas a nossa relação com as etnias ameríndias, ou com as populações africanas escravizadas, ou com os imigrantes, esses outros nem sempre visíveis mas evidentes na nossa história. Ao pensar estas pluralidade de línguas e culturas [são estimadas aproximadamente sete mil línguas vivas no mundo hoje 2016] as relações se abrem em leque na direção de diversas comunidades que passam por situações semelhantes às que vivemos.</p> <p>Meu maior aprendizado vem sendo pensar modos de promover intercâmbio de línguas e culturas visando o bem comum, de maneira solidária com diferentes sociedades e na nossa própria sociedade. Ao me posicionar como pesquisadora, as diferenças linguísticas e culturais certamente estão presentes nas tradições e culturas acadêmicas de cada país. E trabalhar com Wanderley, Cláudia. Multilinguismo no Mundo Digital. Edição Especial Comemorativa, pp. 7-132, 2016.8 Multilinguismo no Mundo Digital esta temática e com quem pensa questões análogas implica necessariamente em aprender a trabalhar dentro deste cenário ou ao menos a considerá-lo.</p> <p>Este livro, é uma bela pista de que é possível trabalhar bem em rede, na universidade brasileira, em São Paulo, e particularmente na Unicamp. Eaqui agradeço ao Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência por ter dado uma casa para este tema, que me é tão caro. O CLE potencializou e<br><br>expandiu a dinâmica de interlocução e os modos de entender os fenômenos através da filosofia temática. Especialmente em 2016, a luz do primeiro<br><br>acordo da Unicamp com o povo Paiter Suruí, é preciso salientar a potêncialidade desta temática. Agradeço também a boa vontade e disposição pessoal da Profa. Itala D'Ottaviano e do Prof. Walter Carnielli, pela amizade e apoio sem o qual nada disso seria possível. Agradeço também pelo ambiente<br><br>acolhedor do CLE (quem trabalha com pesquisa sabe a diferença que isto faz) no qual encontrei a possibilidade dar andamento aos meus interesses de<br><br>pesquisa ligados ao Multilinguismo. E sobretudo aos queridos colegas e interlocutores que trocam comigo há aproximadamente dez anos, ideias, sentimentos e utopias.</p> </div> </div> <div class="item chapters"> <h3 class="pkp_screen_reader">Capítulos</h3> <ul> <li> <div class="title">Multilinguismo no Mundo Digital: Trajetórias Iniciais</div> </li> </ul> </div> 2020-06-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2020 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/3 Wittgenstein in/on translation 2020-06-29T13:43:24-03:00 Paulo Oliveira logica@cle.unicamp.br Alois Pichler logica@cle.unicamp.br Arley Moreno clepub@unicamp.br <div class="item abstract"> <h3 class="label">Sinopse</h3> <div class="value"> <p><strong>ISBN</strong> 978-85-86497-40-7 / 978-85-86497-42-1 (e-book), CLE/Unicamp, 1<sup>a. </sup>Edição (2019) </p> <p>One of the main sources of contemporary analytic philosophy, the work of Austrian-British philosopher Ludwig Wittgenstein impacted neighboring fields not only in philosophy but also in areas like semiotics, linguistics, education and translation studies, even though such influence is not always clearly visible or explicitly recognized – especially where this happened indirectly. Coming from these different areas, the contributors to this volume share a large experience of reading Wittgenstein – through their own research interests – and, to a great extent, also in dealing with translational questions. The topic <em>translation</em> serves them here as a common theme to be addressed from their particular perspectives, with sometimes complementary, sometimes conflicting results.</p> <p>The <em>Wittgenstein in translation</em> variant involves analyzing translations of the Wittgensteinian body of work now available in several languages, by the criteria that guided the process. It also involves taking up the texts translated or revised by the author himself, which are of a signicant number in his <em>Nachlass</em>, whose electronic version is available online from the Wittgenstein Archives of the University of Bergen/Norway, host of the 2017 meeting that gave rise to this volume. Also guiding the <em>Wittgenstein on translation</em> variant is the philosopher’s perspective(s) on what translation is and how language works. What does ‘translating’ mean? Does it depend on how we conceive language itself? What Wittgensteinian concepts can be mobilized for a better understanding of the notion and practice of translating in different fields of application? These are some of the questions tackled here.</p> <p>This book is an effort not only in international cooperation, but also in intercultural communication. It is written in English, which – as <em>lingua franca</em> – is the mother tongue of none of the contributors. It is also a result of long-term exchanges between Brazilian researchers and their European (and Latin-American) fellows, spread over many countries, but gathered around the common interest in Wittgenstein’s philosophy. Arley Ramos Moreno, one of the guest editors, left us before the book was finished – an additional reason for us to remember the <em>Wittgenstein Colloquia</em> he organized for many years at Unicamp, gathering many of the leading voices in the field in both sides of the Atlantic, their results being usually published by <em>Coleção CLE</em>. This book, which we in a way dedicate to him, is certainly in line with that tradition.</p> <p><strong>Paulo Oliveira </strong>- CEL/Unicamp, member of the CNPq research group <em>Philosophy of Language and Knowledge</em></p> </div> </div> <div class="item chapters"> <h3 class="pkp_screen_reader">Capítulos</h3> <ul> <li> <div class="title">Wittgenstein in/on translation</div> </li> </ul> </div> 2020-02-07T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2020 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/6 I SOEITXAWE: Congresso Internacional de Pesquisa Científica na Amazônia 2020-06-29T17:06:28-03:00 Claudia Marinho Wanderley cmwanderley@gmail.com Kachia Téchio clepub@unicamp.br Guilherme dos Santos Carneiro clepub@unicamp.br Vinícius Ferreira Costa clepub@unicamp.br <div class="item abstract"> <div class="value"> <p><em><strong>Prefácio</strong></em><br>“O melhor que o mundo tem é a diversidade de mundos que contém”</p> <p>(Eduardo Galeano)</p> <p>Como olhamos o outro (e a nós mesmos) no complexo emaranhado da vida? A reflexão sobre essa questão brotou e cresceu rapidamente à medida que íamos lendo a profusão dos textos deste livro e tentando descobrir um caminho de conexão entre eles. O que dizer das inúmeras visões de mundo nele impressas? Não elaboramos este prefácio como especialistas, mas apenas como apaixonadas pelo tema da valorização da diversidade cultural que, no fundo, expressa o desejo de uma sociedade melhor.</p> <p>Seguindo as trilhas de Boaventura de Souza Santos, reconhecemos que a forma dominante de saber, hegemônica na sociedade ocidental contemporânea, repousa em uma linha abissal, “invisível”, que estabelece uma distinção entre colonizadores e colonizados. De um lado dessa linha encontram-se os saberes canonizados do norte ocidental, que determinam o que é científico/não científico, verdadeiro/falso, aceitável/não aceitável enquanto programas de pesquisa. Do outro lado dessa linha abissal se amontanham as supostas “especulações” populares, as opiniões do senso comum, as superstições dos camponeses, indígenas e grande parte da humanidade contra-hegemônica, destituída de direitos fundamentais, sem o reconhecimento de suas formas de saberes.</p> <p>Em partes significativas do mundo, a linha abissal já não se impõe em seu pleno vigor; ela está sendo questionada, não apenas por filósofos e cientistas, mas por cidadãos vivendo na era pós-colonizadora, que<br>reconhecem o fundamental valor da diversidade de saberes para a própria manutenção da existência humana. Entendemos que a presente obra, organizada por Claudia Marinho Wanderley, Kachia Téchio,<br>Guilherme Carneiro e Vinícius Ferreira, retrata uma valiosa contribuição para esse questionamento.<br>Na Era do pós-tudo, já não podemos ignorar a visão ecológica de formas alternativas de vida dos povos da floresta, seus saberes que preservam o meio ambiente, seu conhecimento milenar, por exemplo de<br>ervas medicinais para curas de doenças que não encontram respaldo na medicina dominante. Também não podemos deixar de refletir, com apreço, sobre o ritmo de vida dos povos da floresta que contrasta com o ritmo frenético e doentio do “homo-celulare“. Descobrimos que a presente coletânea pode ser lida em tópicos que se delineiam, em diversas ordenações, através dos vários temas apresentados no I SOEITXAWE Congresso Internacional de Pesquisa Científica na Amazônia CT Paiter Suruí, Cacoal, Rondônia-Brasil, que ocorreu em maio de 2015. O termo Soeitxawe, significa, na língua tupi mondé suruí, conhecimento. Esse congresso, de que tivemos a sorte de participar, expressou um dinâmico e criativo movimento auto-organizado de amantes do conhecimento, que se expressa através da valorização da diversidade cultural, possibilitando um fértil diálogo entre povos da floresta, intelectuais nacionais e internacionais, jornalistas da cidade de Cacoal e membros da comunidade em geral.</p> <p>Iniciamos a nossa leitura pelo instigante relato da antropóloga Kachia Téchio, pesquisadora do grupo de estudos Multilinguismo e Multiculturalismo no Mundo Digital , coordenado pela pesquisadora Claudia Wanderley na Unicamp. Kachia nos brinda com o texto: Apresentação e breve narrativa do I Soeitxawe, no qual descreve seus primeiros contatos com o chefe Almir Surui, líder do Povo Paiter Surui, e sua experiência na organização do evento com o Povo Paiter Surui e a incansável Claudia Wanderley, encontro esse que resultou, entre outros, na elaboração da presente obra.</p> <p>Impossíveln deixar de compartilhar com Kachia uma imensa admiração pelos Paiter Surui que, em suas palavras: é um povo extremamente generoso, receptivo e coletivo. Ela nos conta que os temas do evento escolhidos pelos indígenas foram: saúde, educação, tecnologia e ambiente, temas esses que “... curiosamente formaram a palavra SETA, um sinônimo para flecha, e a proposta divertida divulgada nas conversas entre os indígenas era de atingir a comunidade científica com seus conhecimentos tradicionais.”<br>A SETA (Saúde, Educação, Tecnologia e Ambiente) se expressa dinamicamente em grande parte dos capítulos do livro, tornando impraticável a descrição de todos eles neste limitado espaço. De modo a<br>dar uma pequena amostra da rica variedade de textos aqui presentes, iniciamos o nosso percurso da SETA seguindo a perspectiva geral bem elaborada por Rubens Naraikoe Surui, no artigo Labiway EY SAD-<br>Sistema de Governança Paiter Surui. Nesse artigo, o leitor encontrará um pouco da realidade vivenciada pelo povo Surui nos âmbitos da saúde, educação, tecnologia e ambiente. O relato narrado pelo olhar do<br>estudioso de Direito desvela uma corajosa e emocionante história de luta para a manutenção da existência e autonomia de seu povo.</p> <p><br>No que diz respeito à Saúde, dentre as diversas perspectivas proporcionadas nesta obra, Wendril da Cruz Tomé apresentainteressantes resultados de uma pesquisa sobre a concepção de saúde dos indígenas da etnia Gavião. Em seu texto: Cultura do povo indígena Gavião e como tratam a respeito da saúde, Wendril reúne aspectos da entrevista com o cacique Catarino, da Aldeia Ikolen, em Ji-Paraná, Rondônia, sobre<br>formas de vida fundamentadas em hábitos de alimentação não industrializada e em recursos naturais de cura para doenças.</p> <p><br>Quanto ao tema da Educação, novamente a SETA percorre grande parte dos capítulos, mas a ênfase é dada a esse tema por Claudia Wanderley e Beatriz Raposo no belo texto: Lógicas e Epistemologias Locais:<br>encontro com os Paiter Suruí. O leitor atento descobrirá nesse texto uma reflexão sobre a fertilidade dos processos de auto-organização no acesso democrático à produção do conhecimento e no reconhecimento<br>respeitoso de saberes de diversos grupos sociais, elementos esses que, nas palavras da autora, “... são necessários para quem deseja trabalhar coletiva e intelectualmente em prol do bem comum e de uma cultura de paz”. Nesse mesmo contexto, Simone Gibran Nogueira, no capítulo intitulado Educação das Relações Étnico-Raciais, discute a situação de afrodescendentes brasileiros, criticando a perspectiva eurocêntrica colonial vigente em nossa sociedade. Ela ressalta a importância de se repensar a educação das relações étnico-raciais, de modo a, não apenas respeitar, mas, valorizar a pluralidade e a diversidade das culturas existentes na nação brasileira.</p> <p>O tema da Tecnologia é representado principalmente no texto de Claudia Ribeiro Pereira Nunes: O plano de sustentabilidade socioeconômica e cultural do povo Paiter Suruí na floresta amazônica e sua inserção tecnológica. Nesse capítulo, a autora busca compreender o plano de sustentabilidade, para os próximos 50 anos, do povo Paiter Suruí no contexto da Maria Eunice Quilici Gonzalez e Itala M. Loffredo D’ Ottaviano <br>globalização. O leitor compreenderá, na leitura do texto, os seguintes objetivos específicos da pesquisa em questão, que se propõe a: (i) diagnosticar os efeitos da inovação tecnológica inserida no referido<br>plano, bem como (ii) descrever a efetiva contribuição do plano para o desenvolvimento sustentável do povo Paiter Suruí e a sua visibilidade internacional.</p> <p><br>Finalmente, a SETA percorre amplamente o tema do Ambiente, com ênfase na fundamental importância da manutenção das reservas florestais, das nascentes, do reflorestamento sustentável e do respeito aos<br>povos da floresta. Com essa preocupação, encontramos, entre outros, o texto: Desenvolvimento sustentável: Uma análise dos mecanismos e das práticas adotadas por uma empresa rural situada no munícipio de Vilhena-RO no cultivo da Silvicultura para fins comerciais, elaborado por Vanessa Rodrigues do Prado<br>Morais; que apresenta e discute o projeto de reflorestamento, para fins comerciais, no estado de Rondônia. O tema da água é também investigado por Naara Ferreira Carvalho de Souza no texto: Avaliação de<br>impacto ambiental das nascentes urbanas de Ji-Paraná/RO. A autora discute problemas ambientais decorrentes da urbanização acelerada que afeta recursos hídricos de nascentes localizadas no município de Ji-Paraná, RO.</p> <p><br>Ainda no contexto ambiental, Yasmin Paiva Correa investiga, no capítulo intitulado Programa de aquisição de alimentos (PAA: a percepção de trabalhadores rurais do município de São Felipe do Oeste – RO, o fortalecimento da agricultura familiar, após o ingresso de agricultores no PAA, bem como as dificuldades enfrentadas por esses trabalhadores. A amostra de textos acima indicados representa apenas um pequeno<br>sinal da riqueza do volume aqui apresentado. Convidamos o leitor a percorrer a obra elaborando sua própria visão dos capítulos, com uma mente aberta para a compreensão da fertilidade inerente à diversidade cultural.</p> <p><br>Não poderíamos encerrar este prefácio sem destacar o papel fundamental do cacique, batalhador incansável, Almir Suruí, que recebeu o título de Doutor Honoris causa pela Universidade Federal de Rondônia, na organização do evento e no encaminhamento dos planos de sustentabilidade de seu povo. O leitor poderá apreciar a tentativa do chefe Almir de dialogar com membros da sociedade nacional e internacional que se abrem para um diálogo franco e respeitosos dos vários saberes que começam a ter voz no século XXI. Em seu recente contato com a nossa civilização, Almir reconhece que “... cada povo tem<br>seus próprios ideais, seus próprios princípios, sua visão, sua missão de lutar para manter sua autonomia, sua cultura, sua religião, sua história como povo.” Em seu texto, ele ressalta que esse reconhecimento o levou a refletir sobre o valor da vida das sociedades “que precisam ser respeitadas e valorizadas, dentro do princípio de mantê-lo como povo.</p> <p><br>...com essa visão eu luto bastante para que eu possa então fazer minha<br>parte como um dos líderes do povo Suruí”.<br>Acreditamos que a ecologia dos saberes que encontramos nesta obra<br>vem trazer um raio de luz na trilha da monocultura das mentes que se<br>instaurou em nossa civilização, desvelando um pouco da sociologia das<br>ausências inseridas no silêncio das culturas marcadas pela exclusão. A<br>poesia abaixo, de Oswald de Andrade, talvez expresse com elegância,<br>propriedade e senso de humor as complexas nuances da dinâmica<br>história da colonização de nosso país, que fortaleceram os elos da<br>colonização no estabelecimento da linha abissal que, para a felicidade de<br>muitos, já mostra sinais de mudanças.</p> <p><strong>Erro de português</strong><br>Quando o português chegou<br>Debaixo duma bruta chuva<br>Vestiu o índio<br>Que pena! Fosse uma manhã de sol<br>O índio tinha despido<br>O português<br>Oswald de Andrade<br>Maria Eunice Quilici Gonzalez<br>Itala M. Loffredo D’ Ottaviano</p> </div> </div> <div class="item chapters"> <h3 class="pkp_screen_reader">Capítulos</h3> <ul> <li> <div class="title">I SOEITXAWE <div class="subtitle">Congresso Internacional de Pesquisa Científica na Amazônia</div> </div> </li> </ul> </div> 2018-04-18T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2018 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/4 XIV ABRALIN EM CENA: FAKE NEWS E LINGUAGEM 2020-06-29T15:18:45-03:00 Claudia Wanderley cmwanderley@gmail.com Anna Christina Bentes clepub@unicamp.br <p>CADERNO DE RESUMOS DO XIV ABRALIN EM CENA: FAKE NEWS E LINGUAGEM</p> 2017-11-09T00:00:00-02:00 Copyright (c) 2019 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP)