Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes Coleção CLE; pt-BR <p>A publicação de textos originais implicará, automaticamente, na cessão dos direitos autorais à Coleção CLE. O texto submetido deve ser uma contribuição original e inédita, e não estar sendo avaliado para publicação por outra revista. Caso contrário, deve-se justificar ao editor.</p> <p>The publication of original texts will automatically imply the transfer of copyright to the Coleção CLE. The submitted text must be an original and unpublished contribution, and not be under evaluation for publication by another journal. Otherwise, it must be justified to the editor.</p> clepub@unicamp.br (Adriana Lopes Rodrigues) torres@unicamp.br (Augusto Fabiano Torres) OMP 3.3.0.16 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Temas em Filosofia da Religião https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/101 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p> </p> <p>"The articles in this book come from contributions to the event “Theologia Naturalis”, planned as part of the activities of the project “Formal Approaches to Philosophy of Religion and Analytic Theology (Grant ID 61108)”, financed by the John Templeton Foundation. This event was supposed to take place in Campinas in 2020 and, unfortunately, it could not be held, due to the COVID-19 Pandemic that ravaged the world. An online event entitled “New Perspectives in Philosophy of Religion” was organized as part of the same project in the hope that the end of social isolation would allow the event to be held in person. Unfortunately, the completion of the project before the return to normal activities meant that the postponed event was canceled. Even under these circumstances, we are pleased to publish this volume as a contribution to discussions in the philosophy of religion. This book is the first to cover this theme in the Coleção CLE. In addition to the Pandemic, other unfortunate events meant that the work took longer to be published than its editors wanted. For this reason, we thank the authors for their patience during the editing process. We would like to thank the John Templeton Foundation for all the support of our project. We hope this book serves as a simple gesture of tribute to everyone who suffered and left us during this unprecedented global crisis in recent history." Preface from the editors</p> <p>Fábio Maia Bertato, Nicola Salvatore &amp; Marcin Trepczyński</p> <p>Coleção CLE, Volume 94 - 2023</p> <p>Articles</p> <p>1. DILEMAS ÉTICOS EM TEOLOGIA NATURAL E INFERÊNCIA VÁLIDA EM ENSAIOS CLÍNICOS de Julio Michael Stern <br />2. LOCAL LOGICS IN CHRISTIAN TEACHING ON THE TRINITY AND TWO NATURES OF CHRIST de Marcin Trepczyński e Fábio Maia Bertato<br />3. O TEÍSMO CÉTICO E O PARADOXO DO MAL de Luis R. G. Oliveira (Tradução de Sérgio Miranda)<br />4. THE PROBLEM OF EVIL &amp; THE PURPOSE OF GOD de Grant Bartley<br />5. UMA ABORDAGEM AXIOMÁTICA AO PROBLEMA LÓGICO DO MAL de Gesiel B. da Silva e Fábio Maia Bertato <br />6. O DEUS QUASE-TEÍSTA de Rodrigo R. L. Cid, Rodrigo A. de Figueiredo e Luiz H. M. Segundo <br />7. LEIBNIZ’S ARGUMENT FOR THE EXISTENCE OF GOD FROM ETERNAL TRUTHS de Jan L. Propach <br />8. COSMOLOGICAL ARGUMENT AND ONTOLOGICAL DEPENDENCE de Valdenor M. Brito <br />9. DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO: RELAÇÃO EU × TU de Lidiomar G. dos Santos <br />10. STERBA’S CHALLENGE AND AQUINAS’ SKEPTICAL THEISM de Nicola C. Salvatore <br />11. FILOSOFIA E FÉ RELIGIOSA: INCOMPATIBILIDADE OU COMPLEMENTARIDADE? de Renato J. de Moraes </p> <p> </p> <p>ISBN : 978-65-88097-14-4 (digital version) </p> <p>1. Religião-Filosofia. - I. Bertato, Fábio Maia, 1980. II. Salvatore, Nicola. III. Trepczyński, Marcin. III. Série.</p> Fábio Maia Bertato, Nicola Salvatore, Marcin Trepczyński Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/101 Thu, 21 Dec 2023 00:00:00 -0300 Ayda Ignez Arruda e a Institucionalização da Lógica no Brasil https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/102 <p><a href="https://www.calameo.com/read/0076199327149cca859fa">Ayda Ignez Arruda e a Institucionalização da Lógica no Brasil</a> (digital)</p> <p> </p> <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p> </p> <p>O texto apresenta um estudo histórico-biográfico da professora catarinense Ayda Ignez Arruda e utiliza como aporte a história da matemática no Brasil via fontes primárias e secundárias. A trajetória de vida da biografada foi breve, porém marcante. Iniciou suas atividades acadêmicas e profissionais no Paraná e, posteriormente, no estado de São Paulo e no âmbito internacional. Ayda contribuiu fortemente para a institucionalização da Lógica Matemática no Brasil, por meio da produção de pesquisas e eventos na área. Foi uma das pioneiras na área e seu comprometimento certamente encorajou diversas outras mulheres ao olhar científico.</p> <p>ISBN: 978-65-88097-12-0 (versão digital)</p> <p> </p> <p>1. Lógica simbólica e Matemática.<br />I. Arruda, Ayda Ignez.<br />II. Título.</p> Suélen Rita Andrade Machado Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/102 Thu, 21 Dec 2023 00:00:00 -0300 Informação, Complexidade e Auto-Organização https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/98 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Esta coletânea de artigos é uma homenagem aos 60 anos da Professora. Maria Eunice Quilici Gonzalez. Nela estão reunidos vários artigos de alguns de seus principais ex-alunos e colaboradores, versando sobre os temas da Auto-Organização, Complexidade e da Filosofia da Informação.</p> <p>Em 1978, Maria Eunice chega à UNICAMP para cursar o Mestrado em Lógica e Filosofia da Ciência. O Mestrado, naquela época, era oferecido pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência, o CLEHC, ou simplesmente CLE como passou a ser chamado por professores e alunos. O CLE acabara de ser inaugurado pelo seu fundador e diretor (por muitos anos) o Prof. Oswaldo Porchat. Era uma iniciativa pioneira no país, que visava estimular o estudo da Filosofia da Ciência e da Filosófia Analítica no Brasil que, já havia alguns anos, andava de lado, sem grandes progressos. A maioria dos professores que se afiliou ao CLE e que passaram a dar aulas na Pós-Graduação tinha saído da USP, mas havia também muitos professores estrangeiros e professores visitantes que chegaram ao Brasil atraídos pela proposta inovadora do CLE.</p> <p>A proposta do CLE era, também, formar os melhores professores de Filosofia do Brasil e, por isso, os alunos tinham de fazer muitos cursos antes de apresentar sua dissertação de Mestrado. É preciso lembrar que, nessa época, o final dos anos 1970 e início dos 1980, um Mestrado no Brasil durava uma média de cinco anos ou mais. Poucas pessoas tinham Mestrado em Filosofia no Brasil, mesmo aquelas que já integravam os quadros universitários de várias instituições públicas. Por isso, professores de Filosofia de várias partes do Brasil afluíram ao CLE.</p> <p>Mas, havia ainda algo mais interessante no início do CLE. Ele abriu a perspectiva para que alunos graduados em Ciências, sobretudo Física e Matemática pudessem cursar um Mestrado em Filosofia.</p> <p>Maria Eunice tinha acabado de se formar em Física pela UNESP/ Rio Claro e, como todos os físicos, tinha muitas indagações filosóficas que tinham ficado no ar. Por ocasião do seu ingresso no CLE as questões ainda eram muitas e, só algum tempo depois, ela se decidiu por estudar um dos temas mais interessantes da Filosofia da Ciência: a natureza da descoberta científica. Essa possibilidade foi aberta pelo Professor Zeljko Loparic, um integrante do corpo docente do CLE que tinha um leque grande de interesses em diversos temas filosóficos.</p> <p>As questões que Maria Eunice enfrentava no seu Mestrado eram complexas. Será que as descobertas científicas são sempre produto de um acaso feliz, a famosa “serendipity” da qual, até hoje, falam os americanos? A maçã que caiu na cabeça de Newton ou o sonho de Kekule que deu origem à química orgânica? Havia também uma outra questão candente: será que os processos psicológicos que levam à descoberta não poderiam ser abordados pela Psicologia Cognitiva e, a partir dessa abordagem, serem, então, mecanizados, ou seja, realizados por um programa de computador?</p> <p>Naquela ocasião ainda não se falava quase nada sobre Inteligência Artificial no Brasil. Nos anos 1970 tinham aparecido os sistemas especialistas nos Estados Unidos e havia notícia de que um deles tinha realizado uma descoberta importante em prospecção de petróleo. Mas ainda era tudo muito vago.</p> <p>Maria Eunice começara a ler filósofos como N.R. Hanson, K. Popper, que tinham visões diferentes sobre a natureza da descoberta científica. Leu também alguns pioneiros da inteligência artificial como, por exemplo, Alan Newell e Herbert Simon.</p> <p>Mas, o evento mais interessante, a “serendipity” ocorreu em 1980. O filósofo inglês Andrew Woodfield, da University of Bristol, veio ao Brasil para uma visita a vários departamentos de Filosofia do país. O encontro com Woodfield mudou totalmente o rumo de nossas ambições filosóficas. Ele foi o primeiro a falar de Filosofia da Mente e a estimular leituras de autores como Daniel Dennett, Jerry Fodor, John Searle e outros filósofos da mente contemporâneos. Durante um bom tempo passamos a ler sobre Filosofia da Mente, paralelamente ao desenvolvimento de nossas dissertações de Mestrado.</p> <p>Em Junho de 1984, Maria Eunice apresentou sua dissertação e, em seguida, ingressou também no Departamento de Filosofia da UNESP- Marília. Dois anos depois Maria Eunice e eu conseguimos uma bolsa de estudos para fazer o doutorado na Inglaterra, em Filosofia da Mente, pois não havia essa possibilidade no Brasil. Os tempos eram outros, difíceis de imaginar para um estudante de Pós-Graduação brasileiro no século XXI. Não era fácil para um brasileiro conseguir ser aceito para fazer um Doutorado em uma universidade inglesa. Havia pouquíssimo intercâmbio entre Brasil e Inglaterra na área filosófica. Tudo o que se tinha, naquela época, eram contatos com a França, com a Bélgica e um pouco com a Alemanha.</p> <p>Havia dificuldades práticas também. Na década de 1980 o Brasil estava em uma crise cambial profunda. Não entrava e nem saia moeda estrangeira sem uma autorização do Banco Central, difícil de conseguir. Não havia internet, tudo era feito por cartas, que demoravam semanas para ir e vir. Era um mundo inimaginável para os nativos digitais.</p> <p>Fomos para a University of Essex, em Colchester, onde, em 1984, iniciamos o Doutorado na área de Filosofia da Mente. Maria Eunice queria estudar percepção, um assunto muito discutido em ciência cognitiva e também em filosofia da mente. Inicialmente estivemos sob a supervisão do mesmo orientador, o Professor A.D. Smith, mas algum tempo depois, Maria Eunice resolveu focalizar sua pesquisa no estudo das redes neurais artificiais, do qual surgiu seu interesse atual pela Auto-Organização e pela Filosofia da Informação. Em 1990, Maria Eunice já tinha retornado da Inglaterra com seu doutorado concluído e reassumia seu cargo na UNESP/Marília.</p> <p>Pouco tempo depois, Maria Eunice fundou a Sociedade Brasileira de Ciência Cognitiva (SBCC) que passou a funcionar a partir de 1995. Um ano depois ela partiria para uma de suas iniciativas mais ousadas. Em 1996, lutando contra forças conservadoras de todos os tipos, instala na UNESP/ Marilia o primeiro mestrado em Filosofia da Mente e Ciência Cognitiva.</p> <p>Essa trajetória intelectual, aqui apenas esboçada em seus traços gerais, é que buscamos homenagear nesta coletânea.</p> <p> </p> <p>João de Fernandes Teixeira"</p> <p> </p> <p>Organização:</p> <p>Mariana Claudia Broens</p> <p>João Antonio de Moraes</p> <p>Edna Alves de Souza.</p> <p> </p> <p>VOLUME 73 – 2015</p> <p>ISBN 978-85-86497-23-0</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Sistemas auto-organizadores 003.7</li> </ol> Mariana Claudia Broens , João Antonio de Moraes, Edna Alves de Souza Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/98 Wed, 23 Aug 2023 00:00:00 -0300 Wittgenstein e seus aspectos https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/94 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Apresentamos neste volume os artigos selecionados dentre os que foram discutidos no encontro IX Colóquio Nacional/VI Internacional Wittgenstein, realizado na Unicamp, Campinas, entre os dias 24 e 26 de setembro de 2014.</p> <p>Desta feita, propusemos o tema geral “Wittgenstein e seus aspectos”, a partir da ideia comum à sua concepção de filosofia terapêutica, como levando à percepção de novos aspectos da significação conceitual, e a sua prática filosófica que se desenvolve exemplarmente no livro que o próprio filósofo se empenhou em organizar, tendo em vista sua publicação, que é a forma de um “álbum”. Estilo ziguezagueante, poderíamos dizer, que retorna aos mesmos temas, de maneiras diferentes, explora temas distantes para traçar semelhanças com temas anteriores.</p> <p>Este estilo, como se sabe, tem por finalidade terapêutica a elaboração de uma extensa rede de relações de semelhança entre significações conceituais para dar ao leitor uma visão panorâmica do conjunto de relações internas de sentido</p> <p>O efeito terapêutico consistiria em percebermos novos aspectos dos conceitos habituais e, com isto, sermos levados a libertar o pensamento da dieta unilateral que leva a concepções essencialistas em filosofia, ou metafisicas, a respeito do sentido.</p> <p>Assim, esta relação interna entre prática terapêutica e a prática filosófica levou-nos a propor o tema geral acima assinalado. Nosso desafio seria o de indicar novos aspectos a serem vislumbrados a partir dos resultados da prática filosófica, sobretudo, aspectos não previstos pelo próprio filósofo. É nisto que residiria, acreditamos, grande parte da riqueza e originalidade da obra de Wittgenstein.</p> <p>Para tanto, pudemos contar com a contribuição de vários colegas, pesquisadores brasileiros e estrangeiros, que aceitaram o convite para participar de nossa reunião e de nossas discussões — através de Conferências e de Palestras - assim como de vários outros colegas, pesquisadores brasileiros e estrangeiros, que se interessaram em enviar seus trabalhos para serem apresentados e discutidos durante o colóquio, sob a forma de Comunicações.</p> <p>Entre os colegas convidados, novos aspectos da obra wittgensteiniana foram sugeridos, a partir do que poderíamos caracterizar como sendo a relação entre os pontos de vista de detalhe e o de sobrevôo.</p> <p>Dentre esses novos aspectos, em primeiro lugar, a ideia nietzscheana de perspectivismo aplicada a Wittgenstein, que estaria presente na terapia conceitual ao mentalismo — na diferença entre ver aspectos e ver em perspectiva, este último ato implicando uma relação não imediata com algo.</p> <p>Em seguida, a ideia de uma diferença importante entre pensamento envolvido em uma comunidade moral e pensamento envolvido com uma comunidade científica — no segundo caso, o pensamento podendo afastar-se explicitamente dos critérios e pressupostos vigentes na comunidade, mas, não no segundo.</p> <p>Em terceiro lugar, outro aspecto relativo às mesmas questões levantadas anteriormente, é o da disjunção “inquietante” entre, por um lado, a terapia wittgensteiniana aplicada individualmente aos aspectos e, por outro lado, a consolidação das diversas maneiras de pensar no decorrer do tempo, constituindo, por assim dizer, sistemas de certezas, ou as imagens de mundo a que se refere Wittgenstein.</p> <p>Temos, assim, três abordagens que partem de um núcleo de problemas comuns tematizados pelo filósofo e indicam questões presentes, mas não exploradas por ele — as quais nos incitam a perceber e a explorar novos aspectos de sua obra.</p> <p>Duas outras contribuições de pesquisadores convidados, apontam novos aspectos a partir de uma problemática comum, a saber, de formas de argumentação em diferentes jogos de linguagem.</p> <p>Por um lado, uma estratégia semelhante entre a dialética platônica, para atingir uma verdade definitiva, de tecer comparações entre diferentes campos do saber, e o procedimento wittgensteiniano, para esclarecer o sentido de conceitos evitando a dieta unilateral, de comparações como forma de esclarecimento de conceitos. Procura-se mostrar este aspecto da terapia wittgensteiniana, a partir do esclarecimento do conceito de explicação (explanation) em aulas de Wittgensteinem Cambridge, entre 30 — 40.</p> <p>Por outro lado, chama-se atenção para o aspecto ritualístico dos diversos modos de aplicação de critérios para se distinguir entre tipos diferentes de argumentação — tal como a prova, a demonstração, a argumentação pata convencer, ou para persuadir etc. - nas artes e nas ciências, em geral, e na filosofia.</p> <p>Outra perspectiva sugerida, a partir do pensamento de Wittgenstein, diz respeito à ideia de uma reflexão sobre o conceito wittgensteiniano de 7150, ou de prática com a linguagem, reflexão que apontaria para uma epistemologia envolvida com o sentido de conceitos epistêmicos.</p> <p>Da mesma maneira, as Comunicações apresentadas sugerem tantos outros aspectos novos a serem explorados, na obra do filósofo — passando por conceitos da herança tractatiana pós- tractatiana, assim como por conceitos relativos ao campo da psicologia e epistemologia, como comportamento, intencionalidade e certeza, e das artes e literatura, como a metáfora e a música.</p> <p>Convidamos o leitor a percorrer mais este caminho, antes trilha do que estrada pavimentada, esperando que seja estimulante e satisfatório o percurso acidentado.”</p> <p> </p> <p>Arley R. Moreno</p> <p> </p> <p>Volume 72 — 2015</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Filosofia austríaca 193</li> </ol> <p>OBS. Apresentamos neste volume os artigos selecionados dentre os que foram discutidos no encontro IX Colóquio Nacional\VI Internacional Wittgenstein, realizado na Unicamp, Campinas, entre os dias 24 e 26 de setembro de 2014. Desta feita, propusemos o tema geral “Wittgenstein e seus aspectos”, a partir da ideia comum à sua concepção de filosofia terapêutica, como levando à percepção de novos aspectos da significação conceitual, e a sua prática filosófica que se desenvolve exemplarmente no livro que o próprio filósofo se empenhou em organizar, tendo em vista sua publicação, que é a forma de um “álbum”.</p> Arley R. Moreno Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/94 Mon, 07 Aug 2023 00:00:00 -0300 Crossing Oceans https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/95 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“In 2014, CESIMA (Center Simão Mathias of Studies in History of Science, Pontifical Catholic University of São Paulo) celebrated its 20 anniversary. To mark the occasion, CLE (Centre for Logic, Epistemology and History of Science, State University of Campinas - UNICAMP), SHAC (Society for the History of Alchemy and Chemistry) and CESIMA organized an international conference, which was the first meeting of SHAC held outside Europe and the United States.</p> <p>The main theme of the conference was the transit of scientific knowledge in time and space with emphasis on two main areas of studies of particular interest to the organizing entities. One such area concerns the transformations of the theoretical notions and processes proper to the science of matter from the early modern period to the 20% century, involving not only chemistry, but also medicine and related sciences. The other deals with the acquisition and organization of knowledge, including the logic of scientific discourse.</p> <p>Thirty-six original papers were delivered by scholars from several continents in the course of five days to an audience of more than 100 people. Participants included historians of science, epistemologists, logicians, bibliographers and IT' specialists. Activities included a poster session, in which about twenty history of science graduate students presented their work in progress, and the fourth Allen Debus Biennial Lectures. The conference was funded by the Brazilian agencies CAPES (Brazilian Federal Agency for Support and Evaluation of Graduate Education), CNPq (National Council of Scientific and Technological Development), FAPESP (São Paulo Research Foundation) and FAEPEX/UNICAMP (Teaching, Research and Outreach Support Funding Agency), and SHAC, with additional support from Maney Publishing.</p> <p>The result was, in the SHAC chairman's words, “a remarkable series of exchanges between scholars of different nationalities, career stages, and disciplinary backgrounds, with a shared interest in mapping the spread of chemical knowledge, both globally and locally, between the early modern period and the present day”!. As concerns the organization and nature of knowledge, in addition to the ongoing collaborations, the path was paved for future ones in the still unmapped development of history of science within the new field of Digital Humanities.</p> <p>A glimpse into the overall atmosphere of the conference and its underpinning historiographical rationale is available in a special issue of the journal Ambix. The present volume contains a special selection of papers, which we believe is a representative sample of the work presented and discussed at the meeting, which can be expected to contribute to the future directions of research in the history of science and management of the corresponding documents. As the papers deal with complex objects and are closely related, they are presented in alphabetical order of authorship.”</p> <p> </p> <p>AUTORES:</p> <p>Ana M. Alfonso-Goldfarb</p> <p>Walter A. Carnielli</p> <p>Hasok Chang</p> <p>Marcia H. M. Ferraz</p> <p>José Luiz Goldfarb</p> <p>Sílvia Waisse</p> <p> </p> <p>VOLUME 75 – 2015</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p>Indice para catálogo sistemático</p> <p>Ciência-Historia – 509</p> <p> </p> <p>OBS. The main theme of the conference was the transiton of scientific knowledge in time and space with emphasis on two main areas of studies of particular interest to the organizing entities. One such area concerns the transformations of the theoretical notions and processes proper to the science of matter from early modern period to the 20th century, involving not only chemistry, but also medicine and related.</p> Ana M. Alfonso-Goldfarb, Walter A. Carnielli, Hasok Chang, Marcia H. M. Ferraz, José Luiz Goldfarb, Sílvia Waisse Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/95 Mon, 07 Aug 2023 00:00:00 -0300 Wittgenstein: conhecimento e ceticismo https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/96 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Temos o prazer de apresentar neste volume o material selecionado do Colóquio Wittgenstein, em sua décima versão nacional e sétima internacional. O tema proposto foi “Wittgenstein — Conhecimento e Ceticismo”, realizado durante os dias 14 a 16 de outubro de 2016 no IFCH/UNICAMP, com o apoio do Departamento e do Programa de Filosofia.</p> <p>Tivemos a oportunidade de contat com a participação de colegas estrangeiros e brasileiros que muito contribuíram, como se verá, para alta qualidade do material apresentado — assim como dos debates.</p> <p>O tema proposto apresenta um desafio para todos os que se debruçam sobre temas epistemológicos em geral, e, em particular, para os que se interessam pelo pensamento de Wittgenstein. De fato, o filósofo nos apresenta uma reflexão aprofundada sobre temas que já haviam sido tratados — no sentido terapêntico de sua filosofia — e os expande para novos aspectos das mesmas questões. Este procedimento está de acordo com a sua concepção de progresso em filosofia, tal como exposta em um dos prefácios que não foram publicados às Investigações Filosóficas. Progresso, neste caso, seria o aprofundamento das mesmas questões, e não a obtenção de novos resultados que viriam a substituir outros resultados, como sendo mais próximos à verdade. Neste sentido, o derradeiro texto legado por Wittgenstein corresponde bem a esta concepção de progresso filosófico, aplicada à sua própria atividade.</p> <p>Alguns comentadores de Wittgenstein querem ver na trajetória do filósofo uma série de fases distintas, como se fossem marcadas por rupturas, e, inclusíve, uma derradeira fase próxima ao naturalismo epistêmico que estaria presente nos textos organizados sob o título de Sobre a Certeza, textos organizados por seus herdeiros, mas não pelo próprio filósofo. Assim, os editores do livro selecionaram e juntaram observações sobre temas que julgaram estar mais próximos entre si, e girando em torno da terapia que Wittgenstein faz da concepção de certeza apresentada por Moore. Assim, esses textos foram extraídos de seus contextos mais amplos dos escritos sobre filosofia da psicologia, que Wittgenstein se dedicou a redigir nos últimos anos de vida — após ter interrompido a organização dos textos que deviam compor o seu “álbum”, as Investigações — dando lugar a discussões paralelas, mas diretamente interconectadas às anteriores, sobre conceitos matemáticos, psicológicos e conceitos de cor. O texto editado e publicado sob o título de Sobre a Certeza é, assim, um extrato de textos do fluxo em que foram produzidos, o que elimina aquilo que talvez fosse a preocupação maior de Wittgenstein ao redigi-los, a saber, expor a visão panorâmica das filiações entre conceitos de diferentes jogos de linguagem.</p> <p>Esse procedimento editorial é bastante prejudicial no caso de um filósofo com as características de estilo de Wittgenstein. Como sabemos, sua prática filosófica não consistia em separar os temas a serem tratados, mas, pelo contrário, em tratar diversos temas em continuidade, com repetições temáticas e com saltos entre temas. Este procedimento, muito bem praticado nas Investigações, não é a expressão, tão somente, de uma idiossincrasia do autor, mas, sobretudo, e mais profundamente, de seu método filosófico de esclarecimentos conceituais. Esclarecimentos que são, a seu ver, aprofundamentos de dificuldades que, todavia, persistem quando consideradas sob novos aspectos. Daí a necessidade de retomar as mesmas questões e de aprofundá-las. Esta seria, segundo o filósofo, uma caraterística da reflexão filosófica, ou melhor, de toda reflexão sobre o sentido, e não sobre causas — e de uma reflexão que se pretenda terapêutica de confusões conceituais.</p> <p>É esta dimensão que fica perdida, com o procedimento editorial dos textos de Wittgenstein, a exemplo de Sobre a Certeza. Uma consequência gtave da supressão do fluxo de produção dos textos manuscritos, corrigidos e modificados pelo próprio filósofo, é a proliferação de diferentes fases do seu pensamento, como se houvesse hiatos entre elas, e não uma profunda continuidade entre sucessivos enfoques terapêuticos dos temas abordados. Claro está que a própria concepção de um método terapêutico aplicado a cada questão — por oposição a um método como conjunto de regras previamente estabelecidas para serem aplicadas a todas as questões — esta concepção também tem sua gênese e sua história na atividade do filósofo. Todavia, uma vez estabelecida, por volta da metade dos anos 30, e mais decididamente assumida após Livro Marrom, com a composição da última versão das Investigações, esta concepção de método terapêutico revela-se como sendo a melhor expressão do próprio estilo de filosofar de Wittgenstein, assim como à sua concepção de questão filosófica e de seu tratamento. Por esta razão, não deveria ser negligenciada quando da edição dos textos a serem publicados, por parte dos editores.</p> <p>Por outro lado, e complementarmente, esta falha editorial deveria ser levada em conta pelos comentadores do filósofo, o que permitiria evitar a proliferação de teorias mais ou menos aleatórias, sobre a existência e fases bem delimitadas e separadas de sua atividade filosófica. Ao invés de perguntar sobre os pontos de cisão entre supostas fases de seu pensamento, sería mais proveitoso e, sobretudo, pertinente procutar as transformações conceituais ocorridas durante seu longo percurso, marcadas, está claro, por mudanças de concepção e de conceitos, mas não pot cisões radicais. Na verdade, os mesmos temas e preocupações do Tractatus estão presentes em Sobre a Certeza — como, p. ex., os do ceticismo e seu absurdo, da certeza lógica e o conhecimento de fatos — tratados diferentemente segundo os novos conceitos criados no decorrer dos anos, mas sempre no sentido de um aprofundamento das questões, e jamais da substituição por resultados mais próximos à verdade. As análises presentes em Sobre a Certeza não são resultados mais importantes que deveriam substituir aqueles a que havia chegado o Tractatus. Se admitirmos, como queria Wittgenstein, que a filosofia não evolui por acúmulo de resultados, mas por aprofundamento das questões, então as fases por que passou o pensamento do filósofo não devem ser interpretadas como separadas entre si, mas como uma continuidade conceitual profunda. Não há, na verdade, temas novos que tenham sido introduzidos, como, p. ex., o da certeza e sua ligação com a ação, o do conhecimento por contraste com a certeza, o da certeza como uma atitude face às formas de vida, o da dúvida como erro categotrial decorrente da falta de atenção ao emprego da linguagem, o tema dos fundamentos sem fundamentos do conhecimento e de sua relação com a ação — ou a rocha duta onde a pá entorta — assim como os temas da crença nas verdades do senso comum, e o da crença religiosa (cf. Newman, Sobre a Certeza $1), não como pontos de partida absolutos por não poderem ser provados, mas como atitudes no interior de formas de vida.</p> <p>Estes temas, que ressurgem sob novas roupagens no texto derradeiro, não formam um conjunto temático como poderia dar a supor a edição do livro. Fazem parte, isto sim, de um fluxo em que estão presentes reflexões sobre temas psicológicos, sobre cores e sobre a matemática. Interpretar o texto como a revelação de uma nova vertente naturalista e epistemológica no pensamento de Wittgenstein revela, acreditamos, a desconsideração da evolução dos movimentos conceituais e de sua ligação interna de sentido. Uma questão semelhante à de saber a partir de qual grão de areia temos um monte de ateia — é a que se colocam vários intérpretes do filósofo, de saber a partir de que momento surge uma nova fase em seu pensamento — uma fase de ruptura com o que veio anteriormente e que abriria novos horizontes até então ausentes, para a interpretação de suas ideias.</p> <p>Com o presente volume, conseguimos apresentar um panorama sucinto de algumas interpretações atuais de Wittgenstein, o que permitiria, quiçá, fornecer uma ideia mais clara do que, de maneira polêmica, afirmamos acima convictamente.</p> <p>Talvez em um eventual próximo colóquio, poderíamos vir a testar melhor nossas hipóteses. Mas, o futuro é sempre imprevisível!”</p> <p> </p> <p>Arley R. Moreno</p> <p> </p> <p>Volume 77 – 2016</p> <p>ISBN 978-85-86497-28-5</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Wittgenstein Ludwig, 1889-1951 193</li> <li>Filosofia austríaca 93</li> <li>Teoria do conhecimento 121</li> <li>Ceticismo 149.73</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Temos o prazer de apresentar neste volume o material selecionado do Colóquio Wittgenstein, em sua décima versão nacional e sétima internacional. O tema proposto foi “Wittgenstein – Conhecimento e Ceticismo”, realizado durante os dias 14 a 16 de outubro de 2016 no IFCH/UNICAMP, com o apoio do Departamento e do Programa de Filosofia.</p> Arley R. Moreno Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/96 Mon, 07 Aug 2023 00:00:00 -0300 Cognição, Emoções e Ação https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/97 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Louco não é o homem que perdeu a razão. Louco é o homem que perdeu tudo menos a razão.” Penso que este aforismo de G. Chesterton, escritor britânico falecido em 1936, condensa, em poucas palavras, o conteúdo deste livro. O louco age como uma máquina cuja racionalidade, privada de emoções e de afetos, beira a psicopatia.</p> <p>No século passado, os cientistas cognitivos tentaram separar a razão da emoção. Não se tratava, entretanto, de pura e simplesmente negar a existência das emoções. Separar a razão das emoções era um preceito metodológico, a ideia de estudar a cognição humana por partes. Primeiro, modelar o raciocínio, depois, acrescentar as emoções. Essa era a ideia do modelo computacional da mente. Mas seria esse o caminho adequado?</p> <p>Essa trajetória foi interrompida em 1994, com a publicação do livro do neurobiólogo Antonio Damásio, O Erro de Descartes que, rapidamente, ultrapassou os muros da academia para se tornar um best-seller internacional. Nesse livro, Damásio argumentou que a razão não poderia ser separada das emoções.</p> <p>A objeção de Damásio era contundente. Não se tratava apenas de objetar a receita metodológica dos cientistas cognitivos. Ele mostrou que a razão e a emoção estão indissoluvelmente associadas e que na verdade não há raciocínio numa forma pura, independente, a não ser que se cometa o erro de Descartes, ou seja, separar mente e corpo como se fossem substâncias distintas. Em outras palavras, para Damásio a razão só é racional se ela for permeada pelas emoções.</p> <p>Nas últimas décadas, a ciência cognitiva, impulsionada pelo florescimento da neurociência, praticamente abandonou o modelo computacional da mente. Ele é um bom modelo para construir inteligências artificiais, mas não para explicar o modo como os seres humanos pensam e agem.</p> <p>Ninguém pode existir sem ser afetado pelas emoções. Essa constatação fundamental abre para a neurociência e para a ciência cognitiva uma via nova, na medida que leva em conta o papel fundamental das emoções na vida cerebral. A razão e a cognição não podem se desenvolver e exercer suas funções normalmente se não forem sustentadas pelos afetos. Para pensar, para conhecer, é preciso que as coisas tenham uma um peso, um valor. A indiferença emocional anula o relevo, apaga a diferença das perspectivas, nivela tudo. Privado de seu poder crítico, de sua capacidade de discriminar, de diferenciar, que procede da emoção, o raciocínio, como diz Damásio, se torna raciocínio a sangue frio, não raciocina mais.</p> <p>Consciência e emoção não são separáveis. As funções cognitivas de alto nível como a linguagem, a memória, a razão e a atenção estão ligadas aos processos emocionais, especialmente quando se trata de questões pessoais e sociais que envolvem risco. Estudos recentes com crianças abandonadas mostram que a privação de afeto causa graves atrasos psicomotores.</p> <p>Neste livro, um grupo de autores analisa as relações entre razão, emoção, ação, consciência e cognição a partir de várias perspectivas. Um livro inquietante e, ao mesmo tempo, de leitura agradável, fluente e claro. Um livro que, sem fazer trocadilhos, pode emocionar seus leitores.”</p> <p>Marcos Antonio Alves (Org.)</p> <p> </p> <p>VoLume 84 – 2019</p> <p>ISBN 978-85-7249-020-7 (Impresso)</p> <p>ISBN 978-85-7249-019-1 (Digital)</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <p>1, Filosofia da mente.</p> <ol start="2"> <li>Emoções e cognição.</li> <li>Psicologia e filosofia.</li> <li>Neurociências.</li> <li>Abordagem interdisciplinar do conhecimento.</li> </ol> Marcos Antonio Alves Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/97 Mon, 07 Aug 2023 00:00:00 -0300 Desordem Informacional https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/93 <p><a href="https://www.calameo.com/read/007619932e2a7837ba23f">Desordem Informacional: para um quadro interdisciplinar de investigação e elaboração de políticas públicas</a> (digital)</p> <p> </p> <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>É com grande satisfação que oferecemos, a leitores da língua portuguesa, a tradução do volume <a href="https://www.coe.int/en/web/freedom-expression/information-disorder">Information Disorder</a>, publicado pelo Council of Europe (2a. edição 2018). Esse livro trata de um tema fundamental para compreender o mundo em que vivemos, e também as perspectivas de futuro, dado que a desordem informacional é um problema que está longe de ser controlado. Pelo contrário. As ferramentas da tecnologia da informação, que tornam possível, com um simples telefone celular, produzir, armazenar e disseminar informação em uma escala inédita na história, estão se tornando cada vez mais sofisticadas – vide, por exemplo, as ocorrências de deepfake na campanha presidencial no Brasil em 2022, mencionadas no Prefácio. Como apontado pelos autores, a desinformação, definida como informação falsa criada e disseminada com o objetivo de causar dano, não é uma novidade. A novidade é a amplitude desse fenômeno, tornada possível pelo fácil acesso à tecnologia da informação. O livro menciona como casos típicos de desordem informacional, entre outros eventos, o referendo do Brexit e a eleição de Trump nos EUA, ambos em 2016. No entanto, não é possível compreender a eleição de bolsonaro em 2018, no Brasil, como também toda a estratégia de comunicação de seus quatro anos de governo, sem a análise do fenômeno da desordem informacional, e a respectiva estrutura conceitual, fornecidas por Wardle e Derakhshan. Na verdade, o trabalho dos autores é fundamental para compreender o modus operandi da chamada direita radical, no Brasil e no mundo, que tem a disseminação de desinformação nas redes sociais como uma estratégia fundamental.<br />O volume cuja tradução aqui oferecemos foi publicado em 2018, antes portanto da Covid-19. A pandemia, que teve início em 2019 e se alastrou pelo mundo nos anos subsequentes, multiplicou a disseminação do negacionismo da ciência e de teorias conspiratórias. A desinformação e o negacionismo são fenômenos similares. Em poucas palavras, o negacionismo tem como objetivo rejeitar um consenso científico, e o faz procurando dar a aparência de debate legítimo onde não há debate legítimo algum. Assim como a desinformação, o negacionismo não é um fenômeno novo – vide o caso extensamente documentado, em um passado recente, das tentativas da indústria do tabaco de desacreditar as evidências que apontavam o hábito de fumar como a causa de inúmeras doenças, inclusive câncer –, mas se utiliza das mesmas ferramentas e tem, no mais das vezes, propósitos similares aos da desinformação. O Brasil durante a pandemia de Covid, nos anos 2020 e 2021, foi um terreno fértil para o negacionismo. A disseminação massiva de teorias conspiratórias antivacina e de desinformação promovendo o uso de medicamentos ineficazes dificultou o combate à pandemia no Brasil. Este volume é resultado de um trabalho voluntário e dedicado, executado a oito mãos: além de mim, Pedro Caetano Filho como tradutor, Isabela Carneiro e Lucas Andrade como revisores. O trabalho de revisão foi tão importante que não seria injusto se todos aparecessem como tradutores. Na versão em português foi incluído um apêndice com as iniciativas brasileiras de verificação de fatos, compilado por Pedro Caetano Filho. Agradeço muitíssimo à Carla Barbosa, que me apresentou o volume original Information Disorder, à Roberta Rosman pela bela capa, ao Walter Carnielli e à Luciana Brandão, que ajudaram com sugestões na tradução e redação em português de vários trechos, e à professora Ítala D’Ottaviano, que concordou imediatamente com a publicação da tradução na Coleção-CLE da Unicamp e a sua disponibilização online gratuita.</p> <p>Por fim, agradeço ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) pelas bolsas de pesquisa (310037/2021-2, 408040/2021-1, e APQ-02093-21) que apoiaram este trabalho.</p> <p>Abilio Rodrigues<br />Universidade Federal de Minas Gerais, 31 de janeiro de 2023</p> <p>Coleção CLE - Volume 92</p> <p>ISBN 978-65-88097-07-6 (digital) </p> <p>Copyright by Coleção CLE, 2023</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p> </p> <p>Desordem Informacional: para um quadro interdisciplinar de investigação e elaboração de políticas públicas</p> <p>“Information Disorder: Toward an interdisciplinary framework for research and policy making”</p> <p>Claire Wardle, PhD e Hossein Derakhshan, com apoio de pesquisa de Anne Burns e Nic Dias<br />Tradução para Língua Portuguesa de Pedro Caetano Filho e Abilio Rodrigues<br />Revisão de Lucas Andrade e Isabela Carneiro<br />Prefácio de Walter Carnielli</p> <p>©Council of Europe, Setembro de 2017, 2a edição 2018<br />©Coleção CLE – Unicamp, Maio de 2023</p> Abilio Rodrigues, Pedro Caetano Filho; Claire Wardle, Hossein Derakhshan Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/93 Thu, 29 Jun 2023 00:00:00 -0300 Tantos sóis, tantos mundos, tantas hipóteses https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/92 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>"Este livro é um estudo híbrido que combina a história e a filosofia da ciência para refletir sobre o desenvolvimento de um campo pouco explorado pelos historiadores, e menos ainda pelos filósofos: a investigação científica da formação do sistema solar e de sistemas planetários. Os mais de três séculos de história dessa área contêm múltiplas hipóteses refutadas, conceitos abandonados, becos sem saída teóricos. Isso poderia sugerir ausência de progresso científico nesse campo, mas a partir de meados do século XX o conhecimento de fundo que informa as teorias de formação planetária, especialmente sobre a estrutura e a evolução estelar e de nebulosas moleculares, avançou rapidamente. E então, de maneira surpreendente, nas últimas quatro décadas os avanços das observações astronômicas geraram um corpo de conhecimento que permitiu a atual convergência para uma suposição empiricamente bem ancorada: a de que planetas se formam ao redor de estrelas recém-nascidas, em discos de gás e poeira que são uma consequência natural da formação estelar. A partir das observações de discos protoplanetários e das detecções de milhares de exoplanetas, o autor argumenta que é insensato não reconhecer que houve progresso substancial nas investigações sobre as origens do sistema solar. Essas reflexões são propostas articulando a história da ciência às discussões filosóficas sobre o progresso científico (se existe e, se sim, de que natureza é), às mais influentes metateorias da filosofia da ciência, como as de Thomas Kuhn e Larry Laudan, e às contribuições de Alan Chalmers e Susan Haack. O livro também oferece uma desconstrução da interpretação cética proposta pelo principal historiador do tema, Stephen G. Brush, cuja clássica e seminal obra foi publicada ainda quando os aportes observacionais e empíricos que atualmente balizam a área começavam a emergir.</p> <p> ***</p> <p>Qual é a origem do sistema solar? Como explicar a formação do Sol, dos planetas, de suas luas, dos asteroides e cometas? Eis um enigma que ocupou a mente de filósofos naturais e cientistas desde que o heliocentrismo fincou alicerces na cultura ocidental. As características regulares do nosso sistema planetário – por exemplo, todos os planetas se movem ao redor do Sol no mesmo sentido e aproximadamente no mesmo plano – apontavam para uma causa primordial, uma origem em comum entre a estrela e seu séquito planetário. A partir disso, Laplace propôs uma solução no final do século XVIII que predominou durante mais de cem anos: uma nuvem de gás de extensão colossal teria entrado em contração, formando um disco com a maior parte da matéria se reunindo aos poucos no centro e, ao seu redor, anéis concêntricos dos quais se formariam os planetas. A hipótese nebular sugeria que planetas são subprodutos da formação de estrelas, impulsionando as especulações novecentistas sobre a pluralidade dos mundos e a vida extraterrestre. No entanto, no começo do século XX, teorias que postulavam origens distintas para o Sol e para os planetas ganharam proeminência: os planetas teriam se formado a partir dos escombros de uma quase colisão entre o Sol e outra estrela. Por três décadas essas teorias motivaram uma visão em que o sistema solar era um raríssimo espécime, talvez único, em que uma estrela está acompanhada de planetas. Porém, essas concepções também se revelaram infrutíferas e, na metade do século XX, o consenso era o de que não havia solução satisfatória para o enigma. Nesse mesmo momento, começou a florescer uma comunidade científica especializada no problema. Essa comunidade chegou a um consenso mínimo no final do século XX em torno da concepção de que o processo de formação planetária se dá em discos de gás e poeira que se formam ao redor e em conjunto com estrelas muito jovens. Mesmo com muitos avanços, contudo, a área ainda não produziu uma teoria completa capaz de interconectar todos os fenômenos. Este livro traça uma história desse campo de investigação científica e discute seu desenvolvimento a partir de reflexões sobre o progresso científico e algumas das mais influentes metateorias da filosofia da ciência. Apesar das idas e vindas, becos-sem-saída e impermanências teóricas que marcam a história do campo, o autor defende que é possível identificar sinais robustos de progresso científico no conhecimento sobre a formação de sistemas planetários, principalmente a partir das últimas décadas do século XX."</p> <p> Danilo Albergaria</p> <p> </p> <p>Volume 91 – 2022</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p>ISBN: 978-65-88097-06-9 (digital) 978-65-88097-11-3 (impresso)</p> <p> </p> <p>Índice para catalogo sistemático</p> <p>Logica- Estudo e ensino 160</p> <p>Paradoxo 165 Logica – Filosofia 160.1</p> <p> </p> <p>Abstract</p> <p>“Theories on the Solar System formation have a long, centuries-old history. Starting with Descartes, going on to the works of Kant and Laplace, several natural philosophers and scientists have proposed theories that tried to explain the origin of the system from an initial primordial state moving forward to the features currently observed. In the second half of the 20th century the question began to be inquired by a growing specialized scientific community. A scientific consensus began to be formed in the last decades of this period, becoming even more cohesive in the 21st century, around the conception that planets are by-products of the formation of the Sun and that the process of planetary formation takes place in a circumstellar disc (protoplanetary), a natural consequence of the formation of stars. However, despite many advances in solving specific problems, the area has not yet reached a consistent theory about the formation of planetary systems. I draw philosophical reflections on the historical development of this field of scientific inquiry. Relevant philosophical takings on the problem of scientific progress are considered, mainly the classical metatheoretical proposals of Thomas Kuhn, Imre Lakatos and Larry Laudan, as well as the more recent contributions of Alan Chalmers and Susan Haack. Although the history of cosmogony is filled with theoretical dead-ends and ruptures, clues of scientific progress can be identified, especially on the last decades of the 20th century. This assessment of scientific progress in the area is formulated in opposition to the skeptical view proposed in the mid-1990s by the main historian of the topic, Stephen G. Brush.”</p> Danilo Albergaria Copyright (c) 2022 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/92 Fri, 16 Jun 2023 00:00:00 -0300 Hesiod’s Cosmos https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/88 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“The main purpose of this book is to prove that the structure of Hesiod’s cosmos is supported by philosophical thought.</p> <p>This project started in 2002 when I began to prepare my PhD dissertation, in which this book is based. Since there I have developed and improved my own techniques of research using mathematical and linguistic methodology. They have been applied in this book to understand the concepts of chaos and moira in Hesiod. I have applied that methodology to study and understand other texts from the Ancient Near-East, from India and also from Greece.</p> <p>My mathematical and logical formation is present in most of this book, however I tried to explain in my best way the specific concepts of those disciplines that appear through the book. It is a book intended for philosophers, humanists and in general, people interested in cosmogonies and the origin of the philosophical speculation. I feel the need to apologise to the reader about the use of terminology from logic, set theory and physics, but I cannot explain the world without those disciplines.</p> <p>The book starts with an analysis of Hesiod’s Theogony and ends with an excursus on some of the pre-Socratics.</p> <p>The first chapter offers a general vision of Hesiod and his work, following a Hesiodic theme: justice, this leads us to the basis of his moral system. Here, I also analyse etymologies of words relevant to the study of Hesiod’s works and the positions of other scholars with respect to them.</p> <p>The next chapter deals with Hesiod´s cosmogony, focusing on the concept of chaos, as understood since Antiquity, and my proposal equating chaos with the logical concept of ‘empty set’. Subsequently, I present an analogical model, where Chaos-Gaia-Ouranos are compared to 0-1-2 (considered as the sequence of the three first natural numbers), associating Chaos (‘the number 0’) with the first that came into being, Gaia (‘the number 1’) with internal otherness, so as to separate herself from Ouranos, who, like ‘the number 2’, is associated with multiplicity.</p> <p>Chapter Three is dedicated to the concept of moira in Hesiod, and its reception in other archaic cosmogonies, allowing me to propose a model for moira linked to ‘the will of Zeus’ and the manifestation of his justice, as the paradigmatic and syntagmatic axis that supports the Hesiodic cosmos.</p> <p>Chapter Four shows how some elements of the Hesiodic cosmogony were understood by some of the pre-Socratic philosophers, showing a way to evaluate the degree of complexity of those concepts, when compared with their Hesiodic counterparts.</p> <p>Finally we arrive at the general conclusion that chaos is a logical object in the foundation of the Hesiodic cosmogony and that moira and the ‘will of Zeus’, manifesting his justice, constitute the logical structure of Hesiod’s cosmos. The comparison with the pre-Socratics shows that the described Hesiodic thought have a considerable degree of complexity, in no way inferior to the ones developed by the pre-Socratics.”</p> <p> </p> <p>António José Gonçalves de Freitas</p> <p> </p> <p>Volume 71 – 2015</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p> </p> <p>OBS. The main purpose of this book is to show that the structure of Hesiod’s Cosmos stands on a philosophical reflection. The author made this analysis from a linguistic and mathematic point of view, offering models that explain concepts like Chaos or Moira and proposing a new reading for specific verbal forms. The author uses a set theoretical approach, logical and linguistic analysis of texts in a comparative way, ending with a brief comparison between Hesiod and some of the pre-Socratics.</p> António José Gonçalves de Freitas Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/88 Tue, 06 Jun 2023 00:00:00 -0300 Aftermath of the Logical Paradise https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/89 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“The city of Rio de Janeiro is an unique place in the world, known under the nickname Cidade Maravilhosa. It truly deserves to be called a paradise.</p> <p>In Brazil, Land of the Future (1941) Stefan Zweig describes as follows his first impression of the city: ”Arriving in Rio, I received one of the most powerful impressions of my whole life. I was fascinated, and at the same time deeply moved. For what lay before me here was not merely one of the most magnicent landscapes in the world, a unique combination of sea and mountain, city and tropical scenery, but quite a new kind of civilization. There were colour and movement which fascinated and never tired the eye; and wherever one looked there was a pleasant surprise. I was overwhelmed by a rush of joy and beauty... Brazil's importance for the coming generations cannot be assessed even by the most daring calculations. I knew I had looked into the future of our world”</p> <p>In 2013, Rio de Janeiro was the mainland of logicians from all over the world for ten days, it became a logical paradise. The 4th World Congress and School on Universal Logic took place from March 29 to April 7 at the foot of the Sugar Loaf in the school ECEME (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército) kindly ofered to us by the Brazilian Army. Invited speakers were placed in the nearby Flamengo district at the Hotel Paissandu, a place where Zweig himself stayed.</p> <p>The 4th UNILOG was a rich and memorable meeting. First, from March 29 to April 2, there was a school with 30 tutorials on all aspects of logic (historical, philosophical, mathematical, computational) given by great scholars, including a tutorial Logic of the Blind presented by Laurence Goldstein. Then, from April 2 to April 7, there was the congress with about 50 keynote speakers (Yuri Gurevich, Sara Negri, Gila Sher, J. Michael Dunn, Jonathan Seldin, Sun-Joo Shin, etc.), 15 workshops, (Relevant Logics, Abstract Proof Theory, Non-Classical Mathematics, Thinking and Rationality, Logic and Linguistics, etc.) 11 sessions, (Universal, Combination, Modal, Empirical, Paradox, Tools, etc. ), a secret speaker (a speaker whose identity is revealed only at the time of his/her/its speech, for the 1st UNILOG in Montreux it was Saul Kripke, for this edition it was Grigori Mints), a contest (Scope of Logic Theorems, won by Nate Ackerman).</p> <p>The present book contains some papers presented at the Congress, other papers were published in Logica Universalis (Birkhäuser) and The Journal of Logic, Language and Information (Springer). We are very grateful to Fabio Basso (State University of Campinas, Brazil) and Guilherme Carneiro (State University of Campinas, Brazil) in charge of the technical preparation of the book. Moreover, we are also indebted to Stamatios Gerogiorgakis who revised Hans Burkhardt's paper on Leibniz, after his death.”</p> <p> </p> <p>Invited Editors</p> <p>Jean-Yves Beziau</p> <p>Alexandre Costa-Leite</p> <p>Itala M. Loffredo D’Ottaviano</p> <p> </p> <p>Volume 81 – 2018</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Lógica</li> <li>Lógica simbólica e matemática</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. From April 2 to April 7, there was the 4th World Congress and School on Universal Logic with about 50 keynote speakers 15 workshops, 11 sessions, a secret speaker (a speaker whose identity is revealed only at the time of his/her/its speech, for this edition it was Grigori Mints), a contest (Scope of Logic Theorems, won by Nate Ackerman). The present book contains some papers presented at the Congress, other papers were published in Logica Universalis (Birkhäuser) and The Journal of Logic, Language and Information (Springer)</p> Jean-Yves Beziau , Alexandre Costa-Leite, Itala M. Loffredo D’Ottaviano Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/89 Tue, 06 Jun 2023 00:00:00 -0300 O Paradoxo do Mentiroso https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/90 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Paradoxos são problemas fascinantes, estão cercados dos mais intrincados aspectos técnicos, mas também podem ser apresentados de maneira muito simples e intuitiva. Ao mesmo tempo, paradoxos são problemas tradicionalmente classificados como insolúveis, problemas para os quais não existem soluções consensuais. Paradoxos fascinam pela simplicidade, mas também pela intensidade dos abalos que produzem. Paradoxos despertam a curiosidade e a perplexidade, estimulam o raciocínio e a criatividade. Paradoxos nos levam para além da opinião, para além do senso comum. Por estas e muitas outras razões, paradoxos são exemplos paradigmáticos daquilo que chamamos de Filosofia. Este livro dedica-se inteiramente a uma família muito especial de paradoxos, a família do Mentiroso.</p> <p>O Paradoxo do Mentiroso tem sido abordado pela Filosofia desde a antiguidade. Existem muitas versões e muitos exemplares de paradoxos agrupados por esta mesma classificação. Existe uma imensa literatura (espalhada em diferentes tradições) dedicada ao assunto. Além disso, contemporaneamente, importantes resultados técnicos (em áreas como a Teoria dos Conjuntos e a Teoria da Recursão) foram atrelados à discussão filosófica dos mentirosos. Por esta razão, seria demasiado ambicioso abordar o tema em toda a sua generalidade e profusão bibliográfica.</p> <p>A estante de livros dedicada ao Mentiroso incluiria desde clássicos da Filosofia Grega até obras recentes em Lógica sobre os Teoremas de Gödel. O leitor que por ventura se deparou com parte dessa literatura, certamente notou a presença de insistentes argumentos filosóficos, conceitos abstratos e todo tipo de notação matemática. Ao mesmo tempo, parte predominante dos manuais dedicados ao Mentiroso simplesmente pressupõem familiaridade com a Lógica ou delegam as explicações técnicas para outros textos dedicados exclusivamente a elas.</p> <p>Neste livro, pretendo introduzir os paradoxos da família do Mentiroso, tanto nos seus aspectos puramente filosóficos quanto nos seus aspectos técnicos ou formais. O objetivo desta apresentação é oferecer aos estudantes de Filosofia um ponto de partida para a literatura avançada nestes assuntos. Não pretendo cobrir todas as versões do Mentiroso nem todos os assuntos a ele relacionado, mas pretendo detalhar tudo aquilo que diz respeito aos seus aspectos mais básicos e tudo aquilo que seja imprescindível para falar de suas versões mais inclusivas. O objetivo mais geral é o de esclarecer quais problemas os paradoxos efetivamente revelam.</p> <p>Além disso, pretendo apresentar criticamente algumas das principais tentativas de solução oferecidas para estes problemas. Atualmente, as tentativas de solução dos mentirosos também se subdividem em famílias de solução1 . Não irei partir de uma classificação completa e atual que espelhe adequadamente o estado atual das tentativas de solução propostas ao Mentiroso. Irei partir de uma classificação mais grosseira que destaca autores protagonistas na literatura contemporânea e simplifica a exposição, tornando-a mais adequada para uma introdução. Assim sendo, darei destaque apenas às soluções hierárquicas, às soluções não clássicas e às soluções contextualistas.</p> <p>No primeiro capítulo, irei introduzir a Família do Mentiroso, sem pressupor os detalhes técnicos, focando apenas nos argumentos informais e seus impactos filosóficos. Neste momento, farei também importantes considerações preliminares.</p> <p>No segundo capítulo, irei detalhar todos os aspectos técnicos e formais atrelados ao Paradoxo do Mentiroso. O eixo condutor do capítulo é o Método Diagonal de Cantor. Este método protagoniza todos os importantes resultados do capítulo. Uma parte do capítulo (2.1 e 2.2) é dedicada à Teoria dos Conjuntos, outra parte (2.3) é dedicada à Teoria da Recursão e, finalmente, a última parte (2.4 - 2.6) é dedicada aos teoremas de Church, Tarski e Gödel.</p> <p>No terceiro capítulo, apresento a Teoria dos Tipos de Russell (3.1), as Hierarquias de Linguagens de Tarski (3.2), os Modelos de Pontos Fixos de Kripke (3.3) e a Teoria de Situações de Barwise e Etchemendy. As duas primeiras seções cobrem os dois exemplos mais paradigmáticos de soluções hierárquicas (baseadas em Lógica Clássica) do Mentiroso. A terceira seção é dedicada a um exemplo paradigmático de solução Não Clássica do Mentiroso. Finalmente, a última seção é dedicada a um exemplo paradigmático de solução Contextualista do Mentiroso. Como disse, estou me baseando em uma classificação mais grosseira das tentativas de solução, mas uma classificação que possui vantagens didáticas.</p> <p>Com o duplo objetivo de tornar o texto autocontido e tornar explícitas certas escolhas terminológicas e conceituais aqui adotadas, adicionei ao texto um Apêndice sobre a Lógica de Primeira Ordem. Em vários momentos do texto, farei referência ao Apêndice, mas recomendo ao leitor familiarizado com a Lógica que recorra a ele apenas nos casos em que o uso da terminologia produza divergências significativas. Em suma, pretendo não pressupor excessivamente para os estudantes de Filosofia, mas, ao mesmo tempo, também não entediar os iniciados em Lógica.</p> <p>Finalmente, devo ressaltar que, levando em consideração o grau de complexidade (tanto do ponto de vista técnico, quanto do ponto de vista propriamente filosófico) dos assuntos abordados neste texto e as limitações do autor, é esperado que equívocos de todo tipo sejam encontrados (isto não é uma referência ao Paradoxo do Prefácio). Espero apenas que eles não comprometam a paciência e o interesse do leitor.”</p> <p>Guilherme Araújo Cardoso</p> <p>Volume 83 – 2018</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p> </p> <p>Índice para catalogo sistemático</p> <p>Logica- Estudo e ensino 160</p> <p>Paradoxo 165 Logica – Filosofia 160.1</p> <p> </p> <p>OBS. Paradoxos fascinam pela simplicidade, mas também pela intensidade dos abalos que produzem. Paradoxos despertam a curiosidade e a perplexidade, estimulam o raciocínio e a criatividade. Paradoxos nos levam para além da opinião, para além do senso comum. Por estas e muitas outras razões, paradoxos são exemplos paradigmáticos daquilo que chamamos de Filosofia. Este livro dedica-se inteiramente a uma família muito especial de paradoxos, a família do Mentiroso.</p> Guilherme Araújo Cardoso Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/90 Tue, 06 Jun 2023 00:00:00 -0300 A “De Divina Proportione” De Luca Pacioli https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/91 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Era o segundo semestre de 1998, eu lecionava a disciplina Geometria Euclidiana I para os alunos do primeiro ano do curso de graduação em Matemática da Unesp, no campus de Rio Claro... Em minhas incursões pelo conteúdo da disciplina, assim como faço em todas as disciplinas que ministro, tinha o costume de destacar informações históricas sobre este e outros assuntos ligados à matemática. Alguns alunos simplesmente ouviam aquilo como mais uma informação, outros acompanhavam com mais atenção e, dentre estes, percebi que havia um aluno especial cujos olhos brilhavam quando recorria a temas históricos... Naquele mesmo ano, este aluno procurou-me dizendo que gostaria de desenvolver um projeto de iniciação científica em História da Matemática... Pouco tempo antes, eu havia recebido uma edição em língua espanhola do livro Divina Proporção de Luca Pacioli e, mostrando-lhe o livro, perguntei se conseguiria ler naquele idioma e, em caso positivo, se teria interesse em estudar aquele livro. Com o aceite pelo aluno do desafio lançado, foram dados os primeiros passos em direção a uma investigação histórica, que culminou com alguns projetos de iniciação científica, sob minha orientação e, posteriormente, com o projeto maior, que foi feito durante o doutoramento orientado de forma primorosa pela Profa. Dra. Itala Maria Loffredo D’Ottaviano. O livro, que neste omento apresento aos leitores, é o resultado final deste processo. Aquele aluno, cujos olhos brilhavam ao ouvir-me falar sobre temas históricos é Fábio Maia Bertato, seu autor. De forma surpreendente, Fábio não apenas dominou o idioma do texto sobre o qual desenvolvia seu projeto. Foi muito além... Com o decorrer dos anos, autodidata, ele aprendeu diferentes idiomas estrangeiros e, principalmente, o idioma do texto original de Luca Pacioli, De Divina Proportione, publicado em 1509, ou seja, o italiano do Quattrocento. O resultado de sua dedicação está apresentado nesta obra. </p> <p>Com o fortalecimento do movimento científico/institucional da História da Ciência e da História da Matemática no Brasil, grandes esforços têm sido feitos para que estudantes e pesquisadores brasileiros tenham acesso a obras clássicas. A aquisição de assinaturas de portais, que disponibilizam tais obras, é uma das formas de possibilitar o acesso, porém, somente o acesso à obra não basta, pois a maioria encontra-se em idiomas que não são do domínio dos leitores. Neste sentido, a tradução para o português de alguns dos textos clássicos do mundo científico é um caminho a ser seguido.</p> <p>No ano de 2008 comemoramos os duzentos anos da transferência da Família Real Portuguesa para o Brasil. Um fato marcante para o país foi a criação da Imprensa Régia, pouco tempo após a chegada de D. João VI, o que proporcionou uma nova era na história brasileira. A abertura de caminhos para o mercado editorial no Brasil possibilitou aos brasileiros a publicação de seus próprios livros. Dentre os primeiros livros científicos a serem publicados no Brasil destacam-se as traduções para o português brasileiro de alguns clássicos europeus que marcaram época. São eles: Elementos de Geometria e Tratado de Trigonometria de Adrien-Marie Legendre e Elementos de Álgebra de Leonhard Euler, publicados em 1809. Estes livros serviriam de base para o curso de Engenharia e Matemática na Academia Real Militar que seria criada em 1810. Ao comemorarmos duzentos anos das primeiras obras científicas traduzidas para o português do Brasil, Fábio Maia Bertato presenteia a comunidade científica brasileira com a tradução comentada de uma das principais obras matemáticas do período renascentista, De Divina Proportione de Luca Pacioli. A publicação deste livro amplia o rol de textos clássicos já traduzidos para o português e contribui de maneira significativa para o movimento historiográfico das ciências e da matemática no Brasil e, porque não dizer, para todos os países de língua portuguesa.</p> <p>Um assunto em discussão sobre a investigação científica em História da Matemática diz respeito à análise histórica e crítica de fontes literárias. Este é um campo totalmente aberto e inexplorado no Brasil. São raros os trabalhos realizados no país onde foram realizadas análises histórico/críticas em fontes primárias, sejam elas vindas do exterior ou mesmo as que foram produzidas no Brasil. Com esta tradução comentada do De Divina Proportione de Luca Pacioli, o autor demonstra que é possível realizar este tipo de investigação histórica mesmo estando fora do ambiente acadêmico onde a obra foi concebida. </p> <p>Este livro é a prova do amadurecimento científico da comunidade brasileira de historiadores das ciências. Parabenizo o autor por esta magnífica obra e deixo expresso meu orgulho em ver o progresso daquele aluno que me acompanhou durante os últimos anos de sua graduação. Conclamo aos leitores a investirem em trabalhos semelhantes a este, pois assim se dará nosso fortalecimento perante as comunidades científicas, nacional e internacional.”</p> <p> </p> <p>Fábio Maia Bertato</p> <p> </p> <p>Volume 56 – 2010</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <p> </p> <ol> <li>Matemática – História 510.9</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Este livro é a prova do amadurecimento científico da comunidade brasileira de historiadores das ciências. Parabenizo o autor, Fábio Maia Bertato, por esta magnífica obra e deixo expresso meu orgulho em ver o progresso daquele aluno que me acompanhou durante os últimos anos de sua graduação. Conclamo aos eleitores a investirem em trabalho semelhantes a este, pois assim se dará nosso fortalecimento perante as comunidades científicas, nacional e internacional.</p> Fábio Maia Bertato Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/91 Tue, 06 Jun 2023 00:00:00 -0300 Filosofia Da Mente E Inteligência Artificial https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/77 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Explicar o que é Filosofia da Mente e quais são suas tendências atuais não é tarefa fácil, sobretudo se levarmos em conta que a Filosofia da Mente não é propriamente uma disciplina, mas, primordialmente, um estilo de filosofar que ganhou contornos mais nítidos nas últimas décadas, tendo como temas questões filosóficas tradicionais: o problema das relações mente-corpo, o problema da natureza das representações mentais, o problema da identidade pessoal, apenas para citar algumas.</p> <p>Tudo se passa como se estas questões fossem momentaneamente redescobertas e como se as críticas à boa e velha metafísica — que alguns quiseram sepultar precipitadamente — fossem momentaneamente esquecidas. A Filosofia da Mente reinventa problemas metafísicos e os rediscute introduzindo um horizonte filosófico novo, muito diferente daquele que vigorava no século passado e que desencorajava qualquer tentativa de resposta a essas questões fundamentais.</p> <p>Se tivermos de situar o início da Filosofia da Mente melhor seria fazê-lo com a publicação do livro de Gilbert Ryle, The Concept of Mind, em 1949. Este trabalho — ainda hoje considerado paradigmático para todos aqueles que desejam se aventurar nesta área — marcou todo um período na história da Filosofia da Mente. Ryle ocupou-se do problema tradicional das relações mente-corpo (mind-body problem) ao mesmo tempo em que procurou demonstrar que este problema não poderia receber uma solução satisfatória por estar fundamentalmente mal formulado. Tentativas de solucioná-lo desembocaram sempre em posições reducionistas - sejam elas dualistas, materialistas ou mesmo interacionistas.</p> <p>O erro básico de todas estas posições residiria no fato de que a própria formulação do problema nada mais seria do que um equívoco linguístico. Uma análise cuidadosa da linguagem de que nos utilizamos para nos referir a estados mentais e outros fenômenos internos seria suficiente para dissipar toda confusão e o próprio problema das relações mente-corpo desaparecerta, ficando assim evidente que este seria um típico pseudo-problema.</p> <p>O trabalho de Ryle tornou-se o ponto de referência de toda a filosofia da mente — uma influência que durou por mais de uma década. À especulação acerca da natureza dos fenômenos mentais deveria ser substituída por um método de análise da linguagem, um método que mais tarde ficaria conhecido e consagrado sob o nome de análise conceitual. A estratégia básica da análise conceitual consistia numa avaliação da semântica dos termos utilizados para falarmos de fenômenos mentais — sejam eles sensações, pensamentos ou imagens. Para dissipar os problemas da Filosofia da Mente e identificar os pseudo-problemas seria preciso, preliminarmente, disciplinar a maneira pela qual nos referimos a esses fenômenos. Com isto não se esperava resolver os problemas tradicionais da Filosofia da Mente mas simplesmente dissolvê-los. Neste sentido o método empregado pela análise conceitual não visava nenhuma solução a ser atingida: o seu próprio emprego já significava a resolução de todos os problemas da Filosofia da Mente.</p> <p>Infelizmente nem todos os problemas da Filosofia da Mente poderiam ser resolvidos através da análise linguística dos termos cotidianos utilizados para nos referirmos a fenômenos mentais. À aplicação continuada deste tipo de método acabou por frustrar seus defensores: pressupostos metafísicos acabaram por se evidenciar e logo se percebeu seus compromissos tácitos com uma espécie de behaviorismo lógico que dissipava sua pretensa neutralidade e o devolveria para a esfera dos reducionismos que tanto se desejava criticar. À análise linguístico-conceitual dos fenômenos mentais revelava suas limitações e logo seria substituída por outras perspectivas filosóficas.</p> <p>O segundo grande movimento da Filosofia da Mente (que ocupou a década de 60 e o início dos anos 70) seria marcado por uma tendência bastante explícita: o materialismo. Este movimento surgiu como uma forte reação à análise linguístico-conceitual proposta por Ryle. E uma vez que se abandonava a crítica da linguagem cotidiana procurava-se também abandonar definitivamentequalquer método filosófico ou qualquer tipo de especulação. À solução para os problemas da Filosofia da Mente deveria ser procurada no domínio de teorias psicológicas empiricamente fundamentadas ou até mesmo na Neurofisiologia. Entretanto, estas teorias não podiam ser pura e simplesmente incorporadas pela Filosofia da Mente: elas eram e deveriam ser suscetíveis de uma crítica filosófica. Foi esta tendência que levou a uma aproximação entre Filosofia da Mente e Filosofia da Ciência — uma aproximação que se mantém até hoje. Achar uma compatibilidade ou uma comensurabilidade entre teorias psicológicas e teorias neurofisiológicas como se buscava é ainda hoje um problema fundamental para a Filosofia da Mente e ao mesmo tempo um problema da Filosofia da Ciência. Foi a partir desta aproximação que a Filosofia da Mente se expandiu como área de estudo, passando a interessar-se por todo e qualquer tipo de estudo empírico de fenômenos mentais, seja este obtido através da Neurofisiologia, da Inteligência Artificial ou da Psicolingúística.</p> <p>A mudança fundamental que assistimos nesse período foi um crescente interesse pelos resultados empíricos das diferentes disciplinas que tratam de fenômenos mentais — resultados que deveriam não apenas ser integrados a especulação em Filosofia da Mente mas também servir como seu ponto de partida. O comércio entre ciência e filosofia era assim restabelecido e isto levou a Filosofia da Mente a assumir uma posição naturalista, ou seja, a sustentar que a epistemologia e, consequentemente, a própria Filosofia da Mente deveriam ser vistas como um capítulo da Psicologia.</p> <p>Mas este movimento consolidou-se efetivamente através da chamada teoria da identidade mente-cérebro, cujo principal pressuposto metafísico era o materialismo, ou seja, a proposição de que mente e cérebro são uma única e mesma coisa. Assim sendo, todos os fenômenos mentais, incluindo o conteúdo de nossos estados internos (dores, pensamentos, sonhos, desejos etc) nada mais seriam do que processos ou estados de nossos cérebros.</p> <p>Os primeiros artigos sobre a teoria da identidade mentecérebro — escritos no início da década de 60 por filósofos como UVT. Place, J.J. Smart e D. Armstrong — tinham um estilo marcadamente panfletário. O que se desejava era uma total refutação do dualismo, ao mesmo tempo em que se lançavam as bases conceituais para uma ciência da mente nos moldes do fisicalismo.</p> <p>Os argumentos anti-dualistas deste grupo de filósofos seguiam uma direção bastante parecida: tratava-se de mostrar que se supomos a existência de eventos não-físicos no cérebro (ou na “mente”) estes eventos não têm consequência alguma sobre o comportamento. Nossas ações não poderiam ser explicadas como decorrência de nossas operações mentais ou mesmo de nossas intenções, crenças e desejos — uma posição particularmente contraintuitiva e difícil de sustentar.</p> <p>Os partidários da teoria da identidade defendiam a idéia de que esta deveria ser uma teoria empírica, ou seja, sua ontologia só poderia incluir entidades validadas pela Neurofisiologia ou por outras ciências empíricas. Isto significava dizer não apenas que eventos mentais ocorrem paralelamente a eventos cerebrais ou que os primeiros são causados pelos últimos, o que estes teóricos propunham era algo muito mais radical, ou seja, que eventos mentais são eventos cerebrais.</p> <p>Este tipo de afirmação radical não poderia deixar de gerar muitas controvérsias, algumas das quais particularmente polêmicas. Uma forte objeção à teoria da identidade emergiu da aplicação da chamada Lei de Leibniz. É esta lei que torna a identidade uma relação lógica particularmente forte, implicando em muito mais do que uma simples similaridade ou uma ocorrência simultânea de eventos mentais e eventos cerebrais. Com efeito, a Lei de Leibniz estabelece que se "x” é idêntico a “y” isto implica que todo e qualquer predicado que possa ser atribuído a "x” deve igualmente poder ser atribuído a "y”. Para exprimir esta lei de forma trivial podemos afirmar que ela nos diz que se a estados cerebrais atribuímos as propriedades de "ser permeável" e “conduzir eletricidade”, estas mesmas propriedades deveriam ser atribuídas aos estados mentais. Mas é claro que não faz sentido afirmar acerca de pensamentos que eles "são permeáveis" ou que "são condutores de ele tricidade”, o que tornava a aplicação da Lei de Leibniz particularmente problemática para os defensores da teoria da identidade.</p> <p>Certamente esta não era a única objeção que enfrentavam os partidários da teoria da identidade. Contudo, mesmo que a teoria da identidade não tenha sido bem sucedida na sua proposta de tratar estados mentais como estados cerebrais é preciso notar que isto não diminuiu sua importância histórica para a rediscussão do problema das relações mente-cérebro — o qual ainda permanece sendo uma preocupação fundamental dos filósofos da mente. A elucidação da relação lógica de identidade que supostamente não apresentaria dificuldades passou a constituir um objeto de estudo e de indagação metafísica após a formulação da teoria da identidade e do seu enunciado central, qual seja, o de que estados mentais são idênticos a estados cerebrais. Neste sentido, as reflexões de S. Kripke sobre a relação de identidade, apesar de concluírem pela refutação do materialismo, constituem talvez o mais importante legado deste movimento filosófico dos anos 60 e início dos anos 70.</p> <p>Mas a teoria da identidade mente-cérebro não constituiu a única ramificação naturalista da Filosofia da Mente no século XX. A partir dos anos 50 a especulação filosófica passa a ser influenciada pela idéia de que o computador constitui o melhor modelo do funcionamento mental humano. A investigação em Filosofia da Mente começava a se mesclar com os desenvolvimentos da Psicologia Cognitiva e com as primeiras realizações da Inteligência Artificial, uma disciplina novíssima que viria a se consolidar no início dos anos 60.</p> <p>À Inteligência Artificial rapidamente se constituiu num corpo de conhecimentos interdisciplinares, recebendo contribuições da Psicologia, da Ciência da Computação, da Linguística e da Filosofia. Sua finalidade era estudar programas computacionais cuja aplicação prática consistia na construção de sistemas que pudessem executar um conjunto crescente de atividades para as quais se requeria inteligência. O estudo e a modelagem de atividades cognitivas humanas e a explicação dos processos mentais responsáveis pelo comportamento inteligente passou a ser o centro dos interesses destes pesquisadores, empenhados em explicitar alguns aspectos da nossa vida mental através da construção de modelos computacionais que apresentassem um elevado grau de realidade psicológica.</p> <p>O interesse dos filósofos da mente por esta nova área de estudos não se resumia à simulação de atividades mentais humanas. Tratava-se também de avaliar os pressupostos envolvidos nos modelos computacionais: se um computador ou um robot puder simular nossas atividades mentais e se essas máquinas nada mais forem do que um determinado arranjo material (de válvulas ou “chips”), então podemos concluir que para explicar o funcionamento da mente humana não precisamos postular a existência de uma outra substância mental ou espiritual que possivelmente seria completamente distinta da matéria. As implicações filosóficas da realização deste projeto seriam imediatas: o dualismo deveria ser descartado, dando lugar ao fisicalismo que surgiria da certeza de que nossa atividade mental não seria nada além de algo que resulta da complexidade do sistema nervoso dos organismos superiores. Um entrecruzamento entre investigação filosófica e pesquisa em Inteligência Artificial já se configurava desde as primeiras realizações desta nova disciplina. A investigação em Inteligência Artificial concentrou-se então na tentativa de mostrar que muitas capacidades que anteriormente se consideravam exclusivas dos seres humanos — como por exemplo jogar xadrez, demonstrar teoremas em Lógica e em Matemática — poderiam ser desempenhadas por programas computacionais.</p> <p>Na década de 60 um grupo de pesquisadores liderados por A. Newell e H. Simon organizaram um projeto de estudos que ficou sendo conhecido pelo nome de "Projeto de Simulação Cognitiva”. Uma das preocupações deste grupo era a simulação da atividade de resolução humana de problemas através de modelos computacionais. Newell e Simon desenvolveram um programa para resolução de problemas denominado GPS, o qual possuia um espectro bem amplo de utilizações. Uma delas - a que se tornou certamente a mais famosa — consistiu na sua capacidade de demonstrar teoremas do Cálculo Proposicional. Com base nas declarações verbais de indivíduos resolvendo problemas do Cálculo Proposicional, Newell e Simon estruturaram seu programa. Eles pretendiam que o GPS constituísse uma autêntica simulação dos processos mentais humanos, ou seja, afirmavam que o programa por eles desenvolvido empregava estratégias semelhantes àquelas utilizadas por indivíduos humanos. Em outras palavras, o que Newell e Simon pareciam querer sustentar era uma similaridade entre os processos subjacentes às atividades desempenhadas pelo programa e aquelas desempenhadas pelos indivíduos humanos.</p> <p>As pretensões realistas no que diz respeito às simulações cognitivas tais como eram realizadas por Newell e Simon passaram a ser questionadas sob várias perspectivas. O principal problema enfrentado pelos teóricos da simulação cognitiva dizia respeito à possibilidade de se afirmar que realmente duplicamos não apenas comportamentos manifestos mas também os processos a eles subjacentes. Novamente questões filosóficas e os resultados das pesquisas em Inteligência Artificial se mesclavam, desta vez envolvendo uma questão epistemológica similar âquela da adequação de teorias diversas a um mesmo conjunto de dados empíricos selecionados para confirmá-las. Ou seja, assim como é possível formular teorias concorrentes igualmente bem confirmadas para explicar um mesmo conjunto de fenômenos empíricos, argumentava-se que também seria possível realizar as mesmas tarefas utilizando-se programas computacionais diferentes. E como seria possível assegurar que um deles constituiria efetivamente uma simulação do modo como seres humanos realizam tais tarefas? Uma máquina de calcular e um ser humano podem fazer operações aritméticas, mas certamente seria muito difícil sustentar que uma calculadora constitui uma simulação do modo como seres humanos realizam somas ou subtrações. Uma simples comparação entre o desempenho de uma máquina e o de um ser humano é insuficiente para afirmar que um determinado programa computacional constitui simulação cognitiva. E o que dizer no caso de termos dois programas computacionais inteiramente distintos mas que podem realizar a mesma tarefa com igual eficiência? E como poderíamos estabelecer uma comparação se pouco ou nada sabemos acerca do modo como seres humanos realizam operações mentais? À crença na existência de uma isomorfia entre operações mentais realizadas por organismos e aquelas efetuadas por programas computacionais começava a ser questionada. E mesmo que existisse tal isomorfia, pairava a dúvida de que talvez ela nunca poderia ser efetivamente comprovada.</p> <p>Tal dificuldade logo se manifestou no caso do GPS quando o matemático Wang montou um programa que era igualmente capaz de efetuar demonstrações no Cálculo Proposicional utilizando-se, entretanto, de estratégias e processos distintos. Por outro lado, passou-se igualmente a questionar se simulações poderiam ser montadas com base unicamente nas declarações verbais de indivíduos durante a tarefa de resolução de problemas como o fizeram Newell e Simon. Proceder assim implicava em estipular a existência de uma similaridade entre linguagem e processos mentais subjacentes, o que é igualmente questionável. Será que existe essa similaridade entre a atividade mental dos sujeitos e o seu comportamento linguístico manifesto? Conquanto possamos admitir que a linguagem é constitutiva (e essencial) nos nossos processos mentais, isto não permite descartar a hipótese de que processos lingúísticos sejam apenas manifestações de operações mais profundas. Este último ponto de vista impede a afirmação segundo a qual à linguagem natural poderia ser identificada com o pensamento como pareciam pressupor — pelo menos num primeiro momento — Newell e Simon.</p> <p>Esta restrição das pretensões realistas com relação às simulações não minimizou a importância da Inteligência Artificial, seja para a Psicologia, seja para a Filosofia. Hoje em dia não falamos mais em simulações mas em modelos para aspectos específicos de uma ou outra atividade mental sob estudo. O processo de elaboração desses modelos é fundamental na pesquisa acerca da natureza das atividades cognitivas humanas. Ao tentar criar equivalentes mecânicos de processos cognitivos o investigador da Inteligência Artificial é obrigado a elaborar programas e, nesta atividade, ele tem de estabelecer, com clareza, cada etapa a ser percorrida pelo computador. Nesta tarefa ele é simultaneamente obrigado a uma reflexão mais detalhada acerca de suas hipóteses sobre a estrutura e o funcionamento das atividades cognitivas humanas. Tudo se passa como se montar programas equivalesse a esquematizar diagramas no quadro-negro numa aula de geometria. Teoricamente eles podem ser considerados irrelevantes, mas por outro lado, eles forçam uma certa disciplina da imaginação. À investigação em Inteligência Artificial constantemente se entrecruza com a investigação filosófica na medida em que construir programas significa muitas vêzes indagar pelas condições de possibilidade de certos desempenhos cognitivos presentes na linguagem natural, na percepção etc.</p> <p>Máquinas com comportamentos parecidos com os dos seres humanos participarão cada vez mais de nossas vidas. Os filósofos da mente mais ousados até já investigam o sentido de se atribuir direitos civis a estas máquinas na medida em que elas se tornarem réplicas quase perfeitas de seres humanos! Afinal, pode uma máquina pensar? Encontrar uma resposta para esta questão, formulada há algumas décadas atrás pelos primeiros teóricos da Inteligência Artificial torna-se uma tarefa que exige cada vez mais a participação dos filósofos. Tentar respondê-la significa abordar uma questão ainda mais primordial que percorre quase toda História da Filosofia: afinal, o que é o pensamento? Será ele exclusividade dos seres humanos — aquela característica distintiva que nos coloca na posição confortável de ser o centro da criação e do universo? Teria Descartes agido de maneira precipitada quando, ao percorrer os argumentos céticos, concluiu que o pensamento nos remete inevitavelmente à existência de uma alma imaterial que seria a única fonte possível de todo pensar? Não seria a hipótese de que um mecanismo pode pensar um forte argumento para abalar as convicções metafísicas inspiradas pelo Cogito cartesiano?</p> <p>Sugerimos no nosso breve histórico das realizações da Inteligência Artificial que equiparar uma máquina com um ser humano, afirmar que ambos podem pensar significa algo mais do que simplesmente estabelecer uma comparação entre seus comportamentos. Se máquinas realizam tarefas que antes considerávamos exclusividade dos seres humanos isto não quer dizer que elas possam pensar. Seria preciso que elas realizassem essas tarefas e ao mesmo tempo pudessem saber o que estão fazendo, Em outras palavras, elas precisariam desenvolver alguma coisa parecida com a consciência — só assim poderíamos iniciar esta comparação. Mas a consciência exige uma capacidade ainda mais primitiva: a de poder perceber e representar o mundo, condição necessária para que um organismo possa elaborar uma versão daquilo que o rodeia e elaborar uma subjetividade própria que dê significado para seus comportamentos. Nos últimos anos esta questão tem ocupado psicólogos, filósofos e pesquisadores da Inteligência Artificial. Como pode um organismo construir suas representações internas? Poderá uma máquina representar o mundo que a rodeia e gerar algo similar ao significado de nossos pensamentos ou de nossa linguagem?</p> <p>O conceito de representação interna tem se mostrado fundamental na explicação do comportamento para várias escolas psicológicas. Para os filósofos, é o estudo da natureza das representações internas que permitirá explicar como o conhecimento é possível, na medida em que estas funcionam como uma espécie de modelo interno do mundo. Esta investigação, entretanto, torna-se decisiva para o pesquisador da Inteligência Artificial que depende de uma teoria filosófica da natureza da representação, a partir da qual seja possível indagar se sistemas artificiais podem representar o mundo e vir a desenvolver algo parecido com uma vida mental. De uma resposta positiva a esta indagação preliminar depende a possibilidade de validar a Inteligência Artificial como projeto teórico e científico.</p> <p>Tentar desenvolver os fundamentos filosóficos de uma teoria da representação mental é a motivação dos ensaios que reunimos neste volume. O primeiro ensaio serve como uma espécie de guia, que remete aos demais, procurando delimitar alguns contornos históricos da questão que nos ocupa, qual seja, a da natureza da representação mental e da possibilidade de sua simulação através de sistemas artificiais. O segundo ensaio, "À Máquina de Enxergar”, discute a percepção enquanto forma básica de representação do mundo exterior. Nele investigamos a especificidade da relação perceptual que se estabelece entre organismo e mundo para depois discutir a possibilidade de se replicar a percepção através de equivalentes mecânicos. Nas suas seções finais introduzimos os primeiros elementos para a formulação de uma teoria biológica e evolucionária da representação mental que será desenvolvida no terceiro ensaio, intitulado "Auto-locomoção e imtencionalidade”. Este terceiro ensaio constitui o núcleo de nosso trabalho, qual seja, uma teoria de inspiração naturalista onde propomos uma abordagem biológica da representação mental através de uma articulação entre Inteligência Artificial e teoria da evolução.</p> <p>À preocupação com as questões relativas à evolução serve de motivação para o quarto ensaio, "Inteligência Artificial e Caça aos Andróides”. Nele indagamos se uma teoria da representação bascada no conceito de seleção natural e evolução das espécies pode conviver com as propostas da Inteligência Artificial de criar sistemas que, mesmo sem um passado evolucionário, possam vir a desenvolver habilidades cognitivas que a natureza levou milhares de anos para aperfeiçoar. Esta discussão tornou-se necessária na medida em que percebemos que os modelos da Inteligência Artificial poderiam sucumbir a tentações anti-científicas do criacionismo ao propor a geração instantânea de sistemas dotados de uma possível capacidade de representação do mundo exterior.</p> <p>Finalmente, no último ensaio, retomamos a questão mais tradicional da Filosofia da Mente, qual seja, o problema das relações mente-cérebro e procuramos investigar em que medida os modelos da Inteligência Artificial podem nos auxiliar a esclarecêlo. Procuramos oferecer uma alternativa à teoria da identidade mente-cérebro sem postular a existência de entidades metafísicas que forçar-nos-iam a adoção do dualismo.</p> <p>Se estes ensaios formam uma unidade ou uma teoria completa é uma questão que não podemos responder, Muitas vezes ao escrevê-los, tivemos a sensação de estarmos nos aproximando de uma imensa cidade, que poderíamos descortinar de várias perspectivas, que contudo não poderiam ser integradas a ponto de compor um mapa. A falta de uma unidade geral teve a vantagem de poder preservar a independência destes ensaios, que podem ser lidos separadamente, embora sob pena de incorrermos em inevitáveis repetições de algumas passagens, facilmente reconhecíveis.”</p> <p> </p> <p>João De Fernandes Teixeira</p> <p> </p> <p>VOLUME 17 – 1996</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1996</p> <p> </p> <p>Indice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Inteligência artificial 001.535</li> <li>Mente - Filosofia 128.2</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. O aparecimento da Ciência Cognitiva e da Inteligência Artificial, nas últimas décadas, tem trazido uma constante inquietação para os filósofos da mente que têm questionado, incessantemente, a possibilidade de sistemas artificiais replicarem a vida mental humana. Neste livro, o autor aborda um dos aspectos centrais deste problema, investigando a natureza das representações mentais. Dirigida não apenas para um público de especialistas, esta obra é de interesse para filósofos, psicólogos, cientistas da computação e áreas afins.</p> João De Fernandes Teixeira Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/77 Mon, 05 Jun 2023 00:00:00 -0300 Auto-Organização https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/78 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“O presente volume <strong>Auto-organização: estudos interdisciplinares,</strong> foi elaborado a partir de pesquisas dinamicamente desenvolvidas pelos membros do Grupo Interdisciplinar CLE - Auto-organização e Informação do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Unicamp. Dada sua natureza interdisciplinar, o grupo reúne pesquisadores de várias áreas do saber, notadamente da filosofia, ciência cognitiva, lógica matemática, engenharia, física, biologia, motricidade humana, psicologia, medicina e música. Trata-se aqui de dar continuidade às pesquisas iniciadas no CLE em 1986, sob a coordenação do professor Michel Debrun, que, com seu falecimento em 1997, deixou um enorme vazio entre nós. Contudo, como não poderia deixar de ser no caso de Debrun, esse vazio é dinâmico e assume inúmeras formas criativas. Como o leitor poderá verificar, sua memória está presente na maioria dos capítulos aqui apresentados.</p> <p>Seguindo as trilhas iniciadas por Debrun, os autores procuram desenvolver muitas de suas idéias, aplicando-as em áreas diversas do saber, que foram aqui agrupadas em três partes, organizadas do particular para O geral. Assim, a primeira parte trata dos processos de Auto-organização na ação e no pensamento humano; a segunda situa os processos de Autoorganização na biologia, analisando as suas possíveis aplicações nos seres vivos; a terceira parte traz contribuições para o estudo de sistemas e dos processos de auto-organização no universo físico em geral. O leitor está convidado a participar do nosso entusiasmo na descoberta da rica dinâmica do processo de Auto-organização, que parece se aplicar às mais diversas formas da existência, de acordo com a sua área de interesse. As três partes são relativamente independentes e podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo do seu entendimento.</p> <p>A Parte I inclui os Capítulos 1, 2, 3, 4 e 5, todos voltados para o estudo dos processos de auto-organização nos seres humanos e de suas criações mecânicas. No Capítulo 1, Auto-organização na ação humana e o naturalismo esclarecido: o modelo de Michel Debrun, Renato Schaeffer desenvolve estudos sobre Auto-organização a partir da perspectiva que o autor denomina “naturalismo esclarecido”. Este opõe-se tanto ao dualismo transcendentacionalista intracerebral como ao atualismo fisicalista. Apoiando-se nas idéias de Debrun, Schaeffer argumenta em defesa da tese anti-representacionista, segundo a qual o fenômeno da percepção sensorial é “...algo como uma apresentação”, dispensando qualquer forma de representação mental. O autor mostra, de maneira bastante instigante, que essa tese encontra um rico ambiente no paradigma da Autoorganização. No Capítulo 2, O papel da atenção no comportamento motor: o processo de auto-organização em destaque, Ana Maria Pellegrini analisa o mecanismo da atenção na relação do organismo com o seu meio ambiente, evidenciando a idade mental e o acoplamento entre percepção e ação no controle da postura. A autora desenvolve também considerações sobre o papel da atenção nos processos de auto-organização, os quais ela entende que se fazem presentes em variadas formas de comportamento motor. No Capítulo 3, Auto-organização, autonomia e identidade pessoal, Maria Eunice Quilici Gonzales, Mariana €C. Broens e Juliana Serzedello analisam o problema da identidade pessoal na sua formulação atual da filosofia da mente. Apoiando-se nos princípios de causalidade circular e de condicionalidade dos estados disposicionais (emergentes da dinâmica presente no acoplamento entre percepção e ação), as autoras propõem uma estratégia de análise do processo de formação de identidade pessoal em sistemas processadores de informação. Especial ênfase é dada ao caráter auto-organizador do processo de geração de hábitos que, para elas, constitui a marca principal da identidade pessoal. No Capítulo 4, Carmem Beatriz Milidoni e Erberth Eleutério dos Santos, em O “eu” do Projeto Freudiano na perspectiva da auto-organização, investigam o conceito de “Eu” do Projeto sob a ótica da auto-organização. Tal investigação é realizada nos moldes da filosofia da mente, acrescentando-se uma proposta de conceituação do “eu” na perspectiva neo-mecanicista da abordagem da auto-organização. De maneira muito habilidosa, os autores defendem a hipótese que o “eu” do Projeto pode ser considerado, “de alguma maneira... “sujeito” à luz do paradigma da auto-organização.” No Capítulo 5, Jônatas Manzolh, Paul Vershure e Maria Eunice Quilici Gonzales, em Autoorganização, criatividade e cognição discutem o tema da criatividade à luz da teoria da Auto-organização. Adotando a hipótese de Peirce, segundo a qual o processo de criação possui uma lógica subjacente, que caracteriza o raciocínio abdutivo, os autores analisam a (im)possibilidade de se mecanizar o processo de criação em robôs que, em princípio, se auto-organizam. Em particular, o tema da criatividade é abordado através de um experimento com um robô, Khepera, num contexto de criação musical.</p> <p>icações do paradigma da Auto-organização na biologia. O Capítulo 6, Coerência, entropia e consciência, de autoria de Alfredo Pereira Jr. e Armando Freitas Rocha relaciona tópicos da filosofia da física, biologia e psicologia. Os autores defendem a hipótese de que em sistemas abertos mantidos em estado de baixa entropia (seres vivos) é possível a formação de estados de coerência quântica que constituem a base biofísica dos fenômenos da consciência, descritos na filosofia da mente e na ciência cognitiva atuais. A formação desses estados ocorreria em concordância com os processos de auto-organização. Tais processos possibilitam, na opinião dos autores, a emergência de estados de consciência em alguns sistemas mantidos em estado de baixa entropia. No Capítulo 7, Hierarquia autoorganizada em sistemas biológicos, Gustavo Maia Souza e Angelo Gilberto Manzatto apresentam uma concepção sistêmica do universo biológico, caracterizando os elementos essenciais para a formulação de uma teoria biológica de sistemas hierárquicos auto-organizados. Os autores argumentam que a hierarquia dos sistemas complexos, longe do equilíbrio té termodinâmico, constitui “...a própria causa desse fenômeno, possibilitando o aumento de complexidade”. No Capítulo 8, Estruturas Dissipativas e auto-organização, Vera Maura Fernandes de Lima apresenta exemplos de estruturas dissipativas que se manifestam em certos processos de auto-organização cerebral. Concebendo o cérebro como um meio excitável, longe do equilíbrio, a autora apresenta evidências que apóiam a hipótese de que tais estruturas dissipativas estão subjacentes aos “...estados cerebrais manifestados clinicamente como enxaqueca clássica, epilepsia, amnésia global transiente e outras síndromes funcionais”. No Capítulo 9, Modelagem hipercíclica da geração do código genético, Carlos Henrique Costa Moreira, Romeu Cardoso Guimarães e Ana Raquel Teixeira discutem questões relativas à origem da vida, do tipo: como é que “...um conjunto de macromoléculas se organiza em estruturas com variedade funcional capazes de armazenar e recuperar informação necessária para controlar o ... conjunto de reações químicas que ocorrem no interior de um organismo”. A sugestão dos autores é que o conceito de auto-organização parece ser necessário para a explicação de fenômenos dessa natureza e para o entendimento dos processos evolutivos. No Capítulo 10, O que orienta a evolução biológica, Luiz Henrique Alves Monteiro e José Roberto Castilho Piqueira analisam a dinâmica de sistemas complexos auto-organizados, entre os quais se encontram os seres vivos. Adotando a hipótese de que os seres vivos são sistemas simultaneamente termodinâmicos e informacionais, os autores definem os conceitos de entropia termodinâmica e entropia informacional discutindo suas relações com a evolução da vida na terra. No Capítulo 11, O conceito sistêmico de gene — uma década depois, Romeu Cardoso Guimarães e Carlos Henrique Costa Moreira desenvolvem um detalhado estudo do conceito de gene. Questões sobre a origem dos genes e sua função nos sistemas vivos, bem como o papel do processo de auto-organização na origem dos genes, são tratadas pelos autores no contexto da comunidade dos geneticistas. Os conceitos bioquímico e natural de gene são introduzidos, propondose um olhar binocular no estudo dos produtos gênicos e de “...suas ligações que organizam a teia metabólica”.</p> <p>Na Parte III, que reúne os Capítulos 12, 13 e 14, o domínio de estudos dos processos de auto-organização é ampliado, de modo a abranger os sistemas complexos em geral. A forma de apresentação dos capítulos preserva aqui parte das discussões que os autores realizaram com os membros do Grupo CLE Auto-organização. No Capítulo 12, Conceitos básicos de sistêmica, Ettore Bresciani Filho e Itala Maria Loffredo D'Ottaviano apresentam um trabalho de elaboração de conceitos e definições fundamentais da ciência dos sistemas e dos processos de autoorganização. Noções básicas como as de universo, relação, estrutura, ordem, organização, entre outras, são cuidadosamente definidas com o objetivo de fornecer subsídios para os estudos dos sistemas complexos e dos processos de auto-organização. No Capítulo 13, A posição exata da questão da Forma, lulo Brandão apresenta uma análise da noção de forma na historia da filosofia, situando no seu interior o conceito de autoorganização. Dirigida para um público multidisciplinar, essa conferência apresenta, didaticamente, argumentos em defesa da hipótese de que “...Se por auto-organização devemos entender um processo em que os entes... se inter-relacionam engendrando uma ordem que, como tal, prescinde de um núcleo ordenador, transcendente ou imanente que se lhe imponha, somos, então, coagidos a reconhecer que, provavelmente, poucas doutrinas filosóficas lograram alcançar tal objetivo.” No Capítulo 14, Origem do Cosmos e auto-organização na obra de Charles Sanders Peirce, Lauro Frederico Barbosa da Silveira analisa importantes passagens da obra de Pierce que evidenciam uma concepção evolutiva, não determinista e autoorganizada do universo, inclusive de suas leis. Sem fazer referência explícita ao termo auto-organização, o autor ilustra a sua presença na visão Peirceana do universo: “...a lei que concretiza o princípio da aquisição de hábitos evolui neste próprio processo. Leis darão lugar a outras leis, pois elas nada mais são do que o desdobrar da razão no universo, a expressão dos hábitos adquiridos.” Essa lei, como ressalta Peirce, deve ser tal que “.. possa surgir e se desenvolver por si mesma.” A belíssima seleção dos textos de Peirce realizada nesse capítulo sugere que investigações sobre a natureza dos processos de auto-organização foram iniciadas muito antes do que poderiam supor os atuais estudiosos do tema.</p> <p>O leitor irá constatar, à medida em que percorra dinamicamente a leitura dos capítulos, que novas estruturas informacionais podem emergir, espontaneamente, no seu domínio próprio de atuação. Nesse sentido, será fácil verificar os passos que se vão delineando no próprio processo de criação. Afinal, uma das características mais interessantes dos processos de auto-organização reside justamente na dinâmica interativa dos seus elementos, que podem dar lugar à emergência de novas estruturas informacionais!</p> <p>A produção deste volume só foi possível graças à colaboração de inúmeros pareceristas ad hoc, aos quais manifestamos nosso agradecimento. Agradecemos também ao Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da Unicamp e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).</p> <p>No final de 1996 a FAPESP passou a apoiar o Projeto Auto-organização: estudos interdisciplinares, sob a coordenação do Prof. Michel Debrun. Em 1997, alguns meses após sua morte, a FAPESP autorizou a Prof. Itala M. Loffredo D'Ottaviano a assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento do projeto.</p> <p> Essa autorização da FAPESP foi fundamental para que o Grupo CLE Auto-organização se esforçasse por manter o trabalho coletivo e garantir a continuidade de sua proposta inicial. Passamos a nos sentir responsáveis por um projeto que só poderia ser desenvolvido sob a liderança de um intelectual do porte de Debrun, o que não era o caso de nenhum dos membros do Grupo.</p> <p>Nada mais natural e justo e, para nós, profundamente gratificante, do que dedicarmos o resultado deste nosso trabalho à memória do querido Michel Debrun.”</p> <p>Itala M.L. D'Ottaviano</p> <p>Maria E.Q. Gonzales (Orgs.)</p> <p> </p> <p>VOLUME 30 – 2000</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Sistemas auto-organizadores 001.533</li> </ol> <p>OBS. Novamente, livro que trata da Auto-organização. Diferentes definições têm sido dadas para essa idéia, que corresponde a uma intuição vaga e excitante de que novas estruturas podem emergir, se desenvolver ou se reordenar essencialmente a partir delas próprias. Será mesmo que existe algo como “auto-organização”, que não seja justificável a partir das modalidades correntes da explicação? O leitor é convidado a desvendar este mistério a partir de sua própria área de conhecimento. Desta feita, quatorze artigos são apresentados, percorrendo as mais diversas áreas.</p> Itala M.L. D'Ottaviano , Maria E.Q. Gonzales Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/78 Mon, 05 Jun 2023 00:00:00 -0300 Logical Forms https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/79 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Two questions that preoccupied me in the seventies motivated me to write this book. (1) What is the relation between a statement (sentence, proposition) and reality? (2) What is the fundamental character of logic? Part I develops an answer to (1) and Part II (forthcoming) develops an answer to (2). The Introduction and Chapter 1 give an outline of these answers.</p> <p>As I worked on the book, however, more and more of my life's experience teaching and researching questions of philosophy of logic, philosophy of mathematics and philosophy of language became relevant to the subjects that 1 was discussing. So, the outcome is not just an attempt to answer questions (1) and (2), but is also, and perhaps primarily, a formulation of a working philosophical viewpoint.</p> <p>My viewpoint is essentially realist and metaphysical, influenced to a very large extent by works of Plato, Aristotle, Frege, Russell, Gódel and Hardy, among others. My aim in the book is to develop some aspects of this viewpoint. Evidently, since I touch upon many different issues, it is not possible to pursue them all in detail, and I will have to do that in other writings. Nevertheless, I think that my answers to questions (1) and (2) are developed in sufficient detail to serve as a basis for discussion.</p> <p>In “Mathematical Proof” Hardy classifies philosophies as sympathetic and unsympathetic, tenable and untenable. I hope that some readers will find the kind of view that I develop here as sympathetic as I do, and 1 hope to show that it is at least as tenable as other views currently in vogue.</p> <p>Although there is an overall structure to the book, on which 1 will comment in the concluding remarks, most chapters are written in such a way that they can be read independently. In fact, as can be seen in the bibliography, versions of several of the chapters (from both parts) have appeared in print. After reading the Introduction and Chapter 1, which give a general sketch of position, the reader should feel free to read or browse through chapters whose subject-matter may be appealing to him or her, without worrying about earlier chapters. Each chapter has its own main argument, which may be seen more clearly if on a first reading the end notes are left out. The notes, some quite long, contain references, quotations, amplifications, digressions, etc. and are not necessary for following the main text. When a note is essential to the main text 1 indicate this by an explicit reference of the form “see note such and such”.</p> <p>I wrote the first version of the book in 1987-88, partly during a sabbatical and partly in the context of a graduate seminar on philosophy of logic. I am grateful to PUC-Rio for the sabbatical and I am equally grateful to the students in that seminar, particularly to Arno Viero, for many incisive and stimulating discussions of the texts coming hot out of the computer. In 1989 1 circulated a version of the typescript (then titled “The Laws of Truth”) among some friends and colleagues. I am especially indebted to John Corcoran and Charles Marks for detailed comments on that typescript. In the intervening years I have presented versions of many of the chapters at talks, conferences, colloquia, etc., and have had important feedback from the audiences. I would like to thank Abel Casanave, André Porto, Carlos di Prisco, Góran Sundholm, Itala D'Ottaviano, Jairo José da Silva, Luiz Carlos Pereira, Luiz Henrique Lopes dos Santos, Michael Wrigley, Raul Landim, Rodrigo Bacellar, Scott Soames, Sergio Fernandes and Xavier Caicedo — and there are more. I would also like to thank CNPq for a research fellowship during the years 1985-1993.</p> <p>Writing a book is a trying experience and I appreciate the support I received from my wife Siri and from my children Francisco, Barbara, Andrea and Victor. I dedicate the book to them and to the memory of my mother, Giovanna Vasta Bonino.”</p> <p> </p> <p>Oswaldo Chateaubriand</p> <p> </p> <p>VOLUME 34 — 2001</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 2001</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <p>Lógica 160</p> <p> </p> <p>OBS. Two questions that preoccupied me in the seventies motivated me to write this book. (1) What is the relation between a statement and reality? (2) What is the fundamental character of logic? As I worked on the book, however, more and more of my life’s experience teaching and reserching questions of philosophy of logic, philosophy of mathematics and philosophy of language became relevant to the subjects that I was discussing. So, the outcome is not just an attempt to answer questions (1) and (2), but is also, and perhaps primarily, a formulation of a working philosophical viewpoint.</p> Oswaldo Chateaubriand Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/79 Mon, 05 Jun 2023 00:00:00 -0300 A Semântica Transcendental De Kant https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/80 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Seria difícil negar que, desde o colapso do positivismo lógico há cerca de duas décadas, a filosofia da ciência contemporânea esteja sofrendo uma crise em seus fundamentos. Creio que uma nova abordagem filosófica geral da ciência deveria ser desenvolvida considerando esta última como uma atividade de solução de problemas. Tal abordagem da ciência está claramente em desacordo com a axiomática que dominou o positivismo lógico desde meados dos anos 30.</p> <p>Várias linhas de pesquisa surgem a partir da concepção heurística da ciência que estou adotando. Poder-se-ia tentar tirar proveito filosófico dos resultados da teoria lógica da computabilidade e da solubilidade, ou desenvolver insights obtidos na psicologia cognitiva e nos estudos da inteligência artificial. Os linguistas contemporâneos oferecem uma pertinente linha de reflexão sobre nossos processos cognitivos superiores em geral. A história da ciência apresenta um grande número de estudos sobre o modo como foram solucionados os problemas científicos que passaram a valer como paradigmáticos. Finalmente, a história da filosofia da ciência também pode nos ensinar sobre a ciência enquanto atividade de solução de problemas. O presente trabalho é uma tentativa de exploração desta última linha de pesquisa.</p> <p>Tendo chegado à conclusão de que o positivismo lógico estava morto, passei a me perguntar como ele teria nascido. Para minha surpresa, descobri que o positivismo do jovem Carnap não consistia numa teoria da ciência do ponto de vista axiomático, mas sim do ponto de vista heurístico. O primeiro Carnap via a ciência não como uma imagem do mundo, mas como um sistema de conhecimento conceitual sem limites, querendo dizer com isso que não existia questão bem formulada cuja resposta por princípio fosse inatingível pela ciência (Carnap 1961 [1928], § 180). Em outras palavras, a convicção básica de Carnap sobre a ciência era de que “a verdade ou falsidade de qualquer enunciado formado por conceitos científicos pode, em princípio, ser estabelecida” (ibid). Portanto, não me surpreendi com o fato de poder estabelecer que o famoso critério carnapiano de significância cognitiva na realidade equivalia a um conjunto de procedimentos de decisão para enunciados sobre o mundo dos fenômenos.</p> <p>As concepções sobre os objetivos e limites da ciência que fui levado a atribuir ao primeiro Carnap pareciam diferir tanto daquelas habitualmente atribuídas a ele, quanto daquelas defendidas pelo positivismo lógico posterior. Interessei-me, portanto, em descobrir as origens dessas concepções e as razões de seu desaparecimento da cena principal da filosofia da ciência.</p> <p>O próprio Carnap auxiliou-me na primeira questão, pois assinalou na Aufban que sua tese da decidibilidade de todas as questões da ciência concordava tanto “com o positivismo quanto com o idealismo” (sbid.), nota final). Ao falar em “positivismo”, Carnap estava se referindo especialmente a Mach. A filosofia que ele chamava de “idealismo” era a de Kant, conforme uma citação que Carnap tirou de Oskar Becker: “De acordo com o princípio do idealismo transcendental, uma questão que seja em princípio (em essência) indecidível [unentscbeidbar, não tem absolutamente nenhum sentido [$7nn]. A ela não corresponde nenhum estado de coisas que pudesse fornecer-lhe uma resposta, pois estados de coisas em princípio inacessíveis à consciência simplesmente não existem” (thid,).</p> <p>Armou-se, dessa maneira, o palco do presente estudo: decidi descobrir as origens da abordagem da solução de problemas científicos do primeiro Carnap, retornando a Mach e Kant.</p> <p>O estudo de Kant foi-me sugerido também por Hilbert. No mesmo ano em que o Aufbau de Carnap foi publicado (1928), Hilbert escreveu que o problema de decisão para o cálculo de predicados de primeira ordem era o principal problema da lógica matemática. Não pude deixar de me impressionar com a semelhança implícita entre as capacidades de solução de problemas que Hilbert almejava com seus sistemas formais e a efetividade heurística esperada por Carnap de seu sistema constitucional, Mas, diferentemente de Carnap, Hilbert se reportava repetidamente à teoria kantiana da intuição pura como o quadro para a compreensão de suas próprias concepções sobre a natureza dos símbolos formais. Assim, fui levado à suposição de que Kant deveria necessariamente ser consultado se quiséssemos esclarecer um dos episódios mais interessantes das teorias contemporâneas da solução de problemas, do qual Hilbert e Carnap eram os atores principais.</p> <p>Minha segunda questão, sobre o desaparecimento dos temas heurísticos da filosofia contemporânea da ciência, foi respondida ao menos parcialmente, quando notei que, depois do Aufbau, Carnap procedeu, para usar uma expressão de Feigl, a uma “hilbertização” de toda a linguagem da ciência, com vistas a oferecer uma teoria geral da solução científica de problemas, e que esse projeto sofreu um golpe decisivo com o aparecimento dos teoremas de limitação de Gódel e Church.</p> <p>Primeiramente, abordei a teoria da ciência de Mach. Logo ficou claro para mim que a sua “psicologia e lógica de pesquisa”, tal como expostas em Prinsipien der Wármelebre e em Erkenntnis und Irrtum, nada mais eram do que uma teoria da solução de problemas científicos. Separei cuidadosamente a heurística de Mach de sua abordagem histórica e pude então reconstruir, a partir de seus escritos, uma interessante classificação dos problemas científicos e dos métodos de solução de problemas. Descobri que tinha que concordar com a afirmação de G. Polya de que a filosofia da ciência mais tardia de Mach é um clássico da epistemologia heurística.</p> <p>Cheguei também a uma conclusão inesperada sobre o conceito machiano de estrutura das teorias científicas, a qual me fez rejeitar um dos pontos de vista mais comuns na historiografia contemporânea do positivismo de Mach: o de que ele, sendo um reducionista ontológico, isto é, tendo reduzido as coisas físicas a classes de sensações, era também um reducionista metodológico; isso significa que sua metodologia pretendia reduzir todos os termos científicos a termos que se referem a (classes de) sensações, e todas as proposições científicas a proposições sobre tais referentes.</p> <p>Constatei que Mach, apesar de defender o monismo, não o introduziu como uma tese filosófica positiva sobre a estrutura do mundo, mas como um princípio capaz de evitar que os cientistas levantassem questões insolúveis, e não propôs que conceitos e enunciados teóricos (incluindo os matemáticos) fossem eliminados da ciência. Pelo contrário, verifiquei que ele insistia fortemente na importância dos construtos de pensamentos arrojados e até mesmo objetivamente implausíveis.</p> <p>Nesse ponto, Mach tinha sido seguido por Carnap, que também distinguia claramente entre os conceitos científicos que podem ser construídos em seu sistema constitucional — e que são, consequentemente, decidíveis (entscheidungsdefinil) — e os que não podem ser assim construídos. Estes últimos conceitos são introduzidos mediante definições implícitas que têm a forma de um sistema de axiomas e diferem dos conceitos constituídos, por não serem decidíveis e por darem origem a proposições que em geral não obedecem à lei do terceiro excluído. E eu já sabia que, também quanto a este ponto, a historiografia oficial estava errada,</p> <p>Mach também me ajudou a retornar a Kant, pois ele via na teoria da ciência de Kant uma versão prematura e inadequada de uma psicologia e lógica da pesquisa, isto é, de um programa de pesquisa científica, algo que ele próprio tinha a intenção de estabelecer. Combinando essa concepção da filosofia especulativa de Kant com as de Hilbert e de Becker, citadas por Carnap, não tive dificuldade em descobrir temas heurísticos na filosofia crítica e transcendental de Kant. Restou-me apenas desenvolver esses temas,</p> <p>Ao fazê-lo, fiquei impressionado com a simplicidade do delineamento geral da filosofia especulativa de Kant, pois evidenciou-se que a crítica e a metafísica da natureza de Kant, que a constituem, poderiam naturalmente ser interpretadas, respectivamente, como uma teoria da solubilidade de problemas inevitáveis da razão especulativa e uma teoria da pesquisa científica no campo da natureza.</p> <p>Trabalhando a primeira Crítica de Kant, verifiquei que sua tese básica consistia no seguinte teorema de solubilidade: todas as questões impostas à nossa razão por sua natureza ou são insolúveis, ou é possível para nós oferecer-lhes uma resposta definida. Por conseguinte, no domínio da razão pura, nossa ignorância ou é demonstravelmente inevitável, ou deve ser atribuída à nossa preguiça.</p> <p>A tarefa seguinte foi investigar os fundamentos da prova do teorema de solubilidade. Observei primeiro que esse teorema dizia respeito às proposições sintéticas possíveis e que Kant considerava a classe de proposições solúveis como equivalente à classe das proposições sintéticas possíveis. Proposições analíticas foram deixadas de lado nesse contexto por não contribuírem em absoluto para a ampliação do conhecimento objetivo. Assim, defrontei-me com o novo problema de explicar o que Kant queria dizer com a possibilidade de uma proposição sintética. Sabia que estava seguindo uma pista importante, porque o próprio Kant tinha dito que o problema da possibilidade das proposições sintéticas em geral, sejam a priori ou a posteriori, era a “tarefa suprema” (húchste Aufgabe) da filosofia transcendental. Descobri que a resposta de Kant a esse problema poderia se colocar nos seguintes termos: uma proposição sintética é possível se, em primeiro lugar, todos seus conceitos nãológicos tiverem referentes em um domínio de objetos sensíveis e, em segundo, se sua forma lógica for preenchível ou satisfazível* em um domínio de formas sensíveis (Capítulo 1).</p> <p>Claramente, a prova do teorema de solubilidade, apoiada numa resposta ao problema da possibilidade dos juízos sintéticos, requeria uma teoria a prin da referência e da verdade. Descobri que a teoria kantiana da referência (e significado) fundamentava-se no conceito de construção, e que sua teoria da verdade repousava na doutrina dos princípios a priori do entendimento. Ambas, tomadas conjuntamente, constituem uma teoria da estrutura dos domínios de entidades sensíveis (puras ou empíricas) nos quais as proposições sintéticas podem ser preenchidas ou satisfeitas. Em outras palavras, a semâántica de Kant era uma teoria a priori da interpretabilidade das representações discursivas que compõem proposições sintéticas sobre representações intuitivas. Esse resultado sugeriu tratamentos sistemáticos e independentes das representações intuitivas (Capítulo 4), da referência e significado dos conceitos (Capítulo 5), assim como da relação de preenchibilidade ou satisfazibilidade entre juízos e objetos (Capítulo 6).</p> <p>A exposição kantiana de sua semântica transcendental e de sua prova, nela fundamentada, do teorema de solubilidade para proposições sintéticas da razão pura está longe de ser óbvia. Pensei, então, que seria útil refazer seus passos até achar um método. Foi-me possível mostrar que havia um, a saber, o venerável método combinado de análise e síntese dos geômetras gregos. Esse foi um resultado importante porque permitiu organizar e estudar os procedimentos analíticos de Kant e suas provas sintéticas transcendentais, em consonância com um único esquema abrangente (Capítulo 2).</p> <p>Esses me pareceram ser os pontos principais da crítica kantiana da tazão teórica relevantes para a abordagem que eu fazia. Restava-me, ainda, a tarefa de reconstruir sua metafísica da natureza como uma teoria da ampliação do conhecimento objetivo, o que fiz em dois movimentos.</p> <p>Em primeiro lugar, refiz a metafísica geral da natureza de Kant, ou sua filosofia transcendental, a partir de um ponto de vista heurístico, mostrando que a doutrina dos princípios a priori do entendimento não apenas determina a estrutura a priori do aparecimento”, mas justifica procedimentos para solucionar, igualmente, problemas objetuais no campo do aparecimento. Enquanto no primeiro papel a doutrina dos princípios a priori do entendimento oferece, como eu disse, o fundamento de uma teoria transcendental da verdade, no segundo papel ela é a base de uma teoria transcendental de algoritmos e de procedimentos heurísticos mais fracos (Capítulo 7). Meu segundo passo consistiu na reconstrução da teoria kantiana da razão como um sistema de construtos de pensamento (ficções) e máximas heurísticas (Capítulo 8). Dessa maneira, cheguei a dois cânones kantianos de pesquisa científica, o cânon doutrinal, para a solução de problemas sobre entidades sensíveis, e o cânon heurístico, para a solução de problemas sobre sistemas de leis dessas entidades. Como não estava desconsiderando nenhum ingrediente importante da metafísica geral da natureza de Kant, concluí que toda a filosofia transcendental de Kant poderia ser vista, de acordo com o que Mach tinha sugerido, como um programa de pesquisa científica para a ciência natural.</p> <p>Voltei-me, em segundo lugar, para a metafísica especial da natureza de Kant, ou fisiologia. Descobri que sua teoria dinâmica da matéria poderia ser interpretada como um programa « priori de pesquisa para a mecânica racional (Capítulo 9), o que sustentava fortemente minhas conclusões preliminares sobre a natureza da metafísica geral de Kant.</p> <p>Ao examinar esses aspectos da filosofia especulativa de Kant, fui levado a estabelecer vários outros resultados. Em particular, pude reconstruir, em Kant, uma teoria da razão humana como um dispositivo para a solução de problemas (Capítulo 3). Essa teoria constitui, na verdade, uma contrapartida natural da teoria kantiana da solubilidade e da pesquisa.</p> <p>Não foi muito difícil prosseguir até o Mach tardio, pois seu monismo pode ser reconstruído como uma reinterpretação do teorema de solubilidade de Kant, ao passo que sua abordagem heurística da atividade científica é, claramente, um eco da teoria kantiana da ampliação do conhecimento objetivo. A classificação de Mach dos problemas e dos procedimentos de solução de problemas, sua distinção entre ciência como resultado e ciência in statu nascendi, entre conceitos fenomênicos e construções do pensamento, todos esses ingredientes centrais de sua lógica de pesquisa podem ser facilmente remontados à Kant.</p> <p>Minha impressão final foi a de estar diante de uma linha-mestra de desenvolvimento na história da filosofia contemporânea da ciência, que começa com a filosofia transcendental de Kant e prossegue até o primeiro positivismo lógico. Embora surpreso no começo, percebi que esse resultado não era tão surpreendente assim, se posto no contexto histórico. A tese da “linhagem kantiana” de Mach e Carnap dificilmente teria sido uma novidade, para alguém como Vaihinger, pois o autor da Philosophie des Als Ob também foi o fundador da Kant-Studien, onde Carnap publicou sua tese e seus primeiros artigos, bem como dos Annalen der Philosaphie, o periódico que mais tarde se tornou Erkemninis, revista principal dos positivistas lógicos.</p> <p>Todavia, pareceu-me fora de propósito testar esses resultados por meio de uma pesquisa histórica, ou mesmo compará-los a interpretações existentes de Kant. Pois, desde o começo, eu não queria aprender sobre Kant a partir de outros, mas sim a partir de Kant e de outros sobre a solução de problemas científicos. Meu objetivo ao abordar Kant e Mach não era histórico, mas conceitual. Mach chegou à filosofia pelo estudo de Kant. No entanto, eu não me interessei em provar a influência fatual que Kant pode ter tido sobre um dos principais pensadores positivistas do século XX. Minha tese é a de que temas tipicamente kantianos — isto é, temas que Kant foi o primeiro a introduzir de maneira sistemática — tornaram-se proeminentes, se não efetivamente centrais, na filosofia da ciência do Mach tardio.</p> <p>Confesso que fiquei cativado pela concepção geral da filosofia especulativa de Kant que fui levado a adotar. Não obstante — insistirei mais uma vez — minha atitude diante da obra de Kant nunca foi a de um comentador. Tudo o que eu realmente quis foi aprender sobre formas de abordar a ciência como uma atividade de solução de problemas. Meus interesses permaneceram sempre os de um filósofo da ciência que se esforça em escapar da crise presente de seu ofício, buscando ajuda no passado.”</p> <p> </p> <p>ZELJKO LOPARIC</p> <p> </p> <p>Volume 41 — 2005</p> <p>ISSN: 0103-3147 12 edição, 2000 — 22 edição, 2002 — 32 edição, 2005</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Filosofia alemã 193</li> <li>Criticismo (Filosofia) 142.3</li> <li>Semântica (Filosofia) 149.946</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. O presente volume da Coleção CLE oferece a tradução, parcialmente reescrita, da Parte I da tese de doutorado de Zeljko Loparic, defendida na Universidade Católica de Louvain, em 1982, sob o título Scientific ProblemSolving in Kant and Mach. Nessa parte, a primeira Crítica é interpretada como teoria da solubilidade de problemas necessários da razão pura teórica – necessários porque impostos pela sua própria natureza, mais precisamente, pelo postulado lógico que pede que seja encontrada, para cada dado empírico condicionado, a totalidade absoluta de suas condições.</p> Zeljko Lopariki Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/80 Mon, 05 Jun 2023 00:00:00 -0300 Materialismo e Evolucionismo https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/81 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Reunir biólogos, filósofos, sociólogos e outros acadêmicos para aprofundar a discussão de problemas que estão nos fundamentos de suas respectivas áreas de pesquisa faz parte da vocação do Centro de Lógica, Epistemologia e História das Ciências (CLE) da Unicamp. Dele recebeu o melhor acolhimento nossa proposta de um seminário consagrado ao exame dos pressupostos filosóficos das ciências da vida e, em especial, das conexões entre a posição filosófica materialista e o princípio da evolução.</p> <p>Sem pretender desbravar sendas ignotas, mas empenhados em estimular uma discussão que não vinha sendo suficientemente travada nos meios acadêmicos de nosso país, pretendíamos pôr em foco os fundamentos dos conceitos de evolucionismo e de materialismo, tanto na perspectiva da história da filosofia quanto na da lógica da descoberta científica.</p> <p>O seminário, que ocorreu no CLE em 6 e 7 de junho de 2006, satisfez essa expectativa, não somente pela alta qualidade acadêmica das exposições, mas também graças à pertinência das questões formuladas, que ampliaram e aprofundaram os temas discutidos. Dentre esses temas, merecem especial referência a história do conceito de evolução, de Lamarck a Haeckel, a originalidade do materialismo de Darwin (em que são centrais as noções de contingência e de adaptação aleatória), a noção de materialismo na filosofia dos antigos (Epicuro) e dos modernos (Locke) e o estatuto da subjetividade no pensamento de Marx.</p> <p>O encorajador resultado do encontro animou os expositores, sem exceção, a preparar seus textos para publicação na Coleção CLE. O leitor encontrará, pois neste livro os estudos de Lilian Al-Chueyr Pereira Martins (“Lamarck, evolução orgânica e materialismo: algumas relações”), Gustavo Caponi (“O materialismo anômalo de Charles Darwin”), Carlos Alberto Dória (“O lugar do missing link na explicação da evolução: Darwin e Haeckel”), Maurício Vieira (“Materialismo e subjetividade: estudando a posição de Marx”), João Quartim Moraes ("O vazio e o encontro no materialismo antigo”), Silvio Chibeni ("Locke e o materialismo”) e Henrique Segall Nascimento Campos (“A confirmação da realidade externa ao sujeito no “Tratado das Sensações” de Etienne de Condillac”).</p> <p>A título de subsídio teórico, incluímos no livro a versão em espanhol do artigo “Darwin, eslabón perdido y encontrado del materialismo de Marx”, em que Patrick Tort, um dos mais importantes teóricos contemporâneos do darwinismo, põe em evidência a conexão profunda entre os fundamentos filosóficos da teoria darwniana da evolução e os do materialismo histórico. Esclarece que a distância posteriormente assumida por Marx e de Engels em relação ao darwinismo deveu-se à incompreensão de que é em A ascendência do homem e não em 4 origem das espécies que Darwin explica a evolução humana.”</p> <p> </p> <p>JOÃO QUARTIM DE MORAES (org.)</p> <p> </p> <p>Volume 47 — 2007</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Evolução 575</li> <li>Biologia — Filosofia 574.01</li> <li>Materialismo 146.3</li> <li>Epistemologia 121</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. O presente volume da Coleção CLE reúne os trabalhos apresentados e debatidos no Seminário Materialismo e Evolucionismo: epistemologia e história dos conceitos organizado pelo CLE\Unicamp nos dias 6 e 7 de junho de 2006. Os artigos aqui publicados são de autoria de Lilian Al-Chueyr Pereira Martins, Gustavo Caponi, Carlos A. Dória, Maurício Vieira Martins, João Quartim de Moraes, Silvio Seno Chibeni e Henrique Segall Nascimento Campos. E, a título de subsídio teórico, incluímos a versão em espanhol do artigo “Darwin, eslabón perdido y encontrado del materialismo de Marx” de autoria de Patrick Tort.</p> João Quartim de Moraes Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/81 Mon, 05 Jun 2023 00:00:00 -0300 WITTGENSTEIN https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/82 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Este volume reúne uma série de textos selecionados dentre os apresentados no IV Colóquio Nacional / I Colóquio Internacional Wittgenstein.</p> <p>O tema geral sugerido foi a presença de aspectos pragmáticos no pensamento do filósofo. Deixou-se, está claro, à livre escolha dos pesquisadores convidados ao colóquio os aspectos a serem abordados. Daí, a diversidade de enfoques presentes neste livro, enfoques que vão desde reflexões sobre temas diretamente ligados ao pensamento de Wittgenstein, passam por temas que permitem comparações com outros pensadores na mesma área ou em áreas afins, até enfoques de temas abordados pelo filósofo na qualidade de exemplos esclarecedores e/ou, como ele próprio afirma, exemplos analógicos permitindo estabelecer ligações intermediárias e internas entre as diferentes situações em que são aplicadas palavras de acordo e em conformidade com regras — os jogos de linguagem.</p> <p>O progressivo surgimento de temas de natureza pragmática no pensamento de Wittgenstein, após o Tractatus deve ser compreendido em relação com a herança fregeana, ou melhor, com tudo o que Frege havia procurado eliminar cuidadosamente de seu projeto ideográfico que viesse a exceder o que caracterizou como sendo conteúdo proposicional, a saber, tudo e somente o que pode ser asserido como verdadeiro ou como falso. Ou ainda, os temas pragmáticos que surgem e são assimilados à reflexão filosófica de Wittgenstein a respeito da significação, a partir do final da década de 20, poderiam ser também resumidos através da caracterização clássica que lhe ofereceram Morris e Carnap, a saber, além dos elementos propriamente lingiisticos, os interlocutores e as situações de interlocução lingiiística. A idéia de pragmática em Wittgenstein nada tem em comum com o pragmatismo americano de Dewey e James — embora pudesse ser menos avessa ao “pragmaticismo” de Peirce por apresentar uma dimensão constitutiva da significação que passa ao largo do utilitarismo pragmatista dos primeiros.</p> <p>Afasta-se também de concepções pragmáticas de uma comunidade discursiva e intersubjetiva, como de uma comunidade que pudesse apresentar as versões mais adequadas para os mesmos fatos naturais, aquelas versões que concentrassem o maior grau de liberdade e de eficácia na solução de problemas vitais para o homem. Pelo contrário, ao invés de um naturalismo utilitarista e sociologista, o campo pragmático, para Wittgenstein — aquele campo de regras gramaticais envolvendo palavras, ações e interlocutores, ou melhor, as instituições sociais que são os jogos de linguagem — é o lugar onde vai localizar tudo o que é metafísico, as questões de fundamento e de essência. Ao afirmar, em um de seus últimos textos, que algo não é verdadeiro por ser útil, mas é útil por ser verdadeiro, demarca-se do utilitarismo pragmatista sob qualquer uma das diversas formas que este poderá revestir. A reflexão filosófica de Wittgenstein após o Tractatus prossegue sendo a busca pela essência da significação, das relações entre pensamento, linguagem e mundo, reflexão a respeito de questões metafísicas e não de questões científicas, questões sobre o fundamento do conhecimento e do pensamento através da linguagem.</p> <p>Assim é que a concepção de um domínio de elementos pragmáticos — no sentido acima indicado, conforme as caracterizações oferecidas por Morris e Carnap — mas não empíricos, com função constitutiva dos conteúdos do pensamento através da linguagem — contrariamente, agora, às mesmas caracterizações de Morris e Carnap — permite uma vasta abertura para diversas e ricas aproximações e distinções com outras áreas do conhecimento — tal como indicamos ser o caso dos textos presentes nesta coletânea de estudos. Estas são as perspectivas pragmáticas abertas pelo pensamento de Wittgenstein após o período dominado pelo Tractatus.</p> <p>O estudo da professora Antonia Soulez gira em torno da idéia expressa por Wittgenstein, já no Tractatus, da autonomia da música relati- vamente ao mundo extra-musical e de uma sua afirmação, feita poste- riormente, de que uma simples frase musical conteria a totalidade de um mundo. Esboça-se, assim, a questão mais geral da concepção de autonomia no pensamento do filósofo, a saber, a autonomia da lógica e a da gramática dos usos das palavras, ou, ainda, a passagem de uma autonomia estritamente formal para uma autonomia pervadida por elementos pragmáticos. O caso da música presta-se, sem dúvida, a focalizar de maneira privilegiada a relação entre a compreensão de um sentido musical e sua realização pela execução do intérprete, de forma análoga à passagem da compreensão de uma ordem à sua execução — e, de maneira mais ampla, à passagem da compreensão da significação à realização da ação.</p> <p>O estudo de Arley R.Moreno focaliza as relações entre pensamento e realidade durante a trajetória filosófica de Wittgenstein, insistindo, sobretudo, nas mudanças que sofreu a idéia de autonomia da lógica e, por consegiiência, na profunda exploração realizada, após o Tractatus, do domínio de elementos pragmáticos, excluídos dessa obra sob a inspiração de Frege, aprofundamento, na verdade, da concepção de autonomia aplicada, então, à gramática dos usos das palavras.</p> <p>Em seu estudo, a professora Cristiane M. C. Gottschalk focaliza três concepções de significado na matemática que, confluindo em um mesmo ponto de apoio lingiiístico, afastam-se, todavia, quanto às respectivas atribuições do papel desempenhado pela linguagem na constituição dos objetos matemáticos. São analisados três exemplos a partir de diferentes pontos de vista, sociológico, formalista e gramatical — respectivamente, de Bloor, Granger e Wittgenstein — a saber, os casos dos paradoxos do infinito, o da lógica da comunidade dos Azande e o do teorema de Euler. O estudo acentua a importância da dimensão pragmática, presente na posição de Wittgenstein, ao estabelecer um campo intermediário entre o empírico e o transcendental puro e evitar, com isto, dificuldades tradicionais encontradas pela filosofia da matemática em interpretar o sentido dos objetos com que trabalha.</p> <p>O professor Horácio L. Martinez desenvolve, em seu estudo, uma análise dos conceitos de Weltanschauung e Weltbild com respeito à idéia de pragmatismo. De fato, em uma de suas afirmações mais enigmáticas, Wittgenstein aproxima sua própria terapia do conceito de certeza, tal como elaborado por Moore a partir do que entende por senso-comum, de algo que poderia soar como sendo pragmatismo — ou melhor, algo que poderia ser compreendido, ou interpretado como relevando de uma concepção pragmatista do significado, evocando os casos mais notórios do ver como no campo da percepção. Ora, o próprio Wittgenstein aplica, neste caso, os conceitos concepção de mundo e de imagem de mundo, e o estudo em questão procura situar o estatuto destes conceitos para esclarecer a aludida menção, e recusa, de um eventual pragmatismo presente em seu pensamento.</p> <p>Em seu estudo, o professor Michael Soubbotnick dedica-se a apreciar uma solução contemporânea oferecida por um lingúista, A. Culioli, à questão da separação artificial entre sintaxe, semântica e pragmática operada sobre as línguas naturais — separação muito útil, está claro, ao se tratar de linguagens artificiais — que poderia causar dificuldades teóricas como, também, filosóficas. O conceito central introduzido pela teoria linguística de Culioli, é o de operação enunciativa, misto de fato empírico e de regras — ou, “marcadores” de posições de enunciadores, seus pontos de vista no ato de enunciação — inseridos em contextos de aplicação e de uso dos enunciados. Estas operações enunciativas permitiriam dar conta do que dizemos ao usarmos a linguagem, pela apresentação de conjuntos abertos de variações correspondendo aos diferentes enunciados — mistos de regras, sentidos e ações, previamente, pois, às distinções clássicas de Morris e Carnap — em que estariam preservadas a materialidade dos eventos e sua forma lingiiística, Tentativa importante de dar conta de aspectos formais presentes na materialidade de nossa atividade com a linguagem — o que evoca, diretamente, a idéia de gramática dos usos de Wittgenstein.</p> <p>O professor Paulo de Oliveira aborda, em seu estudo, várias questões que giram em torno da tradução, mas, principalmente, a partir da idéia mais geral de passagens e equivalências entre conjuntos de regras de representação. Desde o Tractatus, Wittgenstein aborda esta questão ao focalizar as relações de afiguração, ou de representação lógica entre signos e objetos, entre pensamento e mundo — ou, ainda, as relações entre as passagens entre os sulcos do disco na vitrola, os sons emitidos e a música na partitura. Exemplos de diferentes casos de passagem entre regras em que identificamos a presença de algo em comum, a permanência de uma forma geral. Em torno dessas questões, várias teorias da tradução transitam da tese de uma forma lógica fundamental à tese, oposta, de um relativismo epistemológico absoluto. O estudo em questão procura evitar ambas as posições extremadas, ao evocar as análises que faz Wittgenstein desde seu primeiro livro até as fases intermediária e final de sua produção filosófica. Sem ter desenvolvido uma teoria da tradução, a terapia elaborada pelo filósofo permite, justamente, evitar as dificuldades filosóficas contidas tanto no essencialismo quanto no relativismo filosóficos.”</p> <p> </p> <p>ARLEY R. MORENO (org.)</p> <p> </p> <p>VOLUME 49 — 2007</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Filosofia austríaca 193</li> <li>Pragmatismo 144.3</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. O presente volume da Coleção CLE reúne os trabalhos apresentados e debatidos no IV Colóquio Nacional Wittgenstein/I Colóquio Internacional Wittgenstein, organizados pelo IFCH/Unicamp e ocorridos nos dias 14 e 15 de setembro de 2006. Os textos aqui apresentados são de autoria de Antonia Soulez, Arley Ramos Moreno, Cristiane Maria Cornelia Gottschalk, Horácio L. Martinez, Michael A. Soubbotnik e Paulo Oliveira.</p> <p> </p> Arley R. Moreno Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/82 Mon, 05 Jun 2023 00:00:00 -0300 Dimensions of Logical Concepts https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/83 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“This book is a collection of articles dealing with some of the most fundamental logical concepts: truth, proof, decidability, paradox, quantifier, negation etc. It contains a wide variety of views on these and other topics.</p> <p>In modern logic, logical concepts have received a plurality of approaches, which are evolving over time. On the one hand, logical concepts can be studied independently of any applied matter. On the other hand, logic has been established as a very interesting tool for philosophical reasoning. As a matter of fact, logic is connected both with mathematics and philosophy. We have tried to reflect this multiplicity, as the reader can check reading the articles here.</p> <p>We have assembled a good collection of very distinguished works by people from all around the world proposing challenging ideas and developing new techniques. We have tried to combine logicians from the old school together with newcomers in the logical scenario, hoping this connection to be useful.</p> <p>This book is of interest for logicians, whether they are philosophers, computer scientists, linguists or mathematicians.”</p> <p> </p> <p>JEAN-YVES BÉZIAU</p> <p>ALEXANDRE COSTA-LEITE</p> <p> </p> <p>Volume 54 — 2009</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Lógica 160</li> <li>Lógica simbólica e matemática 511.3</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. This volume is a collection of articles dealing with some of the most fundamental logical concepts: truth, proof, decidability, paradox, quantifier, negation, etc. It contins a wide variety of viewa on these and other topics. This book is of interest for logicians, whether they are philosophers, computer scientists, linguists or mathematicians.</p> Jean-Yves Béziau , Alexandre Costa-Leite Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/83 Mon, 05 Jun 2023 00:00:00 -0300 Sistemas Axiomáticos Formalizados https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/84 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“O método axiomático não é, em geral, o método privilegiado de investigação matemática, mas é o preferido quando se trata de compreender os aspectos lógicos e epistemológicos da atividade matemática.</p> <p>Sua origem remonta à Grécia clássica, tendo nos Elementos de Euclides sua expressão mais eloquente. O método axiomático é a realização, no campo da matemática, do ideal arquitetônico de ciência preconizado por Aristóteles.</p> <p>Seu desenvolvimento, ao longo da história da matemática, até pelo menos o século XIX, esteve ligado à Geometria. As fracassadas tentativas de demonstrar a dependência lógica do quinto postulado de Euclides, o postulado das paralelas, dos outros quatro, que na verdade é independente deles, exigiam a aplicação conscienciosa desse método.</p> <p>A criação da geometria projetiva e dos métodos analíticos em geometria a partir do século XVII, em especial na França, colocou momentaneamente o método axiomático em segundo plano; porém, a descoberta das geometrias não-Euclidianas, nascidas das duas possíveis negações do postulado das paralelas, por Gauss, Lobachevsky e Bolyai, no início do século XIX, e depois por Riemann, obrigou a um retorno aos fundamentos da Geometria, à tarefa de deslindar as propriedades afim, projetivas e topológicas do espaço das suas propriedades métricas e investigar as consequências lógicas de cada um desses grupos separadamente. E para isso o método axiomático mostrou-se insuperável.</p> <p>O método conhece seu apogeu com Hilbert na passagem do século XIX para o XX. Com ele, pela primeira vez, a Geometria Euclidiana e a Análise são axiomatizadas segundo os critérios modernos de rigor lógico e essas axiomatizações submetidas à análise meta-matemática. Para isso, porém, era mister reduzir essas teorias axiomáticas a seus arcabouços formais. Isso é o que Arno Viero chama “desinterpretação”.</p> <p>Este texto é uma análise rigorosa e inteligente do movimento de desinterpretação que, a partir do começo do século XX, irá propor uma reinterpretação do método axiomático, e a que propósitos esse movimento servia. Dada sua origem como uma dissertação de mestrado apresentada ao Departamento de Filosofia da PUC-Rio sob a orientação de Oswaldo Chateaubriand, este texto de Arno Viero é também surpreendentemente maduro. O autor analisa de maneira incisiva e original o desenvolvimento da geometria axiomática de sua origem com Euclides ao formalismo do século XX. Infelizmente, Arno nos deixou pela mão de um assassino, que nos privou não apenas da convivência com o autor e amigo, mas de trabalhos futuros cuja qualidade este trabalho afiançava de antemão.”</p> <p> </p> <p>Arno Aurélio Viero</p> <p>Editores:</p> <p>Oswaldo Chateaubriand</p> <p>Jairo José da Silva</p> <p>Vivianne Figueiredo</p> <p>VOLUME 60 — 2011</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p> </p> <p>Indice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Lógica simbólica e matemática 511.3</li> <li>Axiomas 511.3</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Este texto é uma análise rigorosa e inteligente do movimento de desinterpretação que, a partir do começo do século XX, irá propor uma reinterpretação do método axiomático, e a que propósitos esse movimento servia. O autor analisa de maneira incisiva e original o desenvolvimento da geometria axiomática de sua origem com Euclides ao formalismo do século XX.</p> Arno Aurélio Viero; Oswaldo Chateaubriand, Jairo José da Silva , Vivianne Figueiredo Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/84 Mon, 05 Jun 2023 00:00:00 -0300 História Da Matemática https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/85 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>Contém um Capítulo sobre a História daMatemática no Brasil por Clóvis Pereira da Silva.</p> <p>“Ao apresentar à comunidade científica e ao público brasileiro em geral este Volume 2 de nossa História da Matemática, devemos dizer que, em sua elaboração, fomos guiados pelo mesmo espírito que presidiu à do Volume 1, isto é, escrever uma História da Matemática onde essa disciplina apareça lado a lado a outras formas expressivas, como Arquitetura, Pintura, Música em suas relações íntimas, cuja unidade condiciona a evolução da Cultura Ocidental à qual pertencemos.</p> <p>Foi de grande importância para nós, durante o longo período gasto na elaboração deste livro, a reação e a crítica por parte de estudantes e demais ouvintes dos inúmeros cursos e seminários que tivemos oportunidade de ministrar em várias universidades brasileiras. Todas aquelas discussões moldaram, aos poucos, nossas idéias sobre a História da Matemática. Expressamos aqui nossos sinceros agradecimentos a todos os que delas participaram, principalmente aos inúmeros colegas, cuja lista de nomes seria grande demais para indicar aqui, que também contribuíram de modo decisivo para a cunhagem final de nossas idéias.</p> <p>Nosso grande privilégio na elaboração deste Volume 2, foi a colaboração de nosso colega e amigo Prof. Dr. Clóvis Pereira da Silva que, gentilmente, aceitou nosso convite para escrever um capítulo (Capítulo 4) de nosso livro sobre a História da Matemática no Brasil da qual ele é renomado especialista. Desse modo, ele não hesitou em associar seu prestigioso nome ao nosso livro, que ficou, assim, encerrado com chave de ouro.</p> <p>Queremos também expressar nosso especial agradecimento à senhora Ana Beatriz cujo esforço e dedicação extraordinários conseguiram transformar centenas de páginas de um manuscrito ilegível em um texto de acurada e excelente perfeição tipográfica aliada a inúmeras figuras de refinado gosto artístico. Sem sua colaboração e competência técnica este livro jamais teria sido publicado.</p> <p>Finalmente, agradeço aos esforços de minha cara colega, Professora Itala M.L. D'Ottaviano, na direção devida para que este livro fosse publicado pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da Unicamp em tempo hábil.</p> <p>Também incluo aqui meus agradecimentos a Nilza Clarice Galindo e demais funcionários do CLE pelo excelente trabalho de diagramação, o que tornou possível uma publicação deste livro em forma esteticamente perfeita.”</p> <p> </p> <p>Rubens G. Lintz</p> <p> </p> <p>Volume 62 — 2012</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>1º Edição, 2007</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Matemática — História 510.9</li> <li>Matemática — História — Brasil 510.981</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Neste trabalho, em dois volumes, é apresentado um estudo da História da Matemática sob um ângulo diferente do usual e com um discurso científico rigoroso, o texto é pontuado por observações e comentários cheios de humor Neste segundo volume, estuda-se a História da Matemática na Cultura Ocidental procurando, assim como no volume anterior, apresentar um ponto de vista histórico-cultural e não apenas uma galeria de autores e obras.</p> <p> </p> Rubens G. Lintz Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/85 Mon, 05 Jun 2023 00:00:00 -0300 In the Steps of Galois https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/86 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“The bicentenary of the birth of the French mathematician Evariste Galois (1811-1832) was celebrated in 2011. His work in algebra, known today as Galois Theory, gave rise to modern mathematical thought with its characteristic abstraction, generality, and functorality.</p> <p>The 19º century was an era of great changes in mathematics and in scientific thought in general, and the innovations by Galois and other mathematicians of the time were the beginning of these changes. It was in the 19º century, for example, that the concepts of “group” and of body and its extensions” first appeared. In this regard we may cite, among other developments, the advent of the various algebraic systems and their systematizations by Hamilton, Cayley, and Dedekind, the non-Euclidian geometries of Lobachevski and Riemann, as well as the beginnings of the science of logic by Boole and the development of set theory by Cantor. We may also mention Felix Klein's Erlangen Program, which reveals the great unifying power of the theory of groups integrated with geometry, and the work of Poincaré and Hilbert, the former initiating the systematic development of topology and of the qualitative study of differential equations, the latter initiating modern axiomatic developments and their logical foundations. All of these efforts gave expression, within mathematics, to the freedom of thought promoted by the Romantic movement of the beginning of the 19% century.</p> <p>The word “modern” makes reference here to modernism, the cultural movement which unleashed various epistemological ruptures and changes in the direction of many areas of human knowledge, including mathematics. The principle characteristics of this movement were a break with tradition, self-criticism, and a trend toward abstraction and formal means of expression.</p> <p>Itis in this spirit, as well as with a didactic end, that the Mathematics Department of the Federal University of Paraná (UFPR) organized a small symposium entitled The Genesis of Modern Thought in Mathematics: 200 Years of Galois, which took place from 15-16 February, 2011, at the Polytechnic Center in Curitiba. This multidisciplinary event commemorated Galois” bicentenary, with the objective of showing the reach of the new mathematical thought, pioneered by Galois, that came to permeate the 20º century and which still has not attained the apex of its possibilities.</p> <p>In the same spirit, but independently, the Centre for Logic, Epistemology, and the History of Science of the State University of Campinas (CLE/UNICAMP) organized the Evariste Galois International Bicentenary Meeting, which occurred from 21-25 November, 2011. The event included the participation of three professors ftom France, and had as its objective the exchange of ideas and results regarding Galois theory as it relates to diverse areas of mathematics and logic, as well the discussion of aspects of the life and work of Galois from the point of view of the history of mathematics.”</p> <p> </p> <p>Fábio Maia Bertato</p> <p>José Carlos Cifuentes</p> <p>Jean-Jacques Szczeciniarz</p> <p> </p> <p>Volume 64 — 2013</p> <p>ISBN: 978-2-7056 -8852-3</p> <p> </p> <p>OBS. The work of Evariste Galois, known today as Galois Theory, gave rise to modern mathematical thougth with its characteristic abstraction and generality. “Modern thougth” makes reference to a movement whose characteristic was a break with tradicion, a new self-criticism, and a trend toward abstraction and formal means os expression. This book offers to a wider public the proceedings of the “Evariste Galois Bicentenary Meetings”.</p> <p> </p> <p> </p> Fábio Maia Bertato , José Carlos Cifuentes , Jean-Jacques Szczeciniarz Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/86 Mon, 05 Jun 2023 00:00:00 -0300 Uranografia ou A Descrição do Céu de Adriaan Van Roomen https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/87 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“A obra que o leitor tem agora em mãos é o testemunho de um trabalho contínuo de pesquisa. Zaqueu Oliveira iniciou seu estudo da biografia e da obra de Adriano Romano em 2007, em um projeto de iniciação científica, enquanto era estudante de graduação da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo. Esta edição da Uranografia representa os frutos de seu mestrado, realizado na Universidade Estadual Paulista, e vem a lume no exato momento em que Zaqueu Oliveira conclui seu doutorado, na mesma universidade, ainda abordando esse mesmo Adriano Romano. Iniciação científica, mestrado e doutorado constituíram assim apenas três fases, reguladas pela legislação acadêmica, de um projeto maior, um verdadeiro programa de pesquisa que, focando um personagem específico, foi capaz de trazer à tona toda uma dimensão da história da matemática do começo da Modernidade.</p> <p>É de se notar também que esse esforço de entendimento tenha se centrado em um nome que, se olhado ingenuamente, não deveria merecer tanto.</p> <p>O que há de interessante em Adriano Romano que o habilita a ser estudado dessa forma, por tão longo tempo? Não seria um engano dispensar tanta energia a um matemático que nunca estabeleceu uma nova teoria, que nunca demonstrou um teorema central e que, se veio a integrar a galeria canônica de matemáticos, foi apenas por um feito exótico, o de ter calculado x com 16 dígitos?</p> <p>Pois é justamente essa “fraqueza” de Adriano Romano, essa deficiência de fama, quase uma vocação para o segundo plano, que o torna interessantíssimo para uma abordagem contemporânea da história da matemática. Ocorre que desde a década de 1960, há entre historiadores das ciências e, crescentemente, da matemática, a consciência de que a lista canônica de grandes cientistas e de grandes descobridores e inventores é uma construção política e não uma decorrência natural dos “fatos históricos”. Essa lista canônica não pode ser entendida sem uma crítica à uma certa historiografia de apologia da ciência e do gênio isolado.</p> <p>Pois é contra a visão do gênio isolado que Zaqueu Oliveira se coloca. Adriano Romano, inteligente e capaz o quanto fosse, seguramente não foi considerado gênio. Não era tampouco isolado. Ao contrário, através de uma contínua atividade epistolar, Adriano Romano comunicava-se com vários pensadores de seu momento, mantendo-se a par dos projetos de pesquisa e estudos de seus colegas, bem como das publicações no nascente, e já intenso, mercado livreiro.</p> <p>Adriano Romano permanece sendo um homem de seu tempo. É claro que todos somos pessoas do nosso tempo, mas o que o diferencia, o que o torna mais do seu tempo é o fato de que a historiografia não tentou transformá-lo em algo a mais, em um nome famoso na galeria de inventores da matemática ou, como se costuma dizer em tais contextos, em “um homem à frente de seu tempo”. Não mesmo: Adriano Romano continua a ser um homem de seu tempo, e Zaqueu Oliveira deixa isso bem claro.</p> <p>Nem gênio, nem isolado, nem à frente de seu tempo. Adriano Romano encarna de certo modo o momento em que vive, o que não quer dizer, contudo, que ele seja um típico homem do seu tempo, em qualquer sentido estatístico do termo “típico”. Ele encarna seu momento no sentido que é através de sua vida e sua obra que podemos acessar problemáticas próprias da vida erudita daquele instante da história. É esta outra forma de dizer por que ele é um objeto de pesquisa muito proveitoso.</p> <p>Há um último aspecto que merece atenção para uma reflexão historio-gráfica, que é o das divisões disciplinares. Adriano Romano era matemático, astrônomo e médico, como atestam seus escritos. No seu tempo, as discussões sobre as divisões do conhecimento eram intensas, discussões nas quais ele também se engajou, como na Universae Mathesis Idea (1602) e na Mathesis Polemica (1605), que Zaqueu Oliveira acaba de analisar em seu doutorado. Cabe ao leitor agora refletir sobre o lugar da Uranografia em uma classificação dos saberes. Trata-se de uma obra de astronomia, produzida em um momento em que a astronomia é ainda pensada como parte das disciplinas matemáticas do quadrivium. Do que se deduz que a Uranografia seria também, para Romano e seus contemporâneos, uma obra de matemática. Não nos cabe entrar na discussão, mas sim entender que as áreas que uma disciplina abrange estão continuamente sujeitas a renegociações. Como consequência, o trabalho de Zaqueu Oliveira também nos ensina a conviver com fronteiras flexíveis para as divisões do conhecimento.</p> <p>Em suma, este estudo sobre Adriano Romano e a edição de uma obra sua terão interesse para todos aqueles que anseiam por conhecer mais das ciências e da matemática no começo da Modernidade, bem como dos modos de abordar essas disciplinas no plano historiográfico. Penso em educadores, historiadores, filósofos e mesmo os próprios praticantes de hoje da matemática e da astronomia. A todos, uma boa leitura.”</p> <p> </p> <p>ZAQUEU VIEIRA OLIVEIRA</p> <p> </p> <p>VOLUME 69 – 2015</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Astronomia-História 520.9</li> <li>Matemática-História 510.9</li> <li>Ciência-História 509</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Trata-se de uma obra de astronomia, produzida em um momento em que a astronomia é ainda pensada como parte das disciplinas do quadrivium. Do que se deduz que a Uranografia seria também, para Romano e seus contemporâneos, uma obra de matemática. Não nos cabe entrar na discussão, mas com entender que as áreas que uma disciplina abrange estão continuamente sujeitas a renegociações.</p> <p> </p> <p> </p> Zaqueu Vieira Oliveira Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/87 Mon, 05 Jun 2023 00:00:00 -0300 ¿Qué es la Armonía? Esencia Matemática de la Música https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/76 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>Este libro está escrito por una matemática amante de la música. De ahí su interés por entender la vinculación entre ambas “artes”, interés que quiere transmitir y promover. Marta Sagastume se doctoró en Matemática en la Universidad Nacional de La Plata (UNLP), Argentina, en 1973; fue profesora en el IMECC de la UNICAMP de 1973 a 1980 y es miembro del CLE. De regreso a La Plata, fue profesora,directora de varios proyectos sucesivos en el área de Lógica Algebraica, autora o coautora de artículos y textos en el área; también dirigió o codirigió tesis, evaluó proyectos de investigación y fue miembro de comisiones organizadoras de varios Simposios Latinoamericanos de Lógica Matemática. Se jubiló en 2008 como Profesora Titular con Dedicación Exclusiva en la UNLP. Desde el punto de vista de la música, hay algunos compositores que buscan nuevas afinaciones, escalas y, en general, nuevas formas de expresarse musicalmente. También hay músicos interesados en recuperar la fidelidad en la interpretación de partituras antiguas. En efecto, gran parte de la música académica, interpretada en la actual escala temperada, no es estrictamente fiel a lo que escribieron los compositores. Por otro lado, hay actualmente gran interés de parte de algunos matemáticos por estudiar desde su punto de vista algunos aspectos de la teoría musical. Esto ha dado lugar a la creación de revistas especializadas y a la realización de congresos en el área.</p> Marta Sagastume Copyright (c) 2021 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/76 Mon, 08 May 2023 00:00:00 -0300 Problemas, Lenguajes y Algoritmos https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/68 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Esta segunda edición es fruto de la experiencia de los autores en el dictado de diversos cursos de Lenguajes Formales y Autómatas y de Computabilidad y Complejidad en la Universidad Nacional de La Plata y en la Universidad Tecnológica Nacional, Regional La Plata, Argentina.</p> <p>En cuanto a los contenidos, se han modificado los capítulos 1 y 2 afiadiendo ejemplos detallados, reescribiendo y profundizando algunos puntos e introduciendo algunas secciones nuevas. Se describirán brevemente las modificaciones.</p> <p>En el capítulo 1, en primer lugar se ha agregado la sección 1.3 sobre las formas normales de Chomsky y de Greibach para lenguajes libres de contexto. Con respecto a los autómatas finitos y expresiones regulares, se ha subdividido y ampliado la sección correspondiente. En 1.4, además de los autómatas finitos determinísticos y no determinísticos, se tratan los que admiten movimientos 4. En 1.5 se estudia la equivalencia de los lenguajes reconocidos por autómatas finitos con los lenguajes regulares. La sección 1.6, que es nueva, trata el teorema de Myhill-Nerode que asocia una relación de equivalencia a un lenguaje dado, permitiendo decidir si existe o no un autómata finito que lo reconozca. La demostración es constructiva y en ella se define, si existe, el autómata mínimo que reconoce tal lenguaje. Se introducen las redes de Petri que son un instrumento útil para modelizar procesos concurrentes (1.9). Se estudian aquí brevemente los lenguajes asociados a tales redes y su relación con las familias de lenguajes de la jerarquía de Chomsky.</p> <p>En el capítulo 2, en la sección 2.3, se agrega la demostración del Ilamado “pumping lemma” para el caso de los lenguajes de tipo 2 y 3. Ese resultado se aplica al análisis de cuatro problemas de decisión que se relacionan con lenguajes: el de pertenencia (probar que existe un algoritmo que lo resuelva equivale a probar la recursividad del tipo de lenguaje), el de comprobar si un lenguaje asociado a cierto autóômata o gramática es vacio o no, O bien si es finito o infinito y por último el de determinar si dos gramáticas dadas generan o no el mismo lenguaje. En la sección 2.5 se agrega un ejemplo de problema relativo a conjuntos de alcanzabilidad de Redes de Petri, que resulta indecidible reduciéndolo al décimo problema de Hilbert.</p> <p>Los capítulos 3 y 4 presentan sólo cambios tipográficos respecto de la edición anterior.</p> <p>Se incluyen también tres apéndices, cuyo autor es mi colega y amigo el Dr. Guillermo Martínez, a quien agradezco mucho su valiosa colaboración en sus dos facetas: la de matemático especialista en lógica por una parte y la de escritor y crítico literario por otra.</p> <p>El primero de los tres apéndices es el resumen de un cursillo que dictó en la Universidad Nacional del Sur (Bahía Blanca, Argentina) sobre computabilidad, complejidad y teoremas de Gódel. Se profundiza aquí sobre el significado de nociones y resultados que son básicos en el contenido de este libro. El segundo y el tercero son transcripciones de comentarios de libros aparecidas en diarios de Bs. As. À través de su crítica sobre el libro El último teorema de Fermat, de Simon Singh, Martinez narra la historia del teorema de Fermat y la consecuente develación de su misterio. Asimismo, el comentario de la última edición de Leyendo a Euclides, del eminente matemático italiano Bepo Levi, da pie para explicar a lectores no necesariamente matemáticos la “estética” de los sistemas axiomáticos y su relación con la noción de incompletud de Gódel.</p> <p>En cuanto a la forma del libro, se han modificado tipos de letras, títulos y secciones y se han rehecho los dibujos de los capítulos 1 y 2.”</p> <p> </p> <p>Marta Sagastume</p> <p>Gabriel Baum</p> <p>Con la colaboración de Guillermo Martínez</p> <p> </p> <p>Volume 37 – 2003</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Segunda Edição, 2003</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <p>Linguagem de programação (Computadores) 005.13</p> <p>Lógica simbólica e matemática - Processamento de dados 005.131</p> <p> </p> Marta Sagastume, Gabriel Baum, Guillermo Martínez Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/68 Tue, 11 Apr 2023 00:00:00 -0300 Logical Forms (Part II) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/69 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Two questions that preoccupied me in the seventies motivated me to write this book. (1) What is the relation between a statement (sentence, proposition) and reality? (2) What is the fundamental character of logic? Part I develops an answer to (1) and Part II (forthcoming) develops an answer to (2). The Introduction and Chapter 1 give an outline of these answers.</p> <p>As I worked on the book, however, more and more of my life's experience teaching and researching questions of philosophy of logic, philosophy of mathematics and philosophy of language became relevant to the subjects that I was discussing. So, the outcome is not just an attempt to answer questions (1) and (2), but is also, and perhaps primarily, a formulation of a working philosophical viewpoint.</p> <p>My viewpoint is essentially realist and metaphysical, influenced to a very large extent by works of Plato, Aristotle, Frege, Russell, Gódel and Hardy, among others. My aim in the book is to develop some aspects of this viewpoint. Evidently, since I touch upon many different issues, it is not possible to pursue them all in detail, and 1 will have to do that in other writings. Nevertheless, I think that my answers to questions (1) and (2) are developed in sufficient detail to serve as a basis for discussion.</p> <p>In “Mathematical Proof” Hardy classifies philosophies as sympathetic and unsympathetic, tenable and untenable. I hope that some readers will find the kind of view that I develop here as sympathetic as I do, and I hope to show that it is at least as tenable as other views currently in vogue.</p> <p>Although there is an overall structure to the book, on which 1 will comment in the concluding remarks, most chapters are written in such a way that they can be read independently. In fact, as can be seen in the bibliography, versions of several of the chapters (from both parts) have appeared in print. After reading the Introduction and Chapter 1, which give a general sketch of position, the reader should feel free to read or browse through chapters whose subject-matter may be appealing to him or her, without worrying about earlier chapters. Each chapter has its own main argument, which may be seen more clearly if on a first reading the end notes are left out. The notes, some quite long, contain references, quotations, amplifications, digressions, etc. and are not necessary for following the main text. When a note is essential to the main text 1 indicate this by an explicit reference of the form “see note such and such”.</p> <p>tical and partly in the context of a graduate seminar on philosophy of logic. [ am grateful to PUC-Rio for the sabbatical and I am equally grateful to the students in that seminar, particularly to Arno Viero, for many incisive and stimulating discussions of the texts coming hot out of the computer. In 1989 I circulated a version of the typescript (then titled “The Laws of Truth”) among some friends and colleagues. I am especially indebted to John Corcoran and Charles Marks for detailed comments on that typescript. In the intervening years I have presented versions of many of the chapters at talks, conferences, colloquia, etc., and have had important feedback from the audiences. 1 would like to thank Abel Casanave, André Porto, Carlos di Prisco, Gôran Sundholm, Itala D'Ottaviano, Jairo José da Silva, Luiz Carlos Pereira, Luiz Henrique Lopes dos Santos, Michael Wrigley, Raul Landim, Rodrigo Bacellar, Scott Soames, Sergio Fernandes and Xavier Caicedo — and there are more. 1 would also like to thank CNPq for a research fellowship during the years 1985-1993.</p> <p>Writing a book is a trying experience and I appreciate the support I received from my wife Siri and from my children Francisco, Barbara, Andrea and Victor. I dedicate the book to them and to the memory of my mother, Giovanna Vasta Bonino.”</p> <p> </p> <p>Oswaldo Chateaubriand</p> <p> </p> <p>VOLUME 42 — 2005</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 2005</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <p>Lógica 160</p> <p> </p> <p>OBS. Two questions that preoccupied me in the seventies motivated me to write this book. (1) What is the relation between a statement (sentence, proposition) and reality? (2) What is the fundamental character of logic? Part I develops na answer to (1) and Part II develops na answer to (2). The Introduction and Chapter 1 give na outline of these answers. My viewpoint is essentially realist and metaphysical, influenced to a very large extent by Works of Plato, Aristotle, Frege, Russel, Gödel and Hardy, among others. My aim in the book is to develop some aspects of this viewpoint.</p> Oswaldo Chateaubriand Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/69 Tue, 11 Apr 2023 00:00:00 -0300 O realismo naturalista de Quine https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/70 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Este livro de Marcos Bulcão Nascimento, O Realismo Naturalista de Quine: Crença e Conhecimento sem Dogmas, aborda com profundidade a doutrina epistemológica e ontológica de um dos maiores filósofos do século XX, se não o maior, William van Orman Quine. No universo da assim chamada filosofia analítica, Quine é um dos raros filósofos — juntamente com Carnap, por certo — que nos legou um sistema filosófico, à maneira dos clássicos. Com efeito, a obra filosófica de Quine aborda, de modo abrangente e articulado, interconectando-os ordenadamente, alguns dos problemas mais candentes da filosofia contemporànea, tais como a natureza do conhecimento e da ciência, a relação entre ciência e filosofia, entre ciência e ontologia, entre conhecimento e Jinguagem, entre conhecimento e experiência, o papel e o estatuto da lógica, a questão da falibilidade do conhecimento, a noção de progresso da investigação científica. Esses problemas todos, Marcos Bulcão Nascimento os estuda e examina com cuidado neste livro, à luz da reconstrução, que empreende com competência e êxito, do sistema doutrinário quineano.</p> <p>O livro é redigido com elegância, simplicidade e clareza, relacionando de modo preciso e adequado os diferentes temas que Quine abordou em dezenas de diferentes escritos, dos quais nosso autor mostra um extraordinário e extensivo conhecimento. Esses muitos escritos quineanos são pertinentemente invocados na exposição e comentário de cada assunto tratado, comparecem para iluminar cada questão e situá-la convenientemente na ordem das razões que estruturam a doutrina, como um todo. À filosofia de Quine é extraordinariamente rica e complexa, o livro de Bulcão Nascimento vai-nos descobrindo e revelando o sentido e alcance que os textos estudados nem sempre nos exibem numa primeira abordagem, porque somente sua inserção no sistema e suas interconexões com outros textos e passagens da obra permitem sua apreensão. Quine, como a maioria dos filósofos sistemáticos, desenvolve, em seus diferentes escritos, aqui um aspecto de sua doutrina, ali outro, cabendo ao estudioso e intérprete o estudo e a análise cuidadosa e comparada de todos esses aspectos e desenvolvimentos doutrinários. Bulcão Nascimento desincumbiu-se dessa tarefa. A doutrina quineana sofreu algumas mudanças ao longo das décadas em que o filósofo a construiu paulatinamente, e ele próprio, aliás, reconheceu essas mudanças. Nosso autor assinalou-as devidamente, comentou-as, ao mesmo tempo em que nos mostrou, de modo convincente, que elas não atingiram o essencial do sistema quineano, mas tão-somente o expandiram e enriqueceram, preservando sua estrutura e suas principais linhas de força. Atenção especial foi dada na pesquisa de que resultou este livro aos últimos escritos de Quine, mostrando-nos sua importância para a elucidação de tópicos fundamentais da obra do filósofo.</p> <p>Bulcão Nascimento não deu maior atenção aos comentadores de Quine nem às polêmicas que alimentaram com o filósofo sobre tópicos variados de sua doutrina. Pouco afeitos ao rigor da análise estrutural dos sistemas filosóficos, os filósofos analíticos frequentemente se permitem criticar pontualmente uma doutrina sistemática, julgando — indevidamente, aos olhos de Bulcão Nascimento e aos meus — cabível a proposição filosófica e polêmica de pontos de vista pontuais sobre este ou aquele tema, separada e independentemente da formulação de uma visão filosófica mais geral que englobe esses posicionamentos parciais e lhes forneça a devida sustentação doutrinária. Em suas réplicas a alguns deles, o próprio Quine com fregiência manifestou algum mau humor e desembaraçou-se deles e rejeitou-os muito rapidamente. Nosso autor, de algum modo, comungou desse mau humor e se mostrou avesso a essas discussões pontuais, que privilegiam pontos singulares da doutrina e, por vezes, parecem dissimular mal uma certa ignorância da totalidade. Assim fazendo, passou por cima das praxes da Academia. Hoje penso que fez muito bem.</p> <p>Há um aspecto sob o qual a leitura deste livro pode dar ao leitor uma impressão enganosa. Isso se deve ao fato de que, sendo uma obra bastante original na sua reconstrução articulada da filosofia quineana entendida como o sistema que ela é, nosso autor se esmerou, por assim dizer, em esconder a originalidade de sua pesquisa. Ele não se preocupou, a nenhum momento, em chamar nossa atenção para o fato de que parte do que está dizendo sobre Quine ainda não se dissera, de que está relacionando certos aspectos que ainda não tinham sido relacionados, de que está descobrindo algumas articulações e interconexões para as quais não se tinha ainda apontado e, sobretudo, de que está revelando uma ordem quineana das razões que não fôra ainda objeto de um estudo sistemático como o seu. Bulcão Nascimento desenvolve com estudada trangjilidade sua interpretação, e um leitor menos avisado pode supor que se trata tãosomente de uma exposição “correta” da doutrina do filósofo, como se tudo que o intérprete está avançando fosse apenas o que sobre Quine comumente se sabe e se conhece. Como se não se tratasse de uma interpretação bastante particular e pessoal. Se houvesse algo a criticar no estilo de exposição escolhido por nosso autor, seria a modéstia excessiva em que ele se refugia, recusando-se a deixar manifesto para o leitor o extraordinário e longo trabalho de leitura, pesquisa e reflexão que tornou possível a redação dessa obra.</p> <p>Um filósofo anti-quineano ficará certamente incomodado pelo fato de o autor assumir, em seu livro, uma certa cumplicidade com o pensamento quineano, que a nenhum momento critica e, mais que isso, que parece de algum modo implicitamente justificar, ao expor as soluções propostas por Quine para muitos dos diferentes problemas com que lida. Mas essa postura de Bulcão Nascimento facilmente se compreende, quando se adverte de que ele é, em boa medida, um quineano. Nosso autor jamais pretendeu ser um historiador da filosofia, ele é filósofo. Se se permitiu desenvolver um demorado estudo sobre o pensamento de Quine, é porque constatou uma afinidade profunda entre, de um lado, suas próprias idéias filosóficas e, de outro lado, a temática nuclear de Quine e a maneira pela qual esse filósofo explicita e constrói seu pensamento. Não estou dizendo que Bulcão Nascimento adota, pura e simplesmente, a doutrina quineana; o que estou querendo dizer é que ele se fez discípulo de Quine, inclusive para, ou sobretudo para, tentar ir além das idéias do mestre. E, nas primeiras linhas do Resumo de seu livro, nosso autor confessa: ‘O objetivo geral deste trabalho é explicar e defender o realismo naturalista quineano’.</p> <p>Para muitos, Quine é o crítico do empirismo clássico, o filósofo da doutrina da tradução radical (quem não ouviu falar de gavagai?), do holismo em ciência, da relatividade ontológica, da subdeterminação das teorias científicas pela experiência etc. O que Bulcão Nascimento conseguiu mostrar-nos é que todos esses pontos doutrinais se inserem articuladamente numa totalidade doutrinária singular e una que “a partir de um empirismo sem dogmas erige um realismo sem dogmas”, reorientando o empirismo tradicional. Que toda a obra de Quine é a construção laboriosa, original, rica e quase paradoxal de um novo realismo, um realismo naturalista. Essa é a tese fundamental e original do livro, seus vários capítulos a vão progressivamente construindo diante de nossos olhos, sua argumentação implacável acaba por persuadir-nos.</p> <p>Este livro é uma contribuição muito importante para o estudo e a compreensão da obra de Quine, além de também constituir uma introdução filosófica ao pensamento desse autor. É um livro de filosofia que honra a produção filosófica brasileira.”</p> <p>Oswaldo Porchat Pereira (Prefácio)</p> <p> </p> <p>Volume 51 — 2008</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Filósofos americanos 191</li> </ol> <p>2. Análise (Filosofia) 146.42</p> Marcos Bulcão Nascimento Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/70 Tue, 11 Apr 2023 00:00:00 -0300 Wittgenstein https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/71 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Apresentamos neste volume temático da Coleção CLE os mais relevantes resultados do VI Colóquio Nacional/III Internacional Wittgenstein, realizado entre os dias 23 e 25 de Setembro de 2009 no CLE e no IFCH da Unicamp.</p> <p>O tema proposto para este colóquio foi, na verdade, uma pergunta: Certeza?</p> <p>Esta pergunta evoca o derradeiro manuscrito de Wittgenstein, sobre o tema da certeza, sublinhando o interesse central da questão epistemológica no pensamento do filósofo. Ora, sabemos que Wittgenstein sempre se recusou, desde a obra de juventude, o Tractatus, até o final de sua carreira filosófica, a construir um sistema de teses a respeito de qualquer área do saber — seja de áreas envolvidas com o conhecimento científico exato, como a matemática c a lógica, ou o conhecimento nas ciências humanas, como a psicologia, seja áreas envolvidas com a reflexão filosófica, como a epistemologia, a ética, a estética, etc. Todavia, toda a sua atividade filosófica, sobretudo após o Tractatus, concentra-se em aplicar o método filosófico-terapêutico, anunciado e elaborado a partir do final da década de 20, a questões epistemológicas. Como compreender esta situação aparentemente conflituosa?</p> <p>Parece-nos que a idéia de atividade filosófica como aplicação do método terapêutico às imagens que habitam o pensamento filosófico permite a Wittgenstein elaborar, após o Tractatus e em conformidade com as questões gerais aí colocadas — como a das relações entre pensamento e realidade, e suas correlatas — um extenso projeto do que poderíamos denominar de teoria terapêutica do conhecimento. Mas, por que falar, neste caso, de uma teoria do conhecimento — se esta atividade filosófica não produz teses epistemológicas e procura, apenas, tratar a saúde do pensamento?</p> <p>É no próprio Tractatus que se enuncia uma concepção de teoria do conhecimento como sendo filosofia da psicologia, distinta da psicologia (Tr.4.1121) — concepção que reflete a presença do antipsicologismo de Frege para tratar questões epistemológicas, sobretudo aquelas ligadas à ciência da verdade, a lógica. Esta concepção será aprofundada a partir da década de 30, com a incorporação da idéia de terapia filosófica. São considerados temas ligados a conceitos psicológicos presentes nas diversas áreas do saber abordadas por Wittgenstein — tais como compreender uma prova matemática, ensinar e aprender o sentido de um conceito, atribuir sentido às palavras ao dizê-las, ou querer dizer/mentar (meinen); antecipar acontecimentos através de estados mentais, como esperar, intencionar, planejar, prever, ou, ainda, recordar-se de acontecimentos e narrá-los, expressar sensações e percepções atuais, perceber mudanças de sentido, etc. É sobre este material que Wittgenstein irá exercer a sua concepção de atividade filosófica terapêutica após o Tractatus: conceitos psicológicos ligados a diversos aspectos do conhecimento, quando interpretados através de imagens filosóficas. Esta é a teoria do conhecimento, como filosofia da psicologia, anunciada no Tractatus, que podemos apreciar nos MSs e D'T's do Nachlass de Wittgenstein — atividade esclarecedora de conceitos epistemológicos que evita construir teses, mas que aponta para uma concepção dos descaminhos a que está sujeito o pensamento filosófico ao fixar-se em modelos limitadores da significação, tal como o modelo referencial aplicado das mais variadas maneiras.</p> <p>Esta teoria terapêutica do conhecimento elaborada por Wittgenstein é uma longa reflexão sobre o sentido dos conceitos epistemológicos elementares de verdade/falsidade, necessidade, conhecimento, certeza e dúvida, tal como são expressos através da linguagem e dos usos das palavras nas diversas áreas do saber — reflexão que se apóia sobre o esclarecimento de conceitos psicológicos.</p> <p>Os textos que compõem esta coletânea correspondem a conferências, realizadas por pesquisadores convidados ao Colóquio, palestras, proferidas por pesquisadores sênior do grupo de estudos Filosofia da Linguagem e do Conhecimento, e de comunicações, apresentadas por jovens pesquisadores e selecionadas pelo comitê científico do evento.</p> <p>As diferentes abordagens realizadas pelos conferencistas e palestrantes parecem-nos ser, como no caso das versões anteriores do Colóquio, uma excelente oportunidade para criar um horizonte de reflexão mais extenso a partir do pensamento de Wittgenstein. Insistimos na idéia de que se trata de criar um horizonte que ainda não existe — no caso de Wittgenstein — para que seja possível, mais tarde, ampliá-lo e aprofundar suas consequências.”.</p> <p> </p> <p>ARLEY R. MORENO (org.)</p> <p> </p> <p>VOLUME 58 – 2010</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Filosofia austríaca 193</li> </ol> Arley Ramos Moreno Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/71 Tue, 11 Apr 2023 00:00:00 -0300 Materialismo e evolucionismo II https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/72 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Este livro foi elaborado no âmbito do Centro de Lógica, Epistemologia e História das Ciências (CLE), a partir das contribuições apresentadas no Il Seminário Materialismo e Evolucionismo, consagrado à origem do homem. Na mesma inspiração do primeiro Seminário (2006), o segundo reuniu durante dois dias (1º e 2 de setembro de 2009) biólogos, filósofos, sociólogos e outros acadêmicos, contando com forte participação de jovens pesquisadores que animaram e adensaram os debates. De modo geral, os trabalhos e as discussões apresentaram excepcional intensidade e qualidade.</p> <p>Os textos aqui reunidos examinam o tema central em múltiplas perspectivas, notadamente as da epistemologia, da história da ciência, da análise e da crítica filosófica. Compreensivelmente, é grande o predomínio dos trabalhos consagrados a Darwin, o imenso pensador que desvendou a lógica objetiva da transformação das espécies, relegando as explicações criacionistas ao museu das antiguidades mitológicas. A revolução darwiniana é, com efeito, examinada em seus diferentes aspectos e consequências tanto no que concerne à origem do homem e seu forte impacto sobre os dogmas teológicos quanto a suas conexões com teorias limítrofes, nomeadamente o marxismo.</p> <p>A última palavra sobre a importância e o interesse de um livro pertence ao leitor atento e bem informado. Só nos cabe deixá-lo formar sua própria opinião. Mas não poderíamos deixar de ressaltar a atitude exemplar, tanto pelo espírito acadêmico quanto pela generosidade intelectual, da profa. dra. Anna Carolina Pereira Regner (UNISINOS). Impedida de participar do seminário por razões de saúde, ela nos enviou o texto de sua exposição ‘Mente e corpo na visão darwiniana’”.</p> <p> </p> <p>João Quartim de Moraes</p> <p> </p> <p>VOLUME: 59 — 2011</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Evolução 575</li> <li>Homem — Evolução 573.2</li> <li>Biologia — Filosofia 574.01</li> <li>Epistemologia 121</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. O presente volume da Coleção CLE reúne os trabalhos apresentados e debatidos no II Seminário Materialismo e Evolucionismo, organizado pelo CLE/Unicamp nos dias 1º e 2 de setembro de 2009. Produtos dos trabalhos de biólogos, filósofos, sociólogos e outros acadêmicos, os textos aqui apresentados examinam o tema central da origem do homem em múltiplas perspectivas, notadamente as da epistemologia, da história da ciência, da análise e da crítica filosófica.</p> João Quartim de Moraes Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/72 Tue, 11 Apr 2023 00:00:00 -0300 Materialismo e Evolucionismo III https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/73 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Estão aqui reunidos os nove textos finais, revistos pelos autores, das contribuições que eles apresentaram no Seminário “Evolução e acaso na hominização” (terceiro da série “Materialismo e Evolucionismo”), promovido de 24 a 26 de outubro de 2011 no Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE), com apoio do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH).</p> <p>O tema deste II Seminário, evolução e acaso na hominização, foi sugerido em 2009, no debate final do II Seminário, cujo tema central era a “origem do homem”, Ao longo das exposições e dos debates, ficou manifesta a importância de interrogar a noção de acaso, examinando seu peso na linha de evolução que conduziu à hominização. O interesse filosófico dessa interrogação é evidente. À análise das conexões da noção de acaso com a teoria da evolução é imprescindível para a compreensão da lógica objetiva da transformação das espécies. Que o homem tenha sutgido “por acaso” interpela radicalmente não apenas os ctiacionistas (tanto os mais rudemente dogmáticos quanto os defensores do chamado “desígnio inteligente”), mas em geral todas as vertentes, teológicas ou não, do humanismo metafísico.</p> <p>O seminário permitiu enfrentar essa complexa questão a partir da pluralidade das perspectivas teóricas correspondentes ao perfil acadêmico de cada um dos doze participantes: paleontologia, primatologia, biologia, filosofia, antropologia etc. Embora três deles não nos tenham enviado seus textos pata publicação, os nove aqui reunidos dão um ideia suficientemente ampla das discussões e resultados do encontro. Fica a expectativa de que estimulem novos estudos e debates”.</p> <p> </p> <p>João Quartim de Moraes</p> <p> </p> <p>VOLUME: 67 — 2014</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático 1. Evolução 575 2. Evolução — Filosofia 575.001 3. Homem — Evolução 573:2</p> <p> </p> <p>OBS. Os textos de André Luis de Lima Carvalho, Aura Ponce de Leon, Carlos Alberto Dória, Gustavo Caponi, João Quartim de Moraes, Jorge Martinez Contreras, Paulo Dalgalarrondo, Sandra Caponi e Sílvio Seno Chibeni, que compõem o presente volume, correspondem à versão, corrigida pelos autores, das comunicações que eles apresentaram e discutiram no Seminário “Evolução e acaso na hominização”, realizado de 24 a 26 de outubro de 2011 no Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Unicamp.</p> João Quartim de Moraes Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/73 Tue, 11 Apr 2023 00:00:00 -0300 Intuición y Pensamiento https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/74 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“El siglo XIX fue una época de ebullición en lo que al desarrollo de las teorías matemáticas respecta. Gran parte de las distintas ramas de las matemáticas que conocemos al presente tuvieron su otigen o sufrieron cambios considerables en dicho periodo histórico, el cual se caractetrizó por ser uno en el que las teotías matemáticas se encontraban en una etapa de transición hacia níveles cada vez más abstractos. De entre el gran número de descubrimientos matemáticos que tuvieron lugar durante la referida época, el surgimiento de las llamadas “ceometrías no euclidianas” se destaca como uno de los principales y más influyentes logros. Dicho descubrimiento ha sido catalogado por muchos como una trevolución en el pensamiento matemático, comparable en sus implicaciones con la revolución copernicana en la física y la cosmología, y con la revolución darwiniana en la biología; pues el surgimiento de los nuevos sistemas geométricos puso en entredicho la concepción clásica de la milenaria geometría euclidiana considerada por más de dos mil afios como la ciencia que proveía una descripción fiel y exacta del espacio físico, y tenida por muchos como el paradigma del pensamiento racional.</p> <p>La coexistencia de los nuevos sistemas geométricos llevó a los matemáticos a repensar las concepciones clásicas acerca del conocimiento geométrico y de la geometría como ciencia del espacio físico. A tales efectos, los matemáticos fueron adoptando paulatinamente nuevas posturas que le distanciaban de la concepción clásica de la geometria. El punto culminante de dicha tendencia tiene su mayor exponente en la figura del matemático alemán David Hilbert, quien en 1899 publicó sus Fundamentos de la geometria, obra en la cual propone una interpretación formalista de la geometria. Especificamente, el formalismo propuesto por Hilbert consiste en describir a la geometría como una ciencia intrínsecamente abstracta y deductiva desligada por completo de cualquier ámbito o dominio de aplicación. Dicha interpretación le permitió a Hilbert justificar la coexistencia de los distintos sistemas geométricos incompatibles entre sí, al mismo tiempo que proveyó una axiomatización de la geometría euclidiana. A pesar de que su propuesta fue aceptada por la gran mayoría de la comunidad matemática, hubo algunos matemáticos que se opusieron a una tal interpretación, entre ellos, Gottlob Frege.</p> <p>Tras haber leído la obra de Hilbert, Frege le escribió una carta para dejarle saber sus dudas y su descontento con su propuesta formalista y, a consecuencia de esto, sutgió una polémica epistolar entre ambos pensadores en torno a los fundamentos de la geometria. La referida polémica entre Frege y Hilbert forma parte de un capítulo fundamental de la historia de las matemáticas, dada la natutaleza de los temas que allí se discuten. Entre los temas discutidos por éstos cabe destacar los siguientes: la posibilidad de llevar a cabo axiomatizaciones de distintos sistemas geométricos, la importancia e implicaciones de las demostraciones de independencia y consistencia de los axiomas de una teoría matemática, la naturaleza de la verdad y la existencia matemática, la fuente de justificación de los axiomas de la geometria; y asuntos más generales pertenecientes a la filosofia y metodología de la lógica, tales como la naturaleza del método axiomático y el rol de las definiciones en una teoría axiomática.</p> <p>El presente trabajo tiene como propósito llevar a cabo un análisis de la concepción fregeana de la geometria a la luz de lo dicho por Frege en su correspondencia con Hilbert, así como en los escritos en los que éste expresa sus posturas con respecto a la natutaleza del conocimiento geométrico. Como es sabido, a Frege se le conoce principalmente como el “padre de la lógica moderna”, así como por ser el principal exponente de la tesis logicista, programa que tenífa como objetivo último reducir la aritmética a la lógica. Por dichas razones, gran parte de la literatura acerca de la obra de Frege se ha enfocado tradicionalmente en sus concepciones acerca de la lógica y la aritmética, y se ha relegado a un segundo plano sus posturas con respecto a la geometria. Ahora bien, recientemente los argumentos propuestos por Frege en su polémica con Hilbert han recibido mayor atención por parte de los filósofos y matemáticos, lo cual, a su vez, ha propiciado el estudio de la concepción fregeana de la geometria. Sin embargo, basta echar sólo un vistazo a las recientes interpretaciones de la polémica Frege-Hilbert para percatarse de que la mayoría de los especialistas rechazan los argumentos de Frege en torno a la naturaleza de la geometria como absurdos, arbitrarios o irrelevantes.</p> <p>Nuestro análisis pretende establecer que, si bien Frege estaba completamente equivocado al rechazar a las geometrias no euclidianas y al catalogar la obra de Hilbert como un fracaso, su postura acerca de los fundamentos de la geometria no es, en modo alguno, fútil, sino que, por el contrario, la misma nos permite obtener información importante sobre la interrelación entre los diversos sistemas geométricos, así como acerca de los fundamentos de la geometría en general. Como veremos, dicha interpretación de la postura de Frege se hace más plausible si tomamos en cuenta la metodología propuesta por el matemático alemán Karl von Staudt para justificar la introducción de los elementos ideales en la geometria proyectiva; metodologia que fue adoptada por Frege en su disertación doctoral y en los Fundamentos de la aritmética al proveer su definición del concepto de número natural.</p> <p>À tales fines, nuestra tesis se dividirá en cuatro capítulos. En el primer capítulo se establece el contexto histórico del desarrollo de la geometria como ciencia sistemática, la cual tiene sus inícios en la antigua Grecia con la publicación de los Elementos de Euclides. Tras haber llevado a cabo una exposición general de la naturaleza de la geometría euclidiana según desarrollada por Euclides en su famosa obra, discutiremos la fundamentación epistemológica del conocimiento geométrico propuesta por Kant en sus escritos filosóficos, tomando en cuenta principalmente lo dicho por éste al respecto en su Crítica de la razón pura, concepción que vino a convertirse en la postura filosófica predominante durante el siglo XVII y principios del siglo XIX en torno a la natutaleza de la geometria. Finalmente, proveemos un recuento histórico de los acontecimientos que propiciaron el surgimiento de las geometrias no euclidianas en el siglo XIX, a los fines de poner en contexto las circunstancias que llevaron a la propuesta formalista de Hilbert.</p> <p>En el segundo capítulo examinamos la concepción fregeana de la geometria dentro del matco de su programa logicista, tomando en cuenta, especificamente, los comentarios hechos por Frege en Los fundamentos de la aritmética acerca del conocimiento geométrico. En dicho capítulo, además, realizamos una exposición general de las principales nociones de la filosofía de Frege, tales como sus distinciones semánticas, lógicas, y ontológicas; con el propósito de sentar las bases para nuestra discusión de la postura adoptada por Frege en su polémica con Hilbert sobre los fundamentos de la geometria.</p> <p>El tercer capítulo consiste en una exposición detallada de los Fundamentos de la geometría de Hilbert, en donde explicamos a fondo los aspectos esenciales de su metodologia formalista. A su vez, tras la dilucidación de la propuesta formalista hilbertiana, pasamos a discutir en dicho capítulo la polémica Frege-Hilbert concentrándonos en los argumentos presentados por ambos pensadores en su intercambio epistolar, así como también en los escritos subsiguientes de Frege Sobre los fundamentos de la geometria, en donde éste recoge y amplia las críticas que había hecho a Hilbert en su correspondencia.</p> <p>Finalmente, en el cuarto capítulo realizamos una presentación de diversas interpretaciones de la polémica Frege-Hilbert, enfocándonos principalmente en tres artículos en los que se interpreta favorablemente la postura adoptada por Frege en la famosa polémica, dado el rechazo casi unánime de dicha postura por la mayoría de los exégetas. El resto del capítulo está dedicado completamente a la justificación de nuestra interpretación sobre la concepción fregeana de la geometria a la luz de un análisis exhaustivo de la obra de Frege desde el início de su carrera hasta la culminación de la misma, concentrándonos en los comentarios acerca de la geometría hechos por éste en sus escritos, así como en sus concepciones generales acerca del conocimiento científico, la lógica, y las matemáticas. Por último, proponemos una manera de levar a cabo una axiomatización de la geometria proyectiva a la Frege, la cual busca poner de manifiesto las ventajas de la concepción fregeana de la geometria frente a teorías formalistas como la de Hilbert.”</p> <p> </p> <p>Félix A. Plaza Cortés</p> <p> </p> <p>Volume – 74</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p>Indice para catalogo sistematico</p> <p>1. Geometria-Fundamentos 516.2 2.</p> <p>2. Filosofia alemã 193</p> <p> </p> <p>OBS. En el presente escrito se lleva a cabo un análisis exhaustivo de la concepción fregeana de la geometría a la luz del pensamiento filosófico kantiano, del surgimiento de las geometrías noeuclidianas, así como de la polémica epistolar que Frege tuvo con David Hilbert acerca del método axiomático y los fundamentos de la geometría.</p> Félix A. Plaza Cortés Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/74 Tue, 11 Apr 2023 00:00:00 -0300 Informação, Conhecimento e Modelos https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/75 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“É com grande satisfação que apresentamos esta obra, fruto do IX EICA — Encontro Internacional de Informação, Conhecimento e Ação. Realizado entre 02 e 04 de dezembro de 2015, na Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP/Marília, o tema dessa edição do evento foi ‘informação, conhecimento e modelos’.</p> <p>Já tradicional e importante encontro de natureza interdisciplinar, na comunidade acadêmica, o EIICA envolve áreas como Ciência da Informação, Filosofia, Ética, Filosofia da Informação, Ciências da Comunicação, Ciência Cognitiva, Psicologia. Trata de temas ligados à natureza ontológica e epistemológica da informação, bem como de sua estreita relação com o conhecimento e a ação.</p> <p>À primeira edição do EIICA aconteceu em 1998, com uma parceria entre os programas de Pós-Graduação em Filosofia e Ciência da Informação da Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP Dentre os seus idealizadores, promotores e realizadores, encontramos consagrados pesquisadores, como Antônio Trajano Menezes Arruda, Carmem Beatriz Milidoni, José Augusto Chaves Guimarães, Lauro Frederico Barbosa da Silveira, Maria Cândida Soares Del Masso, Maria Cláudia Cabrini Grácio, Maria Eunice Quilici Gonzalez, Maria José Vicentini Jorente, Mariana Claudia Broens, Plácida L. V. Amorim da Costa Santos, Silvana A. B. Gregório Vidotti. A tais desbravadores, gratidão pelo seu árduo trabalho e pelas conquistas, inclusive pelas ainda por vir.</p> <p>Dentre os inúmeros frutos oriundos desse evento, podemos citar os anais, revistas, artigos e livros publicados, decorrentes da reflexão e discussão realizadas em suas oito edições anteriores. Em especial, nessa IX edição, além deste livro, também foi publicada uma edição especial na revista Brazilian Journal of Information Science: research trends — BRAJIS — v. 10, n. 02, com textos dos participantes do evento. Eles podem ser acessados livremente em: http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/bjis/issue/ view/367/showToc. Aproveitamos o ensejo para agradecer aos editores da revista pela parceria. Os Anais do evento podem ser conferidos em http:// www. inscricoes.fmb.unesp.br/principal.asp. Informações, palestras e fotos podem ser acessadas em <a href="https://www.facebook.com/EIICAUNESP/">https://www.facebook.com/EIICAUNESP/</a>.</p> <p>A boa formação de discentes de graduação e pós-graduação, muitos já atuando no mercado de trabalho, o estabelecimento de parcerias entre pesquisadores e instituições e o auxílio para a visibilidade internacional da UNESP também são resultados notáveis do FIICA.</p> <p>Outra prova do respeito, consideração e confiança a esse evento é o apoio das agências de fomento, tais como FAPESP, CAPES, CNPq, além do Departamento de Filosofia e dos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação e Filosofia da UNESP Expressamos, ainda, nosso reconhecimento à Direção da Faculdade de Filosofia e Ciências desta Universidade, pelo apoio e suporte estrutural e financeiro. A parceria entre o EIICA e tal Direção é tradicional e profícua. Além do mais, temos o apoio do Escritório de Pesquisa e do STAEPE da UNESP/Marília. Seus gabaritados profissionais foram fundamentais para o sucesso dessa edição do evento e deste livro.</p> <p>Nossa gratidão, ainda, aos conferencistas nacionais e estrangeiros pela participação e aos apresentadores de comunicação e pôsteres, importantes para o debate e aprimoramento de pesquisas na área. As seções de comunicação e pôsteres no EICA constituem um momento marcante de discussão, debate, troca de informações entre pesquisadores, cuja interação é sempre de grande valia para o aprimoramento de suas pesquisas. Ao público geral presente, sem o qual o evento não faria muito sentido, dirigimos nossa sincera gratidão pela interação e interesse constante.”</p> <p>Marcos Antonio Alves</p> <p>Maria Claudia Cabrini Grácio</p> <p>Daniel Martínez-Ávila (Org.)</p> <p> </p> <p>Volume 78 – 2017</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <p>1. Sistemas auto-organizadores 003.7</p> <p> </p> <p>OBS. Vivemos na era da informação. A informação virou mercadoria de elevado poder. O seu domínio e manipulação possuem alto valor econômico, político, social. No estanto, ainda sabemos pouco a respeito do que ela seja. O que é informação? (…) Este livro reúne um conjunto de trabalhos constituídos a partir do IX EIICA – Encontro Internacional de Informação, Conhecimento e Ação, realizado em 2015.</p> Marcos Antonio Alves, Maria Claudia Cabrini Grácio, Daniel Martínez-Ávila Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/75 Tue, 11 Apr 2023 00:00:00 -0300 Tese De Church https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/66 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Nos textos de lógica é frequente encontrarmos uma seção dedicada à tese de Church, onde são tecidas justificativas conceituais. Entretanto, na prática matemática é usual tratarmos com definições, axiomas e teoremas, e efetuarmos demonstrações, mas tanto o termo “tese” como a presença de justificativas conceituais não são frequentes. Esta situação motivou, inicialmente, o nosso interesse por este tema. O interesse aumentou quando soubemos da atitude cautelosa de Gódel a respeito do assunto e da existência do trabalho de KALMÁR (1959), que apresenta argumentos contrários à plausibilidade da tese de Church.</p> <p>É conhecida a relevância da tese de Church com relação à existência de métodos de decisão. Levando em consideração este fato, não é difícil justificar um trabalho sobre este tema. Em particular, neste livro pretendemos ter feito as seguintes contribuições, esperando que as mesmas possam ser úteis de um ponto de vista didático:</p> <ul> <li>Advertência sobre um erro de van Heijenoort na interpretação de Gódel a respeito do conceito de expressabilidade (p. 26-27);</li> <li>Advertência sobre uma interpretação equivocada de Odifreddi sobre Gódel e Post (suposto platonismo) (p. 48-49);</li> <li>Resposta da questão sobre o motivo pelo qual Church não usou a sua própria noção de definibilidade lambda para enunciar a sua tese (p. 51-54);</li> <li>Advertência sobre a interpretação equivocada de Thomas a respeito do status da tese de Church (p. 57-58);</li> <li>Prova simples e direta do teorema da incompletude de Góodel usando a tese de Church, a qual esclarece a falácia de Kalmár, comparando-a com o argumento correto “mais próximo” (p. 77-79).</li> </ul> <p>Nossa intenção inicial era efetuar um trabalho mais conceitual do que histórico. Porém, a análise dos textos consultados exigiu uma pesquisa histórica para poder compreender as idéias e atitudes envolvidas, por exemplo, um estudo do conceito de recursão. Desta forma, o nosso livro começa com um histórico do conceito de recursão até 1931, comentando as contribuições de Dedekind, Skolem, Ackermann, Gódel e Herbrand. A seguir, apresentamos um histórico da tese de Church desde 1931 até 1936, iniciando com alguns comentários sobre um sistema de Church e concluindo com um debate a respeito do status da tese de Church. A divisão em questões históricas e conceituais dos dois capítulos seguintes é de certo modo arbitrária. No apêndice fornecemos a versão original das citações. Embora o nosso trabalho apresente inúmeras referências, gostaríamos de destacar as que foram nossa principal fonte de consulta. Para os textos originais dos autores estudados consultamos as obras de DAVIS (1965), VAN HEIJENOORT (1967) e GÓDEL (1986 e 1990). Para análises históricas foram muito úteis as obras de WEBB (1980), KLEENE (1981a), DAVIS (1982) e GANDY (1988).”.</p> <p> </p> <p>RODOLFO C. ERTOLA BIRABEN</p> <p> </p> <p>VOLUME 16 – 1996</p> <p>ISSN:0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1996</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Lógica simbólica e matemática 511.3</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Neste livro, o leitor encontrará, inicialmente, um histórico do conceito de recursão, noção matemática tradicional que é usada para explicar a noção de calculabilidade efetiva. A seguir, é apresentado um histórico da tese de Church e, nos últimos capítulos, são analisadas algumas questões histórico-conceituais relativas à referida tese. Livro indicado tanto para os leitores interessados em lógica ou história da ciência como para os interessados nos fundamentos da informática.</p> Rodolfo C. Ertola Biraben Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/66 Mon, 10 Apr 2023 00:00:00 -0300 O Filósofo e sua História https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/67 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Este volume reúne uma série de artigos em homenagem a Oswaldo Porchat e, ao organizá-lo, pensamos que deveria refletir a trajetória acadêmica do filósofo. Essa idéia, sugerida por Paulo Faria, foi prontamente aceita pelos participantes do GT Ceticismo da ANPOF, fundado por Porchat, que ficaram encarregados de dar a primeira forma à homenagem. Assim, convidamos vários filósofos para que contribuíssem com artigos que, direta ou indiretamente, retomassem os temas e autores que lhe são mais caros, tais como ceticismo, vida comum, estruturalismo, Aristóteles, Descartes, Hume. A idéia não era simplesmente a de reunir filósofos em um mesmo livro por relação de amizade com o homenageado, independentemente do conteúdo de suas contribuições. A melhor homenagem, assim nos pareceu, consistia em prosseguir nas trilhas por ele abertas. O próprio conteúdo dos artigos deveria, portanto, testemunhar nosso reconhecimento, dívida e admiração. Assim, o leitor encontrará artigos sobre Aristóteles e a filosofia antiga, sobre a história do ceticismo e da filosofia moderna, às quais ele tanto se dedicou, bem como sobre questões relacionadas ao método estrutural e à sua própria reflexão pessoal. Por considerarem que seus trabalhos estão distantes dos temas ou autores propostos, alguns amigos não puderam contribuir para esse volume, embora tivessem gostado de participar da presente homenagem.</p> <p>Porchat é, sem dúvida, um dos filósofos mais conhecidos e respeitados no Brasil e em toda a América Latina. Há razões de sobra para isso, tanto pessoais, quanto filosóficas. Por um lado, ele consegue aliar, em sua personalidade, a seriedade, a honestidade e, mesmo, uma certa formalidade com uma atitude calorosamente afetiva, amistosa e bondosa. Sob a aparência característica do filósofo despreocupado de problemas mundanos, revela um vivo interesse pelos afazeres humanos do cotidiano e está permanentemente atento tanto às relações pessoais, cultivadas com carinho e uma atenção toda especial, quanto ao que se passa no mundo, procurando informar-se adequadamente e ter uma visão crítica da situação social e política. Não é por acaso que a temática da vida comum atravessa todas as fases de seu pensamento. O que talvez seja menos evidente, mas ainda assim digno de nota, é seu senso de humor, que, não raro, emerge em seus textos onde menos se espera. Tudo isso tornou Porchat uma personalidade muito estimada entre nós.</p> <p>Por outro lado, a solidez de seu pensamento, o rigor de suas reflexões, a elegância, precisão e clareza de sua linguagem e a capacidade de resolver dificuldades e encontrar soluções aos mais diferentes problemas filosóficos (exceto, naturalmente, o conflito das filosofias...) são notáveis e de todos conhecidos. Como professor, é de uma dedicação extrema, usando parte significativa de seu tempo de estudo para preparar uma aula, cujo conteúdo ele já dominava plenamente. Às perguntas dos alunos, quaisquer que sejam elas, responde com a maior consideração. Saber escutar é uma de suas virtudes. Procura colocar-se ao lado de seus alunos, para, compreendendo as idéias, necessidades e dificuldades deles, ajudá-los a aprender filosofia. Sua atitude como orientador não é menos generosa, cedendo-lhes tempo precioso e acompanhando-os em todos os momentos da pesquisa: na elaboração do projeto, na leitura de todos os textos relevantes, na redação e revisão dos trabalhos, quando não somente corrige as idéias e o português, mas mesmo o estilo e as traduções de comentadores. Ao desempenhar o papel de professor ou orientador, Porchat não diminui seu rigor, nem deixa de respeitar seus alunos, pessoal ou intelectualmente. A companhia dos jovens sempre foi uma de suas predileções, vendo neles o estímulo para continuar seus trabalhos, sobretudo os de educador, e um motivo de alegria pessoal, de constante renovação. Essas suas características são conhecidas somente por aqueles que tiveram a felicidade de estudar ou trabalhar com ele.</p> <p>Falar sobre Porchat é falar das coisas que dizem respeito mais intimamente a muitos de nós: nenhum filósofo brasileiro tocou tão de perto os “pensamentos mais primitivos” que acompanham o ingresso na filosofia - a iniciação filosófica. Lendo-o e refletindo sobre seus textos, somos espontaneamente convidados a filosofar e cedemos àquela disposição para a filosofia à qual ele se referiu. Há uma relação interna entre educação e filosofia, ou, talvez, entre educação e “corrupção”, que permanece uma chave para entender a aventura de Sócrates. Pensando na exemplaridade de Porchat como professor de filosofia, é impossível não deixar de relacionar seu empenho em tornar possível que se comece a fazer filosofia no Brasil com sua tematização infatigável, pois já dura mais de um quarto de século, das condições de um discurso filosófico. Não é prematuro, parece-nos, atribuir às suas obras uma grande significação histórica para muito do que se vai fazer em filosofia no Brasil daqui para a frente.</p> <p>Sua contribuição institucional também merece destaque. Porchat fundou, como se sabe, o Centro de Lógica e Epistemologia (CLE), em 1977. É impossível resumir; em poucas palavras, o que essa fundação significou para a filosofia brasileira, dada a qualidade, produtividade e longevidade do CLE, bem como o papel que esse desempenhou entre nós. Não menos importante foi a fundação de um Programa de PósGraduação em Filosofia na UNICAMP. Organizando inúmeros colóquios anuais e convidando filósofos de várias universidades brasileiras, Porchat deu um passo decisivo para a integração da filosofia no Brasil. Entre suas iniciativas, estão também as revistas de filosofia Manuscrito e Cadernos de História e Filosofia da Ciência, que rapidamente ganharam destaque e se tornaram importantes veículos de discussão, em âmbito não somente nacional, mas também internacional. Em todas essas empreitadas, a contribuição de Ezequiel de Olaso, que veio a se tornar um grande amigo seu, foi fundamental. A profunda amizade entre os dois permitiu ainda que os laços da filosofia brasileira com a filosofia latino-americana também se estreitassem.</p> <p>É, portanto, “absolutamente necessário” (ainda que um cético possa ter suas dúvidas a respeito dessa noção metafísica...) prestar uma homenagem a Porchat, dedicando-lhe este volume, com a mais profunda admiração, estima e afeto.”</p> <p>Michael B. Wrigley</p> <p>Plínio Junqueira Smith</p> <p> </p> <p>Volume 36 – 2003</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 2003</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <p>Filosofia brasileira 199.81</p> <p>Filósofos brasileiros 199.81</p> <p> </p> <p>OBS: Este volume reúne uma série de artigos em homenagem a Oswaldo Porchat e, ao organizá-lo, pensamos que deveria refletir a trajetória acadêmica do filósofo. A melhor homenagem, assim nos pareceu, consistia em prosseguir nas trilhas por ele abertas. Assim, o leitor encontrará artigos sobre Aristóteles e a filosofia antiga, sobre a história do ceticismo e da filosofia moderna, bem como sobre questões relacionadas ao método estrutural e à sua própria reflexão pessoal.</p> Michael B. Wrigley, Plínio Junqueira Smith Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/67 Mon, 10 Apr 2023 00:00:00 -0300 Sobre o Predicativismo em Hermann Weyl https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/61 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Entre os vários projetos de fundamentação da matemática à nossa disposição, nem sempre se trata de tomar a prática matemática como dada, mas, frequentemente, de submetê-la a uma crítica condicionada por pressupostos de caráter filosófico.</p> <p>Contrariamente ao intuicionismo de Brouwer, por exemplo, que procura explicitar os seus compromissos filosóficos de maneira mais ou menos clara, o predicativismo nunca se deu, seriamente, a este trabalho. As restrições predicativistas à matemática “clássica” nunca foram filosoficamente justificadas de modo convincente.</p> <p>O objetivo deste trabalho é buscar uma tal justificação. Ou, pelo menos, apontar o que acredito ser o caminho para tanto.</p> <p>Restringi-me ao predicativismo de Poincaré e ao de Hermann Weyl, como é apresentado em Das Kontinuum (1918), e, em ambos, procurei explicitar quais são os compromissos filosóficos, largamente implícitos, que os condicionam.</p> <p>O capítulo 1 procura compreender o “manifesto” predicativista de Poincaré como ultimamente fundamentado numa compreensão verificacionista da noção de significado.</p> <p>O capítulo 2 procura desvendar a noção kantiana de constituição do objeto matemático para, basicamente, contrapô-la à noção fenomenológica e, assim, enfatizar as diferenças entre os construtivismos de Brouwer e de Weyl.</p> <p>O capítulo 3 procura na fenomenologia de Husserl o ambiente filosófico do predicativismo de Weyl. É minha opinião que é na noção fenomenológica de constituição dos objetos ideais que o princípio do círculo vicioso de Poincaré-Russell mais confortavelmente se assenta.</p> <p>Os capítulos 4 e 5 apresentam, respectivamente, as versões predicativistas da aritmética e da análise clássica. A finalidade desses capítulos é basicamente ilustrativa.”</p> <p>Jairo José da Silva</p> <p> </p> <p>Volume VI - 1989</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p>Primeira edição, 1989</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Matemática : Filosofia 510.1</li> <li>Ciência : Filosofia 510</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. O objetivo central deste trabalho é buscar uma fundamentação filosófica para o predicativismo em Hermann Weyl como exposto em Das Kontinuum, na noção fenomenológica de constituição dos objetos ideais, como entendida por Husserl. São também estudados alguns aspectos da filosofia da matemática de Poincaré, um dos pioneiros do predicativismo, e a noção kantiana de constituição do objeto matemático para, essencialmente, contrapô-lo à noção fenomenológica.</p> Jairo José da Silva Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/61 Tue, 21 Mar 2023 00:00:00 -0300 N.A. Vasiliev e a lógica paraconsistente https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/62 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Este trabalho foi realizado, entre outubro e dezembro de 1978, quando a autora era professora visitante no Instituto de Matemática da Universidade Católica do Chile, período durante o qual colaborou intensamente com a organização do IV Simpósio Latinoamericano de Lógica Matemática, realizado em Santiago, em dezembro de 1978.</p> <p>Foi um dos últimos trabalhos preparados pela professora Ayda Ignez Arruda, não tendo sequer sido submetido a publicação.</p> <p>A professora Arruda estudou, por quase vinte anos, a Lógica Paraconsistente e Lógicas Não-Clássicas em geral, tendo se interessado, nos últimos anos de sua vida, pelos trabalhos de Vasiliev e, em particular, por suas relações com a Lógica Paraconsistente.</p> <p>A professora Arruda analisou, exaustivamente, os cinco artigos publicados por Vasiliev.</p> <p>Nicolai À. Vasiliev, médico, foi professor de Filosofia na Universidade de Kazan, Rússia.</p> <p>Entre 1910 e 1913 publicou, em russo, uma série de quatro artigos, nos quais apresenta suas idéias sobre a possibilidade de derrogação de algumas formas da lei do terceiro excluído e da lei da (não-)contradição.</p> <p>Em 1925, publicou um resumo das principais idéias de seus artigos anteriores, nas atas do V Congresso Internacional de Filosofia realizado em Nápoles.</p> <p>Parece que Vasiliev não chegou a ter conhecimento dos trabalhos de Lukasiewicz de 1910, porém, as argumentações de ambos sobre a possibilidade de construção de lógicas não-Aristotélicas são muito semelhantes. É interessante observarmos que ele também argumentou que a lei do terceiro excluído apareceu na “mente de Aristóteles com o objetivo de refutar seus adversários e não por razões lógicas”.</p> <p>Em seu primeiro artigo de 1910, Vasiliev mostra que é possível derrogar o princípio do terceiro excluído em sua formulação “duas proposições contraditórias não podem ser ambas verdadeiras e não podem ser ambas falsas”, mantendo o princípio da não-contradição. O trabalho começa com uma nova classificação de juízos em juízos sobre fatos, os quais expressam um fato que ocorre em um instante fixo de tempo, e juízos sobre conceitos, os quais expressam leis não-temporais, concluindo que a lógica de juízos sobre conceitos é um tipo de lógica não-Aristotélica. Vasiliev argumenta que existem apenas três tipos distintos de juízos sobre conceitos: “Todo S é P”, “Nenhum S é P” e “Apenas alguns, não todos S são P, e os restantes não são P”, e como quaisquer dois desses juízos não podem ser simultaneamente verdadeiros, porém, podem ser ambos falsos, ele introduz um tipo de lei do quarto excluído: para todo conceito A e todo predicado P, apenas um desses julgamentos deve ser verdadeiro, e um quarto Julgamento não pode ser formulado.</p> <p>Em seus artigos de 1911, 1912 e 1913, Vasiliev discute a derrogação do princípio da não-contradição e a consequente possibilidade de construção de uma nova lógica, na qual esta lei não seria válida, em geral.</p> <p>Inspirado nos métodos usados por Lobatchewski na construção de sua geometria não-Euclidiana, inicialmente chamada geometria imaginária, Vasiliev estendeu seus pontos de vista sobre sua lógica não-Aristotélica de conceitos a uma lógica que ele chamou de lógica imaginária.</p> <p>Como Vasiliev acreditava que as contradições não existem no mundo verdadeiro, porém existem em um mundo possível imaginado por nossa mente, ele afirma que a lógica Aristotélica se refere ao mundo real, enquanto que sua lógica imaginária refere-se a mundos imaginários criados pela imaginação.</p> <p>Vasiliev supõe a existência de mundos imaginários de qualquer “dimensão lógica” finita n, os quais têm uma lógica de dimensão n para descrevê-los, com juízos de n diferentes qualidades e com uma lei ontológica do (n+1)-ésimo excluído.</p> <p>Na lógica imaginária de Vasiliev de dimensão três, a lei ontológica da contradição, tomada na forma Kantiana “nenhum objeto pode ter um predicado que o contradiga” não é válida, pois isso depende das propriedades dos objetos. Entretanto, a lei metalógica da não-auto-contradição “um e o mesmo juízo não pode ser simultaneamente verdadeiro e falso” é válida.</p> <p>Os trabalhos de Nicolai A. Vasiliev parecem não ter tido influência no desenvolvimento da Lógica, em seu tempo, permanecendo quase desconhecidos até 1962.</p> <p>Seu primeiro artigo foi discutido por Hessen em 1910, e criticado por Smirnov em 1911, tendo Vasiliev refutado a crítica de Smirnov em seu artigo de 1912.</p> <p>Vários anos mais tarde, em 1936, os artigos de Vasiliev foram incluídos por Church em sua Bibliografia de Lógica Simbólica e, em 1965, mencionados por Korcik.</p> <p>Entretanto, suas idéias foram bem apresentadas e discutidas, pela primeira vez, por Smirnov, em 1962, e no Review escrito por Comey em 1965.</p> <p>Kline, em seu artigo de 1965, publicado no volume em homenagem a J.M. Bochenski, considera Vasiliev um dos precursores das lógicas polivalentes. Rescher e Jammer, em seus livros de 1964 e 1974 respectivamente, concordam com o ponto de vista de Kline.</p> <p>Ayda Arruda, em seu artigo “On the imaginary logicof N.A. Vasiliev”, apresentado no III Simpósio Latinoamericano de Lógica Matemática (realizado na Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP) e publicado em 1977, apresenta três abordagens diferentes às idéias intuitivas de Vasiliev relativas à sua lógica imaginária de dimensão três, obtendo em cada caso uma lógica paraconsistente. O primeiro e terceiro sistemas de Arruda são decidíveis por matrizes trivalentes e o segundo, por matriz bivalente, porém não chegou a ser dada qualquer interpretação para os valores de verdade considerados.</p> <p>De acordo com Arruda, em seu artigo de 1977, Vasiliev procurou mostrar que essa lógica de dimensão três, com sua lei ontológica do quarto excluído, tem uma interpretação clássica, como acontece com a Geometria de Lobatchewski.</p> <p>No mesmo artigo, a professora Arruda afirmou acreditar que qualquer possível formalização da lógica imaginária de Vasiliev deveria conduzir necessariamente a uma lógica paraconsistente e não necessariamente a uma lógica polivalente.</p> <p>Em seu artigo “N.A. Vasil'év: A forerunner of paraconsistent logic”, publicado em 1984 por Philosophia Naturalis, Arruda argumenta contra a interpretação polivalente de Kline, afirmando que a noção de dimensão de Vasiliev nada tem a ver com o número de diferentes valores de verdade envolvidos, mas sim com “o número de ... diferentes qualidades de julgamentos”.</p> <p>Priest e Routley, em recente artigo publicado em 1989, no livro Paraconsistent Logic, Essays on the Inconsistent, discutem sobre as duas diferentes interpretações da lógica imaginária de Vasiliev, a polivalente e a paraconsistente, e chegam a sugerir que Vasiliev também poderia ser considerado, com McColl e Lewis, como um dos fundadores das lógicas intensionais.</p> <p>Priest e Routley, entretanto, apresentam Vasiliev, ao lado de D. Bochvar, como um dos precursores russos da lógica paraconsistente.</p> <p>O texto que ora publicamos está estruturado em dois capítulos: o primeiro, sobre a lógica paraconsistente, com uma primeira seção contendo considerações gerais sobre este tipo de lógica não-clássica, uma segunda seção com um resumo do desenvolvimento histórico da lógica paraconsistente e uma terceira, na qual são discutidas as razões pelas quais a autora considera que Vasiliev pode ser encarado como um dos precursores da lógica paraconsistente; e o segundo, onde são apresentados extratos, em português, dos três trabalhos de Vasiliev, de 1910, 1912 e 1913 respectivamente.</p> <p>Tínhamos conhecimento deste trabalho desenvolvido pela professora Arruda, tendo inclusive partici pado de discussões sobre o tema e sobre as traduções dos artigos, do russo para o português.</p> <p>amentavelmente, a autora não pôde fazer a revisão final do texto e, só há bem pouco tempo, pudemos encontrar os originais de seu trabalho.</p> <p>Decidimos então revisá-lo cuidadosamente, atualizando as referências bibliográficas e preparando-o para publicação como um volume da Coleção CLE, a mais recente das publicações editadas pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da UNICAMP.</p> <p>A professora Ayda Arruda foi membro fundador do Centro de Lógica, participou, desde sua criação, de grande parte de suas atividades, organizou colóquios científicos e Seminários de Lógica, recebeu professores visitantes, orientou estudantes, e trabalhou pela criação da Sociedade Brasileira de Lógica.</p> <p>A publicação deste volume da Coleção CLE constitui uma homenagem do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência à memória da professora Ayda Ignez Arruda”.</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p>Primeira edição, 1990</p> <p>Volume 7 – 1990</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Lógica 160</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. A finalidade deste texto é divulgar os pontos de vista de Vasiliev, situando-os dentro do contexto histórico do desenvolvimento das lógicas não-clássicas e, em particular, da lógica paraconsistente. São apresentados extratos da tradução, do russo para o português, dos trabalhos de Vasiliev de 1910, 1912 e 1913, mantendo, na medida do possível, a linguagem do autor. Este foi um dos últimos trabalhos da autora, não tendo sequer sido submetido à publicação.</p> Ayda Ignez Arruda Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/62 Tue, 21 Mar 2023 00:00:00 -0300 Razão e Afetividade https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/63 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Este pequeno livro sobre o pensamento de Lucien Lévy-Bruhl é o resultado de um programa de estudo mais amplo destinado a compreender um dos períodos mais férteis da reflexão antropológica, aquele que se situa entre as duas últimas décadas do século passado e os primeiros três decênios do século XX. No que diz respeito à antropologia social, pode-se dizer, sem exagero, que foi no século XIX que se assentaram as bases da disciplina. Um século, entretanto, que não se esgotou no calendário gregoriano, prolongando-se até a primeira guerra mundial, enquanto atmosfera intelectual do Geist europeu — como historiadores assim já diagnosticaram. O fascinante espírito oitocentista e, particularmente, o seu fin de siécle, abarca não somente a europa continental, mas também a Inglaterra e os Estados Unidos, centros de constituição e de irradiação da antropologia social e cultural, na forma como ela se desenvolveu desde então e existe, hoje, em sua plena maturidade. Procurei mostrar isso em meu Sobre o Pensamento Antropológico (Edições Tempo Brasileiro, 1988), recorrendo à construção de um modelo que denominei de “matriz disciplinar” da antropologia. E ainda, dentro desse mesmo programa de estudo que, a rigor, começa em fins dos anos 70, além do livro mencionado, tive a oportunidade de escrever dois pequenos ensaios, um sobre M. Mauss e, outro, sobre W.H.R. Rivers, como introduções a suas respectivas coletâneas de textos (Marcel Mauss, Editora Ática, 1979; e A Antropologia de Rivers, Editora da Unicamp, 1991).</p> <p>À idéia que presidiu a proposta desse programa, foi a de introduzir no horizonte dos estudantes e estudiosos da disciplina não só o gosto pela reflexão sobre a história da antropologia social, como também o disciplinamento do estudo dessa mesma história, orientandoo para o registro articulado — sempre que possível — de “fatos datados” com “fatos epistemológicos”. Com essa intenção e com a colaboração de dois colegas do Curso de Doutorado em Ciências Sociais da Unicamp, os Professores Mariza Corrêa e Guillermo R. Ruben, criamos a Área Temática “Itinerários Intelectuais e Etnografia do Saber” no âmbito do Curso. Mas é necessário que se diga que em nenhum momento se pensou em substituir o exercício da pesquisa antropológica tradicional que fez da disciplina o que ela é, a saber, a investigação da realidade sócio-cultural, manifestada em diferentes modalidades de existência, que vão dos povos indígenas às classes rurais ou urbanas da sociedade global. Portanto, a ênfase pretendida por esse reduzido grupo de antropólogos (aos quais se associam colegas de outros departamentos da Unicamp e de outras universidades, além de nossos próprios estudantes) recai na idéia de que nenhuma disciplina pode assumir plenamente sua identidade sem refletir sobre sua própria origem, tanto quanto sobre o exercício atual de seu métier, questionando-a assim em termos de seus paradigmas e de sua prática. Estranhar a própria disciplina é a mensagem maior das pesquisas que vêm tendo lugar naquela Área Temática. Nesse sentido, vários trabalhos de colegas e de alunos estão em curso, não cabendo aqui mencioná-los, uma vez que se espera venham a ser divulgados proximamente.</p> <p>Voltando ao projeto específico relativo a Lucien Lévy-Bruhl, que teve como seu primeiro resultado este livro, gostaria de acrescentar de uma maneira muito sintética alguns esclarecimentos. Primeiro sobre o porquê da escolha desse autor; depois sobre a metodologia adotada. Nascido em meados do século XIX e tendo produzido uma obra que pode ser datada de 1884 com sua Tese doutoral, indo até o seu encerramento nos anos 30 do presente século com seus Carnets, publicados postumamente, Lévy-Bruhl é duplamente um homem de transição. Não apenas um transeunte de um século ao outro, mas também de uma disciplina — a filosofia - a outra - a antropologia. É essa interface, que une as duas disciplinas, o foco privilegiado deste ensaio que procura acompanhar as vicissitudes de um pensamento, apreendendo-o em pleno exercício. ÀAssim, podemos ver Lévy-Bruhl em três momentos de seu itinerário intelectual. Só que em lugar de procurar periodizá-lo, atendo-me prioritariamente à sua história externa, procurei registrar esses momentos em sua internalidade, graças à visualização da natureza e da dinâmica de sua argumentação. Pode-se verificar, então, o processo de elaboração de três argumentos — o “filosófico”, o “sociológico” e o “etnológico”, como assim os denominei -, produzidos respectivamente em três momentos históricos sucessivos. Embora sejam argumentos praticamente datados, o exame que sobre eles foi realizado, concentrou-se na esfera dos “fatos epistemológicos” - na acepção que lhes dá Granger.</p> <p>Nesse sentido, a pesquisa, embora inspirada numa modalidade de etnografia da ciência ou do saber antropológico, não pretendeu realizar integralmente tal modalidade de investigação, posto que não me foi possível estendê-la a Paris (como desejava inicialmente), onde se tentaria entrevistar alguns remanescentes, seus contemporâneos - especialmente ex-alunos ou testemunhas ainda vivas dos últimos anos de Lévy-Bruhl — ou vasculhar instituições e arquivos, como uma desejável busca de “fatos datados” e inéditos. Por isso, a etnografia originalmente imaginada teve de se limitar a investigar a sua dimensão meta-disciplinar — nos termos em que pude defini-la em meu “A Vocação Meta-Disciplinar da Etnografia da Ciência”, último capítulo do livro acima mencionado. Conto com que isso não signifique um empobrecimento irreparável da pesquisa, porém apenas uma reformulação de seu alcance, agora mais restrito ao mundo das idéias, ou ao sistema conceitual em cujo interior se movimentou o pensamento de Lévy-Bruhl. À consequência mais imediata disso foi abdicar de uma intenção de escrever uma monografia, para — agora — substituí-la pelo gênero ensaístico. Este ensaio possui, por conseguinte, clara correspondência com a História das Idéias e com a Epistemologia das Ciências Humanas, ademais de se inserir naturalmente na Listória da Antropologia. No entanto, quero crer que ele tenha encontrado um enfoque próprio, através do qual menos se atenta para as teorias elaboradas pelo autor, mais para a compreensão do espírito inscrito em uma obra e para a elucidação do pensamento que a criou.</p> <p>A estrutura do ensaio foi construída de maneira a proporcionar ao leitor um quadro dinâmico no interior do qual se movimenta o pensamento de LévyBruhl. Depois de uma Introdução (cap. 1), em que se trata de delinear a gênese desse pensamento, indicando filósofos que se constituíram em marcos importantes na formação de nosso autor, o ensaio se divide em duas partes, cada uma delas sub-dividida em dois capítulos. Em sua primeira parte, “A Questão Moral”, procura-se examinar o empenho de Lévy-Bruhl em clarificar a noção de responsabilidade (cap. 2), com a elaboração de um argumento filosófico — que rejeita de um lado o formalismo metafísico, de outro o naturalismo e o objetivismo, em cujos termos essa questão se via sempre reduzida. Em seguida, procura-se mostrar como Lévy-Bruhl passa a submeter a questão moral a um escrutínio sociológico (cap. 3), mostrando que somente através de uma “ciência dos costumes” é que tal questão poderia ser frutiferamente examinada; é quando a influência da sociologia durkheimiana mais se introduz no teor de sua argumentação, ainda que não lhe tire originalidade na fundamentação de uma nova ciência do “fato moral”. Apreciado o enfrentamento do autor com a questão moral, por ele focalizada sucessivamente por duas perspectivas, o ensaio passa a examinar a mudança de estratégia de Lévy-Bruhl para dar conta, agora, da questão cognitiva ou, em outras palavras, da natureza do conhecimento e de sua lógica observáveis em populações “primitivas”. É quando Lévy-Bruhl passa a trabalhar com dados etnográficos, se bem que sempre mantendo como contra-ponto a mentalidade européia. É a parte certamente mais conhecida de sua obra, pois é o momento em que elabora o conceito de “mentalidade primitiva” ou “mentalidade prelógica”, responsável por tantos equívocos na leitura de seus escritos etnológicos. Dois capítulos dividem essa parte: um (cap. 4) em que são apreciadas as idéias que desenvolveu em seus três primeiros livros (de 1910 a 1927) dedicados ao tema; outro (cap. 5), devotado aos três seguintes (de 1931 a 1938), com a inclusão ainda de seus Carnets (1949). Nesses dois capítulos, procurouse reconstruir o seu argumento etnológico no sentido de propiciar ao leitor uma visão sobre um pensamento, cuja evolução, não obstante, não quebrou sua continuidade. Como conclusão do ensaio (cap. 6), procurei deixar claro que Lévy-Bruhl soube sempre preservar o espaço da razão diante das pressões da afetividade, uma vez que em sua diligente aplicação em encontrar um lugar para esta na constituição da mentalidade dita primitiva, nem por isso subtraiu daquela sua função lógica, desde que terminaria por reconhecer — como fecho de ouro de sua obra - a unidade da razão sobre a multiplicidade de suas manifestações. Dir-se-ia que mesmo nesse “selvagem jacobiniano” que Lévy-Bruhl inventou, a razão soube sobreviver ao seu salto mortal”.</p> <p> </p> <p>Roberto Cardoso de Oliveira</p> <p> </p> <p>Volume 8 – 1991</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p>Primeira edição, 1991</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Antropologia social: História 301.09</li> </ol> <p>OBS. Nascido em meados do século XIX e tendo produzido uma obra que pode ser datada de 1884, com sua tese doutoral indo até seu encerramento no final dos anos 30 deste século, Lucien Lévy-Bruhl é duplamente um homem de transição. O presente texto, construído segundo uma ótica históricoepistemológica, oferece ao leitor a oportunidade de acompanhar um itinerário intelectual extremamente rico, através do qual fica evidenciada a dinâmica da argumentação de um pensador em busca de um novo caminho que dê conta da natureza humana.</p> Roberto Cardoso de Oliveira Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/63 Tue, 21 Mar 2023 00:00:00 -0300 Álgebras das Lógicas de Lukasiewicz https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/64 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Apesar da lógica polivalente ter sido introduzida, já pelo próprio Lukasiewicz, em forma essencialmente algébrica, o tratamento algébrico propriamente dito desta lógica é devido principalmente a Chang.</p> <p>Na sua demonstração do Teorema da Completude do cálculo infinitovalente de Lukasiewicz, Chang introduz as MV-álgebras e mostra suas profundas conexões com os grupos abelianos ordenados.</p> <p>Resultados posteriores mostram que as MV-álgebras são equivalentes aos grupos reticulados abelianos com unidade forte, os quais, por sua vez, através do funtor Ko de Grothendieck, estão conectados com certas álgebras de Banach, importantes na Mecânica Estatística Quântica dos Sistemas de Spin.</p> <p>Por outro lado, as equações que caracterizam as MV-álgebras surgem naturalmente da análise do jogo de Ulam - o jogo que consiste em se adivinhar um número, quando quem responde pode mentir um certo número de vezes.</p> <p>Assim sendo, o interesse pela lógica polivalente tem crescido bastante, devido principalmente às suas recentes aplicações inovadoras no tratamento da informação em condições de incerteza.</p> <p>As MV-álgebras têm sido consideradas, por vários autores, sob distintos pontos de vista e mesmo sob diferentes denominações.</p> <p>É portanto muito difícil, para o pesquisador interessado, lograr adquirir uma visão de conjunto, suficientemente profunda, sobre a metodologia algébrica da lógica polivalente.</p> <p>O objetivo central deste livro é procurar preencher esta lacuna, apresentando os principais resultados sobre o tema, de forma sistemática e autocontida. O trabalho pode ser também considerado como uma introdução necessária para o estudo das conexões e aplicações recentes das lógicas polivalentes, como por exemplo no tratamento da informação em condições de incerteza e de problemas de computabilidade e complexidade daí decorrentes. O livro também contém resultados muito recentes, alguns deles ainda não publicados.</p> <p>Este trabalho é o resultado de uma série de seminários e cursos desenvolvidos pelos autores e a idéia de escrevê-lo surgiu em 1988, em Campinas, durante a estadia de R. Cignoli e D. Mundici no Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da UNICAMP.</p> <p>Em sucessivos encontros dos três autores, na Itália, Brasil e Argentina, o projeto inicial de uma monografia sobre o tema foi tomando corpo, tendo sido o trabalho bastante enriquecido”.</p> <p>Roberto L.O. Cignoli</p> <p>Itala M.L. D'Ottaviano</p> <p>Daniele Mundici</p> <p> </p> <p>VOLUME 12 – 1995</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Segunda Edição, 1995</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Lógica algébrica 511.3</li> <li>Lógica simbólica e matemática 511.3</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. O objetivo central deste livro é apresentar, de forma sistemática e autocontida, os principais resultados sobre as álgebras dos cálculos polivalentes de Lukasiewicz, salientando suas relações com outras áreas da Matemática, como a teoria dos grupos reticulados e certas álgebras de operadores em espaços de Hilbert. O trabalho pode ser também considerado como uma introdução necessária para o estudo das recentes aplicações das lógicas polivalentes no tratamento da informação em condições de incerteza.</p> Roberto L.O. Cignoli, Itala M.L. D'Ottaviano, Daniele Mundici Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/64 Tue, 21 Mar 2023 00:00:00 -0300 Axiomatic Theory of Distributions https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/60 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>This monograph presents, essentially, the definition of an axiomatic structure, which we call "S-space", and proofs of two "extension" theorems associated to it that, in turn, not only allow obtaining as a particular case (associated to a particular model of the S-space structure) axiomatics that categorically define the notions of distributions and its derivatives such as introduced by Laurent Schwartz, but also, and mainly, due to its abstract nature, explicit a structural environment conceptually very simple where other generalizations, analogous the one promoted to differential calculus by the theory of distributions, can, in principle, extend.</p> J.A. Baêta Segundo, Newton Carneiro Affonso da Costa Copyright (c) 2021 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/60 Thu, 16 Mar 2023 00:00:00 -0300 Freud https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/53 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Freud: racionalidade, sentido e referência é, antes de mais nada, uma tentativa de mostrar como a teoria freudiana, a partir de uma série de recortes no seu interior, pode ser pensada como uma teoria sobre os atos irracionais do homem, tornados possíveis pelas características de sua linguagem. Ao mesmo tempo almejamos demonstrar que dado que tal teoria exige tão-somente uma teoria do sentido — a racionalidade é no fundo um problema de coerência, de consistência — Freud, ao pensar que as palavras comportam-se como nomes próprios, procurou fundamentar seu trabalho em uma certa teoria de referência que funcionaria simultaneamente como universal. Em outros termos, não se deu conta de que a psicanálise, desde o início, tomou como universal a própria prática linguística. Não haveria nenhuma necessidade de elucidar o sentido a partir de uma suposta referência que desempenharia esse papel na teoria psicanalítica.</p> <p>Nossa tarefa pode ser vista como uma reconstrução de uma parte da teoria freudiana que assume certos pressupostos. Toma de forma axiomática as condições mínimas ditadas por Davidson que deveriam ser obedecidas por qualquer empreendimento teórico que pretendesse explicar atos irracionais, e que ele acredita estarem presentes na psicanálise. Tal concepção teórica teria que lidar com dois princípios: o princípio de Platão, segundo o qual não há atos acráticos, e o de Medéia, que estipula que os atos acráticos podem ser não intencionais. Por conseguinte, estaremos procurando insinuar ao mesmo tempo como a obra freudiana efetivamente obedece aos preceitos citados por Davidson e tenta dar conta dos dois princípios mencionados: o de Platão (não há atos irracionais) e o de Medéia (a ação de forças cegas torna os atos não intencionais; logo, não haveria mais sentido em se falar em atos irracionais).</p> <p>A outra parte do trabalho consiste em indicar como a obediência a esses preceitos prescinde completamente de uma teoria da referência, dado que a irracionalidade aparente é apreendida pela falta de sentido presente no ato acrático. Contudo Freud parece endossar a hipótese de que uma teoria do sentido precisaria de uma teoria da referência. Para constituir a última, foi necessário procurar numa origem — que não parou de recuar — o referente fundamental supostamente responsável pelos discursos sensatos do ser humano.</p> <p>Não podemos negar que as poucas e esparsas observações feitas por Wittgenstein a respeito da psicanálise influenciaram nossa leitura dos textos freudianos. Como ele, acreditamos que o interesse da teoria psicanalítica está em questionar nossas formas habituais de ver as coisas, na medida em que ela ressalta e enfatiza constantemente a polissemia presente na linguagem.</p> <p>Em Alice e a apresentamos diversos argumentos a favor da tese de que Freud recorre a uma teoria da significação baseada em definições ostensivas. Em certo sentido, o presente trabalho pode ser entendido como um prolongamento daquele. Contudo, cremos que a questão da racionalidade possa e deva ser diferenciada da questão da significação.</p> <p>A escolha de Wittgenstein e de Davidson não é casual. Da mesma maneira que os dois filósofos, também não acreditamos na cientificidade da psicanálise, não obstante todas as tentativas de Freud para considerá-la uma ciência natural. Assim, não se trata de um ensaio de cunho epistemológico. Por outro lado, é evidente que algum leitor de inspiração fregeana poderia observar que todo nosso projeto de desacreditar uma teoria de referência em Freud é tão-somente uma consequência de nossa crença na sua falta de cientificidade, ou melhor, na impossibilidade de qualquer empreendimento semelhante obedecer aos ditames de uma teoria científica. Ele não estaria errado. Mas é preciso acrescentar que, ao exibir as incoerências geradas pela busca de uma referência aceitável no caso em estudo, também estaremos justificando a impossibilidade de se ter uma psicanálise científica. Fato que só pode ser estarrecedor para aqueles que acreditam que a ciência possa trazer algum esclarecimento para os problemas humanos relevantes; em especial, o da racionalidade.</p> <p>De qualquer modo, sustentamos que a leitura aqui proposta não é fruto de nenhuma violência feita ao texto freudiano. Mesmo que ela aparente ser no fundo nada mais do que uma tentativa de oferecer a Freud uma boa teoria da linguagem, o leitor atento não deixará de notar todos os esforços que foram envidados no afã de indicar que essa estava dentro do campo de possibilidades de desenvolvimento da teoria freudiana desde seu início.”</p> <p> </p> <p>OSMYR FARIA GABBI JR.</p> <p>Volume 13 – 1994</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1994</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Psicanálise - 150.195 2</li> </ol> <p>OBS. Freud: racionalidade, sentido e referência é, antes de mais nada, uma tentativa de mostrar como a teoria freudiana, a partir de uma série de recortes em seu interior, pode ser pensada como uma teoria sobre os atos irracionais do homem, tornados possíveis pelas características de sua linguagem. Ao mesmo tempo almejamos demonstrar que dado que tal teoria exige tão somente uma teoria do sentido – a racionalidade é no fundo um problema de coerência, de consistência.</p> Osmyr Faria Gabbi Jr Copyright (c) 2023 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/53 Fri, 20 Jan 2023 00:00:00 -0300 David bohm e a controvérsia dos quanta https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/54 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Afirmar que as sociedades modernas são fortemente condicionadas pela ciência, tanto pelas suas aquisições conceituais quanto pelos seus procedimentos e aplicações, é hoje um lugar comum. A imagem pública da atividade científica é, contudo, fortemente marcada pela ideia de que esta atividade é isenta de controvérsias, ou que estas, quando existem, têm uma pequena duração e sempre são resolvidas com a afirmação, decorrente em geral dos experimentos, de que um dos contendores é portador da verdade. A história das ciências tem contribuído para evidenciar o quanto ingênua é esta imagem. De fato, as controvérsias são mais inerentes à atividade científica, e mais duradouras, do que usualmente se pensa. Além disso nem sempre os resultados das experiências têm decidido, de modo inequívoco. as controvérsias científicas; uma situação que a filosofia da ciência tem descrito com a ideia de subdeterminação das teorias pelos dados empíricos. A imagem da ciência como um empreendimento no qual as controvérsias jogam um papel secundário se revela, então, mais uma construção tributária das heranças positivista e cientificista que uma representação, ainda que aproximada, da atividade científica. •</p> <p>O papel das controvérsias na atividade científica é ainda pouco compreendido: O historiador e filósofo da ciência T. S. Kuhn, em sua obra "A estrutura das revoluções científicas", restringiu a existência de controvérsias aos períodos que denominou de 'revoluções científicas', considerando que elas não existem nos períodos de 'ciência normal'. Ora, o exemplo que estudamos apresenta uma singular coexistência entre uma controvérsia profunda e prolongada e um período de intenso desenvolvimento de uma 'ciência normal'. A propósito, deve ser dito que a realização deste estudo reforçou a convicção, a qual compartilhamos com M. Paty, de que a filosofia da ciência deve ser instruída com estudo de casos concretos da história das ciências.</p> <p>A controvérsia que é nosso objeto de estudo apresenta duas particularidades capazes de fascinar todos aqueles que buscam compreender a natureza do empreendimento científico. Ela envolve uma das duas teorias que revolucionaram a física do século XX, ou seja, a relatividade e a quântica, e ela é ainda inconclusa, o que quer dizer que somos seus contemporâneos. Esta última particularidade pode suscitar a questão de saber se existem condições para se escrever a história de acontecimentos tão recentes. Existem dois argumentos favoráveis a esta questão. O primeiro é que nos restringimos a um período compreendido entre os anos 50 e os 70. Poderíamos delimitar este período, de modo mais preciso, entre 1952, ano da publicação dos trabalhos pioneiros da "interpretação causai" e 1981, ano da publicação dos resultados dos experimentos mais conclusivos referentes às "Desigualdades de Bell", com um ou outro comentário secundário extrapolando esta paleta cronológica; de modo que existem uns bons quinze anos nos separando do período estudado. O segundo argumento é que a disciplina histórica em geral, e não só a história das ciências, vem, já há algum tempo, enfrentando ó desafio metodológico de escrever a chamada história do tempo presente.</p> <p>^Este estudo examina uma situação singular na história das ciências. Uma grande divergência quanto à interpretação da teoria quântica, convivendo com uma ampla unanimidade quanto ao uso dos formalismos desta teoria, tem constituído, nestes últimos 70 anos, uma controvérsia prolongada. Estes formalismos, que podem ser agrupados em algoritmo de quantização e algoritmo estatístico, são hoje objeto do mais amplo consenso entre os físicos. Este consenso, aliás, só tem se reforçado como decorrência, dos sucessivos e generalizados êxitos da teoria quântica, não só na investigação fundamental sobre as propriedades dos átomos, das moléculas, da interação destes com a radiação eletromagnética, e dos constituintes destes átomos, mas também na investigação aplicada com implicações tecnológicas. O problema da interpretação destes formalismos, bem como a controvérsia sobre esta interpretação, são contemporâneos do surgimento da própria teoria quântica. A interpretação da complementaridade; elaborada por Niels Bohr, que afirmou-se, a partir de 1927, como c a interpretação' da nova teoria, nem sempre contou, porém, com uma adesão da totalidade dos físicos. Nos quase setenta anos decorridos desde então3 o grau de coesão na comunidade científica com referência à interpretação da teoria quântica (TQ)2 sofreu importantes variações. O período de maior adesão à interpretação da complementaridade ocorreu entre 1927 e final dos anos 40, e o de maior dissenso, começou no início da década de 50 prolongando-se até os dias atuais.</p> <p>O foco da análise estará concentrado em um capítulo desta controvérsia. Este capítulo tem a denominação técnica de 'interpretação das variáveis escondidas , desenvolvida por David Bohm a partir do início dos anos 50. A denominação mais epistemológica, e mais reveladora da natureza do debate, de interpretação causai' foi adotada tanto pelos partidários quanto pelos oponentes desta interpretação. A interpretação causai será estudada em seu próprio desenvolvimento histórico. Serão analisados seu surgimento, sua acolhida na comunidade científica, seus desenvolvimentos e as transformações que ela sofreu. Dois conceitos clássicos — determinismo e localidade — e suas contrapartidas quânticas — descrição probabilista e não localidade — estarão no centro da controvérsia. O cenário da controvérsia inclui regiões sempre presentes em se tratando de história da ciência contemporânea, como Europa e Estados Unidos, e também o Brasil. O período estudado começa no início dos anos 50 indo até o início dos anos 70, não porque a controvérsia tenha se encerrado, mas porque era preciso delimitar este estudo. Os argumentos examinados não serão de natureza exclusivamente científica, pois é evidente a dimensão filosófica da controvérsia. Argumentos mais ideológicos também estiveram presentes, de modo que termos como positivismo, idealismo, materialismo e marxismo, conviveram com temas mais científicos, como consistência de uma teoria física, e equivalência entre teorias científicas. </p> <p>A quebra do determinismo próprio da física clássica foi seguramente a principal questão em debate no V Conselho Solvay, 1927, evento que marca o início dos debates sobre a interpretação da TQ. Para a interpretação da complementaridade, elaborada por Niels Bohr o abandono do determinismo era uma consequência inevitável da limitação ao uso dos conceitos clássicos, simbolizada pela introdução do quantum de ação'. Entre os opositores da interpretação da complementaridade, a reivindicação da manutenção do determinismo apareceu articulada com a exigência de imagens nítidas no contínuo espaço-tempo para a representação dos fenômenos quânticos. A posição de H. Lorentz, então presidente do Conselho Solvay, é emblemática desta atitude ainda hoje presente no debate. A exigência de recuperação de uma descrição causai (determinista) dos fenômenos quânticos reapareceu no início dos anos 50 pelas mãos de David Bohm. Ele elaborou uma interpretação da TQ em termos de variáveis escondidas que reproduz os resultados previstos pela TQ não-relativista. Esta concordância de previsões com a própria interpretação da complementaridade induz o debate para as diferenças epistemológicas, concentradas na recuperação do determinismo pela proposta de Bohm. A discussão epistemológica, centrada na questão do determinismo, dominou, então, o cenário dos debates da década de 50, só diminuindo sua intensidade dos anos 60 em diante.</p> <p>A exigência da localidade, ou da separabilidade - independência dos sistemas quânticos separados no espaço-tempo, mas que interagiram no passado — foi posta com nitidez em 1935, por Einstein. Foi objeto de resposta por Bohr, que conceituou o objeto da teoria quântica, o fenômeno quântico, como a totalidade [wholeness) do sistema quântico e do aparelho de medida necessário ao estudo do sistema. O trabalho de Bohm, que reavivou a reivindicação do determinismo apresentava, tanto quanto a teoria quântica, a propriedade da não-localidade, mas só na década de 60, com os trabalhos de J.S. Bell a questão da localidade ocupou o centro das discussões, colocando na arena dos debates um número bem maior de físicos. Bell demonstrou a existência de previsões físicas distintas entre a teoria quântica e interpretações alternativas, em termos de variáveis escondidas, que preservassem o critério clássico da localidade. Esta diferença de previsões, aliada a um desenvolvimento científico e tecnológico que já permitia levar estas diferenças para o teste dos laboratórios^ desencadeou uma verdadeira bateria de testes das chamadas Desigualdades de Bell. Os testes têm confirmado as previsões da interpretação da complementaridade mas têm tido também o efeito de aguçar a discussão sobre a questão da localidade.</p> <p>Do ponto de vista histórico, foi a partir do início dos anos 50 e da interpretação proposta por David Bohm, que se consolidou a existência, e o reconhecimento desta pela comunidade científica, de interpretações alternativas à da complementaridade. As primeiras interpretações distintas da complementaridade, por exemplo aquelas propostas entre 1926 e 1927 por Schrõdinger e de Broglie (esta muito semelhante àquela que será desenvolvida por Bohm a partir de 1952), não responderam às críticas então postas e, em geral, foram abandonadas. As críticas de Einstein e Schrõdinger, durante a década de 30, evidenciaram certos paradoxos, ou propriedades, da teoria quântica, mas não se constituíram em interpretações alternativas sistematizadas. Compreende-se, assim, que o historiador Max Jammer tenha denominado de The revival of hidden variables by Bohm' o episódio que será o ponto de partida deste estudo. A partir da década de 50 a comunidade dos físicos aprendeu a coexistir com a controvérsia, institucionalizando-a. Assim, são realizados encontros dedicados especialmente ao tema e revistas, como a Toundations of Physics', foram criadas para dar vazão a este debate.</p> <p>Certas perguntas, em especial, estiveram no centro das nossas interrogações ao longo deste estudo. A primeira foi saber porque a interpretação causai teve uma acolhida tão desfavorável na comunidade dos físicos dos anos 50 e 60. Quais foram os critérios adotados pelos cientistas para escolher entre proposições rivais, como a interpretação da complementaridade e a interpretação causai? Existem respostas diversas sobre estas questões, como aquelas formuladas por James Cushing e por F. David Peat, e elas serão objeto de nossa análise. Antecipamos aqui a resposta a que chegamos, apresentando a sua argumentação ao longo do livro. Para responder tal questão estivemos atentos tanto às circunstâncias estritamente científicas do debate quanto aos aspectos culturais, no seu sentido mais largo. O resultado da análise nos leva a sustentar que foram de ordem estritamente científica - a saber/a não obtenção, pelos defensores da interpretação causai, de novos resultados, capazes de atrair a atenção da comunidade científica e obter a adesão de uma parte desta - os fatores mais fortes na explicação desta acolhida desfavorável. A pequena adesão da comunidade dos físicos ao programa das variáveis escondidas não levaria necessariamente ao seu abandono, pelos seus defensores. Tanto é assim que de Broglie e Vigier, que junto com Bohm dedicaram-se nos anos 50 à interpretação causai, perseveraram em tal programa. Trabalhamos com a hipótese de que tal atitude não foi compartilhada por David Bohm, e que, ao contrário, sua produção científica sofreu uma inflexão acentuada ao longo dos anos 60. Pretendemos demonstrar a existência desta inflexão, caracterizá-la, e investigar as razões que a motivaram. Nossa análise difere de comentários do próprio David Bohm sobre sua trajetória científica, bem como de afirmações de comentadores de sua obra como Basil Hiley e David Peat.</p> <p>Ao examinarmos a competição entre a interpretação causai e a interpretação da complementaridade como uma competição entre programas epistemológicos rivais, o que será detalhado no capítulo 2, e à medida que avançávamos na reconstituição histórica daqueles acontecimentos, duas constatações foram emergindo. Razões culturais mais amplas não eram suficientes para dar conta da atitude dos cientistas envolvidos nesta disputa, como será evidenciado ao longo do estudo, e os argumentos estritamente científicos postos no debate revelavam uma densidade mais significativa que a nossa suspeita inicial. Dentre estes últimos argumentos aparecia com ênfase a exigência, por parte dos críticos, e também por parte de cientistas que aderiram a tal programa, da obtenção, pelo programa causai, de novos resultados que diferenciassem este programa da interpretação usual e da teoria quântica. Temos necessidade, então, de precisar melhor o sentido em que usaremos na nossa análise a expressão ‘novos resultados'. Esta expressão terá um significado diversificado, sendo o mais usual deles a eventual obtenção de previsões empíricas distintas daquelas da teoria quântica, em especial naqueles domínios onde o próprio David Bohm assinalava as dificuldades da teoria quântica, como examinaremos no Capítulo 2. Mas tais novos resultados poderiam ser também uma vantagem conceituai ou operatória na resolução de uma dificuldade como as quantidades infinitas que aparecem quando se quantifica a radiação eletromagnética. Podemos pensar ainda em resultados novos como uma eventual vantagem heurística na abordagem de um novo campo de fenômenos como o da diversidade de partículas subatômicas que estavam sendo descobertas no início da década de 50. Não queremos, portanto, reduzir a expressão "novos resultados' a uma previsão empírica inédita, ainda que este tipo de resultado pudesse ser, em princípio, esperado na competição estabelecida entre programas rivais.</p> <p>Outra questão, à qual será dedicada atenção, é saber como o conceito de não-localidade, que emergiu para o conjunto da comunidade científica, com os trabalhos de J.S. Bell, em meados da década de 60, encontrava-se, de forma implícita, na obra de Bohm; como ele próprio tratou esta questão, e se sua obra contribuiu, e em que medida, para os trabalhos de Bell. A resposta a estas questões é, também, uma contribuição para desvendar a dinâmica da transformação ocorrida na história da controvérsia dos quanta. Da questão do determinismo, central em 1927 e retomada com vigor no início dos 50, para a questão da não-localidade, prenunciada em 1935, mas ocupando o centro das discussões somente a partir do final dos anos 60. Existem observações distintas sobre esta dinâmica, como as de Michel Paty e as de Max Jammer, que serão examinadas. Uma última pergunta a orientar este trabalho foi saber porque tanto Niels Bohr como David Bohm, que formularam interpretações tão distintas, e em períodos históricos e contextos da controvérsia também tão diferentes entre si, chegaram a usar a mesma expressão totalidade (wholeness) para dar conta da especificidade da física dos quanta. As semelhanças e as diferenças no uso da mesma expressão pelos dois físicos serão analisadas e, em uma parte menos histórica e mais especulativa deste trabalho, formularemos algumas sugestões sobre o significado e o destino deste conceito na história da física.</p> <p>Uma análise histórica e epistemológica da interpretação das variáveis escondidas' tem valor cultural intrínseco, por se tratar de análise de um dos capítulos de uma controvérsia científica tão plena de implicações filosóficas e culturais. Ela pode também, a nosso ver, contribuir na reflexão de todos aqueles cientistas que apresentam hoje um interesse renovado na proposição feita em 1952 por David Bohm. Uma evidência deste interesse é, além dos artigos que vêm sendo publicados em revistas especializadas, o surgimento no léxico da física, de uma nova expressão, a 'mecânica bohmiana' (Bohmian Mechanics). Escapa, contudo, ao escopo de um estudo em história da ciência, o exame concreto de atividades científicas ainda em curso, como os trabalhos que ora estão sendo publicados.</p> <p>A redação deste livro tomou por base a tese de doutoramento, com o título "A Emergência da Totalidade — David Bohm e a controvérsia dos quanta", elaborada sob a orientação dos Drs. Shozo Motoyama e Michel Paty, defendida na Universidade de São Paulo em junho de 1995. O texto inicial foi enriquecido com resultados de pesquisas realizadas nos arquivos de David Bohm, então na University of Bath, Inglaterra, de Léon Rosenfeld, Aage Bohr e Niels Bohr, no Niels Bohr Archive, em Copenhagen, de Louis de Broglie, na Académie des Siences, em Paris, e nos Archives for the Histoiy of Quantum Physics, produzidos pelo American Institute of Physics, e que tem cópias no La Villette, em Paris. Estas consultas foram possíveis devido a um estágio de pós-doutoramento na Equipe REHSEIS (CNRS, UPR 318), equipe associada à Université Paris VII - Denis Diderot, durante o período acadêmico de 1996/1997. Certos fragmentos deste livro, especialmente do capítulo 3, reproduzem trechos de dois trabalhos escritos conjuntamente com M. Paty e A. L. da Rocha Barros, citados na bibliografia. Muitas foram as pessoas que contribuíram para o desenvolvimento desta pesquisa. Gostaria de agradecer especialmente a M. Paty, cuja orientação extrapolou os limites da tese convertendo-se em colaboração acadêmica, e a um certo número de pessoas com as quais tenho discutido este tema, e que têm lido e criticado partes deste texto, entre as quais estão Amélia Hamburger, Osvaldo Pessoa Jr., Antonio A. Passos Videira, Alberto L. da Rocha Barros, Saulo Carneiro e Olivier Darrigol. Tim Powell, em Bath, Felicity Pors, em Copenhagen, e Denise Hazebrouk, em Paris, foram auxílios inestimáveis na consulta a arquivos e bibliografia. Priscila Arantes revisou a versão final do texto. O apoio emocional e o encorajamento de Angélica^ minha mulher, foi essencial, particularmente nos momentos adversos. Vitor, meu filho, e meus pais. Olival e Antonieta, compreendendo minhas ausências, contribuíram para esta travessia. Agradeço também o apoio das instituições já citadas; do Instituto de Física da UFBa, que liberou-me de encargos didáticos durante parte do período no qual a pesquisa foi realizada; e da CAPES, que me concedeu bolsas de estudo. Sem estes apoios a conclusão deste livro não teria sido possível”</p> <p> </p> <p>OLIVAL FREIRE JR.</p> <p> </p> <p>VOLUME 27 – 1999</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1999</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Mecânica quântica 530.12</li> <li>Física - Filosofia 530.</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Este livro é dedicado à análise de uma singular coexistência entre uma controvérsia prolongada e inconclusa e um desenvolvimento próprio de uma ciência “normal” envolvendo uma das teorias que revolucionaram a física do século XX. O livro examina a natureza do debate quântico dos anos 1950 e 1960, marcado de maneira preponderante pelos trabalhos de David Bohm e, na segunda metade dos anos 60, pelos de J. S. Bell, bem como a mudança na ênfase do determinismo versus indeterminismo para o problema da localidade versus não-localidade.</p> Olival Freire Jr. Copyright (c) 2023 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/54 Fri, 20 Jan 2023 00:00:00 -0300 A Gramática das Cores em Wittgenstein https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/55 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Uma dúvida talvez possa surgir no espírito do leitor deste livro sobre Gramática das cores em Wittgenstein: qual o interesse filosófico que poderia ter o tema das cores? Parece ser um tema de interesse quase que exclusivo entre pintores ou decoradores, psicólogos da percepção ou físicos ocupados com raios e ondas luminosas. Como, então, por dentre quadros e paletas, ornamentos e frisos, olhos inquietos ao sabor de luzes radiantes e ondas sombrias, pode_ria surgir um legítimo problema filosófico a respeito de cores? E, no entanto, este livro parece tratar, ou pretender fazê-lo, de filosofia! Dúvida legítima que toma embaraçosa, senão comprometedora, a situação do filósofo quanto a de seu comentador.</p> <p>Para ser satisfatória, uma resposta a essa dúvida deveria esclarecer a noção wittgensteiniana de gramática e, por consequência, a posição original que ocupa Wittgenstein na história da filosofia.</p> <p>Ao falar de cores, somos introduzidos, de imediato, em um campo de tradicionais distinções filosóficas, como a distinção entre percepção e experiência. Parece haver, de fato, uma diferença radical entre percepção, seja externa ou interna, de objetos físicos ou de processos psíquicos, e experiência, externa ou interna, desses mesmos objetos e processos. É que a percepção nos oferece apenas e exclusivamente sequências empíricas ou mecânicas, ou melhor, conteúdos, por assim dizer, sem nome recortados do mundo, enquanto a experiência coloca nomes sobre esses recortes, ou seja, acrescenta-lhes sentido através de atos do pensamento que são os juízos. A mera percepção de movimentos quaisquer, p.ex., toma-se experiência de uma repetição, de uma sucessão, de um movimento orientado, etc., e, com isso, os conteúdos empíricos da percepção ganham sentido na experiência. Da mesma maneira, percebemos diferentes fragmentos da empiria, nosso aparelho perceptivo apresenta reações fisiológicas e mecânicas diversas frente aos estímulos que, na experiência, julgamos como sendo as cores. Entre a percepção e a experiência de cores, parece haver um ato de pensamento que constrói juízos: isto é uma cor, isto é verde, etc.</p> <p>Chegamos, com esses poucos passos, ao abismo parmenidiano que separa o empírico do inteligível. Um dos mais tenazes esforços do drama filosófico tem sido o de refletir sobre as relações nebulosas entre as margens do abismo.</p> <p>Dois personagens principais desse drama são o realismo e o idealismo, representando, respectivamente, seus papéis: o real é inteligível, mas possui existência autônoma com relação ao pensamento, e o real existe apenas na dependência do pensamento sendo, por isso mesmo, inteligível. Todavia, há um momento em que ganha a cena o sujeito transcendental, ao apresentar como que uma terceira via, na qualidade de novo personagem. Sua originalidade reside em constituir-se como sujeito exclusivamente na correlação com o objeto, assim como se impor como condição correlativa para a constituição do próprio objeto. Será a partir dessa correlação com o objeto que poderá ser explorada toda a riqueza formal e puramente a priori desse sujeito, riqueza que irá determinar, de direito, o campo de possibilidades do conhecimento e, por consequência, irá permitir que sua verdade seja justificada.</p> <p>A história do novo personagem é, contudo, longa, e sinuoso o seu caminho. Tendo-se libertado do solipsismo, graças aos auspícios cartesianos de Deus, o sujeito transcendental é, agora, encerrado em uma atividade pura, independente e autônoma com relação a conteúdos, atividade gratuita. Será preciso instilar um ele_mento vital nesse sujeito, e, preservando-lhe a função transcendental, tomá-lo consciente; mais do que isso, tomar-se-á produtor dados conscientes que virão conferir sentido à percepção, fazendo-a legítima experiência. Essa é, como sabemos, a solução husserliana. Contudo, podemos imaginar ainda uma outra solução - e com ela, finalmente, abordamos a concepção de gramática dos usos das palavras, de Wittgenstein.</p> <p>O sujeito sai, agora, de cena, e a função transcendental será exercida pela atividade com a linguagem, pelo trabalho de elaboração de técnicas linguísticas, envolvendo indivíduos, comunidades e conteúdos extralinguísticos, internos, externos e formais. Não mais em um registro formal e puro, tampouco atrelada a atos intencionais, essa atividade irá constituir a priori o sentido da experiência, independentemente, pois, dos conteúdos de que pode, eventualmente, partir. São reconhecidos e conservados os problemas de natureza fenomenológica, ou melhor, aqueles problemas e dificuldades presentes na constituição do sentido - problemas que precedem logicamente e condicionam o valor de verdade do conhecimento, dificuldades envolvendo os fundamentos do conhecimento. Fica excluída, todavia, uma qualquer fenomenologia, enquanto teoria filosófica cuja tarefa seria a de expor resultados positivos a respeito do que existe. A atividade filosófica adequada à nova tarefa será concebida como descrição gramatical, ou, ainda, como análise conceituai a ser realizada através descrições de aplicações de palavras, para exibir, ao olhar, usos dos conceitos, seus sentidos. Não será uma apresentação de teses positivas, mas, meramente, como diria um filósofo nostálgico, a apresentação da prática conceituai com que estamos bastante familiarizados, mas que, frequentemente, por causa mesmo de tal familiaridade, passa-nos desapercebida. Apresentação trivial e, portanto, enfadonha do que já nos é conhecido, cujo interesse reside em fazer-nos reconhecer o que sempre esteve à nossa frente e deixamos de perceber: é nessa prática construído o sentido da experiência que confere inteligibilidade à percepção - não além nem aquém.</p> <p>Como, então, esclarecer problemas fenomenológicos sem construir uma fenomenologia? Problemas fenomenológicos são os que dizem respeito ao sentido pré-predicativo, ou melhor, àquelas situações em que a experiência nada pode confirmar nem falsear; são os primeiros princípios de que parte o conhecimento científico, ou, situação equivalente, os dados imediatos dos sentidos, como, p.ex., as afirmações de que o todo é maior do que suas partes, de que cada objeto é idêntico a si-próprio, de que cada triângulo é a interseção de três linhas retas, como, também, as afirmações de que o branco não é transparente e é mais claro do que o preto, de que sensações são privadas, de que <em>p</em> é o que satisfaz a expectativa de que p ocorra, de que o tempo flui, de que quando estamos sonhando não temos consciência de que sonhamos e, por consequência, não é pensamento o que acreditamos estar pensando, etc. Eis uma breve lista de certezas imediatas que delimitam a priori o sentido da experiência, mas que, simultaneamente, causam-nos a impressão de serem afirmações extraídas da experiência. Seriam como essências materiais que devessem estar contidas nos objetos da experiência, embora uma análise minuciosa venha a mostrar que nada encontraremos, ao aí procurá-las.</p> <p>Tendo escapado do realismo escapamos, também, com Wittgenstein, do idealismo do sujeito puro kantiano, assim como do sujeito intencional husserliano, e, com isso, poderemos evitar a construção de um sistema filosófico de teses a respeito dessas certezas fundamentais que são a essência do que existe. Para tanto, basta considerá-las como os limites do sentido, ou ainda, como as convenções iniciais que todo movimento de pensamento supõe em uma situação qualquer da experiência: os primeiros princípios, os dados imediatos. O percurso para chegar a esse resultado, todavia, foi tortuoso e muito elucidativo da evolução do pensamento de Wittgenstein após o Tractatus.</p> <p>De fato, a ideia de uma fenomenologia como análise conceituai, e não como sistema de teses positivas a respeito do que existe, supôs a superação de um projeto de linguagem fenomenológica, herança ainda intacta do Tractatus no final da década de 20, que deveria ser uma linguagem completamente analisada, do ponto de vista lógico, para representar com exatidão todo e qualquer conteúdo da experiência. Ao procurar aplicar a lógica transcendental, tal como prescrita em seu livro de juventude, Wittgenstein encontra as primeiras dificuldades para construir uma linguagem que pudesse adequar-se a essa prescrição nas situações da experiência que comportam gradações, tais como os fenômenos espaciais, temporais, coloridos e sonoros. Nesses casos, as proposições elementares não mais poderiam conservar a independência lógica recíproca prescrita pela lógica transcendental. Mas, além disso, surgia outra dificuldade: uma linguagem completamente analisada não poderia ser hipotética, uma vez que deveria ser isomorfa ao que viesse a representar, ou melhor, deveria ser uma representação logicamente exata do representado. Ora, ainda que admitindo a perda de independência entre as proposições elementares, Wittgenstein procura remediar a situação introduzindo números nas expressões elementares dessa linguagem para dar conta dos diferentes e diversos graus daquele tipo de fenômeno. É nesse momento, entre 29 e 30, que Wittgenstein defronta-se com a questão de representar, não somente os graus dos fenômenos, como, principalmente, suas transições. Surge, aqui, uma dificuldade intransponível para a linguagem fenomenológica, ou completamente analisada: se ainda era possível admitir que números pudessem representar exatamente cada um dos graus dos fenômenos, através de regras de associação, deixa de ser possível aplicar números para representar transições imprecisas entre os próprios graus. E a razão é bastante simples: não há um critério definitivo para a medida da exatidão. Assim, a representação exata, ou logicamente isomorfa, de situações imprecisas como as transições, em geral, jamais poderá ser realizada por uma única linguagem, uma vez que a medida da exatidão dependerá de critérios a serem determinados para cada caso. O próprio conceito de exatidão lógica deixa de ser definitivamente exato, passando a comportar margens de imprecisão a serem preenchidas por diferentes critérios a cada caso. Daí a falência do projeto de uma linguagem fenomenológica pois, não podendo ser isomorfa a priori ao representado, toda e qualquer linguagem será sempre hipotética, ou melhor, nunca terá a mesma multiplicidade lógica do representado.</p> <p>Com isso, é modificada a própria concepção exclusivista da Matemática, presente no Tractatus, como exploração efetiva do espaço lógico por fixar cada aplicação de uma operação lógica efetuada sobre uma base qualquer, através dos números. Ainda que não diretamente voltada para o mundo, enquanto mero método da Lógica, a Matemática não deixava de voltar-se virtualmente para ele, ao percorrer aquele espaço. Ora, se a presença de números em proposições elementares, como constata Wittgenstein em 29, não assegura a representação isomorfa de situações imprecisas de transição é porque sua função é a de lançar hipóteses a respeito do mundo - da mesma maneira que as proposições da física o fazem -, i.e., hipóteses a respeito dos. critérios de exatidão a que estariam associados cada um dos números. A Matemática parece ter, aqui, uma relação mais estreita com o mundo do que poderia admitir o Tractatus. Desfeito o projeto de uma linguagem fenomenológica, restam, todavia, os mesmos e legítimos problemas fenomenológicos, a saber, os problemas que dizem respeito à expressão linguística do simples, do pré-predicativo. O novo desafio é, pois, para Wittgenstein, a partir da década de 30, como expressar o simples com os meios de uma linguagem hipotética, aliás, do único tipo de linguagem que podemos construir. Confluem, nesse ponto, duas dificuldades: a natureza do que é simples e sua expressão linguística. É o conceito de uso que permitirá esclarecê-las.</p> <p>De fato, a função hipotética da linguagem corresponde a um uso possível que fazemos das proposições, a saber, quando aplicamos proposições para descrever situações e objetos. As proposições matemáticas podem ser usadas dessa maneira, assim como as da linguagem natural. Todavia, há outro uso que também fazemos das proposições, não mais descritivo, mas, normativo ou criterial; são as mesmas linguagens e proposições usadas de modos diferentes. São igualmente verdadeiras as proposições: "2+2=4", "todo objeto é idêntico a si-próprio", "o todo é maior do que suas partes", "o branco é mais claro do que o preto", "a palavra 'mesa' possui quatro letras", "minhas sensações são privadas", etc., assim como são igualmente falsas as respectivas negações; não há, aqui, diferentes graus de verdade e de falsidade nem, tampouco, lugar para experimentos onde pudesse decidir qualquer verificação. Verdade e falsidade são, nesses casos, a priori. É assim que usamos essas proposições, como critérios ou normas de sentido, e não como descrições hipotéticas. O esclarecimento para o aparente enigma da expressão anhipotética do simples é, poderíamos dizer, bastante simples: ao usarmos criterialmente as proposições de nossas linguagens hipotéticas, não estamos levantando hipóteses, mas colocando convenções normativas para o sentido; nada descrevemos, apenas estabelecemos os limites para o sentido do que iremos, a seguir, descrever, ou, ainda, colocamos as convenções iniciais para orientar e dar sentido às descrições. Sem essas convenções não há o que descrever nem, tampouco, como descrever. Evocando o Tractatus, diríamos que tanto o como quanto o que tomam-se agora, funções dos usos que fazemos das proposições de nossa linguagem.</p> <p>De fato, com proposições matemáticas podemos descrever, ao associarmos números e critérios demarcadores do limite daquilo que pretendemos descrever; nesse caso, as proposições são hipóteses a respeito do descrito, ou melhor, hipóteses sobre como é o que está sendo descrito. Meras hipóteses, uma vez que não existem critérios definitivos de exatidão que pudessem fundamentar uma linguagem expressiva completamente analisada e logicamente isomorfa ao fato representado. O conceito de número deixa, assim, de ser concebido exclusivamente como expoente de uma operação, à maneira do Tractatus, tomando-se um conceito que também comporta margens imprecisas dependentemente dos critérios que passam a presidir o seu uso e o das proposições em que for inserido. Esse não é, entretanto, o único uso para proposições matemáticas; pelo contrário, ao afirmar que "2+2=4" nada estamos descrevendo e a proposição não é hipotética: estamos apenas colocando a norma para o que é ser uma soma correta, o sentido paradigmático de soma. Nesse caso, o uso normativo, ou criterial, das proposições indica que sua função é a de dar sentido a outras proposições, como dissemos, as proposições descritivas da experiência. É, pois, o uso da linguagem que irá determinar a relação da própria linguagem com o mundo por ela descrito, inclusive sua relação com o simples pré-predicativo. Particularmente, é o uso criterial que preserva, ainda que apenas parcialmente, a ideia tractariana de que a Matemática explora o espaço lógico mantendo, assim, uma relação apenas virtual com o mundo. A metáfora do espaço lógico é, com efeito, substituída pela metáfora da forma de vida e, com isso, a Matemática deixa de ser um método da Lógica aproximando-se da fenomenologia: passa a ser concebida como uma das formas de exploração das possibilidades de sentido das quais se vale a física, em suas proposições descritivas. Uma exploração fenomenológica sem, contudo, uma linguagem especial para isso - linguagem fenomenológica ou primária - nem, tampouco, a pretensão de construir teses positivas a respeito do que existe - uma fenomenologia como sistema filosófico.</p> <p>Será uma exploração dos legítimos problemas fenomenológicos, os quais, aliás, não são exclusivos do campo da Matemática, mas também estão presentes no campo da Psicologia - i.e., os estados mentais e a percepção -, da Filosofia -i.e., os debates filosóficos entre realismo e idealismo, behaviorismo e mentalismo, etc. -, e da própria linguagem - i.e., a significação, as regras sintáticas de formação e de projeção, a relação de representação linguística, etc. Não há campos privilegiados para os legítimos problemas fenomenológicos, assim como não há uma linguagem privilegiada para sua expressão. Haverá problemas fenomenológicos sempre que houver situações de transição, ou melhor, ligações por semelhança irredutíveis a critérios precisos de identidade, ligações que Wittgenstein irá qualificar de internas, por oposição a ligações externas, causais ou mecânicas, e também a ligações lógicas de determinação completa. Ora, como salientamos, Wittgenstein se dá conta, já no final da década de 20, que os próprios critérios de exatidão não são definitivos e, consequentemente, também não o são os critérios para o que será considerado uma ligação externa ou causai. Em outros termos, haverá problemas fenomenológicos sempre que pensarmos sobre os limites do sentido da experiência, procurando, com isso, demarcar o externo e o interno, o significativo, o desprovido de sentido e o absurdo, enfim, as relações entre linguagem e mundo.</p> <p>A grande originalidade de Wittgenstein, quanto a esse ponto, consiste em mostrar minuciosamente, através da descrição gramatical, que a essência é de natureza linguística e convencional, não cabendo qualquer incursão nos domínios extralinguísticos da experiência - empírico, mental ou formal - o que só nos conduziria a novas e mais confusas confusões filosóficas. Dessa maneira, abre-se novo e rico campo para a reflexão: a descrição gramatical dos usos das palavras terá por finalidade realizar a terapia do pensamento filosófico em cada um dos campos em que exerce sua reflexão. Não haverá campo privilegiado para essa reflexão, uma vez que ela cobre qualquer região da experiência que já é sempre significativa. Qualquer experiência contida em formas de vida, em instituições sociais regradas por meio da linguagem, será um campo adequado e legítimo para a reflexão filosófica terapêutica, pois é aí que nascem as confusões conceituais. Além disso, as for_mas de vida transformam-se, evoluem ou, mesmo, perecem; com elas, também, as próprias formas da experiência, i.e., aquilo sobre cujo sentido o filósofo reflete.</p> <p>Todavia, o conceito de gramática não teria qualquer originalidade se a descrição filosófica, proposta por Wittgenstein, viesse a tematizar convenções sociais, pois não mais se distinguiria de uma descrição sociológica ou antropológica, ou, como diz o próprio filósofo, de uma "história natural". Ora, as ligações gramaticais, que pretende descrever, não são externas, mas internas. De fato, embora sendo, a essência, de natureza convencional, não são convenções a sua causa, uma vez que não agimos guiados por regras mas, sim, em conformidade a regras, ou melhor, podemos modificar, substituir, eliminar e criar novos critérios para nossa ação enquanto agimos no interior de formas de vida. Convenções sociais são instituições que podem ser empiricamente descritas, não sendo essa, entretanto, a tarefa da descrição filosófica. Ao descrever os usos das palavras, Wittgenstein pretende captar as regras a que se conforma cada aplicação dos conceitos, i.e., as regras que cada aplicação exprime independentemente de convenções sociais prévias. Cada aplicação contém a essência do conceito/ pois, caso contrário, não saberíamos aplicá-lo. A relação é interna entre aplicação e essência, e não externa como entre aplicação e convenção. É esse o espaço gramatical, substituto do espaço lógico do Tractatus, ligado a formas de vida mas independente das convenções por elas geradas. O acordo gramatical entre os homens exprime-se naquilo que dizem, em cada aplicação que fazem dos conceitos, ou melhor, em seu acordo a respeito de formas de vida. É um acordo diferente daquele que envolve opiniões, manifestação empírica de uma instituição social localizada no espaço e no tempo, e geradora de convenções. Não são essas convenções a causa do que os homens dizem; pelo contrário, o que dizem pode gerar convenções. É interna a ligação entre cada aplicação conceituai e a essência, pois, ambas, imersas em formas de vida, e, ao mesmo tempo, de natureza convencional, porque linguística. As aplicações dos conceitos exprimem a essência das formas de vida - não além nem aquém da linguagem, ela própria uma forma de vida.</p> <p>O conjunto dos escritos de Wittgenstein, contido em seu Nachla, revela os campos em que problemas fenomenológicos foram por ele explorados, alguns mais exaustivamente do que outros, alguns apenas esboçados. É assim que surge o tema das cores, ligado internamente ao campo da percepção e dos dados imediatos. As cores são, na verdade, um antigo tema, para Wittgenstein, já presente no Tractatus, que irá frutificar ao ser inserido, a partir do final da década de 20, no novo contexto progressivamente pragmático de sua reflexão. As dificuldades apresentadas pelos sistemas que comportam gradações, como o das cores, serão retomados e reelaborados no contexto da percepção: como descrever as transições, situações em que sequer a identificação precisa de elementos simples é possível para a percepção? Seria possível descrever exatamente o que não é exato ou, simplesmente, descreve inexatamente o inexato? São, como salientamos, as dificuldades para construir uma linguagem anhipotética e, ao mesmo tempo, para exprimir linguisticamente o simples pré-predicativo, ou melhor, a essência presente em cada caso de aplicação dos conceitos. O tema das cores é um dos que mais causa confusões entre os filósofos, segundo Wittgenstein, uma vez que as cores estão gramaticalmente ligadas à percepção. De fato, pensamos a respeito das cores a partir de proposições criteriais, sem nos darmos conta do uso criterial que delas fazemos e, mesmo, pelo contrário, atribuindo-lhes a função descritiva, como p.ex.: "os cegos não podem ter acesso aos conceitos de cor", não podendo, portanto, falar significativamente sobre cores - da maneira, pelo menos, como o fazem os que podem ver cores. Por outro lado, parece haver uma ligação imediata entre percepção e cores, sem qualquer intermediação predicativa, pois basta conhecermos o nome da cor para que sua imagem mental possa ser reconhecida e imediatamente evocada. Eis alguns exemplos de confusões filosóficas, segundo Wittgenstein, que nos levam a considerar as cores como um caso exemplar de experiência imediata do simples, e vinculá-la, ao mesmo tempo, à percepção externa e interna.</p> <p>Esse é o interesse filosófico que envolve as cores. Por isso, ter-se Wittgenstein dedicado ao tema desde a juventude até os últimos escritos. Esse é, também, o tema deste livro - cujo título muito bem poderia ser: Sentido e experiência através das cores. Trata-se de uma análise minuciosa e completa do tema das cores em Wittgenstein, aliás, a mais completa e minuciosa até agora publicada, que acompanha os principais passos da evolução do pensamento do filósofo a esse respeito, retraçando, com isso, a evolução de tantos outros conceitos ligados à concepção de linguagem e de filosofia. Este livro analisa um campo particular e circunscrito da reflexão do filósofo sobre o sentido da experiência, aquele que nos permite organizar a priori a experiência extralinguística segundo a forma das cores. Mas, ao mesmo tempo, é uma porta privilegiada de acesso à concepção mais geral de gramática que elabora Wittgenstein até o final de sua vida. De fato, o que for dito sobre cores, será dito sobre a essência, sobre os fundamentos ou os limites do sentido. Eis a sugestão legada pelo filósofo, que o autor deste livro soube muito bem compreender e acatar.</p> <p> </p> <p>JOÃO CARLOS SALLES PIRES DA SILVA</p> <p> </p> <p>Volume 35 – 2002</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 2002</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <p>Filosofia austríaca 193</p> <p> </p> <p>OBS. O objeto deste livro é a gramática das cores na obra de Ludwig Wittgenstein (1889- 1951). Dirige-se, portanto, às relações internas entre cores e não às relações externas entre pigmentos, raios luminosos, processos retinianos que interessariam precipuamente a físicos, fisiólogos ou psicólogos. Assim, enquanto estudo sobre uma investigação filosófico-gramatical, sua atenção se volta para o uso normativo de palavras descritivas da experiência.</p> João Carlos Salles Pires Da Silva Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/55 Fri, 20 Jan 2023 00:00:00 -0300 História Da Matemática (Vol.1) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/56 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Durante muitos anos, tivemos a oportunidade de ministrar cursos de História da Matemática na McMaster University, no Canadá, na Universidade de São Paulo e na Universidade Estadual de Campinas, no Brasil. Com o correr do tempo, foram se acumulando notas de aula e manuscritos que nos sugeriram a ideia de escrever um livro sobre o assunto. Decidimos fazê-lo em português devido ao pequeno número de livros sobre História da Matemática no Brasil, excetuando-se algumas traduções de textos estrangeiros.</p> <p>O presente volume, que agora apresentamos ao público brasileiro, trata da Matemática entre os gregos, os árabes e alguns nomes entre os hindus. Foi resultado de longos anos de pesquisa, sendo fundamental nessa época o auxílio de inúmeros colegas e amigos. Quero em particular relembrar a inestimável ajuda de meu falecido colega e amigo professor M. Behara do Departamento de Matemática da McMaster University, Canadá, cujo profundo conhecimento do Sânscrito, aliado a uma fina intuição matemática, foi essencial para a correta interpretação de textos antigos da Matemática na índia.</p> <p>A primeira etapa na elaboração de nosso trabalho foi resultado do paciente trabalho da Srta. Célia Dorazzo, do Instituto de Matemática da Unicamp, que soube converter uma massa original de manuscritos quase ilegíveis em um texto datilografado, que foi a base de posterior trabalho de digitação. Aí entrou em cena João Paulo Biembengut Faria, filho de minha cara colega profª Maria Salett Biembengut, da Universidade Regional de Blumenau, que usou toda sua habilidade e dedicação na confecção do texto final, aceito para publicação pela Editora da FURB. A revisão das provas ficou em grande parte nas mãos competentes da profa Maria Salett, que se dedicou com grande paciência a esse árduo trabalho de correção de textos.</p> <p>Nesta segunda edição não foram feitas alterações no enfoque histórico e filosófico da obra. Houve, entretanto, uma série de correções nas figuras e em-algumas fórmulas; porém, as mudanças mais importantes ocorreram na redação e na ortografia, que foram atualizadas de acordo com as recomendações e normas da Egrégia Academia Brasileira de Letras, para o presente, isto é, ano de 2006. Como será em 2007 ainda não se sabe.”</p> <p> </p> <p>Rubens Gouvêa Lintz</p> <p> </p> <p>Volume 45 – 2007</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>1ª edição, 1999</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Matemática - História 510.9</li> </ol> <p> </p> <p>Obs. Neste trabalho, em dois volumes, é apresentado um estudo da História da Matemática sob um ângulo diferente do usual na literatura. Escrito num estilo bastante original e com um discurso científico rigoroso, o texto é pontuado por observações e comentários cheios de humor. Neste primeiro volume, é estudada a História da Matemática nas culturas grega e árabe, procurando recompor o pensamento peculiar a cada uma delas, em vez de serem encaradas apenas sob o prisma do pensamento da cultura ocidental.</p> <p> </p> <p> </p> <p> </p> Rubens Gouvêa Lintz Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/56 Fri, 20 Jan 2023 00:00:00 -0300 História Da Matemática (Vol. 2) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/57 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Ao apresentar à comunidade científica e ao público brasileiro em geral este Volume 2 de nossa História da Matemática, devemos dizer que, em sua elaboração, fomos guiados pelo mesmo espírito que presidiu à do Volume 1, isto é, escrever uma História da Matemática onde essa disciplina apareça lado a lado a outras formas expressivas, como Arquitetura, Pintura, Música em suas relações íntimas, cuja unidade condiciona a evolução da Cultura Ocidental à qual pertencemos.</p> <p>Foi de grande importância para nós, durante o longo período gasto na elaboração deste livro, a reação e a crítica por parte de estudantes e demais ouvintes dos inúmeros cursos e seminários que tivemos oportunidade de ministrar em várias universidades brasileiras. Todas aquelas discussões moldaram, aos poucos, nossas ideias sobre a História da Matemática. Expressamos aqui nossos sinceros agradecimentos a todos os que delas participaram, principalmente aos inúmeros colegas, cuja lista de nomes seria grande demais para indicar aqui, que também contribuíram de modo decisivo para a cunhagem final de nossas ideias.</p> <p>Nosso grande privilégio na elaboração deste Volume 2, foi a colaboração de nosso colega e amigo Prof. Dr. Clóvis Pereira da Silva que, gentilmente, aceitou nosso convite para escrever um capítulo (Capítulo 4) de nosso livro sobre a História da Matemática no Brasil da qual ele é renomado especialista. Desse modo, ele não hesitou em associar seu prestigioso nome ao nosso livro, que ficou, assim, encerrado com chave de ouro.</p> <p>Queremos também expressar nosso especial agradecimento à senhora Ana Beatriz cujo esforço e dedicação extraordinários conseguiram transformar centenas de páginas de um manuscrito ilegível em um texto de acurada e excelente perfeição tipográfica aliada a inúmeras figuras de refinado gosto artístico. Sem sua colaboração e competência técnica este livro jamais teria sido publicado.</p> <p>Finalmente, agradeço aos esforços de minha cara colega, Professora ítala M.L. D’Ottaviano, na direção devida para que este livro fosse publicado pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da Unicamp em tempo hábil.</p> <p>Também incluo aqui meus agradecimentos a Nilza Clarice Galindo e demais funcionários do CLE pelo excelente trabalho de diagramação, o que tornou possível uma publicação deste livro em forma esteticamente perfeita.”</p> <p> </p> <p>Rubens Gouvêa Lintz</p> <p> </p> <p>Volume 46 – 2007</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Matemática - História 510.9</li> <li>Matemática - História - Brasil 510.981</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Neste trabalho, em dois volumes, é apresentado um estudo da História da Matemática sob um ângulo diferente do usual na literatura. Escrito num estilo original e com um discurso científico rigoroso, o texto é pontuado por observações e comentários cheios de humos. Neste segundo volume, estuda-se a História da Matemática na Cultura Ocidental procurando, assim como no volume anterior, apresentar um ponto de vista histórico-cultural, e não apenas uma galeria de autores e obras.</p> Rubens Gouvêa Lintz Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/57 Fri, 20 Jan 2023 00:00:00 -0300 Um Filósofo e a Multiplicidade de Dizeres https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/58 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Ao homenagearmos o Prof. Zeljko Loparic por seus 70 anos de vida e 40 anos de Brasil, é inevitável que nos refiramos à ''multiplicidade de dizeres" que marca sua trajetória intelectual. É bem conhecido, por exemplo, o caminho percorrido pelo pesquisador da filosofia da ciência contemporânea para uma releitura sistemática e original da obra de Immanuel Kant, uma interpretação que, de acordo com o título de um dos livros do Prof. Loparic, ficou conhecida como “semântica transcendental”. A interpretação semântica da filosofia kantiana encontra-se hoje estabelecida por meio da publicação de uma série de livros e artigos, tanto de autoria do próprio Prof. Loparic, quanto daqueles pesquisadores por ele formados ou influenciados.</p> <p>A dimensão do impacto da interpretação do Prof. Loparic nos estudos kantianos realizados no Brasil e no mundo pode muito bem ser avaliada através de uma leitura dos capítulos dedicados a Kant que constituem a obra que estamos propondo em sua homenagem, bem como pela simples constatação da grandeza intelectual dos próprios autores envolvidos no projeto dessa obra. Alguns dos textos apresentados discutem diretamente a abordagem semântica proposta pelo Prof. Loparic, como é o caso, por exemplo, do capítulo escrito pelo Prof. Cuido de Almeida, que reedita, agora rio campo jurídico, a histórica discussão sobre a ética kantiana travada por ambos os pesquisadores na revista Analytica, ao final dos anos 90. Também o Prof. Wolfgang Carl, um dos expoentes kantianos de nossa época, presta sua homenagem ao Prof. Loparic por meio de uma crítica a seu projeto semântico para a leitura de Kant, projeto este que, por sua vez, é defendido e abraçado nos capítulos escritos pelos Professores Joãosinho Beckenkamp e Daniel Ornar Perez.</p> <p>A marca distintiva da leitura semântica de Kant proposta pelo Prof. Loparic, como bem capta o Prof. Cuido de Almeida já no título de sua contribuição, é a defesa da necessidade de sensificação dos chamados conceitos puros da razão ou do entendimento. Por isso, via de regra, aqueles autores kantianos que não tomaram a leitura semântica diretamente por objeto de seus textos escolheram homenagear o Prof. Loparic apresentando análises, que, de uma maneira ou de outra, exploram a articulação entre conceitos puros e um domínio sensível para sua interpretação, como é o caso, por exemplo, dos textos dos Professores Ricardo Terra e Christian Hamm, que ocupam respectivamente os cargos de presidente e vice-presidente da Sociedade Kant Brasileira, idealizada e primeiramente presidida pelo Prof. Loparic.</p> <p>Mas, como sugerido acima, apesar da imensa repercussão, inclusive internacional, angariada pelas obras do Prof. Loparic que foram dedicadas a Kant, não ofereceríamos um retrato fiel de sua carreira caso nos restringíssemos às homenagens prestadas na forma das contribuições oriundas da comunidade kantiana nacional e internacional para nosso livro. Neste sentido, fez-se necessário que apresentássemos também ao menos um capítulo vinculado à filosofia da ciência, caso do texto escrito pelos Professores Antonio Augusto Videira e Fábio Antônio da Costa/pois foi com a filosofia da ciência que se iniciou o percurso intelectual do Prof. Loparic. Naturalmente, também não poderíamos nos esquecer da importância da obra do Prof. Loparic no tocante à filosofia de Martin Heidegger, bem como das dezenas de publicações e orientações que o professor vem acumulando nos últimos anos no campo da psicanálise. É neste último contexto que se inserem as homenagens prestadas pelo Prof. Ernildo Stein e pela psicanalista Elsa Oliveira Dias. Esta última, por sinal, divide com o Prof. Loparic a presidência da Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana, por eles fundada. Já no que diz respeito à filosofia heideggeriana, apresentamos com satisfação o texto escrito pelo Prof. Benedito Nunes especificamente a respeito do livro Ética e Finitude, do Prof. Loparic, bem como os textos escritos pelos Professores Róbson Ramos dos Reis e André Duarte, que ocupam respectivamente os cargos de vice-presidente e secretário de eventos da Sociedade Brasileira de Fenomenologia, também idealizada e já presidida pelo Prof. Loparic.</p> <p>Tendo em vista o papel exemplar como filósofo que o Prof. Loparic tem desempenhado na vida de tantos - sejamos nós kantianos ou heideggerianos, epistemólogos ou psicanalistas - escolhemos abrir a homenagem com um capítulo mais geral, a respeito da atualidade da filosofia, com o qual nos honrou o Prof. João Carlos Brum Torres. Assim, concluímos que a presente homenagem faz justiça ao homenageado por apresentar praticamente todos os temas para os quais ele dedicou seus trabalhos acadêmicos e, acima de tudo, por reunir é equilibrar, em um só volume, alguns dos maiores pesquisadores do Brasil, sendo eles, ora, membros da geração do Prof. Loparic que, ao longo dos últimos 40 anos, construíram com ele a história da filosofia no Brasil (Professores Benedito Nunes, Christian Hamm, Ernildo Stein, Guido de Almeida, João Carlos Brum Torres, Oswaldo Giacoia Júnior, Ricardo Terra e Valério Rohden), ora, membros de uma geração mais jovem, que aprendeu com o Prof. Loparic, mais do que teses ou doutrinas, um modo de trabalhar intelectualmente (Professores André Duarte, Antônio Augusto Videira, Daniel Ornar Perez, Elsa Oliveira Dias, Joãosinho Bekenkamp, Marco Antônio Franciotti e Róbson Ramos dos Reis). Muito nos orgulha ainda o fato de podermos completar esse livro com nomes já consagrados da filosofia americana (Professores Frederick Rauscher e Robert Hanna), portuguesa (Professores Leonel Ribeiro dos Santos e Irene Borges-Duarte) e alemã (Prof. Wolfgang Carl), todos autênticos interlocutores do Prof. Loparic, o que nos mostra que a filosofia feita no Brasil rompeu suas fronteiras e inseriu-se em uma comunidade mais ampla, fato para o qual a contribuição do nosso homenageado foi absolutamente decisiva”.</p> <p> </p> <p>Róbson Ramos dos Reis</p> <p>Andréa Faggion (orgs.)</p> <p> </p> <p>VOLUME 57 – 2010</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Filosofia Brasileira 199.81</li> </ol> <p>OBS. Ao homenagearmos o Prof. Zeljko Loparic por seus 70 anos de vida e 40 anos de Brasil devemos dizer que é bem conhecido, por exemplo, o caminho percorrido pelo pesquisador na filosofia da ciência contemporânea para uma releitura sistemática e original da obra de Immanuel Kant, uma interpretação que, de acordo com o título de um de seus livros, ficou conhecida como “semântica</p> Róbson Ramos dos Reis, Andréa Faggion Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/58 Fri, 20 Jan 2023 00:00:00 -0300 Auto-Organização https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/59 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“O estudo interdisciplinar da dinâmica constitutiva dos processos auto-organizados faz parte do programa de inúmeras pesquisas em desenvolvimento nas ciências exatas, naturais e humanas. A literatura disponível sobre a natureza ontológica e epistemológica desses processos é bastante diversificada e a compreensão dos conceitos e das hipóteses que caracterizam as teorias sobre os processos auto-organizados constitui um importante desafio para a pesquisa interdisciplinar do século XXI.</p> <p>Este volume de Auto-Organização: estudos interdisciplinares, quinto de uma série, congrega estudos apresentados nos Seminários Regulares do Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização da UNICAMP. Esse grupo foi criado, em 1986, pelo Prof. Michel Debrun, que o coordenou até o seu falecimento, em 1997. Desde então, o Grupo tem sido coordenado pela Professora ítala M. Loffredo D'Ottaviano.</p> <p>Como fruto das atividades do Grupo, os quatro volumes anteriores de Auto-organização: estudos interdisciplinares foram também publicados por esta COLEÇÃO CLE (volumes 18, 30, 38 e 52), editada pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência, CLE, da UNICAMP, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP</p> <p>Além desses quatros volumes, foi, ainda, organizado, por ítala M. Loffredo D'Ottaviano e Maria Eunice Q. Gonzalez, o volume 53 da Coleção CLE, intitulado Identidade Nacional Brasileira e Auto-organização. Tal volume, escrito em versão bilíngue, Inglês e Português, reúne manuscritos inéditos de Debrun sobre a natureza da "identidade nacional e/ou brasilidade", além da reedição dos três últimos artigos publicados por ele, nas coletâneas Auto-organização: estudos interdisciplinares (Coleção CLE, volume 18) e Encontro com as Ciências Cognitivas (Editora Cultura Acadêmica, UNESP, 1997). Debrun analisa, nesses artigos, os conceitos básicos de sua teoria da auto-organização, indicando, em esforço interdisciplinar, possíveis aplicações desses conceitos (forma, organização auto-organização primária e secundária, criatividade, atrator, interioridade, temporalidade) aos domínios físico, biológico, social e cognitivo.</p> <p>Com o Projeto Temático Sistêmica, Auto-organização e Informação, aprovado pela FAPESP em 2012, e com financiamento em curso, o problema central investigado pelo Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização diz respeito ao estatuto epistemológico dos processos de auto-organização no domínio dos sistemas complexos.</p> <p>O presente volume de Auto-organização: estudos interdisciplinares expressa uma parte dos resultados obtidos pelos integrantes do grupo, focalizando a natureza dos processos de auto-organização subjacentes à dinâmica de manifestação dos sistemas complexos. Esses processos, que possuem a capacidade para engendrar e, conservar, de modo autônomo, e sem controle de uma instância hetero organizadora central, seus padrões de funcionamento e organização, são analisados à luz de múltiplas áreas do saber, tais como, filosofia, lógica, matemática, física, biologia, engenharia, linguística, nutrição, psicologia e assim por diante.</p> <p>Os catorze capítulos que compõem o presente volume foram escritos em concordância com uma perspectiva interdisciplinar, que não requer conhecimento especializado para a compreensão das questões e temas, ligados à auto-organização, aqui discutidos. Frutos de pesquisa interdisciplinar, os capítulos estão arranjados em três partes (que podem ser lidas de modo independente).</p> <p>A Parte I, intitulada Auto-Organização, Ciência dos Sistemas e Processos Criativos, é iniciada com o Capítulo 01, O inconsciente no processo de criação e processo de auto-organização: dois olhares complementares, de autoria de Ettore Bresciani Filho e Paola Brandalise Bettega. Os autores empreendem uma descrição do processo de criação com base em duas abordagens teóricas da ciência da Psicologia, a cognitiva e a analítica. Buscam, também, refletir sobre os mecanismos inconscientes presentes nos processos criativos, argumentando que esses processos exibem características de auto organização, uma vez que neles podemos observar a emergência espontânea e autônoma (e, por isso, auto-organizada) de uma organização nova de ideias/ imagens.</p> <p>No Capítulo 02, Fábio Maia Bertato, em Sobre a definição matemática de sistemas: alguns aspectos históricos, novas propostas e lógicas sistêmicas associadas, esboça uma nota etimológica do vocábulo "sistema", além de apresentar aspectos históricos e contribuições para o que caracteriza como (pré-)história da Teoria de Sistemas. Em uma parte mais técnica do texto, o autor oferece uma abordagem matemática dos sistemas, bem como uma série de definições que permitem, à luz da Lógica, da Teoria de Modelos, do Realismo Conceptual e da Análise de Conceito Formal, o aprofundamento de investigações sobre sistemas. Sugere, também, que uma definição precisa (lógica e/ou matemática) de sistema deve constituir passo fundamental para a elucidação do estatuto epistemológico dos sistemas auto-organizados.</p> <p>Em Uma compreensão da economia solidária à luz da teoria da auto-organização. Capítulo 03, Renata C. Geromel Meneghetti discute os empreendimentos em Economia Solidária - caracterizados pela cooperação, solidariedade e autogestão - em conformidade com a tessitura conceituai da Teoria da Auto-Organização proposta por Debrun. A autora argumenta que a concepção/criação de um empreendimento em Economia Solidária (EES) caracteriza a auto-organização primária, como expressão da geração de uma organização ou sistema. Aponta, também, para a caracterização de ajustes e desenvolvimentos dos EES enquanto processos, bem sucedidos, de auto-organização secundária. Isso porque a aprendizagem, que possibilita a incorporação de novidades, seria fator essencial para a complexificação dos Empreendimentos em Economia Solidária, concebidos como sistemas auto-organizados.</p> <p>O Capítulo 04, Hábito e auto-organização secundária, de autoria de Ramon S. Capelle de Andrade e ítala M. Loffredo D’Ottaviano, encerra a primeira parte da coletânea. Nesse capítulo, os autores caracterizam o hábito como uma relação entre antecedentes circunstanciais e consequentes comportamentais que constituem pares ordenados de prescrições condicionais hipotéticas, ou disposição para a conduta. Consideram, com Peirce (1958), que o hábito constitui uma prontidão para se comportar de certo modo (o consequente) sob a influência de certas circunstâncias (o antecedente). Procuram caracterizar a auto-organização em associação com o processo de ruptura e formação de hábitos, e argumentam que a auto organização secundária pode acontecer, no sistema psicocomportamental, quando o agente consegue reestruturar hábitos que se mostraram, na experiência, inadequados para promoção da adaptação ao contexto. Os autores defendem que parte da identidade de um sistema/agente é dada por um conjunto de hábitos, e propõem uma adaptação da forma ("lógica") do raciocínio abdutivo para lidar com o processo de criação de hipóteses de condutas.</p> <p>A Parte 11, intitulada Auto-Organização, Informação e Conhecimento, reúne cinco textos. No Capítulo 05, Complexidade e privacidade informacional: um estudo na perspectiva sistêmica, Maria Eunice Quilici Gonzalez e João Antonio de Moraes investgam o problema da privacidade informacional sob o enfoque da teoria dos sistemas complexos. Tal problema encontra, atualmente, relevância fundamental, na medida em que a interação dos agentes com as tecnologias da informação tem propiciado possibilidades inéditas de conduta, conferindo um caráter <em>fuzzy</em> (difuso) à identificação da fronteira entre público/privado. Nesse sentido, os autores argumentam que o tema da privacidade informacional constitui elemento importante na agenda de investigação da Ética Informacional. Trata-se de um novo ramo de investigação interdisciplinar na filosofia que reúne questões, de natureza moral, relacionadas aos impactos da inserção de tecnologias informacionais na vida cotidiana. Nessa perspectiva, os autores argumentam, ainda, que a adoção da concepção sistêmica na análise da privacidade informacional fornece um método de investigação apropriado para a reflexão filosófico-interdisciplinar sobre novos temas que se apresentam no cenário contemporâneo das tecnologias digitais.</p> <p>No Capítulo 06, Percepção, informação e auto-organização no contexto da realidade virtual, Ana Maria Pellegrini, Alexandre Monte Campeio e Cynthia Yukiko Hiraga investigam o efeito da atividade física no contexto de um sistema audiovisual que caracteriza um sistema de realidade virtual, realidade essa que demanda do agente uma resposta imediata à informação captada. Os autores apresentam uma análise do comportamento motor humano, apoiados no referencial teórico de análise da interação agente-ambiente, no contexto da abordagem ecológica proposta por Gibson (1966, 1976). Eles argumentam que, no transcurso do desenvolvimento, o agente humano tem suas estruturas física, cognitiva e emocional alteradas como resultado de contínua interação com o meio em que vive. Essas mudanças - destacam - ocorreriam em ritmo próprio, em sequência típica da espécie, e em consonância com o que o meio oferece. Entre os elementos centrais nesse contexto de interação, há, para os autores, a percepção, que traz informação acerca do mundo exterior, e os mecanismos de auto-organização, que garantem as mudanças necessárias para o equilíbrio nas relações agente-ambiente. Ênfase é dada à emergência de novos padrões comportamentais resultantes de <em>affordances</em> presentes na realidade virtual</p> <p>No Capítulo 07, A natureza das ações encarnadas/incorporadas e situadas e suas implicações para o estudo do desenvolvimento humano, Pedro Fernando Viana Felício e Edson de J. Manoel investigam a natureza da cognição situada e incorporada. Os autores discutem implicações da aceitação da hipótese segundo a qual o conhecer e o fazer constituem processos complementares, auto-organizados, estando o conhecimento encarnado na base do conhecimento simbólico. Uma síntese de concepções acerca dos caminhos desenvolvimentistas da cognição é apresentada, culminando no modelo sinergético (por eles adotado). No âmbito do modelo sinergético, destacam os autores, as mudanças desenvolvimentistas não seriam prescritas em nenhum plano da rede de interações gene-célula-órgão-comportamento-ambiente. Eles ressaltam que seria preciso compreender como as mudanças desenvolvimentistas se auto-organizam, e como a experiência influencia as predisposições comportamentais. Os autores concluem que, no exercício da vida, agentes produzem sinergias ecológicas, sendo a incorporação dessas sinergias a estrutura basilar do pensamento, do comportamento e das alterações qualitativas de potencialidades de ação captadas sem necessidade de mediação representacional.</p> <p>No Capítulo 08, A concepção de emoção segundo Peirce, Lauro Frederico Barbosa da Silveira e Jorge de Barros Pires empreendem uma análise do tratamento conferido por Charles Peirce ao conceito de emoção. Nessa análise, visitam uma série de textos escritos de 1868 até 1907 e, também, oferecem uma síntese da apreciação das emoções em estudiosos da obra de Peirce, como Thomas Goudge, Max Fisch, David Savan, Thomas Short, Comelius Delaney e Christopher Hookway. Os autores argumentam que, não obstante o tema da emoção pareça ter importância minorada em poucos momentos da vasta produção intelectual de Peirce, a dimensão emocional da conduta, em textos datados a partir de 1906, aparecerá na subdivisão (semiótica) dos interpretantes emocional, energético e lógico. Ressaltam que, para Peirce, as emoções integram a totalidade do fazer científico, que, sem elas, não poderia ser levado a cabo. As séries infindas de interpretantes (afirmam Silveira e Pires) não seriam capazes de tradução em efetivas alterações de hábito, caso a ciência constituísse atividade isolada de um sujeito pensante ou de um grupo particular de pesquisadores. Isso porque, o pensamento se constitui, destacam os autores, no diálogo em rede que abrange a humanidade e, na concepção pragmática e metafísica de Peirce, todo o cosmos em evolução. Integrar-se nesta rede e participar do diálogo só seria possível caso os pensadores fossem motivados por um sentimento de esperança de que seu trabalho viesse a colaborar para a maior razoabilidade do cosmos.</p> <p>O Capítulo 09, Sobre uma teoria sistêmica de hábitos, de autoria de Mariana Claudia Broens e Gustavo Maia Souza, conclui a Parte II da presente coletânea. Os autores investigam contribuições da Teoria da Auto-Organização para uma compreensão do conceito de hábito na perspectiva, da complexidade. Inicialmente, é problematizada a tese do paralelismo psicofísico entre hábitos mentais e corpóreos, frequentemente apresentada pela metáfora do feixe de hábitos. Tal metáfora é utilizada por filósofos que partem de concepções dicotômicas da relação mente/corpo. Na tentativa de dissolver a dicotomia mente/corpo, os autores defendem que uma nova concepção interpretativa, inspirada na noção de rede, pode ser particularmente adequada para designar as múltiplas escalas integradasem que ocorrem os processos de atualização, geração e abandono de hábitos (cognitivos, perceptuais, motores, dentre outros) em agentes incorporados e situados. Assim, é sugerida uma definição operacional de hábito e uma classificação de seus vários tipos com base no conceito de rede organizada que se estabelece nas relações entre as partes de sistemas complexos.</p> <p>A Parte III, intitulada Conceitos Fundamentais para a Modelagem de Processos de Auto-Organização, reúne cinco textos. No Capítulo 10, Auto-organização e processos mentais em uma perspectiva monista, Alfredo Pereira Jr. analisa aplicações da Teoria da Auto-Organização no estudo dos processos mentais inconscientes e conscientes, bem como a inserção desses processos no mundo natural. Pereira Jr. inicia o capitulo com a proposta de uma ontologia monista de linhagem aristotélica e, em seguida, indica como seus conceitos centrais podem ser traduzidos para o quadro conceituai da teoria de sistemas dinâmicos abertos. O autor argumenta que o conceito aristotélico de potência pode ser aplicado ao modelo de espaço de estados de sistemas naturais, no qual cada região n-dimensional corresponde a uma possibilidade a ser atualizada, dependendo da satisfação de determinadas condições. Deste modo, no processo evolutivo da realidade o aspecto material/energético é o primeiro a se atualizar. Sendo satisfeitas condições de baixa entropia e interatividade, emerge o aspecto informacional, que está presente nos processos da vida e nos processos mentais não conscientes (por exemplo, em máquinas que realizam operações mentais). Além disso, sendo satisfeitas condições necessárias para a instanciação de sentimentos, emerge o aspecto mental consciente, concebido como constituído por processos cognitivos ancorados em processos afetivos. Por fim, o autor propõe o conceito de "fiorde psicofísico" para se referir aos sistemas auto-organizados que apresentam concomitantemente os três aspectos: físico (material/energético), informacional (mental não consciente) e mental consciente.</p> <p>No Capítulo 11, Dinâmica vital, Romeu Cardoso Guimarães investiga o tema da origem da vida, com ênfase na formação do vínculo nucleoprotéico, no qual proteínas e ácidos nucléicos se tornariam interdependentes e mutuamente estimulantes. Segundo autor, esse vínculo estabelece a formação do código genético, que engloba a organização do sistema de síntese de proteínas e dos genes. O sistema de síntese de proteínas constituiria - argumenta - a base da instalação de uma dinâmica de ralo - a 'força vital', que organizaria a autoconstrução e a auto-organização do suporte metabólico e da estrutura celular. Quaisquer novidades acrescentadas teriam que se reportar à manutenção da integridade do fluxo metabólico, que supre as sínteses, e ao sistema de síntese de proteínas, que é o ralo do fluxo. A hipótese do autor é que a organização do processo de reprodução deriva dos requisitos para a manutenção do fluxo. Seriam selecionadas negativamente as novidades que o prejudicam, restando as que não o prejudicam ou o melhoram; o que, por sua vez, garantiria a manutenção da direção anabólica por uma sucessão de processos que afastam as proteínas dos locais de sua síntese e evitam seu acúmulo excessivo na célula, culminando na instalação do processo complexo e regulado de reprodução.</p> <p>Maria Amélia de Carvalho e Alfredo Pereira Jr, no Capítulo 11, Processos nutricionais e auto-organização corporal em uma perspectiva semiótica, caracterizam os processos nutricionais como aqueles em que as pessoas selecionam, ingerem e metabolizam alimentos, absorvendo nutrientes e os transformando em seu próprio corpo, excretando metabólitos, produzindo energia útil, calor e, por conseguinte, possibilitando não apenas a manutenção da vida, mas, também, a realização de potencialidades. Os autores discutem aspectos dos processos nutricionais, utilizando, para tanto, a semiótica proposta por Charles Sanders Peirce. Apresentam um diagrama para ilustrar as várias dimensões e etapas envolvidas nos processos nutricionais, desde o plano físico ao existencial e espiritual. Nesse diagrama, os autores apontam para a possibilidade de emergência de fenômenos auto-organizados e hetero organizados nos processos nutricionais. Nos fenômenos hetero organizados, os autores destacam certo grau de controle externo, como, por exemplo, no caso da sociedade humana, o direcionamento do consumo alimentar por meio de propagandas veiculadas na mídia. Em contrapartida, consideram, na perspectiva da filosofia pragmática de Peirce, que ações educativas que se exerçam de modo a redimensionar os aspectos psicobiossociais implicados na nutrição poderiam facilitar processos auto-organizados de alterações de hábitos nutricionais prejudiciais à saúde das pessoas.</p> <p>m Prolegômenos para uma teoria semiótica da auto organização. Capítulo 13, Vinícius Romanini argumenta que o sinequismo elaborado por Peirce constitui uma teoria do continuum, que dissolve a separação entre sujeito do conhecimento e objeto a ser conhecido, além de introduzir a concepção de semiose como processo que estrutura o real. Argumenta ainda que uma teoria semiótica da auto-organização poderia ser suficientemente geral para dar conta de processos em que a informação está presente. Tal teoria propicia_ria, segundo o autor, uma teoria da realidade, uma vez que o real, supostamente, se desenvolve pela aquisição de hábitos. Sugere que a lei da mente (tal como formulada por Peirce) seria o propulsor dos processos auto organizativos. Nessa perspectiva, a cosmologia elaborada por Peirce pressuporia uma ontologia evolutiva, segundo a qual a realidade se constituiria gradativamente a partir de um caos absoluto, sinônimo de "nada", para fenômenos regidos por leis cada vez mais regulares. As leis surgiriam e ganhariam força num processo de semiose. Essa perspectiva permitiria, para o autor, entender o famoso dito peirceano de que "o universo inteiro está permeado por signos, se é que não se constitui apenas de signos". O autor defende, em conclusão, que, como lógica dos processos de semiose, a semiótica peirceana poderia embasar uma teoria sistêmica e evolutiva (auto-organizada) da realidade.</p> <p>A Parte III da coletânea é finalizada com o Capítulo 14, Jean Piaget, arauto da auto-organização, e sua contribuição ao estudo da auto-organização secundária, elaborado por Ricardo Pereira Tassinari, Alexandre Augusto Ferraz e Kátia Batista Camelo Pessoa. Os autores destacam que, de acordo com a teoria piagetiana, a inteligência constitui uma forma do próprio processo de adaptação do organismo-sujeito, o qual constrói seu conhecimento e as estruturas a ele necessárias a partir da sua interação com o meio. Procuram mostrar que, na medida em que o sujeito epistêmico se desenvolve, os processos inteligentes apresentam características de auto organização, o que, por sua vez, teria levado Debrun a considerar Piaget um dos "arautos" da auto-organização. Além disso, os autores argumentam que, na concepção de Piaget, os aspectos funcionais dos processos inteligentes se explicitam por meio de invariantes comuns às estruturações em quaisquer organismos (em especial, organização, adaptação, assimilação e acomodação) e constituem categorias que permitem pensar os processos de "auto-organização secundária".</p> <p>Resta-nos mencionar que as múltiplas perspectivas e orientações científico-filosóficas manifestadas nesta coletânea expressam o interesse dos autores pelos processos de auto-organização, além de uma tentativa de, em conformidade com uma prática interdisciplinar, cultivada nos Seminários Regalares do Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização, oferecer um tratamento rigoroso, ainda que parcial e em permanente construção, ao tema "Auto-organização". Convidamos você (querido leitor) a conferir a trajetória epistemológica até aqui percorrida pelo Grupo.</p> <p> </p> <p>VOLUME 66 – 2014</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Sistemas auto-organizadores 003.7</li> </ol> <p> </p> <p>Ettore Bresciani Filho</p> <p>ítala M. Loffredo D'Ottaviano</p> <p>Maria Eunice Q. Gonzalez</p> <p>Ana Maria Pellegrini</p> <p>Ramon S. Capelle de Andrade (orgs.)</p> <p> </p> <p>OBS. O atual volume de Auto-organização: estudos interdisciplinares, quinto da série, congrega artigos apresentados nos Seminários Regulares do Grupo Interdisciplinar CLE Auto organização da UNICAMP entre 2010 e 2013. O eixo central de investigação da presente coletânea focaliza a natureza dos processos de auto-organização e informação.</p> Ana Maria Pellegrini, Ettore Bresciani Filho, ítala M. Loffredo D'Ottaviano, Maria Eunice Q. Gonzalez, Ramon S. Capelle de Andrade Copyright (c) 2023 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/59 Fri, 20 Jan 2023 00:00:00 -0300 Wittgenstein https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/48 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“O presente volume temático da Coleção CLE apresenta alguns dos resultados, dentre os mais relevantes, do V Colóquio Nacional - II Internacional Wittgenstein, realizado entre os dias 17 a 19 de Setembro de 2008 no CLE e no IFCH da Unicamp.</p> <p>O tema deste colóquio girou em torno de como devemos ler o que Wittgenstein considerou ser um "álbum", a saber, o seu texto das Investigações Filosóficas. Para responder a esta questão, outras muitas questões correlacionadas a ela foram abordadas e aprofundadas pelos autores dos artigos aqui apresentados. Uma das mais interessantes é a de esclarecer a natureza deste álbum que foi o resultado de dezesseis anos de tentativas fracassadas, por parte de Wittgenstein, de produzir um "bom livro", como ele próprio o afirma no Prefácio, através da organização de suas "observações filosóficas".</p> <p>De fato, após o Tractatus, Wittgenstein inicia um processo de tratamento conceituai voltado para a sua própria forma de pensar presente nesse livro. O procedimento terapêutico é inédito em filosofia, pois consiste em realizar variações de exemplos em torno dos mesmos temas e voltar, incessantemente, a temas já explorados, a partir de novos pontos, de vista — além de saltar entre temas diferentes através de semelhanças e de analogias. O resultado desta atividade é uma coleção de observações filosóficas (phisophische Bemerkungeri) sobre diversos temas, observações a serem, posteriormente, organizadas de maneira a prestar-se à publicação sob a forma de um livro tradicional, i.e., em um discurso contínuo e sem lacunas temáticas. A dificuldade que encontra Wittgenstein, ao tentar realizar este trabalho de composição das observações para publicação, consiste em não sentir-se capaz de evitar as repetições constantes, ainda que sob pontos de vista diferentes, e os saltos frequentes entre temas. Foram várias as tentativas, durante dezesseis anos, para compor um "bom livro", até que sua vontade rendeu-se à força do procedimento terapêutico - e, mais importante, da terapia aplicada constantemente a si próprio. Daí, a forma estilística última a que chega, um álbum de desenhos de paisagens, para a publicação de suas observações filosóficas com função auto terapêutica, e, quiçá, com efeitos terapêuticos sobre o eventual leitor. As paisagens correspondem, nesta metáfora, aos temas abordados, e os desenhos correspondem às observações do autor, sempre refeitas com inúmeras variações.</p> <p>Esta é a nossa intrigante questão: as relações conflituosas entre a força da atividade terapêutica que o obrigava a caminhar em todas e várias direções, e a vontade de compor um livro sem lacunas nem repetições. O resultado literário deste conflito é o de um "álbum" filosófico, e o problema que ele nos coloca é o da forma que sua leitura deverá tomar. Leitura segundo uma ordem de razões do autor, coincidindo com uma ordem de conteúdos, conforme à tradição estruturalista; leitura segundo a concepção de atividade filosófica proposta pelo autor, concepção no interior da qual o álbum seria um mero gesto; leitura de acordo com a função que este álbum deve ter face ao conjunto completo dos escritos ainda inéditos do autor, - aos poucos organizados eletronicamente pela equipe de Bergen. A forma do álbum filosófico levanta, além disto tudo, a interessante questão de suas relações com a atividade do diarista que foi Wittgenstein. De fato, como ele próprio o afirma, seus escritos são um conjunto de conversas consigo-próprio, conversas registradas em um diário ao longo dos anos. Em que medida as anotações contidas nesse Grande Diário — o material do Nachlass - poderiam ser organizadas em tantos outros álbuns, como o que foi publicado com o título de Investigações Filosóficas?</p> <p>Os artigos aqui publicados abordam diversos aspectos do tema, cada um à sua maneira, procurando explorar campo ainda muito pouco trilhado pelos comentadores do filósofo. Esta coletânea de artigos sugere, assim, uma rica linha de pesquisa sobre o pensamento de Wittgenstein, ainda inédita no Brasil, que apenas tem eco no trabalho do professor AIoís Pichler - com seu livro Wittgenstein s Philosophische Untersuchungen — Vom Buch zum Álbum — que convidamos a participar do colóquio.</p> <p>Organizamos esta coletânea de maneira a também contemplar os melhores textos apresentados no colóquio por jovens pesquisadores, em suas comunicações. Assim, apresentamos, ao lado das comunicações, textos que resultaram de palestras proferidas por pesquisadores maduros, e de conferências, por parte dos pesquisadores convidados ao colóquio. É desta maneira que foram organizados os artigos do volume.</p> <p>Os professores convidados, assim como os pesquisadores seniors, abordaram diretamente o tema proposto de pontos de vista diferentes, permitindo a criação de um horizonte para situar a questão do álbum de Wittgenstein. Esperamos que este horizonte seja doravante ampliado e que o tema do álbum, como estilo filosófico, venha a ser aprofundado e melhor esclarecido em suas consequências.”</p> <p> </p> <p>ARLEY R. MORENO (org.)</p> <p> </p> <p>VOLUME 55 – 2009</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Filosofia austríaca 193</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. O presente volume da Coleção CLE apresenta alguns dos resultados, dentre os mais relevantes, do V Colóquio Nacional / II Internacional Wittgenstein, organizado pelo Instituto de filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Unicamp e realizado entre os dias 17 e 19 de setembro de 2008. Os textos aqui apresentados são de autoria de Antonia Soulez, Alois Pichler, Antoine Ruscio, Arley Siqueira, João Segatto, Giovane Rodrigues Silva e Guilherme Ghizoni da Silva.</p> Arley Ramos Moreno Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/48 Tue, 29 Nov 2022 00:00:00 -0300 Mecânica Relacional https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/34 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Este livro apresenta a Mecânica Relacionai. Esta é uma nova mecânica que implementa as idéias de Leibniz, Berkeley, Mach e muitosoutros. A mecânica relacionai é baseada apenas em grandezas relativas, como a distância entre corpos materiais, a velocidade radial e a aceleração radial entre eles. Com ela espera-se responder a questões não esclarecidas suficientemente tanto pela mecânica clássica de Newton, como pelas teorias da relatividade especial e geral de Einstein. Nesta nova mecânica não aparecem os conceitos de espaço absoluto, de tempo absoluto e nem de movimento absoluto. O mesmo pode ser dito da inércia, da massa inercial e dos sistemas inerciais de referência. Apenas quando comparamos esta nova mecânica com a newtoniana passamos a ter uma compreensão clara destes conceitos antigos. A mecânica relacionai é uma implementação quantitativa das idéias de Mach utilizando uma força de Weber para a gravitação. Muitas pessoas ajudaram neste desenvolvimento, entre elas o próprio Weber, Neumann, Helmholtz e Erwin Schrõdinger.</p> <p>Este livro tem como objetivo apresentar as propriedades e características desta nova visão da mecânica. Assim, pode ser vista de maneira completa e fica fácil fazer uma comparação com as visões anteriores do mundo (newtoniana e einsteiniana).</p> <p>Uma grande ênfase é dada para a experiência do balde de Newton, que é uma das experiências mais simples já realizadas na física. Apesar deste fato, nenhuma outra experiência teve conseqüências tão amplas e profundas sobre os fundamentos da mecânica. Colocamos no mesmo nível a descoberta experimental de Galileo, da igualdade de aceleração dos corpos em queda livre. A explicação destes dois fatos, sem utilizar os conceitos de espaço absoluto ou de inércia, é um dos maiores feitos da mecânica relacionai.</p> <p>Para mostrar todo seu poder e para analisá-la em perspectiva, inicialmente apresentamos a mecânica newtoniana e as teorias dá relatividade de Einstein. Discutimos as críticas à teoria newtoniana apresentadas por Leibniz, Berkeley e Mach. Depois disto, introduzimos a mecânica relacionai e mostramos como ela resolve quantitativamente todos estes problemas com uma clareza e simplicidade sem igual, quando comparada com qualquer outro modelo. Também apresentamos em detalhes a história da mecânica relacionai, enfatizando as conquistas e limitações dos principais trabalhos anteriores relacionados a ela. Além disto, apresentamos diversos aspectos que vão além da teoria newtoniana, como: a precessão do periélio dos planetas, a anisotropia da massa inercial efetiva, a mecânica adequada para partículas movendo-se a altas velocidades, etc. Também são apresentados testes experimentais da mecânica relacionai.</p> <p>Este livro é direcionado a físicos, matemáticos, engenheiros, filósofos e historiadores da ciência. E voltado também aos professores de física que atuam a nível de universidade, de segundo grau e de cursinho, assim como a seus estudantes, pois todos que já aprenderam ou ensinaram a mecânica newtoniana conhecem as dificuldades e sutilezas de seus conceitos básicos (referencial inercial, força centrífuga fictícia, etc.) Acima de tudo, é escrito para as pessoas jovens e sem preconceitos que têm um interesse nas questões, fundamentais da física, a saber: Há um movimento absoluto de qualquer corpo em relação ao espaço ou apenas movimentos relativos entre corpos materiais? Podemos provar experimentalmente que um corpo está acelerado em relação ao espaço ou apenas em relação a outros corpos: Qual é o significado da inércia? Por que dois corpos de pesos, fornos e composições químicas diferentes caem com a mesma aceleração no vácuo sobre a superfície da Terra? Quando Newton girou o balde e viu a água subindo pelas suas paredes, qual foi o agente responsável por este efeito? Esta elevação se deve à rotação da água em relação a quê? O que achata a Terra nos pólos devido à sua rotação diurna? Este acHatamento é devido à rotação da Terra em relação ao espaço vazio ou em relação às estrelas e galáxias distantes? Apresentamos a resposta a todas estas questões sob o ponto de vista da mecânica relacional.</p> <p>Uma versão em inglês deste livro vai ser publicada sob o título Relational Mechanics. Uma versão mais didática deste livro, em português, sem a maior parte do conteúdo matemático, vai ser publicada sob o título Uma Nova Física.</p> <p>Após compreender a mecânica relacional entramos num novo mundo, enxergando os mesmos fenômenos com olhos diferentes e sob uma nova perspectiva. É uma mudança de paradigma, termo cunhado por Kuhn em seu importante trabalho [Kuhn82]. Neste livro, empregamos o Sistema Internacional de Unidades MKSA. Quando definimos qualquer grandeza ou conceito físico utilizamos como símbolo de definição.”</p> <p> </p> <p>VOLUME 22 – 1998</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1998</p> <p> </p> <p>Índice para catalogo sistemático</p> <ol> <li>Mecânica 531</li> <li>Gravitação 531.14</li> <li>Inércia (Mecânica) 531.2</li> </ol> <p>OBS. Este livro trata da Mecânica Relacional, que é uma implementação quantitativa das ideias de Leibniz, Berkeley e Mach. Ela se propõe a solucionar questões não esclarecidas suficientemente tanto pela mecânica newtoniana como pelas teorias da relatividade de Einstein. A reformulação clássica da mecânica é devida a Newton, baseada nos conceitos de inércia, espaço absoluto. Newton realizou a famosa experiência do balde com água girando em relação à Terra e a interpretou como uma prova da existência do espaço absoluto.</p> André Koch Torres Assis Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/34 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 Elementos de Teoria Paraconsistente de Conjuntos https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/35 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Este livro encerra parte do conteúdo de seminários e conferências por nós feitos no Brasil e na França, em diversas oportunidades, nos últimos cinco ou seis anos. Sua finalidade é a de fornecer uma ideia geral da teoria paraconsistente de conjuntos, tal como tem sido desenvolvida a partir das investigações do primeiro autor. Muitos resultados são incluídos sem demonstração, mas o leitor as encontrará nas obras constantes da bibliografia fornecida.</p> <p>Os apêndices constituem traduções de artigos a serem publicados em inglês e possuem bibliografias próprias. Algumas superposições com o material exposto no livro não foram eliminadas pelo fato de nos parecerem elucidativas, tratando do mesmo tema em contextos diversos.</p> <p>Os autores agradecem ao Prof. Carlos Di Prisco pelas críticas e sugestões por ele formuladas com base em uma primeira versão deste livro. Embora todas tenham sido levadas em conta, evidentemente, ele não é responsável pelas deficiências ainda existentes nesta obra.”</p> <p>NEWTON C.A. DA COSTA</p> <p>JEAN-YVES BÉZIAU</p> <p>OTÁVIO BUENO</p> <p> </p> <p>VOLUME 23 — 1998</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1998</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Lógica simbólica e matemática 511.3</li> <li>Lógica matemática não-clássica 511.3</li> <li>Teoria dos conjuntos 511.322</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Desde sua criação por Newton Carneiro da Costa, a lógica paraconsistente tem se desenvolvido de forma intensa. Inicialmente, uma das principais motivações que levou Da Costa a formular esta lógica consistiu na nova perspectiva que traz para o exame dos célebres paradoxos da teoria de conjuntos. Neste livro, os autores exploram alguns aspectos desta perspectiva, fornecendo uma ideia geral da teoria paraconsistente de conjuntos, tal como desenvolvida a partir das investigações de Da Costa.</p> Newton C.A. Da Costa, Jean-Yves Béziau, Otávio Bueno Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/35 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 Sintaxe e Semântica Universais https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/37 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Richard Montague morreu jovem, mas deixou uma obra extremamente significativa para a filosofia da linguagem e a linguística teórica. Criou um "paradigma" ou "programa de pesquisa" para os estudos de sintaxe e semântica das línguas naturais que, até hoje, é um dos mais influentes do gênero. A Gramática Universal de Montague providencia um arcabouço teórico que permite um tratamento da sintaxe e da semântica das línguas naturais tão rigoroso quanto o das linguagens formais dos lógicos. Aliás, para Montague, não há nenhuma diferença essencial entre as línguas naturais e as linguagens formais. Fragmentos consideráveis das línguas naturais podem ser tratados com o mesmo rigor matemático com o qual os lógicos costumam tratar a semântica das linguagens formais, e que Chomsky e seus seguidores nunca conseguiram atingir no âmbito do programa de Gramática generativa e transformacional, o programa de Gramática Universal do famoso linguista e filósofo do MIT.</p> <p> A semântica de Montague retoma a tradição fregeana e o conceito central de "condições de verdade". A ideia da semântica veri-condicional é a seguinte: Conhecer o significado de uma sentença (declarativa) é saber como o mundo deveria ser para que a sentença seja verdadeira. Esse caráter veri-condicional da semântica visa "capturar" a intencionalidade "derivada" da linguagem, o fato de que as expressões que usamos são "acerca de" algo (indivíduos, classe de indivíduos, estados de coisas, etc.) no mundo. Essa semântica também retoma a tradição tarskiana que recorre à teoria dos modelos, quer dizer, ela constrói a interpretação das expressões da linguagem-objeto, usando modelos matemáticos abstratos dessas coisas no mundo que constituem seus valores semânticos. Até agora, a teoria dos modelos é o melhor método encontrado para realizar o programa da semântica veri-condicional. Por fim, a semântica de Montague usa a noção de Mundo Possível, introduzida na semântica contemporânea por S. Kripke, para dar conta dos fragmentos das línguas naturais contendo modalidades (aléticas, temporais, deônticas, etc.).</p> <p> Montague tentou duas estratégias de interpretação na sua semântica universal: uma direta, representada por "English as a Formal Language", e a outra indireta, via tradução, apresentada em "Universal Grammar", e aplicada de modo espetacular no famoso "PTQ", "The Proper Treatment of Quantification in Ordinary English". Essa segunda estratégia, mais potente, consiste em traduzir fragmentos de uma língua natural na linguagem da lógica intensional, uma linguagem muito rica, que pertence ao arcabouço da Gramática Universal de Montague, e para a qual uma interpretação (uma definição tarskiana da verdade) já foi construída. É bom se lembrar que "Universal", no programa semiótico de Montague, não significa a mesma coisa que no programa de Gramática Universal de Chomsky. Para Chomsky, a Gramática Universal é parte da psicologia; ela tenta explicar os universais presentes nas línguas naturais e também determinar os limites da classe das línguas humanas possíveis. Para Montague, a Gramática Universal é parte da matemática, e "Universal" tem aqui o sentido de "generalidade matemática", quer dizer: a Gramática Universal, como parte da matemática, deve apresentar um arcabouço geral o suficiente para abarcar a descrição de qualquer sistema de signos que pode ser chamado de "linguagem", seja uma língua humana ou qualquer linguagem artificial. Portanto, na acepção de Montague, a palavra "universal" é mais abrangente.</p> <p> A tese de que não existe nenhuma diferença essencial entre as línguas naturais e as linguagens formais dos lógicos é certamente a mais provocativa na filosofia de Montague. Em "PTQ" e "Universal Grammar", ele se limita ao fragmento declarativo da linguagem-objeto (um fragmento considerável do inglês). As questões, exclamações, ordens, e outros enunciados não declarativos não são contemplados nas realizações iniciais e "provisórias" do programa semiótico de Montague; mas seus seguidores já construíram "extensões conversativas" de seu projeto inicial. As noções de "condições de sucesso" e de "condições de satisfação" introduzidas por Searle e Vanderveken (1985) e sistematizadas por Vanderveken (1991) são uma prova de que o programa de Montague é rico de promessas que vão sendo cumpridas com o tempo. Mesmo assim, muitos linguistas e filósofos da linguagem não aceitam, aliás com toda razão, a ideia de que um conhecimento da sintaxe e da semântica de uma linguagem basta para dar conta do entendimento de um discurso, ou para/a/ar uma língua com uma "competência comunicativa" satisfatória. Como escreve Wittgenstein, "Se um leão pudesse falar, nós não seriamos capazes de entendê-lo". Sem o conhecimento das práticas e regularidades sociais e naturais, o conhecimento da sintaxe e da semântica não adianta muito para a interpretação de um discurso. O aprendizado da linguagem stricto sensu (sintaxe e semântica) e o aprendizado do mundo natural e social não são dois processos dissociados. Um extraterrestre, com a capacidade cognitiva de uma máquina de Turing, encontrando por acaso um exemplar do livro do Professor Márcio Kléos F. Pereira, i.e, uma Gramática de Montague do português brasileiro, não saberia necessariamente o que dizer para comentar inteligentemente um belo toque de bola de um jogador do Flamengo numa partida no Maracanã, ou como reagir verbalmente a uma descrição técnica de um golpe de capoeira, mesmo se for possível para ele estudar seriamente o livro de modo a poder formular um número potencialmente infinito de sentenças bem formadas do português. Mas com certeza, o conhecimento representado numa gramática de Montague, que não é necessariamente "realizado cognitivamente", é, porém, parte essencial da competência comunicativa de qualquer falante do português.</p> <p> O livro do Professor Márcio Kléos F. Pereira torna acessível, pela primeira vez em língua portuguesa, o essencial da obra de Montague, o grande continuador de Leibniz, Frege, Russell e Carnap, e o maior representante contemporâneo da "Filosofia Formal". Tornar acessível a obra de Montague, em si, representa uma façanha que o Professor Márcio Kléos realizou com uma competência à altura de seu promissor talento. E adaptá-la para o português também foi uma tarefa às vezes difícil (é só pensar nas regras relativas ao advérbio de negação "não" em português, que tem um comportamento e uma distribuição nas sentenças bem diferente do equivalente inglês). Por essas razões, o livro do Professor Márcio Kléos deve constar na biblioteca de qualquer linguista e filósofo da linguagem de língua portuguesa interessado no que a filosofia e a lógica contemporânea podem oferecer de melhor na semântica das línguas naturais.”</p> <p> </p> <p>Márcio Kléos Freire Pereira</p> <p> </p> <p>VOLUME 32 – 2001</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 2001</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Gramática 415</li> <li>Semântica 412</li> <li>Semântica (Filosofia) 149.946</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. O presente livro tem por objetivo expor e comentar os principais aspectos da proposta de uma gramática universal, conforme concebida pelo filósofo contemporâneo Richard Montague, bem como ilustrar essa proposta com aplicações a dois fragmentos declarativos de uma língua natural (a saber, o português). As aplicações que constam em nosso livro são uma adaptação dos resultados de aplicações similares a fragmentos do inglês feitas pelo próprio Montague. Distinguem-se uma da outra pela estratégia de interpretação semântica empregada nos dois casos.</p> Márcio Kléos Freire Pereira Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/37 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 A Epistemologia de Claude Bernard https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/38 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Apresentar Claude Bernard como um epistemólogo é a ideia principal desse livro que, por isso, difere radicalmente da totalidade dos trabalhos que conhecemos sobre esse autor. São sobretudo os historiadores da biologia e os filósofos que se ocupam do estudo do pensamento de Bernard, e para esses comentadores, em geral, ele é um fisiólogo ou um cientista que se aventurou também a emitir sua opinião sobre temas filosóficos polêmicos, aos quais foi conduzido por força de sua reflexão sobre a aplicação do método experimental nas ciências biológicas.</p> <p>Estamos cientes, portanto, de que nosso trabalho é um tanto heterodoxo em face de uma certa tradição estabelecida na interpretação do pensamento de Claude Bernard. Entretanto, naquele que, sem dúvida, é o mais eminente historiador e filósofo da ciência que dele se ocupou, Georges Canguilhem, encontramos eco a essa nossa abordagem, quando ele diz, a respeito da introdução ao Estudo da Medicina Experimental de Bernard, que, para bem compreender suas discussões metodológicas da primeira parte dessa obra, é necessário ler primeiro sua terceira parte, que contém o relato das grandes descobertas de Claude Bernard em fisiologia experimental (cf. Canguilhem 1994, p. 168). É curioso que esta primeira parte da Introdução tenha tido diversas edições em separado, o que é sinal dessa tendência geral de não relacionar a obra científica com a obra filosófica de seu autor.</p> <p>Um livro introdutório, como esse se propõe a ser, não é exatamente uma obra de fácil leitura, ou de exposição simplificada. Fomos obrigados a retomar sucintamente muitas discussões filosóficas extensas e complicadas, como aquela do próprio estatuto cognitivo da epistemologia, assim como os temas da demarcação, da unidade da ciência e do realismo científico. A estes problemas, que hoje estão na ordem do dia para os grandes epistemólogos, Bernard também deu sua contribuição, que julgamos de valor, e a nossa se limita a colocar isso em evidência. Esse objetivo nos obrigou a uma escolha do modo de apresentação das matérias, não apenas na sequência que lhes demos, mas também na documentação que apresentamos. Optamos por nos concentrar em comentários às obras do próprio Claude Bernard, e o caráter polêmico de muitos pontos nos obrigou a citá-lo longa e repetidamente. Também por isso podemos dizer, pois, que apresentamos uma introdução à leitura de seus textos.</p> <p>Este trabalho resultou das pesquisas que realizamos como estágio de pós-doutorado, custeado pela CAPES, junto à Equipe REHSEIS (Recherches Epistémologiques et Historiques sur les Sciences Exactes et les Institutions Scientifiques), na Universidade Paris 7-Denis Diderot, durante o ano letivo 1994-1995, no quadro do Acordo CAPES-COFECUB 141/93 que, no Brasil, envolve a Universidade de São Paulo, a Universidade Estadual de Campinas e a Universidade Federal de Santa Catarina, a cujo Departamento de Filosofia pertencemos.”</p> <p> </p> <p>Luiz Henrique de A. Dutra</p> <p>VOLUME 33 – 2001</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 2001</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Ciência — Filosofia 501</li> <li>Biologia — Filosofia 574.01</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Este livro procura apresentar Claude Bernard (1831-1878) como um epistemólogo, diferindo, portanto, da grande maioria dos trabalhos sobre esse autor. Contemporâneo de Pasteur e discípulo de Magendie, Bernard se insere na tradição científica francesa que remonta a Lavoisier e Laplace. Bernard é pai da fisiologia moderna e o responsável por algumas das principais noções desta disciplina, como as de meio interno e secreção interna. Sua influência sobre os destinos da fisiologia se estende ao século XX, através de seus discípulos, em especial Brown Séquard, no campo da endocrinologia.</p> Luiz Henrique de A. Dutra Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/38 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 Auto-organização https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/39 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“O presente volume de Auto-organização: estudos interdisciplinares reúne trabalhos apresentados no Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização da UNICAMP, e também nos Colóquios Michel Debrun, promovidos pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência - CLE/UNICAMP e pelo Departamento de Filosofia - UNESP/Marília, durante o período de 2001 a 2003.</p> <p>O Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização foi criado em 1986, pelo Professor Michel Debrun, que o coordenou até o seu falecimento, em 1997. Dois volumes já foram publicados pelo grupo: o volume 18 da Coleção CLE, organizado por Michel Debrun, M. Eunice Quilici Gonzalez e Osvaldo Pessoa Jr.; e o volume 30 da Coleção CLE, organizado por ítala M. Loffredo D’ottaviano e M. Eunice Quilici Gonzalez.</p> <p>Esta coletânea, dando continuidade aos volumes anteriores, tem como tema central de investigação questões fundamentais sobre a natureza dos processos de auto-organização que se encontram presentes nos vários eventos e atividades que nos constituem e nos cercam. Um dos aspectos inovadores da obra consiste em que tais investigações são realizadas a partir de uma perspectiva interdisciplinar, que envolve a filosofia, a lógica, a neurociência, a música, a engenharia, a biologia e a psicologia, entre outras. Os textos estão classificados em três grupos: auto-organização na biologia, o papel da auto-organização na percepção e ação humana, auto-organização e as teorias da informação e dos sistemas.</p> <p>A primeira parte do livro - Auto-organização na Biologia - inclui uma análise do grau de complexidade presente nos sistemas biológicos e no ecossistema, análise essa realizada a partir de uma perspectiva sistêmica, que tem na auto-organização um dos seus principais alicerces. Esta Parte I reúne os Capítulos 1, 2 e 3, com trabalhos de Alfredo Pereira Júnior, Ângelo Gilberto Manzatto, Felipe A.P.L. Costa, Gustavo Maia Souza, Lúcia Maria Paleari, Ricardo Ferraz de Oliveira e Romeu Cardoso Guimarães.</p> <p>No Capítulo 1 - "Evolução Biológica e Auto-Organização: apresentando, discutindo e exemplificando uma proposta teórica" - Alfredo Pereira Júnior, Lúcia Maria Paleari, Felipe A.P.L. Costa e Romeu Cardoso Guimarães debatem a seguinte questão: a evolução biológica é determinada pela seleção natural ou por tendências inerentes ao próprio sistema genético-molecular? Segundo os autores, a teoria de sistemas auto-organizados permite uma abordagem integradora, por meio da qual se entende que os rumos da evolução seriam traçados pelos próprios sistemas vivos, com base em suas capacidades de autorregulação metabólica e construção ativa das formas de interação com o ambiente. Baseados na apresentação e discussão de exemplos, os autores argumentam que seleção natural e auto-organização podem representar hipóteses complementares na explicação da ordem biológica. Dessa forma, o rumo do processo evolutivo, ao longo do tempo, em direção a patamares organizacionais aparentemente mais complexos que os precedentes, seria definido pelos próprios seres vivos, em seus processos interativos. Em consequência, ao invés de se conceber um processo cego, coloca-se a questão da participação, e mesmo da responsabilidade do ser humano, frente aos rumos do processo evolutivo, uma vez que o homem é parte integrante da Natureza, sendo um elo importante de ligação no Sistema Biosfera de nosso planeta.</p> <p>No Capítulo 2 - "Auto-Organização, Hierarquia e Resiliência em Ecologia" -, Ângelo Gilberto Manzatto discute a importância de uma abordagem sistêmica para uma melhor compreensão dos processos organizacionais dos ecossistemas. Segundo o autor, a hierarquia natural dos ecossistemas requer que eles sejam estudados sob diferentes tipos de abordagens ou perspectivas e em diferentes escalas de exame. Não existe, per se, uma abordagem ou perspectiva correta. Ecossistemas são auto-organizados. Os meios pelos quais sua dinâmica evolui e seus níveis hierárquicos estão interligados denotam processos que se retroalimentam positiva e negativamente, o que impede que mecanismos de causa-efeito expliquem totalmente sua dinâmica. A emergência e a imprevisibilidade são fenômenos comuns e normais em sistemas dominados por esses mecanismos.</p> <p>Para concluir a Parte I, Gustavo Maia Souza e Ricardo Ferraz de Oliveira, no artigo "Estabilidade e Complexidade em Sistemas Biológicos", apresentam e discutem os principais conceitos relativos à noção de estabilidade em sistemas biológicos, procurando estabelecer uma relação entre o grau de complexidade de sistemas biológicos e sua estabilidade frente às perturbações ambientais. Os autores argumentam que, de uma forma geral, sistemas mais complexos tendem a possuir um maior grau de estabilidade quando perturbados por fatores externos. Entretanto, a estabilidade do sistema também depende de um certo grau de redundância. Assim, a estabilidade de um sistema biológico não é linearmente dependente de sua complexidade. Como já sugerido pelos artigos de Pereira Jr. et al., e de Manzatto, a estabilidade dos sistemas biológicos, em diferentes escalas espaço-temporais, é fundamental para o processo de auto-organização da vida como um todo, permitindo a manutenção de padrões organizacionais, ao mesmo tempo que abre espaço para a evolução.</p> <p>A Parte II, intitulada O Papel da Auto-organização na Percepção e Ação Humana, está endereçada, principalmente, às questões relativas à organização cerebral e à dinâmica dos processos auto-organizados que orientam a ação de sujeitos incorporados e situados em ambientes específicos. Reúne os trabalhos de Ana Maria Pellegrini, Lauro Frederico Barbosa da Silveira, Mariana Cláudia Broens, Pedro Fernando Viana Felício, Ricardo Pereira Tassinari e Willem Ferdinand Gerardus Haselager, que compõem, respectivamente, os Capítulos 4, 5, 6, 7 e 8.</p> <p>No Capítulo 4 - "Os hábitos na Vida Diária: pressupostos organizacionais" -, Ana Maria Pellegrini e Pedro Fernando Viana Felicio analisam as ações voluntárias, intencionais, no contexto da teoria da auto-organização. Argumentam que, nas investigações contemporâneas, a ênfase no estudo da ação está na capacidade dos agentes de controlar seus próprios atos, de interagir com seus semelhantes e de sobreviver num ambiente em constante mudança. No entanto, um bom número de atividades realizadas no dia-a-dia foge do controle voluntário do ser humano e se reduz a hábitos. Através desses hábitos, liberamos espaço e tempo para outras atividades que requerem atenção. Contudo, os autores lembram que nem sempre os hábitos estabelecidos atendem às novas demandas, na relação do sujeito com o meio. Nesse contexto, este capítulo discute os princípios que norteiam as várias formas de organização do comportamento humano em sua interação com o ambiente. Em específico, focaliza os conceitos de emergência e de ajustes nos hábitos, indicando os princípios que regem a organização do comportamento motor, em várias escalas espaço-temporais, na busca de uma ordem. Finalmente, os autores discutem as vantagens e os problemas advindos dos hábitos da vida diária, em termos de qualidade de vida.</p> <p>No Capítulo 5 - "Sujeito e Auto-organização" Mariana Claudia Broens investiga a relevância da preservação da noção cotidiana de sujeito, que é também adotada pelos filósofos defensores do senso comum, no contexto da teoria da auto-organização (TAO). Para isso, analisa inicialmente alguns sentidos que o termo sujeito assume na história do pensamento ocidental, ressaltando vínculos ontológicos a eles subjacentes. Entende a autora que, antes de postular a existência de um sujeito auto-organizado, é necessário tornar um pouco mais clara a complexa trama metafísica a partir da qual a noção de sujeito é construída pela tradição filosófica. Após investigar a distinção entre auto-organização primária e secundária, proposta por Michel Debrum (1997), ela argumenta que a noção de agente pode ser estrategicamente mais útil para os propósitos teóricos da TAO para designar um sistema auto-organizado secundariamente. Tal proposta se justifica na medida em que tal noção enfatiza as potencialidades de interação que caracterizam esse sistema, não propiciando a confusão semântica entre agente e sujeito, este último concebido como entidade desencarnada. Em conclusão, sua proposta é que retomemos, nos estudos da TAO, a noção familiar de sujeito, tão cara ao senso comum, mas tão pouco valorizada pela filosofia clássica.</p> <p>No Capítulo 6 - "Pragmatismo e o Princípio da Continuidade no Cosmos Auto-organizado" Lauro Frederico Barbosa da Silveira apresenta a concepção peirceana do Cosmos. Especial ênfase é dada aos esforços de Peirce na construção de um modelo lógico que leve em conta a noção de auto-organização, no qual a razão possa exercer seu papel criador e observacional. De maneira instigante, Lauro indica como, no modelo peirceano, a razão exercita-se para, através da aquisição de um hábito geral e crescente de conduta, interagir com o universo. Especial atenção é dada ao Princípio da Continuidade, entendido como um pressuposto lógico e ontológico do realismo evolucionário proposto por Peirce.</p> <p>No Capítulo 7 - "Sobre Teorias Físicas da Auto-organização Intencional: uma análise a partir da proposta de Henri Atlan" Ricardo Pereira Tassinari e Márcio Augusto Vicente de Carvalho analisam a questão da elaboração de uma teoria física da auto-organização intencional, a partir da proposta de Henri Atlan (1998) sobre uma "teoria física da intencionalidade". Inicialmente eles apresentam alguns dos pressupostos de Atlan em seu estudo da intencionalidade e discutem o modelo de comportamento intencional por ele proposto com base nos resultados de simulações computacionais de auto-organizações estruturais e funcionais. Nesse modelo, três tipos de auto-organização são enfatizados: auto-organização fraca, auto-organização forte e auto-organização verdadeira. Eles ressaltam que o método adotado por Atlan, para justificar a possibilidade de uma teoria física da intencionalidade, consiste na construção crescente de modelos até a obtenção de modelos capazes de incorporar a intencionalidade. Após uma discussão cuidadosa da proposta de Atlan, os autores argumentam que ela poderia ser considerada mais como uma consequência de uma postura filosófica pessoal do que um esboço de teoria física. Contudo, inspirados na proposta de Atlan, procuram mostrar que a noção de teoria física da auto-organização intencional leva à noção de teoria física auto-organizada da auto-organização intencional, que é discutida no capítulo.</p> <p>No Capítulo 8 - "Auto-organização e Comportamento Comum: opções e problemas" -, Willem Ferdinand Gerardus Haselager analisa aspectos do comportamento comum, no contexto das teorias e modelos desenvolvidos na filosofia da mente e ciência cognitiva. Seu ponto de partida é a análise da concepção filosófica vigente, segundo a qual o conhecimento comum é caracterizado em termos de atitudes proposicionais e representações mentais. Após indicar algumas dificuldades inerentes a essa concepção, em especial no que diz respeito ao conhecido problema áosframes, o autor argumenta em defesa da hipótese segundo a qual o comportamento do senso comum pode ser entendido sem apelo às noções de representação mental, implícitas nos conceitos de crença, planos, julgamentos, entre outros. Como alternativa, Haselager propõe uma abordagem do conhecimento comum orientada principalmente à ação auto-organizada. Essa abordagem constitui uma valiosa contribuição para a Teoria da Cognição Incorparada e Situada, atualmente em desenvolvimento na ciência cognitiva dinâmica.</p> <p>A última seção desta coletânea, que constitui a Parte III, intitulada Auto-organização e as Teorias da Informação e dos Sistemas, trata fundamentalmente de questões conceituais relativas à teoria da informação, à sistêmica e, em particular, à teoria de sistemas dinâmicos. No contexto dos sistemas dinâmicos caóticos e da teoria da informação, é investigado o processo de auto-organização; a partir de uma descrição metafórica da evolução histórica da música é apresentado um estudo do conteúdo informacional de peças musicais; a seguir, hipóteses freudianas sobre a especificidade da percepção em termos informacionais são sugeridas e, finalmente, é proposta uma introdução ao estudo dos sistemas ditos com criticalidade auto-organizada. Os Capítulos 9, 10, 11 e 12 apresentam artigos de Carmen Beatriz Milidoni, Carmen Pimentel Cintra do Prado, Ettore Bresciani Filho, ítala Maria Loffredo D'Ottaviano, Luís Henrique A. Monteiro, Maria Eunice Quilici Gonzalez, Mariana Cláudia Broens e S.M.D. Stump.</p> <p>No Capítulo 9, em "Sistema Dinâmico Caótico e Auto-organização", Ettore Bresciani Filho e ítala Maria Loffredo D’ottaviano apresentam inicialmente conceitos básicos da teoria de sistemas, a sistêmica, conceitos e definições fundamentais da teoria de sistemas lineares, sistemas dinâmicos e sistemas dinâmicos caóticos e conceitos de controle de sistemas. São apresentados alguns exemplos elementares de sistemas dinâmicos, e são discutidos o conceito de auto-organização e características essenciais dos processos auto-organizados. O objetivo central do artigo consiste em estudar o fenômeno da auto-organização no contexto dos sistemas dinâmicos caóticos.</p> <p>No Capítulo 10, Carmen Pimentel Cintra do Prado, em "Uma Introdução ao Conceito de Criticalidade Auto-organizada", tem por objetivo apresentar uma introdução ao estudo da dinâmica de sistemas que podem ser levados a evoluir 'sozinhos' para um estado crítico. Os sistemas com criticalidade auto-organizada apresentam um comportamento emergente comum - o que têm em comum é a maneira como reagem às pequenas perturbações que venham a sofrer. O significado preciso do conceito de criticalidade auto-organizada (SOC, do inglês selforganized criticality), mesmo após mais de 15 anos de trabalho pioneiro publicado em 1987, permanece controvertido. A autora discute algumas características básicas dos sistemas com criticalidade auto-organizada e questiona quais os tipos de sistemas que podem apresentar criticalidade auto-organizada. Descreve, então, dois modelos simplificados - o modelo de pilha de areia ou modelo bak-tang-wisenfeld (BTW), e o modelo Olami-Feder-Christensen (OFC) para a dinâmica dos terremotos -, também conhecidos como "modelos de brinquedo", que pretendem capturar a essência da dinâmica que governa esses sistemas com comportamento emergente conhecido como criticalidade auto-organizada.</p> <p>No Capítulo 11, Carmem Beatriz Milidoni, Maria Eunice Quilici Gonzalez e Mariana Cláudia Broens discutem algumas das ideias da metapsicologia freudiana, à luz de certas conceituações sobre a teoria da informação propostas por Dretske (1986). Em particular, argumentam que é possível recolocar às principais hipóteses freudianas sobre a especificidade da percepção em termos informacionais, no contexto do Projeto de uma Psicologia (Freud, 1895). Nesse texto, Freud caracteriza os processos psíquicos via um sistema neurônico, no interior do qual a percepção adquire uma função significativa. Para tal, esse sistema, em sua totalidade, deve estar comprometido para fazer da percepção uma função signifícante, sempre dependente da história em que se desenvolve esse processo. Nesse contexto, as autoras procuram mostrar que a visão de Freud não estaria longe de certas teorizações contemporâneas desenvolvidas na filosofia da mente, em especial daquelas desenvolvidas por Drestke na obra Knowledge and the Flow of Information, sobre a natureza do conteúdo informacional constitutivo do conhecimento.</p> <p>No Capítulo 12, "Teoria da Informação e Complexidade Musical ou 'como compor uma música de sucesso'", Luís Henrique A. Monteiro e S.M.D. Stump analisam como a linguagem, conceitos e ferramentas da teoria de sistemas dinâmicos se aplicam à descrição metafórica da evolução histórica da música e ao estudo de peças musicais, quando encaradas como uma série formada pelas variações de frequência ou da intensidade do seu sinal acústico em função do tempo. Já que a linguagem e a sintaxe musicais baseiam-se em relações matemáticas de proporcionalidade entre frequências sonoras, consideram os autores que, talvez por isso, a música represente a forma de arte que, devido à sua construção, seja a mais acessível a uma abordagem científica. O objetivo do texto é apresentar um projeto desenvolvido pelos autores, a partir de 1999, que visa quantificar o conteúdo informacional de músicas e relacionar esses valores ao grau de "aceitabilidade" dessas músicas. O conteúdo informacional das músicas foi avaliado usando uma medida de complexidade baseada na teoria da informação. O público-alvo da pesquisa consistiu de um grupo de crianças de 5 a 7 anos, cursando a pré-escola, e o objetivo principal do trabalho foi apresentar um método para quantificar a complexidade musical.</p> <p>Entendemos que os variados caminhos da reflexão interdisciplinar sugeridos por este volume possibilitam ao leitor um campo fértil de investigação científico-filosófica. Como os temas analisados são de natureza essencialmente interdisciplinar, o leitor interessado encontrará nos artigos aqui apresentados enfoques familiares às suas áreas de investigação. Contudo, a prática da reflexão interdisciplinar, ainda em construção nas academias, requer uma atitude criativa e perseverante, que possibilite a interação e integração de perspectivas distintas.</p> <p>Este volume da Coleção CLE constitui um dos resultados do trabalho auto-organizado do saber, que se constrói na prática do "se fazer fazendo", do "caminhar caminhando". Como afirmou Michel Debrun, no final do Prefácio ao primeiro volume de Auto-organização: estudos interdisciplinares, regozijamo-nos de antemão com as controvérsias teóricas que esta coletânea irá suscitar.”</p> <p> </p> <p>Gustavo M. Souza</p> <p>Ítala M. Loffredo D'ottaviano</p> <p>Maria Eunice Q. Gonzales (orgs.)</p> <p> </p> <p>VOLUME 38 – 2004</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p> </p> <p>Primeira Edição, 2004</p> <p> </p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Sistemas auto-organizadores 003.7</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Este livro, dando continuidade aos volumes anteriores, tem como tema central de investigação questões fundamentais sobre a natureza dos processos de auto-organização que se encontram presentes nos vários eventos e atividades que nos constituem e nos cercam. Um dos aspectos inovadores desse livro consiste em que tais investigações são realizadas a partir de uma perspectiva interdisciplinar, que envolve a filosofia, a lógica, a neurociência, a música, a engenharia, a biologia e a psicologia, entre outras.</p> Gustavo M. Souza, Ítala M. Loffredo D'ottaviano, Maria Eunice Q. Gonzales Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/39 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 Lógica https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/40 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“O presente volume da Coleção CLE, Lógica: teoria, aplicações e reflexões, é fruto do trabalho de investigadores brasileiros e alguns estrangeiros, que têm se organizado a partir do Grupo de Trabalho (GT) de Lógica da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF).</p> <p>O GT de Lógica da ANPOF tem se reunido nos "Encontros Nacionais de Filosofia" da ANPOF, e outros eventos sediados no Brasil, desde 1996, e tem como coordenador, a partir de 2000, o professor Walter Alexandre Carnielli.</p> <p>No "X Encontro Nacional de Filosofia" (2002), realizado em São Paulo - SP, promovido pela ANPOF, a partir de sugestão do professor Carnielli, os pesquisadores decidiram que seria oportuna uma publicação contendo parte dos trabalhos discutidos nos diversos eventos dos quais vinham participando.</p> <p>Dentre esses encontros científicos podemos mencionar:</p> <ul> <li>Encontros semanais do "Grupo de Pesquisa em Lógica Teórica e Aplicada" (GLTA) do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da UNICAMP, constituído em 1992, e cadastrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);</li> <li>"XII Encontro Brasileiro de Lógica" (1999), realizado em Itatiaia - RJ e promovido pela Sociedade Brasileira de Lógica (SBL);</li> <li>"First International Symposium Principia" (1999), realizado em Florianópolis - SC e promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGFIL-UFSC);</li> <li>"IX Encontro Nacional de Filosofia" (2000), realizado em Poços de Caldas - MG e promovido pela ANPOF;</li> <li>"Second International Symposium Principia" (2001), realizado em Florianópolis ~ SC e promovido pelo PPGFIL-UFSC;</li> <li>"X Encontro Nacional de Filosofia" (2002), realizado em São Paulo - SP e promovido pela ANPOF.</li> </ul> <p>O professor Frank Thomas Sautter, durante o "X Encontro Nacional de Filosofia", ficou responsável pelos encaminhamentos necessários à produção da publicação. Convidou o professor. Hércules de Araújo Feitosa para a organização conjunta do volume. A professora ítala Maria Lofffedo D'Ottaviano, presente no evento, propôs que a publicação poderia se constituir em um volume da COLEÇÃO CLE, da qual é editora.</p> <p>Ficou estabelecido o final de maio de 2003 como prazo para a submissão dos artigos.</p> <p>Todos os trabalhos encaminhados foram submetidos a rigoroso sistema de avaliação, de acordo com as normas da COLEÇÃO CLE.</p> <p>Os ensaios em lógica teórica e aplicada, e em filosofia da lógica que constam desta coletânea foram todos inicialmente apresentados na forma de comunicação oral e discutidos nos eventos acima mencionados.</p> <p>Os artigos refletem uma variedade de interesses, embora haja alguma preponderância de trabalhos na área das lógicas não-clássicas - a área principal de atuação da Escola Brasileira de Lógica. Isso não é casual, pois muitos dos autores ou são jovens pesquisadores formados por Programas de Pós-Graduação nacionais ou são pesquisadores estrangeiros que colaboram regularmente com os Programas de Pós-Graduação nacionais, além, naturalmente, de alguns de nossos valorosos mestres.</p> <p>Este livro, intitulado Lógica: teoria, aplicações e reflexões, está dividido em três seções, de acordo com a peculiaridade dos trabalhos: Lógica teórica, com quatro artigos, Lógica aplicada com três artigos, e Filosofia da Lógica, com três artigos. A seguir, damos uma ideia geral sobre o conteúdo de cada artigo, dentro de sua seção.”</p> <p> </p> <p>Hércules De A. Feitosa</p> <p>Frank T. Sautter (orgs.)</p> <p> </p> <p>Volume 39 – 2004</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Lógica - Teoria 160.1</li> <li>Lógica simbólica e matemática 511.3</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. O presente volume da Coleção CLE é fruto do trabalho de investigadores organizados a partir do Grupo de Trabalho de Lógica, vinculado à Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF). Os ensaios desta coletânea foram inicialmente apresentados na forma de comunicação oral e discutidos em Encontros Nacionais da ANPOF, em Encontros da Sociedade Brasileira de Lógica, nos Simpósios Internacionais Principia e em Encontros Regulares do Grupo de Pesquisa em Lógica Teórica e Aplicada do CLE.</p> Hércules De A. Feitosa, Frank T. Sautter Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/40 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 Introdução à Teoria da Relatividade com aplicações à Física Nuclear https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/41 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Este livro representa um curso de Introdução à Mecânica Relativística originalmente publicado como um Boletim Didático pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, por mim ministrado na qualidade de Professor Visitante. Pela natureza da publicação, muitos não tiveram acesso.</p> <p>Seguindo recente conselho do Professor Carlos Henrique de Brito Cruz e de outros colegas da Unicamp, me convenci da utilidade desta publicação. Como se trata de uma exposição didática para principiantes da Teoria da Relatividade de um ponto de vista original e inédito, espero que esta publicação satisfaça aos eventuais novos leitores.</p> <p>Agora que a Teoria da Relatividade completa cem anos, algumas pequenas alterações são necessárias. Assim, o caminho histórico da Relatividade a partir de fenômenos ópticos foi abandonado. Escolhemos introduzir a teoria baseados naquilo que denominamos Relação Fundamental da Dinâmica. A estruturação de uma teoria envolve um entrelaçamento de ideias e fatos aparentemente independentes. A Ciência envolve descobertas e invenções que, além de importantes, são necessárias.</p> <p>A exposição se divide em duas partes. A primeira é um desenvolvimento da teoria baseado em novos princípios. A segunda apresenta uma discussão da Dinâmica dos Sistemas. Aqui se discutem dois pontos frequentemente obscuros: 1) os parâmetros dinâmicos dos sistemas, tais como massa de repouso e 2) a exatidão da chamada Relatividade Restrita, ou especial, mesmo em casos onde existe interação.”</p> <p> </p> <p>Newton Bernardes</p> <p> </p> <p>VOLUME 40 – 2005</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 2005</p> <p> </p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <p>Relatividade (Física) 530.11</p> <p>Física nuclear 539</p> <p>Partículas (Física nuclear) 539.721</p> <p>Mecânica clássica 531</p> <p> </p> <p>OBS. Este livro representa um curso de Introdução à Mecânica Relativística ministrado a alunos do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz da Universidade de São Paulo. Hoje, quando a Teoria da Relatividade completa cem anos, optamos por introduzir ligeiras modificações na sua apresentação. Assim, o caminho histórico da Relatividade a partir de fenômenos ópticos foi abandonado.</p> Newton Bernardes Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/41 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 WITTGENSTEIN https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/42 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>"É com satisfação que aqui apresentamos alguns dos resultados do III Colóquio Wittgenstein realizado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e junto ao Departamento de Filosofia e ao Programa de PósGraduação de Filosofia da Unicamp. Pudemos contar, também, com a preciosa colaboração do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência para a publicação deste volume da Coleção CLE.</p> <p>Os trabalhos apresentados no Colóquio foram reformulados por seus autores em função das discussões realizadas com o público e entre os próprios pesquisadores convidados.</p> <p>No primeiro texto, o professor Paulo Margutti Pinto apresentanos sua concepção de sujeito transcendental no Tractatus e defende a tese da permanência de uma atitude ético-religiosa durante toda a vida de Wittgenstein e sempre presente em seu pensamento filosófico - mesmo na fase posterior ao Tractatus, apesar das profundas mudanças na concepção de linguagem que separam este livro do das Investigações Filosóficas.</p> <p>No segundo texto, o professor Darlei Dall’Agnol analisa o debate entre comentadores de Wittgenstein a respeito de sua suposta atitude cognitivista após o Tractatus, rompendo assim com sua posição da juventude, ou, pelo contrário, se persistiria sendo, como na juventude, nãocognitivista durante a fase madura. A discussão toma como ponto centrai a ideia de seguir uma regra - tema longamente analisado por Wittgenstein. O autor toma partido entre o cognitivismo e o não-cognitivismo rejeitando estas duas interpretações — além de responder a objeções feitas por Margutti durante o Colóquio.</p> <p>No terceiro texto, o professor Eduardo Gomes de Siqueira apresenta o esboço de um projeto do que seria uma gramática dos sons conforme Wittgenstein, partindo da analogia entre a auto-terapia do modelo agostiniano de linguagem e uma, fortemente sugerida, auto-terapia de um modelo agostiniano da música. Para isso, o autor toma por base frequentes afirmações de Wittgenstein a respeito da música expressionista como bastando-se a si-própria — assim como de aproximações que frequentemente sugere entre estética e ética, o que também daria a uma gramática dos sons uma dimensão ética.</p> <p>No quarto texto, a professora Silvia Faustino faz uma comparação entre o primeiro livro de Wittgenstein, o Tractatus e o seu último escrito, <em>Sobre a Certeza</em>, A comparação se apoia na metáfora heraclitiana usada pelo filósofo nesse último escrito, que é a do leito do rio dos pensamentos. A autora procura mostrar que nos dois textos Wittgenstein deixa indeterminados a forma e o conteúdo daquilo que, de acordo com cada época de sua evolução intelectual, seria o fundamento do conhecimento, a saber, as proposições elementares e as proposições gramaticais. Esta atitude de Wittgenstein revelaria, segundo a autora, a visão ética do uso da linguagem por parte do filósofo.</p> <p>No quinto texto, o professor Guido Imaguirre apresenta uma discussão a respeito de duas concepções de matemática, o platonismo e o nominalismo, face às ideias filosóficas de Wittgenstein tanto sobre a matemática quanto, e, sobretudo, a respeito da linguagem. O autor aponta para uma solução bem típica do estilo terapêutico do filósofo, que consiste em negar as duas posições apresentando o que ele considera ser a dissolução da antagonia — neste caso, e mais uma vez, é o uso que irá servir como terapia: o uso das proposições matemáticas como normas é que fornece a elas o caráter normativo com que se apresentam para nós.</p> <p>No sexto texto, o professor Arley R.Moreno apresenta alguns comentários a respeito das relações entre lógica, linguagem e pragmática a partir da oposição entre sentidos conceituais exatos e sentidos conceituais vagos. Esta discussão coloca em confronto a concepção logicista que correlaciona, por um lado, a presença de limites e exatidão do sentido e, por outro lado, ausência de limites e imprecisão do sentido — extraindo daí a consequência de que um conceito impreciso não possui limites - e a terapia que dela faz Wittgenstein a partir do final dos anos 20. Embora historicamente datada, esta concepção é exemplar de uma atitude comum na área de filosofia da lógica - além de também sê-lo, está claro, na área de filosofia da linguagem. A terapia de Wittgenstein serve ao autor como base para apresentar este caso como exemplo."</p> <p> </p> <p>ARLEYR. MORENO (org.)</p> <p> </p> <p>VOLUME 43 – 2006</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147 Primeira Edição, 2006</p> <p> </p> <p>índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Filosofia austríaca 193</li> <li>Ética 170</li> <li>Estética (Filosofia) 111.85</li> <li>Epistemologia 121</li> </ol> <p> </p> <p> </p> <p>OBS. O presente volume da Coleção CLE reúne os trabalhos apresentados e debatidos no III Colóquio Wittgenstein – Perspectivas, organizado pelo IFCH\Unicamp e ocorrido nos dias 29 e 30 de setembro de 2005. Os textos aqui apresentados são de autoria de Paulo Roberto Margutti Pinto, Darlei Dall’Agnol, Eduardo Gomes de Siqueira, Sílvia Faustino, Guido Imaguire e Arley Ramos Moreno.</p> Arley R Moreno Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/42 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 Filosofia da Mente e Inteligência Artificial https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/43 <p>“Este livro foi publicado pela primeira vez há dez anos. Seu objetivo continuou sendo o mesmo: reunir um conjunto de ensaios num único volume, a maior parte deles publicados em revistas especializadas de difícil acesso até mesmo para leitores académicos.</p> <p>Quero aproveitar a ocasião para agradecer a gentileza dos editores da revista <em>Manuscrito</em> que cederam os direitos de reprodução dos artigos "A máquina de Enxergar" (volume XIV, número 2) e "O Físico e o Mental: Inteligência Artificial e o Problema Mente-Cérebro" (volume XV, número 2). Agradeço também aos Cadernos de História e Filosofia da Ciência e Transformação pela autorização para republicar os artigos "Inteligência Artificial e Caça aos Andróides" (série 3, volume 4) e "Robots, Intencionalidade e Inteligência Artificial (volume 14), respectivamente.</p> <p>Nesta segunda edição preservei os textos sem modificá-los. Não o faço, contudo, ignorando que o cenário da ciência cognitiva e da inteligência artificial tenha mudado radicalmente nesta última década. Nela pudemos assistir à falência do modelo simbólico da inteligência artificial (a GOFAI ou Good and Old Fashioned Artificial Intelligence como dizia John Haugeland) e do conexionismo. Ao mesmo tempo presenciamos o surgimento das ideias de cognição situada e da robótica evolucionária.</p> <p>O terceiro ensaio desta coletânea, o principal deles, "Autolocomoção e Intencionalidade" (cujos delineamentos também se encontram em artigo publicado em 1993, na coletânea Epistemologia e Cognição, organizada pelo Prof. Paulo Abrantes e ora esgotada) preconizava estas mudanças em 1996. Ele continua sendo a tese central deste livro, a despeito do fato de que quando a apresentei para obter um doutorado na Universidade de Essex, na Inglaterra, ter sido recebida com muita resistência por parte da comunidade científica. Um evento normal, típico do conservadorismo académico, e que viria mais uma vez confirmar que Kuhn estava certo ao afirmar que a ciência precisa de dogmas provisórios para impulsionar sua própria história. Como no filme 1492 —A Conquista do Paraíso de Ridley Scott, o que era inaceitável ontem se torna ortodoxia hoje. Essa é a história da ciência e da academia. E foi dessa forma que passamos a aceitar que a terra é redonda.</p> <p>Após a década do cérebro, a ciência da cognição — ou o que restou dela — concentra quase todas suas apostas na neurociência cognitiva e na robótica. Abandonamos a ingenuidade filosófica que permeava as antigas teorias do conhecimento identificado como representação e ingressamos na era na qual este recebe uma visão e um tratamento mais dinâmicos, sendo concebido como resultado da interação de agentes situados em seu meio ambiente e em seu entorno social. Marcos dessa mudança histórica foram os esparsos trabalhos teóricos de Rodney Brooks, sobre a nova robótica por ele desenvolvida no MIT; os textos dos defensores da cognição como enação, e outros pequenos eventos que vieram a culminar na publicação do número especial do <em>Journal of Consciousness Studies</em> de 1999, intitulado <em>Reclaiming Cognition</em>. liLsx.es marcos históricos pontuaram a tentativa de refazer paradigmas, convergindo na necessidade de, cada vez mais, relacionar cognição com atividades motoras.</p> <p>A ciência não progride apenas através das revistas especializadas, como me disse uma vez um eminente professor da UNICAMP citando o filósofo da ciência Stephen Toulmin. A reflexão filosófica e a análise conceitual continuam e continuarão a ter destaque e importância ao longo dessa aventura que é a história da ciência por curta que ela seja, como é o caso da ciência cognitiva. À filosofia tem faltado, contudo, a modéstia que permitiria resgatar uma de suas mais importantes vocações: aliar-se à ciência, numa luta conjunta em direção a aliviar o sofrimento humano. Constituir-se como uma epistemologia projetiva era a tarefa primordial da filosofia na época em que surgiu a ciência moderna, tarefa esta hoje em dia quase esquecida.</p> <p>Da filosofia não podemos cobrar a utilidade que a tecnociência nos proporciona peias suas descobertas e invenções, algumas delas tão redentoras como o foi o fogão a gás para as mulheres, muito mais significativo e importante do que a obrigatoriedade do voto. Mas podemos — e devemos — rejeitar que a refinaria conceituai da filosofia torne-se tarefa fútil; devendo para isto traçar uma rota de fuga para não se tornar perversão da razão ou proeminência mórbida da linguagem. Creio, com este livro, ter dado uma pequena contribuição para evitar esses deslizes e contribuir com a árdua tarefa da ciência num país onde ser positivista é mais um quesito de cidadania do que propriamente uma escolha filosófica.”</p> <p>&nbsp;</p> <p>João de Fernandes Teixeira</p> <p>&nbsp;</p> <p>VOLUME 44 – 2006 (2ª Ed.)</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1996</p> <p>&nbsp;</p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Inteligência artificial 001.535</li> <li>Mente - Filosofia 128.2</li> </ol> <p>&nbsp;</p> <p>OBS. O aparecimento da Ciência Cognitiva e da Inteligência Artificial, nas últimas décadas, tem trazido uma constante inquietação para os filósofos da mente que têm questionado, incessantemente, a possibilidade de sistemas artificiais replicarem a vida mental humana. Neste livro, o autor aborda um dos aspectos centrais deste problema, investigando a natureza das representações mentais.</p> João de Fernandes Teixeira Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/43 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 Mario Tourasse Teixeira https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/44 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“O livro que se apresenta é um dos resultados de um projeto de pesquisa que vem sendo desenvolvido há cerca de 10 anos junto ao Grupo de Pesquisa em História da Matemática, vinculado ao Departamento de Matemática e ao Programa de Pós-graduação em Educação Matemática da UNESP - campus de Rio Claro. No sentido de resgatar e escrever a história da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Rio Claro, fundada em 1958, foram realizados subprojetos de pesquisa que serviram de subsídios para a realização deste trabalho realizado por Romélia Mara Alves Souto, intitulado Mário Tourasse Teixeira: o Homem, o Educador, o Matemático, defendido em 2006 como requisito para obtenção do título de doutor junto ao Programa de Pós-graduação acima mencionado. Os trabalhos que antecederam e que abriram caminho para a realização deste foram: 1999 - A História da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro e suas Contribuições para o Movimento de Educação Matemáticas 2002 — O Movimento do S.A.P. O. — Serviço Ativador em Pedagogia e Orientação — e algumas de suas contribuições para a Educação Matemática, ambas dissertações de mestrados realizadas respectivamente por Suzeli Mauro e Nádia Regina Baccan, sob minha orientação. O acervo deixado pelo Prof. Mário Tourasse Teixeira serviu de material de consulta para esses três trabalhos académicos, principalmente para os de Nádia e Romélia. Esse acervo encontra-se no Departamento de Matemática da UNESP - campus de Rio Claro, sob responsabilidade do Prof. Irineu Bicudo.</p> <p>Esse projeto de pesquisa desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em História da Matemática é parte integrante do movimento que está sendo implementado pela comunidade brasileira de Historiadores da Matemática, cujo objetivo é fortalecer a investigação científico/académica da Historiografia da Matemática no Brasil. Este movimento iniciou-se de forma institucionalizada na última década. Embora consideremos as importantes contribuições para a escrita da História da Matemática no Brasil que foram feitas em períodos anteriores, como, por exemplo, o capítulo A Matemática no Brasil escrito por Francisco Mendes de Oliveira Castro, presente no livro As Ciências no Brasil, organizado por Fernando de Azevedo e publicado na década de 50 do século XX, ou então as informações históricas contidas em verbetes matemáticos na Enciclopédia Mirador escritas por especialistas na área apresentada no verbete, há que se destacar que essas contribuições foram feitas por cientistas cujo objeto de pesquisa eram outros e não a História da Matemática. Foi na década de 90 que se deu o início da "profissionalização" da pesquisa em História da Matemática. O crescimento do movimento científico voltado a pesquisas em História da Matemática é constatado em artigos publicados na Revista Brasileira de História da Matemática, periódico científico da Sociedade Brasileira de História da Matemática, e nos Anais dos Seminários Nacionais de História da Matemática (SNHM), que no ano de 2007 teve realizada a sua 7 a edição. Porém, a pesquisa específica sobre temas que envolvem a História da Matemática no Brasil ainda é muito tímida, mas a tendência de crescimento é evidente e a apresentação de trabalhos referentes a este tema durante a realização dos SNHM comprova isso. Em se tratando de biografias, um dos subitens que fazem parte da História da Matemática, a investigação científica relativa aos principais personagens do movimento matemático brasileiro desenvolve-se graças ao empenho individual de alguns poucos historiadores da matemática nacionais. Embora possamos dizer que existem alguns resultados significativos, há que se considerar que o montante das pesquisas realizadas ainda está muito aquém do desejado por nossas necessidades. O movimento historiográfico da matemática brasileiro carece de ampliar este ramo de pesquisa. Faz-se necessário a criação de um canal científico de respeito que forneça informações confiáveis sobre a vida e a obra dos principais matemáticos brasileiros. Não podemos nos manter na informalidade em relação a este tema, pois, muitas vezes, quando necessitamos de informações detalhadas a respeito de algum matemático brasileiro que se destacou em sua área de atuação não temos onde buscar.</p> <p>O resultado da dissertação de doutorado de Romélia Mara Alves Souto, que se transformou no livro Mário Tourasse Teixeira: o Homem, o Educador, o Matemático, veio para fortalecer este movimento histórico/biográfico brasileiro, movimento este carente de novos títulos. A autora, aproveitando sua sensibilidade investigativa, transformou as informações oriundas de diferentes fontes, tanto a partir de entrevistas concedidas por pessoas que conviveram com o Prof. Mário ou de suas incursões em seu acervo, neste texto que é um verdadeiro romance biográfico. Nas entrevistas, Romélia ouviu sobre a forma singela de viver deste personagem, no manuseio em seus "cadernos tipo brochura" - caderninhos tão conhecidos por todos aqueles que mantiveram contato com ele - ela aglutinou informações sobre sua vida pessoal, como matemático e como educador.</p> <p>Antes de atribuir a um aluno o projeto de investigação científica sobre a vida do Prof. Mário, tinha em mente que seria melhor se a pessoa responsável não tivesse convivido com ele. Isso poderia acarretar em distorções no manuseio das informações, pois, uma figura tão carismática como ele o foi, o convívio anterior certamente exerceria fortes influências que poderiam descaracterizar o trabalho científico. Mas também sabia que deveria ser uma pessoa com sensibilidade aguçada que pudesse captar, discernir e trabalhar as informações de forma profissional. E Romélia, que não conheceu Mário Tourasse Teixeira em vida, captou seus fluidos, certamente contando com a ajuda de seu espírito - presente no Departamento de Matemática da Unesp/Rio Claro - e escreveu esta maravilhosa obra, digna de ser lida por todos aqueles que acreditam na existência de pessoas transcendentes.”</p> <p> </p> <p>Romélia Mara Alves Souto</p> <p>Volume 48, 2007</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Matemáticos - Biografia</li> <li>Matemática - História - Brasil 310.924 510.981</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. A história contada neste volume trata da vida e da obra do Prof. Mario Tourasse Teixeira (1925- 1993), apresentando-o como incentivador da atividade matemática e como precursor do movimento de Educação Matemática que teve origem em Rio Claro, nos anos 1970. A partir das compreensões e explicações alcançadas após inúmeras visitas, seguidas sempre de minuciosos interrogatórios, aos mais diversos testemunhos, apresentamos ao leitor uma biografia com base no desvelamento das faces do homem, do educador e do matemático Mario Tourasse Teixeira.</p> Romélia Mara Alves Souto Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/44 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 Alguns aspectos do pensamento formal https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/45 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Esta publicação se insere no conjunto de homenagens, já prestadas ao professor Granger, que foram iniciadas com a publicação de um número especial da Revista Internacional de Filosofia Manuscrito, vol. X, n. 2, outubro de 1987, CLE, UNICAMP, sob a iniciativa e responsabilidade do professor Marcelo Dascal.</p> <p>Da primeira vez, prestou-se homenagem a partir de dois acontcimentos que marcavam, na época, a carreira de Granger, a saber, sua admissão no Collège de France e a tradução para a língua inglesa do seu já clássico Penséef ormelle et sciences de l’homme.</p> <p>A segunda homenagem realizou-se por ocasião da publicação de seu livro Pour une connaissance philosophique, através de uma coletânea de artigos organizados em um livro, sob a responsabilidade das professoras Joélle Proust e Elisabeth Schwartz, editado com o título La connaissance philosophique — Essais sur Voeuvre de Gilles-Gaston Granger, pela PUF, Paris, em 1995.</p> <p>Agora, foi a vez desta nossa publicação, que presta uma terceira homenagem ao professor Granger, em atenção ao conjunto de livros publicados após sua integração ao Collège, no início da década de 80, publicações que vêm completar conceitualmente sua importante obra.</p> <p>Para esta homenagem, convidamos alguns dos antigos alunos, que se tornaram colegas e que permanecem amigos de Granger, para participarem do colóquio que organizamos, no mês de setembro de 2007, na UNICAMP, IFCH, em colaboração com o Departamento de Filosofia/Programa de Pós-Graduação e o CLE - mas, como é natural, nem todos puderam comparecer. Ficam aqui, de qualquer maneira, nossos melhores agradecimentos aos que vieram, e não menos aos que gostariam de ter podido vir.</p> <p>A este nosso colóquio brasileiro, seguiu-se um outro, em versão francesa, no mês de janeiro de 2008, com o título Journnées en hommage à Gilles-Gaston Granger, na École Normale Supérieure e na Maison des Sciences de THomme de Paris-St.Denis, organizado sob a responsabilidade dos professores Antónia Soulez, Antoine Ruscio e minha própria.</p> <p>Seria importante lembrar que o professor Granger fez parte da missão cultural francesa que esteve no Brasil nos anos 50, ocasião em que participou também da implantação do departamento de filosofia na USP — quando teve como alunos, dentre outros, os professores José Arthur Giannotti e Marcelo Dascal — convidados para nosso colóquio brasileiro. Foi esse o início de longa e fecunda colaboração de Granger para os estudos filosóficos no Brasil, colaboração que se estendeu sob a forma de trabalhos de orientação com colegas brasileiros.</p> <p>A obra de Granger é extensa e particularmente rica na área da epistemologia das ciências, em especial na epistemologia das ciências humanas. Todavia, por sua profundidade e lucidez, vai muito além desta área da filosofia, ao tratar de questões mais amplas e gerais da tradição filosófica ocidental, desde os antigos gregos, como Euclides, Platão e Aristóteles, até os grandes filósofos contemporâneos, como Carnap e Wittgenstein.</p> <p>Como vemos, sua preocupação e interesse voltaram-se sempre para as questões atuais da filosofia, e o recurso à história da filosofia nunca foi normativo e nem exegético, ou melhor, de procurar em autores do passado regras prescritivas para o presente, através de análises de textos e de obras - ainda quando dedicou um livro, exclusivamente, à análise e comentário de Aristóteles. Pelo contrário, seu interesse sempre foi usar as questões do presente como teste para julgar sobre a atualidade dos autores do passado e daí tirar as boas lições do passado para o presente. Graças a esta atitude não dogmática para com o presente e respeitosa para com o passado, e graças à aplicação de seu método de epistemologia comparada, Granger conseguiu elaborar conceitos de importância e aplicação atuais — como, p.ex., o conceito de conteúdo formal, no qual se ouvem ecos da voz do Estagirita pela originalidade do epistemólogo contemporâneo.</p> <p>A obra de Granger é um exemplo de frutífera harmonia entre o trabalho do historiador minucioso e o do epistemólogo criador, conjugados na pessoa do filósofo original.</p> <p>Esperamos que esta publicação venha a ser fonte de inspiração para novas reflexões do leitor.”</p> <p> </p> <p>Arley Ramos Moreno (org.)</p> <p>VOLUME 50 – 2008</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>índice para catálogo Sistemático</p> <ol> <li>Epistemologia</li> <li>Linguagem - Filosofia</li> <li>Filosofia francesa 121 401 194</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. O presente volume da Coleção CLE reúne trabalhos apresentados e debatidos no Colóquio em Homenagem a GillesGaston Granger organizado pelo IFCH/Unicamp e ocorrido de 18 a 21 de setembro de 2007. Os textos aqui apresentados são de autoria de José Arthur Giannotti, Joële Proust, Antoine Ruscio, Luiz Flores Hernández e Arley Ramos Moreno.</p> Arley Ramos Moreno Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/45 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 Auto-Organização https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/46 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“O presente volume de Auto-organização: estudos interdisciplinares reúne trabalhos apresentados nos Seminários do Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização da UNICAMP durante o período de 2004 a 2008. Esse grupo foi criado em 1986, pelo Professor Michel Debrun, que o coordenou até o seu falecimento, em 1997, tendo sido desde então coordenado pela professora ítala M. Loffredo D'Ottaviano. Três volumes já foram publicados pelo grupo: o volume 18 da Coleção CLE, organizado por Michel Debrun, Maria Eunice Q. Gonzalez e Osvaldo Pessoa Jr.; o volume 30 da Coleção CLE, organizado por ítala M. Loffredo D’Ottaviano e Maria Eunice Q. Gonzalez; e o volume 38 da Coleção CLE, organizado por Gustavo M. Souza, ítala M. Loffredo D'Ottaviano e Maria Eunice Q. Gonzalez.</p> <p>Esta coletânea, dando continuidade aos volumes anteriores, tem como tema central de investigação questões fundamentais sobre a natureza dos processos de auto-organização presentes em sistemas naturais e artificiais. Esses processos, que possuem a capacidade de gerar e manter, por si próprios, as condições de sua organização, são analisados a partir de várias áreas do saber. Um dos aspectos inovadores da obra, resultante desse trabalho coletivo, consiste em que tais investigações são realizadas em uma perspectiva interdisciplinar acessível, em geral, ao leitor não especializado. Nessa perspectiva, os dez capítulos que compreendem esta obra estão organizados em duas partes, que podem ser lidas de modo independente: I) Auto-organização nas Ciências Exatas e Naturais e II) Auto-organização nas Ciências da Vida.</p> <p>A primeira parte reúne textos sobre Auto-organização nas Ciências Exatas e Naturais, iniciando com o Capítulo 1, Conceitos Básicos de Sistema Dinâmico e Térmico, elaborado por Ettore Bresciani Filho, ítala M. Loffredo D'Ottaviano e Luiz Fernando Milanez. Os autores apresentam e discutem aspectos (noções, conceitos e definições) fundamentais dos Sistemas Dinâmicos e Térmicos, inclusive as Leis da Termodinâmica, com o objetivo de estudar o fenômeno de auto-organização nos processos que fazem parte desses sistemas. Inicialmente são apresentados noções e conceitos fundamentais da teoria dos sistemas, particularmente dos sistemas dinâmicos, necessários à compreensão dos sistemas termodinâmicos. Ao final do texto, os autores apresentam uma síntese relacionando os conceitos de entropia, organização, desorganização e auto-organização para a construção de uma base conceituai que possibilite o estudo de sistemas auto-organizados de natureza física.</p> <p>No Capítulo 2, a relação entre Auto-organização e Informação é discutida por Maria Luísa Bissoto em: Das (Im)possibilidades da Relação Informação-Auto-organização: uma perspectiva de análise. O objetivo central do capítulo é analisar a definição e as características chave do processo de auto-organização, principalmente no que se refere à informação, como propostas por M. Debrun. A autora compara metodologicamente tais características no contexto de influentes modelos teóricos de compreensão da informação, a saber; o modelo representacional, o modelo emissor-canal-receptor, o modelo de informação entendido como viés de influência transformadora de um sistema e o modelo de informação como redução da incerteza. Partindo da noção de informação, historicamente empregada para designar que algo - um indivíduo, um processo ou um sistema - está em formação, ela considera como essa característica se reveste de importância nas teorizações a respeito do conceito de auto-organização, bem como as relações estabelecidas entre este conceito e aquele de informação. Após análise crítica das bases dos conceitos de informação existentes, e entendendo que um sistema para ser considerado auto organizativo deve ser capaz de gerar e manter por si as condições de sua organização, Maria Luísa sugere que informação deve ser concebida como emergente do próprio processo auto organizativo. No mesmo viés proposto por H. Haken, ela argumenta que informação, antes do que coisa, é um estado atrator que colabora para a ordenação dos recursos do sistema, impulsionando-o a transitar entre diferentes estados ou fases, modificando seus níveis de complexidade organizacional, ao mesmo tempo em que se mantém coeso.</p> <p>Ricardo Pereira Tassinari discute, no Capítulo 3 - Sobre a Realidade-Totalidade como Saber Vivo e a Auto-Organização do Espaço Físico - o conceito de Realidade, considerada como Totalidade, que busca ser consoante com o desenvolvimento contínuo da Ciência contemporânea e com a possibilidade permanente de construção de modelos; argumentando a favor da hipótese de que, segundo esse conceito, a Realidade enquanto Totalidade pode ser concebida como Saber vivo e ativo, Ideia se auto expondo a nós por um processo auto-organizado, do qual faz parte nosso próprio processo de conhecimento a seu respeito. O autor procura mostrar como essa hipótese surge, de forma natural, a partir de reflexões a respeito da constituição do conhecimento científico, fornecendo elementos que possibilitam estruturar e coordenar os diversos conteúdos e métodos científicos. A noção de espaço físico utilizada por Tassinari é considerada tanto a partir de sua sociogênese, segundo o desenvolvimento da Física (em particular, das Relatividades Restrita e Geral), quanto a partir de sua psicogênese, segundo dados da Psicologia Genética e da Epistemologia Genética. A sua conclusão provisória é que o próprio Espaço e a noção de permanência dos objetos, a partir dos quais situamos o que chamamos de objetos físicos e suas propriedades, são construídos de forma auto-organizada. No texto, o Princípio da Idealidade está subjacente ao que o autor designa com o signo Espaço Físico e sua constituição auto-organizada, como, também, à própria noção de objeto permanente e sua constituição auto-organizada, que será a base para outras noções de conservação (como, por exemplo, da quantidade de massa ou, ainda, de energia) e de identidade.</p> <p>No Capítulo 4, Lauro Frederico Barbosa da Silveira apresenta em O Desenvolvimento do Conceito de Tempo na Filosofia de Charles Sanders Peirce uma instigante análise sobre a natureza do tempo no pensamento do filósofo pragmatista, percorrendo uma série de textos escritos desde 1860 até os últimos anos de sua produção teórica em 1908. Ele argumenta que o estudo sobre a formação e o desenvolvimento do conceito de tempo é fundamental para a compreensão do pensamento de Peirce, pois reúne vários componentes que ilustram a inseparável união entre ciência e filosofia visando a conduta humana e o processo evolutivo do universo, dois marcos fundamentais na sua concepção realista de ciência. Respeitando a ordem cronológica dos textos disponíveis, o autor procura ressaltar a evolução da problemática da natureza do tempo ao longo da trajetória do pensamento de Peirce, apresentando questões, bem como o tratamento a elas oferecido, que parecem caracterizar cada uma dessas etapas. A originalidade e a profundidade da reflexão Peirceana sobre o conceito de tempo são ressaltadas neste capítulo, convidando o leitor a compartilhar a clareza de uma investigação extremamente lúcida a respeito do processo evolutivo do cosmos.</p> <p>A Parte I finaliza com o Capítulo 5, O Papel das Relações Informacíonais na Auto-organização Secundária. Nesse capítulo, Alfredo Pereira Júnior e M. Eunice Quilici Gonzalez analisam os princípios que caracterizam a dinâmica temporal na geração de relações de dependência mútua entre os componentes de um sistema durante o processo de auto-organização secundária. Essas relações são denominadas pelos autores de relações informacionais. Tais relações permitem uma variedade de ajustes entre os componentes de sistemas formados, originalmente, nos processos de auto-organização primária. Os autores argumentam que tal dinâmica se expressa em termos de processos não-lineares de três tipos: cooperativos, estacionários e conflituosos, a partir dos quais emergem novos padrões organizacionais. São caracterizadas quatro modalidades de informação relevantes no processo de auto-organização secundária: a) a informação estrutural; b) a informação ambiental; c) a informação contextual, e d) a informação antecipatória.</p> <p>A Parte II, Auto-organização nas Ciências da Vida, reúne cinco capítulos. No capítulo 6, Auto-organização e Ação: uma abordagem sistêmica da ação comum, Mariana Claudia Broens discute o alcance das explicações mecanicistas e reducionistas dos processos complexos observados em sistemas cognitivos biologicamente situados e incorporados, defendendo uma abordagem sistêmica, não redutiva, de fenômenos auto-organizados. Segundo a autora, o estudo da natureza da ação dos organismos (e de noções a ela relacionadas, como as de autonomia, intencionalidade e responsabilidade) não pode ser satisfatoriamente realizado a partir de teses comprometidas com a ontologia dualista e tampouco com os primados do fisicalismo mecanicista. Mariana argumenta que a abordagem sistêmica dos padrões de ação tem a virtude de situar tais padrões em um contexto teórico diverso daquele proposto pelo mecanicismo clássico; tal abordagem possibilita um enfoque fisicalista não redutivo, que leva em conta a dimensão qualitativa própria dos organismos. Exemplos são fornecidos, ilustrando a possibilidade de se, entender certos fenômenos da vida como emergentes como sendo propriedades do sistema irredutíveis aos elementos que o constituem. Sua hipótese central é a de que o reconhecimento dos padrões de ação dos organismos, quando realizado a partir de uma perspectiva que leve em conta a auto-organização, permite que aprofundemos a compreensão das ações intencionais e de suas diversas implicações, inclusive nos contextos sociais e legais.</p> <p>No Capítulo 7, Auto-organização e Autonomia, Wíllem Ferdinand Gerardus Haselager e Maria Eunice Q. Gonzalez discutem o conceito de autonomia na perspectiva da teoria da auto-organização (TAO) e da teoria dos sistemas dinâmicos (TSD), argumentando em defesa da hipótese que a compreensão das teses centrais da TAO e da TSD pode nos ajudar no entendimento da noção de autonomia na era da globalização. Segundo os autores, com a experiência da globalização, vivida atualmente na maioria das sociedades, os estudos sobre autonomia focalizam as ações humanas, e os valores a elas associados, que envolvem a capacidade de autotransformação. De acordo com essa perspectiva, a sociedade pode ser entendida como um complexo sistema dinâmico, possuidor de princípios próprios, auto organizadores, que governam o seu desenvolvimento em múltiplas dimensões. Uma hipótese central dos autores é que os processos auto-organizadores, presentes na criação de hábitos individuais ou coletivos, são fundamentais para a definição da autonomia dos sistemas. No caso de sistemas complexos, como aqueles que reúnem os hábitos coletivos da sociedade humana, a mudança de uma ordem global estabelecida não é sempre dependente de causas evidentes e preestabelecidas. Não existe uma receita para a transformação da ordem global desse tipo de sistema, justamente porque os fatores complexos, relevantes para a sua alteração, estão muitas vezes ocultos. Contudo, os autores ressaltam que o comportamento efetivo das pessoas constitui um fator importante para o desencadeamento de mudanças: são as ações de certos indivíduos, como por exemplo, as de Gandhi ou Mandela que influenciam e algumas vezes transformam radicalmente mentalidades e situações no mundo.</p> <p>No Capítulo 8, A Filosofia diante da Ciência Contemporânea, Carmem Beatriz Milidoni discute os limites entre ciência e filosofia partindo de uma perspectiva histórica, alcançando a contemporaneidade do Paradigma da Complexidade. Nesse contexto atual, a autora observa que há uma maior aproximação entre o pensamento científico e o pensamento filosófico. Mas, essa aproximação se daria mais em um plano formal do olhar metodológico, pois, como considera, não cabe à Filosofia utilizar-se de metodologias para validar questões empíricas, o que seria próprio das ciências. Sendo assim, poder-se-ia considerar que a significativa aproximação a ser conquistada entre Ciência e Filosofia diria respeito principalmente a uma questão de atitude envolvendo o olhar da complexidade. Segundo Milidoni, isto aconteceria, sobretudo, pela seguinte razão: Pode ser que o pensamento complexo, que hoje germina na atividade científica, se tome um ideal a ser cultivado, se não por todas as vertentes filosóficas, pelo menos por aquelas que pretendem ter visões mais totalizantes da realidade.</p> <p>No Capítulo 9, Restrição e Desrestriçâo na Evolução Multicelular: polimorfismos proteicos em redes metabólicas, Romeu Cardoso Guimarães discute a evolução multicelular de seres vivos na perspectiva da auto-organização, supostamente presente no metabolismo biológico. Segundo propõe o autor, redes metabólicas biológicas são totalidades integradas, arquiteturais e materiais, que somente podem ser fundidas e mescladas quando muito simples. Com o aumento da complexidade, as redes não se fundem, exigindo a anisogametia (formação de gametas desiguais entre si) e o desenvolvimento consequente da dominância materna e do custo reprodutivo imposto às populações que albergam os machos micro gaméticos. A partir do estudo de polimorfismos proteicos (diferentes formas estruturais da mesma proteína), ao longo da evolução, alguns padrões podem ser destacados. Nos organismos multicelulares, os níveis globais de polimorfismos decrescem de plantas para invertebrados e vertebrados nas proporções de, respectivamente, 3: 2: 1. Essas taxas decrescentes são paralelas aos graus crescentes de complexidade orgânica descrita, entre outros parâmetros, pelos números de tipos celulares e pelos planos corporais. O autor ressalta que a organização em redes requer especificidade estrita em muitas interações, introduzindo restrições e intolerância à variabilidade dos componentes. No texto são apresentados e discutidos vários exemplos de restrições a polimorfismos e os mecanismos de desrestrição evoluídos em diferentes grupos de organismos multicelulares.</p> <p>A Parte II finaliza com o Capítulo 10 - A Cognição como um Processo Auto-organizado e Autorreferente em Sistemas Complexos Adaptativos - elaborado por Daniel Santa Cruz Damineli e Gustavo Maia Souza. Os autores supõem que na base dos processos de interação de sistemas biológicos com seu ambiente está uma rede auto-organizada hierarquizada que permite, a partir de formação de esquemas internos nessa rede, um processo adaptativo de evolução sistema-ambiente. Nesse contexto, eles argumentam que a cognição pode ser caracterizada como um processo autorreferido, já que a partir da interação dos elementos de uma rede surge um comportamento cuja influência no meio altera a modulação dos padrões de interação entre os elementos: uma propriedade auto-organizada que emerge da modulação e desenvolvimento das redes de um sistema. Tal sistema, por sua vez, seria capaz de alterar o padrão de relações entre elementos de suas redes constituintes em função de suas relações com o ambiente. Ao final, os autores lançam a discussão sobre o cérebro, concebido como um sistema de redes especializadas em representar as suas relações com o meio. No caso do ser humano, por exemplo, a consciência poderia ser entendida como um processo autorreferido do processo cognitivo? Isto é, a possibilidade de representar o funcionamento da própria rede representacional? Uma "cognição da cognição"?</p> <p>As várias perspectivas apresentadas nesta coletânea sobre a temática da auto-organização na filosofia e nas ciências ilustram mais uma etapa da pesquisa interdisciplinar dos autores que, conquanto almejem oferecer um tratamento rigoroso do tema, reconhecem o longo caminho ainda a percorrer na compreensão de um tema tão complexo. Fica aqui um convite para o desenvolvimento do caminho até aqui percorrido.”</p> <p> </p> <p>ETTORE BRESCIANI FILHO</p> <p>ÍTALA M. LOFFREDO D'OTTAVIANO</p> <p>MARIA EUNICE Q. GONZALEZ</p> <p>GUSTAVO MAIA SOUZA (orgs.)</p> <p> </p> <p>Volume 52 – 2008</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Sistemas auto-organizadores 003.7</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. O presente volume de Auto-organização: estudos interdisciplinares reúne trabalhos apresentados nos Seminários do Grupo Interdisciplinar CLE Auto-organização da UNICAMP durante o período de 2004 a 2008 e corresponde ao quarto volume sobre o tema. Aqui são apresentadas questões fundamentais sobre a natureza dos processos de autoorganização que se encontram nos vários eventos e atividade que nos constituem e nos cercam.</p> Ettore Bresciani Filho, Ítala M. Loffredo D'ottaviano, Maria Eunice Q. Gonzalez , Gustavo Maia Souza Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/46 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 Michel Debrun https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/47 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“O que é ser brasileiro? Será mesmo que faz sentido falar desse "ser"? Com estas perguntas Michel Maurice Debrun, filósofo francês radicado no Brasil desde 1956, inicia a sua obra, que deixou inacabada, sobre a Identidade Nacional Brasileira. Conhecedor de aspectos geográficos, jurídicos e diplomáticos do Brasil, ele ressalta que tais aspectos não suscitariam grandes dúvidas sobre uma resposta afirmativa a essas duas questões. Contudo, sua preocupação é outra: na condição de filósofo criador de uma Teoria da Auto-Organização e das concepções sistêmicas da informação, ele está interessado em compreender a dinâmica informacional, auto organizadora da ação educadora da qual emergem "várias identidades brasileiras". Para tanto, durante quase vinte anos debruçou-se sobre fontes reveladoras da história e das muitas faces da realidade contemporânea brasileira, tendo como pano de fim do as ideias de Gramsci sobre a relação entre infraestrutura e superestrutura sociais. O estudo cuidadoso da concepção Gramsciana de filosofia, em especial do seu papel informador e estruturador constituinte das várias instâncias da superestrutura do mundo social, resultou em sua tese de livre docência, intitulada Gramsci: Filosofia, política e Bom Senso, que foi publicada em 2001, após seu falecimento, como o volume 31 da COLEÇÃO CLE, em coedição com a Editora da Unicamp. Trata-se de uma das versões sobre o tema que Michel Debrun elaborou e reelaborou por duas décadas, sem nunca se decidir sobre o ponto certo de sua publicação.</p> <p>No debate contemporâneo brasileiro sobre a polêmica distinção entre Filosofia Temática e/ou História da Filosofia, Debrun tomou partido de modo firme, profundo e elegante pela primeira. Sem menosprezar a rica herança da história da filosofia (que seus colegas franceses deixaram em sua passagem pelo Brasil, especialmente na Universidade de São Paulo - USP), ele ensinou aos seus alunos a arte de refletir filosoficamente sobre temas relevantes do meio que nos circunda. Como ressalta Paulo Sérgio Pinheiro em seu brilhante prefácio à obra Gramsci: Filosofia, política e Bom Senso: "Michel Debrun fez filosofia crítica e de modo concreto desceu à arena do debate político... Poucos dos seus colegas realizaram como ele o caráter intrinsecamente prático da filosofia". Lembra-nos também da fusão do pensamento de Gramsci e Debrun no que diz respeito ao papel ativo do filósofo: "O verdadeiro filósofo é — e não pode deixar de ser — nada mais do que o político, isto é, o homem que modifica o ambiente, entendido por ambiente o conjunto das relações de que o indivíduo faz parte".</p> <p>No contexto de uma filosofia prática, Debrun adota Gramsci como um pretexto para refletir sobre a identidade nacional brasileira. Concomitantemente à elaboração do seu trabalho sobre Gramsci, ele fundou, em 1986, no Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Unicamp, um grupo interdisciplinar de estudos sobre Auto-organização e Informação, coordenando-o de forma exemplar até sua morte em 1997. Para os membros desse grupo de pesquisa interdisciplinar, conhecido como Grupo Interdisciplinar CLE Auto-Organização, que tiveram a sorte de compartilhar com ele um processo tão raro de reflexão genuinamente filosófica no Brasil, iniciou-se um caminho cujas marcas refletem o percurso do filósofo original e sutil, do professor francês bem humorado.</p> <p>Michel Debrun passou os seus dias estudando a complexa dinâmica organizadora, deixando uma contribuição inestimável sobre a natureza da nossa identidade nacional. Esse caminho, como talvez ele não pudesse prever, tem sido cultivado pelos membros do Grupo CLE, atualmente sob a direção de ítala M. Loffredo D'Ottaviano (coorganizadora desta coletânea), que assumiu a coordenação do grupo desde 1997 e tem se empenhado na editoração dos manuscritos deixados por Debrun. E justamente com o propósito de divulgar alguns de tais manuscritos que a presente coletânea se constitui e de alguma forma se "auto-organiza". Através dela apresentamos, inicialmente, uma versão do estudo da identidade brasileira escrito por Debrun, e publicado no Jornal da Unicamp em 17/05/2004, no qual ele delineia sua visão da identidade nacional, indicando alguns de seus traços mais marcantes, em busca de um consenso em torno de certos valores.</p> <p>Como um estudioso das teorias de auto-organização, que focalizam a dinâmica geradora de parâmetros de organização e de controle a partir da interação entre componentes de um sistema, ele ressalta a existência de um consenso ou de uma comunhão, na esfera cultural brasileira, em torno, por exemplo, do carnaval, do futebol e da música popular. Debrun questiona a possibilidade de que, com esse "consenso", "o Brasil se transforme numa festa, num imenso auto espetáculo". Uma vez que os parâmetros de controle delimitam o espaço de possibilidades, em um movimento de feedback circular, os componentes a partir das quais eles emergem, Debrun analisa a possível intenção de se fazer desse consenso um instrumento de integração sócio-política: "pois cada coro devia se tornar um microcosmo de Brasil novo, e exemplificar a unidade do país e o disciplinamento das paixões; pretendia-se, a partir de um musical nacional-popular, eventualmente autêntico, suscitar ou reforçar uma comunidade política ilusória". Ele ressalta que em Roberto da Matta encontra-se uma ideia parecida: com o carnaval presenciamos o advento de uma "comunidade" efêmera, mas real e original, que permite aguentar ou compensar até certo ponto as agruras da "sociedade", caracterizada, esta última, por separações, antagonismo e hierarquias.</p> <p>Após a introdução das ideias de Debrun sobre o tema da identidade nacional Brasileira, apresentamos no restante da presente obra os três últimos artigos publicados por ele, nos livros Auto-organização: estudos interdisciplinares (Coleção CLE, Unicamp, volume 18, 1996) e Encontro com as Ciências Cognitivas (Editora Cultura Acadêmica, Unesp, 1997). Nesses capítulos ele analisa os conceitos básicos de sua teoria da auto organização, indicando aplicações dos mesmos no estudo de eventos físicos, sociais e cognitivos.</p> <p>Solange e Daniele Debrun doaram ao Centro de Lógica os manuscritos deixados por Debrun e o seu acervo bibliográfico, que fazem parte dos Arquivos Históricos do CLE e da Biblioteca do CLE, que desde 1998 chama-se Biblioteca Michel Debrun, numa justa homenagem ao mestre e amigo exemplar, que tanto se dedicou à Unicamp e à universidade brasileira.</p> <p>Entre os manuscritos deixados por Debrun, estão suas preciosas anotações relativas a seus quatro livros inacabados: sobre a identidade nacional brasileira, sobre Gramsci (já mencionado), sobre neoliberalismo e globalização, e o livro que seria intitulado Da auto-organização à criação. Estudantes que fazem parte do Grupo Interdisciplinar CLE Auto-Organização estão trabalhando com esse material para publicação próxima.</p> <p>Decidimos editar este volume da COLEÇÃO CLE, com a publicação conjunta bilíngue dos três últimos artigos publicados por Debrun, nos livros Auto-organização: estudos interdisciplinares (Coleção CLE, Unicamp, volume 18, 1996) e Encontro com as Ciências Cognitivas (Editora Cultura Acadêmica, Unesp, 1997); e de sua última entrevista, concedida ao Jornal Correio Popular no final de 1996, sobre neoliberalismo e globalização econômica e cultural, relacionando tais conceitos a suas pesquisas sobre auto-organização.</p> <p>Esta publicação constitui uma homenagem a Michel Debrun, insubstituível e querido amigo. Nesta homenagem, queremos expressar nossa gratidão pela herança filosófica que nos legou Michel Debrun, dando-nos o exemplo de que ainda é possível refletir filosoficamente, também no Brasil e na América Latina em geral, para além dos muros da história da filosofia.”</p> <p> </p> <p>Ítala M. Loffredo D'ottaviano</p> <p>Maria Eunice Q. Gonzalez (orgs.)</p> <p> </p> <p>Volume 53 – 2009</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p> </p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Filosofia brasileira 199.81</li> <li>Sistemas auto-organizadores 003.7</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. In this work, Michel Debrun outlines a vision of the Brazilian national identity, indicating some of its most striking features, in the search for a consensus about certain values. Following, we presente his last three papers, pulished in the books Autor-organização: Estudos Interdisciplinares (Coleção CLE, v. 18, 1996) and Encontro com as Ciências Cognitivas (Editora Cultur Acadêmica, 1997). In tese three chapter, he analyses fundamental concepts of his theory of selforganization, indicating applications of these concepts in studies of physical, cognitive and social phenomena.</p> Ítala M. Loffredo D'ottaviano, Maria Eunice Q. Gonzalez Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/47 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 A relação entre a filosofia mecânica e os experimentos alquímicos de Robert Boyle https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/49 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Temos em mãos um excelente trabalho de História da Química feito por um químico que se tornou filósofo. Estas transformações do Kleber Cecon refletem o próprio trabalho: uma análise da transformação da Alquimia em Química e algumas transformações químicas estudadas por Robert Boyle, um filósofo natural do séc. XVII, que ajudou nessa transformação da velha Alquimia na Química de hoje.</p> <p>Apesar de Boyle ser uma figura bastante estudada, há ainda aspectos inexplorados de sua vasta obra e Cecon soube destacar vários deles ao estudar seus workdiaries, ou seja, os cadernos de laboratório — relatos dos diálogos íntimos entre o pesquisador e a natureza.</p> <p>Nesta sua análise da obra do Boyle, Cecon discute com conhecimento e segurança, demonstrando maturidade e independência, a transformação já mencionada Alquimia —&gt; Química — "de cinética lenta e mecanismo tortuoso", no dizer de um químico — ou seja, o embate entre a visão aristotélica e a visão mecanicista.</p> <p>Cecon, ao analisar os workdiaries de Boyle, utiliza também o método da tradução&gt; ou seja, tenta descrever os procedimentos experimentais ali descritos na linguagem química de hoje para se compreender o raciocínio do autor, bem como seus materiais, operações, resultados etc. Isto não é fácil e nem sempre é possível. E um decifrar de escrita antiga. No caso de Boyle isso foi possível e pode-se perceber o notável conhecimento do filósofo natural das técnicas químicas, além de sua maneira de ver e interpretar os fenômenos. Um exemplo de sua requintada técnica pode ser vista no item 3.4 "Purificação da água forte para separação do ouro".</p> <p>Boyle é uma figura grandiosa e notável e o que Cecon nos mostra engrandece mais ainda este filósofo, teólogo, literato, (al)químico etc., autor, dentre outras dezenas de obras, de O químico cético e O cristão virtuoso.</p> <p>Espero que o leitor, seja químico, historiador, filósofo ou simplesmente amante da cultura, possa bem aproveitar este livro.”</p> <p> </p> <p>Kleber Cecon</p> <p> </p> <p>VOLUME 61 – 2011</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p> </p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Química – História 540.9</li> <li>Ciência – História 509</li> <li>Alquimia 540.112</li> <li>Mecanicismo (Filosofia) 146.6</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. O objetivo desta obra é analisar a filosofia mecânica de Robert Boyle, com a finalidade de mostrar a compatibilidade entre o seu pensamento químico e mecanicista. Apesar de não poder ser provada por experimentos alquímicos, a filosofia mecânica de Boyle é corroborada por eles e os mesmos tiveram grande importância na refutação das formas substanciais e qualidades reais da escolástica.</p> Kleber Cecon Copyright (c) 2022 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/49 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 Wittgenstein e a epistemologia https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/50 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Os textos presentes nesta coletânea foram apresentados e debatidos no VII Colóquio Nacional e IV Internacional Wittgenstein que teve como sugestão de tema "Wittgenstein e a Epistemologia". A maioria dos textos aborda o tema de diversas perspectivas, mais ou menos próximas entre si, mas, sempre de maneira muito própria e pessoal - o que nos parece contribuir para enriquecer o universo de discussão a respeito do pensamento de Wittgenstein.</p> <p>Sabemos que uma ideia constante na obra do filósofo é a de que filosofia deve ser uma atividade de esclarecimento conceituai e não uma atividade de criação teórica de teses. Ainda que com grande mudança de perspectiva, a esse respeito - uma vez que a atividade esclarecedora de conceitos deixa de ser fundada na análise lógica e completa da proposição e passa a ser fundada em usos diversificados das palavras, no interior de contextos pragmáticos cujos limites não mais são exatamente demarcáveis - a crítica da linguagem assim como a descrição dos usos não conduzem Wittgenstein à construção de teses filosóficas, mas, contrariamente, e apenas, ao seu esclarecimento.</p> <p>Como consequência desta concepção de filosofia como atividade apenas esclarecedora de conceitos, surge uma tendência a interpretar-se o pensamento de Wittgenstein como conduzindo a filosofia a uma espécie de atividade exclusivamente negativa, ou melhor, improdutiva e sem mais perspectivas filosóficas, além do mero esclarecimento terapêutico e conceituai não-tético. Todavia, encontramos inúmeros temas clássicos da filosofia que são constantemente abordados em seus escritos de maneira tal que se torna muitas vezes difícil delimitar os momentos em que a terapia deixa de ser apenas negativa e passa a flertar com possíveis desdobramentos conceituais positivos. Os exemplos são muitos, e em diferentes áreas, como a lógica e a matemática, a psicologia, a própria linguagem, o ensino e o aprendizado, a tradução entre diferentes sistemas simbólicos e entre diferentes linguagens, etc. Em particular, em seu último texto, Wittgenstein aborda temas diretamente ligados à epistemologia, temas que apenas surgem em jogos de linguagem complexos, jogos descritivos dos mais diversos tipos de fatos, usando as mais diversas técnicas de descrição. Nestes jogos complexos é que são aplicados os conceitos de conhecimento, dúvida, crença, certeza.</p> <p>A descrição dos usos das palavras torna-se esclarecedora na medida em que mostra, ao olhar, as diversas perspectivas da significação e, ao fazer isto, as formas elementares que se encontram em sua origem, a saber, os jogos de linguagem elementares em que são colocadas as normas iniciais para os jogos complexos — ou, ainda, as regras arbitrárias que se tornam convenções à medida em que são aplicadas. A descrição dos usos mostra que as normas iniciais são arbitrárias pelo fato de não terem razões como fundamento, mas, apenas, ações, modos de agir em contextos culturais pervadidos simbolicamente pela linguagem. Modos de agir comuns a uma comunidade que se expressa pela linguagem são, igualmente, pervadidos pelas palavras e, por isto, sua arbitrariedade não é aleatória: a ausência da necessidade nos jogos elementares, nas formas de agir primitivas com palavras, exige um rigor muito mais severo do que, na verdade, em jogos de linguagem complexos que constroem a necessidade como critério da significação.</p> <p>Ora, deste ponto de vista, abre-se o campo para a exploração positiva, e não apenas negativa, de conceitos epistemológicos segundo o estilo terapêutico. A exibição das formas a priori elementares de constituição da significação, elaborada pela descrição dos usos das palavras, é terapêutica para o pensamento, mas, ao mesmo tempo, e, por isto mesmo, é informativa a respeito das questões filosóficas tradicionais, tais como, o que é pensar, e como é possível pensar, o que é conhecer, e como é possível conhecer, o que é compreender e ensinar, e como é possível compreender e ensinar, o que é enganar-se, simular, duvidar, ter certeza, acreditar, ter intenções e expectativas, interpretar, ver A como sendo B, e todos os outros tantos temas abordados terapeuticamente por Wittgenstein.</p> <p>Os textos aqui apresentados foram organizados originalmente em três tipos: conferências, palestras e comunicações, cada um correspondendo às diferentes participações dos autores no Colóquio, a saber, como pesquisadores convidados, pesquisadores seniores e jovens pesquisadores. Todavia, para esta publicação, os textos foram organizados de acordo com sua proximidade temática.”</p> <p> </p> <p>Alrey R. Moreno</p> <p> </p> <p>VOLUME 63 – 2013</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Wittegenstein, Ludwig, 1889-1951 193</li> <li>Filosofia austríaca 193</li> <li>Epistemologia 121</li> </ol> <p> </p> <p> </p> <p>OBS. O presente volume temático da Coleção CLE apresenta alguns dos resultados, dentre os mais relevantes, do VII Colóquio Nacional/IV Internacional Wittgenstein, realizado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, realizado entre os dias 27 e 30 de setembro de 2011. Os textos aqui apresentados são de autoria de Antônio Marques, Mauro Engelmann, Arley Ramos Moreno, Rafael Lopes Azize, Cristiane M. C. Gottschalk, Ricardo Peraça Cavassane, Camila Jourdan, Antionio Ianni Segatto, Valério Hillesheim, Maíra de Cinque, Eduardo Simões e Paulo Oliveira.</p> Alrey Ramos Moreno Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/50 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 Incursões Semióticas https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/51 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Lauro Frederico Barbosa da Silveira dedicou praticamente toda sua vida de estudioso de filosofia à investigação da imensa obra de Charles Sanders Peirce, tornando-se um dos maiores especialistas brasileiros no pensamento do autor. Não obstante possa bastar essa razão para tornar obrigatória sua leitura, outra peculiaridade deste livro recomenda dize-lo indispensável, a saber, sua refinada qualidade filosófica que logo será percebida pelo leitor — ela se evidencia na forma profunda com que a diversidade de temas e abordagens se desenha no texto — fruto genuíno da erudição do autor na história das ideias e, em especial, na obra de Peirce.</p> <p>Organizada na forma de ensaios que apresentam uma autonomia de reflexão temática, a obra proporciona experienciar não apenas essa autonomia, lendo-se ensaio a ensaio, mas também perceber o nexo entre eles. A razão desse nexo, penso, está não apenas na exímia e consistente condução conceituai imposta pela sua escritura, mas, também, em uma característica da própria filosofia legada por Peirce. A imensa obra do autor norte-americano, malgrado preponderantemente constituída por manuscritos não publicados, constitui no seu estágio maduro um sistema de ideias que se entrelaçam logicamente. Cada uma delas é sugestiva de outras e solicita heuristicamente a complementação por outras — esse entretecimento de teorias Peirce incessantemente buscou formular ao longo de sua trajetória intelectual.</p> <p>Um sistema tematicamente rico proporciona sempre muitas questões — talvez seja mais justo dizer — acolhe muitas questões — ao contrário de filosofias estreitas que, por não terem como fazê-lo em face de seu raquitismo teórico, em muitos casos mascaram sua forçada omissão descredenciando-as como de cunho não filosófico.</p> <p>A análise da obra peirciana exige uma atitude heurística e dialogante com o autor. Peirce não publicou em vida um livro sequer. Assim, penetrar seu texto, primordialmente manuscrito e sem a oportunidade de uma revisão pelo autor que uma edição efetiva teria necessariamente proporcionado, com o intuito exclusivo de uma análise de conceitos e sua consistência lógico-dedutiva é, pode-se no mínimo dizer, uma abordagem inócua, para não se dizer injusta. Toco nesse ponto para me contrapor a uma prática corrente de alguns estudiosos de Peirce que, reduzindo a filosofia à mera análise da linguagem e se valendo de algum formalismo pretensamente forjante de precisão, vangloriam-se de encontrar contradições que fraturariam a obra peirciana em partes desconexas, buscando com isso invalidar a noção de que tenha ele formulado um sistema de filosofia. Em face da natureza dos originais que ele nos legou, tal postura poderia ser comparada à insólita expectativa de que um bebê devesse nascer dominando com perfeição alguma linguagem e elegantemente bem vestido, sem quaisquer traços dos fluidos uterinos que assimetricamente pudessem lhe aderir ao corpo.</p> <p>Sabe-se que mesmo obras clássicas, duas vezes editadas e revistas pelo próprio autor, como a primeira crítica de Kant, não estão isentas de possíveis contradições, razão pela qual buscar arestas lógicas possivelmente descaracterizastes do caráter sistêmico da obra de Peirce por meio de possíveis contradições, não infrequentemente apenas incidente em má interpretação do texto original, parece ser um despropósito de fundo, mencionando, uma vez mais, a natureza da escritura legada por Peirce. De fato, a leitura da obra de Peirce até agora publicada evidencia um pensamento em progresso como se costuma dizer nas lides acadêmicas — muitas vezes, creio, um pensamento que se pensa escrevendo, conjecturante. na sua essência, em permanente formação heurística. E preciso lê-lo assim, construindo conceitos com ele, pensando com ele, numa atitude de espírito generosamente acolhedora de um dos pensamentos mais criativos da história da filosofia.</p> <p>Lauro Silveira passou, permitam-me testemunhar, seus anos intelectualmente mais criativos junto a Peirce — como o mais profundo da teoria da continuidade de Peirce requereria, a saber, num continuum de pensamento e sentimento substancializado em uma convivência viva e presentificada com o filósofo norte-americano. Apenas isso já o credenciaria como estudioso e agudo conhecedor de sua obra. Todavia, como muitos que se deixaram contaminar pelo caráter heurístico e conjecturante do pensamento de Peirce, Lauro aprendeu a pensar sua filosofia como ela de fato requer de todos aqueles que com ela se envolvem com profundidade: despedindo-se de modo indolor não apenas de dogmatismos, mas de toda e qualquer mitológica exigência de certeza que, ingloriamente e durante tanto tempo, tomou a mente de muitos pensadores, poder-se-ia dizer brilhantes, na história da filosofia.</p> <p>O diálogo de Lauro com o pensamento de Peirce desvela-se facilmente na leitura deste livro, não apenas em nome de um rigor teórico que demanda remeter o texto sempre a citações do original analisado, mas por se aprender com a filosofia peirciana que todo pensamento é dialógico em sua natureza. Veja-se, explicitamente nesse sentido, como o belíssimo ensaio <em>0 admirável Amazonas</em>, metáfora do pensamento discorre sobre o tema.</p> <p>A ampla visão que Lauro tem da Semiótica, conquanto evidente em todos os ensaios, aparece especialmente em 0 espirito das águas^ na forma de uma ciência que se vale da possibilidade de extensão dos verbos pensar, criar, interpretar do âmbito humano ao natural.</p> <p>Mas o que legitima dizer que o rio pensa, cria, interpreta, sem que isso possa soar como uma espécie de promiscuidade2 entre predicados tipicamente humanos e processos naturais? Simplesmente a análise da conduta, a saber, o exame dos signos que o rio evidencia conduz inferencialmente a formas gerais que afetam seu modo de ação. A pressuposição de que o vocabulário da Semiótica possa ser indiscriminadamente utilizado tanto nos fenômenos humanos quanto nos naturais se harmoniza com uma concepção de realidade que está no âmago do pensamento peirciano.</p> <p>De fato, a filosofia de Peirce propõe uma simetria formal entre os modos de ser do homem e da Natureza, consolidando suas três categorias, primariedade, segundidade e terceiridade, como válidas indiferentemente nos planos do signo e do objeto. A exfensionalidade da Semiótica da esfera da linguagem para os fenômenos naturais permite entender toda e qualquer investigação, todo processo de aquisição de conhecimento, como dialógico, de tal modo que os significados circulam entre os signos e seus objetos, em trajetória cognitiva que jamais pode finalizar no particular, mas que também não coloca este em relação de estranhamento com qualquer instância geral. A simetria categorial da filosofia de Peirce proporciona conceber o particular como forma exterior de aparecer, desenhando, assim, o modo pelo qual o mundo interior pode tornar-se cognoscível para qualquer mente semiótica. Nesse sentido, então, o universo é uma vasta mente semiótica e isso ficará mais que evidente durante o percurso que o leitor fará ao longo dos ensaios deste livro.</p> <p>Toda a análise de fenômenos, na medida em que é análise de conduta, leva, em última análise, a um significado pragmático, ou seja, à significação lastreada em consequências práticas. Ora, aqui também cabe estender o conceito de pragmatismo para além dos limites estreitos de análise da significação de conceitos. Há, conforme irá mostrar com abundância a presente obra, leitura de significados reais: a afecção das condutas naturais leva ao reconhecimento de seu sentido pragmático.</p> <p> Depreende-se que aprender com a experiência é interagir semioticamente com ela — tal interação se dá por um processo dialógico em que os signos circulam carreando sentido por influenciarem pragmaticamente a conduta, tornando tudo que desse processo participar digno de partilhar o Ser daquilo que possa ser considerado Mente. É curioso como certos scholars tornam-se insones com essa amplificação do conceito de mente, mas ela é tão somente um conceito pragmático — a análise dos fenômenos permite neles reconhecer conduta intencionada para determinados fins. Não é outra coisa o que denominamos, em geral, de ação inteligente. Não obstante esse quesito possa ser necessário para caracterizar o que seja mente, ele não é suficiente. Em todo fenômeno em que se identificam diversidade, variedade, assimetria, há a manifestação de um princípio de espontaneidade, outro predicado do que se concebe como mente. Em suma, poder-se-ia dizer que mente se caracteriza pela ubiquidade das três categorias, em que Acaso, Existência e Lei configuram a estrutura eidética do real. O Idealismo Objetivo é simplesmente o nome que Peirce deu à conclusão de que mente é um substrato contínuo de uma Natureza da qual participamos. Essa doutrina não é mais que uma condição de possibilidade que franqueia o fluxo contínuo dos signos e significações sem as fronteiras do estranhamento entre mente e matéria.</p> <p>O leitor está diante de uma obra profunda, onde praticamente todas as ideias de Peirce são objeto de reflexão por parte do autor. Ele percorre o sistema peirciano com a autoridade de quem realmente conhece os textos originais. Esse percurso pode ser visualizado já no índice deste livro, aonde os temas se desenham, de modo geral, da epistemologia à ontologia, passando por aspectos da filosofia da linguagem, do marxismo e do urbanismo, destacando-se a declaração de amor que, por meio de uma análise semiótica, Lauro faz ao Rio Amazonas.</p> <p> Não é outro também o sentido mais fundo deste livro. Oferecer esse conjunto de ensaios ao leitor é partilhar com ele uma inteira vida de reflexão e estudos. Somente isso faculta entender essa publicação como uma legítima declaração de amor de Lauro Silveira, dando continuidade natural à sua sempre amorosa atuação como professor.”</p> <p>Lauro Frederico Barbosa da Silveira</p> <p> </p> <p>VOLUME 65 – 2014</p> <p>ISSN: 0103-3247</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Semiótica 149.94</li> </ol> <p> </p> <p> </p> <p>OBS. Pensamento é diálogo que permeia toda a realidade. Sob este ponto de vista Charles Sanders Peirce (1839-1914) elaborou toda sua obra, tanto como cientista quanto como filósofo. <em>Incursões Semióticas</em> pretende responder ao convite peirciano de manter-se em diálogo tanto com diversos domínios de atuação dos homens em sociedade. Em todos estes domínios uma experiência do pensar foi se consolidando e, embora sinceramente falível em suas hipóteses, convida os leitores a com ela dialogar. Crescer em pensamento é, sob o olhar de Peirce, a pequena, mas maior contribuição que podemos trazer para a contínua evolução de todo o Cosmos.</p> Lauro Frederico Barbosa da Silveira Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/51 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 Wittgenstein Compreensão https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/52 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Após o 'Tractatus, Wittgenstein enfrenta novos desafios legados pelas dificuldades do livro, uma delas sendo a de esclarecer as relações lógicas no interior do espaço lógico das coisas, ou objetos - dual do espaço dos estados de coisas, mas, que permaneceu inexplorado pela análise lógica — apesar de os objetos possuírem propriedades internas determinadas a priori, assim como as proposições.</p> <p>Um outro aspecto sob o qual surge esta mesma questão é a da relação entre nome e objeto/coisa que fica meramente indicada no livro como sendo de substituição (Vertretung), sem mais detalhes. À dificuldade é que o livro não fornece critérios para indicar o que é objeto e o que é nome, a não ser um critério vago e abstrato: objeto é o logicamente simples que o nome substitui na proposição, e nome é o que substitui na proposição o logicamente simples. Todavia, não há como saber se estamos na presença de um simples, a não ser pela aplicação a ele do nome, mas, por outro lado, não sabemos se estamos aplicando uma palavra como nome a não ser pelo fato de substituir um simples na proposição. Situação circular que em nada esclarece a relação de substituição e nem fornece critérios para indicar os dois termos envolvidos na relação.</p> <p>Ora, se para sabermos a denotação de um nome for sempre preciso dominar previamente uma linguagem, 1.e., as proposições que indicam qual é essa denotação, não poderemos, então, jamais explorar logicamente o espaço das coisas — tarefa a que se propõe exclusivamente a realizar o Tractatus. Fica descartada, de fato, toda e qualquer exploração externa à lógica, atividade formal e a priori, ou melhor, transcendental — embora seja apontada a porta que permanece fechada, da pragmática, 1.e., do uso do simbolismo, de sua aplicação (Anwendung) (Tr. 3.262-3.263), a qual permitiria explorar esse espaço que permanece virtual no Tractatus. Usando a terminologia tractariana, poderíamos afirmar que a partir do final da década de 20 Wittgenstein se dedica a explorar o espaço tractariano das coisas — o que acarretará muitas surpresas e descobertas a respeito da significação.</p> <p>Uma consequência, dentre outras, da tentativa de explorar o domínio dos objetos simples, após o T'ractatus, está presente no tratamento dado às relações elementares entre linguagem e mundo — os pontos de contato, ou as antenas com que as proposições tocam os objetos. Surge, então, nova concepção da significação linguística em que a atividade com as palavras torna-se relevante — sem que a descrição dos usos o seja, todavia, de processos empíricos ou psicológicos. A própria concepção da função transcendental passa a incorporar elementos pragmáticos sem abrir mão dos procedimentos formal e a priori, nas descrições terapêuticas que Wittgenstein desenvolve até o final de sua atividade filosófica.</p> <p>Conceitos que jamais poderiam ter lugar no Tractatus são introduzidos gradativamente durante a elaboração da nova concepção de significação — tais como os de adestramento, ensino ostensivo e definição ostensiva do sentido. Todavia, como salientamos, ainda que sejam descritas ligações puramente associativas ou mecânicas - como no caso das formas elementares de organização da experiência pelas técnicas de ensino por adestramento e por treino, ou por mera repetição — todavia, a compreensão da finalidade destas técnicas, por parte do aprendiz, supõe sua inserção em uma lição (Unterricht), em um ambiente cultural já dominado por alguma forma de linguagem, a qual, embora elementar, já seja suficiente para orientar o aprendiz a interpretar essas técnicas. A linguagem é usada pelo professor, em meio a gestos e comportamentos, para adestrar o aprendiz a agir com palavras. Somos adestrados a usar sons como palavras, em seguida, somos treinados a aplicar as palavras - talvez como etiquetas - e, só então, podemos perguntar por seu sentido e falar às coisas e sobre elas.</p> <p>A parte inicial das Investigações Filosóficas, até por volta do 4136, trata justamente desta questão que ficara em aberto no Tractatus, da natureza logicamente simples do objeto e de sua relação com o nome — para, só a seguir, retomar a questão mais ampla da significação proposicional. É nesse início que são introduzidos os novos conceitos pertencentes ao domínio pragmático — correspondendo à exploração, poderíamos dizer, em homenagem ao livro de juventude e, ao mesmo tempo, demarcando-a dele, do espaço pragmático das coisas, ou objetos. Advirão, daí, várias consequências para as concepções de proposição e de pensamento — consequências consideradas terapêuticas pelo próprio Wittgenstein.</p> <p>Como vemos, esta problemática wittgensteiniana envolve vários aspectos que podem ser explorados, tanto internamente ao seu próprio pensamento, quanto em ligação com outros temas e domínios aparentados. Trata-se de ampla gama de questões filosóficas, envolvendo o livro da juventude e a obra posterior, que estabelece conexões com áreas onde a compreensão e o ensino do sentido estão em primeiro plano, o tratamento de termos psicológicos e suas aplicações epistêmicas, assim como com áreas do pensamento formalizante e, também, com novas vertentes inspiradas e, igualmente, abrangidas pelas diferentes fases do pensamento de Wittgenstein. Foi este o desafio que propusemos nesta versão do Colóquio Wittgenstein — e a variedade de trabalhos selecionados atesta a riqueza e a unidade do pensamento de nosso filósofo.</p> <p>Por isto, apresentamos os trabalhos segundo temas gerais que servem para organizar as leituras e, sem determinar temas comuns, para expressar, como dissemos, a unidade do trabalho de Wittgenstein. Estes são mais alguns aspectos de seu pensamento — aprendamos com eles.</p> <p>Arley R. Moreno (org.)</p> <p> </p> <p>Coleção CLE – 2014</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Filosofia austríaca 193</li> </ol> <p>2. Linguagem — Filosofia 401</p> Arley Ramos Moreno Copyright (c) 2022 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/52 Mon, 21 Nov 2022 00:00:00 -0300 Século XIX https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/32 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>"O presente volume é constituído por parte das Atas do VII Colóquio de História da Ciência, dedicado ao tema Século XIX: O Nascimento da Ciência Contemporânea, que teve lugar em Águas de Lindóia, de 12 a 15 de outubro de 1991.</p> <p>Organizados, desde 1985, pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE), da UNICAMP, os Colóquios de História da Ciência têm por objetivo estimular a produção, divulgação e discussão de trabalhos, de alto nível acadêmico, sobre História da Ciência.</p> <p>Tradicionalmente nossos Colóquios de História da Ciência são temáticos, propiciando a discussão aprofundada dentro de um único tema geral com o qual todos os participantes estão familiarizados.</p> <p>O século XIX, período ao qual foi dedicado este VII Colóquio, insere-se historicamente em um período mais amplo que se inicia com a Revolução Francesa e estende-se até a Primeira Grande Guerra. Esta "época de ouro" da ciência, que deu origem à ciência contemporânea, caracterizou-se pelo divórcio entre a ciência e a filosofia, e assistiu ao desenvolvimento de métodos experimentais e matemáticos, fundados na dinâmica de Newton e na química quantitativa de Lavoisier e, sem dúvida, foi marcada por magníficos êxitos das ciências exatas e naturais acompanhados de aprimoramentos cada vez maiores de instrumentos de medidas de grande precisão e de importantes aplicações técnico-industriais.</p> <p>Organizam-se novos domínios da física, química e matemática, e já na primeira metade do século XIX ocorrem importantes desenvolvimentos representados, por exemplo, pela ascensão da teoria ondulatória da luz, pelo estudo da corrente elétrica e da relação entre eletricidade e magnetismo, pelo início da termodinâmica e pela determinação do princípio de conservação de energia.</p> <p>A partir da segunda metade do século XIX ocorre o estabelecimento da termodinâmica e da mecânica estatística, surgem várias teorias eletromagnéticas, culminando com a descoberta das ondas eletromagnéticas, e intensificam-se as polêmicas relativas ao éter.</p> <p>Os diferentes ramos da matemática têm, ao longo do século XIX, um magnífico desenvolvimento que, juntamente com novas abordagens lógicas dão origem à matemática formalizada do século XX.</p> <p>Face ao domínio extremamente amplo da ciência no século XIX, o Comitê Organizador do VII Colóquio de História da Ciência concluiu ser impossível em um único colóquio dominar o conjunto da produção científica deste período. Assim sendo, optou-se por enfocar, neste evento, alguns aspectos da ciência do século XIX que, a nosso ver, foram fundamentais para o nascimento da ciência contemporânea.</p> <p>A partir de uma perspectiva lakatosiana de que a filosofia da ciência sem história da ciência é vazia e história da ciência sem filosofia da ciência é cega procurou-se também enfatizar, neste colóquio, a estreita ligação existente entre história da ciência e filosofia da ciência.</p> <p>Assim, foi dedicado um espaço à discussão sobre racionalidade epistêmica e sobre a metodologia científica deste período, e à análise da relação entre ciência e filosofia e da noção de crise das ciências que surge a partir do final do século XIX.</p> <p>Mesmo as análises históricas específicas, como as do surgimento da teoria eletromagnética, dos trabalhos de Hertz e Helmholtz e da origem da mecânica estatística, foram feitas sem perder de vista as conseqüências epistemológicas que derivam destes estudos de casos.</p> <p>Foram escolhidos para este Colóquio os seguintes temas específicos:</p> <p>1) A ciência e método em Duhem e Mach; 2) Comte e o positivismo científico; 3) Frege e a lógica moderna; 4) O nascimento das lógicas não-clássicas; 5) As geometrias não-euclidianas; 6) O surgimento da teoria eletromagnética; 7) A ciência e a filosofia de Poincaré; 8) A termodinâmica e as origens da mecânica estatística e 9) O nascimento da mecânica quântica e da cristalografia.</p> <p>Procurou-se reproduzir neste volume o tratamento tópico que estruturou o VII Colóquio de História da Ciência, dividindo-o em partes dedicadas aos temas específicos acima citados.</p> <p>Na Parte I é feita uma análise da relevância da filosofia da ciência para a história da ciência, e vice-versa, a fim de fornecer subsídios para a reflexão sobre o estatuto ontológico da história da ciência.</p> <p>As partes II e IV são dedicadas respectivamente a Frege e à lógica moderna, às geometrias não-euclidianas e ao nascimento das lógicas não-clássicas.</p> <ol> <li>Wrigley, no Capítulo 2, discute aspectos centrais da visão fregeana da natureza da lógica, tais como a sua rejeição da possibilidade de uma perspectiva metaiógica, que ao ver de Wrigley são bastante diferentes das modernas visões. E discutido ainda como estes aspectos da concepção de J. Gottlob Frege (1848-1925) moldaram os resultados filosóficos que este esperava obter pela redução da matemática à lógica. J. Y. Béziau, no Capítulo 3 discute o princípio de razão suficiente (Nihilest sine ratione) e a lógica da filosofia de Arthur Schopenhauer (1788-1860).</li> </ol> <p>Os artigos dos Capítulos 5, 6, 7 e 8 correspondem às participações de Newton da Costa, ítala D'Ottaviano, Cláudio Pizzi e Walter Carnieili, respectivamente, na mesa redonda intitulada O nascimento das lógicas não-clássicas, que foi coordenada por Andréa M. A. Loparic. As participações de da Costa e Pizzi foram impressas essencialmente na forma em que foram apresentadas no Colóquio, enquanto que os trabalhos de ítala e Carnielli são versões ligeiramente modificadas de suas contribuições originais.</p> <p>Da Costa caracterizou, através do ambiente matemático do século XIX, o surgimento da lógica matemática clássica formalizada e das lógicas não-clássicas. A seguir, ítala, a partir de uma análise sucinta do desenvolvimento da lógica de Aristóteles (384-322 a.C.) até o final do século XIX procurou caracterizar a sistematização contemporânea da lógica clássica e o surgimento das lógicas não-clássicas em geral, introduzindo com mais detalhes as lógicas polivalente e paraconsistente. Pizzi abordou questões relativas às lógicas modais e às lógicas intuicionistas. Finalizando a mesa redonda, Carnielli discutiu algumas aplicações contemporâneas das lógicas não-clássicas em geral.</p> <p>Viero, no Capítulo 9, examinou algumas questões conceituais relativas ao advento das geometrias não-euclidianas, procurando entender, a partir deste exame, todo o movimento que culminou com o surgimento das geometrias não-euclidianas no século XIX.</p> <p>A ciência e filosofia de Henri Poincaré (1854-1912) é alvo de análise na Parte III, Capítulo 4, onde Jairo da Silva enfoca diversos aspectos da filosofia da matemática em Poincaré, tais como o seu convendonalismo em geometria, o seu anti-logicismo em aritmética e as suas restrições às definições matemáticas pelo princípio do círculo vicioso.</p> <p>A quinta parte deste volume é dedicada à ciência e método em Mach e Duhem. No Capítulo 10, Pablo Mariconda faz uma reavaliação da posição de Pierre Duhem (1861-1917) concernente à revolução científica do século XVII centrando a discussão na contribuição de Galileo (1564-1642). Mariconda divide sua análise da visão de Duhem em duas partes: na primeira discute a tese duhemiana da continuidade do desenvolvimento científico aplicada à mecânica, e na segunda, reavalia a crítica de Duhem à defesa realista da cosmologia no século XVII.</p> <p>Michel Ghins, no Capítulo 11, analisa o programa para uma teoria da gravitação e da inércia proposto por Ernest Mach (1838-1916) discutindo as dificuldades internas desta teoria. Ghins procura mostrar que o programa de Mach, tal como ele o apresenta, não satisfaz às exigências empiristas machianas. O artigo segue refletindo sobre a exigência machiana de relatividade dinâmica em relação à teoria da relatividade geral de Einstein.</p> <p>Um resgate histórico-metodológico do aparelho didático proposto por Morin, em meados do século XIX, para o estudo da queda dos corpos desde o The Science of Mechanics de Ernest Mach, é feito por Danhoni no Capítulo 12.</p> <p>A parte VI é dedicada às discussões sobre o positivismo científico e empirismo no século XIX. No Capítulo 13, as tentativas de John Stuart Mill (1806-1873) e John Keynes (1883-1946) de resolver o problema da indução de Hume (1711-1776) é analisado por Guerreiro. Oliva, no Capítulo 14 procura mostrar como o positivismo está longe dos clichês epistemológicos que o apresentam como um estreito fatualismo. Com isso, o autor pretende tornar manifesto que as críticas ao observacionalismo, especialmente candentes na filosofia da ciência posterior aos anos 20, não atingem tão profundamente a filosofia da ciência comteana quanto seus críticos sugerem.</p> <p>O papel do quadro conceituai estabelecido por Emile Durkheim (1858-1917) na consolidação da Sociologia como disciplina científica é discutido por Bonfim no Capítulo 15.</p> <p>As questões epistemológicas envolvidas no nascimento da ciência contemporânea continuam sendo alvo de discusão na parte VII. Luiz Dutra, no Capítulo 16, procura mostrar em que medida o método experimental elaborado por Claude Bernard (1813-1878) antecipa a metodologia do falseamento proposta por Karl Popper (1902- ) cerca de meio século mais tarde.</p> <p>As profundas transformações ocorridas no campo da ciência a partir do final do século XIX representaram um rico material para a reflexão filosófica, metodológica e histórica sobre a ciência, estimulando o aparecimento de novas teorias e sistemas epistemológicos. Marly Bulcão analisa duas destas teorias que, embora diferentes procuram, segundo a autora, compreender as revoluções da ciência contemporânea a partir da crítica à idéia de razão absoluta.</p> <p>Os processos e paradigmas segundo a teoria crítica de Jurgen Habermas (1929- ) são discutidos por Marconi no Capítulo 17.</p> <p>A oitava parte deste volume é dedicada ao nascimento da mecânica quântica e da cristalografia, assim como à evolução da análise dimensional.</p> <p>Fernando Lobo Carneiro, no Capítulo 19, discute a evolução da análise dimensional a partir de 1890, com as contribuições de Vaschy, quando a análise dimensional começa a ser aplicada de modo sistemático à formulação das equações físicas, à interpretação de resultados experimentais e ao estabelecimento das condições de semelhança. O artigo de Lobo Carneiro discute ainda as contribuições de Lord Rayleigh (1842-1919), Albert Einstein (1879-1955) e Buckingham (1867-1940) a esta nova etapa da análise dimensional, que conta com o chamado "teorema &lt;/&gt;" como sua principal ferramenta.</p> <p>O nascimento da mecânica quântica é analisado por Cintra Martins, no Capítulo 20, dedicado ao estudo dos antecedentes imediatos da descoberta por Max Planck, em 1900, de que o átomo somente pode emitir ou absorver energia em quantidades discretas, múltiplas de uma quantidade elementar, proporcional à freqüência de radiação: os "quanta" de energia. A publicação, em 1900, das novas concepções planckianas marca, segundo Cintra, o nascimento da mecânica quãntica.</p> <p>Mabel Rodrigues analisa, no Capítulo 21, as origens, no século XIX, da cristalografia de Raios X, que se estabeleceu no século XX, com os trabalhos sobre difração de raio X de Max Laue e dos Bragg, pai e filho. Este artigo discute particularmente os conceitos básicos de simetria, desenvolvidos durante o século XIX, que permitiram a aplicação do fenômeno recém-descoberto às substâncias cristalinas.</p> <p>O surgimento da teoria eletromagnética, da termodinâmica e as origens da mecânica estatística são objetos de análise da última parte deste volume, começando com um artigo de P. Abrantes dedicado à discussão da física e da filosofia da ciência de H. Hertz (1857-1894) e suas relações com seu trabalho científico.</p> <p>Hertz, Mach, Duhem, Boltzmann e Poincaré, como Abrantes aponta, fazem parte daquele grupo de grandes cientistas, da segunda metade do século XIX, que também se destacaram pela profundidade de sua reflexão filosófica, exercendo influência decisiva sobre a filosofia da ciência do nosso século. Segundo Abrantes, o estudo da interação entre a prática científica e a auto-consciência metodológica e axiológica encontra nestes autores um rico material, que sem dúvida nos leva a refletir sobre a tendência, em correntes de filosofia da ciência contemporânea, de se demarcar de forma excessivamente nítida o contexto da descoberta e o contexto de justificação, o nível do conhecimento substantivo e o nível do conhecimento metodológico.</p> <p>No Capítulo 23, Mello e Souza analisa as idéias fundamentais de Hermann von Helmholtz (1821-1894) com respeito à conservação da energia, refletindo sobre a visão essencialmente mecanidsta da natureza de Helmholtz.</p> <p>A história da mecânica estatística e da termodinâmica é analisada nos dois capítulos finais por Borisas Cimbleris e Eunice Gonzales.</p> <p>Cimbleris faz, no Capítulo 24, um paralelo entre três artigos de Albert Einstein (1879-1955) publicados entre os anos de 1902 e 1904 sobre os fundamentos da física estatística e o livro de Gibbs (1839- 1903) sobre mecânica estatística, publicado em 1902, discutindo as diferenças epistemológicas destas abordagens.</p> <p>Eunice, por sua vez, dedica seu artigo, no Capítulo 25, à analise de alguns aspectos históricos e metodológicos da ciência do século XIX que desempenharam um papel fundamental no nascimento da ciência cognitiva, que foi estabelecida há mais ou menos trinta anos, mas que, segundo a autora tem suas raízes na mecânica estatística e na termodinâmica do século XIX."</p> <p> </p> <p>Fátima R. R. Évora</p> <p> </p> <p>Volume 11 – 1992</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1992</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Ciência: História; Séc. XIX</li> </ol> <p>OBS. O presente volume corresponde aos Proceedings do VII Colóquio de História da Ciência, dedicado ao tema Século XIX: O nascimento da ciência contemporânea, organizado pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Unicamp, ocorrido de 12 a 15 de outubro de 1991. Procurou-se reproduzir neste volume o tratamento tópico que estruturou o VII Colóquio, dividindo-o em partes dedicadas aos mesmos temas específicos enfocados nas várias partes do Colóquio. </p> Fátima R. R. Évora Copyright (c) 1992 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/32 Thu, 03 Nov 2022 00:00:00 -0300 Auto-Organização https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/33 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Este é um livro que trata da auto-organização. Desde a década de 1950, este termo tem sido caracterizado de maneiras diferentes, mas por trás dessas definições existe uma idéia comum, uma intuição vaga e excitante de que novas estruturas possam emergir mais ou menos espontaneamente em certos domínios. Como isso seria possível?</p> <p>O leitor está convidado a tentar desvendar este enigma a partir de sua própria área de conhecimento. Cada um dos dezessete artigos da coletânea é auto-suficiente, e pode servir de ponto de partida para um aprofundamento na questão da auto-organização. Para orientação, o leitor poderá vasculhar os resumos que apresentamos nos próximos parágrafos, ou iniciar com o Prefácio, escrita por Michel Debrun: "Por Que, Quando e Como Falar em 'Auto-Organização'?".</p> <p>O professor Debrun tem coordenado as reuniões que deram origem a este volume. O livro constitui uma espécie de "memória ativa" de estudos que vêm se desenvolvendo desde 1986 no Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No primeiro qüinqüênio, a problemática dessa série de seminários multidisciplinares foi "Ordem e Desordem"; a partir de 1991, passou a ser "Auto-Organização e Informação".</p> <p>Foi então que esta coletânea começou a ser elaborada. Os artigos aqui apresentados foram escritos em diferentes etapas do desenvolvimento do grupo, e a data de entrega de cada capítulo encontra-se registrada no seu final. Enquanto o livro ia sendo organizado, alguns textos passaram a refletir apenas o estágio inicial da pesquisa dos seus autores; outros artigos são fiéis ao atual estado de entendimento dos autores, e alguns outros deixam transparecer claramente o desenvolvimento futuro de suas pesquisas em um dos campos de estudos da auto-organização.</p> <p>Passamos agora a resumir cada um dos artigos da coletânea, e ao final deste prefácio apresentamos uma lista dos pesquisadores que têm participado dos seminários.</p> <p>Na Parte I do livro, o filósofo político Michel Debrun aborda a idéia de auto-organização de um ponto de vista filosófico, fornecendo vários exemplos curtos tirados das Ciências Humanas e dos jogos esportivos. Em seu primeiro artigo, "A Idéia de Auto-Organização", de caráter mais introdutório, ele define auto-organização como o advento ou reestruturação de uma forma, devido principalmente ao próprio processo, e só em menor grau às condições de partida ou de contorno, ou a um supervisor. Distingue entre a auto-organização primária, na qual os elementos interagem sem supervisor nem objetivo global e passam a sedimentar uma forma ou a constituir um sistema, e auto-organização secundária, que ocorre em organismos já constituídos, possuidores de finalidades internas, e que apresentam partes que interagem de maneira "acavalada", podendo estar subordinadas a um elemento mais hegemônico. Debrun destaca várias características de processos auto-organizativos, como sua autonomia, o trabalho de si sobre si e o papel da criação, examinando criticamente a posição do sujeito na auto-organização.</p> <p>Em seu segundo artigo, "A Dinâmica da Auto-Organização Primária", Debrun retoma a distinção entre auto-organização primária, um processo sem sujeito, e secundária, caracterizada pela aprendizagem. Apesar das diferenças, o autor destaca o que essas modalidades têm em comum, dentro de uma perspectiva neo-mecanicista. Passa então a enfocar a dinâmica da auto-organização primária, salientando três fases do processo: o corte que marca seu começo, a endogenização e interiorização crescente, e a cristalização de uma forma ou identidade. Debrun destaca também diferentes tipos de processos que não são auto-organizativos, e que chama de "autofuncionamento", "auto-organização negativa" e "hetero-organização". O artigo culmina com uma nova definição de auto-organização primária, que seria todo processo de interação de elementos realmente distintos que, ao invés de tender para um atrator já dado, sedimenta progressivamente seu próprio atrator e, portanto, se cria a si próprio enquanto sistema. Essa ausência de um atrator pré-estabelecido caracteriza uma "temporalidade efetiva" nos processos auto-organizativos.</p> <p>A Parte II inclui quatro artigos que estudam a auto-organização dos pontos de vista lógico, matemático ou computacional. O lógico Walter Carnielli propõe uma maneira de definir a auto-organização emMatemática, no artigo "Auto-Organização em Estruturas Combinatórias".</p> <p>Após definir de maneira precisa as noções de "estrutura", "estado" e "sistema", ele mostra que certas propriedades da organização de sistemas combinatórios (como o conhecido Teorema de Ramsey, segundo o qual, por exemplo, três pessoas em uma festa ou se conhecem mutuamente ou se desconhecem mutuamente, quaisquer que sejam os convidados da festa) surgem espontaneamente a partir de um "ponto de bifurcação" - um certo valor do número de elementos do sistema. Ao tratar de sistemas infinitos, caracteriza o que seriam perturbações aleatórias, e mostra que o sistema se auto-organiza para um ponto de bifurcação de valor bem determinado, sem que o sistema seja visto como "dissipando energia", ao contrário do que exigiriam as definições nas Ciências Naturais.</p> <p>O lógico A.M. Sette, em "Máquinas de Brouwer e Auto- Organização", inicia o capítulo revendo seis exemplos de auto- organização, e examina alguns critérios propostos por Debrun para definir tais processos. Argumenta então que tais critérios são por demais restringentes, excluindo os exemplos vistos. Propõe assim uma definição de sistema espontaneamente organizado (incluindo os auto-organizados), o qual construiria paulatinamente sua identidade, em um processo de aumento de ordem, com um componente determinista e outro aleatório. Na segunda parte do artigo, o autor explora a visão filosófica do matemático L.E.J. Brouwer, em particular a sua constmção lógica do mundo a partir das sensações. Sette descreve um sistema dinâmico que representaria esta construção, e argumenta que essa "máquina de Brouwer" satisfaz os critérios de organização espontânea, mas não completamente os de auto- organização.</p> <p>No artigo "Informação e Auto-Organização", o filósofo da matemática Jairo da Silva fundamenta as noções de ordem, organização, complexidade e auto-organização na Teoria Matemática da Informação. Inicialmente ele faz uma apresentação conceituai e matemática da teoria. Considerando a organização como um aumento de "ordem", ele nota que esta pode ser entendida de duas maneiras distintas: uma relacionada à regularidade e redundância, outra ligada à novidade e complexidade. A partir desses dois sentidos fundamenta-se a distinção entre "organização primária", na qual um sistema (ou um proto-sistema) passa a ter um fluxo de informação cada vez maior entre suas partes, e "organização secundária", onde um sistema aumenta sua complexidade através da redução do fluxo informacional entre suas parte. Processos desses tipos são de "auto- organização" quando eles não são meros desenvolvimentos necessários dos seus eventos inaugurais. Para finalizar, o autor resume a crítica que o biólogo H. Yockey fez, a partir da Teoria da Informação, dos roteiros de auto-organização da vida disponíveis na literatura.</p> <p>O filósofo da ciência Osvaldo Pessoa Jr., em "Medidas Sistêmicas e Organização", inicia o capítulo discutindo algumas características da noção de "sistema". Considera quinze definições diferentes dadas na literatura para as medidas sistêmicas de organização, ordem e complexidade, e propõe-se a explorar as relações entre tais medidas. Para isso, toma como exemplo de sistema as redes booleanas exploradas pelo biofísico Stuart Kauffman, esclarecendo de passagem as duas noções de auto-organização usadas por ele. Pessoa propõe então duas medidas de organização em redes conexionistas. A "integração" mediria a organização na acepção dada por W. Ross Ashby, enquanto grau de condicionalidade entre os elementos do sistema. A "pluralidade" mediria como o poder causai dos elementos está distribuído. Através de simulações no computador, o autor encontrou uma correlação entre a pluralidade e uma medida de desordem dada pelo número de ciclos atratores de uma rede conexionista. Como próximo passo, pretende implementar um ambiente em tomo do sistema estudado.</p> <p>A Parte III deste volume contém três artigos que abordam a auto-organização nas Ciências Naturais. Em "Estabilidade Estrutural e Organização", o engenheiro José Roberto Piqueira apresenta de maneira didática aspectos da Teoria de Sistemas Dinâmicos, examinando as idéias de estabilidade estrutural, bifurcação e caos determinístico. Passa então a explorar como se pode definir o conceito de auto-organização neste domínio, já que a mera transposição do conceito usado na Termodinâmica de sistemas abertos não é válida para sistemas autônomos, que não interagem com um ambiente. Sublinha a distinção entre a dinâmica rápida de um sistema autônomo e sua dinâmica lenta, salientando que uma mudança na dinâmica lenta pode alterar o grau de complexidade da dinâmica rápida. Uma organização "secundária" caracterizaria situações de estabilidade estrutural da dinâmica rápida, e o autor mostra que ela implica uma organização primária, resultante da constância de uma medida entrópica por ele definida. Uma medida de complexidade e a definição de auto-organização são deixadas para um trabalho posterior.</p> <p>Os físicos Roberto Luzzi e Áurea Vasconcellos, em "Estruturas Dissipativas Auto-Organizadas: um Ponto de Vista Estatístico", exploram a nova Física dos sistemas que exibem comportamento complexo. Concentram-se nas estruturas dissipativas definidas por Ilya Prigogine e colaboradores, que são sistemas macroscópicos mantidos longe do equilíbrio por fontes externas, seguindo leis não-lineares, e que apresentam uma ordem espacial, temporal ou de outro tipo. O termo "auto-organização" se aplica a esses sistemas porque a estrutura emergente não é imposta do exterior, mas resulta das leis de evolução do próprio sistema. Após indicar os passos que devem ser tomados para descrever matematicamente uma estrutura dissipativa, os autores apresentam a abordagem desenvolvida por eles para fundamentar tais estruturas termodinâmicas em uma Mecânica Estatística de não-equilíbrio. Bastante ênfase é dada ao cálculo da distribuição de probabilidades iniciais, que segue o método de maximização da entropia estatística de E.T. Jaynes. Luzzi e Vasconcellos retomam então à discussão geral sobre a auto-organização em sistemas físico-químicos, apontando extensões para sistemas biológicos e, mais detalhadamente, para sistemas socioculturais. Considerando a natureza do método científico, concluem ressaltando o papel que o conceito de "auto-organização" teria na unificação das diversas ciências.</p> <p>No artigo "Auto-Organização na Biologia: Nível Ontogenético", o filósofo da ciência Alfredo Pereira Jr., o biólogo Romeu Guimarães e o biofísico João Chaves Jr. partem de um histórico dos diferentes usos da noção de auto-organização em Biologia. Deixando de lado a questão do papel da auto-organização na evolução biológica (filogênese), eles argumentam que a geração e desenvolvimento de um indivíduo (ontogênese) a partir da informação genética herdada é um processo de auto-organização. A informação constitutiva presente em cada célula é invariante, mas os processos de leitura desta informação são sensíveis a efetores físico-químicos provindos dos ambientes interno e externo à célula. Esta diversificação informacional, que surge com o ruído ambiental, caracteriza a auto-organização ontogenética, sendo que a estabilidade do ser vivo é mantida devido à "versatilidade funcional" e às redes regulatórias. Após tecerem considerações epistemológicas sobre a auto-organização biológica, os autores descrevem os mecanismos de regulação bioquímica envolvendo proteínas alostéricas, e destacam quatro patamares de auto-organização ontogenética: genético, morfogenético, humoral e neural.</p> <p>A Parte IV trata da auto-organização nas Ciências Cognitivas, do Comportamento, e na Lingüística. Em "Ação, Causalidade e Ruído nas Redes Neurais Auto-Organizadas", a filósofa da ciência cognitiva Maria Eunice Gonzales investiga em que medida o conceito de auto-organização pode ser adequadamente usado na Ciência.Cognitiva. De início, descarta o uso deste termo nos modelos, baseados em regras simbólicas, da Inteligência Artificial. Considera então diferentes tipos de modelos do Neoconexionismo, concentrando-se no treinamento não supervisionado. Apesar de tais redes com aprendizagem por competição serem conhecidas na bibliografia como "auto-organizadas", a autora argumenta que elas carecem de certas propriedades da auto-organização, faltando-lhes um princípio motor, fundamental na matéria viva organizada. Após considerar a distinção entre auto-organização primária e secundária, e o modelo da Teoria da Harmonia, de Paul Smolensky, retoma a tese de que nossas habilidades inteligentes estão essencialmente entrelaçadas a nossas ações no ambiente. Considera então o modelo de aprendizado de um robô, desenvolvido por Paul Verschure e colaboradores. Porém, como o robô em questão apenas se locomove, mas não age no ambiente, o modelo não preencheria todos os requisitos da auto-organização secundária.</p> <p>A pesquisadora do desenvolvimento motor humano Ana Maria Pellegrini, em "Auto-Organização e Desenvolvimento Motor", faz um exame das várias teorias de controle, aprendizagem e desenvolvimento motor no ser humano. Nas visões mais recentes, ligadas à Teoria da Ação e à Teoria dos Sistemas Dinâmicos, o desenvolvimento motor pode ser considerado um processo de auto-organização, entendido como a formação de padrões através da cooperação entre elementos materiais, sem que a nova organização produzida esteja contida em um dos elementos ou no ambiente. Uma das condições para essa auto-organização é a "flexibilidade organizacional", ou seja, o acesso que o organismo tem a diferentes estados potenciais. A direção desta auto-organização é dada pelo ambiente. No debate entre hierarquia e heterarquia, a autora defende que, no processo auto-organizativo do desenvolvimento motor, sempre há alguns subsistemas que têm domínio sobre os outros, mas com o passar do tempo esse domínio é transferido, de forma que não há um centro que sempre domine.</p> <p>Uma atitude mais cética em relação ao valor da noção de auto-organização transparece no artigo da lingüista Eleonora Albano, "Auto-Organização e Ontogênese dos Sistemas Fônicos". Deixando de lado o debate entre o inatismo lingüístico (Chomsky) e a auto-organização psico-lingüística (Piaget), a autora considera o termo "auto-organização" em uma acepção heurística. Tal acepção se aplicaria a processos nos quais uma instabilidade inicial, como a existente inicialmente no repertório caótico de segmentos fônicos em uma criança, é gradativãmente substituída por uma estabilidade final, sem que a organização deste repertório seja diretamente transferida por adultos. Essa descrição, feita em termos de "traços" lingüísticos, tem sido complementada na última década por uma abordagem mais quantitativa que fundamenta o "gesto" lingüístico na motricidade. A partir da união desses dois pontos de vista, a autora desenvolve uma abordagem mais neuropsicológica que chamou de Fonologia dos Atos e Efeitos. Nesta, a interação mútua entre motricidade e percepção, que se modulam com o passar do tempo, está fortemente acoplada com a experiência. Isso tomaria inadequado, na opinião da autora, o uso do termo "auto-organização", salvo talvez no sentido mais fraco de auto-organização "secundária".</p> <p>No artigo "Auto-Organização em Brincadeiras de Crianças: de Movimentos Desordenados à Realização de Atratores", a física Amélia Império-Hamburger e as psicólogas Maria Isabel Pedrosa e Ana Maria Almeida descrevem-os movimentos de um grupo de crianças brincando em uma sala, utilizando conceitos da teoria de sistemas dinâmicos. Em certos momentos, o movimento das crianças lembra o movimento aleatório "browniano" mas, no "campo de interações" sociais, certas configurações ordenadas se estabilizam como atratores. Esta evolução caracteriza a auto-organização no sistema, sem no entanto que o componente aleatório seja eliminado. As autoras salientam assim o balanceamento entre ações espontâneas dos indivíduos e encadeamentos determinísticos que regem as ações do coletivo. Para estes últimos, propõem um conjunto de princípios de sociabilidade, que promoveriam o compartilhamento de significados que surge nas trocas entre as crianças no "espaço de informação".</p> <p>A Parte V do livro envolve a auto-organização em Administração e nas Ciências Sociais. Nenhum artigo específico sobre as Ciências Sociais é apresentado, apesar da importância do tema, mas considerações sobre o assunto podem ser encontrados nos capítulos 1, 2, 8 e 13 desta coletânea, e no texto "Organização Informal, Auto-Organização e Inovação", do engenheiro Ettore Bresciani F-, que enfoca o problema da mudança organizacional em empresas industriais. Uma organização social envolve um conjunto de indivíduos que interagem e exercem atividades de forma estável, tendo em vista um objetivo claro a ser atingido no ambiente externo. Por "auto-organização", entende-se um processo de evolução com variação na complexidade, resultante de uma sucessão de desorganizações e reorganizações, sem o planejamento explícito de agentes internos ou externos. Dentro de uma organização formal, devido a situações diversas, é comum surgirem organizações informais (com efeitos positivos ou negativos) por meio de processos de auto-organização. Bresciani argumenta que a concessão de um grau maior de autonomia aos indivíduos (mantendo um compromisso entre o determinismo das regras formais e o caos que decorre da ausência destas regras) facilita a auto-organização dentro da empresa, e isso beneficia a adaptação da organização ao ambiente externo, facilitando entre outras coisas o processo de inovação tecnológica.</p> <p>A última divisão do livro, a Parte VI, trata da auto-organização na produção artística. Três artigos são apresentados, todos relacionados com a Música. O filósofo lulo Brandão, em "Unidade e Diversidade como Correlatos da Ordem e da Desordem no Campo da Estética", inicia o capítulo explorando a noção de ordem na Filosofia, que seria um princípio ou idéia que unifica um conjunto de elementos reais ou perceptuais. Cada período histórico tem as suas ordens próprias, como mostra o autor ao examinar as diferentes ordens musicais: modal, modal-tonal, tonai clássica e romântica, atonal livre e dodecafônica. Na ordem tonai, por exemplo, cada composição apresenta uma estrutura hierárquica na qual os sons se subordinam a um centro organizador, formado por um par tônica-dominante. Em contraste com isso, a auto-organização estaria associada à ausência de um centro organizador, e se manifestaria na ordens atonais, onde o centro único desfaz-se em vários pivôs coordenados.</p> <p>Examinando com maior detalhe essa questão da "Música e Auto-Organização", a musicóloga Najat Gaziri parte de uma descrição da composição musical enquanto sistema, cuja organização depende de uma ordem interna (configuração temporal e espacial de componentes) e de uma ordem seqüencial (padrões sonoros em desenvolvimento). A autora aponta três níveis em que se manifestam princípios de auto-organização. Primeiro, no processo de composição da música tradicional, o compositor vai selecionando novos elementos, o que gera uma nova ordem e restringe as possibilidades subseqüentes. Neste processo humano de criação, exemplificado por uma obra de Almeida Prado, elementos novos podem gerar instabilidades que clamam por uma resolução que retome o equilíbrio. Em segundo lugar, ocorre auto-organização na "composição como processo" da Música contemporânea, como na obra de Steve Reich, em que microfones suspensos balançam junto a auto-falantes, Uma terceira manifestação de auto-organização ocorre na Música Aleatória de compositores como Cage e Stockhausen.</p> <p>Exemplos adicionais de composições que manifestam aspectos da auto-organização são fornecidas pelo matemático e músico computacional Jônatas Manzolli, em "Auto-Organização: um Paradigma Computacional". Ele salienta que o compositor e sua obra organizam-se em geral através de um processo interativo. Tal retroalimentação seria uma marca da auto-organização na criação musical. Enfoca então o uso de algoritmos para compor música, que vem desde o século XI com Guido d’rezzo, passando por J.S. Bach e pelo Jogo de Dados de Mozart. Neste caso, aparecem as seguintes características de auto-organização: convivência de processos deterministas e aleatórios, sensibilidade às condições iniciais, e o todo sendo maior que a soma das partes. Em certas composições contemporâneas, o acaso (ruído) é usado para gerar ordem, e na Música Computacional, noções retiradas da Teoria de Sistemas Dinâmicos (como a auto-semelhança) são utilizadas na composição. O autor termina descrevendo um conjunto de composições por ele criadas, inspiradas na idéia de auto-organização”.</p> <p>“Este é um livro que trata da auto-organização. Desde a década de 1950, este termo tem sido caracterizado de maneiras diferentes, mas por trás dessas definições existe uma idéia comum, uma intuição vaga e excitante de que novas estruturas possam emergir mais ou menos espontaneamente em certos domínios. Como isso seria possível?</p> <p>O leitor está convidado a tentar desvendar este enigma a partir de sua própria área de conhecimento. Cada um dos dezessete artigos da coletânea é auto-suficiente, e pode servir de ponto de partida para um aprofundamento na questão da auto-organização. Para orientação, o leitor poderá vasculhar os resumos que apresentamos nos próximos parágrafos, ou iniciar com o Prefácio, escrita por Michel Debrun: "Por Que, Quando e Como Falar em 'Auto-Organização'?".</p> <p>O professor Debrun tem coordenado as reuniões que deram origem a este volume. O livro constitui uma espécie de "memória ativa" de estudos que vêm se desenvolvendo desde 1986 no Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No primeiro qüinqüênio, a problemática dessa série de seminários multidisciplinares foi "Ordem e Desordem"; a partir de 1991, passou a ser "Auto-Organização e Informação".</p> <p>Foi então que esta coletânea começou a ser elaborada. Os artigos aqui apresentados foram escritos em diferentes etapas do desenvolvimento do grupo, e a data de entrega de cada capítulo encontra-se registrada no seu final. Enquanto o livro ia sendo organizado, alguns textos passaram a refletir apenas o estágio inicial da pesquisa dos seus autores; outros artigos são fiéis ao atual estado de entendimento dos autores, e alguns outros deixam transparecer claramente o desenvolvimento futuro de suas pesquisas em um dos campos de estudos da auto-organização.</p> <p>Passamos agora a resumir cada um dos artigos da coletânea, e ao final deste prefácio apresentamos uma lista dos pesquisadores que têm participado dos seminários.</p> <p>Na Parte I do livro, o filósofo político Michel Debrun aborda a idéia de auto-organização de um ponto de vista filosófico, fornecendo vários exemplos curtos tirados das Ciências Humanas e dos jogos esportivos. Em seu primeiro artigo, "A Idéia de Auto-Organização", de caráter mais introdutório, ele define auto-organização como o advento ou reestruturação de uma forma, devido principalmente ao próprio processo, e só em menor grau às condições de partida ou de contorno, ou a um supervisor. Distingue entre a auto-organização primária, na qual os elementos interagem sem supervisor nem objetivo global e passam a sedimentar uma forma ou a constituir um sistema, e auto-organização secundária, que ocorre em organismos já constituídos, possuidores de finalidades internas, e que apresentam partes que interagem de maneira "acavalada", podendo estar subordinadas a um elemento mais hegemônico. Debrun destaca várias características de processos auto-organizativos, como sua autonomia, o trabalho de si sobre si e o papel da criação, examinando criticamente a posição do sujeito na auto-organização.</p> <p>Em seu segundo artigo, "A Dinâmica da Auto-Organização Primária", Debrun retoma a distinção entre auto-organização primária, um processo sem sujeito, e secundária, caracterizada pela aprendizagem. Apesar das diferenças, o autor destaca o que essas modalidades têm em comum, dentro de uma perspectiva neo-mecanicista. Passa então a enfocar a dinâmica da auto-organização primária, salientando três fases do processo: o corte que marca seu começo, a endogenização e interiorização crescente, e a cristalização de uma forma ou identidade. Debrun destaca também diferentes tipos de processos que não são auto-organizativos, e que chama de "autofuncionamento", "auto-organização negativa" e "hetero-organização". O artigo culmina com uma nova definição de auto-organização primária, que seria todo processo de interação de elementos realmente distintos que, ao invés de tender para um atrator já dado, sedimenta progressivamente seu próprio atrator e, portanto, se cria a si próprio enquanto sistema. Essa ausência de um atrator pré-estabelecido caracteriza uma "temporalidade efetiva" nos processos auto-organizativos.</p> <p>A Parte II inclui quatro artigos que estudam a auto-organização dos pontos de vista lógico, matemático ou computacional. O lógico Walter Carnielli propõe uma maneira de definir a auto-organização emMatemática, no artigo "Auto-Organização em Estruturas Combinatórias".</p> <p>Após definir de maneira precisa as noções de "estrutura", "estado" e "sistema", ele mostra que certas propriedades da organização de sistemas combinatórios (como o conhecido Teorema de Ramsey, segundo o qual, por exemplo, três pessoas em uma festa ou se conhecem mutuamente ou se desconhecem mutuamente, quaisquer que sejam os convidados da festa) surgem espontaneamente a partir de um "ponto de bifurcação" - um certo valor do número de elementos do sistema. Ao tratar de sistemas infinitos, caracteriza o que seriam perturbações aleatórias, e mostra que o sistema se auto-organiza para um ponto de bifurcação de valor bem determinado, sem que o sistema seja visto como "dissipando energia", ao contrário do que exigiriam as definições nas Ciências Naturais.</p> <p>O lógico A.M. Sette, em "Máquinas de Brouwer e Auto- Organização", inicia o capítulo revendo seis exemplos de auto- organização, e examina alguns critérios propostos por Debrun para definir tais processos. Argumenta então que tais critérios são por demais restringentes, excluindo os exemplos vistos. Propõe assim uma definição de sistema espontaneamente organizado (incluindo os auto-organizados), o qual construiria paulatinamente sua identidade, em um processo de aumento de ordem, com um componente determinista e outro aleatório. Na segunda parte do artigo, o autor explora a visão filosófica do matemático L.E.J. Brouwer, em particular a sua constmção lógica do mundo a partir das sensações. Sette descreve um sistema dinâmico que representaria esta construção, e argumenta que essa "máquina de Brouwer" satisfaz os critérios de organização espontânea, mas não completamente os de auto- organização.</p> <p>No artigo "Informação e Auto-Organização", o filósofo da matemática Jairo da Silva fundamenta as noções de ordem, organização, complexidade e auto-organização na Teoria Matemática da Informação. Inicialmente ele faz uma apresentação conceituai e matemática da teoria. Considerando a organização como um aumento de "ordem", ele nota que esta pode ser entendida de duas maneiras distintas: uma relacionada à regularidade e redundância, outra ligada à novidade e complexidade. A partir desses dois sentidos fundamenta-se a distinção entre "organização primária", na qual um sistema (ou um proto-sistema) passa a ter um fluxo de informação cada vez maior entre suas partes, e "organização secundária", onde um sistema aumenta sua complexidade através da redução do fluxo informacional entre suas parte. Processos desses tipos são de "auto- organização" quando eles não são meros desenvolvimentos necessários dos seus eventos inaugurais. Para finalizar, o autor resume a crítica que o biólogo H. Yockey fez, a partir da Teoria da Informação, dos roteiros de auto-organização da vida disponíveis na literatura.</p> <p>O filósofo da ciência Osvaldo Pessoa Jr., em "Medidas Sistêmicas e Organização", inicia o capítulo discutindo algumas características da noção de "sistema". Considera quinze definições diferentes dadas na literatura para as medidas sistêmicas de organização, ordem e complexidade, e propõe-se a explorar as relações entre tais medidas. Para isso, toma como exemplo de sistema as redes booleanas exploradas pelo biofísico Stuart Kauffman, esclarecendo de passagem as duas noções de auto-organização usadas por ele. Pessoa propõe então duas medidas de organização em redes conexionistas. A "integração" mediria a organização na acepção dada por W. Ross Ashby, enquanto grau de condicionalidade entre os elementos do sistema. A "pluralidade" mediria como o poder causai dos elementos está distribuído. Através de simulações no computador, o autor encontrou uma correlação entre a pluralidade e uma medida de desordem dada pelo número de ciclos atratores de uma rede conexionista. Como próximo passo, pretende implementar um ambiente em tomo do sistema estudado.</p> <p>A Parte III deste volume contém três artigos que abordam a auto-organização nas Ciências Naturais. Em "Estabilidade Estrutural e Organização", o engenheiro José Roberto Piqueira apresenta de maneira didática aspectos da Teoria de Sistemas Dinâmicos, examinando as idéias de estabilidade estrutural, bifurcação e caos determinístico. Passa então a explorar como se pode definir o conceito de auto-organização neste domínio, já que a mera transposição do conceito usado na Termodinâmica de sistemas abertos não é válida para sistemas autônomos, que não interagem com um ambiente. Sublinha a distinção entre a dinâmica rápida de um sistema autônomo e sua dinâmica lenta, salientando que uma mudança na dinâmica lenta pode alterar o grau de complexidade da dinâmica rápida. Uma organização "secundária" caracterizaria situações de estabilidade estrutural da dinâmica rápida, e o autor mostra que ela implica uma organização primária, resultante da constância de uma medida entrópica por ele definida. Uma medida de complexidade e a definição de auto-organização são deixadas para um trabalho posterior.</p> <p>Os físicos Roberto Luzzi e Áurea Vasconcellos, em "Estruturas Dissipativas Auto-Organizadas: um Ponto de Vista Estatístico", exploram a nova Física dos sistemas que exibem comportamento complexo. Concentram-se nas estruturas dissipativas definidas por Ilya Prigogine e colaboradores, que são sistemas macroscópicos mantidos longe do equilíbrio por fontes externas, seguindo leis não-lineares, e que apresentam uma ordem espacial, temporal ou de outro tipo. O termo "auto-organização" se aplica a esses sistemas porque a estrutura emergente não é imposta do exterior, mas resulta das leis de evolução do próprio sistema. Após indicar os passos que devem ser tomados para descrever matematicamente uma estrutura dissipativa, os autores apresentam a abordagem desenvolvida por eles para fundamentar tais estruturas termodinâmicas em uma Mecânica Estatística de não-equilíbrio. Bastante ênfase é dada ao cálculo da distribuição de probabilidades iniciais, que segue o método de maximização da entropia estatística de E.T. Jaynes. Luzzi e Vasconcellos retomam então à discussão geral sobre a auto-organização em sistemas físico-químicos, apontando extensões para sistemas biológicos e, mais detalhadamente, para sistemas socioculturais. Considerando a natureza do método científico, concluem ressaltando o papel que o conceito de "auto-organização" teria na unificação das diversas ciências.</p> <p>No artigo "Auto-Organização na Biologia: Nível Ontogenético", o filósofo da ciência Alfredo Pereira Jr., o biólogo Romeu Guimarães e o biofísico João Chaves Jr. partem de um histórico dos diferentes usos da noção de auto-organização em Biologia. Deixando de lado a questão do papel da auto-organização na evolução biológica (filogênese), eles argumentam que a geração e desenvolvimento de um indivíduo (ontogênese) a partir da informação genética herdada é um processo de auto-organização. A informação constitutiva presente em cada célula é invariante, mas os processos de leitura desta informação são sensíveis a efetores físico-químicos provindos dos ambientes interno e externo à célula. Esta diversificação informacional, que surge com o ruído ambiental, caracteriza a auto-organização ontogenética, sendo que a estabilidade do ser vivo é mantida devido à "versatilidade funcional" e às redes regulatórias. Após tecerem considerações epistemológicas sobre a auto-organização biológica, os autores descrevem os mecanismos de regulação bioquímica envolvendo proteínas alostéricas, e destacam quatro patamares de auto-organização ontogenética: genético, morfogenético, humoral e neural.</p> <p>A Parte IV trata da auto-organização nas Ciências Cognitivas, do Comportamento, e na Lingüística. Em "Ação, Causalidade e Ruído nas Redes Neurais Auto-Organizadas", a filósofa da ciência cognitiva Maria Eunice Gonzales investiga em que medida o conceito de auto-organização pode ser adequadamente usado na Ciência.Cognitiva. De início, descarta o uso deste termo nos modelos, baseados em regras simbólicas, da Inteligência Artificial. Considera então diferentes tipos de modelos do Neoconexionismo, concentrando-se no treinamento não supervisionado. Apesar de tais redes com aprendizagem por competição serem conhecidas na bibliografia como "auto-organizadas", a autora argumenta que elas carecem de certas propriedades da auto-organização, faltando-lhes um princípio motor, fundamental na matéria viva organizada. Após considerar a distinção entre auto-organização primária e secundária, e o modelo da Teoria da Harmonia, de Paul Smolensky, retoma a tese de que nossas habilidades inteligentes estão essencialmente entrelaçadas a nossas ações no ambiente. Considera então o modelo de aprendizado de um robô, desenvolvido por Paul Verschure e colaboradores. Porém, como o robô em questão apenas se locomove, mas não age no ambiente, o modelo não preencheria todos os requisitos da auto-organização secundária.</p> <p>A pesquisadora do desenvolvimento motor humano Ana Maria Pellegrini, em "Auto-Organização e Desenvolvimento Motor", faz um exame das várias teorias de controle, aprendizagem e desenvolvimento motor no ser humano. Nas visões mais recentes, ligadas à Teoria da Ação e à Teoria dos Sistemas Dinâmicos, o desenvolvimento motor pode ser considerado um processo de auto-organização, entendido como a formação de padrões através da cooperação entre elementos materiais, sem que a nova organização produzida esteja contida em um dos elementos ou no ambiente. Uma das condições para essa auto-organização é a "flexibilidade organizacional", ou seja, o acesso que o organismo tem a diferentes estados potenciais. A direção desta auto-organização é dada pelo ambiente. No debate entre hierarquia e heterarquia, a autora defende que, no processo auto-organizativo do desenvolvimento motor, sempre há alguns subsistemas que têm domínio sobre os outros, mas com o passar do tempo esse domínio é transferido, de forma que não há um centro que sempre domine.</p> <p>Uma atitude mais cética em relação ao valor da noção de auto-organização transparece no artigo da lingüista Eleonora Albano, "Auto-Organização e Ontogênese dos Sistemas Fônicos". Deixando de lado o debate entre o inatismo lingüístico (Chomsky) e a auto-organização psico-lingüística (Piaget), a autora considera o termo "auto-organização" em uma acepção heurística. Tal acepção se aplicaria a processos nos quais uma instabilidade inicial, como a existente inicialmente no repertório caótico de segmentos fônicos em uma criança, é gradativãmente substituída por uma estabilidade final, sem que a organização deste repertório seja diretamente transferida por adultos. Essa descrição, feita em termos de "traços" lingüísticos, tem sido complementada na última década por uma abordagem mais quantitativa que fundamenta o "gesto" lingüístico na motricidade. A partir da união desses dois pontos de vista, a autora desenvolve uma abordagem mais neuropsicológica que chamou de Fonologia dos Atos e Efeitos. Nesta, a interação mútua entre motricidade e percepção, que se modulam com o passar do tempo, está fortemente acoplada com a experiência. Isso tomaria inadequado, na opinião da autora, o uso do termo "auto-organização", salvo talvez no sentido mais fraco de auto-organização "secundária".</p> <p>No artigo "Auto-Organização em Brincadeiras de Crianças: de Movimentos Desordenados à Realização de Atratores", a física Amélia Império-Hamburger e as psicólogas Maria Isabel Pedrosa e Ana Maria Almeida descrevem-os movimentos de um grupo de crianças brincando em uma sala, utilizando conceitos da teoria de sistemas dinâmicos. Em certos momentos, o movimento das crianças lembra o movimento aleatório "browniano" mas, no "campo de interações" sociais, certas configurações ordenadas se estabilizam como atratores. Esta evolução caracteriza a auto-organização no sistema, sem no entanto que o componente aleatório seja eliminado. As autoras salientam assim o balanceamento entre ações espontâneas dos indivíduos e encadeamentos determinísticos que regem as ações do coletivo. Para estes últimos, propõem um conjunto de princípios de sociabilidade, que promoveriam o compartilhamento de significados que surge nas trocas entre as crianças no "espaço de informação".</p> <p>A Parte V do livro envolve a auto-organização em Administração e nas Ciências Sociais. Nenhum artigo específico sobre as Ciências Sociais é apresentado, apesar da importância do tema, mas considerações sobre o assunto podem ser encontrados nos capítulos 1, 2, 8 e 13 desta coletânea, e no texto "Organização Informal, Auto-Organização e Inovação", do engenheiro Ettore Bresciani F-, que enfoca o problema da mudança organizacional em empresas industriais. Uma organização social envolve um conjunto de indivíduos que interagem e exercem atividades de forma estável, tendo em vista um objetivo claro a ser atingido no ambiente externo. Por "auto-organização", entende-se um processo de evolução com variação na complexidade, resultante de uma sucessão de desorganizações e reorganizações, sem o planejamento explícito de agentes internos ou externos. Dentro de uma organização formal, devido a situações diversas, é comum surgirem organizações informais (com efeitos positivos ou negativos) por meio de processos de auto-organização. Bresciani argumenta que a concessão de um grau maior de autonomia aos indivíduos (mantendo um compromisso entre o determinismo das regras formais e o caos que decorre da ausência destas regras) facilita a auto-organização dentro da empresa, e isso beneficia a adaptação da organização ao ambiente externo, facilitando entre outras coisas o processo de inovação tecnológica.</p> <p>A última divisão do livro, a Parte VI, trata da auto-organização na produção artística. Três artigos são apresentados, todos relacionados com a Música. O filósofo lulo Brandão, em "Unidade e Diversidade como Correlatos da Ordem e da Desordem no Campo da Estética", inicia o capítulo explorando a noção de ordem na Filosofia, que seria um princípio ou idéia que unifica um conjunto de elementos reais ou perceptuais. Cada período histórico tem as suas ordens próprias, como mostra o autor ao examinar as diferentes ordens musicais: modal, modal-tonal, tonai clássica e romântica, atonal livre e dodecafônica. Na ordem tonai, por exemplo, cada composição apresenta uma estrutura hierárquica na qual os sons se subordinam a um centro organizador, formado por um par tônica-dominante. Em contraste com isso, a auto-organização estaria associada à ausência de um centro organizador, e se manifestaria na ordens atonais, onde o centro único desfaz-se em vários pivôs coordenados.</p> <p>Examinando com maior detalhe essa questão da "Música e Auto-Organização", a musicóloga Najat Gaziri parte de uma descrição da composição musical enquanto sistema, cuja organização depende de uma ordem interna (configuração temporal e espacial de componentes) e de uma ordem seqüencial (padrões sonoros em desenvolvimento). A autora aponta três níveis em que se manifestam princípios de auto-organização. Primeiro, no processo de composição da música tradicional, o compositor vai selecionando novos elementos, o que gera uma nova ordem e restringe as possibilidades subseqüentes. Neste processo humano de criação, exemplificado por uma obra de Almeida Prado, elementos novos podem gerar instabilidades que clamam por uma resolução que retome o equilíbrio. Em segundo lugar, ocorre auto-organização na "composição como processo" da Música contemporânea, como na obra de Steve Reich, em que microfones suspensos balançam junto a auto-falantes, Uma terceira manifestação de auto-organização ocorre na Música Aleatória de compositores como Cage e Stockhausen.</p> <p>Exemplos adicionais de composições que manifestam aspectos da auto-organização são fornecidas pelo matemático e músico computacional Jônatas Manzolli, em "Auto-Organização: um Paradigma Computacional". Ele salienta que o compositor e sua obra organizam-se em geral através de um processo interativo. Tal retroalimentação seria uma marca da auto-organização na criação musical. Enfoca então o uso de algoritmos para compor música, que vem desde o século XI com Guido d’rezzo, passando por J.S. Bach e pelo Jogo de Dados de Mozart. Neste caso, aparecem as seguintes características de auto-organização: convivência de processos deterministas e aleatórios, sensibilidade às condições iniciais, e o todo sendo maior que a soma das partes. Em certas composições contemporâneas, o acaso (ruído) é usado para gerar ordem, e na Música Computacional, noções retiradas da Teoria de Sistemas Dinâmicos (como a auto-semelhança) são utilizadas na composição. O autor termina descrevendo um conjunto de composições por ele criadas, inspiradas na idéia de auto-organização”.</p> <p>M. DEBRUN</p> <p>M.E.Q. GONZALES</p> <p>O. PESSOA JR. (orgs.)</p> <p> </p> <p>VOLUME 18 – 1996</p> <p>ISSN:0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1996</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Sistemas autoorganizadores 001.533</li> </ol> <p>OBS. Este é um livro que trata da auto-organização. Diferentes definições têm sido dadas para essa ideia, que corresponde a uma intuição vaga e excitante de que novas estruturas podem emergir, se desenvolver ou se reordenar essencialmente a partir delas próprias. Mas como isso seria possível? Será mesmo que existe algo como “auto-organização”, que não seja justificável a partir das modalidades correntes?</p> Michel Debrun, Maria Eunice Q. Gonzales, Osvaldo Pessoa Jr Copyright (c) 1996 CLE-UNICAMP https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/33 Thu, 03 Nov 2022 00:00:00 -0300 O Desenvolvimento Histórico da Ciência da Nutrição em Relação ao de Outras Ciências https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/22 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“O presente trabalho foi realizado como parte das atividades do Curso de Mestrado em Ciência da Nutrição, oferecido pelo Departamento de Planejamento Alimentar e Nutrição da Faculdade de Engenharia de Alimentos da UNICAMP, e apresentado como Dissertação de Mestrado.</p> <p>Esta pesquisa consiste em um estudo histórico do desenvolvimento do conhecimento científico sobre nutrição em relação ao desenvolvimento de outras ciências, particularmente da química e da fisiologia. 0 período abordado estende-se desde o final do século XVIII, que marca o início da química moderna e o surgimento da fisiologia enquanto ciência independente, até princípios do século XX, quando é estabelecido o conceito de vitaminas.</p> <p>O estudo teve como base a bibliografia histórica disponível a respeito do desenvolvimento da ciência da nutrição, da fisiologia, da química e da bioquímica. Foram obtidas informações históricas relativas às pesquisas experimentais e às concepções teóricas sobre o processo e as necessidades nutricionais. Essas informações foram organizadas de forma a compor a história dos principais conceitos e métodos de experimentação que definiam a ciência da nutrição no início do século XX, evidenciando o caminho percorrido pelos pesquisadores ao longo do período considerado e procurando estabelecer relações com o conhecimento científico disponível na época. Dentro dos limites definidos no tempo, este trabalho acompanha desde o surgimento das primeiras concepções químicas (no sentido moderno) sobre o processo de nutrição animal até o estabelecimento das leis que determinam os requerimentos energéticos humanos e o reconhecimento da essencialidade nutricional de minerais, aminoácidos e vitaminas.”</p> <p> </p> <p>KARINA MARIA OLBRICH DOS SANTOS</p> <p> </p> <p>Volume 5 – 1989</p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Nutrição : História 574.1309</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Esta pesquisa consiste em um estudo histórico do desenvolvimento do conhecimento científico sobre nutrição em relação ao desenvolvimento de outras ciências, particularmente da química e da fisiologia. O período abordado estende-se desde o final do século XVIII, que marca o início da química moderna e o surgimento da fisiologia enquanto uma ciência independente, até o princípio do século XX, quando é estabelecido o conceito de vitaminas.</p> Karina Maria Olbrich Dos Santos Copyright (c) 1989 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/22 Thu, 18 Aug 2022 00:00:00 -0300 Logic, sets and information https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/23 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“In the last fifteen years nine Brazilian Conferences in Logic have been organized, beginning in 1977 with the conference which took place at the State University of Campinas (UNICAMP), Sao Paulo. Since the foundation of the Brazilian Logic Society in 1979 these meetings have been organized by the Society, and have been supported by the Centre for Logic, Epistemology and the History of Science (CLE) of UNICAMP. The present volume contains a selection, chosen by anonymous referees, of the papers presented at the Tenth Brazilian Logic Conference, which took place in Itatiaia, Rio do Janeiro, in May 1993, and which was organized by the Society in collaboration with CLE-UNICAMP, sponsored by CNPq, FAPERJ and FAPESP, under the direction of an organizing committee consisting of Walter Alexandre Carnielli (UNICAMP), Jose Alexandre D. Guerzoni (UNICAMP), Luiz Carlos P.D. Pereira (UFRJ) and Vera Vidal (UFRJ). These papers do not focus on any single theme, but rather reflect the wide variety of areas in which research in logic is being carried out in Brazil. This preface should not be considered as a kind of abstract of the fourteen papers; it does not summarize them. Its general aim is just to indicate some of the questions and results taken up in the papers.</p> <p>Six of the papers discuss themes and questions related to pure and applied non-classical logic.</p> <p>In A natural deduction presentation for intuitionistic modal logics, Mario Benevides proposes a natural deduction formulation for intuitionistic modal logic where, besides necessity we also have the possibility operator "O". The modal operators are defined as higher level operators. The author shows how to systematically formalize intuitionistic versions of important and traditional modal logics, such as, K, T, S4, S5, D, D4 and D5. Benevides also discusses the possibility of providing what he calls an "intuitionistic interpretation" for the modal operators.</p> <p>In Is there a logic behind fuzziness?, Walter Carnielli and J.C. Cifuentcs Vasquez address some basic questions in the foundationsof fuzzy logic and fuzzy set-theory. Their specific aim is to characterize the syntax and semantics of fuzzy logics obtained from abstract classes of fuzzy sets.</p> <p>Figueiredo and Hauesler in Another approach to Abramsky's proofs-as-processes for multiplicative linear logic define a calculus where the relationship between proofs-as-processes and proof-nets can be adequatedly emphasized. As in the case of proof-nets, inputs and outputs are not predetermined in the new calculus. The authors also discuss a kind of Curry-Howard Isomorphism between the new calculus and proof-nets.</p> <p>In The problem of persistence in a system of many-valued intcnsional logic, Cosme Massi and Elias Alves discuss the question of persistence for an extension of Montague's system IL for intensional logic, to a three-valued extensional system called IL3. The Persisence Theorem for IL shows that if we are restricted to a specific class of formulas of IL, the system is complete in the non-generalized sense of completeness. After a brief presentation of the system IL3, the authors prove an analogue of the Persistence Theorem for IL3.</p> <p>Epistemic inconsistency is the theme of Pequeno and Buchsbaum's The logic of epistemic inconsistency, Epistemic inconsistency reflects the position that reasoning can be carried out on contradictory views of the same situation. Pequeno and Buchsbaum propose a syntax and a semantics suitable for the study of reasoning in these contexts of epistemic inconsistency. The authors also address the relation between reasoning on epistemic inconsistent contexts and nonmonotonic reasoning.</p> <p>The sixth paper on non-classical logics is Zaverucha and da Silva's An extension of Poolers logical framework for default reasoning to multiple agents. In this paper, Poole's approach to.single-agent defeasible reasoning is extended to multiple-agent defeasible reasoning. The authors take computational applications into consideration and show that the new framework allows the definition of several logics for multiple-agent defeasible reasoning.</p> <p>An interesting discussion about the relation between interpolation and modularity is taken up by Paulo Veloso in On some logical properties related to modularity and interpolation. Modularity is a central property in logical approaches to formal program and specification development. It guarantees composability of implementations via preservation of conservativeness. Veloso's main purpose is to show that some logical properties can be regarded as versions of interpolation, ensuring preservation of conservativeness.</p> <p>In Cauchy completeness of Stone spaces in boolean algebras, J,C, Cifuentes Vasquez shows that the uniformizability of the Stone space topology of a Boolean algebra directly implies the Cauchy-completeness of the resulting uniform space. Vasquez also shows that, since this uniform space is totally bounded, the compactness property is a directly consequence of Cauchy-completeness. General applications of these results to algebra and model theory are also discussed.</p> <p>The aim of R. Bianconi in Some model theory for the reals with analytic functionsis to discuss some open problems for the model theory of expansions of reals through the addition of analytic functions. These open problems arc related to model (and strong) completeness and quantifier elimination for these structures.</p> <p>Carlos Lungarzo in some logical issues in AL addresses two questions concerning logical aspects of the syntax and semantics of expert systems. The first question is related to the possibility of the application of a probabilistic criterion in our choices between contradictory statements in expert systems' databases. The second question deals with the possibility of a generalization of well-founded semantics to this probabilistic approach. His general aim is to argue for a use of probabilistic interpretation as an alternative approach to the use of non-classical logics in the treatment of some important features of expert systems.</p> <p>In A general definition of the informational content of signals, Jairo da Silva investigates the problem of providing a formal theory of the notion of "semantic content" of messages. He proposes a general definition of the informational content of outputs of commumcational channels whose inputs are taken from discrete information sources. Da Silva also argues that his theory may have interesting applications in philosophy, specifically in the treatment of epistemological problems.</p> <p>Set-theoretical questions are raised in two papers. In Dense linear orderings and weak forms of choice Carlos Gonzales proves some results on the relative consistency and independence of the statement "any infinite set can be densely linearly ordered". Decio Krause's paper The theories of quasi-sets and ZFC are equiconsistent tackles the question of the equiconsistency of quasi-set theories with ZFC.</p> <p>And last, but certainly not least, we have a paper by Itala D'Ottaviano The intellectual development of A jidres Raggio. This is a very necessary homage to a figure whose work and personality were of such decisive importance for the development of research in logic in South America in general, and especially in Brazil, and for this reason it is most appropriate that this volume is dedicated to his memory.</p> <p> We would like to thank the following colleagues who kindly agreed to colaborate as referees: E.H. Alves, A. Avron, P. Bcsnard, G. Bierman, P. Borowik, N.C.A. da Costa, F. Doria, K. Dosen, M. Fitting, F. Miraglia, D.F. Pincus, P.H. Rodenburg, A.M. Sette and A.F.I. Urquhart.</p> <p>The publication of this volume was made possible by financial support from FAPESP (Fundaqao de Amparo a Pcsquisa do Estado de Sao Paulo), and from CLE of UNICAMP.”</p> <p> </p> <p>Walter A. Carnielli</p> <p>Luiz Carlos P.D. Pereira (editors)</p> <p> </p> <p>Volume 14 – 1995</p> <p>ISSN: 0103-3147 First edition 1995</p> <p>Index for catalogue record</p> <p>1. Symbolic logic and mathematics 511.3</p> <p> </p> <p>OBS. The majority of the papers address topics in non-classical logics, both pure and applied, a field in which Brazilian logicians have already anchieved widespread recognition. Among the topics discussed are intuitionistic modalities, foundations of fuzzy set theory, the relationship between proofs-as-processes and proof nets, intencional logic, reasoning under contradictions, defeasible reasoning, questions about interpolation and modularity, etc.</p> Walter A. Carnielli, Luiz Carlos P.D. Pereira Copyright (c) 1995 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/23 Thu, 18 Aug 2022 00:00:00 -0300 Potencial Científico https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/24 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“El final de nuestro siglo está marcado por una intensa lucha entre dos grandes ideas que explican el mundo y trazan el porvenir de la Humanidad. La primera idea, producto de la racionalidad científica dei Tiempo Moderno, sugiere que el progreso universal nos lleva hacia un modelo fundamental y único, superior y perfecto. Es modelo de vida, de relaciones humanas y de relaciones entre el hombre y la Naturaleza, el modelo de modo de conocer y entender la realidad. Se cree, incluso, que las naciones más avalizadas ya han logrado crear las estmcturas básicas de este modelo y, que, con el final de la guerra fria, podemos hablar dei fin de la Historia. En un artículo que escandalizo (aunque de manera agradable), a la élite occidental, Francis Fukuyama dice:</p> <p>‘El fenómeno de que somos testígos no es simplemente el fin de la «guerra fria» o de una etapa de la historia de postguerra, sino el final de la Historia como tal, la conclusión de la evolución ideológica de la Humanidad y la universalización de la democracia liberal occidental como la forma final de gobierno.’</p> <p>Como dice sobre la sociedad moderna el filósofo G. Radnitzky (1984): "Los soportes de la forma libre de vida son el estado constitucional, la economia capitalista de mercado y la ciência autónoma"</p> <p>El problema consiste, solamente, en la mejor manera de propagación de este modelo, de creación dei estado universal homogéneo (universal homogeneous state). Esta idea tecnomorfa remonta a la visión dei mundo mecanicista, impuesta al hombre moderno por la fuerza majestuosa de la ciência. Konrad Lorenz escribió en 1974:</p> <p>‘Vivimos en un tiempo en que la humanidad acaba de conseguir un enorme poder sobre la naturaleza inorgânica, poder que debe a una ciência que se funda en la Matemática Analítica: la Física. De su aplicación ha nacido una técnica que se ha convertido en el instrumento más importante de la Humanidad. Como suele ocurrir con los médios para un fin, lamentablemente, en nuestra civilización occidental la técnica se ha elevado a la categoria de fin en sí mismo, con lo que ha impreso en el ser humano una peculiar mentalidad a la que suelo llamar pensamiento «tecnomorfo». Esta manera de pensar se caracteriza por extender la aplicación de métodos de pensamiento y de acción que han demostrado su aptitud en el tratamiento de la matéria inorgânica, al mundo de los seres vivos, incluido el sistema vivo de la civilización humana.’</p> <p>Otra idea que siempre ha estado presente en el debate intelectual, aunque en algunas épocas parecia casi extinguida, hoy podemos llamarla ecologista. Ella sostiene que la realidad es mucho más compleja, flexible y matizada que una máquina. Que los procesos reales, incluídos el desarrollo y el progreso, no son lineales y mucho menos invariantes. Y los sistemas complejos como, por ejemplo, la civilización, son estables y a la vez capaces de evolucionar solo si mantienen suficiente diversidad en su estructura.</p> <p>A partir de estas dos diferentes visiones dei mundo se trazan hoy las políticas y se toman las decisiones, incluso las más concretas y particulares. En relación directa con el dilema mencionado están los princípios de una u otra política científica nacional. Efectivamente, si el mundo entero evoluciona hacia un modelo único, la misma idea de crear una ciência propia, nacional, casi pierde sentido. Siendo orientada hacia el conocimiento objetivo e imparcial de la realidad, la ciência se presenta como una empresa humana universal. En este caso la diferencia entre distintas colectividades científicas consiste en que unas, situándose en los países más desarrollados, tienen mejores condiciones económicas y sociales y, por lo tanto, se acercan más al mejor modelo de actividad científica. En consecuencia, las instituciones científicas de los países menos desarrollados deben simplemente asimilar el genotipo de la ciência universal y tratar de conseguir más recursos para que este genótipo pueda expresarse lo más plenamente posible. Es una política científica coherente y razonable.</p> <p>Por otra parte, es evidente que las escuelas y las comunidades científicas nacionales en general, se han formado dentro de culturas específicas y a la vez participan en la creación y la reproducción de estas culturas. Hay bastantes razones para suponer que las culturas nacionales no van a disolverse y asimilarse a pesar de todos los procesos de integración. Al contrario, en la diversidad de culturas, en la complejidad de su conjunto radica la estabilidad de la civilización humana, su capacidad de adaptarse a los câmbios profundos tanto en la Naturaleza como en la tecnosfera y la sociedad. Por lo tanto, no es de esperar que las ciências nacionales se fundan simplemente en una homogénea ciência global.</p> <p>Si es así, la política científica dei país implica cierta controvertida dualidad en búsqueda constante de un equilíbrio entre lo universal y lo específico. La ciência que pretende producirél conocimiento objetivo sobre la realidad, debe poseer un idioma común, debe tener una base universal que una las comunidades científicas nacionales en un sistema mundial. Poças son las esferas de actividad, en las que el efecto cooperativo dei esfuerzo coordinado se manifíesta con tal evidencia como en la ciência, que siempre ha sido labor universal. Una colectividad científica nacional, que está en comunicación con la vanguardia en su campo, multiplica su potencial con respecto a los recursos invertidos. Y si se desconecta de esta red de comunicaciones, pierde el efecto sinérgico gratuito. Después de cierto nivel crítico de aislamiento, la pérdida de comunicación se hace irreversible, puesto que se forma un feed-back positivo (círculo vicioso).</p> <p>Normalmente, los cuerpos administrativos están penetrados por la mentalidad y el espíritu burocráticos (en el mejor sentido de la palabra). Para poder controlar la realidad y encajarla en las razonablemente sencillas estructuras normativas, la administración parte de modelos muy simplificados y tecnomorfos. Así, la ciência se presenta como una de las piezas de la máquina económica, una rama que compite con otras ramas por los recursos. La identifícación de la ciência como una de las ramas, a primera vista es una simpliflcación inofensiva, pero, en realidad, esta concepción es errónea. La ciência es un componente intelectual de importância vital y de gastos insignificantes para cada rama de la economia y cada esfera de la vida social. La ciência es una finísima película de sustancia gris que recubre toda la actividad social y cada rama de la economia en un país moderno. Hay que subrayar que esta película es íntegra, ya que está formada no por las escamas de investigaciones propias de cada rama, sino por todo el cuerpo único de la ciência.</p> <p>Al contemplar la ciência desde el punto de vista pragmático, abstrayéndose de su misión en la cultura, la ensenanza e incluso en la política, puede consideradarse como el cerebro dei organismo económico de la nación. Guando se trata de sistemas biológicos, en los organismos superiores, incluído el hombre, la Naturaleza ha desarrollado un mecanismo fundamental: al faltar los alimentos, el organismo se agota hasta la muerte, pero a la vez hasta el último momento suministra al cerebro todas las sustancias nutritivas que le son necesarias. Los otros órganos no presentan ninguna competência por los recursos. Por lo visto, tal prioridad absoluta dei cerebro para recibir el suministro de recursos resulto ser la condición necesaria para la supervivencia de las especies. Con respecto a la ciência, en todas partes se observa últimamente la concepción contraria: al considerar la ciência como una rama más, como una de las patas dei ciempiés económico, se le quita el status de cerebro y en las épocas de diflcultades económicas se le corta el suministro de los recursos nutritivos. Se ahorra en la ciência de la misma manera que en otros órganos de la economia (e incluso a veces más, ya que la ciência es más indefensa que muchas otras ramas).</p> <p>Ahora bien, volviendo a nuestro dilema inicial: debe un país, que no pretende ser gran potencia científica, mantener su propia ciência como un cerebro viable, aunque pequeno, o puede limitarse a cultivar algunas células cerebrales conectadas al grau cerebro de la ciência universal?</p> <p>La historia dei desarrollo de la ciência en nuestro siglo parece dar una respuesta convincente. La ciência nacional, para poder cumplir no solo su función productiva sino ser también mecanismo conservador dei código genético de la cultura nacional y a la vez mecanismo de integración de esta cultura a la civilización universal, debe ser un cerebro íntegro y viable. Debe poseer cierta magnitud crítica, poco dependiente dei tamaíio dei cuerpo de la economia (esta magnitud depende, más bien, de la posibilidad de acceso al almacén de conocimiento ya acumulado). Los intentos de alimentar las células cerebrales no arraigadas en el organismo sociocultural de la nación, incluso en cantidades considerables, como sucedió en vários países en vias de desarrollo, no dieron buenos resultados. Aún más, en muchas ocasiones los laboratórios teledirigidos jugaron el papel de una fuerza alienadora entre la ciência universal y la cultura nacional (e, incluso, simeron de canal de extracción de recursos intelectuales).</p> <p>Sin embargo, independientemente de la actitud que adopte el lector ante el dilema planteado, en este libro se le propone una serie de ideas y técnicas que permiten formular y contestar las cuestiones acerca dei estado actual y las tendências de evolución de la ciência internacional y nacional en diferentes niveles de generalización, hasta el nivel de una investigación particular sobre un tema concreto. La historia reciente, la situación actual y su evolución se presentan en un corte importante de la ciência: en el plano de la tecnologia de las investigaciones científicas. Se trate dei potencial científico nacional íntegro o de los grupos de investigadores aislados, uno de los lazos más importantes que los unen a la ciência internacional es el proceso de asimilación de nuevas tecnologias de investigación científica. Observar este proceso a diferentes niveles de la ciência nacional e internacional, conocer Ias regularidades de la creación y la propagación de nuevas tecnologias es importante tanto para el cuerpo administrativo como para un científico de laboratório.</p> <p>En el libro centramos la atención en uno de los elementos más importantes de la tegnología de investigación - el método experimental. Claro está que la tecnologia de la investigación no se reduce a los métodos, pero la elección de éstos como objeto de estúdio se justifica por dos razones. Primero, actualmente se realiza la renovación dei arsenal metodológico de la ciência mundial (incluyendo la base material de los métodos: equipos, instrumentos, reactivos, etc.) y los métodos de experimentación se han vuelto un elemento particularmente dinâmico. Segundo, durante mucho tiempo la atención de los historiadores de la ciência se concentro casi exclusivamente en las teorias científicas, por lo que las formas de creación y difusión de nuevos métodos, y su papel en la formación y en el desarrollo de las disciplinas y áreas científicas quedaron poco estudiados. Esta cuestión a menudo se subestima en la práctica científica y en todos los niveles dei science management, incluyendo al propio científico.</p> <p>El material empírico para este trabajo está tomado de la química orgânica y disciplinas afines a la bioquímica y biomedicina (en estas áreas el autor tiene experiência personal en el trabajo experimental). Las conclusiones logradas a partir de este material limitado tienen un carácter bastante general, aunque en otras disciplinas tengan que ser ligeramente modificadas. En todo caso los problemas sí son generales, y el material empírico con datos relacionados entre sí y complementados permite formular estos problemas con más claridad que los ejemplos, interesantes, tal vez, pero obtenidos de muchas disciplinas aisladas. En el libro se consideran los métodos ordinários, y no la historia de los instrumentos que revolucionaron la ciência. La consideración de muchos pequenos acontecimientos a veces dice más que la descripción de un suceso dramático. La historia de la ciência puede ser escrita como una cadena de brillantes logros de los héroes dei saber, pero también como la paciente y anónima labor de trabajadores de la ciência. En este libro hemos tomado el segundo caminho.”</p> <p> </p> <p>SERGUEI KARA-MURZA</p> <p> </p> <p>VOLUME 19-1997</p> <p>ISSN:0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1997</p> <p> </p> <p>índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Ciência - Filosofia 501</li> <li>Ciência - Metodologia 501.8</li> </ol> <p> </p> <p>OBS: En este libro se propone uma serie de ideas y técnicas que permiten formular y contestar las cuestiones acerca del estado actual y las tendências de evolución de la ciência internacional y nacional em diferentes niveles de generalización, hasta el nivel de una investigación particular sobre um tema concreto. Se presentan los métodos de experimentación em la estrutura de la ciência, se los considera como sistema de desarollo, y se discute la creación y la propagación de nuevos métodos de investigación.</p> Serguei Kara-Murza Copyright (c) 1997 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/24 Thu, 18 Aug 2022 00:00:00 -0300 Una Introducción a la Teoría de Conjuntos y los Fundamentos de las Matemáticas https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/25 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Este texto está basado en las notas de clase elaboradas por el autor para un curso dictado en la Universidad Central de Venezuela que se ofrece a estudiantes de la Licenciatura en matemáticas en su cuarto o quinto año de estudios. Aunque los conocimientos previos necesarios para iniciar el estudio de este tema son mínimos, es conveniente que el estudiante que se proponga estudiar este material tenga ya conocimientos sólidos de análisis matemático, de topología y de álgebra, ya que ésto garantiza la madurez matemática necesaria para poder asimilar adecuadamente los conceptos básicos de la teoría de conjuntos.</p> <p>Hemos escogido presentar la teoría axiomática de conjuntos sin un formalismo muy grande. Después de introducir la mayor parte de los axiomas de la teoría de Zermelo-Fraenkel y sus consecuencias inmediatas (se deja la mención de tres de los axiomas para más adelante, cuando son necesarios), se pasa a mostrar como esta teoría puede servir de fundamentación para el resto de las matemáticas. Así, se definen los números naturales, los números racionales y los números reales como conjuntos, y se demuestran sus propiedades básicas. Los capítulos siguientes están dedicados al estudio del concepto de equipotencia y de los números ordinales y cardinales. Para introducir el concepto de cardinalidad y las operaciones aritméticas entre cardinales hace falta el Axioma de la Elección. Este se enuncia en la Sección VIII y se demuestran varias de sus equivalencias más importantes.</p> <p>Los temas desarrollados en las secciones siguientes reflejan en buena medida los gustos del autor. Estas secciones están dedicadas a algunos aspectos de la teoría de particiones y su relación con los cardinales grandes, y son de un nivel de dificultad mayor que las anteriores.”</p> <p> </p> <p>CARLOS AUGUSTO DI PRISCO</p> <p> </p> <p>VOLUME 20 – 1997</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1997</p> <p> </p> <p>índice para catálogo sistemático:</p> <ol> <li>Teoria dos conjuntos 511.322</li> <li>Lógica simbólica e matemática 511.3</li> <li>Matemática-Filosofia 510.1</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. El objetivo principal de este libro es presentar los aspectos básicos de la teoría axiomática de conjuntos haciendo hincapié en sus aspectos combinatorios. La teoría se desarrolla a partir de los axiomas de ZermeloFraenkel. Luego de un breve tratamiento de los sistemas numéricos básicos, números naturales, números enteros, números racionales y números reales – definidos en la teoría axiomática, se desarrolla el estudio de los números ordinales y números.</p> Carlos Augusto Di Prisco Copyright (c) 1997 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/25 Thu, 18 Aug 2022 00:00:00 -0300 O Estatuto Das Entidades Metapsicológicas à Luz Da Teoria Kantiana das Ideias https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/26 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>O Estatuto Das Entidades Metapsicológicas à Luz Da Teoria Kantiana das Ideias</p> <p>Vera Lúcia Blum</p> <p> </p> <p>VOLUME 24 – 1998</p> <p>ISSN: 0108-3147</p> <p>Primeira Edição, 1998</p> <p> </p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Metapsicologia: 150.195</li> <li>Razão: 128.3</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Neste trabalho focaliza-se o estatuto cognitivo dos conceitos metapsicológicos, especialmente os conceitos energéticos, segundo a teoria das ideias de Kant. O propósito é abordar a questão da justificação da metapsicologia através da concepção heurística de pesquisa científica. Segundo o presente estudo, a interpretação da metapsicologia como teoria explicativo-causal parece ser equivocada.</p> Vera Lúcia Blum Copyright (c) 1998 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/26 Thu, 18 Aug 2022 00:00:00 -0300 O Empirismo Construtivo https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/27 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“O objetivo deste trabalho consiste em apresentar, como o próprio título sugere, uma reformulação e defesa da posição empirista construtiva em filosofia da ciência. Trata-se de uma alternativa, inicialmente proposta e articulada por Bas C. van Fraassen, às concepções realistas de interpretação do conhecimento científico, construída de forma a mostrar a viabilidade do empirismo como uma concepção de ciência, desde que liberto das amarras linguísticas que o positivismo lógico lhe conferiu.</p> <p> Para tanto, a partir do quadro teórico proporcionado pela teoria da ciência de José R.N. Chiappin, em cujo programa de investigação esta pesquisa se inclui, examino algumas estratégias do empirismo construtivo para considerar quatro problemas básicos a qualquer concepção de ciência: (1) o problema da estrutura das teorias científicas; (2) da relação entre teoria e evidência (adequação empírica); (3) da dinâmica do conhecimento científico (mudança científica); e, finalmente, (4) do estatuto cognitivo da ciência. De uma forma ou de outra, a posição empirista não poderia se furtar ao exame dessas questões, e considero, ao longo deste trabalho, as propostas de van Fraassen a seu respeito.</p> <p> Em sua primeira parte ("reformulação"), após discutir, no Capítulo 1, os objetivos gerais do trabalho e alguns recursos metodológicos empregados para atingi-los (em particular, a própria teoria da ciência de Chiappin e a metodologia dos programas de. investigação científica de Lakatos), examino, no Capítulo 2, algumas restrições epistemológicas, ontológicas e metodológicas da posição empirista construtiva, considerando a partir delas, de forma sucinta e preliminar, algumas estratégias disponíveis a essa proposta para a investigação dos quatro problemas mencionados. Os demais capítulos dedicam-se a apreciar tais problemas e maior detalhe. No Capítulo 3, que conclui a primeira parte, discuto o modo como o empirista concebe o problema, da estrutura das teorias cientificas a partir do emprego da abordagem semântica de teorias. Após investigar uma possível caracterização dessa abordagem, comparo ainda a proposta empirista com outras alternativas semânticas desenvolvidas para o mesmo fim (tais como as de Beth, Suppe, Suppes e Giere).</p> <p>Até esse ponto, minha posição diante do empirismo consistiu, grosso modo, em apresentar essa proposta como desenvolvida pela própria Van Fraassen. Na segunda parte do trabalho ("defesa"), empregando os recursos teóricos proporcionados pelos conceitos de estrutura parcial e verdade pragmática (ou quase-verdade), tais como elaborados por Newton da Costa, e desenvolvidos por ele juntamente com Steven French, formulo novas estratégias para estender e reforçar a posição empirista construtiva, examinando sob nova ótica os demais problemas mencionados acima; em particular, o da adequação empírica (Capítulo 4), e o da mudança científica (Capítulo 7). Além de responder a possíveis objeções à posição empirista no que diz respeito ao problema do estatuto cognitivo da ciência (Capítulo 5), sugiro ainda alguns possíveis desdobramentos em direção a uma concepção empirista construtiva da matemática (Capítulo 6). O resultado obtido, uma nova versão do próprio empirismo construtivo, em virtude do papel desempenhado no seu interior por certos tipos de estrutura, denomino empirismo estrutural.”</p> <p> </p> <p>Otávio Bueno</p> <p> </p> <p>VOLUME 25 – 1999</p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1999</p> <p> </p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Ciência - Filosofia 501</li> <li>Teoria do conhecimento 121</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Neste trabalho, Otávio Bueno apresenta uma reformulação e defesa do empirismo construtivo. Trata-se de uma alternativa proposta por Bas van Fraassen às concepções realistas da ciência, construída de modo a mostrar a viabilidade do empirismo, desde que liberto das amarras linguísticas que o positivismo lógico lhe conferiu. Para tanto, adotando a teoria da ciência de José Chiappin, Bueno discute como o empirismo construtivo pode considerar quatro problemas básicos: (1) o problema da estrutura das teorias científicas, (2) da relação entre teoria e evidência, (3) da dinâmica do conhecimento científico, e (4) do estatuto cognitivo da ciência.</p> Otávio Bueno Copyright (c) 1999 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/27 Thu, 18 Aug 2022 00:00:00 -0300 Termodinâmica Linguagem e Indeterminação https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/28 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“A teoria da termodinâmica holotrópica de Newton Bernardes, que finalmente surge impressa em português na Coleção CLE, do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da Unicamp, constitui uma tentativa original e instigante de reformular a versão gibbsiana da termodinâmica clássica.</p> <p> Nos cursos de física ou de engenharia, via de regra ensina-se a termodinâmica dos ciclos, com as suas origens na explicação do funcionamento das máquinas térmicas. Toda a ênfase é colocada nas duas leis fundamentais (a energia do universo é constante; a entropia do universo aumenta), de acordo com as formulações originais de Clausius e Kelvin. No entanto, há diversas alternativas de formular a termodinâmica clássica. No início da década de sessenta, Herbert Callen publicou um texto didático, que acabou se transformando numa obra clássica de divulgação da formulação de Gibbs da termodinâmica.</p> <p> Além de se prestar a uma conexão mais simples com a física estatística, a formulação gibbsiana parece constituir a maneira adequada de apreender e organizar os conceitos da termodinâmica clássica. Nesta mesma época, nos seus cursos em São Paulo, Newton Bernardes foi pioneiro na utilização do texto de Herbert Callen para expor as ideias gibbsianas de potenciais termodinâmicos relacionados através de transformações de Legendre. Talvez se originem neste período as suas primeiras reflexões sobre os fundamentos da termodinâmica.</p> <p> No primeiro capítulo do texto, Newton Bernardes apresenta uma revisão cuidadosa e fiel das ideias de Gibbs, aproveitando, no entanto, para introduzir certos conceitos e a notação que serão utilizados em seguida. Por exemplo, a "holotrópia" do universo (isolado) e a "merotropia" de um fragmento (parte do universo) são definidas sem distanciamento em relação à termodinâmica clássica. Neste capítulo já surge uma forma exponencial da entropia, necessária para estabelecer as relações de comutação que serão interpretadas em analogia com a formulação de Bohr da mecânica quântica.</p> <p> E interessante apontar que Newton Bernardes foi colega de Mário Schemberg e aluno de David Bohm, conhecido opositor de Niels Bohr, no Departamento de Física da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. A sua formação em física teórica foi completada no exterior, no final da década de cinquenta, num ambiente em que surgiam conquistas notáveis da física do estado sólido, consolidava-se na época a utilização das ideias da mecânica quântica (na interpretação de maior sucesso, de Niels Bohr e dos seus inúmeros seguidores) e da física térmica (termodinâmica clássica e mecânica estatística) para explicar fenómenos de transporte em uma grande variedade de substâncias. Aplicada ao modelo de um sólido com simetria de translação, a mecânica quântica já havia proporcionado a distinção entre condutores, semicondutores e isolantes. Talvez o triunfo mais espetacular da época tenha sido a utilização da mecânica quântica e da física estatística para descrever os fenômenos da supercondutividade e da superfluidez a baixas temperaturas. Newton Bernardes foi um dos primeiros físicos brasileiros com trabalhos teóricos de destaque na nova área de física dos sólidos, utilizando ferramentas da termodinâmica, da física estatística e da mecânica quântica.</p> <p> No segundo capítulo do livro, Newton Bernardes apresenta a sua "concepção de ciência” e os "pressupostos metodológicos55 da construção da nova "termodinâmica holotrópica”. A exposição é dominada pelas ideias de Niels Bohr sobre a mecânica quântica. Da mesma forma que na mecânica quântica não se medem simultaneamente posição e momento (que são variáveis "complementares”), Newton Bernardes propõe que num "fragmento55 termodinâmico não seja possível conhecer (isto é, medir) simultaneamente a energia e a temperatura (ou seja, para medir a temperatura é necessário romper o isolamento do fragmento, alterando a sua energia). A existência de variáveis incompatíveis e a irracionalidade da interação entre aparelho de medida e objeto destroem o conceito clássico de medida como um evento único. Torna-se então necessário introduzir um ensemble de réplicas idênticas do universo termodinâmico.</p> <p> O formalismo, elegante e completo, é desenvolvido em detalhe nos capítulos três e quatro (que exigem um leitor atento, paciente com a notação rebuscada, e à vontade com as manipulações tradicionais do cálculo diferencial e integral). A partir das ideias de complementaridade, o autor utiliza o formalismo das transformadas de Legendre para reconstruir uma termodinâmica que seria mais adequada aos experimentos de medida do mundo real, o tratamento tem semelhanças com o formalismo dos ensembles de Gibbs, embora nunca se refira a nenhum modelo mecânico subjacente. A termodinâmica clássica de Gibbs é recuperada como um valor esperado estatístico sobre um ensemble (ou como o ponto de sela de uma integral estatística).</p> <p>Na minha opinião, Newton Bernardes acaba construindo uma teoria alternativa, de caráter original, sobre os efeitos das flutuações termodinâmicas. Infelizmente ainda há poucas aplicações do formalismo (o gás real tratado no capítulo 4 é uma rara exceção). Agora seria importante que eventuais leitores se dispusessem a encontrar situações concretas, onde haja interesse - ou seja até mesmo necessário - recorrer a este tipo de formalismo.</p> <p>Este livro é baseado em trechos de um curso ministrado pelo autor na Universidade de São Paulo durante os anos de 1990-1992. Uma edição provisória em inglês foi publicada em Campinas, em 1996.</p> <p>No Capítulo 1 expomos a teoria da termodinâmica clássica do ponto de vista de Gibbs. Esta exposição inicial tem uma dupla finalidade: primeiro, expor a termodinâmica de Gibbs de uma forma que fique claro que a linguagem da termodinâmica emerge dos aparelhos; segundo, salientar que os processos termodinâmicos envolvem um universo, e não somente o fragmento termodinâmico. Assim, para substituir a entropia foram introduzidos dois vocábulos: holotrópia e merotropia, o primeiro se referindo a um universo e o segundo ao fragmento. No Capítulo 2 discutimos a questão da linguagem na termodinâmica, com a finalidade de mostrar que as variáveis conjugadas na termodinâmica são variáveis incompatíveis, não podendo ser medidas concomitantemente. No Capítulo 3 a teoria holotrópica da termodinâmica é discutida em termos gerais levando-se em conta a complementaridade. Finalmente, no Capítulo 4 apresentamos uma teoria exemplar da termodinâmica holotrópica. Aqui são provadas relações de indeterminação, análogas às de Heisenberg na Mecânica Quântica.</p> <p> </p> <p>Newton Bernardes</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1999</p> <p> </p> <p>índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Termodinâmica 536.7</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. Este livro representa parte de um curso sobre Termodinâmica ministrado a alunos do Instituto de Física da Universidade de São Paulo por volta de 1990. Nele, a termodinâmica é encarada como um assunto não redutível à mecânica baseado 4 Catálogo de Publicações – 2009 – Coleção CLE numa linguagem que contém, entre outros, os conceitos de volume, pressão, temperatura, ao contrário da Mecânica Estatística. Analisando a linguagem e os processos de medição desses conceitos, chega-se ao conceito de incompatibilidade, algo semelhante à ideia de Niels Bohr na Mecânica Quântica, e consequentemente às ideias de complementaridade entre variáveis conjugadas.”</p> Newton Bernardes Copyright (c) 1999 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/28 Thu, 18 Aug 2022 00:00:00 -0300 Fundamentos da Psicanálise https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/29 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“A psicanálise atrai diversos tipos de pesquisadores. São psicólogos, psiquiatras, filósofos, literatos, sociólogos, historiadores, etc., para não mencionar aqueles que se denominam psicanalistas e que pertencem às mais diferentes correntes. A enorme variedade de formações talvez seja responsável pela absoluta diversidade de interpretações propostas para a teoria criada por Freud.</p> <p>No interior deste verdadeiro cipoal interpretativo, os ensaios que se seguem pretendem oferecer aos seus possíveis leitores uma pequena amostra de uma forma de trabalhar a obra de Freud, desenvolvida na Universidade de São Paulo e na Universidade Estadual de Campinas, durante um certo período, em programas de pós-graduação em filosofia. Dado o fato de ser explicitamente uma produção acadêmica sobre a psicanálise, é importante determinar sua especificidade.</p> <p>São, antes de mais nada, ensaios de filosofia da psicanálise. Mas, infelizmente, a expressão "filosofia da psicanálise" é por demais vaga, quase sem tradição no Brasil, para que o leitor possa saber do que se trata. Nesse sentido, usamos "filosofia da psicanálise" para designar um estudo que visa descrever as articulações entre os conceitos formulados por essa teoria. Este tipo de reflexão difere em muito das investigações que visam direta ou de forma oblíqua a clínica, ou seja, das investigações mediadas pela experiência clínica. Não desejamos dizer, com essa observação, que um leitor oriundo da clínica não tiraria proveito dos ensaios que se seguem. Ao contrário, os presentes ensaios podem ajudá-lo a pensar de forma mais precisa e fundamentada o setting analítico.</p> <p>Se, dada a nossa condição periférica, fôssemos indagados a respeito de que centro mundial realiza investigações semelhantes, responderíamos sem hesitação: a Alemanha. Infelizmente, a produção alemã — diferente da francesa, adotada pela grande maioria - é praticamente desconhecida entre nós.</p> <p>No primeiro ensaio, <em>Notas sobre linguagem e pensamento em Freud</em>, procuramos mostrar que há razões mais fundamentais para a diversidade de interpretações a que está sujeita a psicanálise freudiana. Ao mesmo tempo, apontamos para diferenças metodológicas entre abordagens clínicas e filosóficas nos estudos sobre a psicanálise.</p> <p>Em <em>Wittgenstein Crítico de Freud</em>, Cláudio Banzato contrapõe o filósofo e o psicanalista para esboçar as dificuldades de natureza epistemológica que a psicanálise apresenta. As reflexões de Wittgenstein são usadas para iluminar os pressupostos da teoria e não para avaliá-la, ou seja, trata-se mais de compreender o que está em jogo do que decidir sua validade a partir de uma posição já firmada.</p> <p>Pedro de Santi reconstrói, no terceiro ensaio, <em>A Realidade Psíquica</em>, o quadro conceituai que deu origem à noção de fantasia na teoria de Freud. Passo a passo, de forma lenta e rigorosa, são assinalados os movimentos conceituais e os deslocamentos semânticos.</p> <p>O último ensaio, <em>A angústia na formação da concepção freudiana de afeto</em>, de Alessandra Caneppelle, ilustra igualmente as vantagens de um estudo que acompanha minuciosamente o original alemão para definir as linhas de tensão presentes em uma noção tão complexa como a de angustia.</p> <p>Esperamos que esta pequena amostra sirva para estimular pesquisas que se voltem para a letra e o espírito da obra de Freud, que iluminem suas escolhas e opções, que abandonem a via fácil de contrapor períodos distintos com intuições clínicas sem o devido respaldo conceitual.”</p> <p> </p> <p>Osmyr Faria Gabbi Jr. (ORG.)</p> <p> </p> <p>VOLUME 28 – 1999</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p> </p> <p>Primeira Edição, 1999</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Psicanálise 150.195</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. A psicanálise atrai diversos tipos de pesquisadores. São psicólogos, psiquiatras, filósofos, literatos, sociólogos, historiadores, etc., para não mencionar aqueles que se denominam psicanalistas e que pertencem às mais diferentes correntes. A enorme variedade de formações talvez seja responsável pela absoluta diversidade de interpretações propostas para a teoria criada por Freud. No interior deste verdadeiro cipoal interpretativo, os ensaios que se seguem pretendem oferecer aos seus possíveis leitores uma pequena amostra de uma forma de trabalhar a obra de Freud.</p> Osmyr Faria Gabbi Jr Copyright (c) 1999 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/29 Thu, 18 Aug 2022 00:00:00 -0300 A semântica transcendental de Kant https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/30 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“O presente volume da Coleção CLE oferece a tradução parcialmente reescrita da Parte I da minha tese de doutorado, defendida na Universidade Católica de Louvain, sob o título Scientific Problem-Solving in Kant and Macft. Nessa parte, denominada Kants Theory of Problem-Solving, a primeira Crítica é interpretada como teoria da solubilidade de problemas necessários da razão pura teórica, necessários porque impostos pela sua própria natureza, mais precisamente, pelo postulado lógico que pede seja encontrada, para cada dado empírico condicionado, a totalidade absoluta de suas condições. A solubilidade desses problemas — tal é a proposição central defendida — é fundamentada numa semântica <em>a priori</em> dos conceitos puros da razão. A Parte II da tese, intitulada Kate Mactís Theory ofS cientific Problem-Solving e de extensão muito menor, aplica essas ideias ao estudo da teoria heurística da ciência empírica elaborada por Ernst Mach. Ela não foi incluída no presente volume, pois encontra-se acessível, faz tempo, numa redação ligeiramente modificada, em inglês e em português.</p> <p> Para a presente publicação, além de corrigir erros óbvios de vários tipos, fiz uma revisão completa do texto original, reescrevendo várias passagens e a reordenando outras, a fim de tornar um texto já antigo mais claro, mais legível e menos incompleto, e de assinalar os desenvolvimentos posteriores à tese. Certas partes do texto foram deslocadas para notas de rodapé e outras simplesmente suprimidas. As referências à Parte II da tese foram eliminadas, salvo na Introdução, onde refaço os passos principais das minhas pesquisas de então, sobre a heurística e a semântica transcendental kantianas. Algumas dessas mudanças visam dar destaque à diferença entre a minha interpretação das forças fundamentais em Kant e a do Prof. Gerd Buchdahl, explicitada durante memoráveis conversas que tivemos no Daewin College, em Cambridge, no verão de 1982. Nas traduções dos trechos de obras de Kant, procurei dar ênfase ao lado conceituai do texto kantiano, deixando o aspecto estilístico em segundo plano. Para tanto, foram levadas em conta as versões existentes em língua portuguesa e inglesa, bem como as sugestões dos meus tradutores. O resultado desse trabalho de revisão é um texto bastante diferente do original, mas que preserva a distância que separa as minhas posições atuais das formulações e da ordem de ideias características do projeto de pesquisa inicial sobre a lógica transcendental de Kant, que esbocei em 1978.”</p> <p> </p> <p>Zeljko Loparic</p> <p>Volume 29, 2000</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 2000</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Filosofia alemã 193</li> <li>Criticismo (Filosofia) 142.3</li> <li>Semântica (Filosofia) 149.946</li> </ol> <p> </p> <p>OBS. O presente volume da Coleção CLE oferece a tradução, parcialmente reescrita, da Parte I da tese de doutorado de Seljko Loparic, defendida na Universidade Católica de Louvain, em 1982, sob o título Scientific Problem-Solving in Kant and Mach. Nessa parte, a primeira Crítica é interpretada como teoria da solubilidade de problemas necessários da razão pura teórica – necessários porque impostos pela sua própria natureza, mais precisamente, pelo postulado lógico que pede que seja encontrada, para cada dado empírico condicionado, a totalidade absoluta de suas condições.</p> Zeljko Loparic Copyright (c) 2000 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/30 Thu, 18 Aug 2022 00:00:00 -0300 Tópicos em História e Filosofia da Computação https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/31 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>The publication of this book follows the HaPoC Symposium at the 25th International Congress of History of Science and Technology (ICHST), held in the city of Rio de Janeiro, Brazil, from 23 to 29 July 2017, with the general theme “Science, Technology and Medicine between the Global and the Local”. This Colloquium was organized under the auspices of the Commission for the History and Philosophy of Computing (HaPoC) at the Federal University of Rio de Janeiro, with the support from HaPoC and the São Paulo Research Foundation (FAPESP), which made possible the presence of visiting professors from abroad. The main goal of HaPoC Symposium was enabling collaboration among researchers interested in History and Philosophy of Computing. Our speakers presented contributions describing original and unpublished results related with the theme “The Ubiquity of Computing: historical and philosophical issues”. As an opportunity to strengthen the collaboration of research among groups of the Centre for Logic, Epistemology and the History of Science (CLE) at the University of Campinas (UNICAMP), the Informatics and Society research area at the Graduate Program in Systems Engineering and Computer Science Program/Alberto Luiz Coimbra Institute for Graduate Studies and Engineering Research (COPPE) at the Federal University of Rio de Janeiro (UFRJ), and Commission for the History and Philosophy of Computing (HaPoC), this book is being published in Brazil by "Coleção CLE", in order to offer to a wider public the contributions delivered in the Symposium. The reader will have the opportunity to appreciate these contributions through ten chapters, seven of them about the Brazilian history of computing, written by eight Brazilian authors, and the other three chapters about philosophy of computing, written by four European scholars. The editors would like to express their sincere gratitude to all participants and authors who accepted the invitation to contribute to this volume, specially to their patience during the publication process.</p> <p>Fábio Bertato<br />Henrique Cukierman</p> <p> </p> <p>Artigos</p> <p>Controle, liberdade, informática e sociedade: uma revisão das histórias da informática no Brasil (Alberto Jorge Silva de Lima)</p> <p>O censo de 1960 e os primórdios da informática no Brasil (Henrique Cukierman)</p> <p>Informatizando o Leão O SERPRO e o uso de processamento de dados no Ministério da Fazenda (1964-1970) (Lucas de Almeida Pereira)</p> <p>O computador brasileiro na revista DADOS e Idéias: em busca de sua alma (Márcia Regina Barros da Silva)</p> <p>Um “espaço de autoria” na literatura sobre tecnologia durante a década de 1970 no Brasil: a revista DADOS e Idéias (Ivan da Costa Marques)</p> <p>Serviço Nacional de Informações e Informática no Brasil: relações ambivalentes (1976-1980) (Marcelo Vianna)</p> <p>Softwares livres e economia solidária no Brasil: licenças, práticas e visões de mundo em debate (Fernando Gonçalves Severo e Luiz Arthur Silva de Faria)</p> <p>Studies in Computational Metaphysics, Results of an Interdisciplinary Research Project (Christoph Benzmüller)</p> <p>Some philosophical considerations about the possibility of mind uploading (Lorenzo Spezia)</p> <p>Historia rerum naturae gestarum and Hyper-History: Philosophical and Sociological intersections for a Hyper-World (Flavia Marcacci e Massimiliano Padula)</p> Fábio Bertato, Henrique Cukierman Copyright (c) 2022 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/31 Thu, 18 Aug 2022 00:00:00 -0300 O Método dos Isomorfismos Parciais https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/16 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Esta obra é uma exposição detalhada de alguns “métodos metamatemáticos dirigidos ao estudo da <em>expressabilidade</em> dos conceitos matemáticos e de suas limitações, entendendo por <em>metamatemática</em> o estudo de tais conceitos enquanto objetos susceptíveis de tratamento matemático.</p> <p>Este tema pode ser situado na área de teoria de modelos, cujo enfoque geral acerca das estruturas matemáticas permite unificar diversas noções próprias da álgebra, da topologia e mesmo da análise.</p> <p>Obviamente, nossa primeira preocupação é definir de forma rigorosa o que entendemos por conceito matemático e <em>expressabilidade</em>. No início do Capítulo 1, já delineamos a primeira dessas noções, propondo uma interpretação matemática da mesma em termos de classes de estruturas matemáticas. Por outro lado, a segunda delas é definida no Capítulo 2, a partir da noção de axiomatizarão.</p> <p>Nosso propósito inicial, dado que este tema é pouco conhecido nos círculos de pós-graduação em matemática, foi mostrar algumas técnicas de teoria de modelos com aplicações de interesse para a matemática.</p> <p>Para tal efeito, escolhemos a técnica de extensão de isomorfismos parciais, ou back-and-forth (introduzida no Capítulo 1), como eixo central deste trabalho, complementada com a técnica de ultraprodutos, ambas de caráter puramente algébrico e de especial importância no estudo da expressabilidade.</p> <p>Dado que a metamatemática é também reflexão sobre a matemática, achamos que o tema escolhido devia ser complementado com exemplos esclarecedores e ilustrado com aplicações a diversas áreas da matemática.</p> <p>Do ponto de vista metodológico, foi necessário começar diferenciando os aspectos algébrico-conjuntistas das estruturas matemáticas dos seus aspectos linguísticos, propondo sistemas de referência apropriados para o desenvolvimento de cada um deles. Tais sistemas de referência são chamados neste trabalho de referencial algébrico e referencial linguístico, respectivamente.</p> <p>Destacamos, no primeiro deles, a noção de isomorfismo, e, no segundo, a noção de equivalência elementar, esta última relativa a cada linguagem formal introduzida. A inter-relação entre isomorfismo e equivalência elementar é a motivação principal para este estudo.</p> <p>Tal inter-relação é semelhante, por exemplo, à que. ocorre em topologia algébrica entre as noções de homeomorfismo de espaços topológicos e isomorfismo entre seus respectivos grupos fundamentais: é sabido que noções topológicas são traduzidas com proveito a noções algébricas, embora isso não signifique que sejam equivalentes.</p> <p>Em nosso caso, propriedades algébricas das estruturas matemáticas (por exemplo, a noção de isomorfismo) são também traduzidas de maneira frutífera a noções semântico-lingúísticas (como a de equivalência - elementar).</p> <p>Podemos dizer, então, que o tema central deste estudo é a exposição dos teoremas de caracterização “algébrica da equivalência elementar como uma tentativa de aproximar ambos os referenciais mencionados.</p> <p>A seguir, descrevemos o conteúdo de cada capítulo.</p> <p>No Capítulo 1, apresentamos os diversos tipos de estruturas matemáticas do ponto de vista algébrico: estruturas relacionais e estruturas algébricas em geral. Damos especial atenção às estruturas com domínios duplos, que no texto chamamos de bissortidas, casos. interessantes das quais são as estruturas topológicas, e “as estruturas algébricas do tipo dos espaços vetoriais, módulos, etc.</p> <p>Como justificativa para o estudo de estruturas bissortidas destacamos, por exemplo, que o conceito de homeomorfismo da topologia geral corresponde ao de isomorfismo entre estruturas algébricas bissortidas adequadas.</p> <p>No desenvolvimento deste capítulo, incluímos alguns conceitos que aparecem de forma: bastante natural, como o de quase-homeomorfismo (ver 1.4.4), com aplicações, no Capítulo 3, ao estudo da topologia ele-: mentar do espaço de estruturas.</p> <p>No Capítulo 2, introduzimos diversas linguagens “formais adequadas aos tipos de estruturas definidos no Capítulo 1, como as linguagens de 1º ordem L! e de 2ª ordem L², junto com seus fragmentos L² -monádica, diádica, etc., e a linguagem de 2ª ordem fraca L²w, todas motivadas no início do capítulo com diversos exemplos.</p> <p>Neste capítulo, definimos a relação semântica de satisfação, que é a conexão fundamental entre os referenciais acima mencionados.</p> <p>Em termos desta relação é possível definir a expressabilidade de um conceito matemático como a possibilidade de axiomatização da classe de estruturas que são sua referência.</p> <p>São introduzidas também algumas propriedades de teoria de modelos, como as propriedades de isomorfismo, de categoricidade e de Karp.</p> <p>Destacamos a introdução do conceito de L-equivalência de classes (ver 2.5.3), que generaliza o de equivalência elementar e permite, de um ponto de vista uni[1]ficado, dar novas formulações, por exemplo, de algumas das propriedades de teoria de modelos mencionadas.</p> <p>No Capítulo 3, damos alguns outros critérios para a análise da expressabilidade, iniciada no capítulo anterior, fundamentalmente relacionados com a propriedade de compacidade, além de discutir os teoremas de Löwenheim-Skolem e os números de Hanf.</p> <p>Para este propósito, introduzimos uma topologia adequada no espaço de estruturas, e apresentamos o “método de ultraprodutos e o teorema fundamental de Los como técnicas especiais.</p> <p>Dado que a relação entre as estruturas e as linguagens que lhe são adequadas é de caráter semântico ou interpretativo, decidimos desenvolver todo o trabalho sem apelar à noção sintática de derivabilidade. Isso justifica plenamente a introdução do método de ultraprodutos, já que as demonstrações mais conhecidas, de caráter puramente semântico, da propriedade de compacidade, são feitas usando ultraprodutos, além de ser - uma técnica de construção de modelos por si mesma importante para as aplicações.</p> <p>Devemos destacar neste capítulo um argumento contra a possível extensão do teorema de Log para a linguagem de 2º ordem monádica (ver 3.2.6). Igualmente, destacamos a discussão do Princípio de Lefschetz da geometria algébrica como uma das aplicações mais interessantes do problema da expressabilidade. Apresentamos, também, uma demonstração não-standard. do Teorema de Hahn-Banach, baseada fundamentalmente na técnica de ultraprodutos.</p> <p>No Capítulo 4, introduzimos as linguagens infinita: rias como ambiente natural para a interação entre os isomorfismos parciais e a equivalência elementar, obtendo como resultados principais os teoremas de caracterização algébrica da equivalência elementar em diversas linguagens, em termos da existência de certa coleção de isomorfismos parciais. Incluímos, também, o Teorema de Fraissé que caracteriza a equivalência ele[1]mentar correspondente à linguagem de 1º ordem.</p> <p> Enfim, neste capítulo também são apresentadas generalizações dos teoremas de Los e de compacidade, mostrando a forte dependência destas noções com as propriedades conjuntistas dos números cardinais.</p> <p>No final, apresentamos uma pequena discussão acerca da comparação do poder expressivo entre as linguagens formais.</p> <p>Noções de teoria de conjuntos, como se explica no início do Capítulo 1, são usadas frequentemente: entre elas, a diferença entre classes e conjuntos, e propriedades gerais dos números ordinais e cardinais. Muitas vezes usaremos os símbolos “=&gt;” por “implica”, “ó” por “equivale”, “Ɐ” por “para todo” e “ⱻ” por “existe”, como parte da linguagem matemática coloquial. “</p> <p>Este trabalho pretende ser auto-contido e está dirigido para estudantes e estudiosos da matemática em nível de pós-graduação que tenham poucos conhecimentos da teoria de modelos e da lógica matemática em geral. Obviamente, para um especialista, algumas noções estarão insuficientemente tratadas, e outras estarão tratadas de forma abundante, mas nossa intenção é despertar o interesse dos primeiros.</p> <p>Algumas provas são feitas de forma distinta da usual, em virtude de ilustrarem algumas propriedades introduzidas, como é o caso da demonstração do Princípio de Lefschetz a partir de uma versão fraca do Teste de Vaught.</p> <p>Este estudo foi apresentado como Dissertação de Mestrado em Matemática no Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da UNICAMP em junho de 1988 e esta edição traz ligeiras modificações com relação à versão original.”</p> <p> </p> <p>José Carlos Cifuentes Vásquez</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147 <br />Primeira Edição, 1992</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático <br />1. Metamatemática 510.1 <br />2. Lógica simbólica e matemática 511.3</p> <p> </p> <p>OBS: O objetivo central deste trabalho é o estudo da expressabilidade dos conceitos matemáticos, através das classes de estruturas matemáticas que são sua referência. Neste contexto, a expressabilidade traduz[1]se na possibilidade de axiomatização dessas classes em diversas linguagens formais. Para este efeito são introduzidas as linguagens de primeira ordem, de ordem superior e infinitárias.</p> José Carlos Cifuentes Vásquez Copyright (c) 1992 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/16 Thu, 07 Jul 2022 00:00:00 -0300 A Regra -w https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/14 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Estas notas foram inicialmente preparadas para o curso ministrado por E. G. K. López-Escobar durante o V Encontro Brasileiro de Lógica, realizado em Fortaleza, em dezembro de 1982.</p> <p>A Sociedade Brasileira de Lógica solicitou-nos um curso para docentes e pesquisadores com razoável experiência e titulação em Lógica, salientando-nos inclusive a ausência de bibliografia mínima adequada, em Português, sobre o tema.</p> <p>López-Escobar foi professor visitante da UNICAMP, sob o patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), de agosto a dezembro de 1982.</p> <p>Foram intensas as atividades desenvolvidas com o Grupo de Lógica do Instituto de Matemática, Estatística e Ciências da Computação (IMECC) da UNICAMP. Além de alguns resultados de pesquisa com I. M. L. D'Ottaviano, já publicados, estas notas são também parte do trabalho realizado nesse período.</p> <p>No texto, a partir de uma caracterização da Regra-w, apresentamos a Regra-w e o Primeiro Teorema de Gödel, as Demonstrações Infinitas e as Demonstrações-w, o Teorema da Completude para a Aritmética de Primeira Ordem coma Regra-w e a Eliminação do Corte.</p> <p>No Capitulo I, caracterizamos historicamente as origens da regra-w e apresentamos uma discussão sobre as demonstrações infinitas.</p> <p>No Capítulo II, após introduzirmos algumas abreviações e notações, discutimos o Primeiro Teorema de Gödel e apresentamos o Teorema de Löeb e o Segundo Teorema da Incompletude de Gödel.</p> <p>No Capítulo III, introduzimos os conceitos gerais de demonstração, árvore e função de dados e discutimos o caso da regra-w; e introduzimos os sistemas w-PA, w-HA e w-PAgr.</p> <p>No Capítulo IV, apresentamos a relação entre HA e w-HApr, através do Teorema de Schütte-Mints, e o Teorema da Completude para w-PApr.</p> <p>No Capítulo V, discutimos alguns resultados básicos da Teoria da Demonstração, a extensão da Aritmética através da Indução Transfinita e algumas aplicações da Eliminação do Corte.</p> <p>Procuramos indicar na Bibliografia, artigos e textos significativos para o estudo da regra-w, inclusive artigos históricos.”</p> <p>Edgar G. K. López-Escobar </p> <p>Ítala M. Loffredo D'ottaviano</p> <p> </p> <p>Obra publicada pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE)</p> <p>F:- 393269 CP:- 6133 13081 — Campinas — SP</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <p>1. Lógica matemática 511.3</p> <p> </p> <p>OBS: Este segundo volume da Coleção CLE apresenta um texto, em português, sobre a Regra -ω. E. G. K. López e I. M. Loffredo D’Ottaviano caracterizam historicamente as origens da regra - ω, e o Primeiro Teorema de Gödel, as demonstrações infinitas e as demonstrações - ω, o Teorema da Completude para a aritmética de primeira ordem com a regra -ɯ e discutem algumas implicações da eliminação do corte.</p> <p> </p> Edgar G. K. López-Escobar , Ítala M. Loffredo D'ottaviano Copyright (c) 1987 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/14 Wed, 06 Jul 2022 00:00:00 -0300 A Inércia e o Espaço-Tempo Absoluto https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/15 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>"Este livro apresenta uma análise filosófica das concepções de inércia e de espaço-tempo a partir de várias teorias físicas, tais como as encontramos formuladas em autores como Newton, Leibniz, Euler, Mach, Einstein, Weyl e Weinberg. O ponto de partida é o problema colocado por Newton sobre a explicação do aparecimento de fenômenos diferentes segundo o tipo de movimento: a água contida em balde toma uma forma côncava quando está em rotação, ao passo que permanece plana quando em movimento retilíneo uniforme. Parece-me que esta abordagem esclarece melhor o estatuto do espaço-tempo, e o papel que este desempenha nas teorias físicas, que a abordagem inspirada pelos empiristas lógicos, como Carnap e Reichenbach. Interessados, em primeiro lugar, na maneira como se podiam justificar as afirmações teóricas com base em enunciados de observação, eles estavam sobretudo preocupados em fundar a estrutura métrica do espaço-tempo com base no comportamento de barras e de relógios, isto é, de instrumentos de medida.</p> <p>Sem negar o extremo interesse desta abordagem, é preciso constatar que ela apresenta diversas dificuldades. Primeiramente, os autores aqui estudados procuram, sobretudo, fornecer uma teoria satisfatória do movimento e, em particular, da dualidade observada entre os movimentos que denominamos inerciais e nãoinerciais. Sua preocupação não se limita a formular leis que descrevam corretamente fenômenos bem relaciona- “dos, mas a atribuir uma causa real aos efeitos inerciais, reais e não apenas aparentes, ou, de modo equivalente, a especificar adequadamente o sistema, ou os sistemas, de referência relativamente aos quais os movimentos, quer acelerados, quer não, dão ou não lugar a tais efeitos. Além disso, a determinação da estrutura métrica a partir das barras e dos relógios não é independente do estado de movimento destes, ao menos nas teorias da relatividade restrita e geral, e isto só pode ser determinado quando já dispomos de um sistema de referência cujo estado de movimento, inercial ou não-inercial, conhecemos. Portanto, é a questão da determinação do caráter inercial ou não de um movimento ou de um sistema de referência que constitui o problema fundamental. Por fim, as discussões a respeito do papel fundacional dos instrumentos métricos e a questão correlata de saber se eles determinam univocamente a métrica e, por conseguinte, a curvatura de espaço(-tempo) subsistente desde que Poincaré defendeu a tese do convencionalismo geométrico, isto é, há cerca de um século. Tais discussões atingiram hoje um grau de complexidade e tecnicidade tal que a dimensão filosófica se encontra frequentemente relegada a segundo plano, mascarada por discussões bizantinas, que são o índice mais seguro do esgotamento de uma problemática.</p> <p>Partiremos aqui das teorias físicas, sem nos determos muito à questão de sua justificação empírica. Deste modo, suporei que elas já se encontram verificadas, ou confirmadas, ou corroboradas, etc., para me ater à relação entre os fenômenos da inércia, de um lado, e, de outro, ao estatuto empírico e ontológico do espaço-tempo e de sua estrutura, articulada por cada uma destas teorias. O espaço-tempo (ou os espaços-tempo, no caso da teoria geral da relatividade) de uma teoria deve ter propriedades e uma estrutura tais que os efeitos de inércia sejam corretamente explicados por esta teoria.</p> <p>A teoria geral da relatividade, contrariamente a uma opinião ainda largamente difundida, não permite abandonar completamente a concepção absolutista do espaço-tempo e não satisfaz à equivalência dinâmica dos movimentos. Estes resultados não são novos: foram destacados por Hermann Weyl e Lawrence Sklar, entre outros. Mas seu impacto filosófico foi subestimado. Eles mostram que mesmo na física, que é, sem dúvida, ainda hoje, e apesar dos progressos notáveis de outras disciplinas, como a biologia, a mais elaborada. das ciências empíricas, não é possível fazer economia de entidades claramente metafísicas, como o espaço-tempo absoluto.</p> <p>Uma atenção particular foi dedicada à formulação exata e à abrangência dos diferentes princípios: princípios de relatividade, de covariância, de reciprocidade, nas diferentes teorias analisadas, e às relações lógicas entre eles. Se admitirmos, segundo Weyl, a realidade das soluções das equações do campo, que são espaçostempo curvados pela presença das massas e da energia, compreenderemos melhor a origem dos fenômenos inerciais, como também a significação dos princípios utilizados, e evitaremos, por exemplo, confundir o princípio de covariância com o princípio geral da relatividade.</p> <p>Finalmente, a questão, mais epistemológica, da circularidade da definição dos sistemas inerciais foi longamente examinada. Fica claro, a partir deste exame, que esta circularidade é inevitável, inclusive no âmbito da teoria geral da relatividade. Não é possível determinar por meios puramente cinemáticos, isto é, por medidas espaço-temporais, se um sistema de referência é inercial ou livre de toda força externa. É preciso recorrer às forças, à dinâmica. Nestas condições, não é possível distinguir a questão da geometria do espaço-tempo daquela sobre a inercialidade dos sistemas de inércia locais (esta e aquela se determinam reciprocamente, uma vez que os sistemas de inércia locais são os espaçostempo tangenciais), o que torna difícil a redução da estrutura do espaço-tempo ao comportamento de barras e de relógios, mesmo mediante uma definição de congruência, como tinha defendido Reichenbach.</p> <p>Estes são problemas de filosofia, na medida em que, de um ponto de vista negativo, não encontramos solução para eles nas obras de física, mas também, e de um ponto de vista positivo desta vez, porque dizem respeito ao estatuto empírico e ontológico do espaço-tempo, à clarificação dos fundamentos das teorias físicas e à aceitabilidade de uma concepção estritamente empirista da ciência.</p> <p>O primeiro capítulo é uma introdução à terminologia utilizada nesta obra. É indispensável, com efeito, quando se faz filosofia, e sobretudo filosofia da ciência, definir tão bem quanto possível os termos utilizados, e construir o discurso de maneira rigorosa (se fosse preciso reter apenas uma lição de Carnap, seria esta). Os capítulos seguintes são consagrados à mecânica clássica, à relatividade restrita-e à teoria geral da relatividade.</p> <p>Este livro se dirige a filósofos da ciência, a historiadores da ciência e a cientistas, que tenham um conhecimento elementar de física clássica e relativista, de álgebra linear e de geometria diferencial: dada a natureza do tema, foi indispensável apresentar os aspectos essenciais das teorias examinadas em sua forma matemática. Todavia, a fim de facilitar a leitura, omiti quase todas as demonstrações, para me concentrar nos resultados, e indiquei o significado de todos os símbolos utilizados, conservando as notações-padrão entre os físicos, isto é, as utilizadas por Weinberg (1972). As datas entre parênteses após o nome de um autor fazem referência à bibliografia, nem sempre correspondendo ao ano da primeira edição. Meus comentários no interior das citações foram colocados entre colchetes.</p> <p>Este trabalho se insere no prolongamento de minha tese de doutorado intitulada Les conceptions absolutistes et relationnelles de l’espace-temps, defendida em março de 1982 no Instituto Superior de Filosofia da Universidade Católica de Louvain (UCL) (Louvain - laNeuve), cuja versão original foi premiada pela Academia Real de Ciências, Letras e Belas Artes da Bélgica, em maio de 1987. Trata-se aqui de uma versão reelaborada durante o ano de 1988, conservando o plano e as idéias centrais da versão original, mas levando em conta a literatura recente, do mesmo modo que críticas e observações que meus professores, colegas, alunos e amigos tiveram a gentileza de me comunicar."</p> <p>Michel Ghins</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147 <br />Primeira Edição, 1991</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático <br />1. Espaço e Tempo 115</p> <p> </p> <p>OBS: O autor mostra, através de um exame detalhado da mecânica clássica, do eletromagnetismo, da relatividade restrita e da relatividade geral, que as teorias dos empiristas lógicos, como Carnap e principalmente Reichenbach, adquirem sua plena inteligibilidade somente se for postulada a existência de uma entidade francamente metafísica, o espaço[1]tempo absoluto, casualmente responsável pelo aparecimento dos efeitos inerciais. Este livro dirige-se aos filósofos e historiadores da ciência, assim como aos físicos que tem interesse nos fundamentos de sua disciplina.</p> Michel Ghins Copyright (c) 1991 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/15 Wed, 06 Jul 2022 00:00:00 -0300 Aspectos da Descrição Física da Realidade https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/17 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“O conteúdo deste trabalho insere-se, a um só tempo, no debate filosófico acerca do realismo científico e nas investigações de certos problemas teóricos atinentes à microfísica. Destina-se, pois, a filósofos da ciência e a cientistas preocupados com os fundamentos da física. Em sua redação procurei tornar a discussão filosófica acessível a um público com formação exclusivamente científica e, de outro lado, apresentar as questões científicas de maneira razoavelmente compreensível a um filósofo da ciência de formação geral, definindo sistematicamente os termos mais técnicos e evitando complexidades não essenciais.</p> <p>Minha motivação central prende-se à insatisfação com muito daquilo que se afirma na literatura contemporânea a propósito da interação daquelas duas linhas de pesquisa. Constitui crença quase geral entre especialistas dos dois campos que as dificuldades teóricas e interpretativas que assolam as bases da física de algum modo repercutem negativamente sobre a tese do realismo científico. Apresento aqui as razões que me persuadiram, depois de acurado exame, de que semelhante opinião carece de sustentação segura.</p> <p>A consecução desse objetivo principal exigiu que descesse à análise direta da situação na microfísica, com o intuito de identificar, esclarecer e aprofundar os aspectos potencialmente relevantes para o problema. Na frente filosófica, afigurou-se-me imprescindível proceder, já de início, a uma elucidação dos conceitos e argumentos envolvidos na discussão sobre o realismo científico. Após percorrer os temas mais técnicos, retomo, no final, as questões filosóficas, agora em condições mais apropriadas para justificar meu distanciamento com relação à ortodoxia.</p> <p>O texto corresponde essencialmente ao da tese de doutorado que submeti ao Departamento de Filosofia da Unicamp em outubro de 1993. Apenas alguns aperfeiçoamentos de expressão e complementações bibliográficas foram introduzidos, além de ligeiras alterações em dois pontos isolados de interpretação histórica.”</p> <p> </p> <p>Silvio Seno Chibeni</p> <p> </p> <p>ISSN: 0103-3147 Primeira Edição, 1997</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático</p> <ol> <li>Ciência - Filosofia 501</li> <li>Mecânica quântica 530.192</li> <li>Física — Filosofia 530.01</li> </ol> <p> </p> <p>OBS: No presente trabalho investigam-se certas restrições que resultados recentes da microfísica alegadamente impõem à crença realista objetiva, ainda quando inacessível à observação direta. Após uma análise da doutrina do realismo científico e dos principais argumentos para a incompletude da descrição quântica da realidade, empreende-se um exame detalhado dos referidos resultados de limitação. Argumenta-se no final que eles não comprometem o realismo científico propriamente dito, mas que não deixam de ter implicações filosóficas.</p> Silvio Seno Chibene Copyright (c) 1997 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/17 Wed, 06 Jul 2022 00:00:00 -0300 Espaço e Tempo https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/18 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>“Este livro é composto por artigos que foram originalmente produzidos para o VIII Colóquio de História da Ciência, dedicado ao tema “Espaço e tempo”, realizado pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência, CLE/UNICAMP, de 14 a 17 de outubro de 1993, em Águas de Lindóia.</p> <p>Organizados desde 1985, pelo Centro de Lógica - UNICAMP, os Colóquios CLE de História da Ciência têm por objetivo estimular a produção, divulgação e discussão de trabalhos de alto nível acadêmico sobre história da ciência.</p> <p>Tradicionalmente, nossos Colóquios de História da Ciência são temáticos, propiciando a discussão aprofundada dentro de um único tema geral com o qual todos os participantes estão familiarizados.</p> <p>O VIII Colóquio — ao contrário dos realizados nos anos anteriores, cujos temas se restringiam a um período limitado da história da ciência, ora dedicando-se à análise de alguns autores em particular (Newton, Descartes), ora a períodos propriamente ditos (Ciência Moderna, Ciência Grega, Ciência no Século das Luzes, Ciência Medieval e Ciência no Século XIX) — teve como tema geral a evolução dos conceitos de Espaço e Tempo e suas correspondentes teorias na história da ciência e da filosofia.</p> <p>Esta alteração, embora guardando ainda o espírito inicial de tematizar os Colóquios, deve-se ao fato de que praticamente todos os grandes períodos históricos já tinham sido analisados. Optamos então pela discussão de um tema ao longo da história da ciência e da filosofia.</p> <p>Pareceu-nos bastante pertinente a opção por este tema, já que as noções de espaço e tempo são centrais tanto na ciência quanto na filosofia, o que possibilita, sem dúvida, um tratamento do ponto de vista histórico extremamente interessante.</p> <p>Embora não pretendemos, neste Colóquio, nos prender a uma estrita ordem cronológica de discussão do desenvolvimento dos conceitos de espaço e tempo, tentamos, na medida do possível, cobrir todos os períodos históricos, analisando as diversas alterações conceituais relativas a espaço e tempo na história da ciência e da filosofia. No entanto, a estrutura do Colóquio priorizou um tratamento tópico, que procuramos reproduzir neste volume.</p> <p>A primeira parte deste livro será dedicada ao espaço e tempo na história da ciência e da filosofia. A segunda parte versará sobre o tempo na lógica e na filosofia analítica. Recentes análises científicas e filosóficas do espaço e tempo serão objeto da terceira e última parte.</p> <p>A primeira parte inicia com o artigo de Gilles-Gaston Granger, onde o autor discute se uma teoria pura do tempo devia ser comparável às geometrias, teorias puras do espaço. Segundo Granger, embora Kant tenha apresentado a aritmética como fazendo o papel de “ciência pura do tempo”, a própria Crítica da Razão Pura nos dá elementos para fundamentar a impossibilidade de uma teoria verdadeiramente pura do tempo. Assim, Granger examina se as lógicas temporais poderiam ser consideradas ciências puras do tempo, e mostra, a partir de exemplos, que nas ciências da <em>empirie</em> toda teoria do tempo está necessariamente ligada aos conteúdos dos objetos.</p> <p>Michel Paty, no Capítulo 2, argumenta que o espaço-tempo da teoria da relatividade é uma construção conceitual formulada para dar conta de uma certa ordem de fenômenos físicos. Com a teoria da relatividade restrita, o tempo é colocado na dependência das leis gerais dos fenômenos estudados pela mecânica e pelo eletromagnetismo: é constituído como grandeza física de modo que sejam respeitados o princípio da relatividade da mecânica e a constância da velocidade da luz independentemente do movimento da fonte luminosa, lei fundamental do eletromagnetismo. O espaço_tempo assim construído ligaria de maneira indissociável as coordenadas espaciais e o tempo, sob o signo de uma causalidade que exclui as ações instantâneas; permanece sendo, porém, o cenário [cadre] inalterável dos objetos e dos fenômenos físicos, que sobre ele não influem. Quanto à teoria da relatividade geral, modifica a significação física do espaço e do tempo, transformando-os em simples coordenadas em uma variedade deformável, o espaço_tempo, cuja estrutura não mais é dada pelas distâncias euclidianas dos corpos rígidos e pelos relógios invariáveis, mas pela forma do campo de gravitação. A partir dessa nova construção, o espaço_tempo não é mais concebido como um cenário independente dos fenômenos e que os condiciona, passando a ser, ao contrário, de_terminado por eles. A cosmologia moderna destaca esse ponto, mostrando como o tempo (e, com ele, o espaço-tempo) tem o seu: significado físico determinado em cada etapa da evolução do Uni_verso pelas leis que regem o estado da matéria nas condições da época.</p> <p>Em “A existência do espaço-tempo segundo Leonhard Euler” Michel Ghins, mostra que Euler parte da verdade do primeiro Axioma de Newton (a Lei da Inércia) para argumentar a favor da realidade do espaço-tempo como continuum de pontos (plenum) munido de uma relação de paralelismo e de uma relação de congruência espacial e temporal. O autor mostra que a argumentação de Euler, além de poderosa é surpreendentemente moderna.</p> <p>No Capítulo 4, Rachel Gazolla de Andrade discute a noção: de tempo para os estoicos antigos, mostrando que a ontologia estoica tem seu solo na noção de corpóreo exposta na Física, seres que agem e padecem. A autora argumenta que os incorpóreos, do qual o tempo, o lugar, o vazio e o exprimível (lektón) fazem parte, têm um estatuto que se desprega da ontologia, mas se expressa a partir dela. As implicações de tal estatuto tem, segundo a autora, grandes consequências no pensamento ético-político da escola.</p> <p>Em Philoponos e Avempace: a origem do argumento galileano sobre o vazio (Capítulo 5) analisa-se as origens do argumento galileano com respeito à possibilidade do vazio e do movimento com velocidade finita no vazio, tentando estabelecer se, como alguns historiadores da ciência acreditam, Galileo seguiu a tradição que começa com Philoponos de Alexandria (Século VI) e com o árabe espanhol Avempace (1106-1138), onde se pensava que a velocidade de um corpo em movimento fosse determinada pela diferença — e não pela razão, como propunha Aristóteles — entre o peso do corpo e a resistência do meio através do qual ele se move, o que torna o movimento no vazio não absurdo.</p> <p>Três artigos, (Cap. 6, 7 e 8) compõem a segunda parte deste livro, dedicada ao estudo do tempo na lógica e na filosofia analítica. O Capítulo 6, de autoria de Newton da Costa, Otávio Bueno e Antônio Coelho apresenta uma estrutura matemática (na acepção de P. Suppes) para o tempo físico, no mesmo sentido que uma axiomatização para a geometria pura constitui uma estrutura para "o espaço da física clássica. Para os autores, partindo-se de propriedades topológicas, o tempo físico (idealizado) é construído matematicamente com o auxílio de uma álgebra básica de durações. Deste modo, as idealizações e os pressupostos básicos envolvidos em tal construção pode ser claramente explicitados. Embora semelhante construção tenha sido elaborada a partir de uma posição filosófica inteiramente distinta daquelas adotadas por A.N. Whitehead, B. Russell e R. Carnap, ela se encontra, segundo da Costa, Bueno e Coelho, inspirada largamente nos trabalhos destes autores. A este respeito cumpre notar que, em analogia a uma distinção familiar entre filosofia da matemática e fundamentos da matemática, tal construção proporciona uma contribuição para os funda_mentos do tempo, e não (exceto indiretamente) para sua filosofia.</p> <p>No Capítulo 7, José Oscar de Almeida Marques apresenta como questão específica de seu trabalho, o papel do espaço e do tempo na ontologia do Tractatus. Marques pretende examinar em que medida eles participam da estrutura última do mundo, e como se relacionam com os famosos “objetos” que, segundo Wittgenstein, são os elementos simples cujas combinações constituem a realidade.</p> <p>No Capítulo 8, Claudio Pizzi apresenta um estudo sobre a não aceitação da auto evidência da proposição de Aristóteles, relativa à não possibilidade da existência de um período de tempo de comprimento não especificado, durante o qual nenhuma mudança OCOTTA. À terceira parte, dedicada a recentes analises científicas e filosóficas do espaço e do tempo inicia com o artigo de Newton Bernardes (Capítulo 9), onde o autor analisa os pontos críticos do conflito ideológico que separa os físicos diante da interpretação da física atômica experimental no século XX. São contrapostos os pontos de vista da complementaridade de Niels Bohr e do realismo de Einstein. Silvio Chibeni, no artigo “A microfísica e a não-localidade” (Capítulo 10), discute o vigoroso e influente ataque de 1935 de Einstein, Podolsky e Rosen (EPR) à tese, já então dominante, de que a descrição física da realidade fornecida pela mecânica quântica é completa. O argumento de EPR depende crucialmente da assunção de que, em um instante de tempo, os objetos físicos são in_dependentes uns dos outros, desde que estejam separados espacialmente. Neste artigo Chibeni descreve sucintamente o modo pelo qual essa hipótese de localidade intervém no argumento de EPR, e os desenvolvimentos subsequentes que, ironicamente, vieram a mostrar que qualquer tentativa de complementação da descrição quântica da realidade tem de envolver a sua violação.</p> <p>No Capítulo 11, Osvaldo Pessoa Jr. investiga a natureza do tempo na Física Quântica restrita a poucos corpos e a domínios não-relativísticos. Dois problemas são explorados. Primeiro, a questão concernente à inexistência de um operador auto adjunto de tempo, apesar da duração temporal ser observável através dos mesmos procedimentos usados para as outras variáveis dinâmicas. Examinam-se a história da relação de indeterminação de tempo e energia, e das tentativas de definir tal operador de tempo, que levam à problemática definição de autoestudos não-ortogonais de tempo. A segunda questão explorada é a noção de superposição de estados temporais, que pode ser interpretada como eventos sem instante de ocorrência bem definido. Algumas críticas a esta interpretação são mencionadas, mas ela é defendida tendo em vista um recente experimento de interferência proposto por Franson. Em um Apêndice, apresenta-se uma curta introdução ao formalismo da Mecânica Quântica.</p> <p>Em <em>Por quê auto-organização</em>? (Capítulo 12), Jairo José da Silva apresenta o paradigma da auto-organização como uma forma de recuperar a potência criadora do tempo real no contexto das ciências naturais.</p> <p>No Capítulo 13, Alfredo Pereira Jr. e Maria Eunice Gonzales, estudam o conceito de Informação e algumas de suas relações com os conceitos de Organização e Linguagem. -Discutem inicial_mente o conceito antropomórfico de informação, de senso comum, e o comparam com o conceito científico, em especial no contexto da Biologia Molecular. Examinam em seguida os nexos conceituais entre Informação e Organização, propondo que os processos informacionais poderiam ser entendidos como uma “causalidade de segunda ordem”, sobreposta à causalidade física ordinária, através da qual um padrão informacional se transmite da organização de um sistema para a organização de outro sistema. Em seguida, estudam os processos informacionais que se realizam através da linguagem, distinguindo entre os processos informacionais não-linguísticos, linguísticos não-simbólicos e linguísticos simbólicos, o que conduz os autores, finalmente, a uma clarificação dos diferentes tipos de representação da informação.</p> <p>No Capítulo 14, Alfredo Pereira Jr. faz uma caracterização sumária dos processos auto-organizados, discutindo se o comportamento espacial e temporal dos seres vivos poderia ser considera_do como auto-organizado. Tal questão se desdobra em três níveis de análise: o ontogenético, relativo à história individual de um ser vivo; O filogenético, relativo a uma linhagem evolutiva; e o ecossistêmico, relativo às interações entre as populações de várias espécies em um dado ecossistema.”</p> <p> </p> <p>Fátima R. R. Évora</p> <p> </p> <p>ISSN:0103-3147</p> <p>Primeira Edição, 1995</p> <p> </p> <p>Índice para catálogo sistemático:</p> <p>1.Espaço e tempo 115</p> <p>2.Ciência - História 509</p> <p> </p> <p>OBS: Este livro é composto por artigos que foram originalmente produzidos para o VIII Colóquio de História da Ciência, dedicado ao tema “Espaço e Tempo”, realizado pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE/Unicamp), em outubro de 1993, em Águas de Lindóia-SP. O tema geral deste livro é a evolução dos conceitos de Espaço e Tempo e suas correspondentes teorias na história da ciência e da filosofia.</p> Fátima Regina Rodrigues Évora Copyright (c) 1995 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/18 Wed, 06 Jul 2022 00:00:00 -0300 Cálculo Proposicional https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/13 <p><a href="https://www.calameo.com/read/0076312919a2f465003f7">Cálculo Proposicional: Uma Interação da Álgebra e da Lógica</a> (digital)</p> <p> </p> <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>Estas notas são o resultado de um curso ministrado pelo autor durante o V Encontro Brasileiro de Lógica realizado em Fortaleza, em dezembro de 1982. A encomenda original foi um curso introdutório de Lógica. Claro que existem muitas opções, e a minha escolha foi tentar mostrar àqueles que iniciam seu treinamento em Lógica (que deveriam ser a maioria da plateia) como pegar a matéria prima, que é o raciocínio proposicional, e matematizá-lo até obter algum resultado mais significativo - no caso, os teoremas de completude para o cálculo clássico e para a formalização, devida a Heyting, da parte proposicional do Intuicionismo. No caminho, discutimos brevemente: reticulados, álgebras de Boole e de Heyting, enfim, o aparato matemático necessário para “algebrizar” os cálculos proposicionais. Nada aqui é discutido à exaustão ou é novo: a ideia é motivar o leitor a buscar mais. Há, por outro lado, indicação clara da interação da Lógica, com a Álgebra e a Topologia.</p> <p>A parte menos matemática e, provavelmente, mais polêmica e pessoal, é o Capítulo I, particularmente a discussão da implicação. Trata-se de uma tentativa de dar ao leitor uma interpretação da implicação que norteie seu uso clássico e intuicionista.</p> <p>Uma palavra sobre a bibliografia: longe de exaustiva, ela indica, apenas, algumas portas de entrada para o aprofundamento do estudo por parte do leitor interessado. Para o cálculo de predicados, alguma teoria dos modelos e teoria da recursão básica há [S] e [K1]; para a teoria dos modelos clássica, [CK]; para a teoria dos reticulados, [B D]; e para pontos de vista parecidos com o usado aqui temos [RS] e [RJ]. O livro de Fitting, [F], fornece uma alternativa (modelos de Kripke) para a semântica proposicional que utilizamos nestas notas.</p> <p>CENTRO DE LÓGICA, EPISTEMOLOGIA E HISTÓRIA DA CIÊNCIA - CAMPINAS - SÃO PAULO - 1987</p> <p> </p> <p>OBS: Este primeiro volume da Coleção CLE apresenta um texto, em português, de Introdução à Lógica. Francisco Miraglia salienta como o Cálculo Proposicional tem enlace com métodos algébricos. Discute as estruturas de reticulados, álgebras de Boole e de Heyting, da parte proposicional do intuicionismo.</p> Francisco Miraglia Copyright (c) 1987 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/13 Tue, 05 Jul 2022 00:00:00 -0300 A Revolução Copernicana-Galileana https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/12 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>"Um erro que tem influenciado muitos historiadores da ciência é a noção de que a ciência natural começou no século XVII, com a revolução galileana-cartesiana, ou talvez no século XVI, coma revolução copernicana: os gregos não passariam de especuladores: e: todos os pensadores medievais teriam se inspirado na teologia e na superstição.</p> <p>Eu, por outro lado, acredito que a ciência natural foi se desenvolvendo desde a antiguidade e que a ciência moderna como diz Alexandre Koyré, “não brotou perfeita e completa, qual Atenas dá cabeça de Zeus, dos cérebros de Galileo e Descartes. Ao contrário, a revolução galileana-cartesiana — que permanece apesar de tudo uma revolução — tinha sido preparada por longo esforço de pensamento”.</p> <p>Assim sendo, para compreender a origem, o alcance e a significação da revolução copernicana-galileana e a sua inserção no pensamento cientifico-filosófico antigo e medieval deve-se analisar, ainda que rapidamente, a “ciência pré-galileana, sobretudo aquela desenvolvida por Aristóteles e o “pensamento cosmológico de Platão e seus discípulos, cujo espírito de simplicidade e harmonia influenciaram fortemente o pensamento de Copérnico e Galileo.</p> <p>As ideias cosmológicas de Aristóteles, ou seja, suas ideias sobre a real estrutura do Universo, assim como sua teoria da substância e os seus princípios fundamentais da explicação científica, dominaram o pensamento europeu até as primeiras décadas do século XVII. Suas opiniões tiveram uma grande influência e constituíram o ponto de partida para a maior parte do pensamento cosmológico medieval e grande parte do renascentista.</p> <p>Platão, por outro lado, embora sem dar uma substancial contribuição a astronomia, influenciou vários astrônomos da antiguidade, como Eudoxos, Galiipos, Heráclides de Pontos, e até mesmo Aristóteles; e alguns medievais “e renascentistas, como Copérnico e Galileo, entre outros.</p> <p>Não espero fazer, na presente edição, uma discussão detalhada de cada ponto da ciência antiga e medieval, mas antes traçar em linhas gerais o universo científico e filosófico no qual Copérnico e Galileo estavam inseridos ao elaborarem suas teorias. Começando com a análise das primeiras teorias. astronômicas gregas.</p> <p>Além da reflexão sobre a física e cosmologia aristotélica, e sobre o pensamento cosmológico de Platão e seus discípulos, serão analisados os notáveis sistemas cósmicos propostos pelos primeiros a acreditarem em algum tipo de movimento da Terra, tais como Philolau, o pitagórico; Heráclides de Pontos e Aristarchos de Samos. Serão ainda discutidos alguns pontos do sistema de Ptolomeu, em especial aqueles que serão alvo da crítica copernicana.</p> <p>Também os trabalhos de alguns medievais como os de Philoponos; dos árabes, Avicena, Avempace e Averrões; e dos membros da escola nominalista de Paris, tais como Jean Buridan e Nicolas Oresme, deverão ser analisados, já que terão um papel decisivo na crítica escolástica que tem lugar nos séculos que precedem a revolução copernicana. Em seguida será discutida a revolução copernicana, sua motivação e teses principais.</p> <p>Finalmente será feita a análise historiográfica da ciência de Galileo. A leitura histórica será feita informada por estudos epistemológicos, notadamente os de Paul K. Feyerabend.</p> <p>Dois aspectos da ciência de Galileo serão discutidos mais detalhadamente, a saber: o seu trabalho telescópico (contexto da descoberta e contexto da justificação, e as observações astronômicas de Galileo) e as novas ideias introduzidas por Galileo (lei da inércia circular, nova mecânica e o princípio da relatividade galileana) a fim de sustentar as suas respostas às objeções aristotélicas ao movimento da Terra. A discussão deste segundo aspecto estará associada à reconstrução dos argumentos mecânicos de Galileo em favor da “mobilidade da Terra, inserindo-os na discussão medieval em torno da possibilidade do movimento da Terra.</p> <p>A fim de completar a análise da inserção da revolução copernicana-galileana na história do pensamento científico-filosófico antigo e medieval se faz necessária uma reflexão sobre alguns aspectos das teorias ópticas desenvolvidas por Alhazem, Witelo, Robert Grosseteste, John Peckham, Roger Bacon, Giovanni Battista della Porta e finalmente Johannes Kepler, que poderiam ter servido de bases teóricas para a construção do telescópio e justificação do seu uso.</p> <p>Foi difícil não ceder aos impulsos de introduzir nesta discussão a análise dos trabalhos astronômicos de Kepler, fundamentais para a constituição da nova concepção heliocêntrica da astronomia. Porém, como esta introdução estenderia em demasia a presente obra, optei, então, por fixar a minha análise na revolução copernicana-galileana deixando para implementar, em outra ocasião, uma reflexão mais cuidadosa aos trabalhos de Kepler."</p> <p>Fátima Regina Rodrigues Évora</p> <p> </p> <p>ISSN: 0108-3147<br />Primeira Edição (1988)</p> <p> </p> <p>Índices para catálogo sistemático:<br />1: Astronomia : História 520.9<br />2. Mecânica : História 531.09.<br />3. Óptica: História 535.09</p> <p> </p> <p>Obs. Para compreender a origem, o alcance e a significação da revolução copernicana-galileana e a sua inserção no pensamento científico filosófico antigo e medieval deve-se analisar, ainda que rapidamente, a ciência pré-galileana, sobretudo aquela desenvolvida por Aristóteles e o pensamento cosmológico de Platão e seus discípulos, cujo espírito de simplicidade e harmonia influenciaram fortemente o pensamento de Copérnico e Galileo.</p> Fátima Regina Rodrigues Évora Copyright (c) 1988 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/12 Wed, 29 Jun 2022 00:00:00 -0300 A Revolução Copernicana-Galileana https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/10 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>"Um erro que tem influenciado muitos historiadores da ciência é a noção de que a ciência natural começou no século XVII, com a revolução galileano-cartesiana, outalvez no século XVI, com a revolução copernicana: os gregos não passariam de especuladores e todos os pensadores medievais teriam se inspirado na teologia e na superstição. <br />Eu, por outro lado, acredito que a ciência natural foi se desenvolvendo desde a antigiiidade e que a ciência moderna, como diz Alexandre Koyré, “não brotou perfeita e completa, qual Atenas da cabeça de Zeus, dos cérebros de Galileo e Descartes. -Ao contrário, a revolução galileanocartesiana — que permanece apesar de tudo uma revolução tinha sido preparada por longo esforço de pensamento! Assim sendo, para compreender a origem, o alcance e a significação da revolução copernicano-gálileana e a sua inserção no pensamento, científico-filosófico antigo e medieval deve-se analisar, ainda que. rapidamente, a ciência prégalileana, sobretudo aquela desenvolvida por Aristóteles e o pensamento cosmológico de Platão e seus discípulos, cujo espírito de simplicidade e harmonia influenciaram fortemente o pensamento de Copérnico e Galileo. <br />As idéias cosmológicas de Aristóteles, ou seja, suas idéias sobre a real estrutura do: Universo, assim como sua teoria da substância e os seus princípios fundamentais da explicação científica, dominaram o pensamento europeu até as primeiras décadas do século XVII. Suas opiniões tiveram uma grande influência e constituíram o ponto de partida para a maior parte do pensamento cosmológico medieval e grande parte do renascentista. <br />Platão, por outro lado, embora sem dar uma substancial contribuição à astronomia, influenciou vários astrônomos da antigiiidade, como Eudoxos, Callipos, Ileráclides de Pontos, e até mesmo Aristóteles; e alguns medievais e renascentistas, como Copérnico e Gálileo, entre outros.<br />Não espero fazer, na presente edição, uma discussão detalhada de cada ponto da ciência antiga e medieval, mas antes traçar em linhas gerais o universo científico e filosófico no qual Copérnico e Galileo estavam inseridos ao elaborarem suas teorias, começando com-a análise das primeiras teorias astronômicas gregas.<br />Além da reflexão sobre física a e cosmologia aristotélica, e sobre o pensamento cosmológico de Platão e seus discípulos, serão analisados os notáveis sistemas cósmicos propostos pelos primeiros a acreditarem em algum tipo de movimento da Terra, tais como Philolau, o pitagórico; Heráclides de Pontos; e Aristarchos de Samos. Serão ainda discutidos alguns pontos do sistema de Ptolomeu, em especial aqueles que foram alvo da crítica copernicana.<br />Também serão analisados os trabalhos de alguns medievais como os de Philoponos de Alexandria; dos árabes, Avicenna, Avempace e Averrões; e dos membros da escola nominalista deParis, tais como Jean Buridan e Nicolas Oresme, que tiveram um papel decisivo na crítica escolástica que teve lugar nos séculos que precederam a revolução coperiicana. Em seguida será discutida a revolução copernicana, sua motivação e teses principais.<br />No segundo volume será feita a análise historiográfica “da ciência de Galileo: A leitura histórica será informada por estudos epistemológicos, notadamente os de Paul K. “Feyerabend. Dois aspectos da ciência de Galileo serão discutidos mais detalhadamente, a saber: o.seu trabalho telescópico (contexto da descoberta e contexto da justificação, e as observações astronômicas de Galileo) e as novas idéias:introduzidas por Galileo (o princípio de inércia circular, nova mecânica eo princípio da relatividade galileana) a fim de sustentar as suas respostas às objeções aristotélicas ao movimento da Terra. A-discussão deste segundo aspecto. estará associada à reconstrução dôs argumentos mecânicos de Galileo a favor da mobilidade da Terra, inserindo-os na discussão medieval 'em torno da possibilidade do: movimento da Terra. <br />A fim de completar a análise da inserção da revolução copernicano-galileana na história do' pensamento científico filosófico antigo e medieval-faz-se necessária uma reflexão sobre alguns aspectos das teorias ópticas desenvolvidas por Alhazen, Witelo, Robert' Grosseteste, John: Peckham, Roger Bacon, “Giovanni Battista della Porta" e finalmente Johannes Kepler, que poderiam ter servido de basês teóricas para a construção do telescópio e justificação do seu uso. <br />Prefácio à Segunda Edição <br />Esta corresponde à segunda edição, revisada e ligeiramente ampliada, do volume 2 do livro A Revolução Copernicano-Galileana, publicado pela primeira vez em 1988, pela Coleção CLE. Assim como na segunda edição do primeiro volume, não me deixei sucumbir à tentação de implementar nesta edição reflexões adicionais. Elas serão objeto de um outro livro a“que ora me dedico intitulado A Evolução do Conceito de Inércia de Philoponos e Galileo.<br />Apenas motivada por princípios editoriais e visando maior clareza ao leitor, foram introduzidas nesta edição algumas notas. Houve também uma reordenação dos capítulos, não tendo havido nenhuma alteração significativa de conteúdo."</p> <p>Fátima Regina Rodrigues Évora</p> <p> </p> <p>ISSN:0108-3147<br />Primeira Edição (1989) Segunda Edição, Volume 4 - Coleção CLE (1994)</p> <p>Índices para catálogo sistemático: <br />1: Astronomia : História 520.9 <br />2. Mecânica : História 531.09. <br />3. Óptica: História 535.09</p> <p> </p> <p>Obs. Este primeiro volume da Coleção CLE apresenta um texto, em português, de Introdução à Lógica. Francisco Miraglia salienta como o Cálculo Proposicional tem enlace com métodos algébricos. Discute as estruturas de reticulados, álgebras de Boole e de Heyting, da parte proposicional do intuicionismo. </p> Fátima Regina Rodrigues Évora Copyright (c) 1989 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/10 Thu, 23 Jun 2022 00:00:00 -0300 Big Data: Implicações Epistemológicas e Éticas https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/8 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p> </p> <p>Com satisfação escrevo o Prefácio desta coletânea, Big Data: Implicações Epistemológicas e Éticas, organizada por Edna Alves de Souza, Mariana Claudia Broens e Maria Eunice Quilici Gonzalez.</p> <p>O livro corresponde à primeira parte das Atas do “XII Encontro Brasileiro Internacional de Ciência Cognitiva - EBICC”, promovido pela Sociedade Brasileira de Ciência Cognitiva, pelo Departamento de Filosofia e Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UNESP e pelo Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência – CLE da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. O evento, coordenado pela Profa. Maria Eunice Quilici Gonzalez, foi realizado na Universidade Estadual de Campinas - Unicamp, durante o período de 19 a 21 de setembro de 2019.</p> <p>O primeiro EBICC foi realizado no início dos anos 1990, no Departamento de Filosofia da UNESP, Campus Marília. Desde então, os<br />encontros têm sido realizados com regularidade e sob perspectiva interdisciplinar, sempre sobre temas relativos aos impactos da tecnologia na sociedade, de grande interesse para a comunidade acadêmica e para a sociedade em geral. E diversos volumes, de qualidade acadêmica, têm sido publicados com os trabalhos apresentados nos eventos.</p> <p>Este EBICC, em particular, constituiu parte das atividades do projeto internacional Understanding opinion and language dynamics using massive data, financiado no Brasil pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP e coordenado pela Prof. Maria Eunice Quilici Gonzalez, tendo sido selecionado em 2017 pela chamada Trans-Atlantic Platform – Digging into data challange. Esse projeto resultou, em grande parte, de pesquisas de longa duração sobre a dinâmica dos processos de auto-organização e informação em sistemas complexos, que vêm sendo desenvolvidas desde 1986 pelos membros do Grupo Interdisciplinar CLE-Auto-Organização do Centro de Lógica da Unicamp e, posteriormente, também pelos membros do GAEC – Grupo Acadêmico de Estudos Cognitivos da UNESP, Campus Marília.</p> <p>O objetivo central do Encontro consistiu em propiciar aos participantes diversas perspectivas da influência das Tecnologias da<br />Informação e Comunicação na dinâmica de opinião e da linguagem, com a discussão de problemas que vêm gerando grandes impactos em hábitos cognitivos e sociais de longa duração ainda não claramente delineados.</p> <p>O evento foi precedido, entre 16 e 18 de setembro, pelo Worshop de Sistemas Complexos e Big-Data: Implicações Éticas para a Cognição Auto-Organizada, sob a coordenação da Profa. Mariana Claudia Broens. O Workshop foi realizado no CLE e o EBICC, propriamente dito, na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação – FEEC da Unicamp.</p> <p>Tanto o Workshop, como o Encontro, de excelente qualidade acadêmica, superaram as expectativas, tendo reunido estudantes de<br />diversas universidades brasileiras e pesquisadores convidados do Brasil e de instituições estrangeiras, de áreas diversas do conhecimento, com destaque para a filosofia, lógica, linguística, computação, direito, sociologia, ciência da informação e dos sistemas complexos, entre outras.</p> <p>As conferências plenárias, as mesas redondas e as comunicações, em geral instigantes e propositivas, versaram sobre os Big Data e questões éticas, epistemológicas e políticas, e suas implicações epistemológicas, éticas, políticas, estéticas, educacionais, técnicas e semióticas, além de questões relativas à aprendizagem de máquina, complexidade e emergência.</p> <p>Os 12 capítulos desta coletânea, uma publicação conjunta da Editora Filoczar e da COLEÇÃO CLE - coleção de livros publicada pelo Centro de Lógica -, refletem a qualidade das apresentações, das propostas e das discussões propiciadas durante o evento.</p> <p>Cumprimento as organizadoras do volume e agradeço a elas, mais uma vez e em nome da comunidade filosófico-científica brasileira,<br />pelo exemplar e incansável trabalho que realizam pela formação de nossos jovens, pela educação e pela universidade brasileira.</p> <p><br /> Campinas, 07 de novembro de 2020.<br /> Itala M. Loffredo D’Ottaviano</p> <p> </p> Edna Alves de Souza, Mariana Claudia Broens, Maria Eunici Quilici Gonzalez Copyright (c) 2021 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/8 Fri, 17 Dec 2021 00:00:00 -0300 O Paradigma da Complexidade e a Ética Informacional https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/7 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p><strong>Resumo:</strong> "Como diferentes teorias caracterizam a informação? Qual é a relevância ética dos fenômenos informacionais contemporâneos? Como o paradigma da complexidade pode contribuir para compreender fenômenos informacionais? Em que consiste a Ética da Informação e como tal ética pode lidar com problemas emergentes das novas tecnologias da informação e da comunicação? Estas são algumas das questões tratadas no livro O Paradigma da Complexidade e a Ética Informacional de João Antonio de Moraes. Esta obra marca a trajetória acadêmica do autor, voltada desde cedo a pesquisas em torno ao conceito de informação, na esteira de pioneiros na área como Maria Eunice Quilici Gonzalez, de quem foi orientando em sua iniciação científica e Mestrado na UNESP, Fred Adams, que supervisionou seu estágio na Universidade de Delaware, EUA, e Rafael Capurro, que o acolheu para realizar parte de sua pesquisa de doutorado na Escola Superior de Mídias de Stuttgart, Alemanha, o qual foi defendido sob a orientação de Itala Loffredo D’Ottaviano, na UNICAMP. De forma acessível, mas sem comprometer a profundidade de suas análises, o autor apresenta criticamente algumas das principais concepções teóricas que buscam elucidar a natureza ontológica da informação e o impacto ético resultante do uso generalizado das novas tecnologias informacionais. Em especial, o autor se volta a tratar de problemas relacionados ao direito à privacidade e à “posse de informação”, problemas estes resultantes de políticas de coleta e uso de informação armazenada por provedores de serviços na rede internet, cujos objetivos e consequências são opacos para a maioria dos usuários de tais serviços. Dada sua natureza filosófica, o autor não se compromete a fornecer respostas às questões de que trata. Mas ele se compromete a auxiliar seus leitores a compreender a complexidade dessas questões e das possíveis consequências éticas que a utilização, muitas vezes abusiva e descontrolada, das tecnologias de informação e comunicação pode acarretar. Esse compromisso do autor, simultaneamente ético e epistêmico, se exprime em cada página desta obra."</p> <p><strong>Abstract :</strong> “In this book we analyze the thesis according to which the Paradigm of Complexity, illustrated with the Complex Systems Theory and Self-Organization can contribute to the problems of Information Ethics. We understand Complex Systems Theory and Self-Organization provide a method for interdisciplinary investigation and a theoretical framework, which includes various informational dimensions in the study of events, situations or objects, among them some problems of Information Ethics. This is a branch of Philosophy of Information which has been gaining strength in recent years and, although there is no final definition, it is conceived as an area which reflects over moral challenges arising from the impact of insertion of information technology in our daily lives. Since various scholars have attempted to discover fundamental parameters that delimit borders in this new area of philosophical interdisciplinary investigation, we need to limit our scope, so we focus on Luciano Floridi’s Information Ethics. We believe these contributions can help characterize Information Ethics and its problems, collaborating with the understanding of new branches of philosophical research in the information society.”</p> João Antônio de Moraes Copyright (c) 2020 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/7 Fri, 11 Dec 2020 00:00:00 -0300 Multilinguismo no Mundo Digital: Trajetórias Iniciais https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/5 <div class="item abstract"> <div class="value"> <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>Ver este livro pronto me alegra. Porque ele fala do início de um processo que já soma quase dez anos de projetos, acertos e erros ligados ao tema. Instalada no interesse da pesquisa científica e guiada pela curiosidade e boa dose de teimosia atravessei – praticamente sem perceber - várias questões<br /><br />ligadas ao modo tradicional da divisão do trabalho intelectual no Brasil, e neste período trabalhei por três diferentes centros de pesquisa da UNICAMP, onde desenvolvi habilidades e conhecimentos importantes para minha trajetória intelectual e para a compreensão do tema.</p> <p>Apresento portanto o início minha trajetória inicial sobre o tema Multilinguismo no Mundo Digital, que parte de uma educação superior em letras, linguística e linguística computacional. E como questões ligadas a noções de linguagem, língua, proficiência, território, estado, tecnologia, democracia, etc. foram se deslocando, na medida em que a discussão e os trabalhos avançaram. Hoje, estes textos me parecem importantes porque mostram justamente a parte inicial da trajetória que percorri da teoria da linguagem para a filosofia temática e uma discussão a respeito de sistemas complexos e auto-organização. É preciso deixar claro que só foi possível sob o signo inequívoco das novas tecnologias e do que essa estranha novidade pode nos fazer pensar em relação às línguas, culturas e aos nossos interesses como acadêmicos e como seres humanos.<br /><br />As diferenças culturais e linguísticas no Brasil não se referem apenas a nossa relação com as etnias ameríndias, ou com as populações africanas escravizadas, ou com os imigrantes, esses outros nem sempre visíveis mas evidentes na nossa história. Ao pensar estas pluralidade de línguas e culturas [são estimadas aproximadamente sete mil línguas vivas no mundo hoje 2016] as relações se abrem em leque na direção de diversas comunidades que passam por situações semelhantes às que vivemos.</p> <p>Meu maior aprendizado vem sendo pensar modos de promover intercâmbio de línguas e culturas visando o bem comum, de maneira solidária com diferentes sociedades e na nossa própria sociedade. Ao me posicionar como pesquisadora, as diferenças linguísticas e culturais certamente estão presentes nas tradições e culturas acadêmicas de cada país. E trabalhar com Wanderley, Cláudia. Multilinguismo no Mundo Digital. Edição Especial Comemorativa, pp. 7-132, 2016.8 Multilinguismo no Mundo Digital esta temática e com quem pensa questões análogas implica necessariamente em aprender a trabalhar dentro deste cenário ou ao menos a considerá-lo.</p> <p>Este livro, é uma bela pista de que é possível trabalhar bem em rede, na universidade brasileira, em São Paulo, e particularmente na Unicamp. Eaqui agradeço ao Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência por ter dado uma casa para este tema, que me é tão caro. O CLE potencializou e<br /><br />expandiu a dinâmica de interlocução e os modos de entender os fenômenos através da filosofia temática. Especialmente em 2016, a luz do primeiro<br /><br />acordo da Unicamp com o povo Paiter Suruí, é preciso salientar a potêncialidade desta temática. Agradeço também a boa vontade e disposição pessoal da Profa. Itala D'Ottaviano e do Prof. Walter Carnielli, pela amizade e apoio sem o qual nada disso seria possível. Agradeço também pelo ambiente<br /><br />acolhedor do CLE (quem trabalha com pesquisa sabe a diferença que isto faz) no qual encontrei a possibilidade dar andamento aos meus interesses de<br /><br />pesquisa ligados ao Multilinguismo. E sobretudo aos queridos colegas e interlocutores que trocam comigo há aproximadamente dez anos, ideias, sentimentos e utopias.</p> </div> </div> <div class="item chapters"> <h3 class="pkp_screen_reader">Capítulos</h3> <ul> <li> <div class="title">Multilinguismo no Mundo Digital: Trajetórias Iniciais</div> </li> </ul> </div> Claudia Marinho Wanderley Copyright (c) 2020 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/5 Mon, 29 Jun 2020 00:00:00 -0300 Wittgenstein in/on translation https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/3 <div class="item abstract"> <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <div class="value"> <p><strong>ISBN</strong> 978-85-86497-40-7 / 978-85-86497-42-1 (e-book), CLE/Unicamp, 1<sup>a. </sup>Edição (2019) </p> <p>One of the main sources of contemporary analytic philosophy, the work of Austrian-British philosopher Ludwig Wittgenstein impacted neighboring fields not only in philosophy but also in areas like semiotics, linguistics, education and translation studies, even though such influence is not always clearly visible or explicitly recognized – especially where this happened indirectly. Coming from these different areas, the contributors to this volume share a large experience of reading Wittgenstein – through their own research interests – and, to a great extent, also in dealing with translational questions. The topic <em>translation</em> serves them here as a common theme to be addressed from their particular perspectives, with sometimes complementary, sometimes conflicting results.</p> <p>The <em>Wittgenstein in translation</em> variant involves analyzing translations of the Wittgensteinian body of work now available in several languages, by the criteria that guided the process. It also involves taking up the texts translated or revised by the author himself, which are of a signicant number in his <em>Nachlass</em>, whose electronic version is available online from the Wittgenstein Archives of the University of Bergen/Norway, host of the 2017 meeting that gave rise to this volume. Also guiding the <em>Wittgenstein on translation</em> variant is the philosopher’s perspective(s) on what translation is and how language works. What does ‘translating’ mean? Does it depend on how we conceive language itself? What Wittgensteinian concepts can be mobilized for a better understanding of the notion and practice of translating in different fields of application? These are some of the questions tackled here.</p> <p>This book is an effort not only in international cooperation, but also in intercultural communication. It is written in English, which – as <em>lingua franca</em> – is the mother tongue of none of the contributors. It is also a result of long-term exchanges between Brazilian researchers and their European (and Latin-American) fellows, spread over many countries, but gathered around the common interest in Wittgenstein’s philosophy. Arley Ramos Moreno, one of the guest editors, left us before the book was finished – an additional reason for us to remember the <em>Wittgenstein Colloquia</em> he organized for many years at Unicamp, gathering many of the leading voices in the field in both sides of the Atlantic, their results being usually published by <em>Coleção CLE</em>. This book, which we in a way dedicate to him, is certainly in line with that tradition.</p> <p><strong>Paulo Oliveira </strong>- CEL/Unicamp, member of the CNPq research group <em>Philosophy of Language and Knowledge</em></p> </div> </div> <div class="item chapters"> <h3 class="pkp_screen_reader">Capítulos</h3> <ul> <li> <div class="title">Wittgenstein in/on translation</div> </li> </ul> </div> Paulo Oliveira, Alois Pichler, Arley Moreno Copyright (c) 2020 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/3 Fri, 07 Feb 2020 00:00:00 -0300 I SOEITXAWE: Congresso Internacional de Pesquisa Científica na Amazônia https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/6 <div class="item abstract"> <div class="value"> <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p><em><strong>Prefácio</strong></em><br />“O melhor que o mundo tem é a diversidade de mundos que contém”</p> <p>(Eduardo Galeano)</p> <p>Como olhamos o outro (e a nós mesmos) no complexo emaranhado da vida? A reflexão sobre essa questão brotou e cresceu rapidamente à medida que íamos lendo a profusão dos textos deste livro e tentando descobrir um caminho de conexão entre eles. O que dizer das inúmeras visões de mundo nele impressas? Não elaboramos este prefácio como especialistas, mas apenas como apaixonadas pelo tema da valorização da diversidade cultural que, no fundo, expressa o desejo de uma sociedade melhor.</p> <p>Seguindo as trilhas de Boaventura de Souza Santos, reconhecemos que a forma dominante de saber, hegemônica na sociedade ocidental contemporânea, repousa em uma linha abissal, “invisível”, que estabelece uma distinção entre colonizadores e colonizados. De um lado dessa linha encontram-se os saberes canonizados do norte ocidental, que determinam o que é científico/não científico, verdadeiro/falso, aceitável/não aceitável enquanto programas de pesquisa. Do outro lado dessa linha abissal se amontanham as supostas “especulações” populares, as opiniões do senso comum, as superstições dos camponeses, indígenas e grande parte da humanidade contra-hegemônica, destituída de direitos fundamentais, sem o reconhecimento de suas formas de saberes.</p> <p>Em partes significativas do mundo, a linha abissal já não se impõe em seu pleno vigor; ela está sendo questionada, não apenas por filósofos e cientistas, mas por cidadãos vivendo na era pós-colonizadora, que<br />reconhecem o fundamental valor da diversidade de saberes para a própria manutenção da existência humana. Entendemos que a presente obra, organizada por Claudia Marinho Wanderley, Kachia Téchio,<br />Guilherme Carneiro e Vinícius Ferreira, retrata uma valiosa contribuição para esse questionamento.<br />Na Era do pós-tudo, já não podemos ignorar a visão ecológica de formas alternativas de vida dos povos da floresta, seus saberes que preservam o meio ambiente, seu conhecimento milenar, por exemplo de<br />ervas medicinais para curas de doenças que não encontram respaldo na medicina dominante. Também não podemos deixar de refletir, com apreço, sobre o ritmo de vida dos povos da floresta que contrasta com o ritmo frenético e doentio do “homo-celulare“. Descobrimos que a presente coletânea pode ser lida em tópicos que se delineiam, em diversas ordenações, através dos vários temas apresentados no I SOEITXAWE Congresso Internacional de Pesquisa Científica na Amazônia CT Paiter Suruí, Cacoal, Rondônia-Brasil, que ocorreu em maio de 2015. O termo Soeitxawe, significa, na língua tupi mondé suruí, conhecimento. Esse congresso, de que tivemos a sorte de participar, expressou um dinâmico e criativo movimento auto-organizado de amantes do conhecimento, que se expressa através da valorização da diversidade cultural, possibilitando um fértil diálogo entre povos da floresta, intelectuais nacionais e internacionais, jornalistas da cidade de Cacoal e membros da comunidade em geral.</p> <p>Iniciamos a nossa leitura pelo instigante relato da antropóloga Kachia Téchio, pesquisadora do grupo de estudos Multilinguismo e Multiculturalismo no Mundo Digital , coordenado pela pesquisadora Claudia Wanderley na Unicamp. Kachia nos brinda com o texto: Apresentação e breve narrativa do I Soeitxawe, no qual descreve seus primeiros contatos com o chefe Almir Surui, líder do Povo Paiter Surui, e sua experiência na organização do evento com o Povo Paiter Surui e a incansável Claudia Wanderley, encontro esse que resultou, entre outros, na elaboração da presente obra.</p> <p>Impossíveln deixar de compartilhar com Kachia uma imensa admiração pelos Paiter Surui que, em suas palavras: é um povo extremamente generoso, receptivo e coletivo. Ela nos conta que os temas do evento escolhidos pelos indígenas foram: saúde, educação, tecnologia e ambiente, temas esses que “... curiosamente formaram a palavra SETA, um sinônimo para flecha, e a proposta divertida divulgada nas conversas entre os indígenas era de atingir a comunidade científica com seus conhecimentos tradicionais.”<br />A SETA (Saúde, Educação, Tecnologia e Ambiente) se expressa dinamicamente em grande parte dos capítulos do livro, tornando impraticável a descrição de todos eles neste limitado espaço. De modo a<br />dar uma pequena amostra da rica variedade de textos aqui presentes, iniciamos o nosso percurso da SETA seguindo a perspectiva geral bem elaborada por Rubens Naraikoe Surui, no artigo Labiway EY SAD-<br />Sistema de Governança Paiter Surui. Nesse artigo, o leitor encontrará um pouco da realidade vivenciada pelo povo Surui nos âmbitos da saúde, educação, tecnologia e ambiente. O relato narrado pelo olhar do<br />estudioso de Direito desvela uma corajosa e emocionante história de luta para a manutenção da existência e autonomia de seu povo.</p> <p><br />No que diz respeito à Saúde, dentre as diversas perspectivas proporcionadas nesta obra, Wendril da Cruz Tomé apresentainteressantes resultados de uma pesquisa sobre a concepção de saúde dos indígenas da etnia Gavião. Em seu texto: Cultura do povo indígena Gavião e como tratam a respeito da saúde, Wendril reúne aspectos da entrevista com o cacique Catarino, da Aldeia Ikolen, em Ji-Paraná, Rondônia, sobre<br />formas de vida fundamentadas em hábitos de alimentação não industrializada e em recursos naturais de cura para doenças.</p> <p><br />Quanto ao tema da Educação, novamente a SETA percorre grande parte dos capítulos, mas a ênfase é dada a esse tema por Claudia Wanderley e Beatriz Raposo no belo texto: Lógicas e Epistemologias Locais:<br />encontro com os Paiter Suruí. O leitor atento descobrirá nesse texto uma reflexão sobre a fertilidade dos processos de auto-organização no acesso democrático à produção do conhecimento e no reconhecimento<br />respeitoso de saberes de diversos grupos sociais, elementos esses que, nas palavras da autora, “... são necessários para quem deseja trabalhar coletiva e intelectualmente em prol do bem comum e de uma cultura de paz”. Nesse mesmo contexto, Simone Gibran Nogueira, no capítulo intitulado Educação das Relações Étnico-Raciais, discute a situação de afrodescendentes brasileiros, criticando a perspectiva eurocêntrica colonial vigente em nossa sociedade. Ela ressalta a importância de se repensar a educação das relações étnico-raciais, de modo a, não apenas respeitar, mas, valorizar a pluralidade e a diversidade das culturas existentes na nação brasileira.</p> <p>O tema da Tecnologia é representado principalmente no texto de Claudia Ribeiro Pereira Nunes: O plano de sustentabilidade socioeconômica e cultural do povo Paiter Suruí na floresta amazônica e sua inserção tecnológica. Nesse capítulo, a autora busca compreender o plano de sustentabilidade, para os próximos 50 anos, do povo Paiter Suruí no contexto da Maria Eunice Quilici Gonzalez e Itala M. Loffredo D’ Ottaviano <br />globalização. O leitor compreenderá, na leitura do texto, os seguintes objetivos específicos da pesquisa em questão, que se propõe a: (i) diagnosticar os efeitos da inovação tecnológica inserida no referido<br />plano, bem como (ii) descrever a efetiva contribuição do plano para o desenvolvimento sustentável do povo Paiter Suruí e a sua visibilidade internacional.</p> <p><br />Finalmente, a SETA percorre amplamente o tema do Ambiente, com ênfase na fundamental importância da manutenção das reservas florestais, das nascentes, do reflorestamento sustentável e do respeito aos<br />povos da floresta. Com essa preocupação, encontramos, entre outros, o texto: Desenvolvimento sustentável: Uma análise dos mecanismos e das práticas adotadas por uma empresa rural situada no munícipio de Vilhena-RO no cultivo da Silvicultura para fins comerciais, elaborado por Vanessa Rodrigues do Prado<br />Morais; que apresenta e discute o projeto de reflorestamento, para fins comerciais, no estado de Rondônia. O tema da água é também investigado por Naara Ferreira Carvalho de Souza no texto: Avaliação de<br />impacto ambiental das nascentes urbanas de Ji-Paraná/RO. A autora discute problemas ambientais decorrentes da urbanização acelerada que afeta recursos hídricos de nascentes localizadas no município de Ji-Paraná, RO.</p> <p><br />Ainda no contexto ambiental, Yasmin Paiva Correa investiga, no capítulo intitulado Programa de aquisição de alimentos (PAA: a percepção de trabalhadores rurais do município de São Felipe do Oeste – RO, o fortalecimento da agricultura familiar, após o ingresso de agricultores no PAA, bem como as dificuldades enfrentadas por esses trabalhadores. A amostra de textos acima indicados representa apenas um pequeno<br />sinal da riqueza do volume aqui apresentado. Convidamos o leitor a percorrer a obra elaborando sua própria visão dos capítulos, com uma mente aberta para a compreensão da fertilidade inerente à diversidade cultural.</p> <p><br />Não poderíamos encerrar este prefácio sem destacar o papel fundamental do cacique, batalhador incansável, Almir Suruí, que recebeu o título de Doutor Honoris causa pela Universidade Federal de Rondônia, na organização do evento e no encaminhamento dos planos de sustentabilidade de seu povo. O leitor poderá apreciar a tentativa do chefe Almir de dialogar com membros da sociedade nacional e internacional que se abrem para um diálogo franco e respeitosos dos vários saberes que começam a ter voz no século XXI. Em seu recente contato com a nossa civilização, Almir reconhece que “... cada povo tem<br />seus próprios ideais, seus próprios princípios, sua visão, sua missão de lutar para manter sua autonomia, sua cultura, sua religião, sua história como povo.” Em seu texto, ele ressalta que esse reconhecimento o levou a refletir sobre o valor da vida das sociedades “que precisam ser respeitadas e valorizadas, dentro do princípio de mantê-lo como povo.</p> <p><br />...com essa visão eu luto bastante para que eu possa então fazer minha<br />parte como um dos líderes do povo Suruí”.<br />Acreditamos que a ecologia dos saberes que encontramos nesta obra<br />vem trazer um raio de luz na trilha da monocultura das mentes que se<br />instaurou em nossa civilização, desvelando um pouco da sociologia das<br />ausências inseridas no silêncio das culturas marcadas pela exclusão. A<br />poesia abaixo, de Oswald de Andrade, talvez expresse com elegância,<br />propriedade e senso de humor as complexas nuances da dinâmica<br />história da colonização de nosso país, que fortaleceram os elos da<br />colonização no estabelecimento da linha abissal que, para a felicidade de<br />muitos, já mostra sinais de mudanças.</p> <p><strong>Erro de português</strong><br />Quando o português chegou<br />Debaixo duma bruta chuva<br />Vestiu o índio<br />Que pena! Fosse uma manhã de sol<br />O índio tinha despido<br />O português<br />Oswald de Andrade<br />Maria Eunice Quilici Gonzalez<br />Itala M. Loffredo D’ Ottaviano</p> </div> </div> <div class="item chapters"> <h3 class="pkp_screen_reader">Capítulos</h3> <ul> <li> <div class="title">I SOEITXAWE <div class="subtitle">Congresso Internacional de Pesquisa Científica na Amazônia</div> </div> </li> </ul> </div> Claudia Marinho Wanderley, Kachia Téchio , Guilherme dos Santos Carneiro, Vinícius Ferreira Costa Copyright (c) 2018 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/6 Wed, 18 Apr 2018 00:00:00 -0300 XIV Abralin em Cena: Fake News e Linguagem https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/4 <p><a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/colecao-cle">Catálogo da Coleção CLE</a></p> <p>Verifique a disponibilidade para aquisição desse volume impresso <a href="https://www.cle.unicamp.br/cle/aquisicoes-publicacoes">&gt;&gt;aqui&lt;&lt;</a></p> <p>CADERNO DE RESUMOS DO XIV ABRALIN EM CENA: FAKE NEWS E LINGUAGEM</p> Claudia Wanderley, Anna Christina Bentes Copyright (c) 2019 Centro de Lógica, Epistemologia (CLE-UNICAMP) https://www.cle.unicamp.br/ebooks/index.php/publicacoes/catalog/book/4 Thu, 09 Nov 2017 00:00:00 -0200