As diferentes estratégias de enfrentar a controversa posição de Kant a respeito do dever de não mentir por amor à humanidade

Autores

  • Charles Feldhaus Universidade Estadual de Londrina

Palavras-chave:

Ética, Direito, Moral, Dever

Resumo

Este estudo pretende reconstruir algumas das principais estratégias de enfrentar a controversa posição de Kant em seu opúsculo Sobre o suposto direito de mentir por amor à humanidade, a saber, uma proibição incondicional da mentira, mesmo quando as consequências são catastróficas, buscando averiguar a pertinência dessas enquanto uma tentativa de melhor situar a ética de Kant diante das objeções avassaladoras dos críticos. Wood, por exemplo, defende que o opúsculo não trata de um dever ético, mas sim de um dever jurídico de não mentir, sustentando que a proibição da mentira no opúsculo não deriva do imperativo categórico, mas do princípio universal do direito. Korsgaard e Mahon afirmam que, independente da questão relativa ao tipo do dever em disputa entre Kant e Constant, o ponto é que não se segue da ética de Kant, ao menos em algumas das formulações do imperativo categórico uma proibição incondicional da mentira. Além disso, se defenderá que, a fim de evitar esse tipo de objeções a ética de Kant precisaria abandonar a distinção entre deveres de obrigação perfeita e deveres de obrigação imperfeita, uma vez que, mesmo que não seja uma disputa acerca de um dever ético, a classificação do dever de não mentir como um dever perfeito para consigo mesmo ou para com os outros implica sua incondicionalidade.

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Publicado

2012-01-01

Como Citar

FELDHAUS, C. As diferentes estratégias de enfrentar a controversa posição de Kant a respeito do dever de não mentir por amor à humanidade. Kant e-Prints, [S. l.], v. 6, n. 2, p. 120–134, 2012. Disponível em: https://www.cle.unicamp.br/eprints/index.php/kant-e-prints/article/view/423. Acesso em: 27 jan. 2022.

Edição

Seção

Artigos