Chamada para submissão de artigos: "Kant e a Antropologia"

A revista Kant e-Prints está organizando uma edição especial (Dossiê Kant), sob a coordenação do Prof. Henrique Azevedo (UECE) e do Prof. José Edmar Lima Filho (UVA), cujo tema é: “Kant e a Antropologia”.

Em relação à Antropologia em Kant, pergunta-se: “patinho feio” ou finalidade da filosofia? Desde 1997 a Antropologia kantiana (aqui referenciada em sentido lato) passou a tomar parte como objeto central de diversos estudos sobre a filosofia de Immanuel Kant. O ano de 1997 é particularmente importante para renovar o interesse pelos estudos sobre o tema porque foi o ano de publicação do volume XXV das edições da Kants Akamieausgabe, que corresponde às Vorlesungen über Anthropologie. Contendo anotações de seus alunos desde 1772 até 1789, as V-Anth permitem vislumbrar o desenvolvimento da disciplina que Kant lecionou, ininterruptamente, por mais de 20 anos, constituindo-se em material de base para a formulação de sua Antropologia de um ponto de vista pragmático. É sem dúvida objeto de uma hermenêutica bastante diversa o problema referente ao lugar que ocupa, no interior da filosofia de Kant, a pergunta “o que é o homem?”. A pergunta aparece de forma mais clara tanto em uma carta de Kant a Stäudlin (04/05/1793) quanto na gica de 1800, neste caso sucedida pela afirmação de que a antropologia pode incluir as outras três clássicas perguntas anteriores, quais sejam i. “o que posso saber?”, ii. “o que devo fazer?, e iii. “o que me é permitido esperar?”, as quais se destacam como dos maiores interesses da razão. Se levarmos a sério a letra e o espírito de Kant, qual seria o papel da antropologia no interior de sua filosofia? Uma vez que a pergunta antropológica apenas surge na década de 1790, a antropologia engoliria todas as críticas, fazendo-as trabalhar a seu favor? Seria a filosofia kantiana um projeto revisitado na década de 1790, voltando-o à antropologia? Por que os intérpretes e comentadores de Kant sempre costumaram tratar a antropologia (assim como temas pragmáticos por excelência) como acidentes ou meramente desimportantes aos objetivos de sua filosofia? Se a filosofia transcendental tiver sido, de fato, convertida ao serviço da antropologia, haveria uma antropologia transcendental? Se a pergunta acerca do homem se refere vagamente a uma antropologia, seria esta satisfeita com a publicação da Antropologia de um ponto de vista pragmático ou seria a obra apenas um tipo de antropologia, sendo, pois, aquela vaga referência antropológica na carta ou na Lógica um projeto maior e inacabado? Finalmente, se se tomar a antropologia como ciência principal, na qual a metafísica, a moral e a religião estão subsumidas, todas as teorias raciais, colonialismo e misóginas com um teor prejudicial a outros seres humanos (contidas em seus textos menores e na própria a Antropologia de um ponto de vista pragmático) poderiam ser tomadas como parte inalienável da filosofia kantiana? Para responder a essas e outras muitas perguntas possíveis em relação ao tema, convidamos a comunidade acadêmica a submeter ensaios, artigos, resenhas, etc. à Revista Kant e-Prints sobre a questão, que permanece em aberto, sobre a antropologia kantiana.

As regras para submissão de artigos encontram-se no sítio da Kant e-Prints e podem ser conferidas na guia: Submissões. As propostas devem ser enviadas pela plataforma da revista. O prazo limite para submissão é 20 de abril de 2022. Lembramos que a submissão de artigos acerca de tópicos em geral é de fluxo contínuo.